Gilberto Freyre

GILBERTO DE MELLO FREYRE
(87 anos)
Sociólogo, Antropólogo, Historiador, Escritor e Pintor

* Recife, PE (15/03/1900)
+ Recife, PE (18/07/1987)

Gilberto de Mello Freyre foi um sociólogo, antropólogo, historiador, escritor e pintor, considerado um dos mais importantes sociólogos do século XX.

Filho de Alfredo Freyre juiz e catedrático de Economia Política da Faculdade de Direito do Recife e de Francisca de Mello Freyre. Gilberto Freyre é de família brasileira antiga, descendente dos primeiros colonizadores portugueses do Brasil. Em suas palavras: "um brasileiro que descende de gente quase tôda ibérica, com algum sangue ameríndio e fixada há longo tempo no país". Tem antepassados portugueses, espanhóis, indígenas e holandeses.

Gilberto Freyre iniciou seus estudos frequentando, em 1908, o jardim da infância do Colégio Americano Batista Gilreath, que seu pai havia ajudado a fundar. Teve seu primeiro contato com a literatura por meio de As Viagens de Gulliver. Todavia, apesar de seu interesse, não conseguiu aprender a escrever, fazendo-se notar pelos desenhos. Tomou aulas particulares com o pintor Telles Júnior, que reclama contra sua insistência em deformar os modelos. Começou a aprender a ler e escrever em inglês com Mr. Williams, que elogia seus desenhos.

Em 1909 faleceu sua avó materna, que vivia a mimá-lo por supor que ele tinha problemas sérios de aprendizado, pela dificuldade em aprender a escrever. Ocorreram suas primeiras experiências rurais de menino de engenho, nessa época, quando passa temporada no Engenho São Severino do Ramo, pertencente a parentes seus. Mais tarde escreveu sobre essa primeira experiência numa de suas melhores páginas, incluída em "Pessoas, Coisas & Animais".

Gilberto Freyre estudou na Universidade de Columbia nos Estados Unidos onde conheceu Franz Boas, sua principal referência intelectual. Em 1922 publicou sua tese de mestrado "Social Life In Brazil In The Middle Of The 19th Century" (Vida Social No Brasil Nos Meados Do Século XIX), dentro do periódico Hispanic American Historical Rewiew, Volume 5. Com isto obteve o título Masters Of Arts.

Seu primeiro e mais conhecido livro é Casa-Grande & Senzala, publicado no ano de 1933 e escrito em Portugal. Em 1946, Gilberto Freyre é eleito pela União Democrática Nacional para a Assembléia Constituinte e, em 1964, apoiou o golpe militar que derrubou João Goulart. A seu respeito disse Monteiro Lobato:

"O Brasil do futuro não vai ser o que os velhos historiadores disserem e os de hoje repetem. Vai ser o que Gilberto Freyre disser. Freyre é um dos gênios de palheta mais rica e iluminante que estas terras antárticas ainda produziram."

Gilberto Freyre foi também reconhecido por seu estilo literário. Foi até poeta, sendo que o seu poema "Bahia de Todos os Santos e de Quase Todos os Pecados", escrito inspirado por sua primeira visita à cidade de Salvador, impresso em reduzidíssima edição da recifense Revista do Norte, deixou Manuel Bandeira entusiasmado. Tanto que em carta de 4 de junho de 1927, Manuel Bandeira escreveu: "Teu poema, Gilberto, será a minha eterna dor de corno. Não posso me conformar com aquela galinhagem tão gozada, tão senvergonhamente lírica, trescalando a baunilha de mulata asseada. S!" (cf. Manuel Bandeira, Poesia e Prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1958, v. II: Prosa, p. 1398).

O poema tem três versões: a primeira foi reproduzida por Manuel Bandeira em sua "Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos" (1946), a segunda, modificada pelo autor, foi publicada na revista carioca O Cruzeiro de 20 de janeiro de 1942, e a terceira aparece nos livros "Talvez Poesia" (1962) e "Poesia Reunida" (1980).

