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Tunga

ANTÔNIO JOSÉ DE BARROS CARVALHO E MELLO MOURÃO
(64 anos)
Escultor, Desenhista e Artista Performático

☼ Palmares, PE (08/02/1952)
┼ Rio de Janeiro, RJ (06/06/2016)

Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, conhecido como Tunga, foi um escultor, desenhista e artista performático brasileiro. É considerado uma das figuras mais emblemáticas do cenário artístico nacional.

Nascido em Palmares, PE, Tunga escolheu viver no Rio de Janeiro, onde se formou em arquitetura e urbanismo e começou a desenvolver sua carreira artística. Ele era filho do jornalista e poeta Gerardo de Mello Mourão e de Léa de Barros, que foi uma das mulheres que posou para o célebre quadro "As Gêmeas" de Guignard.

Tunga começou a carreira nas artes plásticas ainda na década de 70, com desenhos e esculturas. Traçava imagens figurativas com temas ousados, como na série de imagens do "Museu da Masturbação Infantil", de 1974. Ainda na mesma década, ele começou a fazer instalações de diferentes materiais.

Tunga foi o primeiro artista contemporâneo do mundo e o primeiro brasileiro a ter uma obra exposta no icônico Museu do Louvre em Paris. Tem obras em acervos permanentes de museus como o Guggenheim de Veneza, e galerias dedicadas à sua obra no Instituto Inhotim.


Na década de 80, Tunga montou a instalação "Ao", em que mostra um filme feito no túnel Dois Irmãos. O trecho se repete, como se a câmera andasse em círculos pelo caminho, não encontrando saída e nem entrada dentro daquela estrutura sem comunicação com o ambiente exterior.

Neste período, o artista plástico também abordou as ciências naturais em seu trabalho, mas também representava a fuga da normalidade. A obra "Les Bijoux de Mme. Sade", de 1983, é um exemplo disso, onde ele construiu um círculo com a forma de um osso.

Ao longo da década de 90, Tunga explorou as relações entre diferentes metais e figuras que fizeram história em sua obra. É o caso de "Lúcido Nigredo", de 1999.

Considerado um dos maiores nomes da arte contemporânea nacional, ele foi o primeiro a ter uma obra exposta no museu do Louvre em Paris. Tunga também expôs na Bienal de Veneza. Sua obra era carregada de simbolismo, com uso de ossos, crânios, dedais e agulhas.


Para criar seus trabalhos, Tunga investigava áreas do conhecimento como literatura, psicanálise, teatro e ciências exatas e biológicas. Utilizava em suas esculturas e instalações materiais como correntes, fios elétricos, lâmpadas, feltro e borracha. Além disso, sua obra era carregada de simbolismo, com uso de ossos, crânios, dedais e agulhas.

Colaborador da revista Malasartes e do jornal A Parte do Fogo, realizou, na década de 1980, conferências no Instituto de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Úrsula e na Universidade Cândido Mendes.

Recebeu o Prêmio Governo do Estado por exposição realizada no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em 1986. No ano seguinte, realizou o vídeo "Nervo de Prata", feito em parceria com Arthur Omar.

Em 1990, recebeu o Prêmio Brasília de Artes Plásticas e, em 1991, o Prêmio Mário Pedrosa da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) pela obra "Preliminares do Palíndromo Incesto"

Morte

Tunga morreu na segunda-feira, 06/06/2016, aos 64 anos, vítima de um câncer na garganta. Ele estava internado no Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, desde o dia 12/05/2016.

Trabalhos no Exterior

Sua obra acabou por ganhar repercussão internacional, levando-o a expor em importantes espaços destinados às artes plásticas ao redor do mundo.

  • 1982 - Divide o Pavilhão Brasileiro da 41ª Bienal de Veneza com o escultor Sérgio Camargo.
  • 1989 - Realiza exposições individuais no Museu de Arte Contemporânea de Chicago.
  • 1989 - Participa de uma mostra coletiva no Stedelijk Museum, na Holanda.
  • 1989 - Realiza exposições individuais na Whitechapel Gallery, em Londres.
  • 1992 - Participa de uma mostra coletiva no Jeu de Paume, em Paris.
  • 1993 - Participa de uma mostra coletiva no Moma, em New York.
  • 1993 - Participa de uma mostra coletiva no Ludwig Museum, na Alemanha.
  • 1994 - Realiza exposições individuais no Museu de Arte Contemporânea de New York.
  • 1994 - Participa da bienal de Havana, em Cuba.
  • 1997 - Participa da Documenta Kassel, Alemanha.
  • 1999 - Realiza exposições individuais no Centro Cultural Recoleta, em Buenos Aires.
  • 2000 - Participa da bienal de Kwang-Ju, na Coréia.
  • 2000 - Participa da bienal de Lyon, na França.
  • 2001 - Realiza exposições individuais no LarJeu de Paume, em Paris.
  • 2002 - Realiza exposições individuais na Luhring Augustine Gallery, em New York.
  • 2005 - Realiza exposições individuais na Pirâmide do Louvre, em Paris.
  • 2007 - Realiza exposições individuais no no Museu de Arte Moderna (MoMA), de New York.


Prêmios e Honrarias

  • 1985 - Prêmio Museu de Arte Moderno de Caracas - Caracas, Venezuela (Venceu)
  • 1986 - Prêmio da Trienal Latinoamericana de Arte Sobre Papel - Buenos Aires, Argentina (Venceu)
  • 1986 - Prêmio Governo do Estado do Rio Grande do Sul - Exposição realizada no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Venceu)
  • 1990 - Prêmio Brasília de Artes Plásticas (Venceu)
  • 1991 - Prêmio Mário Pedrosa Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), pela obra Preliminares do Palíndromo Incesto (Venceu)
  • 1997 - Prêmio Aquisição - Museu de Arte Contemporânea, Niterói (Venceu)
  • 1997 - Prêmio Aquisição - Museu de Arte Moderna da Bahia (Venceu)
  • 1997 - Prêmio Aquisição - Museu de Arte Moderna de Recife (Venceu)
  • 1997 - Prêmio Embratel - Museu de Arte Moderna de São Paulo (Venceu)
  • 1997 - Prêmio de 30 anos - Museu de Arte Moderna de São Paulo (Venceu)
  • 1998 - Johnny Walker Prize - Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro (Venceu)
  • 2000 - Hugo Boss Award - Guggenheim Museum, New York (Indicado)
  • 2005 - Artes Mundi Prize - Wales, Inglaterra (Venceu)


Vídeos e Livros

  • 1997 - Sua obra é retrata no vídeo "Tunga: 100 Redes e Tralhas", de Roberto Moreira.
  • 1997 - Sua obra é retrata no livro "Tunga: Barroco de Lírios", lançado editora Cosac & Naify.
  • 2007 - É publicada a caixa "Tunga", constituída de sete volumes de diferentes formatos (textos, fotografias, vídeos), que documentam a trajetória do artista.

Fonte: Wikipédia e G1
Indicação: Miguel Sampaio

Rogério Duarte

ROGÉRIO DUARTE GUIMARÃES
(77 anos)
Desenhista, Escritor, Poeta, Tradutor Compositor, Intelectual e Professor

☼ Ubaíra, BA (10/04/1939)
┼ Brasília, DF (13/04/2016)

Rogério Duarte Guimarães foi um desenhista, músico, escritor e intelectual brasileiro. É considerado um dos criadores da Tropicália. Sobrinho do sociólogo Anísio Teixeira, foi um intelectual multimédia baiano. Rogério Duarte era artista gráfico, músico, compositor, poeta, tradutor e professor.

