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Zanine Caldas

JOSÉ ZANINE CALDAS
(82 anos)
Paisagista, Maquetista, Escultor, Moveleiro, Arquiteto, Designer de Produtos e Professor

☼ Belmonte, BA (25/04/1919)
┼ Vitória, ES (20/12/2001)

José Zanine Caldas foi um paisagista, maquetista, escultor, moveleiro, escultor e designer de produtos e professor, além de também atuar como professor no Brasil e no exterior, nascido em Belmonte, sul da Bahia, no dia 25/04/1919.

Por seu talento incomum foi reconhecido como Mestre da Madeira. Seu trabalho promoveu a integração do artesanato tradicional brasileiro e do modernismo de forma singular.

Zanine desde criança era apaixonado por obras e serrarias. Filho de um médico, com 13 anos ele começou a fazer presépios de Natal para os vizinhos usando caixas de seringa do pai, feitas de papelão. Mais tarde, tomou aulas de desenho com um professor particular e, aos 18 anos, foi para São Paulo, trabalhar como desenhista numa construtora.

Dois anos depois abriu sua própria empresa no Rio de Janeiro para construção de maquetes onde trabalhou entre 1941 e 1948. Por sugestão de Oswaldo Bratke, transfere-o depois para São Paulo, em atividade de 1949 a 1955. O ateliê atendia os principais arquitetos modernos das duas cidades, e era responsável pela maioria das maquetes apresentadas no livro "Modern Architecture In Brazil" (1956), de Henrique E. Mindlin. Do ateliê de Zanine saíam os protótipos de projetos assinados por nomes como Lúcio Costa, Oswaldo Arthur Bratke e Oscar Niemeyer.

Em 1949, em São José dos Campos, SP, uma sociedade entre Zanine, Sebastião Henrique da Cunha Pontes Paulo Mello, gerou a Zanine, Pontes e Cia. Ltda., mais conhecida como Móveis Artísticos Z, que produziu móveis por 12 anos para a classe média. O desenho dos móveis com forte influência modernista foi assinado por Zanine até sair da sociedade em 1953.


Zanine Caldas trabalhou como assistente do arquiteto Alcides da Rocha Miranda na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), entre 1950 e 1952.

Em São Paulo, desenvolveu projetos paisagísticos até 1958, quando se transferiu para Brasília, onde construiu sua primeira casa, em 1958, e coordenou a construção de outras até 1964.

Indicado por Rocha Miranda a Darcy Ribeiro, ingressou na Universidade de Brasília (UNB) em 1962, e deu aulas de maquetes até 1964, quando perdeu o cargo em virtude do golpe militar. Nesse ano, 1964, viajou pela América Latina e África, e, retornando ao Rio de Janeiro, construiu sua segunda casa, a primeira de uma série construída na Joatinga até 1968.

Em 1968, mudou-se para Nova Viçosa, Bahia, abriu um ateliê-oficina, que funcionou até 1980, e participou do projeto de uma reserva ambiental com o artista plástico Frans Krajcberg, para quem projetou um ateliê em 1971.

Simultaneamente, entre 1970 e 1978, manteve o escritório no Rio de Janeiro, para onde retornou em 1982. Um ano depois fundou o Centro de Desenvolvimento das Aplicações das Madeiras do Brasil (DAM), e o transferiu em 1985 para a Universidade de Brasília (UNB). Nesse período propôs a criação da Escola do Fazer, um centro de ensino sobre o uso da madeira da região para a construção de casas, mobiliário e objetos utilitários para a população de baixa renda.


Em 1975 o cineasta Antonio Carlos da Fontoura fez o filme "Arquitetura de Morar", sobre as casas da Joatinga, com trilha sonora de Tom Jobim, para quem Zanine Caldas projetou uma casa. Dois anos depois, a obra do arquiteto é exposta no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), em Belo Horizonte, e no ano seguinte no Solar do Unhão, em Salvador.

Em 1986, a publicação de sua obra na revista "Projeto" nº 90 inicia uma polêmica no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) sobre o fato de Zanine Caldas ser auto-ditada. Vários arquitetos saem em sua defesa, entre eles Lúcio Costa, que lhe entrega cinco anos depois, no 13º Congresso Brasileiro de Arquitetura em São Paulo, o título de Arquiteto Honorário dado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).

