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Laura de Vison

NORBERTO CHUCRI DAVID
(67 anos)
Ator, Professor e Transformista

* Rio de Janeiro, RJ (07/09/1939)
+ Rio de Janeiro, RJ (08/07/2007)

Norberto Chucri David, artisticamente Laura de Vison, foi um ator e transformista brasileiro.

Carioca do Engenho de Dentro, filho de pais libaneses que comercializavam tecidos com a ajuda dos filhos, Norberto estudou na Faculdade Nacional de Filosofia e licenciou-se em filosofia, psicologia e história. Como Norberto, viveu profissionalmente como professor de História em escolas públicas e particulares do Rio de Janeiro. Como professor, usava paletó e gravata, diariamente, mas não era sempre convencional. Certa vez, chegou a se vestir de Cleópatra para explicar a História do Egito.

Considerada a musa do underground carioca, Laura de Vison fez muito sucesso nas décadas de 70, 80 e 90 como transformista. Seu nome artístico surgiu ainda na década de 60 quando desfilava de biquíni e casaco de pele no Carnaval carioca. Até recentemente, Laura de Vison fazia shows na cena LGBT carioca e suas aparições eram sempre muito festejadas.

Norberto Chucri David

Um de seus principais palcos foi o Bar Boêmio, no Centro do Rio de Janeiro. Ali, era aplaudida por turistas, antropólogos, sociólogos, atores, cantores e personalidades internacionais, como o estilista Jean Paul Gaultier. Quando soube que Laura de Vison lecionava história e moral e cívica, Jean Paul Gaultier ficou pasmo: "Interessante essa faceta dupla, isso não seria permitido pela moral francesa", declarou à imprensa.

 Com reconhecimento internacional, principalmente pelo seu estilo exótico de se montar, Laura de Vison a ser capa da revista americana "Out Look".

Após 18 anos como professor no Colégio Cenecista Capitão Lemos Cunha, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, perdeu o emprego porque respondeu às perguntas dos alunos sobre a transmissão sexual da AIDS. Na década de 1970 foi presa por homofobia, segundo ela "simplesmente por ser gay". Ficou dez dias em uma cela que lhe rendeu uma grande experiência de vida.

Muito profissional, em "O Fantasma da Ópera" chegou a comer o cérebro do fantasma: dois miolos crus, com quase 300 gramas. Laura de Vison geralmente era comparada a drag queen americana Divine, atriz preferida do diretor John Waters no longa metragem Pink Flamingos (1972) por suas performances bizarras e incomuns.

Durante sua carreira, Laura atuou em oito filme, entre curtas e longas, inclusive no premiado "Cazuza, o Tempo Não Para", onde viveu a si mesma. Seu último trabalho foi a peça teatral "Dei a Elza Em Você", em 2006. No espetáculo, três drag-queens decadentes decidem montar um show com rapazes musculosos.


Morte

Laura de Vison faleceu no dia 8 de julho de 2007 vítima de Insuficiência Cardiorrespiratória decorrente de complicações de uma cirurgia para tratamento de problemas de Hérnia. O enterro aconteceu no dia posterior, às 14:00 hs, no cemitério de Inhaúma, no Rio de Janeiro. Deixou irmãos, sobrinhos, amigos, "afilhados" e uma legião de fãs. 

Filmografia
  • 2005 - Mamãe Parabólica
  • 2005 - Laura, Laura
  • 2004 - Cazuza - O Tempo Não Pára
  • 2001 - Memórias Póstumas
  • 1999 - Você Decide (Episódio: Ninguém é Perfeito)
  • 1994 - Incidente em Antares … Cantora Garcia  (Minissérie)
  • 1987 - No Rio Vale Tudo (Si Tu Vas à Rio… Tu Meurs)
  • 1985 - Noite

Prêmios

  • Medalha de Ouro no Festival du Court-Métrage de Bruxelles, na Bélgica, em virtude do filme "O Bigode da Aranha"
  • Candango de Ouro, em Brasília, e Sol de Prata, no Fest Rio, na categoria de melhor ator em "Mamãe Parabólica"

Fonte: Wikipédia

Madame Satã

JOÃO FRANCISCO DOS SANTOS SANT'ANNA
(76 anos)
Transformista, Bandido e Figura Folcórica

☼ Glória do Goitá, PE (25/02/1900)
┼ Rio de Janeiro, RJ (11/04/1976)

João Francisco dos Santos, mais conhecido como Madame Satã, foi um transformista, visto como personagem emblemático da vida noturna e marginal carioca na primeira metade do século XX.

