Mostrando postagens com marcador Ceramista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ceramista. Mostrar todas as postagens

Jorge Selarón

JORGE SELARÓN
(65 anos)
Pintor e Ceramista

* Limache, Chile (1947)
+ Rio de Janeiro, RJ (10/01/2013)

Jorge Selarón foi um pintor e ceramista autodidata chileno radicado na cidade do Rio de Janeiro. Ele foi o autor de muitas obras que decoram os bairros cariocas da Lapa e de Santa Teresa.

Jorge Selarón passou por mais de cinquenta países até decidir que viveria no Brasil. Sua maior e mais conhecida obra está na Rua Manoel Carneiro, no bairro de Santa Teresa: é a "Escadaria do Convento de Santa Teresa", também conhecida como "Escadaria do Selarón", que liga a Rua Joaquim Silva, no bairro da Lapa, à Ladeira de Santa Teresa, no bairro de Santa Teresa.

Banheiras
Após fixar residência na escadaria em 1990, Jorge Selarón inicialmente instalou uma série de banheiras ajardinadas nas calçadas, que foram subsequentemente pintadas e adornadas com azulejos. A partir de 1994, sobre a pintura verde-amarela com que os moradores decoraram a escadaria para a copa do mundo de futebol de 1994, Jorge Selarón passou a azulejar os espelhos dos degraus. Trabalhando solitário e contando apenas com o rendimento obtido com a renda de seus quadros e eventuais doações de moradores, com dificuldade atingiu sua meta de ter os 215 degraus e 125 metros da escadaria concluídos antes do ano 2000.

Após esta data, com renda gradativamente aumentada devido à crescente inclusão da escadaria nos roteiros turísticos, pôde dedicar-se à ornamentação das calçadas laterais e realizar inúmeras modificações, em coerência com sua concepção da escadaria como obra de arte mutante. Para isto contou também com azulejos remetidos por fãs do mundo inteiro, chegando ter a mais de 2000 azulejos diferentes, provenientes de mais de sessenta países.

Teve igualmente condições realizar grandes acréscimos, como a pirâmide de banheiras, do lado direito da entrada da escadaria, em 2005 e 2006, e a calçada ao início da Ladeira de Santa Teresa, ao pé dos Arcos da Lapa, em 2007. Esta última obra foi interrompida após protestos de que estaria interferindo com o monumento histórico, e acabou sendo demolida pela prefeitura em 2012.

Em 2010 concluiu a imponente bandeira na parte alta da escadaria, na esquina da Rua Pinto Martins. As muretas frontais das residências da escadaria foram executadas em épocas diferentes, de acordo com a solicitação ou permissão de seus proprietários.

Segundo o artista, ele só conseguiu se manter financeiramente e prosseguir com sua grande obra pintando e vendendo mais de 25000 quadros, quase sempre com um tema motivado por um problema pessoal: o tema da mulher negra grávida.

A famosa escadaria já correu o mundo, ora como tema principal para reportagens de revistas e programas de televisão, ora servindo de palco para videoclipes, campanhas publicitárias e até para fotos de uma edição da revista Playboy estadunidense.

Reconhecimento

Em maio de 2005, a escadaria foi tombada pela prefeitura da cidade e Jorge Selarón recebeu o título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro.


Morte

O pintor foi encontrado morto nas escadarias da Lapa na manhã do dia 10/01/2013. O corpo queimado do artista estava junto a uma lata de thinner. A polícia ainda não tem informações sobre a motivação da morte de Jorge Selarón mas, ao que tudo indica, foi assassinato motivado por vingança.

De acordo com o jornal O Dia, ele vinha sofrendo ameaças de morte de um ex-colaborador e registrou queixa na 7ª Delegacia de Polícia, em Santa Teresa, onde o caso está sendo investigado. Ainda segundo a publicação, o corpo foi encontrado com marcas de queimaduras.

O desentendimento teria acontecido quando o ex-colaborador de Jorge Selarón danificou obras do artista chileno. O ex-colaborador seria irmão de um preso, condenado por tráfico de drogas e roubo, de acordo com informações do jornal O Globo.

