sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Dilermando de Assis

DILERMANDO CÂNDIDO DE ASSIS
(63 anos)
Militar, Engenheiro e Escritor

* Porto Alegre, RS (18/01/1888)
+ Rio de Janeiro, RJ (13/11/1951)

Foi um militar famoso pela tragédia amorosa vivida com a esposa do escritor Euclides da Cunha.

Aos dezessete anos de idade, em 1905 apaixonou-se pela esposa do escritor e engenheiro militar, Euclides da Cunha, Anna Emília Ribeiro, filha do general Frederico Sólon de Sampaio Ribeiro, então com trinta anos.

Dilermando de Assis
Anna havia lhe indicado um quarto, na Pensão Monat. Dilermando, que era órfão, morava na Escola Militar. Encontravam-se, durante as longas ausências de Euclides da Cunha, sempre viajando a serviço, nesta pensão carioca, situada à Rua Senador Vergueiro - depois alugaram uma casa na Rua Humaitá, onde passavam longos períodos juntos.

Dilermando era então descrito como belo, alto e loiro – o relacionamento estabelece-se e, mesmo continuando casada, com ela tem dois filhos, registrados por Euclides da Cunha: Mauro, em 1906, morto com sete dias e Luís, em 1907.

Após o retorno de Euclides da Cunha, transfere-se para a Escola Militar de sua cidade natal, Porto Alegre, em 1906, mantendo copiosa correspondência com a amante.

Em 1908 conclui o curso, atingindo o posto de tenente, retornando para o Rio de Janeiro e passa a morar com o irmão Dinorah, em uma casa na Estrada Real de Santa Cruz, 214 (depois Avenida Suburbana e atual Avenida Dom Hélder Câmara), no bairro da Piedade.

A volta para o Rio de Janeiro fê-lo protagonizar o trágico episódio que vitimou mortalmente Euclides da Cunha, feriu e aleijou seu irmão Dinorah, e maculou sua biografia para sempre.

Casando-se com Anna, tem com esta quatro filhos. O relacionamento, porém, dura catorze anos.

Dilermando de Assis
Dilermando viveu em muitas cidades, pelo país, servindo ao Exército, sendo promovido sucessivamente até o posto de general. Durante a Revolução de 1924, comandou uma força de "provisórios" paranaenses que se opôs, sem sucesso, ao avanço dos paulistas na região de Guaíra, no oeste do estado. Tal força irregular, com todas as deficiências que se pode esperar como tantas outras despachadas às pressas em qualquer guerra, serviu para retardar a progressão do inimigo e sob esse aspecto, bem cumpriu seu dever.

Dilermando foi ainda comandante por cerca de 6 meses, do 7º GMAC (Grupo Móvel de Artilharia de Costa) na cidade de Rio Grande, RS, durante a Segunda Guerra Mundial, recebendo após isso o título de Ex-Combatente por ter particpado efetivamente de operações bélicas no na defesa da costa brasileira.

Morreu, aos 63 anos de idade, de Ataque Cardíaco. Nesse mesmo ano, morreu também no mês de maio, vítima de Câncer, sua ex-mulher, Anna de Assis.

A Tragédia da Piedade

Dilermando encontrava-se com Anna em sua casa na Estrada Real de Santa Cruz, local afastado do Bairro da Piedade, onde foi surpreendido por Euclides da Cunha. Este havia passado em casa de parentes, onde conseguira a arma, no dia 15 de agosto de 1909, um domingo.

O escritor grita que está ali fora para "matar ou morrer". Alveja Dinorah, irmão de Dilermando, e ainda acerta 3 tiros no amante da esposa – mas o jovem possui ampla destreza, campeão de tiro que era e, com dois tiros, fere mortalmente o agressor que, ao tentar evadir-se, tomba morto.

Seu irmão, que era atleta (jogador do Botafogo de Futebol e Regatas) fica com Hemiplegia e, não suportando a condição, suicida-se em 1921.

