Jair Rodrigues

JAIR RODRIGUES DE OLIVEIRA
(75 anos)
Cantor e Compositor

* Igarapava, SP (06/02/1939)
+ Cotia, SP (08/05/2014)

Jair Rodrigues de Oliveira foi um cantor e compositor brasileiro, pai de Luciana Mello e Jair Oliveira. Nasceu no dia 06/02/1939 em Igarapava, interior de São Paulo. Ele iniciou a carreira musical na década de 50 e, na década seguinte, atingiu o sucesso em programas de calouros na televisão.

Na infância, cantava música religiosa em igreja. Antes de ingressar na vida artística, trabalhou como engraxate, mecânico, servente de pedreiro e ajudante de alfaiate.

Em 1958, participou pela primeira vez de um programa de calouros, em São Carlos, SP. Em seguida, mudou-se para a capital paulista, onde trabalhou na Alfaiataria Primor. Seu filho Jairzinho também ingressou na vida artística, tendo participado, na década de 80, do programa infantil da TV Globo "Balão Mágico", iniciando, mais tarde, uma bem-sucedida carreira como cantor, já na virada da década de 90 para o ano 2000.

Jair Rodrigues iniciou sua carreira em 1957, atuando como crooner em casas noturnas do interior de São Paulo.

A partir de 1960, passou a cantar na capital paulista, participando de programas de calouros, entre os quais o "Programa de Cláudio de Luna", na Rádio Cultura, no qual obteve a primeira colocação.

Gravou seu primeiro disco em 1962, com duas músicas para a Copa do Mundo do mesmo ano: "Brasil Sensacional" e "Marechal Da Vitória", essa última muito executada pela Rádio Record. Lançou em seguida um compacto simples contendo as canções "Balada Do Homem Sem Deus" (Fernando César e Agostinho dos Santos) e "Coincidência" (Venâncio e Corumba).

Seus primeiros LPs foram "Vou De Samba Com Você" e "O Samba Como Ele É", lançados em 1964. Nessa época, atingiu grande popularidade com sua interpretação da música "Deixa Isso Pra Lá" (Alberto Paz e Edson Meneses), marcada pela gesticulação que fazia com a palma da mão. Essa canção, considerada precursora do rap brasileiro por seu refrão "falado", foi regravada em 1999 com a participação do grupo paulistano de rap Camorra.


Em 1965, substituiu Baden Powell no show realizado no Teatro Paramount, em São Paulo. Foi nesta ocasião que cantou pela primeira vez ao lado daquela que seria sua parceira, a estreante Elis Regina, com quem lançou em seguida o LP "Dois Na Bossa", gravado ao vivo. Devido ao enorme sucesso alcançado pelo disco, formou com a jovem cantora a dupla Jair e Elis, no comando do programa "O Fino Da Bossa", produzido pela TV Record de São Paulo, que teve estréia dia 19/05/1965, marcando definitivamente seu lugar entre as grandes estrelas da Música Popular Brasileira. Nesse ano, registrou um de seus grandes sucessos, "Tristeza" (Niltinho e Haroldo Lobo). A música, gravada anteriormente por Ari Cordovil, obteve grande destaque no carnaval de 1966 na voz do cantor.

Em 1966, gravou o LP "O Sorriso Do Jair". Participou, nesse ano, do II Festival de Música Popular Brasileira na TV Record, defendendo a canção "Disparada" (Geraldo Vandré e Teo de Barros), dividindo o primeiro lugar com "A Banda" (Chico Buarque), defendida por Nara Leão.

Ao lado de Elis Regina lançou mais dois volumes da série "Dois Na Bossa", em 1966 e 1967, ano em que gravou o LP "Jair".

Em 1968, participou do IV Festival de Música Popular Brasileira na TV Record, obtendo a terceira colocação do júri popular com a música "A Família" (Chico Anysio e Ari Toledo). Também nesse ano, participou da Bienal do Samba na TV Record, em São Paulo, com "O Que Dá Pra Rir, Dá Pra Chorar" (Billy Blanco), classificada em quinto lugar no evento vencido por Elis Regina com "Lapinha" (Baden Powell e Paulo César Pinheiro). Ainda em 1968, lançou o LP "Menino Rei Da Alegria".

Em 1969 fez o show de entrega dos prêmios Golfinhos de Ouro e Troféus Estácio de Sá, do Museu da Imagem e do Som, na Sala Cecília Meireles, quando atuou ao lado de Clementina de Jesus. Também em 1969, lançou os LPs "Jair De Todos Os Sambas" e "Jair De Todos Os Sambas Nº 2".

Sua popularidade não se restringiu somente ao Brasil, tendo se apresentado com freqüência no exterior, em países como Portugal, Alemanha, França, Suíça, Itália, Estados Unidos e Japão. Apresentou-se com Elis Regina e o Zimbo Trio no Cassino Estoril, em Portugal, no Teatro Famoso, na Argentina, e no Cine Ávis, em Angola, entre outros espaços.