Sob aplausos, o corpo do artista plástico Jorge Selarón foi enterrado às 14:00 hs de quarta-feira, 16/01/2013, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio. Amigos usaram uma blusa em homenagem ao artista. Em um cartaz na parede estava escrito:

"A escada é algo que nunca vai ficar pronto, ela vai ficar no dia da minha morte, quando eu mesmo me transforme na própria escada e fique eterno para sempre. Eu sou Selarón, a escadaria é minha vida"

Muitos também vestiram vermelho e branco, cores preferidas do artista.

Durante o velório, um amigo de Jorge Selarón, o ator Losferato Luiz, leu uma carta enviada pela família do chileno. "Cada um de nós vive a perda da alma. Mas seguimos tranquilos, porque ele esta em paz", dizia parte do texto.


Corpo Será Cremado

Segundo uma amiga do artista, Lena Moraes, o corpo de Jorge Selarón também será cremado. No entanto, segundo ela, a cremação só acontecerá quando uma carta de autorização do irmão do pintor chegar ao Brasil. "Ele não tem parentes aqui. Então para cremar o corpo dele, nós precisamos de uma autorização de algum parente dele do Chile. Assim que esta chegar, a cerimônia será realizada", explicou Lena Moraes.


Custos Pagos Pela Prefeitura

Todos os custos do velório e do enterro foram pagos pela Prefeitura, como foi anunciado. De acordo com o presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, Washington Fajardo, a decisão foi tomada pelo prefeito Eduardo Paes, após amigos do ceramista pedirem publicamente ajuda financeira para pagar as despesas.

"Essa foi uma determinação do prefeito Eduardo Paes. A Prefeitura vai se responsabilizar pelo velório e cremação. Agora, vamos fazer contato com os assistentes dele. O Selarón foi um grande artista popular carioca e é um exemplo de como uma pessoa faz a diferença. A Prefeitura vai contribuir para que o velório possa acontecer com o máximo de dignidade", disse Washington Fajardo.


Mestre Vitalino

VITALINO PEREIRA DOS SANTOS
(53 anos)
Ceramista e Músico

* Sítio Campos, Zona Rural de Caruaru, PE (10/07/1909)
+ Caruaru, PE (20/01/1963)

Vitalino Pereira dos Santos, o Mestre Vitalino, foi um ceramista popular brasileiro. Mestre Vitalino foi um artesão por retratar em seus bonecos de barro a cultura e o folclore do povo nordestino, especialmente do interior de Pernambuco, e a tradução do modo de vida dos sertanejos. Esta retratação ficou conhecida entre especialistas como arte figurativa.

Seu pai, lavrador, lidava com a roça, e sua mãe era louçeira , produzia panelas, recipientes e pratos. Desde a infância, Vitalino pegava os restos de barro do trabalho de sua mãe para modelar bichos lúdicos, como bodes, vacas e cavalos, uma forma de produzir os seus próprios brinquedos. Os bonecos eram os brinquedos do menino Vitalino.

Na época já existia uma feira na cidade, onde seus pais e irmãos vendiam as louças produzidas pela mãe. Vitalino passou a mandar junto com as louças os seus bonequinhos de barro para serem vendidos. Com o passar dos anos, além de modelar os bichinhos de sua infância, passou a modelar os personagens de sua região.


Do barro passou a expressar através de formas o homem do agreste, os acontecimentos da região e costumes. Em 1947, aos 38 anos, permanecia na roça, e sob influência do amigo Augusto Rodrigues, artista plástico, foi morar em Alto do Moura, próximo de Caruaru, com sua mulher e filhos.

Logo ficou famoso através da Feira de Caruaru e em todas Alto do Moura, onde tudo era comercializado em barracas. Na sua barraca oferecia os seus bonecos feitos de barro, esculpidos para expressar de maneira cada vez mais perfeita os costumes de sua região. Seus trabalhos demonstravam forte originalidade.

