Ana Maria Nacinovic Corrêa

ANA MARIA NACINOVIC CORRÊA
(25 anos)
Guerrilheira e Militante da Ação Libertadora Nacional (ALN)

* Rio de Janeiro, RJ (25/03/1947)
+ São Paulo, SP (14/06/1972)

Ana Maria Nacinovic Corrêa foi uma guerrilheira e militante comunista, nascida no Rio de Janeiro, RJ, no dia 25/03/1947. Participou da luta armada durante os Anos de Chumbo da Ditadura Militar Brasileira.

Era filha de Mário Henrique Nacinovic e Anadyr de Carvalho Nacinovic.

Depoimento da mãe de Ana Maria:

"Teve uma infância feliz, apesar da separação de seus pais quando tinha apenas 7 anos de idade, vivendo a partir desta época na companhia da mãe, tia e avós, que procuraram suprir, com muito carinho, a ausência do pai.
Fez o primário, ginásio e científico no Colégio São Paulo, de freiras, em Ipanema. Destacou-se sempre durante o seu curso pelo companheirismo e cumprimento de suas obrigações escolares. Simultaneamente, estudava piano com o professor Guilherme Mignone. Possuindo um ouvido privilegiado, era estimulada pelo seu mestre a dedicar-se mais à arte.
Terminou o científico com 17 anos e sua grande inclinação para a matemática levou-a a freqüentar um curso pré-vestibular, com o objetivo de futuramente tornar-se uma engenheira. Um casamento mal sucedido interrompeu seus estudos. Aos 21 anos, ingressou, como 2ª colocada, na Faculdade de Belas Artes.
Para a idealista que era, o que sempre demonstrou no seu dia-a-dia, em atitudes de solidariedade em relação ao próximo, caíram em campo fértil as sementes de rebelião contra o regime autoritário que dominava o país. Era a época aterrorizante do ditador Emílio Garrastazu Médici. Aquela mocinha inexperiente, mal saída dos bancos escolares e de um casamento frustrado, aos poucos se converteria na guerrilheira cujos retratos nos aeroportos, rodoviárias e outros lugares públicos, apontavam como uma subversiva perigosa.
Seguiu-se uma época de aflição e angústia para sua mãe e demais familiares, até que chegasse o momento fatal. Momento em que toda a ternura daquele coraçãozinho que só aspirava à igualdade entre os homens, daqueles imensos olhos azuis que só queriam contemplar o lado bom da vida, converteu-se em escuridão e trevas.
Ana Maria foi metralhada e morta na Mooca, em 14 de junho de 1972. Estava com 25 anos de idade. Com ela morreram Marcos Nonato da Fonseca e Iúri Xavier Pereira."

Foto de Ana Maria morta.
Enquanto Ana Maria, Iúri, Marcos Nonato e Antônio Carlos Bicalho Lana almoçavam no Restaurante Varella, o proprietário do estabelecimento, Manoel Henrique de Oliveira, que era alcagüete da polícia, telefonou para o DOI/CODI-SP, avisando da presença de algumas pessoas que tinham suas fotos afixadas em cartazes de Procurados, feitos na época pelos órgãos de segurança.

Os agentes do DOI/CODI, assim que se certificaram da presença dos quatro companheiros, montaram uma emboscada em torno do restaurante, mobilizando um grande contingente de policiais.

De imediato, foram fuzilados Iúri e Marcos Nonato. Ana Maria, ainda vivia, quando um policial, ouvindo seus gritos de protesto e de dor, impotente perante a morte iminente, aproximou-se desferindo-lhe uma rajada de Fuzil FAL, à queima-roupa, estraçalhando-lhe o corpo.

Ato contínuo, os policiais fizeram uma demonstração de selvageria para a população que se aglomerou em volta daquela já horrenda cena. Dois ou três policiais agarravam o corpo de Ana Maria e o jogavam de um lado para o outro, às vezes lançando-o para o alto e deixando-o cair abruptamente no chão. Descobriram-lhe também o corpo ensagüentado, lançando impropérios e demonstrando o júbilo na covardia de tê-la abatido. Não satisfeitos, desfechavam-lhe ainda coronhadas com seus fuzis, como se mesmo morta Ana Maria representasse ainda algum perigo.


