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Naum Alves de Souza

NAUM ALVES DE SOUZA
(73 anos)
Artista Plástico, Autor, Cenógrafo, Diretor, Dramaturgo, Figurinista e Professor

☼ Pirajuí, SP (01/06/1942)
┼ São Paulo, SP (09/04/2016)

Naum Alves de Souza foi um artista plástico, autor, cenógrafo, figurinista, diretor, dramaturgo e professor brasileiro. Homem de teatro ligado a múltiplas atividades, não apenas no campo do teatro como também da televisão, cinema, ópera e balé.

Conquistou importantes prêmios teatrais brasileiros como o Moliére, Mambembe, APCA e Ziembinsky. Mereceu três prêmios, Serviço Nacional do Teatro (SNT), Mambembe e APCA, pelos figurinos e quatro prêmios Ziembinski, APCA, APETESP/Trófeu Zimba e Governador do Estado de São Paulo, pelo projeto cenográfico inspirado que concebeu para "Macunaíma" (1978), encenação de Antunes Filho (1978).

Pelo espetáculo "No Natal a Gente Vem Te Buscar" (1979) recebeu dois Moliéres: Direção e Autoria, e o Troféu APCA: Cenografia.

Em 2012, o curta-metragem "A Noite dos Palhaços Mudos", roteiro adaptado por Juliano Luccas e Naum, conquistou o prêmio de Melhor Filme Internacional no Festival Videobabel no Peru.

De formação religiosa presbiteriana, completou o curso colegial clássico em Lucélia, no interior paulista, e depois cursou apenas um mês numa faculdade paulistana de psicologia.

Mudou-se para São Paulo aos 18 anos de idade, onde, pouco depois, começou a dar aulas de educação artística e iniciação às artes plásticas para crianças e adolescentes. Mais tarde, por notório saber, deu aulas de cenografia na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

Em 1972, fundou o grupo teatral Pod Minoga, juntamente com seus alunos da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Carlos Moreno, Mira Haar, Flávio de Souza, Dionisio Jacob, Beto de Souza, Regina Wilke e Angela Grassi. Este grupo funcionou durante os anos 70, produzindo diversas montagens experimentais, causando furor e tornando-se um fenômeno cult.

Sua estreia profissional fora desse grupo se deu como cenógrafo e figurinista de "El Grande de Coca-Cola", um musical americano dirigido por Luíz Sérgio Person no Auditório Augusta, em 1974. Logo a seguir, executou os bonecos de "Vila Sésamo", programa infantil da TV Cultura de enorme sucesso, entre eles Garibaldo e Gugu.

Aos poucos vai se desdobrando em múltiplas atividades. Como autor escreveu e dirigiu "Maratona" (1977), "No Natal a Gente Vem Te Buscar" (1979), "A Aurora da Minha Vida" (1981), "Um Beijo, Um Abraço, Um Aperto de Mão" (1984).


Fazendo um perfil analítico sobre a produção teatral na década de 1980, escreveu o crítico Yan Michalski:

"A dramaturgia está sendo, sem dúvida, o elemento do teatro mais sacrificado [...] Apenas um autor de personalidade já claramente formada surgiu e firmou-se no panorama: Naum Alves de Souza, que através de uma interessante trilogia - 'No Natal a Gente Vem Te Buscar', 'A Aurora da Minha Vida', 'Um Beijo, Um Abraço, Um Aperto de Mão' - enfrenta corajosamente os seus fantasmas do passado, oriundos de uma formação pequeno-burguesa e religiosa, conservadora e preconceituosa."

Seguem-se "Nijinski", ainda em 1984, e "Suburbano Coração", com músicas de Chico Buarque, em 1989.

Através dessas realizações, Naum construiu uma sólida, reconhecida e premiada carreira como autor, que prosseguiu anos depois com "Água Com Açúcar" (1995), "Strippers" (1997), além de inéditas, entre as quais "Ódio a Mozart" e "As Festas do Amigo Secreto".

Como diretor, além de encenar seus próprios textos, destacou-se nas montagens de "Cenas de Outono", de Yukio Mishima, tendo Marieta Severo à frente do elenco, em 1987, "Lulu", de Frank Wedekind, com Maria Padilha no papel central, em 1989, "Longa Jornada de Um Dia Noite Adentro", de Eugene O'Neill, com Sérgio Britto e Cleyde Yáconis, em 2002. No ano seguinte, dirigiu "A Flor do Meu Bem Querer", de Juca de Oliveira, superprodução sobre corrupção política no Brasil, em 2003.

Sua colaboração para espetáculos alheios, na direção, roteirização, cenografia e figurinos é igualmente insuflada de criatividade, exemplo disso são os cenários e figurinos de "Falso Brilhante", show de Elis Regina, e, sobretudo, "Macunaíma", espetáculo internacionalmente consagrado, dirigido por Antunes Filho, em 1978.

Em 1983, roteirizou "O Grande Circo Místico", espetáculo de dança sobre trilha sonora de Chico Buarque e Edu Lobo, dirigido por Emílio Di Biasi para o Teatro Guaíra de Curitiba. Adaptou e dirigiu "Dona Doida", sobre poemas de Adélia Prado, espetáculo consagratório da atriz Fernanda Montenegro, em 1990. No mesmo ano, fez ainda a adaptação de texto e direção de "Big Loira", contos de Dorothy Parker, em montagem que destacou Cristina Mutarelli.


