Domingos Jorge Velho

DOMINGOS JORGE VELHO
(64 anos)
Bandeirante

☼ Santana do Parnaíba, SP (13/03/1641)
┼ Piancó, PB (02/04/1705)

Domingos Jorge Velho foi um bandeirante nascido na colônia do Brasil. Se tornou célebre por ter comandado a destruição do Quilombo dos Palmares.

Mameluco, tetraneto de índios tupiniquins e tapuias, filho de Francisco Jorge Velho e de Francisca Gonçalves de Camargo. Foi um dos maiores bandeirantes do Brasil.

Antes de 1671 já perseguia índios no nordeste do Brasil. Teve um primeiro arraial no Sobrado, onde estabeleceu uma fazenda para criar gado na extremidade ocidental do atual estado de Pernambuco, limitando em parte com a Bahia, às margens do Rio São Francisco.

De 1671 a 1674 explorou a Serra de Dois Irmãos, Serra Paulista e o Rio Canindé, no atual estado do Piauí; a Chapada do Araripe, o Rio Salgado e o Rio Icó, no atual Estado do Ceará; o Rio do Peixe, Rio Formiga, Rio Piranhas e Rio Piancó, no atual estado da Paraíba. Por fim, regressou ao Rio São Francisco por Pernambuco.

Acompanhou Domingos Afonso Sertão ao Piauí e, depois de combaterem os índios Pimenteiras, foi sozinho ao Ceará afugentar os índios Cariris. Guerreou contra os índios Icós e Sucurus e, mais ao sul, destroçou os índios Calabaças e Coremas na Paraíba.

Por cerca de 1675 estabeleceu grande fazenda agropecuária no que se denominou Formiga.

Em 1676 fundou um arraial no Piancó, logo destruído pelos índios Cariris, o qual reconstruiu ao exterminá-los.

De 1677 a 1680, não existem notícias sobre ele. Pode ter ido a São Paulo angariar gente e recursos para o projeto de acabar com os Palmares, pois sua patente de governador de 1688 diz que "se abalou por terra da vila de São Paulo com o número de gente branca e índios que entendeu ser bastante a conquistá-los".

Entre 1680 e 1684 já estaria fixado na região do Rio Piranhas, formando fazenda para agropecuária no Rio Piancó, afluente do Rio Piranhas, e com sua gente pronta: tinha a suas ordens mil e trezentos índios e oitocentos e vinte brancos. Um de seus filhos ainda teria visitado Taió à procura de ouro.

Guerra dos Palmares

Em 03/03/1687, Domingos Jorge Velho assinou com o governador João da Cunha Souto Maior as condições para atacar o Quilombo dos Palmares.

Em 03/12/1691, o governador de Pernambuco, o Marquês de Montebelo, confirmou as disposições acertadas antes entre João da Cunha Souto Maior e Domingos Jorge Velho para a campanha de destruição dos mocambos. O contrato foi ratificado pelo Marquês de Montebelo no mesmo dia e confirmado pela Carta Régia de 07/04/1693, que estipulava as mútuas obrigações.

Domingos Jorge Velho marchou imediatamente ao local, dando início a anos de combate. Contou com constantes reforços de contingentes novos, inclusive de Bernardo Vieira de Melo, mais tarde promotor da Guerra dos Mascates.

Apenas em 1695 estaria o Quilombo dos Palmares destruído. Calcula-se que no Quilombo dos Palmares viviam 15 mil negros fugidos da escravidão. No mesmo ano de 1695, no dia 20 de novembro, os homens de Domingos Jorge Velho mataram Zumbi dos Palmares.

Em 14/03/1695, começou sua Campanha da Serra da Barriga, que durou até 1697, quando caíram os últimos redutos dos escravos negros fugidos.

Em 10/02/1699, o governador Matias da Cunha nomeou-o chefe de uma tropa para dominar os índios do Maranhão, Ceará e Pernambuco, levando missionários e tendo como lugares-tenentes Antônio de Albuquerque e Matias Cardoso de Albuquerque.