Em 1970. Gravou o LP "Talento E Bossa De Jair Rodrigues".


Em 1971 apresentou-se, ao lado do grupo Os Originais do Samba, no Midem, em Cannes, e lançou o LP "É Isso Aí". Ainda em 1971, gravou o LP "Festa Para Um Rei Negro", contendo o samba-enredo homônimo da escola de samba carioca Acadêmicos do Salgueiro, do compositor Zuzuca (Adil de Paula), um de seus grandes sucessos e um dos mais conhecidos refrões da história do carnaval brasileiro: "Ô lê lê, ô lá lá / pega no ganzê / pega no ganzá".

Ainda nos anos 1970, gravou os LPs "Com A Corda Toda" (1972), "Orgulho De Um Sambista" (1973), "Abra Um Sorriso Novamente" (1974), "Jair Rodrigues Dez Anos Depois" (1974), "Ao Vivo No Olympia De Paris" (1975), "Eu Sou O Samba" (1975), "Minha Hora E Vez" (1976), "Estou Com O Samba E Não Abro" (1977), "Pisei Chão" (1978), "Antologia Da Seresta" (1979) e "Couro Comendo" (1979).

Na década de 80, lançou os LPs "Estou Lhe Devendo Um Sorriso" (1980), "Antologia Da Seresta Nº 2" (1981), "Alegria De Um Povo" (1981), "Jair Rodrigues de Oliveira" (1982), "Carinhoso" (1983), "Luzes Do Prazer" (1984), "Jair Rodrigues" (1985) e "Jair Rodrigues" (1988).

Nos anos 1990, gravou o LP "Lamento Sertanejo" (1991) e os CDs "Viva Meu Samba" (1994), "Eu Sou... Jair Rodrigues" (1996), "De Todas As Bossas" (1998) e "500 Anos De Folia - 100% Ao Vivo" (1999).

Em 2000, lançou o CD "500 Anos De Folia Vol. 2". Nesse mesmo ano, participou da trilha sonora da novela "O Cravo e a Rosa", da Rede Globo, interpretando a canção título da novela.

Gravou, em 2002, o CD "Intérprete". O disco abre com um medley dos sambas "É ´Preciso Muito Amor" (Noca da Portela e Tião de Miracema), "Vou Festejar" (Jorge Aragão, Dida e Neoci) e "Se Deus Quiser" (Jair Rodrigues e Wando). Constam ainda do repertório "Incompatibilidade De Gênios" (João Bosco e Aldir Blanc), com a participação de Lobão, "Zelão" (Sérgio Ricardo), "Retrato Da Vida" (Djavan e Dominguinhos), com a participação de Dominguinhos, "Ziguezague" (Alberto PazEdson Menezes), com a participação de Wilson Simoninha, Jair Oliveira e Rappin' Hood, "Arrastão" (Edu Lobo e Vinicius de Moraes), em duo com o pianista César Camargo Mariano, e "A Banca Do Distinto" (Billy Blanco), com a participação de Cido Bianchi (piano), Sabá (contrabaixo) e Toninho Pinheiro (bateria), integrantes do Jongo Trio.


Lançou, em 2004, o CD "A Nova Bossa", contendo principalmente regravações do repertório da Bossa Nova, além de "Falso Amor / Fake Love" (Jair Oliveira). Participaram do disco os músicos Paulinho Dáfilin (guitarras) e Marcelo Maita (piano).

Em 2005, gravou o CD "Alma Negra", contendo canções de Paulo Dafilin, Monsueto, Zé da Zilda, Haroldo Lobo, Evaldo GouveiaCarlos Cola, Martinho da Vila, Hermínio Belo de Carvalho, entre outras. O disco contou com a participação especial da filha Luciana Mello na faixa-título, composição de Lula Barbosa.

Em 2006, foi lançado o DVD "Jair Rodrigues - Programa Ensaio - Brasil 1991", mais um título da série de programas apresentados por Fernando Faro, no qual o cantor, além de longo depoimento, interpreta canções de seu repertório, acompanhado pelos músicos Cesar Barriga (teclados), Luiz Carlos de Paula (surdo), Luiz Carlos Xuxu (cavaquinho) e Jacaré (pandeiro).

Em 2007, participou da gravação ao vivo do projeto "Cidade do Samba" (CD e DVD), de Zeca Pagodinho e Max Pierre, apresentado por Ricardo Cravo Albin, interpretando em dupla com Claudia Leite "Deixa Isso Pra Lá" (Alberto Paz e Edson Menezes).

Carismático, Jair Rodrigues revisitou o disco "Dois Na Bossa" no palco dedicado a Elis Regina na Virada Cultural de 2012, em São Paulo. Na ocasião, ele afirmou que Elis Regina havia sido um "grande amor". Ele voltaria a relembrar da época ao assistir o espetáculo "Elis, a Musical", quando aplaudiu de pé e foi homenageado pelo público.