Em 1997, fez a direção cênica do espetáculo de dança "Muito Romântico", novas versões das canções do Roberto Carlos, com coreografias de Susana Yamauchi, em parceria com João Maurício, espetáculo que faz consecutivas viagens ao exterior.

Na área da ópera criou "Ópera do 500", "Os Pescadores de Pérolas" e "King Arthur", no Teatro Municipal de São Paulo, "Janufa", de Leos Janácek, além de versões compactas para "Carmen" e "Mme. Butterfly".

Na área da dança criou alguns espetáculos memoráveis, especialmente para o desempenho de J. C. Violla, entre os quais "Senhores das Sombras", "Valsa Para Vinte Veias", "Flippersports", "Petruchka", "Salão de Baile" e "Doze Movimentos Para Um Homem Só".

Naum escreveu o roteiro de "Romance da Empregada", filme de Bruno Barreto, em 1986. Na TV, dirigiu um sitcom à brasileira, "A Guerra dos Pintos", na TV Bandeirantes, em 1999.

Naum escreveu artigos para as revistas Vogue, Claudia, Revista do SESC, entre outras. Durante quase três anos teve uma coluna semanal de contos / crônicas no Diário Popular.

Em 2000 foi co-cenógrafo da exposição "Brasil 500 Anos" - módulos de arqueologia, arte indígena e bio-antropologia, realizada no Oca, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Em 2005, dirigiu a remontagem da ópera "Os Pescadores de Pérolas" no Teatro Municipal de São Paulo.

Em 2012, esteve internado num hospital por complicações causadas por miastenia, uma doença neuromuscular.

Em 2015 Naum lançou livro de contos "Tirando a Louca do Armário & Outras Histórias".

Morte

Naum Alves de Souza morreu no sábado, 09/04/2016, aos 73 anos. O velório ocorreu no Cemitério Gethsêmani, em São Paulo, no dia 10/04/2016, a partir das 9h00, e o sepultamento ocorreu às 17h00.

A causa da morte de Naum não foi divulgada.

Indicação: Miguel Sampaio

Barbara Heliodora

HELIODORA CARNEIRO DE MENDONÇA
(91 anos)
Diretora, Crítica e Professora Teatral, Roteirista, Figurinista, Tradutora e Ensaísta

* Rio de Janeiro, RJ (29/08/1923)
+ Rio de Janeiro, RJ (10/04/2015)

Heliodora Carneiro de Mendonça, ou Barbara Heliodora, foi diretora crítica e professora teatral, roteirista, figurinista, tradutora, ensaísta e uma das maiores autoridades brasileiras da obra de William Shakespeare. Era filha do historiador Marcos Claudio Philippe Carneiro de Mendonça e e da poetisa Anna Amelia de Queiroz Carneiro de Mendonça.

Barbara Heliodora fez o Bacharelado em Língua e Literatura Inglesas no Connecticut College, nos Estados Unidos, e o Doutorado em Artes na Universidade de São Paulo (USP). Começou a carreira como jornalista aos 35 anos. Nessa época, estreou na crítica teatral por insistência de seus amigos que trabalhavam no meio e conheciam sua admiração pela arte.

Pela relevância de seu trabalho, ao longo de sua carreira recebeu o título de Oficial da Ordre des Arts et des Lettres, da França, a Medalha Connecticut College, nos Estados Unidos e a Medalha João Ribeiro, da Academia Brasileira de Letras (ABL), em 2005, pelos serviços prestados à cultura brasileira. Era Professora Titular aposentada da Universidade do Rio de Janeiro (UNI-RIO) e Professora Emérita da mesma Universidade.

Entre suas atividades profissionais, exerceu sobretudo o ofício de crítica teatral, mas desempenhou outros papéis no cenário cultural nacional, entre os quais o de diretora do Serviço Nacional de Teatro (1964-1966); o de fundadora e duas vezes presidente do Círculo Independente de Críticos Teatrais (RJ-SP); de membro do júri do Prêmio Molière, desde sua criação até a extinção, membro do júri do Prêmio Mambembe; integrante da equipe de jurados para as bolsas da Rio-Arte na área de teatro e membro de júris de incontáveis outras premiações.


Exerceu também a atividade de tradutora, tendo em seu currículo a publicação em português de cerca de 40 livros de vários gêneros e autores de língua inglesa e um mesmo número de peças de teatro de autores diversos além de, como especialista da obra de William Shakespeare, ter traduzido boa parte das peças do "bardo".

Barbara Heliodora tornou-se uma das mais respeitadas especialistas em Shakespeare do país. Sua paixão pelo dramaturgo inglês começou na infância e, segundo a própria Barbara Heliodora, continuou por toda a vida: ela dizia que Shakespeare foi um grande e fiel amigo.

Entre suas obras, destacam-se os livros: "A Expressão Dramática do Homem Político em Shakespeare", "Falando de Shakespeare" e "Martins Pena, Uma Introdução".