O seu trabalho influenciou outros artesãos a realizarem o mesmo tipo de trabalho, e muitas vezes, o próprio Mestre Vitalino ensinava as técnicas. Ensinava a escolher o barro, a socar, peneirar, secar, a queimar no fogo à lenha e a como modelar. Mestre Vitalino era uma pessoa atenciosa, amável, analfabeto e devoto de Padre Cícero.

Ele criou, na década de 1920, a Banda Zabumba Vitalino, da qual é o tocador de pífano principal.

Mestre Vitalino comercializando suas peças na feira de Caruaru, PE, em 1947.
Sua atividade como ceramista permanece desconhecida do grande público até 1947, quando o desenhista e educador Augusto Rodrigues (1913 - 1993) organizou no Rio de Janeiro a Exposição de Cerâmica Popular Pernambucana, com diversas obras suas. Seguiu-se uma série de eventos que contribuíram para torná-lo conhecido nacionalmente e foram publicadas diversas reportagens sobre o artista, como a editada pelo Jornal de Letras em 1953, com textos de José Condé, e na Revista Esso, em 1959.

Em janeiro de 1949, a fama foi ampliada com exposição no Museu de Arte de São Paulo (MASP). Em 1955, integrou a exposição "Arte Primitiva e Moderna Brasileiras", em Neuchatel, Suíça. O Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais e a Prefeitura de Caruaru editaram o livro "Vitalino", com texto do antropólogo René Ribeiro e fotografias de Marcel Gautherot e Cecil Ayres.

Nessa época, conheceu Abelardo Rodrigues, arquiteto e colecionador, que formou um significativo acervo de peças do artista, mais tarde doadas para o Museu de Arte Popular, atual Museu do Barro de Caruaru.

Casa Museu Mestre Vitalino
Mestre Vitalino, em 1960, realizou viagem ao Rio de Janeiro e participou da Noite de Caruaru, organizada por intelectuais como os irmãos João Condé e José Condé, ocasião em que suas peças são leiloadas em benefício da construção do Museu de Arte Popular de Caruaru.

Participou de programas de televisão e exibições musicais, compareceu a eventos e recebeu diversas homenagens, como a Medalha Sílvio Romero. Nessa ocasião, a Rádio MEC realizou a gravação de seis músicas da banda de Mestre Vitalino, lançadas em disco pela Companhia de Defesa do Folclore Brasileiro na década de 1970.

Em 1961, atendendo a pedido da Prefeitura de Caruaru, doou cerca de 250 peças ao Museu de Arte Popular, inaugurado nesse ano.

Em 1971, foi inaugurada no Alto do Moura, no local onde o artista residiu, a Casa Museu Mestre Vitalino. No espaço, administrado pela família, estão expostas suas principais obras, além de objetos de uso pessoal, ferramentas de trabalho e o rústico forno a lenha em que fazia suas queimas. O entorno é ocupado por oficinas de artesãos.

Museu do Barro recebe exposição "Memórias de Vitalino"
O reconhecimento do artista foi ampliado após a sua morte. Sua biografia inspirou o samba-enredo da Império da Tijuca nos carnavais de 1977 e 2012. A Festa de São João de Caruaru o adotou como a personalidade homenageada de 2009.

Suas obras mais famosas são "Violeiro", "O Enterro na Rede", "Cavalo-Marinho", "Casal no Boi", "Noivos a Cavalo", "Caçador de Onça" e "Família Lavrando a Terra".

A produção do artista passou a ser iconográfica e inspirou a formação de novas gerações de artistas, especialmente no Alto do Moura, bairro de Caruaru, PE, onde viveu.


Parte de sua obra pode ser contemplada no Museu do Louvre, em Paris, na França. No Brasil, a maior parte está nos museus Casa do Pontal e Chácara do Céu, Rio de Janeiro, no Acervo Museológico da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife, e em Alto do Moura.

Mestre Vitalino faleceu em 20/01/1963, deixou como herança diversos discípulos, entre eles os seus filhos Severino e Amaro.