Em 1989 é reintegrado no seu posto na Universidade de Brasília (UNB), mas não chega a dar aulas. Nesse ano vai para Europa, onde projeta residências em Portugal e dá aulas na École d´Architecture de Grenoble, França. O Musée des Arts Decoratifs de Paris mostra suas peças de design em 1989, ano em que recebe a medalha de prata do Colégio de Arquitetos da França.

Perseguido, Zanine chegou a se asilar na embaixada da Iugoslávia, mas no último momento decidiu não viajar para aquele país. Reapareceu ao final dos anos 60. Estabeleceu-se no Rio de Janeiro onde construiu dezenas de casas no bairro de Joatinga, um local de geografia privilegiada, situado entre São Conrado e a Barra da Tijuca. Realizou ali uma arquitetura ao mesmo tempo colonial e moderna, cuja escolha de material privilegiava a preservação do meio ambiente e enfatizava o conceito de autoconstrução.


Nos anos 80, ao estabelecer uma oficina para antigos canoeiros em Nova Viçosa, BA, em sua comunidade "proto-ecológica", reassumiu sua ligação com as técnicas caboclas e reinterpretou as tradições artesanais regionais. À época, Zanine sonhava em transformar Nova Viçosa em uma capital cultural e a sua utopia chegou a reunir nomes como os de Chico BuarqueOscar Niemeyer e Dorival Caymmi. Lá ajudou a construir a residência do artista Franz Krajcberg.

Durante muitos anos, Zanine foi o centro de uma polêmica que tentou impedi-lo de construir por não ser um profissional diplomado. Chegou a ser impedido pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA) de levar adiante a construção de alguns projetos. No entanto, pelo domínio da técnica e materiais Zanine acabou sendo reconhecido como Arquiteto Honoris Causa. Lúcio Costa foi um dos defensores do título, causando polêmica no meio.

Em 1991 Lúcio Costa teve a honra de entregar-lhe o título de arquiteto honorário, atribuído pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).

No final da década de 80, seu trabalho foi exposto no Museu do Louvre, em Paris, trazendo-lhe o reconhecimento internacional.

Zanine Caldas morreu em Vitória, ES, no dia 20/12/2001, aos 82 anos, vítima de um infarto. Ele já vinha sofrendo de hidrocefalia e apresentava diversas dificuldades de comunicação e raciocínio.

Casado por seis vezes, deixou seis filhos, entre eles o arquiteto José Zanine Caldas Filho, o designer Zanini de Zanine Caldas, que em seus desenhos tem como inspiração os projetos do pai, também ganhando notoriedade por móveis

Indicação: Paulo Roberto Santos

Sergio Rodrigues

SERGIO RODRIGUES
(86 anos)
Arquiteto e Designer

* Rio de Janeiro, RJ(1927)
+ Rio de Janeiro, RJ (01/09/2014)

Sergio Rodrigues arquiteto e designer de móveis, ingressou em 1947 na Faculdade Nacional de Arquitetura (FNA) da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro.

Em 1949, atuou como professor assistente de David Xavier de Azambuja, que, em 1951, o convidou a participar da elaboração do projeto do Centro Cívico de Curitiba, com os arquitetos Olavo Redig de Campos e Flávio Regis do Nascimento, por intermédio de quem, conhece Lúcio Costa.

Sergio Rodrigues formou-se em arquitetura em 1951. Transferiu-se para Curitiba, onde criou a Móveis Artesanal Paranaense, em sociedade com os irmãos Hauner, que em 1954 contratam-no para comandar o setor de criação de arquitetura de interiores de sua nova empresa, a Forma S.A., em São Paulo. Nesse período, entrou em contato com a produção de diversos designers europeus, conheceu Gregori Warchavchik e Lina Bo Bardi.

Em 1955, pediu demissão da Forma S.A., e voltou ao Rio de Janeiro. Alimentou a idéia de criar um espaço de produção e comercialização do design brasileiro, que se concretizou com a abertura da Oca, em 1955.

Criou na década de 50 a Poltrona Mole, Cadeira Lúcio Costa e Poltrona Oscar Niemeyer.

