Meire Pavão

ANTÔNIA MARIA PAVÃO
(60 anos)
Cantora

* Taubaté, SP (02/06/1948)
+ Santos, SP (31/12/2008)

Cantora, filha do professor de violão, pesquisador de folclore e compositor Teotônio Pavão e irmã de Albert Pavão, intérprete do clássico "Vigésimo Andar", Meire Pavão iniciou a carreira ainda adolescente com o Conjunto Alvorada. Após o casamento Meire Pavão passou a assinar Antonia Maria Pavão Fonyat.

Uma das personagens citadas em "Festa De Arromba", clássico da Jovem Guarda, com Erasmo Carlos, a cantora Meire Pavão paira como um mistério na história do rock brasileiro. Talvez pelo fato de ter desenvolvido a carreira em um período de transição entre o rock (Celly Campello) e a Jovem Guarda (Wanderléa), ela não ganhou a devida valorização.

Meire Pavão (1958)
Meire Pavão começou desde menina a tocar violão e aos 11 anos cantou, pela primeira vez no programa "Grande Ginkana Kibon" da TV Record.

As 13 anos já integrava o conjunto vocal Alvorada criado e dirigido por seu pai. O conjunto formado por quatro garotas começou com a gravação de um compacto-duplo pela Fermata em 1961.

 Em 1963 gravou com o conjunto Alvorada as músicas "Paraná" e "Cidade Sorriso", ambas de autoria de Teotônio Pavão.

Meire Pavão permaneceu no conjunto Alvorada até sua extinção em 1964, onde gravou mais cinco discos e se apresentou em dois programas exclusivos que o Alvorada mantinha: aos sábados na TV Record de São Paulo e aos domingos na TV Paraná de Curitiba.

Em 1964 gravou o primeiro disco solo, um compacto simples com "O Que É Que Eu Faço Do Latim?", versão de Teotônio Pavão para a música "Che Me Ne Faccio Del Latino", de Bertolazzi e Beretta. Essa gravação de Meire Pavão com acompanhamento dos Jet Blacks entrou rapidamente nas paradas de sucesso e tornou a cantora bastante conhecida.

Depois desse primeiro, ela gravou mais três discos até preparar seu LP "A Rainha da Juventude" que foi lançado em 1965 com "Cancei De Lhe Pedir" e "A Mesma Praia, O Mesmo Mar", pela Chantecler.

Meire Pavão recebeu esse título porque foi considerada a cantora jovem mais popular de São Paulo pelo programa de TV "Reino da Juventude" (Record), de Antonio Aguillar. O "Rei da Juventude" pelo mesmo concurso foi Roberto Carlos. No mesmo ano apresentou-se com sucesso em programas de TV no Rio de Janeiro.

Foi nesse início de 1965 que Meire Pavão, já considerada a revelação de 1964 pelas revistas Melodias e Revista do Rock, lançou seu segundo sucesso nas paradas: a versão do sucesso mundial de Petula Clark "Downtown", que recebeu o nome de "Bem Bom". Ao mesmo tempo era eleita "Rainha do Twist" ao lado de Jerry Adriani em concurso promovido pela Revista do Rock.

Meire Pavão (1966)
Cantou e gravou várias vezes com o irmão, Albert Pavão, tendo viajado com este no mesmo ano para os Estados Unidos, onde gravaram um compacto pelo selo Roulette com as músicas "Piqued Head" e "The River Of Jerere", na verdade versões para o inglês de "Cabeça Inchada" (Hervé Cordovil) e "De Papo Pro Ar" (Joubert de Carvalho).

Em 1966 estreou na RCA com o compacto simples "Família Buscapé" e "Robertinho, Meu Bem". No mesmo ano gravou pela Polydor "Depois Que A Banda Passou". No ano seguinte lançou pela RCA o seu segundo LP.

Mesmo se apresentando algumas vezes no programa Jovem Guarda da TV Record, Meire Pavão não teve maiores oportunidades o que a levou a assinar contrato com a TV Tupi do Rio de Janeiro, onde em 1967 chegou a co-apresentar o programa "A Grande Parada" ao lado de Wanderley Cardoso e estrelar um programa humorístico chamado "O Riso Mora ao Lado" com Ema D´Avila, Suely Franco e Brandão Filho. Nessa mesma época gravou pela Polydor o disco "Depois Que A Banda Passou", com acompanhamento da Banda do Canecão, uma marcha-rancho (moda na época), de Ivan Reis, que era uma resposta à "Banda" de Chico Buarque.