Carybé

HECTOR JULIO PÁRIDE BERNABÓ
(86 anos)
Pintor, Gravurista, Desenhista, Ilustrador, Ceramista, Escultor, Muralista, Pesquisador, Historiador e Jornalista

* Lanús, Argentina (07/02/1911)
+ Salvador, BA (02/10/1997)

Carybé era argentino naturalizado e radicado no Brasil. Acreditava na força da miscigenação das Américas. Retratou a cultura do povo da Bahia como ninguém.

Nos dias 7 e 9 de fevereiro de 1911, nasce em Lanús, província de Buenos Aires, Hector Julio Paride Bernabó, que viria a se tornar conhecido como Carybé. Veio ao mundo no dia 7, mas este só foi informado oficialmente da chegada no dia 9, data que consta no seu registro. Talvez em virtude dos dois aniversários por ano tenha nascido sua índole festeira.

É o caçula dos 5 filhos de Enea Bernabó e Constantina Gonzales de Bernabó.

Enea, natural de Fivizzano, região da Toscana, Itália, tinha espírito aventureiro e correu o mundo. Começou suas andanças aos dezessete anos, quando foi para os Estados Unidos, e não parou mais. Andou muito até encontrar Constantina, jovem de origem brasileira residente em Posadas, Argentina. Casaram-se e recomeçaram as andanças. Tiveram 5 filhos: Arnaldo, nascido no Brasil, Zora e Delia, no Paraguai, Roberto e Hector, na Argentina.

E continuaram as andanças. Nem bem o pequeno Hector completava 6 meses e a família já se mudava para a Itália. Lá, aprendeu as primeiras letras. Viveram em Gênova até o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, quando se mudaram para Roma e onde ficaram até 1919. Mas a situação difícil do pós-guerra, aliada ao espírito andarilho, já fazia com que Enea, sonhasse novamente com a América, onde em pouco tempo a família desembarcava, desta vez na cidade do Rio de Janeiro.

Pierre Verger, Jorge Amado e Hector Carybé
Foi um começo difícil. Enea demorou a conseguir trabalho. Mas a esposa Constantina sabia muito e ia ensinando suas artes aos filhos, que ajudavam no sustento da casa. A primeira morada foi em Bonsucesso, trocada depois por outra na Rua Pedro Américo, no Catete. Foi nessa que deu-se uma mudança que marcaria para sempre a vida de Hector. Escoteiro do Clube de Regatas do Flamengo, sua tropa era caracterizada pelos apelidos de nomes de peixe: Hector escolheu se chamar Carybé, pequeno peixe amazônico, apelido que o acompanhou para o resto da vida.

Carybé começou a trabalhar cedo, numa farmácia do Rio de Janeiro. Depois, foi ajudante no atelier de cerâmica de seu irmão Arnaldo. Em 1928 ingressou na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, que cursou durante dois anos.

Em 1929 seu outro irmão, Roberto, conseguiu contratos para fazer as decorações de carnaval dos hotéis Glória e Copacabana Palace. Os três irmãos trabalharam duro, mas valeu a pena: estes contratos renderam a pequena fortuna de dezenove contos de réis e a decisão de Enea de retomarem as andanças, desta vez com destino à Argentina, onde chegaram a bordo do navio Blue Star.

E é assim, tardiamente, que, aos dezoito anos, Carybé vem a conhecer a terra onde nasceu.

A família chega à Argentina junto com a crise econômica mundial e não havia trabalho. A dificuldade fez os irmãos aceitarem qualquer serviço que se apresentasse. Por fim, ingressaram no jornalismo. Na época os jornais contratavam desenhistas para publicidade, charges e ilustrações, trabalho que Carybé desenvolveu paralelamente aos desenhos e pinturas que fazia para satisfação pessoal.

