Jayme Caetano Braun

JAYME GUILHERME CAETANO BRAUN
(75 anos)
Payador, Poeta e Radialista

* Timbaúva, RS (30/01/1924)
+ Porto Alegre, RS (08/07/1999)

Jayme Guilherme Caetano Braun foi um renomado payador e poeta do Rio Grande do Sul, prestigiado também na Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. Era conhecido como "El Payador" e por vezes utilizou os pseudônimos de Piraj, Martín Fierro, Chimango e Andarengo.

Payador, poeta e radialista, Jayme Caetano Braun nasceu na Timbaúva, hoje Bossoroca, na época distrito de São Luiz Gonzaga, na Região das Missões no Rio Grande do Sul.

Durante sua carreira fez diversas payadas, poemas e canções, sempre ressaltando o Rio Grande do Sul, a vida campeira, os modos gaúchos e a natureza local.

Jayme sonhava em ser médico mas, tendo apenas o ensino médio, se tornou um autodidata principalmente nos assuntos da cultura sulina e remédios caseiros, pois afirmava que "todo missioneiro tem a obrigação de ser um curador".

Aos 16 anos mudou-se para Passo Fundo, RS, onde viveria até os 19 anos. Na capital do Planalto Médio, Jayme completou seus estudos no Colégio Marista Conceição e serviu ao Exercito Brasileiro.

Jayme foi membro e co-fundador da Academia Nativista Estância da Poesia Crioula, grupo de poetas tradicionalistas que se reuniu no final dos anos 50, na capital gaúcha.


Trabalhou, publicando poemas, em jornais como O Interior e A Noticia, de São Luiz Gonzaga, RS. Passou dirigir em 1948 o programa radiofônico "Galpão de Estância", em São Luiz Gonzaga e em 1973 passou a participar do programa semanal "Brasil Grande do Sul", na Rádio Guaíba.

Na capital, o primeiro jornal a publicar seus poemas foi o A Hora, que dedicava toda semana uma página em cores aos poemas de Jayme.

Como funcionário público trabalhou no Instituto de Pensões e Aposentadorias dos Servidores do Estado e ainda foi diretor da Biblioteca Pública do Estado de 1959 a 1963, aposentando-se em 1969. Na farmácia do IPASE era reconhecido pelo grande conhecimento que tinha dos remédios.

Em 1945 começou a atuar na política, participando em palanques de comício como payador. O poema "O Petiço de São Borja", publicado em revistas e jornais do país, fala de Getúlio Vargas. Participou das campanhas de Ruy Ramos, com o poema "O Mouro do Alegrete", como era conhecido o político e parente de Jayme. Foi Ruy Ramos, também ligado ao tradicionalismo, que lançou Jayme Caetano Braun como payador, no I Congresso de Tradicionalismo do Rio Grande do Sul, realizado em Santa Maria no ano de 1954.

Jayme Caetano Braun casou duas vezes, em 1947 com Nilda Jardim, e em 1988 com Aurora de Souza Ramos. Teve três filhos, Marco Antônio e José Raimundo do primeiro casamento, e Cristiano do segundo.

Anos mais tarde participaria das campanhas de Leonel Brizola, João Goulart e Egidio Michaelsen, e em 1962 concorreria a uma vaga na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), ficando como suplente.


Obra

Antes de escrever qualquer coisa sobre este ícone do tradicionalismo gaúcho é importante grifar a importância da influencia do poeta gaúcho que nasceu em Uruguaiana e que fincou raízes na região Sudoeste do Paraná, José Francisco dos Santos Silveira, o qual foi responsável por incentivar o payador na produção de sua obra.

Jayme Caetano Braun lançou diversos livros de poesias, como "Galpão de Estância" (1954), "De Fogão Em Fogão" (1958), "Potreiro de Guaxos" (1965), "Bota de Garrão" (1966), "Brasil Grande do Sul" (1966), "Passagens Perdidas" (1966) e "Pendão Farrapo" (1978), alusivo à Revolução Farroupilha. Em 1990 lançou "Payador e Troveiro", e seis anos depois a antologia poética "50 Anos de Poesia", sua ultima obra escrita.

Publicou ainda um dicionário de regionalismos, "Vocabulário Pampeano - Pátria, Fogões e Legendas", lançado em 1987.

Jaime também gravou CDs e discos, como "Payador, Pampa, Guitarra", antológica obra em parceria com Noel Guarany. Sua ultima obra lançada em vida foi o disco "Poemas Gaúchos", com sucessos como "Payada da Saudade""Piazedo""Remorsos de Castrador""Cemitério de Campanha" e "Galo de Rinha".

Gravou, ainda, com Lúcio YanelCenair Maicá e Luiz Marenco.

Entre seus poemas mais declamados pelos poetas regionalistas do país inteiro, destacam-se "Bochincho""Tio Anastácio""Amargo""Paraíso Perdido""Payada a Mário Quintana" e "Galo de Rinha".

Seu nome batiza ruas, praças e principalmente Centros de Tradições Gaúchas (CTG) no Rio Grande do Sul e em todo o Brasil. É considerado o patrono do Movimento Pajadoril no Brasil.


Morte

Jayme Caetano Braun veio a falecer vítima de uma parada cardíaca em 08/07/1999, por volta das 06:00 hs, em Porto Alegre, RS. Seu corpo foi velado no Palácio Piratini, sede do governo sul-riograndense, e enterrado no Cemitério João XXIII, na capital do Estado. Para o dia seguinte estava programado o lançamento de seu último disco "Exitos".


Tributos

  • Sol das Missões - Tributo a Jayme Caetano Braun, de Paulo de Freitas Mendonça
  • Tributo a Jayme Caetano Braun, de Geraldo do Norte
  • Galo Missioneiro, de Pedro Ortaça
  • Monumento ao Payador em São Luiz Gonzaga, Missões, RS (Escultor Vinícius Ribeiro)

Fonte: Wikipédia

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