Sérgio Bernardes

SÉRGIO WLADIMIR BERNARDES
(83 anos)
Arquiteto

* Rio de Janeiro, RJ (09/04/1919)
+ Rio de Janeiro, RJ (15/06/2002)

Sérgio Bernardes foi exímio arquiteto de prédios, designer de móveis, projetista de automóveis e aeroplanos, planejador urbano, pensador de sistemas, piloto de corridas, candidato a prefeito do Rio de Janeiro, professor e, sobretudo, uma pessoa cativante e irresistível para todos que o conheceram.

Nascido no Rio de Janeiro, desde jovem Sérgio Bernardes pilotava monomotores, e disputava corridas pela cidade.

Cursou arquitetura pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro. Um ano antes de sua graduação, um dos seus projetos, o Country Club de Petrópolis, foi publicado na revista francesa L’Architecture d’Aujourd’hui, em edição dedicada à nova arquitetura brasileira.

Graduado em 1948, trabalhou com Lúcio Costa e Oscar Niemeyer no início de sua carreira, sendo autor de obras representativas como o projeto do pavilhão brasileiro na Feira Mundial da Bélgica em 1958, do Pavilhão de São Cristóvão, do Centro de Convenções de Brasília, do Mastro da Bandeira Nacional de Brasília e do Hotel Tropical Tambaú em João Pessoa. Também concebeu um grande número de projetos encomendados por órgãos públicos, no entanto destacou-se por seus projetos residenciais. São dele os projetos de casas de muitas celebridades, como a do cirurgião plástico Ivo Pitanguy.

Ao longo de sua carreira Sérgio Bernardes venceu algumas Bienais, dentre elas a de Veneza, em 1964, cujo prêmio em dinheiro trocou por uma Ferrari, que levava em suas viagens ao exterior e pilotava em autódromos.

O imóvel onde funcionava seu antigo escritório, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, transformou-se em 1999 na boate A Nuth Lounge.
Sérgio Bernardes apresentando Plano para o Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)
O Livro "Sérgio Bernardes"

A última mulher do grande Sérgio Bernardes, Kykah Bernardes escreveu, com Lauro Cavalcanti, diretor do Paço Imperial, um livro sobre a obra do visionário e notável arquiteto que morreu em 2002. O lançamento de "Sérgio Bernardes", pela editora ArtViva, foi na Livraria Argumento do Leblon. Ivo Pitanguy e Mariza Monte também prestigiaram.

Sérgio Bernardes foi um pioneiro, um audacioso do traço, um bon vivant, bom amigo, amante das mulheres e, sobretudo, um arquiteto extraordinário. Entre suas audácias, está o Pavilhão de São Cristóvão, com seu telhado côncavo, "o maior vão do mundo", que infelizmente o poder público não conservou, deixou despencar, fazendo com que a obra única acabasse virando apenas mais uma arena.

Sérgio Bernardes, um homem afável, que não colecionava atritos, acabou vítima de seu próprio temperamento conciliador, quando não soube dizer não à encomenda de um mastro de bandeira fincado em Brasília, na Praça dos Três Poderes, pelos Governos Militares. Mal sabia ele que isso seria visto como um gesto colaboracionista e uma ofensa ao conjunto da obra de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Pelo resto de sua vida, o genial Sérgio Bernardes passou a ser alvo de constrangimentos e preconceitos. Mas sua obra magnífica e sua personalidade notável, com o tempo, transformaram o episódio numa página inexpressiva de sua história profissional.

Morte

Sérgio Bernardes, de 83 anos, morreu na manhã do dia 15/06/2002 em sua casa, no Rio de Janeiro. A morte ocorreu por Falência Múltipla dos Órgãos, decorrente de um derrame que, nos últimos dois anos, havia paralisado parcialmente seus movimentos. Sérgio Bernardes  foi sepultado no Cemitério de João Baptista.

Apesar do derrame, Sérgio Bernardes ainda trabalhava.  Passou os últimos momentos envolvido na recuperação do Pavilhão de São Cristóvão, projetado por ele em 1958. "Nunca parou de produzir. Estava sempre envolvido em algum projeto", contou Maria Rosa Bernardes, nora do arquiteto. Sérgio Bernardes deixou dois filhos e nove netos.

Pavilhão de São Cristovão
Principais Obras

  • 1951 - Residência Lota Macedo Soares
  • 1958 - Pavilhão Brasileiro na Feira Mundial da Bélgica
  • 1958 a 1960 - Pavilhão de São Cristóvão, Rio de Janeiro
  • 1966 - Hotel Tropical Tambaú em João Pessoa
  • 1972 - Centro de Convenções de Brasília
  • 1972 - Mausoléu do ex-General Castello Branco, Fortaleza, Ceará
  • 1980 - Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto
  • 1989 a 1990 - Casa Kouri
  • Hotel Tropical de Manaus
  • Residência Turkson

Premiações

  • 1º Prêmio na 2ª Bienal Internacional de São Paulo, com a residência Lota de Macedo Soares
  • 1952 - Bienal de Veneza, com a residência Jadir de Souza
  • 1958 - Exposição de Bruxelas, com o Pavilhão do Brasil
  • 1964 - Bienal de Veneza

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