Filho de Manoel Francisco dos Santos e Firmina Teresa da Conceição, criado numa família de dezessete irmãos, diz-se que João Francisco chegou a ser trocado, quando criança, por uma égua.

Jovem, foi para o Recife, onde viveu de pequenos serviços prestados. Posteriormente, mudou-se para o Rio de Janeiro, indo morar no bairro da Lapa. Analfabeto, o melhor emprego que conseguiu foi o de carregador de marmitas, embora houvesse o boato de que foi cozinheiro de mão-cheia. Considerado marginalizado, acredita-se que o fato de ter sido negro, pobre e homossexual tenha contribuído.


Dito dotado de uma índole irônica e extrovertida, João Francisco encantou-se pelo carnaval carioca. Foi assim que, em 1942, ao desfilar no bloco-de-rua Caçador de Veados, surgiu seu apelido. O transformista se apresentou com a fantasia Madame Satã, inspirada em filme homônimo de Cecil B. DeMille.

Era frequentador assíduo do bairro onde morava, conhecido como reduto carioca da malandragem e boemia na década de 1930, onde muitas vezes trabalhou como segurança de casas noturnas. Cuidava que as meretrizes não fossem vítimas de estupro ou agressão.

Foi preso várias vezes, chegando a ficar confinado ao Presídio da Ilha Grande, agora em ruínas. Freqüentemente, Madame Satã enfrentava a polícia, sendo detido por desacato à autoridade. Considerado exímio capoeirista, lutou por diversas vezes contra mais de um policial, geralmente em resposta a insultos que tivessem como alvo mendigos, prostitutas, travestis e negros.

É considerado uma referência na cultura marginal urbana do século XX.

Em 1971, concedeu uma polêmica entrevista ao jornal O Pasquim.


Morador da Vila do Abraão, Madame Satã era principalmente uma criatura enfurecida que não se conformava. Era um verdadeiro rebelde nacional ao longo de seus 76 anos de vida, 27 dos quais transcorreu como detento de vários presídios, dentre eles, o Instituto Candido Mendes em Dois Rios na Ilha Grande.

João Francisco definia-se como "Filho de Iansã e Ogum, devoto de Josephine Baker", inventando para si vários personagens como Mulata do Balacochê, Jamacy, a Rainha da Floresta, Tubarão, Gato Maracajá.

Cumpriu pena de 16 anos por assassinato de um policial em 1928. A ficha criminal ao longo de sua vida é vasta: No total foram 27 anos e 8 meses de prisão, 13 agressões, 4 resistências à prisão, 2 furtos, 2 recepções de furtos, 1 ultraje público ao pudor, 1 porte de arma, resistência à prisão entre outros.  

O último malandro da Lapa, área boêmia do Rio de Janeiro. Rei da navalha, da capoeira e um dos marginais mais famosos do país.

Madame Satã x Geraldo Pereira

Madame Satã era bastante famoso no baixo mundo carioca; homossexual, negro, artista de cabarés decadentes e, acima de tudo, valente, um homem que não levava desaforo para casa. Já matara, já brigara centenas de vezes, na maioria para defender seus direitos, em uma época que direitos para pessoas como ele não eram respeitados, e já passara dezenas de anos preso pelos mais diversos motivos. Seu encontro e sua briga com Geraldo Pereira naquele dia fatídico, no mês de maio de 1955, hoje estão envoltos em lendas e boatos.

Depois disseram que Geraldo Pereira já estava muito doente, emagrecendo a olhos vistos. Disseram até mesmo que, quando de seu aniversário, em 23/04/1955, passara mal no banheiro, com crises de vômito. Diziam também que já vinha evacuando sangue há algum tempo e que seu fígado estava em frangalhos, o que era de se esperar pela vida desregrada que levava.

Uma das versões conta que sua morte aconteceu logo depois de uma briga de bar, por causa de um copo de chopp, com Madame Satã. Depois da discussão no Restaurante Capela, na Lapa, Madame Satã teria acertado um soco no rosto de Geraldo Pereira, que, bêbado, perdeu o equilíbrio e caiu na calçada, na porta do bar. Com a queda, bateu com a cabeça no meio-fio, ficando desacordado, sendo carregado para o Hospital dos Servidores, onde morreu dois dias depois vítima de hemorragia intestinal reincidente. Muitos de seus amigos, porém, garantem que ele morreu de vítima câncer.