Participou de publicações coletivas, tendo escrito capítulos ou artigos em livros como "A História da Cultura no Brasil" (MEC); "A Era do Barroco" (MNBA); "Theatre Companies Of The World" (Kullman & Young); "Escenarios de dos Mundos" (Centro de Documentación Teatral, Espanha); e freqüentemente teve artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais, entre os quais citam-se o Shakespeare Survey; o Shakespeare Quarterly; o Shakespeare Bulletin; a revista Bravo!; a revista República; e os jornais Estado de São Paulo e Folha de São Paulo.

Como crítica, era admirada e temida: "Eu me indispus com muita gente", dizia. "Mas agora passo por cima de tudo isso. Não tenho rancores. Só projetos", disse em 2014 em entrevista a revista Época.

Barbara Heliodora se aposentou no final de 2013, quando anunciou que abandonaria a coluna que mantinha no jornal O Globo. Pretendia continuar trabalhando como tradutora.

Morte

Bárbara Heliodora morreu na manhã de sexta-feira, 10/04/2015, aos 91 anos, no hospital Samaritano, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ela estava internada desde o dia 21/03/2015. Ela deixou três filhas e quatro netos.

Fonte: Instituto de Artes Unicamp e Época
Indicação: Fadinha Veras

Viriato Ferreira

VIRIATO FERREIRA
(62 anos)
Figurinista e Carnavalesco

* Rio de Janeiro, RJ (24/04/1930)
+ Rio de Janeiro, RJ (12/09/1992)

Viriato Ferreira foi um figurinista e carnavalesco brasileiro. Trabalhou para Teatro de Revista durante muitos anos. Foi lá que aprendeu a criar figurinos que eram ao mesmo tempo leves, cômodos e de grande efeito visual, características que marcariam seus trabalhos como carnavalesco de grandes escolas de samba cariocas. Mas sua ligação com o carnaval começou quando desfilava como destaque pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro.

Durante alguns anos colaborou com seu trabalho para o sucesso de Joãosinho Trinta no Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor, mas foi no Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela e no Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense que pode assumir o posto de carnavalesco e desenvolver enredos inesquecíveis como "Hoje Tem Marmelada" (Portela, campeã de 1980) e "O Que É Que A Banana Tem" (Imperatriz Leopoldinense, 1991).

Em 2009, foi homenageado num dos setores do desfile da Imperatriz Leopoldinense, que levava à Passarela do Samba o enredo "Imperatriz.... Só Quer Mostrar Que Faz Samba Também!"

Viriato Ferreira no barracão da Imperatriz Leopoldinense
Carnavais de Viriato Ferreira

  • 1979 - "Incrível, Fantástico, Extraordinário" (GRES Portela)
  • 1980 - "Hoje Tem Marmelada" (GRES Portela)
  • 1981 - "Das Maravilhas Do Mar Fez-se O Esplendor De Uma Noite" (GRES Portela)
  • 1982 - "Meu Brasil Brasileiro" (GRES Portela)
  • 1991 - "O Que É Que A Banana Tem" (GRES Imperatriz Leopoldinense)
  • 1992 - "Não Existe Pecado Abaixo Do Equador" (GRES Imperatriz Leopoldinense - Junto com Rosa Magalhães)
  • 1993 - "Marquês Que É Marquês Do Saçarico É Freguês" (GRES Imperatriz Leopoldinense - Junto com Rosa Magalhães)

Fonte: Wikipédia

Clóvis Graciano

CLÓVIS GRACIANO
(81 anos)
Pintor, Desenhista, Cenógrafo, Figurinista, Gravador e Ilustrador

* Araras, SP (29/01/1907)
+ São Paulo, SP (29/06/1988)

Clóvis Graciano nasceu em Araras, São Paulo, em 1907. Em 1927, iniciou sua carreira artística, pintando tabuletas, carros e sinalizações da Estrada de Ferro Sorocabana, em Conchas, no interior paulista. Na década de 1930 começa a pintar, sempre como autodidata, com grande interesse pelas tendências modernas, com as quais travou contato através de publicações e álbuns.

Em 1934, faz suas primeiras pinturas a óleo e aquarela, freqüentando o atelier de Valdemar da Costa e o curso livre da Escola Paulista de Belas-Artes, embora sem aceitar orientação de professores. Transferiu-se para São Paulo, como fiscal do consumo, passando a partir daí a dividir seu tempo entre o emprego e a arte, com evidentes vantagens para a última, tanto que dez anos depois foi demitido por abandono de emprego.

Ligou-se a partir de 1935 a Rebôlo Gonzales e Mário Zanini, integrantes do chamado Grupo Santa Helena.

Alfredo Mesquita e Clóvis Graciano no cenário da peça Fora da Barra (São Paulo, 1944)  - Roberto Maia
Em 1937, já tendo travado contato com a arte de Alfredo Volpi, Clóvis Graciano instala-se no Palacete Santa Helena e integra, então, o Grupo Santa Helena, com os artistas Francisco Rebôlo, Mario Zanini, Aldo Bonadei, Fulvio Pennacchi, Alfredo Rizzotti, Humberto Rosa e outros, além do próprio Alfredo Volpi. Começou a participar de coletivas, quando expôs no I Salão da Família Artística de São Paulo, do qual foi um dos fundadores. Desde então, participou de diversos Salões Oficiais e Coletivas, conquistando o prêmio de viagem ao exterior no Salão Nacional de Belas Artes, Divisão Moderna, seguindo para a Europa em 1949 e retornando em 1951.

