Laura Alvim

LAURA AGOSTINI DE VILALBA ALVIM
(83 anos)
Benemérita

* Rio de Janeiro, RJ (02/11/1900)
+ Rio de Janeiro, RJ (22/03/1984)

Laura Alvim foi uma benemérita, protetora das artes que lutou pelo sonho de transformar a sua casa em Ipanema em um centro cultural.

Laura Alvim nasceu em 2 de novembro de 1900 no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro. Era filha do médico precursor da radiologia no Brasil,  Álvaro Freire de Vilalba Alvim e Laura Agostine de Vilalba Alvim, e neta de Angelo Agostini, abolicionista, pintor e renomado caricaturista do período imperial que desenhou a primeira charge infantil do Rio de Janeiro para a revista O Tico-Tico. Pertencia, portanto, a uma influente família carioca.

Laura cresceu num ambiente pleno de cultura. Dada a sua beleza, e traços finos, é considerada por muitos a primeira Garota de Ipanema. Inteligente e irreverente, Laura tentou seguir a carreira artística, mas a oposição familiar e os preconceitos da época impediram-na de subir aos palcos.

Após a morte de seu pai, Laura dedicou-se a transformar sua casa em uma casa de cultura para homenageá-lo e também para sua própria realização, já que sempre foi apaixonada pelo teatro, mesmo nunca tendo tido coragem de segui-lo. Seu maior sonho era ser atriz.

Com a morte dos pais, Laura passou por momentos financeiros difíceis mas não a ponto de fazê-la desistir de seu sonho, mesmo após receber propostas milionárias pela casa.

Decidiu, então, transformar sua casa em uma espécie de teatro, onde apresentava, para os amigos e pessoas do seu círculo social, recitais em que declamava em francês. Nos seus salões realizou grandes festas, apoiando artistas novos e reunindo a intelectualidade nacional.

Muitos ainda devem se lembrar dela, sempre vestida de negro com as longas unhas vermelhas e chapéu de abas largas escondendo os olhos. Belíssima, culta e charmosa, despertou muitas paixões e, apesar de ter recebido 49 pedidos de casamento, nunca aceitou nenhum. Mas amou muito, e isso para ela era o mais importante. Tinha personalidade forte e ficou conhecida por sua irreverência e espírito de contestação. Passou da fortuna à miséria, da exuberante beleza ao aspecto que lhe deixou reclusa durante os últimos anos de sua vida, por conta de uma doença de pele. No final de seus dias passou a morar no porão do palacete e, para sobreviver, alugava quartos a turistas estrangeiros. Vendeu tudo o que tinha para promover as reformas na casa que queria transformar em espaço público, mas era com simpatia que cedia o pátio para que os pipoqueiros do bairro guardassem suas carrocinhas. Podia ter vendido também a propriedade, de 2 mil metros quadrados, mais preferiu doá-la à cidade.
 
Em 1983 Laura prova sua sanidade mental, e em perfeitas condições, doou ao estado do Rio de Janeiro seu casarão na Avenida Vieira Souto, na praia de Ipanema. Seu objetivo era transformá-lo em um centro cultural.

Morreu cinco meses depois de oficializar esse desejo, no dia 22 de março de 1984, em sua cidade natal. A inauguração se deu dois anos após a sua morte. Seu sonho foi concretizado e o Casa de Cultura Laura Alvim é um endereço obrigatório na agenda cultural do Rio de Janeiro.


Casa de Cultura Laura Alvim

O solar, uma das raras casas do bairro, possui estilo colonial com toques de pós-modernidade. Sua arquitetura é atração no endereço mais valorizado da orla. Quando Laura Alvim realmente começou as primeiras obras, elaborou ela mesma o projeto das reformas e o resultado foi uma grande mistura de estilos, preservando, porém, o chão de pedras.

Com dois mil metros quadrados em endereço nobre de Ipanema, de frente para o mar, a casa tornou-se, em 1986 a Casa de Cultura Laura Alvim. Ao completar 20 anos, passou por uma grande reforma e abriga três salas de cinema, hoje pilotadas pelo Grupo Estação, o Teatro Laura Alvim, com 245 lugares e o Espaço Rogério Cardoso com 70 lugares. O espaço reúne uma galeria de arte, o café do Ateliê Culinário com mesas e ombrelones nas arcadas.  Oferece, ainda, uma série de cursos que variam da interpretação teatral para pintura botânica. No terceiro andar, o Museu de Laura apresenta em exposição permanente móveis e objetos pessoais. O local possui facilidades para idosos e portadores de necessidades especiais. 


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