Madame Satã assim contou para O Pasquim o incidente com Geraldo Pereira:

"Eu entrei no Capela, estava sentado tomando um chopp. Ele chegou com uma amante dele (ainda vive essa mulher), pediu dois chopps e sentou ao meu lado. Aí tomou uns goles do chopp dele e cismou que eu tinha que tomar o chopp dele e ele quis tomar o meu copo, e eu disse pra ele: 'Olha, esse copo é meu'.
Aí ele achou que aquele copo era dele e não era o meu. Então peguei meu copo e levei para a minha mesa. Aí ele levantou e chamou pra briga. Disse uma porção de desaforos de palavras 'obicênias', eu não sei nem dizer essas coisas. Aí eu perdi a paciência, dei um soco nele: caiu com a cabeça no meio fio e morreu. Mas ele morreu por desleixo médico, porque foi para a assistência ainda vivo."

Contando com apenas 37 anos, e de maneira inglória, assim morreu um dos maiores compositores da fase de ouro da música popular brasileira.

Morte

Faleceu logo após a sua última saída da prisão, em abril de 1976 em sua casa, hoje um camping, vítima de câncer no pulmão, famoso mas sem um tostão. Foi sepultado no Cemitério da Vila do Abraão e em sua lapide consta uma foto em preto e branco de 1975 com seu nome completo e apelido, data de nascimento e de sepultamento.

Madame Satã teve publicado em 1972 o livro "Memórias de Madame Satã" e no ano de 2002, foi rodado no Brasil um filme sobre sua vida, que leva também o nome de "Madame Satã", dirigido por Karim Aïnouz, contando o início de sua história nos palcos da Lapa até a prisão pelo assassinado do policial em 1928. O filme foi premiado nacional e internacionalmente. Nesse filme, João Francisco dos Santos foi interpretado pelo ator Lázaro Ramos.

Jorge Lafond

JORGE LUÍS SOUSA LIMA
(50 anos)
Ator, Dançarino, Transformista e Humorista

* Rio de Janeiro, RJ (29/03/1952)
+ São Paulo, SP (11/01/2003)

Jorge Luís Sousa Lima, conhecido pelo seu nome artístico Jorge Lafond, famoso por seu personagem Vera Verão, foi um ator, dançarino, transformista e comediante de teatro, TV e cinema.

Aos 6 anos de idade, Jorge Lafond já tinha a consciência de que era homossexual. Em uma entrevista à revista Raça, disse:

"As pessoas falavam que ser gay era uma coisa muito feia, e eu ficava com a cabeça tontinha. Mas o medo de meus pais descobrirem era tão grande que eu procurava andar na linha e estudar bastante."

Aos 10 anos de idade, já trabalhava das 9:00 hs às 17:00 hs numa oficina mecânica. Nos fins de semana, ia com a mãe trabalhar num parque de diversões.

A Dança

Estudou balé clássico e dança afro, chegando a trabalhar com Mercedes Batista. Formou-se em teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

Trabalhando em muitos cabarés do Rio de Janeiro, desde a Praça Mauá até Copacabana, abria os shows da meia-noite na Boate Flórida, Boate Escandinávia, Boate Barbarela e terminava a noite na Boate Kiss, em Irajá, às 5:00 hs da manhã.

Começou sua carreira como bailarino no exterior com 20 anos, viajando por toda a Europa e Estados Unidos com Haroldo Costa, que tinha um grupo folclórico, no qual Jorge Lafond permaneceu por dez anos.

Sucesso

Eventualmente acabou por entrar no corpo de bailarinos do "Fantástico" em 1982 e depois trabalhou no programa "Viva o Gordo", de Jô Soares. Em 1983 participou do especial infantil "Plunct, Plact, Zuuum" ao lado de Maria Bethânia e Aretha Marcos.

Em 1987, fez o papel de Bob Bacall na novela "Sassaricando", na Rede Globo, posteriormente sendo convidado por Renato Aragão para participar da nova formação de "Os Trapalhões", já sem o humorista Zacarias.

Mas sua carreira foi consolidada como Vera Verão, do humorístico "A Praça é Nossa", do SBT, onde permaneceu por 10 anos. Participou também em outras novelas e filmes. Além disso, Jorge Lafond saía como destaque em carros alegóricos de escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo. Na maioria das vezes, desfilava semi-nu. Fez sua estréia totalmente nu, em cima de um carro alegórico da escola de samba Beija-Flor.

