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Maria Bueno

MARIA DA CONCEIÇÃO BUENO
(38 anos)
Santa Popular

* Morretes, PR (08/12/1854)
+ Curitiba, PR (29/01/1893)

Maria da Conceição Bueno é considerada uma "Santa Popular" no estado do Paraná. Sua sepultura no Cemitério Municipal de Curitiba recebe um grande número de visitantes regularmente, principalmente no feriado de Finados, 2 de novembro.

Foi a filha mais nova de 7 irmãs, nascida em 08/12/1854, dia de Nossa Senhora da Conceição, no Rio da Prata, perto de Morretes, Litoral paranaense. O povo chamava o lugar de Biquinha de Prata, por causa da água cristalina e límpida do rio. Ainda na infância ela se mudou com a família para Campo Largo e depois foi morar em Curitiba.

Na noite do nascimento de Maria Bueno, sua mãe estava contente porque, na véspera, sonhou que havia visto uma santa muito bonita entrar em seu quarto. Ela teve vontade de gritar, não de medo, mas de alegria. A Santa, porém, fez um sinal, dizendo-lhe:

"Júlia, não temas. Eu sou a Mãe de Jesus. Vendo avisar-te que vais dar à luz a uma menina, e que está reservada a ela uma grande missão sobre a terra. Será uma alma milagrosa, que há de fazer muitos benefícios, aos seus semelhantes. Tenha Fé e Confiança!"
Contam que Pedro Bueno, embriagado, quis matar Maria Bueno, quando nasceu. Quando se preparava para arrebatar a cabeça da criança com uma garrafa, uma forte luz bateu em sua cabeça, fazendo-o cair desfalecido. Depois disso acordou diferente e transformou-se num bom homem. Deixou de beber e adorava Maria Bueno. Mais tarde, alistou-se como voluntário, na Guerra do Paraguai, morrendo em combate.

Júlia e sua filha Maria Bueno, sempre que podiam, iam visitar seus parentes e amigos no Porto de Cima e se hospedavam na casa, onde mais tarde foi realizada a gravação da novela "Maria Bueno", dirigida por Paulo de Avelar. Nesta casa, funcionou a Prefeitura, a cadeia e a Escola Professora Benedita da Silva Vieira, segundo depoimento da senhora Madalena Marques Ferreira, que diz que foi sua aluna.

Ana Júlia Leite Tenório, de 7 anos, ora no túmulo de Maria Bueno.
Depois, mudou-se para Campo Largo, PR. Mais tarde, sua mãe faleceu e sua irmã Maria Rosa começou a maltratá-la, ocasião em que Maria Bueno, ajudada por alguns padres, foi para Curitiba.

Jovem, bonita, gostava de dançar, por isso vivia nos bailes. Lá conheceu Inácio José Diniz, anspeçada do Exército. Ele insistiu e pouco depois foi morar junto com Maria Bueno.

Uma noite, em que Inácio Diniz estava de serviço no quartel, havia um grande baile. Maria Bueno queria ir dançar e Inácio Diniz não queria que ela fosse. Discutiram fortemente, Inácio Diniz foi para o quartel e Maria Bueno foi para o baile. Tarde da noite, Inácio Diniz saiu do quartel, onde hoje é o colégio São José, na Praça Rui Barbosa, e foi espionar Maria Bueno no baile.

Ficou furioso escondido nos matos da Rua Campos Gerais, hoje Rua Vicente Machado. Quando Maria Bueno passou sozinha, matou-a com um punhal, degolando-a. Era então a madrugada do dia 29/01/1893. O crime abalou a pequenina Curitiba da época. Inácio Diniz foi preso e julgado por um júri popular, do qual, tomaram parte proeminentes figuras curitibanas, e ele foi absolvido por unanimidade.

No lugar onde Maria Bueno morreu, foi colocada uma tosca cruz de madeira, local de prece, onde devotos afirmavam ter suas preces atendidas por Maria Bueno. Nos pés desta cruz, nasceu uma rosa vermelha. Maria Bueno era muito popular e admirada pelo povo, que ia rezar e acender velas. Contam que aconteceram graças e milagres, e transformou-se numa grande romaria.

Depois de algum tempo foi construído um túmulo para Maria Bueno, no Cemitério Municipal de Curitiba, no bairro São Francisco, local de romaria de devotos até os dias atuais.