"De fato, nesse momento ele fez coexistir o Brasil-brasileiro com o Brasil-de-Ipanema, cantada mais tarde, em 1962, por Tom Jobim e Vinicius de Morais na célebre 'Garota de Ipanema'"
(Oscar Niemeyer)


De 1959 a 1960, fez os primeiros estudos do SR2 (Sistema de Industrialização de Elementos Modulados Pré-Fabricados Para Construção de Arquitetura Habitacional em Madeira). Os protótipos das construções são expostos no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). O sistema foi utilizado na construção do Iate Clube de Brasília e de dois pavilhões de hospedagem e restaurante da Universidade de Brasília (UNB) em 1962.

Com uma variação da Poltrona Mole, recebeu o primeiro prêmio no Concorso Internazionale Del Mobile (Concurso Internacional do Móvel), em 1961, em Cantù, na Itália, escolhido entre mais de 400 convidados de 35 países. Tal premiação deu projeção internacional a sua carreira como designer de móveis. Produzida na Itália pela ISA, a poltrona foi exportada para vários países com o nome de Sheriff.

Com o objetivo de comercializar móveis produzidos em série a preços acessíveis, criou em 1963 a empresa Meia-Pataca, que se manteve no mercado até 1968. Nesse ano, vendeu a Oca e montou ateliê no Rio de Janeiro, onde trabalhou com arquitetura de interiores para residências, escritórios e hotéis e realizou projetos para o Banco Central em Brasília e a sede da Editora Bloch, no Rio de Janeiro, além de desenvolver linhas de móveis para produção industrial. Participou da exposição Mobiliário Brasileiro - Premissas e Realidade, no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP).

Recebeu o Prêmio Lapiz de Plata na Bienal de Arquitetura de Buenos Aires pelo conjunto de sua obra, em 1987. Participou com Lúcio Costa e Zanine Caldas da Mostra Brasile 93 - La Costruzione de Una Identità Culturale (Brasil 93 - A Construção de uma Identidade Cultural), em Brescia, Itália.

Apresentou em 1991, na exposição Falando de Cadeira no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), diversos trabalhos realizados desde os anos 50.

Obteve em 2006, o 1º lugar na categoria mobiliário na 20ª edição do Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, com a Poltrona Diz.

Comentário Crítico

Um dos mais importantes designers de móveis do Brasil, ao lado de nomes como Joaquim Tenreiro e Zanine Caldas, Sergio Rodrigues tem um papel decisivo na história do mobiliário brasileiro. Autor de vasta obra, iniciou a carreira como designer na década de 50, no Rio de Janeiro, período de consolidação da arquitetura moderna. Em expressa crítica ao ecletismo, desenvolveu móveis condizentes com os novos espaços da arquitetura.

São de 1956 duas criações bastante conhecidas, a Cadeira CD-7 ou Lúcio Costa, de madeira maciça torneada e assento em palhinha - assim apelidada em homenagem ao arquiteto, grande incentivador do trabalho de Sergio Rodrigues - e a Poltrona PL-7Jockey ou Oscar Niemeyer, com estrutura de madeira e trançado de palhinha, braços esculpidos como peças únicas, com desenho anatômico, solução construtiva considerada autenticamente brasileira por Lúcio Costa, embora possam ser percebidas semelhanças com certos trabalhos do arquiteto e designer dinamarquês Finn Juhl.

Num período em que os critérios de nacionalidade e originalidade pautam os julgamentos estéticos na arquitetura e nas artes visuais, diversos comentadores das realizações de Sergio Rodrigues, entre eles Lúcio Costa, difundem uma interpretação de seu trabalho como exemplar da singularidade brasileira.

Sua criação mais famosa é a Poltrona Mole, de 1957. Confortável e robusta, é considerada um símbolo do design nacional. Tal viés de brasilidade é reforçado pelo comentário do relatório do concurso em Cantù, em 1961, que justifica o 1º prêmio dado à peça pelos critérios de modernidade e expressão de regionalidade. O desejo de conceber um móvel que expressasse a identidade nacional é professado pelo próprio autor e enfatizado por vários comentadores e estudiosos, que associam a poltrona a um modo brasileiro de sentar, a idéias como preguiça e relaxamento, e enfatizam a sintonia dos móveis de Sergio Rodrigues com a descontração, informalidade e contestação de um novo estilo de vida da juventude dos anos 60. Consideram-na uma originalidade, embora a Poltrona Mole remeta a criações como a 670, de Charles Eames. De fato, o móvel contrasta com os padrões da época, dos delgados pés palitos, trazendo a grossura e a robustez da estrutura de madeira torneada, com correias de couro que formam uma cesta para receber os almofadões, também de couro, o que possibilita ao usuário moldar o corpo anatomicamente ao sentar-se. A poltrona, que integra o acervo do Museum Of Modern Art (MoMA) de New York, é até hoje um sucesso de vendas.


