Poly

ÂNGELO APOLÔNIO
(64 anos)
Instrumentista e Compositor

* São Paulo, SP (08/08/1920)
+ São Paulo, SP (10/04/1985)

Poly foi um multi-instrumentista (violão, cavaquinho, bandolim, banjo, contrabaixo, viola, guitarra havaiana) e compositor, tendo desde os 10 anos demonstrado habilidade com os instrumentos de cordas.

Começou sua carreira artística na década de 1930, em São Paulo, quando passou a acompanhar cantores populares de então: Januário de Oliveira, Paraguaçu e Arnaldo Pescuma. Em 1937, foi chamado para trabalhar no Conjunto Regional da Rádio Difusora paulista, como violonista e solista de cavaquinho e bandolim. Na mesma época, integrou o conjunto vocal Grupo X, que concorria com o Bando da Lua.

Compôs sua primeira música em 1939, uma valsa intitulada Você, com letra de José Roberto Penteado, que nunca foi gravada. Foi esse parceiro que sugeriu o nome artístico Poly, abreviatura de Apolônio.

Em 1940, foi convidado pelo também multi-instrumentista Garôto para trabalhar em seu regional no Rio de Janeiro. Com o Regional de Garoto, atuou no Cassino Copacabana, na Rádio Clube do Brasil, na Rádio Mayrink Veiga e ainda gravou alguns discos.

Em 1944, gravou seu primeiro disco solo, tocando guitarra havaiana interpretando os fox-troptes Deep In The Heart Of Texas (Don Swander e June Herchey) e Jingle, Jangle, Jungle (J. L. Lilley e F. Loesser). No mesmo ano interrompeu suas atividades musicais para servir à Força Expedicionária Brasileira na Itália, só retornando após o fim do conflito.

No ano seguinte gravou, com um conjunto liderado por ele e intitulado Poly e Seus Havaianos o fox-trote Lime House Blues (Philip Braham) e o fox-blue Isle Of Dream, de sua autoria. Nessa época, passou uma temporada em Porto Alegre, trabalhando na Rádio Farroupilha, chegando a integrar o Conjunto Farroupilha a convite de Tasso Bangel. Com eles fez excursão pela Europa, Japão e Estados Unidos. Retornando ao Brasil, trabalhou em várias boates paulistas, tais como a Clipper e a Roof da Gazeta. Em 1948, gravou ao violão os choros Sonho Divino, parceria com Lupe Ferreira e Colibri, de sua autoria.

Em 1951, criou o grupo Poly e Seu Ritmo com o qual gravou tocando guitarra havaiana na Todamerica o beguine Begin The Beguine (Cole Porter) e o fox-trot Cavaleiros do Céu (Stan Jones).

No ano seguinte, gravou com o mesmo grupo o choro Meteoro, de sua autoria e o bolero Saudade, de Jaime Redondo. Nesse ano, gravou mais dois discos com outro grupo intitulado Poly e Seus Modernistas. No primeiro disco, estavam o baião Turista e o chorinho Dois de Junho, de sua autoria. No segundo disco, tocou guitarra havaiana no beguine Jezebel (Shanklin) e no fox-trot At Sundown (Donaldson). Ainda nesse ano, passou a atuar na gravadora Todamerica acompanhando com seu conjunto gravações de diferentes cantores, a começar pela dupla Cascatinha & Inhana na canção Ave Maria do Sertão e na toada Fiz Pra Você. Fez também acompanhamentos para o Trio de Ébano, Cauby Peixoto, Orlando Dias, Trio Orixá e outros.

Teve gravados em 1953 o samba-canção Guarujá, com Juracy Rago, pela cantora Inhana, o baião Terra de Anchieta, com Ado Benatti pela dupla Cascatinha & Inhana e a toada-baião Aula de Amor, com José Caravaggi por Cauby Peixoto.

Em 1954, gravou na Todamerica o choro Apanhei-te Cavaquinho (Ernesto Nazareth) e o baião Coringa, de sua autoria. No ano seguinte, transferiu-se para a gravadora Columbia e gravou com seu conjunto o fox Dançando Com Lágrimas Nos Olhos (Burke e Dubin), o bolero Tarde Fria, de sua autoria, o fado-fox Benfica, parceria com Juvenal Fernandes e o samba Fel (Betinho e Heitor Carrilho).

Em 1956, fez com Henrique Lobo a música Tarde Fria gravada por Cauby Peixoto no LP Canção do Rouxinol.

Em 1957, gravou com seu conjunto o choro Velha Guarda (José Ramos), o fox-trot É Ou Não Romântico (Hart e Rodgers), o mambo Fiesta (Samuels e Whitcup) e o beguine Veneno, de sua autoria. No ano seguinte, gravou com seu conjunto as canções Moonlight Fiesta e Moonlight In Rio, de sua autoria.

Em 1959, lançou pela Columbia o LP Penumbra - Poli e Seu Conjunto. Nesse ano, tornou-se o primeiro a introduzir a guitarra na música sertaneja na regravação da Moda da Mula Preta pela dupla Torres & Florêncio, com arranjos seus, que também tocou a guitarra havaiana. Também nesse ano, tocou viola caipira no LP Exaltação à Viola, lançado pelo maestro Elcio Alvarez na Chantecler.