A partir dos anos 50, dedicou-se ao muralismo, executando cerca de 120 painéis pelo estado de São Paulo, e à cenografia e indumentária teatral, trabalhando para o Grupo de Teatro Experimental, Grupo Universitário de Teatro e Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Mário de Andrade destacou na pintura de Clóvis Graciano "o peso em luta com a leveza, a efusão dramática do movimento".

Fez amizade com Cândido Portinari e, ao final da década de 1940, foi estudar em Paris, onde aprendeu técnicas de produção de murais, inclusive com mosaicos. Ao retornar ao país, realizou diversos painéis: Em 1962 o mural "Armistício de Iperoig", na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP); o painel "Operário", na Avenida Moreira Guimarães (1979), murais na Avenida Paulista e no edifício do Diário Popular, entre outros.


Em 1971, exerceu a função de diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo, e presidente da Comissão Estadual de Artes Plásticas e do Conselho Estadual de Cultura.

Além da pintura, Clóvis Graciano dedicou-se a diversas atividades paralelas, lecionando cenografia na Escola de Arte Dramática de São Paulo (EAD), e ilustrando jornais, revistas e livros, principalmente nos anos 1980.

No decurso de toda a sua carreira, Clóvis Graciano permaneceu fiel ao figurativismo, jamais tendo sequer de leve sentido a sedução pelo abstracionismo. Tratou constantemente de temas sociais, como o dos retirantes, além de temas de músicos e de dança.

Suas obras figuram em museus e coleções particulares do Brasil e do exterior.

Flávio Império

FLÁVIO IMPÉRIO
(49 anos)
Arquiteto, Artista Plástico, Cenógrafo, Figurinista, Diretor, Professor e Pintor

* São Paulo, SP (19/12/1935)
+ São Paulo, SP (07/09/1985)

Suas experiências na pintura evidenciam o aprendizado da linguagem modernista. Em 1956, entrou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) e, concomitantemente, trabalhou como cenógrafo, figurinista e diretor no grupo de teatro amador da Comunidade de Trabalho Cristo Operário, na periferia de São Paulo.

Em 1958, passou a integrar o Teatro de Arena. No ano seguinte, estreou como cenógrafo do grupo em Gente Como a Gente, dando início à parceria artística com Augusto Boal. Em 1960, concebeu os cenários e figurinos de "Morte e Vida Severina" para o Teatro Experimental Cacilda Becker, fazendo uso dos tecidos, das técnicas artesanais e referências à cultura brasileira. Começou em 1962 a trabalhar para o Teatro Oficina, de José Celso Martinez Corrêa.

No Teatro Oficina, participou de "Um Bonde Chamado Desejo", "O Melhor Juiz: o Rei e Andorra", entre outros projetos. Teve ainda importantes realizações no Teatro Arena, como "Arena Conta Zumbi" (1965) e "Arena Conta Tiradentes" (1967). Em 1968, dirigiu e cenografou "Os Fuzis de Dona Tereza", adaptação da obra de Brecht para o Teatro da Universidade de São Paulo (TUSP) e fora do Teatro Oficina, mas ao lado de Zé Celso, criou o cenário e o figurino de "Roda Viva", em que estão presentes o colorido e as referências à cultura pop do Tropicalismo.

Na década de 1970, deu início à parceria com Fauzi Arap em espetáculos teatrais e musicais. Realizou trabalhos elogiados em "Labirinto: Balanço da Vida", "Pano de Boca" e "Um Ponto de Luz", textos e direção de Fauzi Arap, e, também com direção deste, cenografou espetáculos musicais entre os quais se destacam os trabalhos com Maria Bethânia.

Foi professor da Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/USP), entre 1962 e 1966. Lecionou, entre 1962 e 1977, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), escola na qual voltou a dar aulas em 1985. Entre 1964 e 1967, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), e na Faculdade de Belas Artes de São Paulo, entre 1981 e 1985. No fim da década de 1970 e inicio dos anos 1980, Flávio Império retomou sua atividade como artista plástico, além de desenvolver projetos para o Teatro Popular do Sesi (TPS) como os cenários de "A Falecida" (1979), e de "Chiquinha Gonzaga, Ó Abre Alas" (1983).

Comentário Crítico

Flávio Império era um dos cenógrafos responsáveis, entre as décadas de 1960 e 1980, pela transição do estilo decorativo (voltado simplesmente à ambientação temporal e espacial da peça, acrescido da ideia de "embelezamento") para uma cenografia não-ilusionista, na qual os cenários e objetos evidenciam suas funções simbólicas e estruturais. O trabalho era desenvolvido em conjunto com o diretor e fazia parte de um processo elaborado com base no conceito da encenação. A cenografia passou a refletir uma ideia  ajudou a contar uma história e foi criada simultaneamente aos ensaios e concepção da montagem. O ator e sua presença em cena tinham grande importância para a definição do projeto. Os espetáculos eram encenados em vários espaços e de diferentes formas de acordo com a proposta e muitas vezes se transcendia os limites do palco italiano, em busca de uma maior comunicação com o público.