Sergio Rodrigues recebeu em 1958 um convite para elaborar peças do mobiliário para o edifício do Congresso Nacional, em Brasília, então em construção. Para a sala de espera, projetou a Poltrona PO-3, que recebeu mais tarde o nome de Beto, com estrutura de aço cromado e braço de madeira de lei, assento e encosto de espuma. Produziu, em 1960, a mesa que ficou conhecida como Itamaraty, para o Ministério das Relações Exteriores de Brasília, projeto de Oscar Niemeyer. Com pequenas variações, o mobiliário foi usado na Embaixada do Brasil em Roma.

"Naquela época, no início de Brasília, não se tinha tempo de pensar em desenhar móvel nenhum. Nós usamos móveis correntes no mercado, selecionando como o Palácio exigia. O principal designer a quem solicitei móveis foi Sergio Rodrigues."
(Lúcio Costa)

A convite de Darcy Ribeiro, então reitor da Universidade de Brasília (UNB), criou em 1962 os assentos do Auditório dos Candangos, projetado pelo arquiteto Alcides da Rocha Miranda, para o que encontrou uma criativa solução construtiva: o uso de balancins, que conferiram mais conforto e facilitam a passagem de transeuntes. De concepção semelhante é a poltrona criada em 1965 para o auditório do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/DF), de Brasília, menção honrosa no concurso do IAB naquele ano, utilizada em vários auditórios brasileiros, como o Anhembi e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), em São Paulo.

Outra poltrona célebre é a Tonico, criada em 1963 para a empresa Meia-Pataca, com almofada roliça para apoio do pescoço, sustentado por cintas reguláveis.

De 1973 é a Poltrona Leve Kilin PL-104, de madeira maciça e assento e encosto de lona ou couro, premiada pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em 1975.


Na década de 80, elaborou projetos para hotéis, como a cadeira DAAV e a Poltrona Júlia.

Nos anos 90 continuou a desenhar móveis, como as cadeiras Chico e Adolpho, feitas para a sala de reuniões da Editora Bloch.

A irreverência que marcava seus projetos o acompanhou ao longo de mais de 50 anos de carreira ininterrupta, notada em projetos, como a espreguiçadeira Nina, de 1992, cujo desenho remete a uma caravela de Pedro Álvares Cabral, na qual ressalta a busca pelo conforto do repouso, com direito a um apoio para livros.

O exame de sua vasta produção de mobiliário permite perceber a preferência pela madeira como material principal, utilizada muitas vezes combinada com o couro ou a palhinha, outras com estofados de tecidos de fibras naturais, como o algodão e a lona e, em menor freqüência, com metal. Vale ressaltar, além do caráter inovador das peças produzidas para a Oca, a importância dessa empresa para o desenvolvimento da indústria de móveis modernos no Brasil, por sua contribuição na difusão do design brasileiro e sua aceitação no mercado. Criada em 1955 como um estúdio de arquitetura de interiores, e galeria de arte, a Oca surgiu estimulada pela excelente fase por que passava a arquitetura nacional.

De sua atuação como arquiteto, relativamente obliterada pela notoriedade como designer de móveis, destaca-se a idealização do SR2 (Sistema de Industrialização de Elementos Modulados Pré-Fabricados Para Construção de Arquitetura Habitacional em Madeira). Na década de 1960, foram produzidas e montadas centenas de unidades, muitas delas na floresta amazônica, entre casas, conjuntos habitacionais, pousadas, clubes, restaurantes e postos ambulatoriais.

