Iara Iavelberg

IARA IAVELBERG
(27 anos)
Guerrilheira e Militante

* São Paulo, SP (07/05/1944)
+ Salvador, BA (20/08/1971)

Iara Iavelberg foi uma militante e guerrilheira de extrema-esquerda, integrante da luta armada contra a ditadura militar brasileira. Psicóloga e professora, depois de entrar na luta contra o regime militar, primeiro integrando a Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop) e depois o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), tornou-se companheira do ex-capitão do exército Carlos Lamarca, um dos principais líderes da oposição armada ao governo militar no Brasil, até morrer num cerco de agentes de segurança em Salvador, Bahia, em agosto de 1971.

Iara Iavelberg nasceu numa rica família judia paulistana e aos 16 anos já estava casada. O casamento, com um médico, durou apenas três anos e ela deixou a relação para entrar na militância política. Separada, e mal entrada nos vinte anos, virou adepta do amor livre, moda na época, e entre um de seus casos esteve o líder estudantil José Dirceu.

Alta, bonita, de olhos claros e corpo bem cuidado, virou a musa da intelectualidade estudantil paulista de esquerda no meio da década de 60. Destemida e vaidosa, nos seus tempos de clandestinidade era capaz de sair de um "aparelho" para cortar os cabelos nos melhores salões de Ipanema, no Rio de Janeiro.

Iara Iavelberg chegou ao Marxismo através do movimento estudantil e, militando no MR-8, conheceu Carlos Lamarca, comandante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) dois meses depois dele desertar do exército, em abril de 1969.

Carlos Lamarca treinando Iara Iavelberg
A paixão entre a filha de milionários paulista que tornou-se socialista e o filho de sapateiro carioca, capitão desertor do exército brasileiro e um líderes da luta armada, foi fulminante. Os dois foram viver juntos e passaram dez meses escondidos em "aparelhos" pelo país. Uma das companhias do casal nestes esconderijos e que testemunhou de perto a relação entre os dois, foi a guerrilheira Vanda, da VPR, codinome de Dilma Roussef, décadas depois a primeira mulher presidente do Brasil.

Em 1970, começaram treinamento militar no Vale do Ribeira, onde Iara Iavelberg deu aulas teóricas de marxismo aos guerrilheiros, e, caçados pelo exército, cartazes com a foto dos dois, entre outros, foi espalhado por todos os cantos do país. Neste ano, em 7 de dezembro, Carlos Lamarca liderou o sequestro do embaixador suíço Giovanni Bucher, no Rio de Janeiro, em troca da libertação de 70 presos políticos.

Nos primeiros meses de 1971, a maioria das organizações de esquerda já estavam desarticuladas e semi-destruídas, e os restos da VPR juntaram-se ao MR-8. Na nova organização, Iara Iavelberg, intelectual, teve um cargo de cúpula e Carlos Lamarca, considerado mais despreparado pela nova direção, foi rebaixado a militante de base, enviado para o interior da Bahia, enquanto a mulher se estabeleceu em Salvador, BA.

A viagem, em junho de 1971, de Iara Iavelberg e Carlos Lamarca do Rio de Janeiro para a Bahia, foi a última vez em que estiveram juntos, antes da morte de ambos.

Morte

As causas e até a data de sua morte permanecem envoltas em mistério. A data oficial é contestada por relatório do Ministério da Aeronáutica, segundo o qual ela teria se suicidado em 06/08/1971, acuada pela polícia em uma residência em Salvador. Alguns militantes, presos no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) de Salvador, dizem ter ouvido seus gritos quando era torturada, o que contradiz a versão do Ministério da Marinha, segundo a qual ela teria sido morta durante "ação de segurança".