Nos anos 60 mudou-se para o Rio de Janeiro, para estudar arte industrial com o alemão Max Bense, um dos mestres da semiótica e da poesia concreta, o que influenciaria seu trabalho no futuro. No Rio de Janeiro trabalhou como diretor de arte da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da Editora Vozes. Foi o autor de vários cartazes para filmes de seu amigo Glauber Rocha, como "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964), símbolo do cinema nacional, o cartaz se transformou em referência e é apontado como o despertar da pós-modernidade no Brasil, e "A Idade da Terra" (1980). Também criou, para este último, a trilha sonora.

Rogério Duarte criou capas de LPs de Gilberto Gil, Gal Costa e Caetano Veloso na época da Tropicália. Também se tornou conhecido por ter sido mentor intelectual de Zé Celso Martinez Corrêa, Hélio Oiticica e Torquato Neto.


Eclético, Rogério Duarte criou também pinturas, aquarelas e xilogravuras. A exposição mais recente dele foi "Marginália 1", mostra inaugurada em agosto de 2015, no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro. À época, escreveu no Facebook:

"...sou um marginal porque descobri que a margem fica dentro do rio..."

Considerado um dos mentores intelectuais do movimento tropicalista, Rogério Duarte foi também um dos primeiros a ser preso e a denunciar publicamente a tortura no regime militar. Preso juntamente com seu irmão Ronaldo Duarte, o caso mobilizou artistas e mereceu ampla divulgação no jornal carioca Correio da Manhã, que publicou uma carta coletiva pedindo a libertação dos "Irmãos Duarte".


Com o endurecimento da ditadura e a promulgação do Ato Institucional Nº 5 (AI-5), Rogério Duarte foi para a clandestinidade e iniciou a sua fase "transcendental" que o levou a estudar o sânscrito e iniciar a tradução do "Bhagavad Gita", lançado por ele anos mais tarde, acompanhado de um CD com a participação de vários artistas, com o título de "Canção do Divino Mestre".

Também é de sua autoria o livro "Tropicaos" onde, entre outras coisas, fala da prisão, tortura e de sua versão sobre o movimento tropicalista.

Rogério Duarte morreu em Brasília, DF, às 21h00 de quarta-feira, 13/04/2016, aos 77 anos. Ele estava internado há quase dois meses no Hospital Santa Lúcia e lutava contra um câncer ósseo e câncer no fígado. O sepultamento será realizado na cidade de Santa Inês, BA.

Fonte: Wikipédia
Indicação: Taís Veras e Miguel Sampaio

Ely Barbosa

ELY RUBENS BARBOSA
(69 anos)
Autor de Histórias em Quadrinhos e Publicitário

☼ Vera Cruz, SP (15/03/1937)
┼ São Paulo, SP (19/01/2007)

Ely Rubens Barbosa, mais conhecido como Ely Barbosa, foi um autor de histórias em quadrinhos e publicitário brasileiro. Nasceu em Vera Cruz, São Paulo, filho de Otávio e Aurora Barbosa e irmão do novelista Benedito Ruy Barbosa. Desde pequeno teve tendência a seguir o caminho das artes, modelando, aos sete anos, bonecos de cera para o presépio da cidade.

Mudando-se para São Paulo, tornou-se publicitário, fundou seu próprio estúdio, onde fez desenhos dos personagens para o gibi dos Trapalhões, para a Editora Bloch.

A partir de 1976, começou a trabalhar com algumas de suas criações: Turma da Fofura, Tutti-Fruttis e Turma do Gordo, todos reunidos na revista em quadrinhos "Cacá e Sua Turma". A revista foi publicada pela Editora Abril de fevereiro de 1977 à junho de 1978, do número 1 ao 8, quando passou a ser publicada pela Rio Gráfica Editora à partir de fevereiro de 1980 à agosto de 1982 em 25 edições quando foi definitivamente cancelada.


Em julho de 1987 lançou a revista mensal "Turma da Fofura" pela Editora Abril com 27 edições até agosto de 1989 acrescida de mais 4 com numeração reiniciada a partir de outubro de 1989 à janeiro de 1990. As quinzenais "O Gordo & Cia." circularam no mesmo período em 38 e 34 edições, respectivamente. 

Em 1983, criou na TV Bandeirantes, o programa "TV Tutti Frutti", pelo qual recebeu o Prêmio APCA, da Associação Paulista dos Críticos de Arte. Recebeu ainda o prêmio Ângelo Agostini por suas criações.

Em 1994, lançou o musical "Um Passeio no Cometa", com a Turma da Fofura. Seus personagens estamparam diversos produtos.

Em 1997 "Sítio do Pica-Pau Amarelo" voltaria ao ar, apresentado pela TV Cultura. Os herdeiros de Monteiro Lobato assinam então um contrato com Ely Barbosa, que assim voltou a trabalhar com os personagens do "Sítio do Pica-Pau Amarelo".


Nos anos 70, ele e Silvio Santos se associaram para produzir um desenho animado de longa metragem, mas o projeto não foi adiante. A idéia agora era explorar comercialmente essa volta à TV, através do lançamento de uma série de novos produtos.

Mas, com os malfadados planos econômicos do início dos anos 90, as revistas de Ely Barbosa são canceladas e seu estúdio fecha.

No início de 2002, Ely Barbosa lançou seu site pessoal, www.elybarbosa.com.br onde pretendia dar vazão às suas criações engavetadas.

Até o final da vida, Ely Barbosa se dedicou à publicidade e publicou diversos livros infantis e alguns romances.

Ely Barbosa faleceu em 19/01/2007, em São Paulo, SP, aos 69 anos, vítima do Mal de Parkinson.

Fernando Bonini

FERNANDO ANTÔNIO BONINI DA SILVA
(50 anos)
Desenhista e Quadrinista

☼ Niterói, RJ (17/09/1955)
┼ Valinhos, SP (08/10/2005)

(Por Bruno Machado - Edição U-turn - Dezembro de 2011)

Fernando Bonini, de nome completo Fernando Antônio Bonini da Silva, foi um criador de histórias em quadrinhos brasileiro. Fernando Bonini se tornou conhecido por ter sido um dos principais desenhistas de Zé Carioca e Urtigão.

Franco de Rosa entra no estreito quarto de pensão que recebeu seu último hóspede há pouco mais de quatro meses. A cama está desfeita, o lençol amarrotado pela última noite de sono. "Foi-se tranqüilo", pesaria ele seis anos depois, de frente para mim, em uma cafeteria no Centro. Certamente, seu velho amigo desenhista vagara por ali, algumas décadas antes. Recolhe alguns objetos pessoais que, no momento, não se recorda quais são e deixa o pequeno aposento.

Apesar de tanto em comum, Franco de Rosa é sincero: diz não ter grandes saudades do amigo, em parte por conta de sua melancolia. Lembra-se dele, sorridente entre outros cartunistas, nas mesas de bar. Sempre com o copo a mão, para que não bebessem da sua cerveja. Em outros momentos, entregava-se a uma tristeza profunda, esmurrava paredes, amassava desenhos. Mas não era agressivo com os outros. Franco de Rosa, inclusive, confessa que Fernando Bonini chegava a apanhar da mulher. Eles dois, inclusive, chegaram a dividir a mesma mulher: Fernando Bonini se casou, certa vez, com a ex-esposa de Franco e Rosa.