"O móvel não é só a figura, a peça, não é só o material de que esta peça é composta, e sim alguma coisa que tem dentro dela. É o espírito da peça. É o espírito brasileiro. É o móvel brasileiro."
(Sergio Rodrigues)

Morte

Sergio Rodrigues morreu na manhã de segunda-feira, 01/09/2014, aos 86 anos. Segundo funcionários de seu escritório, a morte foi em casa, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, vítima de insuficiência hepática. Sergio Rodrigues já estava sendo submetido a tratamento por complicações no fígado, mas não resistiu. Ele será cremado no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na quarta-feira, 03/09/2014. Sergio Rodrigues deixa mulher, Vera Beatriz, três filhos, além de netos e bisnetos.

A morte do designer foi lamentada pela presidente Dilma Rousseff. Em nota, ela disse:

"Rodrigues elevou o designer do nosso mobiliário aos mais altos padrões de criatividade e qualidade internacionais, sem perder um profundo toque de brasilidade. Sua morte entristece a todos. Meus sentimentos a sua família, amigos e admiradores."

Cronologia

  • 1952 - Se formou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
  • 1953 - Formou juntamento com os imãos Hauner a primeira loja de arte e móveis modernos em Curitiba a Móveis Artesanal Paranaense.
  • 1954 - É contratado para trabalhar na loja de móveis Forma S.A. desenvolvendo projetos de móveis modernos.
  • 1955 - Fundou a Indústria Oca, um dos estúdios de arquitetura de interiores e cenografia mais importantes para a indústria do mobiliário brasileiro expondo mais de mil criações de móveis ao longo dos anos, onde ficou até 1968.
  • 1961 - Ganhou o primeiro prêmio no Concurso Internacional do Móvel, na Itália.
  • 1968 - Montou seu próprio ateliê no Rio de Janeiro de design de móveis e arquitetura onde realizou vários projetos nacionais e internacionais como a Embaixada do Brasil em Roma, o Palácio dos Arcos e o Teatro Nacional de Brasília.
  • 1973 - Montou a empresa Sérgio Rodrigues Arquitetura no Rio de Janeiro produzindo linhas de móveis e projetos de arquitetura e ambientação de hotéis, residências e escritórios, além de sistemas de casas pré-fabricadas. A empresa funciona até hoje no bairro de Botafogo.


Móveis Mais Famosos

  • 1956 - Cadeira Oscar
  • 1957 - Poltrona Mole
  • 1962 - Poltrona Aspas "chifruda"
  • 1973 - Poltrona Killin
  • 1997 - Banco Sônia
  • 2001 - Poltrona Diz


Indicação: Miguel Sampaio

Anna Maria Niemeyer

ANNA MARIA NIEMEYER
(82 anos)
Marchand, Designer, Galerista e Arquiteta de Interiores

* Rio de Janeiro, RJ (1929)
+ Rio de Janeiro, RJ (06/06/2012)

Anna Maria Niemeyer foi uma marchand, arquiteta e designer. A única filha do renomado arquiteto Oscar Niemeyer, trabalhou com o pai na construção de Brasília, tendo sido responsável pela decoração de interiores de diversos edifícios públicos da cidade. Nos anos 70, criou uma linha de móveis, exposta em diversas instituições do Brasil e do exterior. Em 1977, fundou a Galeria Anna Maria Niemeyer, um tradicional espaço voltado à difusão e comercialização de arte contemporânea no Rio de Janeiro.

 Oscar Niemeyer e sua filha Anna Maria Niemeyer
Vida e Obra

Anna Maria Niemeyer nasceu em 1929, fruto da união de Oscar Niemeyer e Anita Baldo. Dedicou-se desde cedo à decoração de interiores, colaborando em projetos do pai. Nos anos 70, foi funcionária da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), projetando a ambientação interna dos edifícios públicos de Brasília, como a sede do Congresso Nacional, a sede do Supremo Tribunal Federal, o Palácio do Planalto e o Palácio da Alvorada. Residiu na capital federal entre 1960 e 1973.

Nos anos 70, novamente em colaboração com o pai, projetou uma linha de móveis, produzidos simultaneamente no Brasil e na Itália. A parceria rendeu exposições em diversos museus brasileiros e em renomadas mostras e instituições internacionais, como o Centro Georges Pompidou, o Salão de Paris, o Salão Internacional do Móvel de Milão, o Chiöstro Grande de Florença, o Salone Del Móbile de Pádua, a Feira Internacional de Colônia e a Organização das Nações Unidas em New York.