O túmulo de Maria Bueno é muito visitado e tem no muro da frente e na parede do túmulo centenas de plaquetas com dizeres de agradecimentos de graças recebidas de muitas formas. Mais a frente foi construído um local só para acender as velas que os devotos levam para queimar agradecendo por pedidos atendidos.


Santa ou Mulher da Vida?

Muitas pessoas viajam de muito longe para visitar o seu túmulo. Hoje, Maria Bueno está enterrada num túmulo azul no Cemitério Municipal de Curitiba.

As certezas sobre Maria Bueno, santa canonizada pelo povo, repudiada pela Igreja, se resumem nas notícias publicadas nos jornais após seu trágico assassinato na madrugada de 29/01/1893, em Curitiba, PR.

Segundo o Diário do Comércio de 30/01/1893, Maria Bueno era "uma dessas pobres mulheres de vida alegre" (um eufemismo para prostituta) e fora assassinada a navalhadas numa cena de ciúmes.

O assassino teria sido seu amante, o anspeçada, na época primeiro soldado, e barbeiro do 8º Regimento de Cavalaria, Inácio José Diniz.

Nos autos do processo hoje desaparecido, o laudo do médico legista daria Maria Conceição Bueno, como cor de parda, não branca como sua imagem no túmulo, 30 anos presumíveis, de profissão lavadeira.

Nunca antes em Curitiba acontecera crime tão brutal, a cabeça quase separada do corpo e as mãos de Maria Bueno cheias de cortes pelos golpes de navalha ao tentar defender-se.

O motivo do crime teria sido ciúmes e aqui entram as duas versões sem provas, pois tanto o inquérito policial, quanto aos autos do processo não mais existem.


Na versão dos detratores de Maria BuenoInácio José Diniz havia proibido que ela fosse ao bordel naquela noite. Ela foi e ele a matou pela desobediência. Na versão dos devotos, Maria Bueno ao entregar roupa lavada foi morta ao resistir à tentativa de Inácio José Diniz estrupa-la.

Inácio José Diniz foi preso, julgado e, no julgamento, absolvido. Isso está documentado pela imprensa. Em A República de 13/07/1893, o repórter que acompanhou o julgamento protesta contra a absolvição: "Um grave perigo para a sociedade e incentivou à reprodução de novos crimes". Mas, o repórter não nos diz sob quais alegações a defesa conseguiu a absolvição. Para os retratores de Maria Bueno, a absolvição seria prova bastante de que ela não era nenhuma santinha.

Na Revolução Federalista de 1894, Inácio José Diniz cometeu um latrocínio quando Gumercindo Saraiva tomou conta de Curitiba. Pelo crime teria sido degolado por ordem de Gumercindo Saraiva, comandante federalista.

Para os devotos de Maria Bueno, este foi o primeiro milagre de santa: seu assassino morreu degolado como a degolou.

Dizendo ter visto os autos deste processo, Euclides Bandeira cita o novo crime de Inácio José Diniz em "Crônicas Locais" de 1941. Mas não se tem registro de sua degola. David Carneiro, em seu "Os Fuzileiros de 1894", confirma o fuzilamento, não a degola, dos criminosos e não cita Inácio José Diniz entre eles.

O local do crime virou ponto turístico e de devoção, porém os padres da Matriz teriam se recusado a encomendar o corpo e rezar missa por ser Maria Bueno prostituta. Em 1992, em fundamentada pesquisa publicada no "Nicolau" nº 45, Ruy Wachowicz sugere que a recusa dos padres fora por ser ela praticante de outra religião. Que outra religião seria? Macumba? Nas peças "Os Fuzis de 1894" (1970), de Walmor Marcelino, e "Maria Bueno" (1975), de Oracy Gemba, essa visão de Maria Bueno umbandista "pomba-gira" já fora antecipada.


Final

Em 1948, Sebastião Isidoro Pereira publicou "Maria Bueno, Onde a Alma de Maria Bueno", contribuiu com a força do seu milagre e autuou em nosso cérebro inundando-o com os pensamentos necessários.

Nesta visão psicografada, Maria Bueno seria morretense, última de uma série de 7 filhas. Mal-tratadas pelo pai alcoólatra, foi viver na casa de uma irmã casada, perto da Capela do Tamadoá, em São Luis do Purunan.

Moça bonita e muito dada, Maria Bueno provocava amores pecaminosos por parte de seu cunhado. Para evitar o pior, ela decidiu entrar num convento. Os padres da capela do Tamandoá mandaram Maria Bueno para Curitiba, aos cuidados de um casal de velhos.

