Dom Luciano Mendes de Almeida

LUCIANO PEDRO MENDES DE ALMEIDA
(75 anos)
Jesuíta e Bispo

* Rio de Janeiro, RJ (05/10/1930)
+ São Paulo, SP (27/08/2006)

Foi um religioso jesuíta e bispo católico brasileiro. Foi o quarto arcebispo da Arquidiocese de Mariana.

Dom Luciano era filho do conde Cândido Mendes de Almeida Júnior e Emília de Melo Vieira Mendes de Almeida (Segundos Condes Mendes de Almeida). Neto do primeiro conde Cândido Mendes de Almeida, bisneto do jurisconsulto e senador do Império Cândido Mendes de Almeida, e, por este, trineto de Fernando Mendes de Almeida e tetraneto de João Mendes de Almeida. Também era trineto de Honório Hermeto Carneiro Leão, Marquês de Paraná. Dom Luciano era irmão do acadêmico Cândido Antônio Mendes de Almeida, terceiro conde Mendes de Almeida e reitor da Universidade Cândido Mendes.

Estudos e Vida Religiosa

Fez seus primeiros estudos no Colégio Santo Inácio, no Rio de Janeiro (1941-1945) e no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo (1946-1950).

Ingressou na Companhia de Jesus no dia 2 de março de 1947. Realizou estudos na Casa de Formação dos Jesuítas em Nova Friburgo (1951-1953) e na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma (1955-1959). Fez seu doutorado em filosofia na Universidade Gregoriana (1960-1965).

Sua ordenação presbiteral deu-se a 5 de julho de 1958, em Roma. Emitiu seus votos definitivos na Companhia de Jesus no dia 15 de agosto de 1964.


Atividades Antes do Episcopado

Foi professor de filosofia (1965-1972), instrutor da terceira provação na Companhia de Jesus (1970-1975), membro da diretoria da Conferência dos Religiosos do Brasil (1974-1975).

Episcopado

Foi nomeado pelo Papa Paulo VI, no dia 25 de fevereiro de 1976, bispo auxiliar de São Paulo e titular de Turris in Proconsulari. Sua ordenação episcopal deu-se a 2 de maio do mesmo ano, pelas mãos do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Clemente José Carlos de Gouvea Isnard e Dom Benedito de Ulhôa Vieira.

Exerceu a função de bispo auxiliar na Arquidiocese de São Paulo e responsável pela Pastoral do Menor no período de 1976 a 1988.

O Papa João Paulo II o nomeou arcebispo de Mariana no dia 6 de abril de 1988.

Na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil foi secretário-geral no período de 1979 a 1986, e presidente de 1987 a 1995. Na Cúria Romana foi membro da Comissão Pontifícia Justiça e Paz (1996 – 2000) e membro da Comissão do Secretariado Para o Sínodo (1994-1999). Foi vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (1995-1999). Em 1997 foi eleito delegado da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil à Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos Para a América por eleição da assembléia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e confirmado pelo Papa João Paulo II (1997).

Figura de destaque do episcopado brasileiro, atuou na defesa dos direitos humanos e no serviço aos pobres.

Lema: In nomine Jesu (Em nome de Jesus).

Sucessão

Dom Luciano Mendes de Almeida foi o 4º arcebispo de Mariana, sucedeu a Dom Oscar de Oliveira e foi sucedido por Dom Geraldo Lyrio Rocha.

Ordenações Episcopais

Dom Luciano foi o principal celebrante da ordenação episcopal dos seguintes bispos:


Dom Luciano foi concelebrante da sagração episcopal de:



Beatificação

Ao se completarem cinco anos de sua morte, Dom Geraldo Lyrio Rocha anunciou o envio à Congregação Para a Causa dos Santos o pedido de autorização para dar início ao processo de beatificação de Dom Luciano. O pedido tem o respaldo de mais de 300 bispos reunidos na assembleia geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em maio de 2011.

Rastros de Luz:
Dom Luciano Mendes e Dom Hélder Câmara


O arcebispo marianense, Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, é lembrado pela sua grandeza espiritual. Não foi apenas bispo, mas também companheiro, pastor, irmão de todos, doce e amável no trato. Quem o conheceu teve dele uma acolhida marcante e ímpar. Este próximo 27/08/2012 remonta àquele de 6 anos atrás, quando este grande homem despedia-se deste mundo e adentrava aos céus com as palavras "Deus é bom!".

 O "Bispo dos Pobres" como era comumente chamado viveu sua fé na radicalidade e por isso se tornou um eco profundo de que se deve acreditar em Deus e colocar em prática os valores evangélicos. Ele sabia como ninguém amalgamar a vida e a oração, não apenas em sua expressão verbal ou declarativa; mas plena na ação real e concreta. Ele soube, em meio às dores físicas e espirituais, aceitar a cruz por si mesma, pelos outros, pelos sofredores anônimos que padecem e por isso tocaram com profundidade a alma de Dom Luciano.

As palavras, os gestos, a vida de Dom Luciano colocam em xeque as nossas palavras, gestos e a nossa vida. O bispo marianense sofria de alto senso de dignidade humana, que, muitas vezes, era incompreendido. Ele sofria com o outro, comportava-se com os outros tratando todos como iguais, dignos de confiança. Ele via em cada pessoa uma criatura amável, lida e admirável. Por tudo isso, ele foi deixando um rastro de luz por onde passou.

A Comenda Dom Luciano Mendes de Almeida de Mérito Social e Educacional outorgado pela Arquidiocese de Mariana será no próximo dia 27/08/2012. A homenagem à Dom Luciano terá início com uma celebração eucarística, na Catedral, às 18:30 hs., seguida da sessão solene, no Centro Cultural Arquidiocesano Dom Frei Manoel da Cruz, onde será conferida a honraria da comenda aos homenageados: Dom Walmor Oliveira de Azevedo (arcebispo de Belo Horizonte), Dom Francisco Barroso Filho (bispo emérito de Oliveira), Dom José Belvino do Nascimento (bispo emérito de Divinópolis), Mons. Flávio Carneiro Rodrigues (diretor do Arquivo Eclesiástico de Mariana), Mons. Júlio Lancelloti (Vigário Episcopal para o Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo) e as Irmãs da Beneficência Popular.

É também neste dia, que nossas memórias se misturam pela lembrança de outra figura singular, Dom Hélder Câmara, que foi arcebispo de Olinda e Recife. Ambos, Dom Luciano e Dom Hélder, souberam viver neste mundo a diaconia cristã, do serviço fraterno, alegre e impetuoso, pois eram tomados pela fé em Cristo e em seu projeto de salvação. Eles nos envergonham pela radicalidade e fidelidade ao Evangelho, pois sabiam que o mundo, sofrido, complexo, pluricultural, midiático e ideário, é espaço absoluto e completo da ação do evangelizador. Souberam anunciar as verdades da fé cristã no amor ao pobre, ao sofredor, à criança órfã, ao doente abandonado, ao faminto que clamava um pedaço de pão...

 Caracterizam estes santos homens a expressão de que souberam revestir-se de cotidiano as verdades eternas do Reino prometido. Esta atitude exige ser tomado pela pura humildade na mais completa atitude de ser servidor, tornando presente o amor de Jesus aos simples e pequenos. "Quando fizestes a um desses irmãos mais pequeninos, a mim fizestes." (Mt 25, 40)

(Geraldo Trindade – Bacharel em filosofia, cursa teologia no Seminário de Mariana e mantém o blog Pensar Paralelo)

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