Raphael Rabello

RAFAEL BAPTISTA RABELLO
(32 anos)
Compositor, Violonista e Arranjador

* Petrópolis, RJ (31/10/1962)
+ Rio de Janeiro, RJ (27/04/1995)

Rafael Rabello foi um violonista, compositor e arranjador brasileiro, ligado ao choro e à música popular brasileira. É considerado um dos maiores violonistas brasileiros de todos os tempos, sobretudo em sua especialidade, o violão de 7 cordas.

Irmão da cantora Amélia Rabello e da cavaquinista Luciana Rabello, foi o caçula de uma família de nove filhos. Sua primeira influência musical foi de seu avô materno José de Queiroz Baptista, chorão e violonista amador, a quem dedicou o choro "Meu avô". Quem lhe ensinou os primeiros acordes no violão foi seu irmão Ruy Fabiano, quando tinha apenas sete anos de idade. Sua desenvoltura no instrumento foi notada desde cedo e começou a ter aulas de teoria musical com Maria Alice Salles, professora também de seus irmãos.

Aprendeu muito tocando junto com discos, em especial os dois volumes de "Choros Imortais", do Regional do Canhoto. Jayme Florence, mais conhecido como Meira, era o violonista desse grupo e acabou tornando-se seu professor. Mais tarde, teve aulas de harmonia com Ian Guest.

Menino prodígio que executava partituras aos 8 anos e aos 13 se tornou profissional, Rafael Rabello participou de mais de 200 discos de astros como Ney MatogrossoCaetano Veloso e seu cunhado Paulinho da Viola, além de gravar uma dezena de CDs com o próprio nome.

Rafael Rabello foi casado com Liana Rabello, com quem teve duas filhas: Diana e Rachel.

Iniciou sua carreira profissional em 1976, integrando o conjunto musical Os Carioquinhas, juntamente com sua irmã Luciana (que, a seu pedido, trocou o violão pelo cavaquinho), Paulo Alves (bandolim), Téo (violão de seis cordas) e Mario Florêncio (pandeiro).

Rafael Rabello participou de concertos e gravações com famosos músicos brasileiros, tais como Tom Jobim, Ney Matogrosso, Zé Ramalho, Jacques Morelenbaum, Paulo Moura, João Bosco e também instrumentistas internacionais, como por exemplo Paco de Lucia.

Rafael Rabello passou a tocar o violão de sete cordas influenciado por Dino 7 Cordas, com quem gravou um álbum em 1991. Rafael Rabello, por um tempo, dedicou-se somente ao violão de sete cordas, chegando, inclusive, a adotar o nome "Raphael 7 Cordas" (o mesmo nome de seu primeiro álbum).

No início dos anos 1980, ele participou como instrumentista em famosas gravações de samba como por exemplo, "Minha Missão", de João Nogueira. Ele desenvolveu um ritmo de samba para violão que é reproduzido por diversos violonistas de hoje em dia.

"Ele não tem limitações. Técnica, velocidade, bom gosto harmônico, um artista completo!"
(Dino 7 Cordas)


O Início do Drama

Na vida pessoal, depois de descobrir que era portador do vírus da AIDS, o violonista, casado e com duas filhas, passou os últimos tempos lutando ferozmente contra o vício da cocaína e do álcool. Raphael Rabello também sofria de apnéia - suspensão da respiração, que acontece normalmente durante o sono.

A tragédia de Raphael Rabello começou involuntariamente, em maio de 1989, quando ele sofreu um acidente de carro no Rio de Janeiro, a bordo de um táxi, e teve o braço direito esmagado. No pronto-socorro, quiseram amputar-lhe o braço. Levado a um hospital particular, submeteu-se a uma delicada cirurgia de reconstituição, tão bem-sucedida que meses depois ele voltava a dedilhar seu violão. Dois anos mais tarde decidiu procurar um médico para emagrecer e iniciou um regime acompanhado por anfetaminas. A certa altura do tratamento, o médico constatou que Rafael Rabello estava anêmico e pediu uma bateria de exames, inclusive o teste de HIV. O exame deu positivo.

Segundo a família, o vírus teria sido contraído numa transfusão de sangue à época do acidente. Embora em 1989 a disseminação da AIDS já tivesse determinado uma fiscalização rígida nos bancos de sangue, a infectologista carioca Maria de Lourdes Moura não descartou a hipótese de que Rafael Rabello tivesse sido vítima de contaminação no hospital.

A descoberta de que era soropositivo fez com que Raphael Rabello mergulhasse fundo no álcool e nas drogas. "Durante uma temporada que fizemos numa casa noturna, ele ficou três dias sem dormir", recordou o saxofonista Paulo Moura. Além disso, Raphael Rabello iniciou uma desvairada corrida contra o tempo. "Ele passou a ter um sentimento de urgência diante da vida, queria fazer mil trabalhos ao mesmo tempo", relatou o jornalista Ruy Fabiano, o mais velho de seus oito irmãos.

Em 1994 Raphael Rabello deixou o Brasil, já com problemas com as drogas, e foi para os Estados Unidos com a perspectiva de expansão de sua carreira profissional. Chegando lá começou a lecionar em uma universidade de música em Los Angeles. Paralelamente começou a libertar-se das drogas. Mais tarde, porém, Raphael Rabello precisou voltar ao Brasil para breve trabalho aprovado pela Fundação Cultural Banco do Brasil: a realização de um disco resgatando a obra do compositor Capiba.