Morto o marido, ela passa a ajudar a viúva nas despesas da casa, fazendo serviços para fora e ficou noiva de um rapaz de Morretes.

Na madrugada de 29/01/1893, Maria Bueno atendia uma festa numa casa perto, quando recebeu um bilhete da viúva chamando-a. Apesar do adiantado da hora, voltou para casa atravessando um matagal na rua Campos Gerais (Vicente Machado), entre Visconde de Nácar e Visconde do Rio Branco.

Rui Wachowicz, em sua pesquisa, afirma ser essa região, a zona do meretrício da época. Lá se encontrava emboscado Inácio José Diniz que enviou o bilhete falso. Inácio José Diniz tentou violentá-la e, ao defender sua honra, Maria Bueno foi degolada pelo assassino.

Essa versão novelesca é adotada pelos devotos e, em 1980, serviu de enredo para uma telenovela de Paulo de Avelar, transmitida com sucesso pela TV Paraná.

Na década de 1960, Arnaldo Azevedo, ex-campeão sul-americano de tênis, criou a Irmandade Maria Bueno e resolveu construir uma capela no túmulo dela. Convocou 7 virgens, 7 médiuns e 7 videntes. Através de uma das virgens em transe, Maria Bueno aprovou os planos da construção, reconheceu como sua uma foto onde uma moça veste blusa com zipper, útil aparato que só seria inventado nos anos 20. Essa foto veio a orientar um menino de dez anos para esculpir a imagem de Maria Bueno. A confusão com fotos parece ser uma constante em Maria Bueno. No livro "Ruas e Histórias de Curitiba" (1989), Valério Hoerner não só publica como autentica uma foto do julgamento de Inácio José Diniz, onde réu, público e guardas aparecem com roupas e fardas dos anos 1940.

A inauguração em 1962 da capela no túmulo de Maria Bueno no Cemitério Municipal de Curitiba trouxe novo alento e novas lendas ao culto. A irmandade se encarregou não só de vender velas e recolher o dinheiro, mas também de espalhar os milagres: o mais repetido é o dos ladrões que tentaram arrombar o cofre onde os devotos depositavam suas doações, e não conseguindo colocaram fogo na capela. Milagrosamente o fogo se apagou e não atingiu a imagem de Maria Bueno.

As romarias são intensas na capela de Maria Bueno, principalmente nos finados, quando há filas quilométricas. No início, os pedidos eram para casos de amor, arranjar marido, para o marido voltar a amar a mulher e deixar de beber, coisas assim. Nos últimos anos, com a crise, a maioria dos pedidos e para arranjar emprego.

Frei Galvão

ANTÔNIO DE SANT'ANA GALVÃO
(83 anos)
Frade

* Guaratinguetá, SP (1739)
+ São Paulo, SP (23/12/1822)

Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, mais conhecido como Frei Galvão, ou São Frei Galvão, foi um frade brasileiro. Não se sabe ao certo o dia do seu nascimento e local exato de batismo, supõe-se que tenha sido batizado na Matriz de Santo Antonio em Guaratinguetá, SP, mas os registros de batismo da igreja deste período estão desaparecidos. Têm-se atribuído 10 de maio como data de seu nascimento, mas sem nenhuma comprovação documental.

Uma das figuras religiosas mais conhecidas do Brasil, famoso por seus poderes de cura. Frei Galvão foi canonizado pelo Papa Bento XVI em 11/05/2007, tornando-se o primeiro santo nascido no Brasil.

A postuladora junto à Santa Sé que obteve o título de santo para Frei Galvão foi a irmã Célia Cadorin, da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Nesse trabalho teve grande apoio do cardeal arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns. Ela também foi postuladora no processo da Santa Madre Paulina, nascida em Trento, na Ítalia, e vindo a desenvolver seu trabalho no Brasil.

Biografia

Antônio de Sant'Anna Galvão nasceu em 1739 na freguesia de Santo Antônio de Guaratinguetá, na capitania de São Paulo. Era o quarto de dez ou onze filhos, de uma família profundamente religiosa de elevado status social e político.

Seu pai, o português Antônio Galvão de França, era o capitão-mor da vila. Natural de Faro, Portugal, e ativo no mundo do comércio, Antônio Galvão de França pertencia à Ordem Terceira de São Francisco e era conhecido por sua generosidade. Sua mãe, Isabel Leite de Barros, era filha de fazendeiros e membro da família do famoso bandeirante Fernão Dias Pais, conhecido como o "Caçador de Esmeraldas". Ela morreu prematuramente em 1755, aos 38 anos. Também conhecida por sua generosidade, Isabel Leite de Barros teria doado todas suas roupas aos pobres à época de sua morte.