Em 1960, gravou pela Chantecler o cateretê Zíngara (Joubert de Carvalho), a canção Noite Cheia de Estrelas, a valsa Lágrimas (Cândido das Neves), Serenata (Vicente Celestino) e Samba Caipira (Palmeira e Piraci). Nesse ano, gravou pelo selo Sertanejo a cana-verde Vai de Roda (Palmeira e Teddy Vieira), a guarânia Condenado (Palmeira e Alberto Calçada), Lamento de Boiadeiro (Palmeira e Mário Zan) e Folias de Santos Reis (Teddy Vieira e Palmeira). Nessa época, seu conjunto tinha como integrantes Henrique Simonetti na celesta, Carlinhos Maffazzoli no acordeom e Luisinho Schiavo no órgão elétrico.

Em 1961, ainda na Chantecler, gravou a valsa Ave Maria (Erotides de Campos) e o samba Despedida de Mangueira (Benedito Lacerda e Aldo Cabral). Nesse ano, gravou no selo Sertanejo a toada Tristeza do Jeca (Angelino de Oliveira). Também no mesmo ano, ingressou na Continental e em seu primeiro trabalho na nova gravadora acompanhou com seu conjunto as gravações dos rocks Rock do Saci (Baby Santiago e Tony Chaves) e Broto Legal, dois grandes sucesso do jovem ídolo Demétrius. Acompanhou ainda gravações de Valter Levita, Luiz Roberto e Leila Silva.

Em 1962, gravou com seu conjunto o samba Castiguei (Venâncio e Jorge Costa), o bolero Fica Comigo Esta Noite (Adelino Moreira e Nelson Gonçalves), a polca Festa na Roça (Mário Zan e Palmeira) e a Quadrilha do Tamanduá, de sua autoria.

No ano seguinte, gravou algumas músicas de filmes e seriados famosos na época como Sukiyaki, Bonanza e Dominique. Em 1964, voltou a tocar viola caipira no LP Quermesse Junina da Continental.

À época, influenciava, como instrumentista e professor de música, entre outros, Sérgio Dias do grupo Os Mutantes. Em 1970, gravou o LP Sertão em Festa, com solos de guitarra havaiana nas músicas Tristeza do Jeca (Angelino de Oliveira) e Vai Chorando, Coração (Amarilda e Brás Baccarin), além de tocar viola caipira em diversas composições. Gravou, no mesmo ano, outro LP homenageando os grandes instrumentistas de cordas do Brasil, Canhoto, Jacob do Bandolim e outros. Jacob do Bandolim, conhecido por seu senso hiper-crítico, fez elogios ao instrumentista na época do lançamento desse disco.

Estilo e Técnicas

Como faz parte da era pré-Hendrix e pré-Beatles, é importante notar algumas peculiaridades em sua pegada, como, não necessariamente um distanciamento do rock'n roll, mas uma ausência de elementos que o rock trouxe posteriormente para a guitarra que se tornaram o paradigma atual da guitarra elétrica.

Sua sonoridade clean, ou seja, sem os efeitos de distorção, - popularizados a partir do final da década de 60 até os dias de hoje - o assemelha timbristicamente com guitarristas do jazz, como Wes Montgomery, mas sem a sofisticação harmônica dos guitarristas deste estilo.

Isto se dá devido ao fato de Poly usar guitarras semi-acústicas, geralmente usando o captador do braço sozinho ou misturado com o da ponte.

Mas seu maior diferencial era o uso inusitado para a época da técnica de slide denominada Lap Steel. Sendo inviável o uso do captador do braço para tocar notas superagudas na guitarra que ultrapassam o limite da espelho da guitarra (C#5, D5 ou E5, sendo, respectivamente os trastes 21, 22 e 24), ele usava o captador da ponte nas guitarras havaianas para fazer um efeito parecido com o relinchar de cavalos, esfregando o slide perto do fim das cordas, na região onde o espelho da guitarra.

Tal uso da Lap Steel, foi mundialmente popularizado por David Gilmour do Pink Floyd muitos anos mais tarde, mas aparentemente sem influência direta do Poly.

Além do Lap Steel (guitarra deitada no colo com slide na mão esquerda), podemos Palm Mute, Double Stop.

A fábrica de instrumentos musicais Giannini fez sua guitarra signature, ou seja, instrumento tributo, em sua homenagem, denominada Giannini Apollo, sendo um modelo muito famoso e atualmente de grande valia para os colecionadores de instrumentos vintage.

Fonte: Wikipédia

4 comentários:

  1. o melhor tocador d guitarra havaiana da história

    ResponderExcluir
  2. o melhor tocador d guitarra havaiana do mundo.....ele poderia ter sido famoso no mundo inteiro se ele se preocupasse em se lançar no exerior.........e no brasil poderiam pelo menos ter noticiado sua morte na tv (em 85) se ele se preocupasse em se divulgar mais

    ResponderExcluir
  3. Músico/Maestro e meu pai......
    Mestre na guitarra-havaiana, até hoje chamada de slide-guitar. Sua guitarra-havaiana ponteia diversas gravações clássicas da nossa canção com vários artistas

    ResponderExcluir
  4. Para este eu abro meu chapeu Eximio no Solo Guitar como o maior da Haivaiana que o Brasil ja teve hoje no dia que estaria completando seus 93 deixo aqui este humilde registro Valeu Poly Meu Filho Mais velho tem seu nome.

    ResponderExcluir

Atenção!

Prezado amigo leitor, a partir desta data, 13/05/2019, não serão mais aceitos comentários anônimos. Portanto, não me responsabilizarei pelos comentários que alguém possa vir a fazer denegrindo a imagem de quem quer que seja e que esteja publicada neste blog.

Antes de fazer o seu comentário, se identifique e se responsabilize.

Desde já fico grato!