Joaquim Roriz

JOAQUIM DOMINGOS RORIZ
(82 anos)
Político

☼ Luziânia, GO (04/08/1936)
┼ Brasília, DF (27/09/2018)

Joaquim Domingos Roriz foi um político brasileiro nascido em Luziânia, GO, no dia 04/08/1936. Foi governador do Distrito Federal por quatro mandatos, ministro da Agricultura e Reforma Agrária nas duas primeiras semanas do governo Fernando Collor e senador, cargo ao qual renunciou em 04/07/2007, após sofrer acusações de corrupção.

Foi casado desde 1960 com Weslian Roriz e tiveram três filhas: Wesliane, Liliane e Jaqueline.

Carreira Política

Vereador de Luziânia, Deputado Federal e Vice-Governador

Joaquim Roriz foi eleito vereador de sua cidade natal nos anos 70. Em 1978 candidatou-se a deputado estadual por Goiás e venceu, sendo o candidato mais votado pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) no Estado.

Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) em Luziânia, no ano de 1980.

Já no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) foi eleito deputado federal em 1982.

Em 1986 venceu a eleição para o cargo de vice-governador de Goiás, na chapa do governador Henrique Santillo.

Prefeito, Governador do Distrito Federal e Ministro

Em 1987, teve breve passagem pela prefeitura de Goiânia, na qualidade de interventor.

Em 1988, o então presidente da República, José Sarney, o nomeou governador do Distrito Federal, na época em que essa Unidade da Federação ainda não elegia o próprio governador, situação chamada popularmente de governo biônico.

Entre 15 de março e 29 de março de 1990, foi ministro da Agricultura e Reforma Agrária no governo de Fernando Collor, renunciando ao cargo para disputar o Governo do Distrito Federal.

Governador do Distrito Federal

Teve sua pretensão novamente ao Distrito Federal contestada pelos adversários sob o argumento de que, como já exercera o mandato há poucos meses do pleito, não poderia concorrer à reeleição para um cargo executivo. Contudo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) validou sua candidatura ao considerar que, no período em que Joaquim Roriz governou o Distrito Federal, o fizera por nomeação e não por eleição.

Em outubro de 1990, foi eleito em primeiro turno pelo extinto Partido Trabalhista Renovador (PTR), após anos filiado ao MDB/PMDB. Na primeira eleição distrital para governador, Joaquim Roriz teve como vice-governadora Márcia Kubitschek, filha de Juscelino Kubitschek.

Em 01/01/1991, data prevista pela Constituição Federal de 1988, o Distrito Federal ganhou autonomia política, tal como as demais Unidades Federativas do país e, nesse mesmo dia, tomaram posse Joaquim Roriz e sua vice, Márcia Kubitschek.

Em 1994, o candidato a governador apoiado por Joaquim Roriz, Valmir Campelo, perdeu as eleições. Com isso, Roriz entregou o governo a Cristovam Buarque, então no Partido dos Trabalhadores (PT).

Joaquim Roriz foi responsável por muitas obras em Brasília, pela fundação de muitas das cidades-satélites. É tido por seus aliados como um grande "Tocador de Obras", como a Ponte JK, vários viadutos e o Metrô de Brasília o qual, em pouco mais de dez anos, consumiu bilhões de reais em recursos e já possui linhas mais extensas que o do Rio de Janeiro.

Seus adversários e a classe média brasiliense o acusam de ter depauperado e favelizado o Distrito Federal, com a distribuição em massa de lotes semi-urbanizados em cidades-satélite, incentivando a forte migração de pessoas de baixa renda, aumentando em mais de um milhão de habitantes a população do Distrito Federal.

Retorno ao Governo do Distrito Federal

Nas eleições de 1998, disputou contra Cristovam Buarque e foi eleito no segundo turno governador pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) , ao lado de Benedito Domingos, do antigo Partido Progressista Brasileiro (PPB), atual Partido Progressista (PP), como vice-governador, em uma eleição ganha por pequena vantagem de votos, 51,26% a 48,74%.

Em 2002 Joaquim Roriz foi reeleito, derrotando no segundo turno Geraldo Magela, do Partido dos Trabalhadores (PT). Roriz venceu mais uma vez, em disputa apertada, e assumiu seu quarto mandato como governador do Distrito Federal.

Após treze anos intercalados como governador do Distrito Federal (1988/1990, 1991/1995, 1999/2006), Joaquim Roriz renunciou em favor de sua vice, Maria Abadia para lançar-se candidato ao Senado Federal pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em 2006.