Tal cena repetiu-se com o corpo de Iúri e Marcos Nonato, sendo entretanto Ana Maria o alvo preferido.

A população, revoltada com tamanha violência e selvageria, esboçou, dias depois, uma reação de protesto, tentando elaborar um abaixo-assinado que seria encaminhado ao Governador do Estado. Mas, devido ao clima de terror existente no país naquela época, somado ao pânico de que aquelas cenas de verdadeiro horror pudessem se repetir com eles, a iniciativa foi posta de lado. Também as ameaças feitas pelos policiais, na hora do crime, intimidaram os populares.

Anos depois, em 1992, populares da Mooca que ainda lembravam do trágico episódio, sugeriram seu nome para uma creche municipal. A então prefeita Luiza Erundina aceitou a sugestão popular.


Da emboscada, conseguiu escapar, ferido, Antônio Carlos Bicalho Lana (morto em 30 de novembro de 1973), testemunha, dos três assassinatos .

Assinam o laudo de necrópsia os médicos legistas Isaac Abramovitch e Abeylard de Queiroz Orsini.

Em 16 de outubro de 1973, apesar de morta oficialmente, é condenada à revelia a 12 anos de prisão com base no artigo 28 do Decreto lei n° 898/69.

O Relatório do Ministério da Aeronáutica contém a falsa versão de que Ana Maria foi ferida após assalto em que resistiu à voz de prisão, "ocasião em que a nominada saiu gravemente ferida, vindo a falecer posteriormente".


4 comentários:

  1. Infelizmente, nós ex-soldados do exército brasileiro atuantes a época na repressão ao terrorismo somos duramente criticados e cobrados quando relatam nossos atos em eventos como o da morte da biografada. Somos estereotipados como frios assassinos que armam emboscadas a supostas pessoas pacificas e desarmadas.
    Não é que acontece. E o que de fato aconteceu é que engajamos combate contra um grupo de guerrilheiros, e que estes sim são assassinos desalmados que não hesitam ou hesitaram em matar qualquer um que atravessasse seus caminhos. Não dá para ser ético ou cuidadoso em combate. Também tinhamos medo de morrer antes de tudo. Até onde eu sei, eu estava uniformizado com a farda do exército do meu país e estava reagindo a uma resistencia a prisão. A diferença é que nós soldados fomos treinados a perfeição para o combate e eles foram iludidos por velhas raposas da esquerda a combater uma força profissional e experiente como os orgãos de segurança do governo.

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  2. Pretender que essa terrorista era "famosa" é mais uma tentativa de glamurizar o terrorismo.
    Quem quiser outro ponto de vista, leia isto: http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/15124-2014-04-15-21-11-29.html

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    1. Meu caro Anônimo(a).

      Infelizmente existem famosos "Bons" e "Maus". Esta página não foi feita para julgar comportamentos mas sim para contar as histórias de vidas destas pessoas.

      Não sejamos tão ignorantes ao ponto de ter um pensamento deste. Desta forma, segundo seu relato, deveríamos parar de ler ou escrever sobre Osama Bin Laden, Hitler, Judas...

      Complicado a sua forma de ver o mundo. Sugiro então que se feche em uma redoma, não veja jornais, não assista filmes, não acesse a internet. Desta forma sua alma purificada continuará sempre limpa e não se sujará com com a podridão humana.

      Ninguém aqui está dando enfase ao terrorismo e infelizmente tenho uma notícia para lhe dar:

      Você querendo ou não, ela foi famosa sim... mesmo que através do terrorismo!

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    2. Tinha uma mãe que a criou muito bem, tinha uma vida boa não conhecia a pobreza, entrou pelo caminho do crime porque quis, comunismo é desgraça e terrorismo, hoje temos exemplos vergonhosos desses vagabundos que tocaram terror e sobreviveram como está Dilma.


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