A. J. Renner

ANTÔNIO JACOB RENNER
(82 anos)
Empresário e Político

* Alto Feliz, RS (07/05/1884)
+ Porto Alegre, RS (27/12/1966)

Antônio Jacob Renner, mais conhecido como A. J. Renner, foi um empresário e político brasileiro e o fundador da Lojas Renner, uma das maiores redes varejistas gaúchas de vestuário. Foi um dos maiores empresários do Rio Grande do Sul.

Neto de imigrantes alemães, o materno foi capitão do Exército Imperial e voluntário na Guerra dos Farrapos, era filho de Jacob Renner e Clara Fetter. Quando tinha 2 anos seus pais se mudaram para Montenegro, RS, onde ele estudou em escola pública e nos estabelecimentos paroquiais particulares. Aos 12 anos já trabalhava nas oficinas da refinaria de banha paterna, aos 14 mudou-se para Porto Alegre, RS, onde, trabalhou inicialmente como aprendiz e depois como artífice, na Joalheria Foernges e aprendeu a dominar o ofício de ourives.

Em 1903, com 19 anos retornou para São Sebastião do Caí, RS, e, com o auxílio paterno, abriu uma ourivesaria. No ano seguinte casou-se com Mathilde Trein, uma das herdeiras da empresa Cristiano J. Trein & Cia., que dominava comércio de São Sebastião do Caí. Comércio este bastante intenso por causa do porto fluvial da cidade, que distribuía as mercadorias vindas de Porto Alegre e escoava a produção da colônia alemã, fazendo o transporte em lombo de burros por trilhas rudimentares.

Após o casamento, deixou o ofício de ourives e iniciou sua atividade empresarial, em 1847, com o sogro, Franz Trein, numa casa comercial na cidade de São Leopoldo, RS. Ingressou como sócio na empresa, com o trabalho de caixeiro-viajante.

A. J. Renner com a família, em Torres, RS.
Com a inauguração da estrada de ferro, o transporte animal tornou-se obsoleto, mas A. J. Renner já havia percebido as necessidades dos colonos em matéria de vestuário.

Em 1911 foi fundada no município de Caí uma empresa têxtil chamada Frederico Engel & Cia e o jovem A. J. Renner era um dos sócios da mesma. A empresa instalou-se inicialmente num galpão de madeira utilizado para pouso de tropeiros, e o capital investido foi pequeno para a época, 54 contos de réis. No primeiro ano não obteve bons resultados, consumindo o capital inicial e desanimando os investidores, A. J. Renner, tendo depositado ali suas esperanças e economias.

Como a empresa enfrentou problemas logo de início, A. J. Renner propôs seu nome para a direção na reunião dos acionistas que decidiria o futuro da tecelagem. Surgia assim, em 02/02/1912, a A. J. Renner & Cia., indústria fabril instalada no bairro Navegantes.

A. J. Renner conseguiu progresso rápido na sua fábrica porque criou um produto inédito e de grande utilidade: uma capa de chuva de qualidade muito superior às existentes no mercado. As chuvas que teve de enfrentar andando a cavalo, na época em que trabalhou como caixeiro viajante, o fizeram perceber a importância e a necessidade deste produto.

Anúncio das capas Renner
O grupo Renner atuava nos mais variados setores: indústria têxtil, de confecções, de tintas e vernizes, de feltro, curtume, de máquinas de costura, porcelanas e artefatos de cimento. Já em 1915, A. J. Renner implantou uma grande fábrica em Porto Alegre para atender aos numerosos pedidos do novo produto, capas de chuva das marcas Ideal, Oriental e Colonial. Além de produzir o tecido e confeccionar as capas, a empresa passou também a atuar no comércio, surgindo assim as Lojas Renner. As Lojas Renner tiveram seu primeiro ponto de venda inaugurado em 1922.

Os primeiros tempos foram de muitas dificuldades de cunho técnico, como fios importados de baixa qualidade e equipamentos rudimentares, e também financeiras, devido ao pouco capital disponível. Entretanto, a restrição de importações durante a primeira guerra mundial representou um grande aumento de vendas, tendo a fábrica, nesse período, passado a trabalhar em três turnos para atender a demanda.

Em 1920, sob o slogan "A boa roupa, ponto por ponto", a Renner fabricava trajes masculinos.
No final da década de 1920, a empresa era a maior indústria de fiação e tecelagem do Rio Grande do Sul, passando a produzir, além das capas de lã, trajes para homens. Seu eslogan era "Roupas Renner: A Boa Roupa Ponto Por Ponto".

A fabricação de ternos masculinos, até então, era praticamente monopolizada pelos alfaiates. Com a fabricação em escala industrial, a demanda por esse produto passou a ser prontamente atendida, além dos custos serem menores. Sua empresa ainda foi a responsável pela introdução da técnica da fiação penteada que permitia a produção de casemiras semelhantes, na qualidade, às casemiras inglesas.

Em 1933 iniciou a fiação e tecelagem do linho, estendendo a sua produção para todo o território nacional. Introduziu um sistema vertical de produção, único no país, que compreendia desde a produção do linho e da lã até a confecção e comercialização da roupa.


Envolveu-se com a organização dos sindicatos patronais, tendo sido presidente do Centro das Indústrias do Rio Grande do Sul. Foi eleito, em eleição indireta, deputado estadual representante classista dos empregados, em 1935. Depois de conflitos políticos, desiludido renunciou ao cargo em 20/04/1937.

Também foi pioneiro na instituição de serviços para atender a seus funcionários e seus familiares: cooperativa de crédito, cooperativa de consumo, creche e atendimento à saúde.