O que sobrou de sua tragicômica existência - bonequinhos de durepoxi e presentes recebidos pelo aniversário de 50 anos, recém-completos - está guardado em uma caixa de sapatos num apartamento na Avenida São Luís. O apartamento do editor e desenhista Franco de Rosa, com quem converso, a poucos metros de sua casa, entre uma e outra xícara de café. É um sábado ensolarado e frio, e poderia muito bem lembrar o dia em que Fernando Bonini foi enterrado, há seis anos, em Valinhos, no interior de São Paulo. A conversa por vezes não flui de maneira elucidativa: mesmo Franco, que conviveu com Fernando Bonini por tantos anos às vezes não parece atravessar o simples esboço desse rosto fluminense estreito, de poucas fotos, o farto bigode, sotaque da baixada, chiados nervosos herdados de Niterói.

Foram amigos e por muitas vezes, colegas de trabalho. Fizeram parcerias e tiveram vidas ligadas por coincidências - das quais Franco se lembra com alegria, mas sem sentimentalismo. Filho de um homem que se alternara e se desdobrara em diversas profissões, como barbeiro e palhaço, Fernando Bonini cresceu vendo os filmes de Jerry Lewis, de quem tiraria muito de sua inspiração para criar histórias. Muitas das situações que viveu também lembrariam muito os esquetes do comediante americano.

Em São Paulo, Franco de Rosa e Fernando Bonini foram vizinhos na infância, mas nunca souberam disso. Embora morassem um em frente ao outro, numa rua da pacata Santana, jamais jogaram bola juntos na rua e estudaram em escolas separadas. Dois completos estranhos, com uma paixão em comum, e que ainda se esbarrariam um punhado de vezes pela vida dos estúdios de quadrinhos.

Fernando Bonini tinha 15 anos quando foi descoberto por Primaggio Mantovi, que chegara ao Brasil com a derrota italiana na Guerra. Primaggio Mantovi era o mentor, Fernando Bonini o assistente de arte. Na extinta Rio Gráfica Editorial (RGE), desenhou tirinhas do "Recruta Zero" e do "Sacarrolha". Nessa época, ele ainda trabalhou com outros importantes nomes como Walmir AmaralGutenberg Monteiro e Evaldo.

Era início da década de 70, e fazia pouco mais de uma década que o desenho havia se instalado profissionalmente no país, graças às agências de publicidade e aos estúdios de Histórias em Quadrinhos, importadas diretamente dos Estados Unidos.  A função dos desenhistas brasileiros, nessa época, reduzia-se a fazer o que Franco chama de decoração: finalizar cada quadrinho, fazer pequenas adaptações para o público brasileiro. A produção nacional ainda era bastante incipiente, o que mudaria na década seguinte com artistas sedentos por mostrar um trabalho de cunho mais autoral e até experimental. Fernando Bonini era um desses artistas.

Foi na revista "Spektro" que Fernando Bonini  mostrou seus primeiros trabalhos autorais. Era final dos anos 70, quando surgiram seus personagens de traços duros, verticais, de queixos sempre muito grandes em histórias de terror e erotismo. A revista durou até 1982 com histórias que versavam sobre anjos, macumbas, demônios e encontros sexuais sobrenaturais.

Como todo desenhista, produzia melhor pela manhã, mas muitas vezes passava também a madrugada rabiscando originais.  Quando terminava uma história, dava-se férias de dois a três dias. Raramente escrevia um roteiro quadro-a-quadro de suas histórias. Simplesmente pegava a folha em branco com um rascunho mental do que iria fazer. Dali saíam os desenhos e a narrativa, sem qualquer organização formal prévia.

Os tempos de "Spektro", contudo, não duraram muito. Na verdade, Fernando Bonini não parava quieto em nenhum emprego. "Ele não queria ser funcionário, queria liberdade!", brinca Franco. Mal sabia ele que, anos depois, essa liberdade encontraria seu paroxismo nas ruas de São Paulo.

Com o fim de Riograf e da Vecchi, um novo pólo do desenho se instalou no país, no começo da nova década. Curitiba é a capital dos novos sonhos dos artistas de quadrinhos do país: a Grafipar, que anteriormente apenas publicava livros decidiu entrar no ramo. Para tanto, decidiu convocar um verdadeiro time de talentos que se estabeleceu nos limites da capital paranaense. Morando contiguamente, formaram o que se chamou na época de Vila dos Desenhistas. Eram Gustavo Machado - com quem Fernando Bonini dividia a moradia -, o próprio Franco de Rosa, Itamar Gonçalves, Watson Portela e Claudio Seto, este último, conhecido como o pioneiro do mangá no Brasil.

Ao que parece, a década de 80, a década perdida, parece ter sido a mais memorável de Fernando Bonini. É quando seu talento parece florescer, quando surgem seus melhores trabalhos e histórias. Um ser humano e um artista que atinge sua maturidade e se prepara para o declínio, pessoal e profissional.

Franco de Rosa se lembra com certa saudade dessa época, e numa frase solta, como se ligasse as pontas do passado e do presente, reitera: "Hoje nossos filhos são amigos. O filho dele vive por aí, é tatuador".

É nessa época que a faceta humorística de Fernando Bonini apareceu. Sua própria vida se revestiu de um tom de paródia rocambolesca, que se refletiu nos seus trabalhos posteriores, marcados pelo duplo-sentido, pelo quadrinho que mescla o erótico com o engraçado, com a situação absurda, com o humor de Lewis e seus filmes preto e branco.

Empilham-se as histórias cômicas deste período, e é dele que Franco de Rosa tem a imagem que se cristalizou na sua memória: o Fernando Bonini falante, rodeado de desenhistas, copo em punho para que os outros não tomassem da sua cerveja; a imagem de repente toma outra cor, e o artista torna-se introspectivo, com uma forte tendência para a contemplação melancólica da vida.

A cabeça de Fernando Bonini doía em mais de um lugar quando acordou na enfermaria do clube. Mal passara a dor e o sangue parara de lhe descer testa abaixo, quando deram com ele deitado na maca. Estendia olhares sedutores à enfermeira, acanhada ante o carinho que ganhava no pulso. Calculara mal o salto na piscina e dera com a cabeça no azulejo.

Fora algumas noites depois que chegou bêbado em casa na companhia de duas mulheres. Os vizinhos se constrangeram com a algazarra noturna. O som de algo que se despedaça na noite assombrada da Curitiba oitentista: Fernando Bonini acorda com a prancheta quebrada e um prejuízo em dinheiro. Levar mulheres pra casa? Nunca mais. Ou até a semana seguinte. Até recuperar o dinheiro que duas prostitutas roubaram.

Dorme em qualquer lugar.  Às vezes esquece onde mora, urina na rua. Não tem dinheiro para subir num ônibus, muito menos para apanhar o táxi. A cidade dorme deserta a noite fria, enquanto Fernando Bonini atravessa a rua. Não sabe se dorme, se sonha, se delira, mas dois olhos grandes o chamaram do outro lado. Um estranho parece requerer sua ajuda. A ficarem a dois palmos de distância, a revelação.

No dia seguinte, como explicar aos amigos? Perdeu o dinheiro, as chaves de casa. Limparam-lhe a carteira. Tinha algo nas mãos de certo, mas não conseguiria lembrar do que se tratava. A probabilidade de ter sido assaltado com um revólver, uma faca, uma colher ou um dedo é a mesma.

Risadas, risadas e mais risadas de um jovem grupo de desenhistas. Os anos 80 ardem-lhe feito febre, o talento doado ao desenho, ao rabisco, a música alta, a cerveja. A menina de muletas lhe chama a atenção. Ela está esquecida num canto da boite barulhenta e melancólica. A cabeça nas nuvens, a perna bamba. A perna dele, a perna dela. A noite inteira foi em vão, o esforço hercúleo. Ouviu apenas um monótono e sequenciado não. As pernas parecem feitas de borracha mole, prontas para se desafazerem-se no chão.  Foi-se o dinheiro das bebidas, os xavecos vencidos, repetidos, a conversa sem sentido, os sorrisos, as muletas. Tentaria mais uma vez, mas ela parece querer ir embora. Que ideia, sair à noite de muletas.  Não conseguira um beijo ou mesmo um abraço. Como ela poderia abraçar-lhe se mal consegue parar no chão sem precisar se apoiar em algo ou alguém? Na hora da saída, Fernando Bonini não resiste, e numa cena de Jerry Lewis, atrapalhado, gag de cinema, Moe Larry Curly,  risadas de auditório, esbarra nas muletas. A garota vai ao chão.