Julgamento

A imprensa nacional toma logo o partido do marido traído – escritor afamado, Imortal da Academia Brasileira de Letras. Dilermando é exposto na imprensa como um vilão, e mesmo o inquérito policial tende a inverter a realidade dos fatos. O jornalista Orestes Barbosa foi dos únicos a defendê-lo, mesmo assim sem grande impacto.

O fato constitui-se em um marco da parcialidade na imprensa brasileira. Em uma entrevista concedida à revista Diretrizes, de Samuel Wainer, Dilermando afirma que não conseguiria expor sua versão dos fatos "nem se pagasse".

É, apesar da gritante realidade dos acontecimentos, exposto ao júri popular, acusado de homicídio. Fartamente demonstrada, a legítima defesa resta comprovada, e Dilermando é absolvido. O Tribunal do Juri foi presidido pelo juiz Manuel da Costa Ribeiro e a defesa do réu foi feita pelo então rábula Evaristo de Moraes e por Delamare Garcia.

Nova Tragédia

A 4 de julho de 1916 Dilermando sofre novo atentado, desta feita por parte de Euclides da Cunha Filho, apelidado familiarmente de "Quidinho", então com dezenove anos de idade. Estava num cartório, do fórum do Rio de Janeiro, quando foi por este alvejado pelas costas. Mesmo ferido, Dilermando reage, matando seu agressor – e um novo escândalo resulta em nova absolvição – deixando contudo um rastro de sangue na biografia do jovem militar.

Casamento

Em 12 de maio de 1911, logo após sua absolvição em 5 de maio, casou-se com a viúva Anna Emília. Morando ambos em Bagé, sua casa torna-se agitado ponto cultural da cidade. Ali realiza a construção de muitos prédios, como engenheiro, como o Quartel General do Exército.

Em 1926, quando a mulher contava 50 anos, e com cinco filhos, separam-se.

Após seu relacionamento com Anna de Assis, teve Dilermando com Maria Antonieta de Araujo Jorge uma filha, a escritora Dirce de Assis Cavalcanti, prima de J. G. de Araújo Jorge.

Maçonaria

Dilermando de Assis foi um dos defensores da Maçonaria tradicional, sendo um dos mais acerbos críticos ao Grão-Mestre Joaquim Rodrigues Neves que, nos anos 40, provocou a cisão da instituição no Brasil. Este episódio é narrado, com detalhes, em seu livro A Tragédia da Piedade.

Obras

Dilermando de Assis escreveu, ainda que de forma esporádica, algumas obras, a maior delas tratando dos episódios sangrentos que protagonizara.

  • Um Nome, Uma Vida, Uma Obra - (Parceria com Ângelo Cibelá, 1946) – Onde Dilermando expõe textos publicados em seguida ao crime da Piedade, como "Uma tragédia de Ésquilo", por Monteiro Lobato e A Vítima Esquecida de Euclides da Cunha, por Acélio Daudt. 
  • A Tragédia da Piedade (Edições O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 1951) - É um verdadeiro libelo de auto-defesa, uma resposta ao livro A Vida Dramática de Euclides da Cunha, de Eloi Pontes. Neste livro Dilermando analisa todas as provas periciais dos autos de sua acusação, nos dois homicídios envolvendo os Cunha (pai e filho). Além disso, procede a uma minuciosa crítica a Os Sertões: Campanha de Canudos, apontando dezenas de erros, procurando ainda comprovar casos de plágio feitos pelo célebre escritor. Dilermando foi aconselhado a não publicar este livro, por Raimundo de Farias Brito, que lhe escrevera, em carta:  "...A idéia é muito digna. Mas não me parece que lhe seja isso necessário... Seja, porém, como for, parece-me que o melhor é deixar o passado em silêncio."

O livro, assim como as idéias do seu autor, são ainda hoje, de modo parcial e até passional, refutados pelos auto-proclamados "euclidianos".

Fonte: Wikipédia

Um comentário:

  1. todo brasileiro reconhece o talento de euclides da cunha por ter legado à nossa literatura "os sertões", ainda que o esforço para fazê-lo lhe tenha custado um belo e pesaroso par de chifres, com os quais parece não ter tido serenidade para conviver, rsrs.

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