Manoel Fiel Filho

MANOEL FIEL FILHO
(49 anos)
Operário Metalúrgico

☼ Quebrangulo, AL (07/01/1927)
┼ São Paulo, SP (17/01/1976)

Manoel Fiel Filho foi um operário metalúrgico brasileiro morto durante a Regime Militar no Brasil. 

As circunstâncias da sua morte são idênticas as do estudante Alexandre Vannucchi Leme, do 1º Tenente da PM, José Ferreira de Almeida e do jornalista Vladimir Herzog. Como ocorreu nesses casos, a morte de Manoel foi registrada, na época, como suicídio, mas abalou significativamente a estrutura do regime militar, provocando o  afastamento do general Ednardo D'Ávila Mello, ocorrido três dias após a divulgação de sua morte.

A morte de Manoel Fiel Filho é investigada pela Comissão Nacional da Verdade.

Manoel Fiel Filho saiu do Sítio Gavião, em Quebrangulo, Alagoas, aos 18 anos de idade. Morou na cidade de São Paulo, SP, desde os anos 50. Foi padeiro e cobrador de ônibus antes de se tornar operário metalúrgico na Metal Arte Industrial Reunidas, no bairro da Mooca. Lá trabalhou no setor de prensas hidráulicas por 19 anos.

Ele era casado com Thereza de Lourdes Martins Fiel, tinha duas filhas, e morava num sobrado na Vila Guarani.

Na manhã do dia 16/01/1976, uma sexta-feira, Manoel foi procurado na Metal Arte Industrial Reunidas por dois homens que se identificaram como agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e o convidaram a prestar esclarecimentos. De lá os três seguiram para a casa do operário onde os oficiais realizaram uma operação de busca e apreensão. Após ter a casa revistada Manoel Fiel Filho foi autorizado a ficar a sós com sua família por alguns instantes e em seguida entrou no carro dos agentes. O operário foi encaminhado para o Destacamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) do II Exército e essa foi a última vez que a esposa e as filhas o viram vivo.

Morte

Segundo relatório enviado à Agência Central do Serviço Nacional de Informações, durante investigação sobre o Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi preso, no dia 15/01/1976, Sebastião de Almeida, que apontou Manoel Fiel Filho como seu contato.

Às 8h30 do dia 17/01/1976, um dia após ser levado para o DOI-COID, Manoel foi interrogado por duas horas e depois encaminhado de volta a cela.

Às 11h00 ele foi novamente chamado para uma acareação, que durou 15 minutos e avaliou sua ligação com Sebastião de Almeida. Dessa vez os agentes concluíram que Manoel Fiel Filho  recebia de Sebastião de Almeida, mensalmente, 8 exemplares do jornal a Voz do Operário, o que, diante do regime militar, era motivo suficiente para comprovar sua conexão com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e justificar a prisão.

Ainda segundo o relatório Manoel Fiel Filho foi levado de volta a cela após a acareação e visto vivo e calmo, pelo carcereiro de serviço, por volta do 12h15. Já as 13h00 o carcereiro tomou ciência que "Manoel Fiel Filho suicidara-se no xadrez, utilizando-se de suas meias, que atou ao pescoço, estrangulando-se."

Às 22h00 a família foi comunicada do suicídio de Manoel Fiel Filho, mas a entrega de corpo só foi realizada com a condição de que os parentes o sepultassem o mais rápido possível e que não se falasse nada sobre sua morte.

No domingo, dia 18/01/1976, às 08h00, Manoel Fiel Filho foi sepultado por seus familiares no Cemitério da IV Parada, em São Paulo.

Pós-morte

Na nota em que comunicava o suicídio de Manoel Fiel Filho o II Exército manda instaurar um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso. Em 30 dias o IPM foi concluído e em parecer datado de 28/04/1976, o procurador militar Darcy de Araújo Rebello pede o arquivamento do processo alegando que:

"As provas apuradas são suficientes e robustas para nos convencer da hipótese do suicídio de Manoel Fiel Filho, que estava sendo submetido a investigações por crime contra a segurança nacional. (...) Aliás, conclusão que também chegou o ilustre Encarregado do Inquérito Policial Militar"

O comandante do II Exército, Ednardo D'Ávila Mello, no entanto, foi exonerado do cargo meses depois do ocorrido, pelo presidente da época Ernesto Geisel. Segundo Paulo Egydio Martins, Ministro do Desenvolvimento de Castelo Branco, em reunião com dirigentes militares após a morte de Vladimir HerzogErnesto Geisel teria dito que não toleraria mais esse tipo de crime nas dependências do Exército, o que justificaria a exoneração do militar após a morte de Manoel Fiel Filho.

Em ação judicial movida pela família e patrocinada pelos advogados Marco Antônio Rodrigues Barbosa, Samuel Mac Dowell Figueiredo e Sérgio Bermudes, foi julgado procedente, em 1995, a condenação da União e o reconhecimento de sua responsabilidade pela prisão ilegal, tortura e morte de Manoel Fiel Filho.

Entre os argumentos foram citados: a exoneração do comandante do exercito, o relato dos operários presentes no dia da prisão de Manoel e o depoimento dos presos políticos que presenciaram a tortura de Manoel, dado, em 1978, a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, então integrada por José Carlos Dias, José Gregori, Margaria Genevois, Hélio Bicudo entre outros defensores dos Direitos Humanos. 

Vida Em Obra

Documentário

Estreou em 2009, sob a direção de Jorge Oliveira, o documentário "Perdão, Mister Fiel". O filme conta a perseguição política ao metalúrgico pela ditadura militar brasileira, que resultou em seu assassinato nos porões do DOI-CODI, fato que desencadeou o processo de abertura política e redemocratização do país.

Personalidades como Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Jarbas Passarinho e Marival Chaves, ex-agente do DOI-CODI, dão seus depoimentos sobre o episódio.

Livro

Em 1980, foi lançado o livro "Manoel Fiel Filho: Quem Vai Pagar Por Este Crime?", de Carlos Alberto Luppi, pela Editora Escrita. 

Fonte: Wikipédia

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