Castilho

CARLOS JOSÉ CASTILHO
(59 anos)
Goleiro

* Rio de Janeiro, RJ (27/11/1927)
* Rio de Janeiro, RJ (02/02/1987)

Jogou no Fluminense de 1947 até 1964, sagrando-se tricampeão carioca, bicampeão do Torneio Rio-São Paulo, campeão do Torneio Municipal de Futebol do Rio de Janeiro e vencedor da Copa Rio, o maior torneio do mundo da época.

Ele entrou para a história como um goleiro milagreiro, fazendo defesas quase impossíveis. Ele dizia ter uma inacreditável boa sorte. Por causa disso, seu apelido era Leiteria (apelido comum à pessoas que tinham sorte na época) e os torcedores do Fluminense o chamavam de São Castilho.

Mesmo tendo apenas 1,81 m., baixo para os padrões dos goleiros atuais, mas considerado alto para aquela época, foi um dos melhores goleiros do futebol brasileiro. Também se destacava nas defesas de pênaltis. Só em 1952, defendeu 6 deles.

Daltônico, acreditava que várias vezes havia sido favorecido por ver como vermelhas as bolas amarelas, mas era prejudicado pelas bolas brancas à noite. Foi o melhor goleiro tricolor de todos os tempos e o melhor goleiro da história do Maracanã.


Amor ao Tricolor

Foi um exemplo de estoicismo. Tendo contundido seu dedo mínimo esquerdo pela quinta vez, o médico disse que deveria passar por dois meses de tratamento, entretanto, ele resolveu amputar o dedo. Duas semanas depois, Castilho voltaria ao gol tricolor. O tal tratamento, que não aconteceu, levaria mais de dois meses.

Já em casa, em período de recuperação, Castilho recebeu a reportagem da revista Manchete Esportiva (nº 82, de 15/06/1957) e deu algumas explicações:

"Quando fui convocado para as eliminatórias, batia bola com o Pepe e senti uma dor profunda. Daí pra frente senti que era impossível adiar a cirurgia. Expressei meu drama aos dirigentes do Fluminense. O clube promoveu uma junta de cinco médicos. Estudaram o caso e resolveram que enxerto ou correção do eixo seriam medidas aconselháveis. Mas, o fato concreto é que, no meu entendimento, meu dedo continuaria imóvel e isso roubaria minha confiança. Foi quando pensei na amputação parcial. Só com ela eu me sentiria novamente confiante. Dr. Paes foi contrário. Relutei. Marcaram a operação e novamente Dr. Paes era contra. Foi tudo suspenso. Voltei a carga. Ficou então determinado que, para que houvesse a operação, eu teria que assinar um termo de responsabilidade. Vivi um drama durante 48 horas. De um lado a minha convicção de que só a amputação resolveria o meu problema. O dedo mínimo não tem a menor interferência na segurança de qualquer goleiro, tanto assim que pretendo ser candidato a uma vaga para a Copa de 1958. Do outro lado, a minha senhora e os médicos não concordavam. Telefonei para o Dr. Paes Barreto e fui franco – se não houver operação, não poderei mais continuar jogando, assim não confio mais em mim. No dia seguinte dei entrada na Casa de Saúde. Eram oito horas. Paes Barreto já me esperava. Antes da anestesia, ainda ouvi a última frase. 'Castilho, você é louco'."

A mão de Castilho
Crédito arquivo tese O último voo do herói, de Paulo Kastrup
Quem não gostou do procedimento do médico do Fluminense foi o Drº Manoel Cláudio da Mota Maia, na época professor catedrático de Técnica Cirúrgica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

"Condeno por todos os modos a atitude do colega Paes Barreto. Castilho é um leigo em medicina. Sua palavra não pode determinar uma amputação. Deveria ser tentada a correção do eixo, como aliás propôs o próprio médico. 'Ortopedia' quer dizer conservação. A mutilação só deve ser procedida quando o membro ou o órgão não pode ser conservado sem o prejuízo à saúde. Repito: um termo de responsabilidade assinado por um leigo não tem o mínimo valor, ainda mais quando sabemos que a 'correção do eixo' saria a Castilho a possibilidade de voltar a exercer sua função. Apenas demoraria um pouco mais."