As obras de Flávio Império em cenografia, figurino e direção mostravam uma pluralidade de linguagens, encaminhamentos e pesquisas. Inicialmente, seus trabalhos faziam referências às ideias de Bertolt Brecht, e essa influência tornou-se cada vez mais frequente em seus projetos, nas décadas de 1960 e 1970. Não existia mais a preocupação em esconder as estruturas e os processos de construção, tanto do espaço cênico quanto dos objetos.

O conjunto das produções de Flávio Império podia ser dividido em três fases: o início, no Teatro de Arena e sob influência de Augusto Boal; a parceria com José Celso e o Teatro Oficina, que lhe permitiu, especialmente a partir da segunda metade da década de 1960, a junção de técnicas cenográficas artesanais - e muitas vezes rústicas - ao ideário do Tropicalismo; e as décadas de 1970 e 1980, quando, tendo já desenvolvido pesquisas estéticas bastante pessoais, Flávio Império as aplicou não apenas no teatro, mas também em shows musicais, contribuindo para modificar a visualidade desses espetáculos.


O trabalho no Teatro Arena foi marcado, antes de mais nada, pela necessidade de reelaboração da cenografia em função da própria disposição espacial circular: tendo para trabalhar não um palco italiano, espécie de "caixa" que facilitava a criação de uma cenografia ilusionista e decorativa, mas um palco em que os atores estavam cercados pelo público, o cenógrafo foi obrigado a repensar o espaço e a utilizar objetos que fossem ao mesmo tempo simbólicos e funcionais. Flávio Império traduziu essa necessidade na utilização de praticáveis, que ganharam funções diversas conforme a demanda da peça, de cores e de objetos de cena carregados de grande valor dramático, isto é, capazes de condensar determinadas características de situações ou personagens.

Foi então que o artista começou a trabalhar com a escassez de recursos como possibilidade criativa, incorporando-a a seus projetos posteriores. Em "Morte e Vida Severina", espetáculo para palco italiano, utilizou tecidos crus tingidos (não apenas nas roupas mas também nos cenários) e objetos (máscaras, por exemplo) que apontavam para a força expressiva e a aridez encontradas na pintura modernista de artistas como Cândido Portinari, principalmente na sua série "Retirantes".

A liberação do ilusionismo reforçou a possibilidade de reinvenção dos espaços cênicos tradicionais mesmo em trabalhos realizados com bons recursos financeiros. É o caso de "Depois da Queda" (1964), em que o palco foi configurado como uma série de planos superpostos que remetiam à fragmentação da própria consciência do protagonista. Em trabalhos com o Teatro Oficina, como "Os Inimigos" (1966), apareciam também a utilização de elementos tradicionais, porém de maneira absolutamente crítica.

Mas é principalmente a partir de "Roda Viva" (1968) que Flávio Império incorporou o colorido e fontes da cultura popular que doravante apareciam como marcas de sua obra. O espetáculo, inspirado no movimento tropicalista, era inovador tanto na forma despudorada de abordar a cultura nacional quanto em termos espaciais (com a presença de uma passarela pela qual os atores "penetravam" na plateia). A revisão dos limites entre palco e plateia perpassava também o trabalho de Flávio Império como diretor: no mesmo ano, em "Os Fuzis de Dona Tereza", a plateia era invadida por um coro de atores que usava matracas em lugar de vozes. Flávio Império buscou com esse coro representar o povo brasileiro que vivia os dilemas da protagonista, divido entre o apoio ou não ao regime político, com essa mudança de foco do individual para o coletivo a intenção era mostrar o drama nacional, fazendo um paralelo com a situação do Brasil, na época.

Sylvia Ficher e Flávio Império
Em "Roda Viva" também aparecia outra característica marcante do trabalho de Flávio Império na década de 1970: a assemblage (colagem ou ajuntamento de figuras, objetos e elementos visuais, criando efeitos através do acúmulo - como num "amontoado" - ou da simples disposição espacial, como nas instalações das artes plásticas). Espetáculos como "Réveillon" (1975) e "Pano de Boca" (1976) ilustram bem este aspecto: em "Réveillon", o cotidiano de uma família de classe média era representado em seu caráter opressivo e sobrecarregado de signos, medos e limitações; cenograficamente, isso se traduzia em um apartamento feito de amontoados de jornais, móveis e utensílios, protegendo e sufocando a vida familiar. Em "Pano de Boca", foram unidos em assemblage, dentro de um galpão-teatro, objetos que remetiam a um passado teatral de glórias, mas absolutamente decadente - o que refletia também a situação do meio teatral brasileiro setentista, que sofria com o exílio de importantes criadores, a falta de perspectivas e a opressão da censura.

Tecidos utilizados em todas as suas possibilidades cromáticas e espaciais; luxo e "lixo" (despojos da cultura nacional) atrelados como reflexo da nossa brasilidade; inventividade na organização do espaço; pesquisa contínua de materiais alternativos: são esses os elementos que, já na década de 1970, fizeram de Flávio Império um dos nossos maiores cenógrafos. Tal maturidade artística aparecia não apenas no teatro, em espetáculos como "A Falecida" (1979), que compartimentava o palco italiano em diversos ambientes basculantes e interligados, mas também nos shows. Em trabalhos com grandes nomes da música popular como Maria Bethânia e o grupo Doces Bárbaros, o artista transformava as antigas apresentações inspiradas em recitais eruditos e em orquestras de baile em verdadeiros espetáculos visuais, carregados de teatralidade e plasticidade.