Participou como capitalista na fundação de outras empresas, tais como as Tintas Renner, com 30%, junto a sua irmã Olga e seus sobrinhos. E com outros sócios em outras empresas, surgindo assim um verdadeiro império industrial e comercial, formado por Lojas RennerTintas Renner, fábrica de tecidos, porcelanas, feltros, calçados e máquinas de costura.

O Grêmio Esportivo Renner foi fundado em 1931 por funcionários da firma.
Financiou durante muitos anos o programa informativo "Repórter Renner" na Rádio Guaíba de Porto Alegre e o Grêmio Esportivo Renner. Foi também fundador do primeiro Rotary Club em Porto Alegre, do Clube Leopoldina Juvenil e do Porto Alegre Country Club, onde praticava golfe todas as semanas.

Em 1940, a empresa expandiu sua oferta de mercadorias e tornou-se uma loja de departamentos. Em 1965, foi constituída a companhia Lojas Renner S/A e, em 1967, ocorreu a sua abertura de capital.

Nas suas empresas, A. J. Renner praticava uma avançada política de relações com os funcionários. Por iniciativa própria, ele diminuiu a jornada de trabalho para oito horas diárias e deu aos seus funcionários várias outras vantagens que as leis da época não exigiam. Ele influiu sobre Lindolfo Collor, ministro do trabalho de Getúlio Vargas, para que este criasse a moderna legislação trabalhista que levou os funcionários das demais empresas brasileiras a gozar dos mesmos direitos que os funcionários do Grupo Renner já usufruíam.

O grande líder empresarial morreu em Porto Alegre, no dia 27/12/1966, aos 82 anos, e a empresa continuo sob o controle da família Renner

A. J. Renner foi pai de 6 filhos e avô de 14 netos, os quais continuaram a sua obra em empreendimentos nas mais diversas áreas da economia.

Lojas Renner

Até meados da década de 90, a Renner era um magazine que vendia de tudo.  Após uma profunda reestruturação, a Renner transformou-se em uma loja de departamentos especializada em moda, focada principalmente no público feminino. Com essa guinada, ficou mais próxima de seus principais concorrentes: Riachuelo e C&A. Mas, enquanto a C&A se especializou em moda jovem, os produtos da Riachuelo eram pensados para donas de casa e mães de família, o foco da Renner foi a mulher moderna que trabalha.

A partir de 1994, teve início um plano de expansão que foi conquistando vários estados do Brasil. Plenamente reestruturada, a Renner expandiu suas operações para os estados de Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e para o Distrito Federal, consolidando sua posição nesses mercados como uma loja de departamentos com mercadorias de qualidade a preços competitivos.

O ano de 1997 marcou a entrada das Lojas Renner no estado de São Paulo com a aquisição das tradicionais e famosas Lojas Mappin e Mesbla. Em 1991, a companhia contava com oito lojas e, até novembro de 1998, já havia inaugurado 13 novas lojas.

Em dezembro de 1998, a J. C. Penney Brazil Inc., subsidiária de uma das maiores redes de lojas de departamentos dos Estados Unidos, adquiriu o controle acionário da companhia, até então detido pela família Renner, bem como outras ações detidas por acionistas minoritários, data em que já tinha 21 lojas. Como subsidiária do grupo J. C. Penney Brazil Inc. a Renner obteve alguns benefícios operacionais, tais como o acesso a fornecedores internacionais, especialistas na escolha de pontos comerciais, bem como a procedimentos e controles internos diferenciados.

Em 1999, as Lojas Renner expandiram-se para o Rio de Janeiro, inaugurando quatro lojas na capital, uma em Niterói e uma em Volta Redonda. Foram inauguradas lojas também em Belo Horizonte e em Brasília. A expansão da Renner também envolveu a abertura de novas lojas nos Estados de Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul a partir do ano 2000.


No ano de 2005, a J. C. Penney Brazil Inc. colocou à venda suas ações na bolsa de valores, deixando de ter o controle acionário da empresa. O mercado considerou a operação bem sucedida: 850 investidores compraram ações da Renner. Ninguém deteve o controle da empresa, os dez maiores acionistas foram fundos estrangeiros. Um fundo europeu deteve 7,7% de participação e o maior fundo brasileiro deteve 3% das ações.

Já em 2006, a Renner iniciou a segunda fase do plano de expansão e a rede passou a atuar nos estados de Pernambuco, Ceará e Bahia. Em 2007, entrou no mercado da Região Norte e ampliou sua presença no Nordeste. No ano passado, sua receita líquida em vendas foi de R$ 1,75 bilhões, a qual, comparada com os R$ 133,4 milhões obtidos em 1995, representa um crescimento de aproximadamente 1.200%.

O Conselho de Administração da Renner, presidido por Francisco Gros e integrado por José Galló, que está à frente da companhia desde a década de 90, conta com a participação da consultora de moda Glória Kalil, bem como Egon Handel, José Luiz Osório de Almeida Filho e Miguel Krigsner, presidente de O Boticário.

A Renner vem se diferenciando no segmento de varejo de moda por investir no conceito de lifestyle que veste homens, mulheres, adolescentes e crianças de acordo com o estilo de vida de cada um. O conceito levou à criação de marcas próprias como as Just Be, Blue Steel, Rip Coast, Get Over, Request, entre outras. Com isso, a rede vem conquistando a fidelidade dos seus novos clientes e reforçando a dos antigos. Atualizada com as tendências de mercado e preparada para oferecer o melhor da moda e dos estilos aos seus clientes, a Renner é hoje a terceira maior rede de varejo especializada em roupas no país, com mais de 101 lojas espalhadas pelos quatro cantos do Brasil.

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