Foi nessa época que, a pedido de um amigo baiano, Josué de Barros, Carybé trabalhou como pandeirista de Carmem Miranda, quando esta se apresentava na Rádio Belgrano, em Buenos Aires. Trabalho que acaba durando três temporadas. Na quarta, Carmem Miranda chegou acompanhada do conjunto Bando da Lua, e dispensou seu pandeirista, dando mais uma contribuição, ainda que dessa vez inconsciente, à arte. Carybé só não fica mais triste porque, coincidentemente, os músicos eram seus velhos amigos, dos tempos da Rua Pedro Américo.

Em 1938, os irmãos Bernabó foram contratados por um novo jornal, El Pregón, onde Carybé consegue o trabalho dos seus sonhos: viajar o mundo, herdeiro que era do espírito andarilho do velho Enea. De cada porto visitado, deveria mandar desenhos e uma breve reportagem sobre suas impressões do lugar. Assim, Carybé conhece Montevidéu, Paranaguá, Santos e Rio de Janeiro. Daí, as cidades históricas de Minas. De volta ao mar, Vitória e, finalmente, Salvador da Bahia, onde o aguardava uma surpresa que ele descreve assim:

"Na posta restante não havia dinheiro, só uma carta de meus irmãos dizendo que o jornal tinha falido, que estavam tão duros quanto eu, que tivesse boa sorte...

E tive!

Voltava, depois de seis meses de gostoso miserê, com os desenhos e aquarelas de minha primeira exposição individual, e com a certeza de que meu lugar, como pintor, era na Bahia."

De volta à Argentina, fez sua primeira exposição conjunta, com o artista Clement Moreau, em 1939, no Museo Municipal de Bellas Artes, em Buenos Aires, onde também teve sua primeira exposição individual, na Galeria Nordiska Kompaniet.

Em 1941, faz as ilustrações do primeiro Calendário Esso, trabalho que lhe rende o dinheiro necessário para uma longa viagem: de barco, caminhão e trem, percorre Uruguai, Paraguai e Brasil. Na volta à Argentina, entra no país pela província de Salta, onde permanece.

Em 1944, faz sua terceira viagem à Bahia. Em Salvador, aprende capoeira com Mestre Bimba, frequenta candomblés (notadamente o de Joãozinho da Goméia), desenha e pinta.

Em 1945, realizou sua primeira exposição individual no Brasil, na sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil, no Rio de Janeiro.

Em 7 de maio de 1946, casou-se com Nancy Colina Bailey, em Tartagal, província de Salta, Argentina. Os recém casados seguiram em lua-de-mel para o Rio de Janeiro.

Em 6 de maio de 1947, nasceu o primeiro filho, Ramiro, em Buenos Aires. Trabalhou na série Conquista, de 1947 a 1949.

Em 1949, publicou Ajtuss, primeiro livro inteiramente escrito e ilustrado por Carybé.

No fim de dezembro de 1949, Carybé deixou a Argentina e veio ao Brasil. No Rio de Janeiro, recebeu do amigo Rubem Braga uma carta em que este pedia a Anísio Teixeira que lhe concedessem uma bolsa de trabalho na Bahia.

Em 01/01/1950 Carybé desembarcou em Salvador e desta vez para ficar.

Em 1951, expos na Secretaria de Educação da Bahia o resultado da bolsa de trabalho: a Coleção Recôncavo. No mesmo ano, ganhou a medalha de ouro da primeira Bienal Internacional de Livros e Artes Gráficas, pelas ilustrações do livro Bahia, Imagens da Terra e do Povo, de Odorico Tavares.

Em 1952, foi a São Paulo trabalhar no filme O Cangaceiro, de Lima Barreto. Fez 1600 desenhos de cena (storyboard). Segundo consta, foi a primeira vez na história do cinema em que um filme foi desenhado cena por cena. Carybé foi diretor artístico do filme, tendo também participado dele como figurante.

Em 28 de agosto de 1953, nasceu sua filha Solange, em Salvador.

Em 1955, ganhou o primeiro Prêmio Nacional de Desenho, na III Bienal de São Paulo.

Em 1957, oficializa sua relação com o país que o acolheu, naturalizando-se brasileiro. No mesmo ano é confirmado Obá de Xangô do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, como Otun Onã Shokun e Iji Apógan na casa de Omolu.