Fernando Benini foi assaltado incontáveis vezes e ser assaltado não era novidade. Rabiscos, nanquim, papéis pelo chão. Contando trocados. Todos os bares de Curitiba devem conhecer-lhe o nome. Recebe e mal vê o dinheiro. Centavo por centavo que se esvai em bebidas.

Não tardou para que a crise econômica que assolou o mundo chegasse à fria capital curitibana. Foram apenas quatro anos, mas dos mais intensos. Com o fim da Grafipar, chega ao fim também a Vila dos Desenhistas.

De volta a São Paulo, Fernando Bonini e Franco de Rosa parecem sentir no ar que os tempos são outros.  Mas a sorte lhes acena. Pois há empregos. Há desenhos, quadrinhos e revistas surgindo por toda parte. Há de se respirar aliviado, por que não?

É 1987, os títulos estrangeiros, sobretudo da Disney, convivem relativamente bem com a produção nacional de "Sérgio Mallandro", "Os Trapalhões" e "A Turma da Mônica". Embora os tempos sejam mais serenos, seu medo se realiza: Fernando Bonini se torna um funcionário. Pelos próximos anos ele permanecerá na Editora Abril, onde se tornará célebre por ser um principal desenhista dos quadrinhos do "Zé Carioca". Dessa época também são produções que nunca chegaram ao público, outras foram incineradas.

Nesse momento, a memória de Franco de Rosa borra-se de outros momentos, mas ainda é possível recuperar a memória de Fernando Bonini. Em termos. Seria a bebida, a rotina pálida, o peso da vida - uma soma dos três, quem sabe, que fez o desenhista abandonar uma vida que começava a se estruturar e trocá-la pela liberdade... das ruas? Se sua produção nessa época jamais se igualaria, e se ele parecia um artista bem-sucedido, por que largou tudo? Tais perguntas, provavelmente, jamais terão uma resposta satisfatória. Os murros nas paredes, o nervosismo, os episódios de depressão.

O que importa é que no final de 1998, Fernando Bonini passou a existir nas ruas de São Paulo. Chegou a morar dentro de um Fiat sem rodas, que certa vez foi lançado barranco abaixo. Desertas, à noite, as ruas de São Paulo têm regras e donos.

Exausto de tanto andar, novamente não sabe se dorme, se sonha, se delira. Desta vez, não vai até os grandes olhos que divisara do outro lado da rua: foge deles, e há algumas horas. Não saberia calcular o quanto já andara, mas as pernas doem e tudo que quer é um lugar quente para dormir. Mas a perseguição persiste por mais algumas horas. Seu inimigo parece onipresente nas sombras dos edifícios.

Se olhasse para o seu futuro, naquela noite, como em qualquer outra, não saberia dizer. Mas naquela noite tudo parecia pior. É como se andasse nos limites dos domínios da morte. A cidade, como um tabuleiro de xadrez, minunciosamente dividida entre seres invisíveis, seres que como ratos deixavam suas alcovas secretas, subterrâneas para reinar entre a sarjeta e o cheiro de mijo.

Na outra noite, acordara com os pés roxos e doídos. Doidos, haviam roubado-lhe os bens mais preciosos: um par de rotas meias. Houvera o cuidado de lhe devolver os não menos puídos sapatos aos pés, mas ainda era pouco contra o frio. Calor, ainda havia um pouco nos corações mendigos, mais do que num par de pés sujos.

Descalço, naquela noite era a presa. Ofegava entre becos, entre luzes amarelas. Nove de Julho, República, Maria Paula, São Luís - talvez aqui mesmo, onde ocorre esse diálogo, entre colunas de fumaça de cigarros e café - entre uma vitrine e outra, ele parou exausto. De repente os olhos, como dois faróis na noite se apagaram. Deixou-se apagar, não obstante alerta. O coração saindo pela boca. Mesmo os fortes caem no sono e, muitas vezes, falham.

Acorda do que parece ser um pesadelo para mergulhar em outro. Os faróis agora estão em seus olhos. Quentes e grandes, não apenas menos assustadores que o sorriso desdentado que os emoldura. A enfermeira ri, todos riem. Calculou mal o salto. Sangue. Uma mão de unhas imundas, um cano. A visão parece falha. A cabeça dói. Levanta e caminha, persiste na fuga, e mesmo que morto, vai sobreviver. E sobrevive.

Foi em 2000 que uma voz fraca pediu ajuda do outro lado do telefone. Franco de Rosa retirou o amigo de longa data da rua e deu-lhe novo emprego. Dessa época surgem os trabalhos para a editora Opera Graphica. Franco de Rosa me confessa que são trabalhos bons, e não raro, volumosos. Histórias longas, histórias de caráter quase confessional, um expurgo do sofrimento que aprendeu e arrancou do asfalto. Entre outras histórias mais comerciais, Fernando Bonini passa a desenhar quadrinhos do "Rei Leão" e do "Pica-Pau" para estúdios independentes. Os quadrinhos eróticos, verdadeira obsessão de Franco de Rosa, e um dos talentos de Fernando Bonini perde aceitação de mercado. O jeito é desenhar e escrever para crianças.

Mas novamente Fernando Bonini nos impõe um enigma, pois não tarda a voltar para a rua. Outra ligação, agora de um vizinho, informa Franco de Rosa que ele deixou o estúdio onde vivia provisoriamente. Os seus esforços em manter a cabeça do amigo livre dos fantasmas do asfalto falharam.

Mais um ano na rua, outro hiato na amizade entre Fernando Bonini e Franco de Rosa. Pouco se sabe desse período. Sabe-se, no entanto, que Fernando Bonini chegou a buscar ajuda espiritual, e numa de suas aventuras, embarcou numa viagem com uma seita messiânica até uma região qualquer. Meio do mato. Batida policial, pastores presos. Tráfico de drogas. Perdido no mundo.

Doente, desnutrido, cego de um olho - resultado de uma pancada na cabeça -, passou a vagar por Jacareí, também no interior de São Paulo, onde eventualmente conseguia comida e tomava banho em postos de gasolina. Foi novamente por telefone que pediu ajuda ao amigo pela última vez. Estava internado num hospital, e precisava de alguém que o tirasse de lá.

Franco de Rosa mais uma vez fez pelo amigo, instalando-o numa pensão em Valinhos, onde não permaneceu muito tempo. Não muito antes de morrer, fez seus últimos trabalhos, redesenhos, uma história de cangaceiros no estilo Disney, que importava? Parecia trabalhar quase que automaticamente no seu pequeno quartinho. Vida modesta, sem álcool, abstinência. Desgostoso com o rumo que tudo tomara? Talvez. Talvez pensasse no pai, palhaço e barbeiro. Não fosse desenhista, seria barbeiro, dizia. E de alguma forma, foi palhaço, imitando Jerry Lewis, os Três Patetas, fã de Chaves,  avesso ao rádio. A música o punha triste.