Tais aspectos aparecem cristalizados, enfim, nas obras dos últimos anos de vida do artista, tais como "Patética" (1980); "Chiquinha Gonzaga: Ó Abre Alas" (1983) - com cenários e figurinos inspirados nos antigos e modernos carnavais de rua; e "O Rei do Riso" (1985). A última realização do artista foi a cenografia de um espetáculo de sua mais fiel parceira no meio musical: Maria Bethânia, no show "20 Anos de Paixão".

Flávio Império morreu perto de completar 50 anos, no Hospital do Servidor Público Estadual, vitimado por uma infecção bacteriana nas meninges causada pela AIDS.



Santa Rosa

TOMÁS SANTA ROSA
(47 anos)
Cenógrafo, Artista Gráfico, Ilustrador, Pintor, Gravador, Decorador, Figurinista, Professor e Crítico de Arte

* João Pessoa, PB (20/09/1909)
+ Nova Délhi, Índia (29/11/1956)

Tomás Santa Rosa, também conhecido por Santa Rosa, tornou-se famoso em meados do século XX, época em que assinava com as iniciais SR as ilustrações das capas de alguns dos escritores mais importantes daquela geração. Os mais próximos o chamavam simplesmente de "Santa".

É reconhecido principalmente como cenógrafo, ou melhor, o primeiro cenógrafo moderno brasileiro, porém a atividade a qual se dedicou ao longo de sua vida foi a de ilustrador de livros. Entretanto o seu trabalho no ramo dos livros não era apenas ilustrá-los, era mais do que isso. Ele desenvolvia identidades visuais para os livros, ou seja, fazia um planejamento visual para estabelecer uma unicidade às publicações de determinada editora. Atualmente, o profissional que exerce esse tipo de atividade é o designer gráfico.

Como cenógrafo criou o espaço cênico para o espetáculo "Vestido de Noiva" (1943), de Nelson Rodrigues, trabalho que revolucionou a concepção cenográfica do Brasil. Como designer gráfico projetou e também ilustrou livros para a Livraria José Olympio Editora. Entre os autores dos livros estavam José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade. Como pintor, auxiliou Cândido Portinari na preparação de diversos murais.


Vida

Tomás Santa Rosa nasceu na cidade de João Pessoa, capital do estado da Paraíba. Quando criança estudou piano e fez parte de um coral. Quase na casa dos 20 anos já trabalhava como contabilista. Nessa época passou no concurso público para ocupar cargo de mesma função no Banco do Brasil. Já contratado, foi transferido para a cidade de Salvador, BA. De lá foi para a cidade de Maceió, AL, onde participou do movimento intelectual local.

Tomás Santa Rosa não tinha formação acadêmica, era autodidata.

Em 1932, mudou-se para o Rio de Janeiro, então a capital do Brasil e o local de concentração de artistas e intelectuais do todo país. Naquele período o país vivia um momento de explosão do mercado editoral e de valorização artística.

Tomás Santa Rosa morreu aos 47 anos durante uma viagem a Índia para participar, primeiro, como representante do Brasil na Conferência Internacional de Teatro, em Bombaim, depois, como observador da 9ª Conferência Geral da Unesco Para a Educação, a Ciência e a Cultura, em Nova Délhi.

Meninas Lendo (Óleo Sobre Tela)

Alguns Projetos Gráficos de Livros

Seu primeiro projeto gráfico foi para o livro "Cahétes" de Graciliano Ramos, em 1933, Livraria Schmidt Editora.


Alguns Projetos Para Ariel Editora:

Alguns Projetos Para Livraria José Olympio Editora:

Alguns Cenários:
  • 1937 - "Ásia", de Henri-René Lenormand, Rio de Janeiro, RJ
  • 1942 - "Orfeu", de Jean Cocteau, Rio de Janeiro, RJ
  • 1943 - "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues
  • 1944 - "Pelleas e Melisanda", de Maurice Maeterlink, Rio de Janeiro, RJ
  • 1953 - "A Falecida", de Nelson Rodrigues, Rio de Janeiro, RJ
  • 1954 - "Senhora dos Afogados", de Nelson Rodrigues

Algumas Pinturas:
  • "Pescadores", s.d.; óleo s/ tela, c.i.d.; 60 x 80 cm - Coleção Particular
  • 1940 - "Meninas Lendo", 1940; óleo s/ tela, c.i.d.; 72 x 84 cm
  • 1943 - "Pescadores", óleo s/ tela, c.i.d.; 54 x 64,9 cm - Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ)
  • 1945 - "Na Praia", óleo s/ tela, c.i.d.; 64,5 x 80 cm
  • 1948 - "O Vento", óleo s/ madeira, c.i.d.; 46 x 55 cm
  • 1950 - "Cabeça", óleo s/ tela, c.s.d.; 70 x 60 cm
  • 1950 - "Duas Mulheres", óleo s/ tela, c.i.d.; 56 x 47 cm
  • 1955 - "Mulheres na Praia", óleo s/ tela; 50 x 68 cm

Fonte: Wikipédia

Gianni Ratto

GIANNI RATTO
(89 anos)
Ator, Diretor, Cenógrafo, Iluminador, Figurinista e Escritor

* Milão, Itália (27/08/1916)
+ São Paulo, SP (30/12/2005)

Gianni Ratto foi um diretor, cenógrafo, iluminador, figurinista, tradutor, escritor e ocasionalmente, ator. Contribuiu ativamente para a reconstrução do teatro de seu país no pós-Guerra.