Em julho de 2013, Jair Rodrigues se viu envolvido em uma polêmica após aparecer em Brasília ao lado de artistas que se declaravam contrários à aprovação de um projeto de lei que criou regras mais rígidas para o funcionamento do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD). Posteriormente, o cantor negou que estivesse do lado do ECAD: "Eu não represento o Ecad e o Ecad não me representa", disse.

O último trabalho, o disco duplo "Samba Mesmo", é uma homenagem do cantor ao samba e à seresta, e foi lançado em fevereiro de 2014.


Morte

Jair Rodrigues morreu na manhã de quinta-feira, 08/05/2014, aos 75 anos, em sua casa em Cotia, na Grande São Paulo. A assessoria de imprensa do artista afirmou que ele foi para a sauna de sua casa na noite da quarta-feira e não saiu mais de lá. A família só encontrou o corpo por volta das 10:00 hs.

Jair Rodrigues morreu vítima de um infarto do miocárdio. Ainda de acordo com sua assessoria, Jair Rodrigues não apresentava problemas de saúde e cumpria normalmente a agenda de shows. Sua última apresentação foi no dia 05/04/2014 no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, com ingressos esgotados. Indiretamente, o músico também estava "em cartaz" em São Paulo, interpretado pelo ator Ícaro Silva em "Elis, A Musical". O elenco preparou uma homenagem a ele na apresentação da noite de 08/05/2014.

Rodrigues deixou a mulher Clodine, dois filhos, os também cantores Luciana Mello e Jairzinho, e quatro netos, que estão reunidos na casa do artista. Parentes e amigos, entre eles o cantor Simoninha, filho de Wilson Simonal, também chegaram para confortar a família. Em mensagem em sua página no Facebook, Luciana Mello descreveu a morte como um "momento difícil e sofrido" e agradeceu o carinho recebido.


Discografia

  • 1964 - Vou De Samba Com Você
  • 1964 - O Samba Como Ele É
  • 1965 - Dois Na Bossa (Elis Regina e Jair Rodrigues)
  • 1966 - O Sorriso Do Jair
  • 1966 - Dois Na Bossa Nº 2 (Elis Regina e Jair Rodrigues)
  • 1967 - Dois Na Bossa Nº 3 (Elis Regina e Jair Rodrigues)
  • 1967 - Jair
  • 1968 - Menino Rei Da Alegria
  • 1969 - Jair De Todos Os Sambas
  • 1969 - Jair De Todos Os Sambas Nº 2
  • 1970 - Talento E Bossa De Jair Rodrigues
  • 1971 - É Isso Aí
  • 1971 - Festa Para Um Rei Negro
  • 1972 - Com A Corda Toda
  • 1973 - Orgulho De Um Sambista
  • 1974 - Abra Um Sorriso Novamente
  • 1974 - Jair Rodrigues Dez Anos Depois
  • 1975 - Ao Vivo No Olympia De Paris
  • 1975 - Eu Sou O Samba
  • 1976 - Minha Hora E Vez
  • 1977 - Estou Com O Samba E Não Abro
  • 1978 - Pisei Chão
  • 1979 - Antologia Da Seresta
  • 1979 - Couro Comendo
  • 1981 - Estou Lhe Devendo Um Sorriso
  • 1981 - Antologia Da Seresta Nº 2
  • 1981 - Alegria De Um Povo
  • 1982 - Jair Rodrigues de Oliveira
  • 1983 - Carinhoso
  • 1984 - Luzes Do Prazer
  • 1985 - Jair Rodrigues
  • 1988 - Jair Rodrigues
  • 1991 - Lamento Sertanejo
  • 1994 - Viva Meu Samba
  • 1996 - Eu Sou… Jair Rodrigues
  • 1998 - De Todas As Bossas
  • 1999 - 500 Anos De Folia - 100% Ao Vivo
  • 2000 - 500 Anos De Folia Vol. 2
  • 2002 - Intérprete
  • 2004 - A Nova Bossa
  • 2005 - Alma Negra
  • 2006 - Jair Rodrigues - Programa Ensaio - Brasil 1991 (CD e DVD)
  • 2009 - Festa Para Um Rei Negro (CD e DVD)
  • 2014 - Samba Mesmo


3 comentários:

  1. Perdemos um grande cantor e interprete da música brasileira.Ainda me recordo de suas músicas, desde a primeira vez que se apresentou em festivais, inclusive com Elis Regina.Descanse em Paz Jair, que Deus o tenha.

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  2. Quando Chega a hora não ha como fugir os grandes estão estão partindo
    sem substituto quando perdemos um talento Como Jair a nossa MPB fica mais pobre - O nosso hoje pode não ser o amanha.

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  3. Jair Rodrigues é um dos nomes mais repeitados na Música Brasileira, ele cantava qualquer repertório com a mesma energia e alegria. Pra mim ele sempre será o molecão da MPB, pois ele tinha esse jeito de moleque que encantava a todos e foi o que me conquistou como fã. Hoje a MPB fica mais triste, mas o céu está em festa com esse maroto. Descanse em paz "seu" Jair.

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