Zé do Prato

JOSÉ ANTÔNIO DE SOUZA
(43 anos)
Locutor de Rodeio

☼ Regente Feijó, SP (29/04/1948)
┼ São Paulo, SP (27/01/1992)

José Antônio de Souza, mais conhecido como Zé do Prato, foi um locutor de rodeios, nascido em Regente Feijó, SP, no dia 29/04/1948.

Zé do Prato é considerado o maior locutor de rodeio de todos os tempos e um dos mais requisitados às locuções de rodeios em todo país, tendo sido contemplado com inúmeros prêmios, troféus e medalhas.

Zé do Prato foi coroinha na Igreja Matriz de Regente Feijó, trabalhou na lavoura quando pequeno, em uma auto elétrica e participou da fanfarra da escola em que estudava. Como tocava prato, recebeu o apelido de Zé do Prato, já que existiam também outros Josés na formação.

Zé do Prato foi técnico de som na Rádio Regente, em Regente Feijó. Desempenhou, na mesma cidade, a função de sonoplasta e locutor na radio difusora AM 1580 kHz, que lhe permitiu que ensaiasse um palavreado como locutor sertanejo, brincando sempre como se estivesse fazendo um programa.

Até que um dia surgiu a oportunidade de fazer um programa e Zé do Prato começou a apresentar o programa sertanejo "Ranchinho da Amizade".

Anos mais tarde, foi eleito vereador de sua cidade, entre 1973 e 1977, quando já integrava a Cia. Rodeios Marca Estrela, animando as maiores festas do Brasil, que hoje são as festas de Americana, Colorado, Indaiatuba e Aparecida do Taboado.


Segundo Valter Bonfíglio, foi a partir dos anos 80 que o nome de Zé do Prato ganhou projeção nacional. A história contada por Valter Bonfíglio, parceiro de muitos anos do locutor, é que em 1979, durante a Festa do Peão de Barretos (a última narrada por Zé do Prato, de apenas três), eles se conheceram.
"Eu me aproximei da cabininha de locutor e disse que queria conversar. Mas como o Zé estava de saída para participar do filme 'Estrada da Vida', com o Milionário e José Rico, essa conversa só aconteceu em Avaré, dias depois!"
(Valter Bonfíglio)

Naquela ocasião, Zé do Prato pertencia a Cia. Rodeios Marca Estrela, de propriedade do conterrâneo Jorge dos Santos. Um ano depois, o locutor foi para Tanquinho participar da festa de peão. Aconteceu então a união de Jorge do Santos na tropa, equipamentos de áudio de Chiquito SomValter Bonfíglio nos fogos de artifício. "Unimos tudo e começamos a percorrer o Brasil", disse Valter Bonfíglio.

No começo da jornada, o trajeto de Zé do PratoValter Bonfíglio acontecia num antigo Corcel II, que por incrível que pareça sobreviveu aproximadamente por cinco anos a estradas de terra e em mão única.
"Depois ele ganhou um pouco mais de fama e já contratou um motorista particular. E também aprimorou o sistema de som. Até 1980 a aparelhagem era péssima, usavam um toca-fitas de pilha, que era pendurado por uma alça ao braço. Depois vieram as caixas de som, as mesas que o ajudou muito, melhorando cada vez mais sua voz!" 

Segundo Valter Bonfíglio, Zé do Prato era uma pessoa carismática com o público, por isso conquistou todos por onde passou. Era uma espécie de profeta dos rodeios. Zé do Prato dizia que se um dia a televisão entrasse nos rodeios, eles perderiam sua essência. E isso acontece hoje, as festas de peão viraram shows, as pessoas não frequentam por causa da montaria ou pela locução, mas por causa das atrações. Zé do Prato dizia que queria parar antes de ver isso acontecer e que seu sonho era parar no auge, e ele conseguiu.

O sucesso do rodeio no Brasil, deveu-se ao Zé do Prato. Ele conquistou o povo brasileiro e fez com que aprendessem a admirar o rodeio. A maneira de falar, o jeito de brincar e fazer amizade atraía grande público às arenas nas realizações dos espetáculos de rodeio.