Galvão passou toda sua infância na casa que se situava na esquina da Rua do Hospital com a Rua do Teatro, atualmente Ruas Frei Galvão e Frei Lucas, respectivamente. O local foi demolido e recentemente reconstruído.

Aos 13 anos, Galvão foi enviado pelos pais ao seminário jesuíta Colégio de Belém, localizado em Cachoeira, na Bahia, com a finalidade de estudar ciências humanas. Seu irmão José já se encontrava no local. No Colégio de Belém, que freqüentou de 1752 a 1756, Galvão fez grandes progressos nos estudos sociais e na prática cristã. Ele aspirava se tornar um padre jesuíta, mas a perseguição anti-jesuíta liderada por Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, fez com que ele se mudasse para um convento franciscano em Taubaté, seguindo o conselho do pai.

Aos 21 anos, em 15/04/1760, Galvão desistiu do futuro promissor, visto a influência de sua família na sociedade, e se tornou um noviço no Convento de São Boaventura de Macacu, em Itaboraí, Rio de Janeiro. Lá, ele adotou o nome religioso de Antônio de Sant'Ana Galvão em homenagem à devoção de sua família a Santa Ana.

Durante o noviciado, Galvão se tornou conhecido por sua piedade, zelo e virtudes exemplares. Galvão fez sua profissão solene em 16/04/1761, assumindo o voto de defender o título de Imaculada da Virgem Maria, ainda considerada uma doutrina polêmica à época.

Em 11/07/1762, Galvão foi ordenado sacerdote e transferido para o Convento de São Francisco na cidade de São Paulo, onde continuou seus estudos em teologia e filosofia. Durante a jornada do Rio de Janeiro para São Paulo, fez uma breve parada em Guaratinguetá para celebrar sua primeira missa, realizada na Matriz de Santo Antônio, onde ele havia sido batizado.

Em 1768, ele foi nomeado confessor, pregador e porteiro do convento, considerado um cargo importante naquela época. Se destacou de tal forma que a Câmara Municipal lhe considerou o "Novo Esplendor do Convento".

Em 1770, foi convidado para fazer parte da Academia Paulista de Letras, chamada de "Academia dos Felizes". Na segunda sessão literária, realizada em março de 1770, Galvão declamou com sucesso, em latim, dezesseis peças de sua autoria, todas dedicadas a Santa Ana. Declamou também dois hinos, uma ode, um ritmo e doze epigramas. Suas composições são bem metrificadas e dotadas de profundo sentimento religioso e patriótico.

De 1769 a 1770, atuou como confessor no Recolhimento de Santa Teresa, casa que abrigava devotas de Teresa de Ávila na cidade de São Paulo. Lá, ele conheceu a irmã Helena Maria do Espírito Santo, uma freira penitente que afirmava ter visões onde Jesus lhe pedia para fundar um novo Recolhimento. Galvão, o confessor dela, estudou essas mensagens e se consultou com os outros religiosos, que as reconheceram como válidas e sobrenaturais.

Galvão ajudou a criar o novo Recolhimento, chamado Nossa Senhora da Luz, que foi fundado em 02/02/1774, na mesma cidade. Era baseado na Ordem da Imaculada Conceição, e se tornou um lar para meninas que desejavam viver uma vida religiosa sem fazer votos. Com a morte repentina da irmã Helena em 23/02/1775, Galvão se tornou o novo diretor do instituto, atuando como novo líder espiritual das irmãs.

Naquela época, uma mudança no governo da província de São Paulo trouxe um líder que ordenou o fechamento do convento. Galvão aceitou a decisão, mas as freiras se recusaram a abandonar o local e, devido à pressão popular e aos esforços do bispo, o convento foi logo reaberto.

Posteriormente, com o crescente número de novas irmãs, a construção de mais espaço de convivência se tornou necessária. Galvão demorou 28 anos para construir um novo convento e uma igreja, sendo esta última inaugurada em 15/08/1802. Além das obras de construção e dos deveres dentro e fora de sua Ordem, Galvão se comprometeu também com a formação das irmãs. Os estatutos que ele escreveu para elas eram um guia para a vida interior e para a disciplina religiosa.

Quando as coisas pareciam estar mais calmas, uma outra intervenção do governo trouxe uma nova provação para Galvão. O capitão-mor sentenciou um soldado à morte por ter ofendido a seu filho levemente, e o sacerdote foi obrigado a se exilar por ter defendido o soldado. Mais uma vez, a pressão popular conseguiu revogar a ordem contra o padre.