Portugal ocupou um lugar importante no pensamento de Gilberto Freyre. Em vários de seus livros, como em "O Mundo Que o Português Criou", "O Luso e o Trópico" demonstra o importante papel que os portugueses tiveram na criação da "primeira civilização moderna nos trópicos". Gilberto Freyre foi um dos pioneiros no estudo histórico e sociológico dos territórios de colonização portuguesa como um todo, chegando mesmo a desenvolver um ramo de pesquisa que denominou de Lusotropicologia.


Ocupou a cadeira 23 da Academia Pernambucana de Letras em 1986. Foi protestante batista, chegando a ser missionário e a frequentar igrejas batistas norte-americanas, quando jovem. Este fato costuma ser ocultado pelos biógrafos e adeptos das teorias de Gilberto Freyre que retornou ao catolicismo posteriormente.

Obras

  • 1933 - Casa-Grande & Senzala
  • 1934 - Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife
  • 1936 - Sobrados e Mucambos
  • 1937 - Nordeste: Aspectos da Influência da Cana Sobre a Vida e a Paisagem…
  • 1939 - Assucar
  • 1939 - Olinda
  • 1940 - O Mundo Que o Português Criou
  • 1941 - A História de um Engenheiro Francês no Brasil
  • 1943 - Problemas Brasileiros de Antropologia
  • 1945 - Sociologia
  • 1947 - Interpretação do Brasil
  • 1948 - Ingleses no Brasil
  • 1957 - Ordem e Progresso
  • 1960 - O Recife Sim, Recife Não
  • 1963 - Os Escravos nos Anúncios de Jornais Brasileiros do Século XIX
  • 1964 - Vida Social no Brasil nos Meados do Século XIX
  • 1968 - Brasis, Brasil e Brasília
  • 1975 - O Brasileiro Entre os Outros Hispanos
  • 1987 - Homens, Engenharias e Rumos Sociais

Prêmios e Títulos

  • 1934 - Prêmio da Sociedade Filipe d'Oliveira, Rio de Janeiro
  • 1957 - Prêmio Anisfield-Wolf, USA
  • 1961 - Prêmio de Excelência Literária, da Academia Paulista de Letras
  • 1962 - Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (conjunto de obras)
  • 1964 - Prêmio Moinho Santista de "Ciências Sociais em Geral"
  • 1967 - Prêmio Aspen, do Instituto Aspen, USA
  • 1969 - Prêmio Internacional La Madonnina, Itália
  • 1971 - Sir - "Cavaleiro Comandante do Império Britânico", distinção conferida pela Rainha da Inglaterra
  • 1972 - Medalha Joaquim Nabuco, Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco
  • 1973 - Troféu Novo Mundo, por "Obras Notáveis em Sociologia e História", São Paulo
  • 1973 - Troféu Diários Associados, por "Maior Distinção Atual em Artes Pláticas"
  • 1973 - Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro
  • 1974 - Medalha de Ouro José Vasconcelos, Frente de Afirmación Hispanista de México
  • 1974 - Educador do Ano, Sindicato dos Professores do Ensino Primário e Secundário em Pernambuco e Associação dos Professores do Ensino Oficial
  • 1974 - Medalha Massangana, Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais
  • 1978 - Grã-Cruz Andrés Bello da Venezela
  • 1978 - Grã-Cruz da Ordem do Mérito dos Guararapes do Estado de Pernambuco
  • 1979 - Prêmio Brasília de Literatura para Conjunto de Obras, Fundação Cultural do Distrito Federal
  • 1980 - Prêmio Moinho Recife
  • 1980 - Medalha da Ordem do Ipiranga do Estado de São Paulo
  • 1984 - Medalha Biblioteca Nacional
  • 1983 - Grã-Cruz de D. Alfonso, El Sabio, Espanha
  • 1983 - Grã-Cruz de Santiago da Espada, Portugal
  • 1985 - Grã-Cruz da Ordem do Mérito Capibaribe da Cidade do Recife
  • 2005 - Vencedor do Prêmio Esso
  • 2008 - Grande Oficial da Legião de Honra, França

Fonte: Wikipédia

Um comentário:

  1. Eu como educadora, reverencio este grande homem!

    Marcos Aurélio, você fez um excelente trabalho!

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