Sua sucessora disputou a reeleição pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) com o intuito de permanecer no cargo até 2010, mas foi derrotada no primeiro turno pelo então pefelista José Roberto Arruda.

Senador

Em 2006, se candidatou ao Senado pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e foi eleito em 01/10/2006. Assumiu em 01/02/2007 e renunciou ao cargo em 04/07/2007, após se envolver no escândalo do Banco Regional de Brasília (BRB), escapando do processo de cassação do mandato que poderia deixa-lo 8 anos inlegível. Depois de renunciar, não abandonou a política.

Saída do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB)

Em 24/05/2009, num encontro regional do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), houve um bate boca com seu antigo aliado, o deputado federal Tadeu Filippelli, a quem Joaquim Roriz chamou de "vagabundo" e "mentiroso". A confusão aconteceu quando Tadeu Filippelli resolveu discutir a vida política de Jaqueline Roriz, deputada distrital e filha do ex-governador, filiada ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), ao dizer que ela seria aliada do governador José Roberto Arruda do Democratas (DEM).

No dia 16/09/2009, Joaquim Roriz anunciou sua saída do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e que seria candidato ao Governo do Distrito Federal, filiando-se ao Partido Social Cristão (PSC) em 30/09/2009.

Título de Cidadão Honorário de Brasília

Em 04/08/2015, Joaquim Roriz recebeu o título de Cidadão Honorário de Brasília.

Denúncias de Corrupção

Escândalo do Banco Regional de Brasília (BRB)

Após denúncias oriundas de grampos telefônicos, que pesaram contra ele com relação a recursos do Banco Regional de Brasília (BRB), e pressões de setores políticos, Joaquim Roriz renunciou ao cargo de senador no dia 04/04/2007, ao que parece foi o mandato mais rápido da história do Brasil, deixando um impasse sobre quem seria o próximo a ocupar sua vaga, já que seu primeiro suplente, Gim Argello possuía inúmeras acusações, além do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agendar para agosto o julgamento sobre crime eleitoral, que poderia cassar a chapa inteira, Roriz e os dois suplentes. No dia 17/07/2007, Gim Argello assumiu, e no mesmo dia foi protocolado um documento contra ele no Senado Federal.

A Operação Aquarela acabou levando para cadeia o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Tarcísio Franklin de Moura, que presidiu a organização durante os 8 anos de governo de Joaquim Roriz no Distrito Federal.

Durante a sua prisão, a polícia encontrou relógios caros, dinheiro vivo e uma carta do lobista Maurício Sampaio Cavalcanti sobre cobrança de dívidas ao governador Joaquim RorizMaurício Sampaio Cavalcanti era diretor da agência de propaganda do Banco Regional de Brasília (BRB), Jimenez & Associados.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios abriu denuncia contra Joaquim Roriz e mais cinco pessoas por improbidade administrativa. O Grupo foi acusado de utilizar o Banco Regional de Brasília (BRB) para simular um transação bancária para repassar dinheiro a Joaquim Roriz em 2007.

O Ministério Público pediu ainda que os investigados devolvessem R$ 223 milhões aos cofres públicos.

Em abril de 2010, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) acatou a denúncia do Ministério Público Federal e Joaquim Roriz foi acusado de desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal.

Operação Caixa de Pandora

Joaquim Roriz teve seu nome envolvido no Escândalo do Mensalão no Distrito Federal, deflagrado a partir da Operação Caixa de Pandora, em 27/11/2009. O noticiário político sustentava a versão de que Durval Barbosa, autor das gravações que incriminariam José Roberto Arruda e seu grupo político, fez as denúncias para beneficiar Joaquim Roriz, com vistas à eleição para governador do Distrito Federal em 2010.

Segundo reportagem do Correio Braziliense de 03/12/2009:
"Uma série de eventos ocorridos nos últimos dois meses criaram a convicção no grupo de José Roberto Arruda de que o ex-governador Joaquim Roriz sabia da investigação da Polícia Federal (PF) que culminou com a Operação Caixa de Pandora."
"Aliados de Roriz vinham criando um clima no meio político de que em breve denúncias graves relacionadas ao governo atual viriam à tona. Também se falava bastante nos bastidores que as fitas gravadas por Durval Barbosa estavam circulando e sendo exibidas a diversas pessoas em salas fechadas."
A mesma matéria informava ainda:
"Há dois meses, o ex-governador deu uma entrevista na qual apontou que Arruda não seria candidato à reeleição. Ele chegou a declarar que sabia o motivo, mas não poderia revelar. Pessoas próximas do ex-governador relatam que seus aliados mais próximos ofereceriam uma sessão das fitas comprometedoras com bastante desenvoltura. E garantiam que em breve o material viria a público. O próprio Roriz afirmou que em breve mudaria a história política da cidade."
"Um dia antes da ação da Polícia Federal, Roriz disse a um grupo de interlocutores, num jantar na casa do Pastor Ricardo Espíndola, que a política do Distrito Federal sofreria em breve um forte abalo e um revés. Ele não deu detalhes, mas estava confiante sobre as chances reais de ver seu adversário político abatido por acusações graves que seriam apresentadas publicamente."
Acusação de Pagamento de Propina