Das histórias que fez, a que Franco de Rosa guarda com mais entusiasmo é a do "Zé Mandioca". Paródia do quadrinho que tornou Fernando Bonini célebre - basta procurá-lo no Google, é assim que a História parece querê-lo, como o principal desenhista do "Zé Carioca" -, são histórias de um papagaio anão que se mete em problemas devido ao pênis muito grande.  Ao que parece, Fernando Bonini só desenhou duas das três histórias que existem. Da última, só há um roteiro.

Da última vez que Franco de Rosa viu Fernando Bonini, foi na noite anterior à morte. Ele parecia bem e há poucos dias havia ganhado sua festa de aniversário de 50 anos. Ganhou presentes numa festinha triste. Sua debilidade ainda era visível. As noites frias nas ruas de Jacareí, sem comida, diriam. Pobre coitado.

No dia da morte, saiu para tomar um café. Voltou e deitou-se na cama. Parece ter falecido no sono. O coração não resistiu. O coração que viveu uma infância quase nômade, os loucos anos 80 curitibanos e o inferno das ruas paulistanas. Fernando Bonini dormia em paz. Com o dinheiro que conseguiu, dos últimos trabalhos, chegou inclusive a pagar o próprio funeral, do qual participaram poucas pessoas.

Era dia ensolarado e Franco de Rosa fechou a porta do pequeno quartinho pela última vez. Levava consigo alguns objetos, que depositou no caixão do amigo. Lembra-se com carinho de quando, em Curitiba, o amigo chamou um policial loiro de polaca, e não fossem apartados, teria sido preso. Mas os murros nas paredes, a angústia e a dor que Fernando Bonini experimentou talvez indicasse aos mais indiferentes, aqueles que só dele recordavam sorridente, o copo em mãos, o bigode farto contra um rosto estreito, que era estava preso em vida, e nas ruas buscava a liberdade da solidão. Em vão.

Vai ver a morte o seduziu com suas promessas de liberdade e ele assim resolveu segui-la. Com sorriso na cara e os trejeitos de Jerry Lewis.

Fernando Bonini faleceu num sábado, dia 08/10/2005, vítima de um ataque cardíaco, aos 50 anos de idade.. Foi enterrado em Valinhos, no interior do Estado de São Paulo, localidade que residia nos últimos anos.


Desenho à lápis de Fernando Bonini
Obras
  • Desenhou histórias para a Editora Vecchi na revista "Sobrenatural" ("A Namorada do Julinho", "Roupas do Outro Mundo" e "O Melhor Pastel da Cidade").
  • Desenhou histórias eróticas para a Grafipar.
  • Para a Abril trabalhou nas publicações "Gugu", "Os Trapalhões", "Urtigão", "Recruta Zero" e "Sítio do Pica-Pau Amarelo".
  • Em 2002, "Os Exterminadores Sem Futuro", na Opera Graphica.
  • "Álbum Luciano", escrito por Primaggio Mantovi e publicado pela Via Lettera.


Fonte: Revista Babel

Noêmia Mourão

NOÊMIA MOURÃO MOACYR
(80 anos)
Pintora, Cenógrafa e Desenhista

☼ Bragança Paulista, SP (1912)
┼ São Paulo, SP (1992)

Noêmia Mourão foi aluna de pintura do artista Emiliano Di Cavalcanti.com quem se casou em 1933, separando-se em 1947. Na capital paulista, conviveu com diversos artistas, como Antônio GomideCarlos Prado e Flávio de Carvalho.

Na companhia do marido, foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou ilustrando, com aquarelas e desenhos, poemas para jornais, e para o Recife, local onde teve grande contato com José Lins do Rego, Gilberto Freyre, Cícero Dias, Lula Cardoso Ayres, assim como outros renomados artistas e escritores.

De Recife seguiram para Lisboa, onde foram hóspedes do ator Procópio Ferreira, ali permanecendo alguns meses. quando os exércitos alemães chegaram a capital francesa.

Durante cinco anos, entre 1935 a 1940, estudou em Paris na Academia Ranson, Academia La Grande Chaumière e na Sorbonne, onde nesta instituição fez o curso de Filosofia e História da Arte. Trabalhou como ilustradora dos jornais Le Monde e Paris Soir e foi convidada pela Radio Difusion Française, onde participou de um programa sobre artes plásticas e literatura, discutido em língua portuguesa, junto com outros grandes artistas como Cícero Dias, Tavares Bastos e Marcelino de Carvalho.

Quando voltou para o Brasil, estudou com o artista Victor Brecheret, mas sua grande paixão continuou sendo a aquarela.

Em 1947, a convite do governo norte-americano, morou por um período de seis meses em New York ilustrando revistas, decorando vitrines da Quinta Avenida e trabalhando no feitio de estamparias.

Trabalhou desenhando cenários e figurinos para o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), projetou os cenários e os figurinos para o Balé Fantasia Brasileira, um dos eventos das comemorações do IV Centenário de São Paulo, e nos anos 60 viajou pelo Brasil estudando a arte plumária indígena numa pesquisa que resultou no livro "Arte Plumária e Máscara de Danças dos Índios Brasileiros" (1971).

Noêmia Mourão participou de exposições como o Salão de Pintoras da Europa, entre outras mostras em Paris, da 4ª Bienal Internacional de São Paulo e várias outras por todo o Brasil.

O Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB/FAAP) de São Paulo organizou, em 1990, uma retrospectiva de suas obras.

Após sua morte, seus trabalhos foram apresentados em diversas exposições como a mostra 100 Obras-Primas da Coleção Mário de Andrade: Pintura e Escultura (IEB/USP, 1993), Fantasia Brasileira: O Balé do IV Centenário (SESC, 1998), entre outras.

Exposições Individuais

  • 1934 - Rio de Janeiro, Brasil
  • 1938 - Paris, França
  • 1943 - São Paulo, Brasil
  • 1947 - New York, Estados Unidos
  • 1974 - São Paulo, Brasil
  • 1990 - São Paulo, Brasil


Exposições Coletivas

  • 1933 - Rio de Janeiro, Brasil - 3º Salão da Pró-Arte
  • 1935 - Rio de Janeiro, Brasil - Exposição de Arte Social, Clube de Cultura Moderna
  • 1937 - Paris, França - Salon des Femmes Peintres d'Europe
  • 1938 - Paris, França - Exposição de Arte Decorativa
  • 1938 - São Paulo, Brasil - 2º Salão de Maio
  • 1941 - São Paulo, Brasil - 1º Salão de Arte da Feira Nacional das Indústrias
  • 1944 - Belo Horizonte, Brasil - Exposição de Arte Moderna, Edifício Mariana
  • 1947 - São Paulo, Brasil - Galeria Itapetininga
  • 1949 - Rio de Janeiro, Brasil - Exposição da Pintura Paulista
  • 1957 - São Paulo, Brasil - 4ª Bienal Internacional de São Paulo, Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho
  • 1973 - São Paulo, Brasil - 5º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
  • 1975 - Penápolis, Brasil - 1º Salão de Artes Plásticas da Noroeste
  • 1976 - Penápolis, Brasil - 2º Salão de Artes Plásticas da Noroeste
  • 1976 - São Paulo, Brasil - Os Salões: Da Família Artística Paulista, de Maio e do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo, Museu Lasar Segall
  • 1977 - São Paulo, Brasil - Mostra de Arte, Grupo Financeiro BBI
  • 1991 - São Paulo, Brasil - 21ª Bienal Internacional de São Paulo, Fundação Bienal