Meire Pavão (1968)
De volta a São Paulo, em 1968, Meire Pavão foi para a RGE onde gravou dois discos, o primeiro "Monteiro Lobato", de Albert Pavão e Teotônio Pavão, repetindo a fórmula de "Família Buscapé". Essa música entrou nas paradas e passou a ser prefixo do programa Sítio Do Pica-Pau Amarelo que era produzido por Júlio Gouveia e era levado ao ar pela recém inaugurada TV Bandeirantes. Alem disso, Meire Pavão aceitou um convite da TV Tupi de São Paulo e foi protagonista da novela "Sozinho No Mundo" ao lado de Guto, filho de Moacyr Franco, Vida Alves e Wanda Kosmo.

Em 1969, após temporada na cervejaria Urso Branco, de São Paulo, Meire Pavão se recolheu para recuperar seus estudos vindo em 1970 a ingressar na Faculdade de Sociologia da Universidade de São Paulo.

Afastada da vida artística, contraditoriamente foi nos anos 1970 que Meire Pavão gravou mais discos. Foi quando seu pai e seu irmão Albert Pavão começaram a produzir músicas para crianças com historinhas, a maioria em ritmo de rock, que então era uma novidade. É dessa fase LPs como "O Mundo Maravilhoso De Walt Disney" (1975), "As Mais Belas Lendas Brasileiras" (1976), "Sítio Do Pica-Pau Amarelo" (1976), "Os 13 Mandamentos Da Criança Bacana" (1977), "A Festa Do Bolinha" (1977), "A Discoteca Do Popeye" (1979) e outros mais, a maioria com apoio da dupla vocal Vikings e de Thomas Roth.  

A última gravação de Meire Pavão foi no compacto duplo "Chico Bento" da Polygram, em 1982.  No ano seguinte ela se casaria e se afastava para uma vida tranquila em Santos, SP, ao lado do marido.  


Maior herança para as futuras gerações, seus dois discos ainda inéditos em CD, são fundamentais para compreender um pouco mais da história do rock brasileiro. Neles, ouve-se uma cantora dona de um jeito limpo e quase lírico de cantar, e de um repertório de originais e versões extremamente particular, além dos padrões da época. Na verdade, Meire Pavão aproximava-se mais do estilo de cantoras como Cilla Black, Sandie Shaw, Mary Hopkins ou Lulu, do que das novas estrelas da Jovem Guarda.

Meire Pavão estava afastada da carreira artística há 25 anos desde que se casara e fora constituir família em Santos. A cantora faleceu aos 60 anos, em 31 de dezembro de 2008 vítima de Insuficiência Respiratória decorrente de um câncer.

3 comentários:

  1. É importante lembrar que, antes do "Conjunto Alvorada", a pré-adolescente Tônia (futura Meire Pavão) participou do grupo "As Garotas Violonistas" e que gravou - sob o nome "As Garotas" - um LP lançado na Argentina (pelo selo Music-Hall), em 1960. Nesse LP, Tônia (futura Meire Pavão) cantou solo a música "Brotinho Lili" (sucesso do ano anterior, com Cizinha Moura). É isso aí.

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  2. Essa história da carreira da minha irmã Meire Pavão está correta. Só queria retificar a informação do comentário anterior que atribuiu a ela o nome de Tônia, que na verdade era Toninha, visto que seu nome verdadeiro era Antonia Maria. O nome Meire era o nome da avó paterna dela e foi uma homenagem à mesma.

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  3. Meire Pavão deixou gravada seu nome na cultura musical do país e à cidade de Taubaté, seu berço natal. Tal como Hebe Camargo, Cid Moreira, Lia de Aguiar, Maestro Carioca e tantos outros artistas, soube, de uma forma tão especial divulgar nossa querida Taubaté. "Unusquisque in arte sua sapiens". Requiescat in pace, saudosa cantora taubateana!

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