Em 1958, viajou para São Paulo, para realizar o mural do Banco Português. Ainda em 1958, viaja com Nancy para Nova York, seguindo daí para o México, Guatemala, Panamá e Peru, chegando, em 1959, à Bolívia e à Argentina, onde Nancy permaneceu.

Em 1959, ganha o concurso internacional para escolher o artista que faria os grandes painéis do terminal da American Airlines no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York. Em 1960, chegou àquela cidade para executar as obras.

Em 1961, foi homenageado com Sala Especial na VI Bienal de São Paulo. No mesmo ano, iniciou a série de crônicas e reportagens que publicaria no Jornal da Bahia até 1969, sob o pseudônimo Sorgo de Alepo. Publicou o álbum de desenhos Carybé, pela Coleção Mestres do Desenho.

Em 1962, fez exposição individual no Museu de Arte Moderna, em Salvador, e publicou o livro As Sete Portas da Bahia.

Em 1963, expõs no Nigerium Museum, em Lagos, e recebeu o título de Cidadão da Cidade do Salvador. Desenhou com índios, pássaros e bichos o mapa do Brasil que decorava os aviões Electra II, da Varig.

Ao longo dos anos 60, criou vários painéis, dentre os quais:
  • 1964 - Em concreto, fachada do Edifício Bráulio Xavier, na Praça Castro Alves, em Salvador (15X5m)
  •  1965 - Mural em concreto para a fábrica da Willys, em Recife, e Índios (óleo sobre madeira), para o Banerj, no Rio de Janeiro
  • 1967 - Mural em concreto para o Bradesco, na agência da Rua Chile, em Salvador, medindo 3X36m
  • 1968 - Os Orixás, série de painéis em madeira para o Banco da Bahia.

Em 1966, participou de exposições em Bagdá (patrocínio da Fundação Calouste Gulbekian) e Roma (coletiva no Palazzo Piero Cortona, realizada por Assis Chateaubriand). No mesmo ano publicou Olha o Boi.

Em 1967 recebeu o Prêmio Odorico Tavares como Melhor Plástico de 1967. Em 1968, o quadro Cavalos é oferecido à Rainha da Inglaterra como presente do Estado da Bahia, pelo governador Luiz Viana. No Palácio da Aclamação, Carybé e Nancy participaram da solenidade de entrega da obra, onde encontram-se com a Rainha Elizabeth II e o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo.

Em 1969 ilustrou Ninguém Escreve ao Coronel, livro de Gabriel Garcia Márquez, iniciando uma parceria que levaria todos os livros do autor publicados posteriormente no Brasil a serem ilustrados por Carybé. Ainda em 1969, viajou com Pierre Verger para o Benin, na África.

Em 1971, percorreu o Brasil com a exposição dos painéis Os Orixás (Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza). No Rio de Janeiro, acompanhou os ensaios do bailarino russo Rudolf Nureyev, encontro que rendeu o álbum Nureyev. Ilustrou Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez.

Em 1972, pintou o mural Nordeste (Óleo sobre madeira - 3X13m), para o Banco do Nordeste do Brasil, em Salvador.

Participou, em 1973, da primeira Exposição de Belas Artes Brasil/Japão, em Tóquio, Atami, Osaka, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, sendo agraciado com a Medalha de Ouro. Ainda em 1973, criou o mural da Assembléia Legislativa da Bahia (Concreto - 11X16m). Participou da Sala Especial - Homenagem a Tarsila do Amaral, Flávio de Carvalho e Maria Martins, na XII Bienal de São Paulo.

Em 1974, publicou o álbum de xilogravuras Visitações da Bahia e, já em 1976, fez as ilustrações para o livro O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado.

Em 1977, entregou duas estátuas para o Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro e venceu o III Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa Econômica Federal. No mesmo ano, recebeu o diploma Honra ao Mérito Espiritual ao Obá de Xangô Onã Xokun do Culto Afro-Brasileiro Xangô das Pedrinhas, de Salvador.