Gianni Ratto nasceu em Milão, Itália em 27 de agosto de 1916, mas viveu até a juventude em Gênova, com a mãe, Maria Ratto, pianista e professora de canto lírico. Na escola primária era chamado de "bastardo" por não levar o nome do pai, de quem Maria Ratto se separou quando era muito pequeno e passou a sustentá-lo sozinha através de seu trabalho com a música. Foi assim que Gianni Ratto teve seu primeiro contato com a arte: não apenas com a música, como também com a cenografia, pois foi uma aluna de sua mãe, filha de Gordon Craig, que o levou, pela primeira vez, ao ateliê do cenógrafo - experiência que o marcaria por toda a vida.

Começou a trabalhar no campo das artes e da cultura muito jovem. Enquanto ainda estudava no Liceu Artístico, conseguiu um estágio com Mario Labò, renomado arquiteto genovês que tornou-se seu grande amigo e mestre. Inscreveu-se, também, em diversos concursos organizados pelo governo nas áreas de cenografia e cinema, obtendo êxito em vários deles e terminando por conseguir uma bolsa de estudos para cursar Direção no Centro Experimental de Cinema de Roma.

Estudou também Arquitetura no Politécnico de Milão, mas foi obrigado a abandonar tudo em função do início da Segunda Guerra Mundial, que ocorreu enquanto prestava o Serviço Militar obrigatório. Não concordando com a posição de seu país, desertou do exército italiano e fugiu para a Grécia, onde viveu com camponeses por dois anos, passando todo tipo de necessidade, até o término da Guerra.

Em 1946 mudou-se para Milão e começou, junto com o amigo da escola de oficiais Paolo Grassi, a fazer teatro como cenógrafo. Trabalhando, a partir daí, em todas as vertentes do espetáculo (teatro dramático e lírico, musical, dança e revista), sua carreira teve uma rápida evolução que culminou com a fundação do Piccolo Teatro de Milão, ao lado de Grassi e Giorgio Strehler, e o trabalho como cenógrafo e vice-diretor artístico do Teatro Alla Scala de Milão.

Tornou-se um dos cenógrafos mais respeitados da Europa, e colaborou ativamente para o pensamento artístico de seu tempo, escrevendo artigos para revistas especializadas e dando palestras. Foi figura-chave na reconstrução do teatro italiano no pós-Guerra, trabalhando ao lado de grandes artistas, como Maria Callas, Herbert Von Karajan, Mitropoulos e Igor Stravinski. Após alguns anos de trabalho ininterrupto, começou a sentir uma estagnação e ao mesmo tempo uma vontade de explorar novas possibilidades dentro do teatro, como a direção.

Em 1954, Maria Della Costa e Sandro Polloni, que estavam prestes a inaugurar seu teatro em São Paulo, foram à Itália convidar Gianni Ratto para cenografar - e dirigir - o espetáculo de inauguração do Teatro Maria Della Costa - "O Canto da Cotovia", de Jean AnouilhGianni Ratto aceitou o convite, e acabou apaixonando-se pelo Brasil e mudando-se para cá. Chegou aqui quando o teatro verdadeiramente brasileiro estava começando a surgir, e foi esta possibilidade de construção de algo novo que o encantou. Foi grande incentivador da dramaturgia nacional, pesquisando autores e montando textos não valorizados à época, como "A Moratória", de Jorge Andrade e "O Mambembe", de Artur Azevedo, que obtiveram grande êxito.

Trabalhou brevemente no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e organizou um departamento de teatro para o Museu de Arte de São Paulo (MASP). Fundou e dirigiu companhias teatrais estáveis, como o Teatro dos Sete, em 1958, com Fernanda MontenegroFernando TorresSérgio Britto e Ítalo Rossi, que teve um trabalho altamente premiado, e o Teatro Novo, nos anos 1970, um teatro/escola que abrigava um elenco permanente, um corpo de baile e uma orquestra de câmara - iniciativa fechada pela ditadura militar.

Através de seu trabalho e dos conhecimentos que trouxe, participou como formador de pelo menos três gerações de artistas e técnicos teatrais brasileiros. Atuou também, formalmente, como professor, em vários cursos ministrados em diversas escolas e centros culturais como Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo, Conservatório Nacional de Teatro, Universidade da Bahia, entre outros.

Gianni Ratto realizou inúmeras montagens teatrais e operísticas, exercendo diversas funções na construção da cena: direção, iluminação, cenário e figurino, o que fez dele um verdadeiro "homem de teatro". Trabalhou também, como tradutor de textos teatrais, articulista para jornais e revistas, e autor de prefácios e textos para livros. Foi, ocasionalmente, ator, como no filme "Sábado", de Ugo Giorgetti, e na série de TV "Anarquistas Graças a Deus".