Zé do Prato viveu em Piracicaba por muitos anos e dali se projetou nacionalmente. Num tempo em que as festas não possuíam megaestruturas, ele encantava o público simplesmente com sua voz e carisma, se tornando o precursor da locução com trilha sonora.

A história de Zé do Prato está preservada no Museu Nacional Zé do Prato, na Estância Casa de Pedra, na rodovia Piracicaba-Charqueada, no bairro Santa Luzia, em Charqueada, SP.


Devoto de Nossa Senhora, Zé do Prato tornou-se locutor de rodeios depois de ter passado por uma rádio em Regente Feijó. Na falta de recursos tecnológicos, ele andava com um gravador de fita K-7 a tiracolo, um arcaico microfone e duas cornetas, que durante as apresentações de rodeio eram improvisadas ao redor da arena.

Tradicionalmente, fazia a abertura com a oração da Ave Maria e arrancava lágrimas dos presentes com seus versos improvisados. Numa atitude corajosa, ele desbravou rincões Brasil afora e colecionou medalhas, prêmios, troféus e principalmente amigos.

Zé do Prato participou como um dos incentivadores da Festa do Peão de Americana, uma grande festa do peão do Brasil. Apresentou diversos rodeios, entre eles, na arena coberta do Rancho Quarto de Milha de Presidente Prudente, considerada a maior da América Latina.

Com sua estrondosa voz, difundiu ao país a expressão "Seguuuura, peãããão!!!" criada por ele, da qual dava garra aos peões e animava o público.

Em sua cidade natal, um estádio recebeu seu nome, onde realiza-se anualmente o Rodeio Zé do Prato, além de ter, também, emprestado seu nome a uma entidade ligada a rodeio da cidade de Cotia.

No Mato Grosso do Sul, em Cassilândia, foi construída uma estátua em sua homenagem, no portal de entrada do recinto de rodeio da cidade. De acordo com o portal da prefeitura daquele município, sua última narração aconteceu em 1991 e ele foi um dos primeiros locutores a atuar na festa. 

Morte

Em 27/12/1991, Zé do Prato foi internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde realizou uma cirurgia bem sucedida para sanar uma pancreatite. Durante a sua convalescença, inesperadamente foi acometido por uma infecção generalizada, falecendo na UTI para onde havia sido socorrido, no dia 27/01/1992, aos 43 anos.

Zé do Prato encontra-se sepultado na cidade de Piracicaba, SP.

Depois de sua morte, a esposa Áurea Bonfíglio procurou pela prefeitura de Regente Feijó para doar o acervo de troféus e pertences pessoais de Zé do Prato, mas se deparou com a falta de recursos financeiros da administração pública.

Sem essa possibilidade, ela sonhou em ver o museu em Piracicaba, mas os trâmites legais fizeram com que ela desistisse. Foi durante uma visita de Áurea à amiga de infância Salete Antonelli que surgiu a ideia de abrigar o museu no sítio em Charqueada.


Atualmente o espaço possui 200 peças catalogadas no Ministério da Cultura, conforme consta no ofício de 05/09/1997, afixado em um canto do museu.

"Um dos maiores presentes para mim foi o fato de Brasília ter reconhecido isso aqui como patrimônio histórico. E eu tomei este cuidado para que a memória do Zé do Prato seja preservada no futuro. A gente nunca sabe como vai ser o dia de amanhã e a geração futura precisa manter isso aqui!", cita Salete Antonelli, que ajudou na preservação dos objetos do locutor.

No museu estão cinzeiros, microfones, mesa de som com 12 canais, fivelas, botas, cintos, agenda e três imagens de Nossa Senhora Aparecida.

De acordo com Salete Antonelli, a devoção pela santa era tamanha que Zé do Prato andava com duas imagens em miniatura (que guardava no bolso do paletó e da calça) e outra um pouco maior que ficava sempre na mala de viagem e que depois era posicionada na cabeceira da cama de onde estivesse hospedado. 
"O Zé do Prato foi o maior astro que este rodeio já teve. Ele ganhou muito dinheiro com o rodeio. Recordo-me que certa vez a revista Veja fez uma reportagem comentando que o seu salário era maior que o do Gugu do SBT. Seu nome também foi parar no Guinness Book!"
(Salete Antonelli)

Fonte: WikipédiaJô Silvestre
#FamososQuePartiram #ZedoPrato

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