Divergências Históricas

Há historiadores que afirmam que Domingos Jorge Velho não fez parte do exército sob o governo de Estêvão Ribeiro Baião Parente para mover guerra aos índios do sertão da Bahia, nem foi o destruidor do Quilombo dos Palmares em 1687, como escreveram Pedro Taques e Azevedo Marques, pois que faleceu em 1670, e esses feitos militares são de datas posteriores e pertencem a um de seus sobrinhos do mesmo nome.

Domingos Jorge Velho, a quem é atribuída a participação no exército sob o governo de Estêvão Ribeiro Baião, não é aquele Domingos Jorge Velho casado com Isabel Pires de Medeiros, e filho de Simão Jorge. E sim o filho de Francisco Jorge Velho, irmão de Domingos Jorge Velho. Seu tio, como descrito acima, não fez parte do exército.

Houve na época, com pequena defasagem de tempo, dois homônimos com o nome de Domingos Jorge Velho, tio e sobrinho, frequentemente confundidos inclusive pelo famoso historiador Pedro Taques. O tio, nascido e morador de Parnaíba, participou de entradas no sertão do Guairá, hoje Paraná, sob as ordens de Antônio Raposo Tavares, mas nunca esteve no Nordeste, ao que se saiba. A história da Conquista do Nordeste, entretanto, se desenrolou unicamente sob o mando das atividades sertanistas de seu sobrinho homônimo e solteiro, filho de seu irmão Francisco Jorge Velho e de Francisca Gonçalves de Camargo.

Domingos Jorge Velho I (tio), frequentemente confundido, foi filho de Simão Jorge e de Francisca Álvares Martins, casado com Izabel Pires de Medeiros, pai de Salvador Jorge Velho e Simão Velho. Seu inventário assim determina, datado de Santana de Parnaíba, SP, 29/12/1670. Este homônimo jamais poderia ter sido o conquistador do Nordeste, cujo primeiro contrato formal ou oficial data de 03/03/1687, quando já havia falecido muito anteriormente, em 1670.

Domingos Jorge Velho Pintura por Benedito Calixto, 1903
Domingos Jorge Velho II (sobrinho), paulistano ou parnaibano, foi o verdadeiro Conquistador do Nordeste perdido em mãos de diversas tribos hostis aos colonizadores portugueses, e amigas dos franceses, dos quilombolas, escravos negros fugidos dos engenhos de açúcar, dos escravistas holandeses no litoral e de outras fazendas, que passaram a atacar bandeiras e fazendeiros no interior, cujo principal e emblemático reduto foi o Quilombo dos Palmares, chefiados pelo seu chefe Zumbi dos Palmares, morto por um dos homens de Domingos Jorge Velho.

Participou anteriormente do exército do governador Estevão Ribeiro Bayão Parente contra os índios que viviam no sertão baiano do São Francisco. Teve também fazendas às margens do Rio São Francisco na divisa Bahia com Pernambuco e depois foi libertar o Piauí, junto com o português Domingos Afonso Mafrense ou Domingos Afonso Sertão, a contrato do rico fazendeiro baiano Francisco Dias D'Ávila, que cobiçava as pastagens d'além da margem ocidental do mesmo rio.

Em seguida separou-se de Domingos Afonso Sertão e foi sozinho dar combate aos índios rebelados no Cariri, Ceará, e depois na Paraíba, de cujo território foi nomeado governador, e onde estabeleceu a sua fazenda definitiva de Piancó e ainda denominou o antigo Rio Povoaçu, Punaré ou Paraguaçu, de Parnaíba, em memorial ao rio do mesmo nome que corta a cidade natal de seus ancestrais, Santana de Parnaíba, berço de inúmeros bandeirantes famosos.

Casou-se já idoso e não deixou descendência legal, pode ter tido filhos naturais com índias, já que seu exército indígena somava então cerca de 1300 indivíduos.

Fonte: Wikipédia

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