Exposições Póstumas

  • 1993 - São Paulo, Brasil - 100 Obras-Primas da Coleção Mário de Andrade: Pintura e escultura, IEB/USP
  • 1998 - São Paulo, Brasil - Fantasia Brasileira: O Balé do IV Centenário, SESC Belenzinho
  • 1999 - São Paulo, Brasil - A Figura Feminina no Acervo do MAB, MAB/Faap
  • 2000 - São Paulo, Brasil - A Figura Feminina no Acervo do MAB, MAB/Faap
  • 2001 - São Paulo, Brasil - Figuras e Faces, A Galeria
  • 2004 - Brasília, Brasil - O Olhar Modernista de JK, Palácio do Itamaraty
  • 2004 - São Paulo, Brasil - Mulheres Pintoras, Pinacoteca do Estado
  • 2004 - São Paulo, Brasil - Novas Aquisições: 1995 - 2003, MAB/Faap
  • 2004 - São Paulo, Brasil - O Preço da Sedução: Do espartilho ao silicone, Itaú Cultural

Benedito Calixto

BENEDITO CALIXTO DE JESUS
(73 anos)
Pintor, Desenhista, Professor, Historiador, Escritor, Fotógrafo e Astrônomo Amador

☼ Itanhaém, SP (14/10/1853)
┼ São Paulo, SP (31/05/1927)

Benedito Calixto de Jesus foi um pintor, desenhista, professor, historiador e astrônomo amador brasileiro.

No final de século XIX e início do século XX, quatro gigantes das artes plásticas se destacaram no cenário paulista: Almeida Júnior, Pedro Alexandrino, Oscar Pereira da Silva e Benedito Calixto.

Considerado um dos maiores expoentes da pintura brasileira do início do século XX, Benedito Calixto de Jesus nasceu em 14/10/1853, no município de Itanhaém, litoral sul de São Paulo.

Benedito Calixto é o que se pode chamar de um talento nato. Autodidata, começou seus primeiros esboços ainda criança, aos 8 anos. Aos 16 anos mudou-se para Santos, SP, onde teve um começo de vida difícil, chegando a pintar muros e placas de propaganda para sobreviver.

Pátio do Colégio
Em Brotas

Entre os 17 e 18 anos, a convite do irmão mais velho, mudou-se para Brotas, interior de São Paulo, na época, próspera por sua produção de café. Foi morar na casa do irmão João Pedro, situada na esquina de uma praça, hoje denominada "Benedito Calixto". Como o irmão era o responsável pela conservação da igreja e das imagens ali existentes Benedito Calixto, que já tinha habilidades nesse oficio, o ajudava nessa missão, mas logo acabou ficando com a incumbência. Tendo material à sua disposição, nas horas vagas pintava telas com vistas do local, que oferecia aos amigos. Entre os primeiros quadros feitos no município estão o "Casamento dos Bugres" e "A Saída do Ninho", hoje em mãos de colecionadores em Brotas.

Na época decorou também a sala de jantar da casa do capitão Joaquim Dias de Almeida com motivos da fauna e flora brasileiras. Seu gênio alegre e comunicativo lhe trouxe grandes amizades no município. Um desses amigos, era o coronel Cherubim Vieira de Albuquerque, abastado cafeicultor da região, que veio a lhe encomendar diversos quadros. Entre estes, vistas de suas fazendas Paraíso e Monte Alegre em 1873. Retratou também nessa época o próprio coronel e sua filha Maria Eugênia de Albuquerque Pinheiro, quadros que ainda hoje se encontram no município.

Cubatão
De Volta a Itanhaém

Em 1877 retornou a Itanhaém para casar-se com sua prima de segundo grau, Antônia Leopoldina de Araújo. De volta a Brotas, continuou pintando paisagens das fazendas locais e retratos de grandes cafeicultores.

Em 1881 deixou Brotas e voltou a Itanhaém, onde nasceu sua primeira filha, Fantina. No final desse mesmo ano mudou-se com a família para Santos, SP, onde passou a pintar paisagens nos tetos e paredes das mansões dos prósperos comerciantes daquela cidade litorânea.

Paisagem (Da Série Mata) - 1910-20
Primeira Exposição

Fez sua primeira exposição em 1881 no salão do jornal Correio Paulistano, em São Paulo, não tendo conseguido vender nenhum trabalho, mas obteve apreciação favorável da crítica.

Em 1882, a sorte bateu em sua porta. Foi convidado a realizar trabalhos de entalhe e pintura na parte interna do Teatro Guarany, em Santos, o que lhe rendeu homenagens e uma bolsa de estudos, custeada por Nicolau de Campos Vergueiro, o Visconde de Vergueiro, para se aprimorar em Paris, onde ficou por quase um ano e frequentou o ateliê do mestre Rafaelli e a Academia Julian. Na Europa, realizou várias exposições de sucesso.

Em 1884, de volta à Santos, trouxe, na bagagem, um equipamento fotográfico e tornou-se pioneiro, no Brasil, em pintar a partir de fotografias.

Nos anos de 1886 e 1887, respectivamente, nasceram seus filhos Sizenando e Pedrina.

Em 1890, mudou-se para São Paulo.

Em 1897 voltou para o litoral e foi morar em uma casa construída por ele mesmo, em São Vicente. Produziu obras importantes para vários museus, entre eles o Museu do Ipiranga, em São Paulo, para inúmeras igrejas em todo o país, para associações, fundações, instituições, a exemplo da "Bolsa Oficial do Café", em Santos, onde uma de suas principais obras "A Fundação de Santos" ocupa uma parede inteira do salão principal, além de outras duas que também têm como tema o município de Santos e o vitral do teto com alegoria para os Bandeirantes.

Durante toda a sua trajetória produziu aproximadamente 700 obras, das quais 500 são catalogadas. Pintou marinhas, retratos, paisagens rurais, urbanas e obras religiosas. Estas últimas lhe renderam a Comenda de São Silvestre, outorgada pelo Papa Pio XI, em 1924.

Além da pintura se revelou como historiador, escritor e fotógrafo. Como historiador, resgatou a existência da então ignorada Capitania de Itanhaém, assim como sua importância na história da exploração e colonização do interior do Brasil, raças a minuciosas pesquisas a documentos seculares esquecidos em Itanhaém, São Vicente e São Paulo.

Benedito Calixto faleceu vítima de um infarto, no dia 31/05/1927, em São Paulo, na casa de seu filho Sizenando, para onde tinha ido com a intenção de comprar material para terminar duas telas para a Catedral de Santos. Foi enterrado no Cemitério do Paquetá, em jazigo perpétuo doado pela Prefeitura Municipal de Santos.

Suas duas últimas obras são intituladas "Noé" e "Melchisedech".

Foi homenageado na cidade de São Paulo com a Praça Benedito Calixto.

Paisagem Com Cruzeiro, 1920
Em Bocaina

Uma obra do acaso trouxeram as telas de Benedito Calixto para Bocaina, município do centro do Estado de São Paulo, hoje com 11 mil habitantes. A história registra que ele deveria pintar os seus quadros na Igreja Matriz de Jaú. Não houve acordo quanto ao preço e ele foi embora.

Em Bocaina, na época, estava o padre José Maria Alberto Soares. Ele gostaria de ter as telas do pintor em sua igreja e começou a escrever a Benedito Calixto, falando dessa vontade. Conseguiu sensibilizar o artista que veio a Bocaina e pintou as telas por um preço bem menor daquele que pedira em Jaú.

As obras podem ser consideradas o melhor da arte sacra pintada por Benedito Calixto, que por ter nascido e vivido em cidades litorâneas, pintou muitas marinhas. O próprio pintor considerava as telas "Salomé Recebe a Cabeça de João Batista" e "Transfiguração", como os seus melhores trabalhos sacros. Elas estão em Bocaina.