Em depoimento ao Ministério Público, o ex-governador José Roberto Arruda disse que Joaquim Roriz teria pago propina para não ser denunciado pela Justiça.

Lei da Ficha Limpa

Impugnação da Candidatura ao Governo do Distrito Federal

No dia 04/08/2010, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Distrito Federal negou por 4 votos a 2 a candidatura de Joaquim Roriz ao Governo do Distrito Federal, com base na Lei da Ficha Limpa. Em 2007, Joaquim Roriz renunciou ao mandato de senador para escapar da cassação por quebra de decoro parlamentar do Conselho de Ética do Senado.

No 25/08/2010, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o suposto esquema de corrupção no Governo do Distrito Federal aprovou o relatório que pedia o indiciamento dos ex-governadores Joaquim Roriz (PSC) e José Roberto Arruda (Sem Partido), além de outras 20 pessoas. No mesmo dia o Ministério Público Eleitoral encaminhou o parecer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que o mesmo se manifestava contra a liberação da candidatura de Joaquim Roriz.

No dia 31/08/2010, por seis votos a favor e um contra, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou o pedido da candidatura de Joaquim Roriz (PSC) ao Governo do Distrito Federal.

No dia 09/09/2010, o ministro Carlos Ayres Britto do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou uma reclamação apresentada pela defesa de Joaquim Roriz, candidato do Partido Social Cristão (PSC) ao Governo do Distrito Federal que teve seu pedido de candidatura negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em sessão inédita ocorrida no dia 23/09/2010 o Supremo Tribunal Federal (STF) com votos dos 10 ministros, o quorum da casa no total é de onze membros, deixou empatada a decisão cabendo ao tribunal escolher entre 3 alternativas que beneficiaria ou não Joaquim Roriz entre outros:
  • Empate: Beneficiaria a Lei da Ficha Limpa;
  • Escolha de um novo ministro pelo presidente da república após as eleições;
  • O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) poderia utilizar um segundo voto conforme estatuto regimental interno do tribunal, desempatando e promulgando seu resultado

Desistência da Candidatura ao Governo do Distrito Federal

Em 24/09/2010, temendo o veredicto do Supremo Tribunal Federal (STF), desistiu de disputar o Governo do Distrito Federal se reunindo com sua assessoria em Brasília, indicando em seu lugar a esposa Weslian Roriz, após avaliar que seria um risco esperar pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a validade da Lei da Ficha Limpa, pois se Joaquim Roriz vencesse em primeiro turno à 3 de outubro poderia não assumir, e se levasse a disputa para o segundo turno não poderia disputar ou não seria possível trocar o candidato.

Morte

Joaquim Roriz faleceu às 7h50 de quinta-feira, 27/09/2018, aos 82 anos, em Brasília, DF, após um choque séptico decorrente de complicações de infecção pulmonar. A informação foi confirmada pela família e pelos médicos.

O velório de Joaquim Roriz começará às 12h00 de quinta-feira, 27/09/2018, no Memorial JK, no centro de Brasília. A data e o horário do sepultamento, no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, ainda não foram confirmados.

Joaquim Roriz estava internado no Hospital Brasília desde 24/08/2018, após sofrer um quadro de pneumonia e febre.

Na quarta-feita, 26/09/2018, o quadro clínico do ex-governador piorou. Segundo familiares, ele sofreu um infarto à tarde e duas paradas cardíacas e respiratórias no fim da noite, além de enfrentar um quadro infeccioso. Nas primeiras horas da noite, um padre foi chamado para ministrar a extrema-unção, ligada à tradição católica.

Nos últimos anos, Joaquim Roriz lidava com diversas doenças crônicas como diabetes, mal de Alzheimer, demência, hipertensão e insuficiência renal.

Ele deixou a esposa, Weslian, as filhas Jaqueline, Liliane e Wesliane, e quatro netos.

Fonte: Wikipédia e G1
#FamososQuePartiram #JoaquimRoriz

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