Nhá Chica

FRANCISCA DE PAULA DE JESUS
(85 anos)
Leiga, Religiosa e Beata

☼ Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, MG (1808)
┼ Baependi, MG (14/06/1895)

Francisca de Paula de Jesus, conhecida popularmente como Nhá Chica, foi uma leiga, religiosa e beata, filha e neta de escravos, nascida na Porteira dos Vilellas, fazenda em Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, a 13 km de São Del Rei, Minas Gerais, onde também foi batizada no dia 26/04/1810.

Pouco tempo depois sua família mudou-se para a cidade de Baependi, no Sul do Estado de Minas Gerais. Veio acompanhada por sua mãe e por seu irmão, Teotônio. Dentre os poucos pertences, trouxeram uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Em Baependi, Nhá Chica viveu até 14/06/1895, data de seu falecimento.

Em 1818, com apenas 10 anos de idade, a mãe de Nhá Chica faleceu deixando aos cuidados de Deus e da Virgem Maria as duas crianças, Francisca de Paula de Jesus, com 10 anos e seu irmão, com então 12 anos, Teotônio. Órfãos de mãe, sozinhos no mundo, Francisca de Paula e Teotônio, cresceram sob os cuidados e a proteção de Nossa Senhora, que pouco a pouco foi conquistando o coração de Nhá Chica. Esta, a chamava carinhosamente de "Minha Sinhá" que quer dizer "Minha Senhora", e nada fazia sem primeiro consultá-la.

Nhá Chica soube administrar muito bem e fazer prosperar a herança espiritual que recebeu de sua mãe. Nunca se casou. Rejeitou com liberdade todas as propostas de casamento que lhes apareceram. Foi toda do Senhor. Se dava bem com os pobres, ricos e com os mais necessitados. Atendia a todos os que a procuravam, sem discriminar ninguém e, para todos tinha uma palavra de conforto, um conselho ou uma promessa de oração.


Ainda muito jovem, era procurada para dar conselhos, fazer orações e dar sugestões para pessoas que lidavam com negócios. Muitos, não tomavam decisões sem primeiro consultá-la, e para tantas pessoas, ela era considerada uma "santa", todavia em resposta para quem queria saber quem ela, realmente, era, respondia com tranquilidade: "... É porque eu rezo com fé!".

Sua fama de santidade foi se espalhando de tal modo que pessoas de muito longe começaram a visitar Baependi para conhecê-la, conversar com ela, falar-lhe de suas dores e necessidades e, sobretudo para pedir-lhe orações. A todos, atendia com a mesma paciência e dedicação, mas nas sextas feiras, não atendia a ninguém. Era o dia em que lavava as próprias roupas e se dedicava mais à oração e à penitência. Isso porque sexta-feira é o dia que se recorda a Paixão e a Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo para a salvação de todos nós. Às Três horas da tarde, intensificava suas orações e mantinha uma particular veneração à Virgem da Conceição, com a qual tratava familiarmente como a uma amiga.

Nhá Chica era analfabeta, pois não aprendeu a ler nem escrever, desejava somente ler as Escrituras Sagradas, mas alguém as lia para ela, e a fazia feliz. Compôs uma Novena à Nossa Senhora da Conceição e em sua honra, construiu, ao lado de sua casa, uma Igrejinha, onde venerava uma pequena Imagem de Nossa Senhora da Conceição que era de sua mãe e, diante da qual, rezava piedosamente para todos aqueles que a ela se recomendavam. Essa Imagem, ainda hoje, se encontra na sala da casinha onde ela viveu, sobre o altar da antiga Capela.

Em 1954, a igreja de Nhá Chica foi confiada à Congregação das Irmãs Franciscanas do Senhor. Desde então teve início bem ao lado da igreja, uma obra de assistência social para crianças necessitadas que vem sendo mantida por benfeitores devotos de Nhá Chica. Hoje o Instituto Nhá Chica (INC) acolhe mais de 150 crianças entre meninas e meninos.


A Igrejinha de Nhá Chica, depois de ter passado por algumas reformas, é hoje o Santuário Nossa Senhora da Conceição que acolhe peregrinos de todo o Brasil e de diversas partes do mundo. Muitos fiéis que visitam o lugar, pedem graças e oram com fé. Tantos voltam para agradecer e registram suas graças recebidas. Atualmente, no Registro de Graças do Santuário, podem-se ler aproximadamente 20.000 graças alcançadas por intercessão de Nhá Chica.

É considerada por muitos católicos como Santa, de modo que o processo de canonização tramitou no Vaticano.