Aos oitenta anos tornou-se escritor na língua portuguesa, publicando seu primeiro livro, uma autobiografia, "A Mochila do Mascate". Publicou também "Antitratado de Cenografia", "Crônicas Improváveis", "Noturnos" e "Hipocritando".

Recebeu inúmeros prêmios ao longo dos anos, e em 2003 recebeu o Prêmio Shell por sua contribuição para o teatro brasileiro.

Gianni Ratto faleceu em 30 de dezembro de 2005 em São Paulo, aos 89 anos de idade.


Espetáculos Encenados

Em mais de cinqüenta anos de carreira teatral, Gianni Ratto exerceu funções de diretor, cenógrafo, figurinista e iluminador. A seguir alguns dos espetáculos em que atuou como diretor.
  • 1955 - "Com a Pulga Atrás da Orelha", de Georges Feydeau
  • 1955 - "A Moratória", de Jorge de Andrade
  • 1955 -  "A Ilha dos Papagaios", de Sérgio Tófano
  • 1956 - "Eurídice", de Jean Anouilh
  • 1959 - "O Mambembe", de Arthur Azevedo
  • 1960 - "A Profissão da Srª Warren", de George Bernard Shaw
  • 1960 - "Cristo Proclamado", de Francisco Pereira da Silva
  • 1960 - "Com a Pulga Atrás da Orelha", de Georges Feydeau
  • 1961 - "Apague Meu Spotlight", de Jocy de Oliveira
  • 1966 - "Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come", de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Goullart para o Grupo Opinião
  • 1975 - "Gota D´Água", de Chico Buarque de Hollanda e Paulo Pontes
  • 1996 - "Morus e Seu Carrasco", de Renato Gabrielli

Livros Publicados

  • 1996 - "A Mochila do Mascate", uma coletânea de escritos e fragmentos de memória.
  • 1999 - "Antitratado de Cenografia - Variações Sobre o Mesmo Tema"
  • 2002 - "Crônicas Improváveis" (Ficção)
  • 2005 - "Noturnos" (Ficção)

Documentário

  • 2006 - "A Mochila do Mascate", documentário dirigido por Gabriela Greeb, com roteiro da diretora juntamente com Antônia Ratto (filha de Gianni Ratto e produtora executiva) - O filme traz uma série de depoimentos de Fernanda Montenegro, Millôr Fernandes, Maria Della Costa e Dário Fo, alternados com depoimentos do próprio Gianni Ratto e trechos filmados de uma viagem que o diretor/cenógrafo fez com a filha à Itália, já nos últimos anos de vida.

Fonte: Instituto Gianni Ratto e Wikipédia

Darcy Penteado

DARCY PENTEADO
(61 anos)
Desenhista, Artista Plástico, Pintor, Escritor, Cenógrafo, Figurinista, Autor Teatral e Militante do Movimento LGBTTTs

* São Roque, SP (1926)
+ São Paulo, SP (02/12/1987)

Distinguindo-se sempre pelos elegantes desenhos a bico de pena, trabalhou primeiro em publicidade e como figurinista, ilustrando revistas de moda, passando logo a trabalhar em teatro, como figurinista e cenógrafo, tendo participado, na década de 1950, do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).

Participou de inúmeras exposições, ilustrou livros e foi uma figura presente na cena cultural da cidade de São Paulo entre a década de 1950 e década de 1980. Foi reconhecido em Nova York como um dos dez melhores retratistas do mundo.


Em 1973 participou da XII Bienal com um audiovisual que propunha uma tese em termos estéticos contra a violência e a intolerância. Nesse ano foi produzido um filme documentário de curta metragem intitulado "Via Crucis Segundo Darcy Penteado".

Em 1976 publicou o seu primeiro livro de contos "A Meta" e a partir desse mesmo ano iniciou o ativismo na luta contra a discriminação aos homossexuais. Participou ativamente, durante os anos de repressão da ditadura militar, do jornal O Lampião, publicação pioneira para os gays brasileiros, ativo na defesa dos direitos dos homossexuais.


Por anos Darcy carregou sozinho a bandeira dos homossexuais no Brasil. Foi dele, ainda no início da década de 1980, a primeira tentativa de arrecadação de fundos em benefício da pesquisa sobre a AIDS no Brasil, através de um leilão. Apesar de desiludido com os resultados, participou de diversas campanhas de conscientização da doença. Gravou uma chamada para a televisão, de alerta ao público.

Na literatura, Darcy Penteado ilustrou o primeiro livro de Jorge Amado, "O País do Carnaval" e "Navegação de Cabotagem".

Darcy Penteado faleceu em dezembro de 1987, aos 61 anos vitimado pela AIDS.

Atualmente, suas obras podem ser vistas no museu mantido pelo Centro Cultural Brasital, no município de São Roque, em São Paulo.


Em frente a entrada principal do Edifício Copan, na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua Major Sertório, centro de São Paulo, existe ali uma praça com o nome de Praça Darcy Penteado. Uma justa homenagem a este pioneiro no combate à intolerância.

Para finalizar, uma frase de Darcy Penteado escrita em uma de suas obras de 1985:

"Subsistir apenas, não basta. É preciso dignificar a vida!"
(Darcy Penteado)

Fonte: Blog Grisalhos e Wikipédia