Durante sua carreira, jogou 696 jogos pelo Fluminense, um recorde absoluto neste clube. Lá sofreu 777 gols e jogou 255 partidas sem sofrê-los.

Em 2007, o Fluminense Football Club inaugurou um busto de Castilho na entrada da sede social do clube tricolor, como agradecimento pelos serviços prestados, muito acima do que se pode esperar de um jogador profissional, mais do que isto, pelas demonstrações inequívocas de amor pelo clube que o projetou para o futebol.

Os jogadores da seleção brasileira Moacir Barbosa, Carlos Castilho e Gylmar dos Santos Neves, em 1953
(Foto: Folhapress)
Seleção Brasileira

Pela Seleção Brasileira de Futebol conquistou o Campeonato Pan-Americano de Futebol de 1952, a primeira conquista relevante da Seleção Brasileira fora do Brasil.

Participou ainda de quatro Copas do Mundo: 1950, 1954 e das conquistas de 1958 e 1962, tendo sido titular em 1954.

Participou também da Copa América, na época chamada de Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1953 e 1959, além de diversos torneios e partidas amistosas pela Seleção Canarinho.

Carreira Como Treinador

Depois de parar de jogar, foi técnico de vários times do Brasil, com destaque para o Santos campeão paulista de 1984, para o Vitória, onde até setembro de 2009 era o técnico que mais tinha dirigido e conquistado vitórias no Campeonato Brasileiro de Futebol da 1ª Divisão (1973/1974), sendo ultrapassado posteriormente por Vágner Mancini, e para o Operário Futebol Clube do Mato Grosso do Sul, clube que levou às semifinais do Campeonato Brasileiro de Futebol de 1977.


Morte

Em 02/02/1987, o então ex-goleiro cometeu suicídio. Castilho se jogou do sétimo andar do apartamento da ex-mulher, Vilma, em Bonsucesso. Até hoje, a morte é cercada de muito mistério já que ninguém sabe ao certo o motivo que levou Castilho a tomar tal atitude.

Na época, Castilho era técnico da seleção da Arábia Saudita e, em janeiro, sentiu fortes dores de cabeça, sendo submetido a alguns exames que nunca tiveram o resultado publicamente revelado. Para algumas pessoas próximas, Castilho teria na época o que hoje é chamado de Transtorno Bipolar.

"O laudo (médico) poderia ter acusado alguma enfermidade grave, um tumor irremovível ou mesmo o desenvolvimento de um aneurisma pronto a explodir", diz um trecho do livro "Castilho Eternizado", de Antônio Carlos Teixeira Rocha, que aborda outra possibilidade.

Outra hipótese seria o rompimento inesperado do relacionamento do casal. Ele vivia com a segunda mulher, Evelyna, que se recusou dias antes a ir com Castilho para Riad, na Arábia Saudita. A separação brusca poderia ser a causa do transtorno mental, levando o goleiro a distúrbios emocionais.

Prêmios

Em 1955, ganhou o Prêmio Belfort Duarte, que homenageava o jogador de futebol profissional que passasse dez anos sem sofrer uma expulsão, tendo jogado pelo menos 200 partidas nacionais ou internacionais.

Joel e Castilho
Títulos Como Jogador

Fluminense
  • 1964 - Campeonato Carioca
  • 1960 - Torneio Rio-São Paulo
  • 1959 - Campeonato Carioca
  • 1957 - Torneio Rio-São Paulo
  • 1956 - Torneio Início do Campeonato Carioca
  • 1954 - Torneio Início do Campeonato Carioca
  • 1952 - Copa Rio
  • 1951 - Campeonato Carioca
  • 1948 - Torneio Municipal do Rio de Janeiro

Seleção Brasileira

  • 1962 - Copa do Mundo
  • 1962 - Taça Oswaldo Cruz
  • 1958 - Copa do Mundo
  • 1957 - Copa Roca
  • 1952 - Campeonato Pan-Americano
  • 1955 - Taça Bernardo O'Higgins
  • 1954 - Copa do Mundo
  • 1950 - Taça Oswaldo Cruz
  • 1950 - Copa do Mundo

Fonte: WikipédiaGlobo Esporte

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