Nhá Chica, já em vida, passou a ser aclamada pelo povo como a Santa de Baependi, por sua fé. O Processo Informativo Diocesano começou em 16/07/1993, tendo sido encerrado em 1995, quando foi para Roma. O Relator deste processo foi o padre José Luís Gutiérrez. A causa ficou parada até 1998, quando assumiram como postulador Frei Paolo Lombardo, Ordem dos Frades Menores (OFM), e como vice-postuladora irmã Célia Cadorin, mesma religiosa que atuou nas causas de Madre Paulina e Frei Galvão.

Desde 1991 é reconhecida como Serva de Deus, título que recebeu oficialmente da Congregação Para As Causas Dos Santos do Vaticano.

Em 18/06/1998 foi feito o reconhecimento dos restos mortais de Nhá Chica, na presença de autoridades eclesiásticas, de membros do Tribunal Eclesiástico Pela Causa de Beatificação de Nhá Chica, da Comissão Histórica e de médicos legistas. Ainda em 1998, o Tribunal Eclesiástico Pela Causa de Beatificação de Nhá Chica apresentou à Diocese de Campanha um provável milagre para ser enviado e analisado pelo Vaticano.

A Professora Ana Lúcia Meirelles Leite curada de doença cardíaca
A causa de Canonização de Nhá Chica aguardou desde 2007 o anúncio de sua beatificação. E em 2007 uma graça foi atribuída a Nhá Chica referente a professora Ana Lúcia Meirelles Leite, moradora de Caxambu, em Minas Gerais.

Ana Lúcia foi curada de um problema congênito muito grave no coração, sem precisar passar por cirurgia, apenas pelas orações a Nhá Chica. O fato se deu em 1995. A graça foi aceita pelo Vaticano, que analisou o pedido de beatificação.

O início da campanha pela canonização se deu em 1952. A instalação da Comissão em prol da beatificação teve início em 1989 e depois em definitivo foi instalada em 14/01/1992.

A publicação da Positio, documento que reúne todos os dados e testemunhos recolhidos durante a fase Diocesana, corresponde à primeira etapa do processo de beatificação e aconteceu no dia 30/10/2001. O documento seguiu para o Vaticano para ser apreciado pela Congregação Para As Causas Dos Santos.

Em 30/04/2004, os bispos brasileiros reunidos em sua 42ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) assinaram um documento pedindo pela beatificação de Nhá Chica. O documento que reuniu 204 assinaturas de Bispos de 25 Estados brasileiros foi encaminhado pela Diocese de Campanha ao então Papa João Paulo II.


No dia 08/06/2010, a Congregação Para As Causas Dos Santos deu parecer favorável às virtudes da Serva de Deus Nhá Chica.

No dia 14/01/2011, o Papa Bento XVI aprovou o decreto da Congregação Para As Causas Dos Santos sobre as virtudes heroicas da Serva de Deus. Nhá Chica pode receber o título de Venerável, estando assim mais próxima da beatificação.

Aguardou-se o reconhecimento, por parte da Santa Sé, do milagre da cura, atribuído à intercessão de Nhá Chica, da professora de Caxambu, Ana Lúcia Meirelles Leite que sofria de problemas cardíacos.

No dia 13/10/2011, a Comissão Médica da Congregação Para As Causas Dos Santos, depois de analisar o possível milagre da cura da professora Ana Lúcia, declarou que a cura não tem explicação científica.

Em 28/06/2012, o Papa Bento XVI autorizou a Congregação Para As Causas Dos Santos a promulgar o decreto de um milagre atribuído a intercessão da Venerável mineira.

Nhá Chica foi beatificada em 04/05/2013, em Baependi, MG, em cerimônia presidida pelo prefeito da Congregação Para As Causas Dos Santos, o cardeal Angelo Amato, representante da Santa Sé, que anunciou a data de 14/06 como a festa litúrgica em memória de Nhá Chica.

Morte

Nhá Chica faleceu na sexta-feira, 14/06/1895, aos 87 anos e foi sepultada somente no dia 18/06/1895, no interior da capela por ela construída. As pessoas que ali estiveram sentiram exalar-se de seu corpo um misterioso perfume de rosas durante os quatro dias de seu velório. Tal perfume foi novamente sentido no dia 18/06/1998, 103 anos depois, por Autoridades Eclesiásticas e por membros do Tribunal Eclesiástico Pela Causa de Beatificação de Nhá Chica e, também, pelos pedreiros, por ocasião da exumação do seu corpo.

Os restos Mortais de Nhá Chica se encontram hoje no mesmo lugar, no interior do Santuário Nossa Senhora da Conceição em Baependi, protegidos por uma Urna de acrílico colocada no interior de uma outra de granito, onde são venerados pelos fiéis.

Fonte: Wikipédia
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