Atormentado pelo vírus da AIDS e pelas drogas, Raphael Rabello morreu vítima de Arritmia Cardíaca seguida de parada respiratória aguda, aos 32 anos, dia 27 de abril de 1995, no Rio de Janeiro.


Legado

Raphael Rabello teve 2 CD's gravados em sua homenagem e uma escola nomeada com seu nome. O último trabalho feito em sua homenagem, era o que ele se encontrava produzindo antes de sua morte: Um Tributo à Lourenço da Fonseca Barbosa, conhecido por Capiba (1904–1997). Ele foi um dos arranjadores, também creditado como produtor, tocou grande parte do violão do disco e mesmo, cantou uma das canções. A lista de cantores convidados é realmente impressionante: Chico Buarque, Paulinho da Viola, Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Alceu Valença, João Bosco e Ney Matogrosso.

Alguns violonistas manifestaram suas opiniões sobre Raphael Rabello:

"A música e o seu estilo único de tocar o violão fazem falta, apesar de termos admiráveis “sucessores” como o Yamandú Costa e o Alessandro Penezzi, dois monstros. Mas o Raphael tinha um estilo diferente, ele conseguia transitar por mundos diferentes dentro da música e não ficava preso ao mundo do violão instrumental, ele fazia parcerias fantásticas com grandes vozes da música brasileira."
(Andreas Kisser, Sepultura)

"O melhor violonista que eu já ouvi em anos. Ele ultrapassou as limitações técnicas do violão, e sua música vinha progressivamente de sua alma, diretamente para os corações de quem o admirava."
(Paco de Lucia)

"Raphael Rabello foi simplesmente um dos maiores violonistas que já existiu. Seu nível de introspecção no potencial do instrumento só foi alcançado, talvez, pelo grande Paco de Lucia. Ele foi 'o' Violonista Brasileiro de nosso tempo, na minha opinião. Sua morte, em uma idade ainda tão jovem é uma perda incrivelmente dolorosa, não apenas pelo que ele já tinha feito, e sim pelo que ele poderia vir a fazer."
(Pat Metheny)

"Raphael Rabello foi um dos mais notáveis violonistas de todos os tempos. A sua 'pegada' era muito expressiva e confiante, com interpretações vibrantes e técnica exuberante. A contribuição dele foi essencial, deixando uma das mais ricas e memoráveis páginas na história do violão brasileiro."
(Marco Pereira)

"Se o violão tem se estabelecido mais uma vez como a principal voz instrumental da música moderna brasileira, muito do crédito pode ser dado a Raphael Rabello…"
(Mark Holston, Guitar Player Magazine)

"Ele foi um incrível violonista. Eu nunca vi igual… ele foi único!"
(Francis Hime, Guitar Player Magazine)

"Esse é um dos melhores violonistas que eu já ouvi."
(Lee Ritenour, JazzTimes Magazine)

"Raphael era um amigo muito próximo. Quando eu o conheci, eu fiquei impressionada com o seu talento. Eu estava estonteada pela sua genialidade."
(Gal Costa)


Discografia

  • 2002 - Mestre Capiba (Lançamento Póstumo)
  • 2001 - Amélia Rabelo & Raphael Rabello (Lançamento Póstumo)
  • 1997 - Raphael Rabello & Armandinho em Concerto
  • 1996 - Armandinho e Raphael Rabello (Brasil Musical - Série Música Viva)
  • 1994 - Relendo Dilermando Reis
  • 1994 - Cry, My Guitar (Gravado em 1994 - Lançado Postumamente)
  • 1993 - Delicatesse - Raphael Rabello e Déo Rian
  • 1992 - Dois Irmãos - Raphael Rabello e Paulo Moura
  • 1992 - Todos os Tons - Raphael Rabello
  • 1992 - Shades Of Rio - Romero Lumambo e Raphael Rabello
  • 1991 - Todo o Sentimento - Raphael Rabello e Elizeth Cardoso
  • 1991 - Raphael Rabello e Dino 7 Cordas
  • 1990 - À Flor Da Pele - Ney Matogrosso e Raphael Rabello
  • 1989 - Nelson Goncalves & Raphael Rabello - Ao Vivo
  • 1988 - Raphael Rabello
  • 1987 - Raphael Rabello Interpreta Radamés Gnattali
  • 1982 - Raphael 7 Cordas
  • 1982 - Tributo a Garoto - Radamés Gnattali e Raphael Rabello
  • 1977 - Os Carioquinhas no Choro

3 comentários:

  1. Ele tinha uma velocidade nos dedos tao rapido que eu nao vi em nenhum violonista da atualidade,ele trocava os acordes dissonantes em uma velocidade fenomenal,talvez o unico violonista que chegou perto da velocidade dele foi yamandu costa mas sinceramente yamandu é muito acrobata malabarista e Rafael Rabello sabia usar a sua agilidade no tempo certo

    ResponderExcluir
  2. Marcos eu nao encontrei a biografia do JAIME FLORENCE mais conhecido como MEIRA,ele foi um grande violonista inclusive foi ele quem ensinou tecnicas de choro no violao pro Rafael Rabello

    ResponderExcluir
  3. Ao retornar de viagem estarei averiguando a biografia de Jaime Florence.

    ResponderExcluir

Atenção!

Prezado amigo leitor, a partir desta data, 13/05/2019, não serão mais aceitos comentários anônimos. Portanto, não me responsabilizarei pelos comentários que alguém possa vir a fazer denegrindo a imagem de quem quer que seja e que esteja publicada neste blog.

Antes de fazer o seu comentário, se identifique e se responsabilize.

Desde já fico grato!