Marçal de Souza

MARÇAL DE SOUZA
(62 anos)
Líder da Etnia Guarani-Nhandevá, Enfermeiro e Intérprete

* Ponta Porã, MS (24/12/1920)
+ Antônio João, MS (25/11/1983)

Marçal de Souza ou Marçal Tupã-I (Deus Pequeno), por muitos chamado de Marçal Guarani, foi um líder da etnia guarani-nhandevá (que habita o oeste do Brasil, nas fronteiras com Argentina, Bolívia e Paraguai), enfermeiro e intérprete da língua Guarani. Recentemente foi condecorado com a honra de Herói Nacional do Brasil pelo Governo Federal.

Marçal de Souza, foi defensor incansável dos povos nativos da América do Sul e um dos líderes precursores das lutas dos guaranis pela recuperação e pelo reconhecimento de seus territórios ancestrais, onde estão hoje Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, principalmente. Foi também um dos criadores do Movimento Indígena Brasileiro, tendo sido um dos fundadores e participado da primeira diretoria da União das Nações Indígenas (UNI), entidade que congrega indígenas brasileiros, fundada em 1980.

Aos 3 anos mudou-se para a aldeia de Te'ýikue, na cidade de Caarapó. Órfão aos 8 anos, passou a morar na Nhanderoga, nome dado a orfanatos de crianças indígenas, na Missão Caiuá, área indígena de Dourados. Aos 12 anos foi com um casal de missionários para Campo Grande. Conheceu um oficial do Exército que o levou para o Recife, onde realizou trabalho braçal em troca de comida, roupa e estudo.

De volta a Dourados, foi contratado pela Missão Caiuá como professor de crianças órfãs e intérprete de guarani. Em 1959 fez um curso na Organização Mundial de Saúde (OMS) e formou-se atendente de enfermagem, profissão que exerceu até sua morte em 1983.

Desde o início dos anos 70 denunciou a expropriação de terras indígenas, a exploração ilegal de madeira, a escravização de índios e o tráfico de meninas índias. Vítima de perseguições, em 1978 foi expulso de Dourados pela Funai e voltou a morar na aldeia Te'ýikue. Nesse ano, foi novamente transferido pela Funai, vai para a aldeia de Mbarakaju, em Antônio João.


Durante seu trajeto na luta em defesa das questões indígenas Marçal de Souza participou de diversos seminários, congressos e conferencias. Na luta por melhoria nas condições de vida de seu povo.

Em 1980, foi escolhido representante da comunidade indígena para discursar em homenagem ao papa João Paulo II em Manaus na primeira visita do papa ao Brasil. Ele afirmou em discurso ao pontífice. Em seu discurso falou sobre a invasão dos territórios indígenas, disse também, sobre os anseios da comunidade indígena brasileira e pediu para que o papa levasse seu clamor ao mundo:

"Nossas terras são invadidas, nossas terras são tomadas, os nossos territórios são invadidos… Dizem que o Brasil foi descoberto. O Brasil não foi descoberto não, o Brasil foi invadido e tomado dos indígenas do Brasil. Essa é a verdadeira história".

Marçal de Souza participou do congresso nos Estados Unidos da Organização das Nações Unidas (ONU) e do filme "Terra dos Índios".

Por sua rebeldia em denunciar e lutar pelos direitos de seu povo, ganhou diversos inimigos principalmente fazendeiros. No mesmo ano da visita do papa no Brasil, já transferido pela Funai, agora morando na aldeia Pirakuá no município de Antônio João, envolveu-se na luta pela posse de terras na área indígena de Pirakuá, em Bela Vista. A demarcação foi contestada pelo fazendeiro Astúrio Monteiro de Lima e seu filho Líbero Monteiro, que consideram a região parte de sua propriedade que era vizinha a dos índios.

Marçal de Souza foi vitima de perseguição por parte da Funai e ate mesmo por outras lideranças indígenas.

Morte

Após diversas ameaças e agressões, em 1983, Marçal de Souza foi brutalmente assassinado com 5 tiros no rancho de sua casa, na aldeia Campestre. Os acusados do crime, Líbero Monteiro de Lima e Rômulo Gamarra, acabam absolvidos em julgamento realizado somente dez anos depois, em 1993.

Marçal de Souza esta enterrado em Dourados, terra que viveu por bastante tempo e que deixou familiares, seu corpo esta sepultado no Cemitério Santo Antônio de Pádua. A luta de Marçal de Souza alarmou e acendeu a importante valorização e preservação dos povos indígenas.

Marçal de Souza foi um dos vários lideres assassinados na luta pela terra. Pessoa lembrada por Darcy Ribeiro em diversas escritas, foi também membro da igreja presbiteriana, enfermeiro, aculturado, interprete da língua guarani, conhecedor de diversas línguas estrangeiras.

Marçal de Souza já previa seu fim, Um pouco antes da sua morte ele teria dito: "Sou uma pessoa marcada para morrer, mas por uma causa justa a gente morre...".

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