O jornalista Elio Gaspari, em seu livro "As Ilusões Armadas, A Ditadura Escancarada" (2002) relata em detalhes o que seriam os momentos de cerco e morte de Iara Iavelberg, por suicídio. Ela e Carlos Lamarca fugiram para a Bahia em julho de 1971, após o sequestro do embaixador Giovanni Bucher e a desarticulação da organização guerrilheira. Iara Iavelberg, codinome Clara, separou-se dele em Feira de Santana, depois indo para Salvador, enquanto Carlos Lamarca seguia para o interior baiano.

Com a prisão de um dos integrantes da organização na capital baiana, sabedor do paradeiro do casal e que, após duas semanas de tortura, passou informações à repressão, na manhã de 20/08/1971 dezenas de agentes dirigiram-se a um prédio na Rua Minas Gerais, na Pituba, onde esperavam encontrar Carlos Lamarca. Lá quem estava era Iara Iavelberg. O prédio e o apartamento indicados, 201, foram envolvidos por bombas de gás lacrimogênio e após a invasão, dele saíram os policiais com três presos, uma empregada e dois menores.

Um menino morador do apartamento vizinho, porém, quando os policiais se retiravam, descobriu Iara Iavelberg agachada, de arma na mão, no vão entre os dois apartamentos, e chamou a policia de volta. Encurralada num quarto cheio de gás lacrimogêneo, ela matou-se com um tiro que trespassou o coração e o pulmão. O cadáver foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Salvador e somente algumas horas depois descobriu-se que aquela era a mulher de Carlos Lamarca. Seu corpo foi deixado por mais de mês numa gaveta do necrotério, como isca para Carlos Lamarca.

Nilda Cunha, a adolescente secundarista de 17 anos capturada na batida ao apartamento, era integrante do MR-8 e lá morava sozinha com o namorado, também militante, até receber ordens da direção da organização para hospedar Iara Iavelberg. Torturada pelos militares num quartel e obrigada a tocar no cadáver da guerrilheira, enlouqueceu, teve cegueira e foi internada várias vezes, morrendo numa de suas crises, com um prosaico "edema cerebral a esclarecer" como consta seu atestado de óbito. Meses depois, sua mãe, Esmeraldina Cunha, suicidou-se, enforcando-se com o fio de uma máquina de calcular elétrica.

A certidão de óbito dá a morte de Iara Iavelberg, oficialmente, como 20/08/1971, assinada pelo legista Drº Charles Pittex, informando ainda que ela foi sepultada pela família no Cemitério Israelense de São Paulo. Seu corpo foi entregue à família em caixão lacrado, com a proibição explícita de que fosse aberto. Carlos Lamarca morreria menos de um mês depois, em 17/09/1971, em Pintada, no sertão da Bahia.

Exumação

Em 2003, após anos de negativas, através de um mandado judicial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, os familiares de Iara Iavelberg, inconformados com a versão oficial da morte dela por suicídio, conseguiram que a Federação Israelita de São Paulo fizesse a exumação do corpo da guerrilheira, que havia sido entregue à família em caixão lacrado. O resultado da nova autópsia descobriu que Iara Iavelberg tinha sido morta com vários tiros. Os restos mortais da guerrilheira puderam assim, mais de trinta anos depois, ser removidos da ala de suicidas, onde tinham sido enterrados, para perto do túmulo de seus pais, em outra área do cemitério judeu.

Homenagens

O Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo prestou uma homenagem à antiga aluna e deu seu nome ao centro acadêmico, passando a ser chamado Centro Acadêmico Iara Iavelberg. Seu nome também batiza uma praça no bairro de Bangu, na cidade do Rio de Janeiro e outra no bairro de Pirituba, na cidade de São Paulo.

No filme "Lamarca", de 1994, dirigido por Sérgio Rezende e baseado no livro biografia de Emiliano José e Miranda Oldack, "Lamarca", o capitão da guerrilha, ela é vivida pela atriz Carla Camurati.

Em 2014 foi lançado o filme-documentário "Em Busca de Iara", escrito e produzido por sua sobrinha, Mariana Pamplona.

Fonte: Wikipédia

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