Márcio Montarroyos

MÁRCIO MONTARROYOS
(59 anos)
Instrumentista e Compositor

* Rio de Janeiro, RJ (08/07/1948)
+ Rio de Janeiro, RJ (12/12/2007)

Márcio Montarroyos foi um músico instrumentista brasileiro, trompetista, é considerado um dos principais expoentes da música instrumental no país. Em 1973 regravou a canção "Carinhoso" de autoria do grande compositor brasileiro Pixinguinha, que foi tema principal da trilha sonora da novela "Carinhoso" (1973) exibida pela TV Globo.

Márcio Montarroyos nasceu no Rio de janeiro em 1948 numa família de músicos, ingressou no mundo da música estudando piano e clássico. Porém, seria com o trompete e a flugelhorn, e o subseqüente interesse pelo jazz e pela música popular, que se destacaria. Depois de ganhar experiência nas noitadas de jazz, juntou-se à lendária A Turma da Pilantragem, de onde sairiam Zé Roberto Bertrami e Alexandre Malheiros, fundadores do lendário Azymuth.

Para Márcio Montarroyos, estar entre os melhores era a confirmação desse longo percurso musical, para o qual foi devidamente preparado e dirigido. Disse ele: "Minha família é composta de músicos, e quando se tem sangue de músico, nada é empecilho. Vim ao mundo para fazer o que faço, e sei que é gratificante fazer bem o que se sabe fazer."

Márcio Montarroyos dispensava maiores apresentações. Sua carreira, totalmente consolidada, definia o artista. Era, sem dúvida, um dos maiores expoentes da música instrumental brasileira. Excepcional improvisador, dono de um estilo altamente pessoal, uma técnica apurada, invejável sensibilidade musical, dominava com maestria o trompete e a flugelhorn.

Márcio Montarroyos foi o maior frasista do trompete, porque fazia a frase ao mesmo tempo com suingue e noção harmônica - confirma Wagner Tiso, que conhecia Márcio desde meados dos anos 60. Ele relembra: "Tocávamos nos clubes de jazz da noite carioca e depois no Sexteto Paulo Moura."

A melhor definição de Márcio Montarroyos é, talvez, a do jornalista João Marcos Coelho que disse:

"Marcio constrói um som encantadoramente brasileiro com acentuação funk irresistível, combinatória que, realmente, expressa a dicção melódica desse artista."

O som de Márcio Montarroyos irrompe majestoso das camadas da alma de um artista que, sendo escancaradamente brasileiro, agrega em seu repertório o que de melhor o mundo ocidental produziu até então.

Depois de sua passagem pela renomada escola de música de Berklee, Massachussets, Estados Unidos, no começo da década de 1970, onde encontrou sua verdadeira voz artística quando se apaixonou pelo jazz, o mais fluido e indisciplinado dos gêneros musicais e quando optou também pelo trompete e pela flugelhorn, De volta ao Brasil, passou a se apresentar em shows e casas noturnas.

Após essa primeira estada americana, voltou com freqüência aos Estados Unidos, com convites para participar de gravações e apresentações ao vivo.

Márcio Montarroyos sempre se empenhou para a divulgação e o crescimento da música instrumental do Brasil e foi o primeiro músico contratado pela Columbia Records, companhia americana pertencente a Sony BMG.

A Carreira

Entre 1968 e 1969, fez parte do conjunto A Turma da Pilantragem, ao lado dos instrumentistas Zé Roberto Bertrami, Alexandre Malheiros, Vitor Manga, Fredera e Ion Muniz, e das cantoras Regininha, Málu Balona e Dorinha Tapajós. Com o grupo, gravou três LPs.

O artista trabalhou com grandes nomes da música contemporânea nacional e internacional, incluindo: Stevie Wonder, Tom Jobim, Sérgio Mendes, Sarah Vaughan, Hermeto Pascoal, Nancy Wilson, Egberto Gismonti, Carlos Santana, Milton Nascimento, Ella Fitzgerald, Ney Matogrosso, dentre muitos outros.

Destacou-se também pelas belas composições de trilhas sonoras para cinema e televisão no Brasil e no exterior.

Como artista solo, Márcio Montarroyos registrou entre 1973 e 1995 12 álbuns, nos quais fazia uma síntese bem brasileira de sons, que incluía influências da black music americana e do jazz mais ortodoxo.