Em 1978 criou, para o Banco do Estado da Bahia, o mural Fundação da Cidade de Salvador (Técnica mista - 4X18m) e ilustrou A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado.

Em 1979, fez o mural Oxossi, no Parque da Catacumba, no Rio de Janeiro (Concreto 2,20X1,10m). Publicou Sete Lendas Africanas da Bahia, pasta com xilogravuras de sua autoria.

Em 8 de maio de 1981, viu mais de 15.000 pessoas comparecerem ao Largo do Pelourinho para comemorar seus 70 anos. Na ocasião, lançou o livro Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, fruto de 30 anos de pesquisas. Em junho de 1982, recebeu o título de Doutor Honoris Causa, da Universidade Federal da Bahia. Publicou Uma Viagem Capixaba, com Rubem Braga.

Em abril de 1983, inaugurou a mostra Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, no The Caribbean Cultural Center, em Nova York. Desenhou cenários e figurinos para o Balé Gabriela, Cravo e Canela, apresentado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Em 1984, na Cidade do México, fez a exposição Semblanza de Dioses y Ritos Afrobrasileños, no Museo Nacional de Las Culturas. Realizou exposição individual no Philadelphia Arts Institute, nos Estados Unidos. Criou a escultura Homenagem à Mãe Baiana (Bronze - 3,30m), em Salvador. Moldou três murais para o Hotel da Bahia (Concreto - 108m2) e pintou outro para o Aeroporto Internacional de Salvador (Óleo sobre tela - 2,08X5m).

Em 1985, ilustrou o livro Lendas Africanas dos Orixás, de Pierre Verger e fez a cenografia e os figurinos da ópera La Bohème, encenada no Teatro Castro Alves, em Salvador. Em 1986, realizou a exposição Retrospectiva 1936/1986, no Núcleo de Arte do Desenbanco.

Em 1988, passou de Otun a Obá Onâ Xokun do terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá. Permaneceu em São Paulo entre março e outubro, fazendo os murais do Memorial da América Latina, cuja autoria divide com o amigo Poty Lazzarotto. São seis painéis, medindo 15x4m cada. Destes, executou três: Os Povos Africanos, Os Ibéricos e Os Libertadores.

Em 1989, fez uma mostra individual no Museu de Arte de São Paulo e lançou o livro Carybé, que abrange toda a sua obra até aquele momento, com edição e fotografias de Bruno Furrer, para a Odebrecht.

Em 1990 expõs os originais do livro Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro e no Memorial da América Latina, em São Paulo, em exposição conjunta com Pierre Verger.

Em 1992 participou da exposição Jorge Amado e as Artes Plásticas, no Museu de Arte da Bahia. No mesmo ano, viajou com Nancy para a Europa, onde fez uma exposição individual na Alemanha, no International Sommertheatre, no Festival de Hamburgo. Também foi a Paris, onde expõs 10 painéis dos Orixás no Centro Georges Pompidou, ainda em comemoração aos 80 anos de Jorge Amado. Ainda em 1992 tem o quadro São Sebastião adquirido pelos Musei Vaticani.

Em 1993, expõs pela terceira vez na Galeria de Arte do Casino Estoril, em Portugal. Em 1995, fez exposições de uma série de gravuras em diversas galerias, nas cidades de São Paulo, Campinas, Curitiba, Belo Horizonte, Foz do Iguaçu, Porto Alegre, Cuiabá, Goiânia, Fortaleza e Salvador.

Em 1996, desenhou vinhetas para a TV Educativa da Bahia - Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia. No mesmo ano viajou para a Espanha, onde realizou mostra individual na Casa de Galícia - Xunta de Galícia - Madri.

Em 1997, executou gradil e projeto de mural de concreto, ambos para o Museu de Arte Moderna da Bahia. Projeta o gradil da Praça da Piedade, em Salvador.

Em 02 de outubro de 1997, faleceu em Salvador vítima de problemas cardíacos. Certamente não por coincidência, no Terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá.

Fonte: Wikipédia