A 10/12/1923 começava seu último grande trabalho, a pintura dos quadros para a Matriz de São João Batista de Bocaina. Dominado pela ideia da morte próxima, dizia que nessa igreja seria o lugar onde se perpetuaria a sua derradeira arte.

Estátua de Benedito Calixto na Praça 22 de Janeiro - São Vicente, SP
Em São Carlos Exposição Permanente

Há uma exposição permanente "Benedito Calixto na Terra do Pinhal", com amplo panorama da vida e obra do célebre pintor brasileiro e trabalhos originais realizados por ele para o antigo Palácio Episcopal de São Carlos e que hoje pertencem ao acervo da municipalidade são-carlense, os quais são 8 afrescos que também estão na exposição.

A exposição é no Museu da Estação Cultura na Estação de São Carlos em São Carlos, de terça a sexta das 8:00 hs às 18:00 hs, e aos sábados, domingos e feriados, das 13:00 hs às 17:00 hs. A entrada é franca. O agendamento de grupos e escolas pode ser feito por telefone.

Auto-Retrato
Galeria de Pinturas

Fundação Pinacoteca Benedito Calixto, entidade sem fins lucrativos, localizada em um antigo casarão em estilo eclético e interior em Art Noveau à Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos, São Paulo, tem uma exposição permanente de obras de Benedito Calixto. Seu acervo é de cerca de 50 obras do pintor - marinhas, paisagens, retratos e nus, desenhados na Academia Julian, Paris. O local está aberto para visitação de terça a domingo das 14:00 hs às 19:00 hs. Grupos ou escolas, que quiserem monitoria, podem ser agendados. A Pinacoteca conta também com uma biblioteca, com acervo de livros de arte, e um Centro de Documentação sobre Benedito Calixto e sua obra.

Fonte: Wikipédia

Djanira da Motta e Silva

DJANIRA DA MOTTA E SILVA
(64 anos)
Pintora, Desenhista, Ilustradora, Cartazista, Cenógrafa e Gravadora

☼ Avaré, SP (20/06/1914)
┼ Rio de Janeiro, RJ (31/05/1979)

Djanira da Motta e Silva foi uma pintora, desenhista, ilustradora, cartazista, cenógrafa e gravadora brasileira. Nasceu em Avaré, SP, filha de Oscar Paiva e Pia Job Paiva foi registrada inicialmente como Dijanira e que mais tarde foi retificado pela artista em ação judicial. Seus familiares a tratavam como Dja.

Na década de 30 casou-se com Bartolomeu Gomes Pereira, um oficial da Marinha Mercante, que morreu na Segunda Guerra Mundial, quando passou a se chamar Djanira Gomes Pereira.

Aos 23 anos, foi internada com tuberculose no Sanatório Dória, em São José dos Campos, SP, onde fez seu primeiro desenho: um Cristo no Gólgota. Com a melhora, continuou o tratamento no Rio de Janeiro, e residiu em Santa Teresa, por causa do seu ar puro.

Em 1930, alugou uma pequena casa no bairro e instalou uma pensão familiar. Um de seus hóspedes, o pintor Emeric Marcier, a incentivou e lhe dar aulas de pintura. Djanira também frequentava, à noite, o curso de desenho no Liceu de Artes e Ofícios, Nesse período travava contato com o casal Árpád Szenes e Maria Helena Vieira da Silva, Milton Dacosta, Carlos Scliar, e outros que viviam em Santa Teresa e frequentavam o meio artístico.

Djanira com um primo, aos dois anos
No fim da década de 30, na capital fluminense, teve suas primeiras instruções de arte em curso noturno de desenho no Liceu de Artes e Ofícios e com o pintor Emeric Marcier, hóspede da pensão que Djanira instalou no bairro de Santa Teresa. Os contatos com os artistas Carlos Scliar, Milton Dacosta, Árpád Szenes, Maria Helena Vieira da Silva e Jean-Pierre Chabloz, frequentadores da pensão, proporcionaram um ambiente estimulador que a levou a expor no 48º Salão Nacional de Belas Artes, em 1942.

Em 1943, realizou sua primeira mostra individual, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Em 1945, viajou para New York, onde conheceu a obra de Pieter Bruegel e entrou em contato com Fernand Léger, Joan Miró e Marc Chagall. De volta ao Brasil, realizou o mural "Candomblé" para a residência do escritor Jorge Amado, em Salvador, BA, e painel para o Liceu Municipal de Petrópolis.

Entre 1953 e 1954, viajou a estudou na a União Soviética.

A sua pintura dos anos 40 é geralmente sombria, utiliza tons rebaixados, como cinza, marrom e negro, mas já apresenta o gosto pela disciplina geométrica das formas. Na década seguinte, sua palheta se diversifica, com uso de cores vibrantes, e em algumas obras trabalha com gradações tonais que vão do branco ao cinza claro. Apresenta em seus tipos humanos uma expressão de solene dignidade.

A artista sempre buscou aproximar-se dos temas de suas obras: no fim da década de 50, após convivência de seis meses, pintou os índios Canela, do Maranhão. Em 1950 em sua estada em Salvador, BA, ela conhece José Shaw da Motta e Silva, o Motinha, funcionário público, nascido em Salvador em 29/01/1920 e com ele se casou no Rio de Janeiro em 15/05/1952, mudando o nome para Djanira da Motta e Silva.


De volta ao Rio de Janeiro, tornou-se uma das líderes do Movimento Pelo Salão Preto e Branco, um protesto de artistas contra os altos preços do material para pintura.

Realizou em 1963, o painel de azulejos "Santa Bárbara", para a capela do túnel Santa Bárbara, Laranjeiras, Rio de Janeiro.

No ano de 1966, a editora Cultrix publicou um álbum com poemas e serigrafias de sua autoria.

Em 1977, o Museu Nacional de Belas Artes, realizou uma grande retrospectiva de sua obra.

Na década de 70, desceu às minas de carvão de Santa Catarina para sentir de perto a vida dos mineiros e viajou para Itabira para conhecer o serviço de extração de ferro.

Djanira trabalhou ainda com xilogravura, gravura em metal, e fez desenhos para tapeçaria e azulejaria. Em sua produção, destaca-se o painel monumental de azulejos para a capela do túnel Santa Bárbara no Rio de Janeiro.

Inicialmente nomeada como "primitiva", gradualmente sua obra alcançou maior reconhecimento da crítica. Como apontou o crítico de arte Mário Pedrosa (1900-1981), "Djanira é uma artista que não improvisa, não se deixa arrebatar, e, embora possuam uma aparência ingênua e instintiva, seus trabalhos são consequência de cuidadosa elaboração para chegar à solução final".

Djanira da Motta e Silva em 1967
Luto Em Avaré

"O prefeito Fernando Cruz Pimentel, decretou luto oficial por três dias em homenagem póstuma a Djanira da Motta e Silva, falecida em 31 de maio de 1979, quinta-feira, às 11:25 hs., no Hospital Silvestre, no Rio de Janeiro, vítima de enfarte. Contava com 65 anos. Seu médico particular era o Drº Nataliel Rodrigues.
A pintora manifestou em vida o desejo de ser enterrada descalça e com o hábito de irmã da Ordem Terceira do Carmo, instituição religiosa a que estava ligada nos últimos anos."

Djanira se tornou freira da Ordem das Carmelitas em 1972.

Em sua memória, foi criado em 31/05/2000 o Centro Cultural Djanira da Motta, pelo prefeito em exercício Joselyr Benedito Silvestre, instalado em meio a um bosque na área urbana, onde funcionou no passado a estatal agrícola CAIC. O local recebeu o nome da pintora Djanira, significando o tributo do município de Avaré à "maior artista avareense de todos os tempos", cujas telas ficaram mundialmente conhecidas por retratarem de forma genuína as cores do Brasil. O espaço abriga a Biblioteca Municipal Professor Francisco Rodrigues dos Santos.