Polêmicas

Em 2001 foi convidado a participar da campanha de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis pelo Ministério da Saúde mesmo causando desagrado a militantes do Grupo Gay da Bahia e do Grupo de Gays Negros da Bahia, pois viam que a personagem Vera Verão estaria emprestando sua imagem de um estereótipo do gay que seria pejorativo.

O ator sempre se envolveu em polêmicas com relação à sua homossexualidade. Em 1999, durante o lançamento da sua autobiografia "Vera Verão: Bofes & Babados", ameaçou dizer os nomes de personalidades, inclusive de um famoso jogador de futebol, com quem já teria mantido relações.

Em uma situação atípica, no dia 10 de novembro de 2002, Jorge Lafond foi convidado para participar do quadro "Homens x Mulheres" no programa "Domingo Legal", no SBT. Caracterizado de Vera Verão, Jorge Lafond integrava o lado feminino da disputa e foi retirado do palco após um pedido do padre Marcelo Rossi, que se apresentaria dali a alguns minutos. Enquanto aguardava arrasado nos bastidores, a produção solicitou insistentemente que o mesmo retornasse, pois o padre já havia saído. Porém, constrangido e amargurado com a situação, ele não voltou.

No dia 17 de novembro de 2002, uma semana depois do incidente, Jorge Lafond foi internado em estado grave, com problemas cardíacos. "Ele não teve como reagir a esta agressão e durante toda a semana ficou cabisbaixo e pensativo", disse o seu empresário, Marcelo Padilha, o que teria, acredita ele, culminado no mal-estar sentido por Jorge Lafond no domingo. Num primeiro momento, os médicos diagnosticaram uma crise hipertensiva.

Depois deste incidente, diversas foram suas internações no hospital, sendo a última em 28 de dezembro de 2002, quando seu problema de saúde se agravou com uma crise renal, levando-o à morte.

Falecimento

Hipertenso e vindo de problemas cardíacos, Jorge Lafond, aos 50 anos, não teria reagido emocionalmente muito bem àquele incidente e passou a desenvolver depressão em novembro de 2002, até que, em 28 de dezembro de 2002, foi vítima de Parada Cardiorrespiratória e acabou internado no Hospital Sepaco, na Vila Mariana, zona sul da cidade de São Paulo. Sofreu complicações renais e chegou a fazer diálise. Seu fim deu-se com falência múltipla dos órgãos seguido de um infarto fulminante no dia 11 de janeiro de 2003, às 01:40 hs.

Jorge Lafond e Gilles
Homenagens Póstumas

Seu corpo foi trasladado ao Rio de Janeiro para ser sepultado no Cemitério do Irajá, zona norte, acompanhado por cerca de cinco mil pessoas. A Polícia Militar teve de pedir reforço para conter os ânimos dos fãs que exibiam faixas e cartazes em homenagem ao ator, além de aplausos.

Em 10 de agosto de 2005, representantes de grupos homossexuais, especialmente do Quibanda-Dudu, homenagearam o ministro da Cultura, Gilberto Gil, como o "mais destacado afro-brasileiro simpatizante da libertação homossexual", dando a ele um relatório sobre grupos gays negros do Brasil, contendo pequenas biografias de personalidades homossexuais negras, como Vera Verão e Madame Satã.

Foi também homenageado no dia 5 de setembro de 2010, no programa Eliana exibido no SBT, pelo drag queen Dimmy Kieer.

Televisão

  • 1981 - Viva o Gordo
  • 1983 - Plunct, Plact, Zuuum ... Dançarino do Espaço
  • 1983 - Voltei Pra Você ... Zé dos Diamantes
  • 1987 - Sassaricando ... Bob Bacall
  • 1987 a 2003 - A Praça é Nossa ... Vera Verão
  • 1989 - Kananga do Japão ... Madame Satã
  • 1991 - Os Trapalhões ... Divino
  • 1993 - Adjeci Soares em Focus ... Jorge
  • 1999 - Meu Cunhado ... Verônica

Cinema

  • 1982 - Rio Babilônia ... Dançarino da Boate
  • 1983 - Bar Esperança ... Luis
  • 1984 - Bete Balanço ... Jorge Lafont
  • 1987 - Leila Diniz ... Waldeck

Fonte:  Wikipédia