No Rio de Janeiro, fundou a Galeria Anna Maria Niemeyer, inaugurada em 13 de outubro de 1977, a princípio no Leblon, transferindo-a posteriormente para Gávea. No comando da galeria, gerenciou, coordenou e organizou mais de 300 exposições individuais e coletivas. A galeria ocupa hoje dois espaços na Gávea, na Praça Santos Dumont e na Rua Marquês de São Vicente, responsáveis por manter eventos artísticos, lançamentos e representação comercial de diversos artistas, como Victor Arruda e Chico Cunha. Anna Maria Niemeyer coordenou ainda, nos anos 90, o projeto de decoração do Museu de Arte Contemporânea de Niterói.

Anna Maria Niemeyer foi casada com Carlos Magalhães da Silveira com quem viveu 14 anos, teve dois filhos, Carlos Oscar e Ana Cláudia. De Carlos Oscar tem três netos: João Pedro, Maria Cláudia e João Henrique.

Oscar Niemeyer e sua filha Anna Maria Niemeyer
Morte

Anna Maria Niemeyer, morreu na quarta-feira, 06/06/2012, vítima de Enfisema Pulmonar. Anna Maria tinha 82 anos e estava internada no Hospital Samaritano do Rio de Janeiro desde o dia 01/06/2012.

De acordo com Kadu Niemeyer, um dos quatro filhos de Anna Maria, sua mãe lutava havia muitos anos contra um câncer que teve início no pulmão e depois se espalhou pelo corpo (metástase).

O sepultamento de Anna Maria ocorreu na quinta-feira, 07/06/2012, às 13:00hs, no Cemitério São João Batista. Por ocasião de sua morte, a Galeria Anna Maria Niemeyer decretou luto de dez dias.


J. Carlos

JOSÉ CARLOS DE BRITO E CUNHA
(66 anos)
Chargista, Ilustrador e Designer Gráfico

* Rio de Janeiro, RJ (18/06/1884)
+ Rio de Janeiro, RJ (02/10/1950)

José Carlos de Brito e Cunha, conhecido como J. Carlos, foi um chargista, ilustrador e designer grafico brasileiro. J. Carlos também fez esculturas, foi autor de teatro de revista, letrista de samba, e é considerado um dos maiores representantes do estilo Art Déco no design gráfico brasileiro.

Seu primeiro trabalho foi publicado em 1902, na Revista Tagarela, com uma legenda explicando ser aquele o desenho de um principiante, mas, em seguida, passa a colaborar regularmente com a revista e em abril do ano seguinte já desenha a capa da publicação. Os trabalhos de J. Carlos apareceriam nas melhores revistas de sua época: O Malho, O Tico Tico, Fon-Fon, Careta, A Cigarra, Vida Moderna, Eu Sei Tudo, Revista da Semana e O Cruzeiro.

Fez histórias em quadrinhos com a negrinha Lamparina, mas seus desenhos mais conhecidos são as figuras típicas do Rio de Janeiro, os políticos da então capital federal, os sambistas, os foliões no carnaval e, principalmente, a melindrosa, uma mulher elegante e urbana que surgia com a modernidade do século XX. Juntamente com Raul Pederneiras e com Kalixto formou o triunvirato máximo da caricatura brasileira da Primeira República.

Além de variada, sua obra é bastante numerosa, sendo calculada por alguns em mais de cem mil ilustrações.

Nos anos 30, J. Carlos foi o primeiro brasileiro a desenhar Mickey Mouse. J. Carlos desenhou o personagem em capas e peças publicitárias na revista O Tico Tico.

Também foi responsável pela capa da primeira edição do Suplemento Infantil do jornal A Nação, suplemento criado por Adolfo Aizen.

Em 1941, Walt Disney visitou o Brasil. Disney ficou impressionado com o estilo de J. Carlos e o convidou para trabalhar em Hollywood. O ilustrador recusou o convite, porém enviou a Disney um desenho de um papagaio que serviu de inspiração para a criação de Zé Carioca.

No álbum Hoje é Dia de Festa de 1997, o cantor Zeca Pagodinho inseriu desenhos de J. Carlos na capa.

Morte

J. Carlos sofreu um Aneurisma Cerebral enquanto estava reunido com o compositor João de Barro, o Braguinha, discutindo a ilustração para a capa de seu próximo disco, e faleceu dois dias depois.

Fonte: Wikipédia