No mesmo local foi criado em 02/04/2008 o Memorial Djanira da Motta e Silva mostra de objetos pessoais, obras e material de referência.

Obras Mais Conhecidas

  • 1958 - Painel de Santa Bárbara (Acervo do Museu Nacional de Belas Artes MNBA - RJ)
  • 1962 - Festa do Divino em Parati (Acervo do Palácio dos Bandeirantes)
  • 1944 - O Circo (Acervo da Funarte)
  • Senhora Sant'Ana de Pé (Acervo do Museu de Arte Moderna do Vaticano)
  • 1975 - Inconfidência (Acervo do Governo do Estado de Minas Gerais)
  • 1959 - Serradores (Coleção Roberto Marinho)
  • 1962 - Anjo Com Acordeão (Coleção Gilberto Chateaubriand - Museu Arte Moderna, RJ)
  • 1956 - Pescadores (Coleção embaixador Taylor)


Embarque de Bananas
Obras Em Avaré
Acervo do Museu Histórico e Pedagógico Anita Ferreira de Maria

  • 1957 - Embarque de Bananas (Óleo sobre tela)
  • Década de 40 - Sem Título (Óleo sobre tela)
  • 1967 - Viagem (Poema ilustrado)
  • 1967 - Canção (Poema ilustrado)
  • 1967 - Acalanto (Partitura musical para órgão)
  • 1967 - O Corvo (Poema ilustrado)
  • 1967 - Prelúdio Para o Motta (Partitura musical para órgão)
  • 1966 - Fabrico do Açúcar (Serigrafia)
  • Cafezal


Citações

Djanira da Motta e Silva nas palavras do amigo e escritor Jorge Amado:
"Djanira traz o Brasil em suas mãos, sua ciência é a do povo, seu saber é esse do coração aberto à paisagem, à cor, ao perfume, P'as alegrias, dores e esperanças dos brasileiros.
Sendo um dos grandes pintores de nossa terra, ela é mais do que isso, é a própria terra, o chão onde crescem as plantações, o terreiro da macumba, as máquinas de fiação, o homem resistindo à miséria. Cada uma de sua telas é um pouco do Brasil."

Djanira da Motta e Silva homenageada pelo poeta Paulo Mendes Campos:

Cantiga Para Djanira

O vento é o aprendiz das horas lentas,
Traz suas invisíveis ferramentas,
Suas lixas, seus pentes-finos,
Cinzela seus castelos pequeninos,
Onde não cabem gigantes contrafeitos,
E, sem emendar jamais os seus defeitos,
Já rosna descontente e guaia
De aflição e dispara à outra praia,
Onde talvez possa assentar
Seu monumento de areia - e descansar.

Fonte: Wikipédia

Alfredo Rizzotti

ALFREDO RULLO RIZZOTTI
(62 anos)
Pintor, Desenhista, Decorador, Gravador, Torneiro Mecânico e Mecânico

☼ Serrana, SP (15/08/1909)
┼ São Paulo, SP (12/05/1972)

Alfredo Rullo Rizzotti foi um pintor, desenhista e decorador brasileiro. Antes de se dedicar à arte, foi torneiro mecânico, mecânico de automóveis e fresador.

Entre 1924 e 1935, frequentou a Academia Albertina de Turim e a Escola Profissional de Novaresa, na Itália.

De volta ao Brasil, trabalhou como torneiro mecânico e mecânico de automóveis.

Em São Paulo, por volta de 1937, integrou o Grupo Santa Helena, formado por Aldo Bonadei (1906-1974), Francisco Rebolo (1902-1980), Mário Zanini (1907-1971) e Alfredo Volpi (1896-1988), entre outros, todos artistas de origem proletária que praticavam pintura, desenho e modelo vivo nas horas livres, e participou das exposições da Família Artística Paulista em 1939 e 1940.

Em 1942, foi premiado no Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e apresentou trabalhos no 8º Salão Paulista de Belas Artes, em São Paulo.

Apesar de sofrer intoxicações causadas pela alergia à tinta, continuou a pintar até o fim da vida.

Após sua morte, suas obras integraram várias mostras do Grupo Santa Helena: em São Paulo, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em 1975, no Museu de Arte Moderna (MAM/SP), em 1995, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em 1996, no Rio de Janeiro, entre outras.

Borjalo

MAURO BORJA LOPES
(79 anos)
Desenhista e Cartunista

* Pitangui, MG (15/11/1925)
+ Rio de Janeiro, RJ (18/11/2004)

Borjalo, pseudônimo de Mauro Borja Lopes, foi um desenhista e cartunista brasileiro, conhecido por seus personagens de traços simples, desenhados sem boca e, na maior parte das vezes, sem diálogo.

A carreira de Borjalo começou em Belo Horizonte, no jornal Folha de Minas. Logo ele passaria para O Diário de Minas e de lá para o Rio de Janeiro, onde foi colaborador das revistas A Cigarra, Manchete, O Cruzeiro e O Cruzeiro Internacional. Seus cartuns mais marcantes foram os que traziam mensagens ecológicas, assunto pouco abordado naqueles anos 50.

Ficou conhecido fora do Brasil ao ser incluído entre os sete maiores caricaturistas do mundo no Congresso Internacional de Humorismo, em 1955 na Itália, e passou a ter trabalhos publicados no exterior, em veículos como The New York Times e Paris Match. Pouco depois, foi apontado como um dos cinco maiores do mundo por outro mestre do desenho, o romeno naturalizado norte-americano Saul Steinberg.


Ainda nos anos 60, passou a trabalhar em televisão, integrando-se à equipe de Fernando Barbosa Lima na Esquire, agência de comunicação que realizava programas para as principais emissoras do país, como a TV Rio, TV Excelsior, TV Tupi, TV Itacolomi, entre outras.

Em 1966, deixou a Esquire e foi para a TV Globo, convidado pelo então diretor-geral da emissora, Walter Clark. Na TV Globo, Borjalo trabalhou 36 anos, primeiro como diretor de programas, depois diretor de criação, diretor-geral da Central Globo de Produção, e, finalmente, diretor de controle de qualidade. Foi um dos principais parceiros do executivo de produção e programação José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, na implantação do chamado "Padrão Globo de Qualidade".

Além de atuar na direção de televisão, Borjalo nunca deixou de desenhar. Mas adaptou seus desenhos à linguagem da TV. Nos anos 60 ilustrava os programas que dirigia com caricaturas de olhos e boca móveis, para dar a impressão de que "falavam". Atores e/ou locutores dublavam os bonecos. Os primeiros bonecos falantes, como o próprio Borjalo apelidou essas caricaturas em papel-cartão, apareceram no Jornal de Vanguarda da TV Excelsior, e o mais famoso deles foi a Zebrinha da TV Globo, criada em 1972 para divulgar os resultados da loteria esportiva.


Nos anos 90, já usando os recursos da computação gráfica, criou alguns "cartuns-eletrônicos" para as vinhetas de intervalo da TV Globo, os famosos "plim-plins".

Também participou, por muitos anos, dos "Debates Populares" do radialista Haroldo de Andrade, na Rádio Globo AM do Rio de Janeiro. BorjaloHaroldo de Andrade foram grandes amigos.

Borjalo foi casado com a autora e roteirista de novelas Marilu Saldanha com quem teve dois filhos, Helena e Gustavo.

Borjalo morreu no Rio de Janeiro, no dia 18/11/2004, aos 79 anos de idade, em decorrência de um câncer na boca.

Fonte: Wikipédia