Como músico acompanhante, tocou ao vivo e em estúdio com a realeza da MPB e do instrumental dos anos 70, 80, e 90. De Roberto Carlos a Hermeto Paschoal, de Tom Jobim a Egberto Gismonti, de Gabriel O Pensador a Sérgio Mendes.

Foi ativo compositor de trilhas para a TV e cinema, deixando temas e arranjos para novelas e minisséries tendo participado da trilha sonora do filme "Orfeu" (1999), sendo arranjador das composições brasileiras do filme "Luar Sobre Parador" (1988) da Universal Studios, e em programas de televisão no Brasil e no exterior. Dentre eles destacam-se:

  • Live Under The Sky Tokyo ... Japão
  • Pfingers Concert Mainz ... Alemanha, 1992
  • Marcio Montarroyos In Concert ... TV Manchete / Free Jazz
  • Marcio Montarroyos Especial TV Cultura (Jazz Brasil)
  • Jose Duarte Show ... Porto, Portugal
  • Jazz In Concert TV Europa  ... Zurique / Suíça
  • Carinhoso ... Trilha sonora da novela da TV Globo
  • Planeta Terra ... IBM Especial
  • A Máfia no Brasil - Série de TV Minissérie ... TV Globo
  • Bar Academia - Série de TV Partitura Original
  • Globo Gente ... Show de Variedades Direção Musical


Morte

Márcio Montarroyos, morreu às 05:00 hs de quarta-feira, 12/12/2007, em sua casa. Vítima de câncer no pulmão, diagnosticado há pouco mais de dois meses. O sepultamento ocorreu no final da tarde de quarta-feira, 12/12/2007, às 17:00 hs, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro.

A cerimônia foi marcada pela presença de cerca de 100 pessoas, entre parentes, amigos e muitos músicos. No momento do sepultamento, todos os presentes prestaram sua última homenagem, com uma longa salva de palmas.

No dia 19/11/2007, amigos do cantor fizeram um show, batizado de "Festa Para o General", no novo Mistura Fina para custear o tratamento de saúde de Márcio Montarroyos. Artistas como Edu Lobo, Marcos Valle, Leila Pinheiro, Paulinho Trompete, Arthur Maia, Ney Matogrosso, Marcos Valle, João Donato, entre outros, não só se apresentaram sem cobrar cachê como desembolsaram R$ 150,00 por um ingresso. Fafá de Belém comprou 16 lugares. As apresentações começaram assim que o homenageado da noite chegou, sob aplausos. Em seguida, uma fila de músicos se formou para cumprimentá-lo. Emocionado, Márcio Montarroyos agradecia: "Isso é muito importante para mim, parece algo sobrenatural."

Mesmo lutando contra um câncer no pulmão, Márcio Montarroyos gravou um CD, "Rio e o Mar". Sobre esse trabalho, com 12 músicas, entre clássicos de grandes compositores brasileiros e temas originais, o trompetista escreveu:

"É uma homenagem ao Rio de Janeiro, na qual faço um apanhado poético-instrumental sobre o amor que sinto por essa cidade verdadeiramente maravilhosa. (...) Dedico-o também ao meu amigo e irmão Pedro Paulo, por quem tenho grande admiração e carinho. Por sua luta em expandir a boa música da forma mais autêntica e charmosa através do Mistura Fina, uma casa da qual tenho muito orgulho de ter participado desde a 'fase-embrião'".

Discografia

  • 2002 - O Pianista do Cinema Mudo
  • 1997 - The Best Of Márcio Montarroyos
  • 1995 - The Congado Celebration
  • 1992 - Larry Coryell & Live From Bahia
  • 1989 - Concerto Planeta Terra - Nelson Ayres, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas e Márcio Montarroyos
  • 1989 - Terra Mater
  • 1987 - Samba Solstice
  • 1984 - Carioca
  • 1982 - Magic Moment
  • 1981 - Trompete Internacional
  • 1981 - Piston Internacional
  • 1977 - Stone Alliance
  • 1973 - Carinhoso (Trilha Sonora da Novela da TV Globo)
  • 1973 - Sessão Nostalgia


Fonte: Wikipédia e Saiba Música - Instituto Cultural e Social
Indicação: Miguel Sampaio

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