Em 1781, Galvão foi nomeado mestre dos noviços em Macacu. Entretanto, as irmãs e o bispo de São Paulo, Manuel da Ressurreição, recorreram ao superior provincial, escrevendo-lhe que "nenhum dos habitantes desta cidade será capaz de suportar a ausência deste religioso por um único momento". Como resultado, ele foi mandado de volta para São Paulo. Mais tarde, em 1798, Galvão foi nomeado Guardião do Convento de São Francisco, sendo reeleito em 1801.

Em 1808, Galvão teria instituído a devoção a Nossa Senhora das Brotas, em Piraí do Sul, durante viagem missionária ao Paraná. Galvão, ao chegar às margens do Rio Piraí, teria decidido passar alguns dias no povoado, se hospedando na casa de Ana Rosa Maria da Conceição. Antes de ir embora, deixou de presente a ela uma estampa de Nossa Senhora das Barracas. Ana Rosa colocou a lembrança numa moldura de madeira e fazia suas orações diante da imagem. Ficou viúva, se casou de novo e se mudou de endereço. Durante a mudança, a estampa se perdeu. Algum tempo depois, passando por uma região onde havia ocorrido um incêndio, ela encontrou o quadro entre as cinzas e os brotos da vegetação. A moldura havia se queimado, mas a imagem estava apenas chamuscada. O fato foi interpretado como um milagre e a notícia se espalhou pelo povoado. Como o povo já não se lembrava do nome original da imagem, rebatizaram-na de Nossa Senhora das Brotas e erigiram uma capela em sua homenagem.

Morte

Em 1811, fundou o Convento de Santa Clara em Sorocaba, SP. Onze meses depois, retornou ao Convento de São Francisco, na cidade de São Paulo. Em sua velhice, obteve permissão do Bispo Mateus de Abreu Pereira e de seu tutor para ficar no Recolhimento que ajudara a criar. Veio a falecer naquele local em 23/12/1822. Galvão foi sepultado na igreja do Recolhimento, sendo o seu túmulo até hoje um destino de peregrinação de fiéis que teriam obtido favores devido a sua intercessão.

Na época de seu enterro, sua fama de santo já havia se espalhado por todo Brasil, sendo que os frequentadores de seu velório, desejosos em guardar uma relíquia sua, foram cortando pedaços de seu hábito, que ficou reduzido até a altura dos joelhos de Galvão. Como ele possuía somente aquele hábito, foi sepultado com o de outro frade, que ficou igualmente curto.

A primeira lápide do túmulo de Galvão teria tido o mesmo destino de sua batina, sendo pouco a pouco levada pelos devotos. As pedras da lápide eram colocadas em copos com água para tratar os enfermos.

Em 1929, o Convento de Nossa Senhora da Luz tornou-se um mosteiro, sendo incorporado à Ordem da Imaculada Conceição. A edificação, atualmente chamada de Mosteiro da Luz, foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). No local também está localizado o Museu de Arte Sacra de São Paulo, que abriga um dos mais representativos acervos do patrimônio sacro brasileiro, originalmente reunido por Duarte Leopoldo e Silva, primeiro arcebispo de São Paulo.

Misticismo

Frei Galvão era um homem de muita e intensa oração, sendo alguns fenômenos místicos atribuídos a ele, como telepatia, premonição e levitação. Casos de bilocação também foram famosos durante sua vida. Segundo relatos ele se fazia presente em dois lugares diferentes ao mesmo tempo para cuidar de enfermos ou moribundos que clamavam por sua ajuda.

Também era procurado pelo seu alegado poder de curar doenças numa época em que os recursos médicos eram escassos. Numa dessas ocasiões, escreveu num pedaço de papel uma frase em latim do Ofício de Nossa Senhora ("Após o parto, permaneceste virgem: Ó Mãe de Deus, intercedei por nós"). Em seguida, enrolou o papel no formato de uma pílula e deu-o a uma jovem cujas fortes cólicas renais estavam colocando sua vida em risco. Depois que ela tomou a pílula a dor cessou imediatamente e ela expeliu uma grande quantidade de cálculo renal. Em outra ocasião, um homem pediu a Galvão que ajudasse sua esposa, que estava passando por um parto difícil. Galvão fez com que ela tomasse a pílula de papel, e a criança nasceu rapidamente, sem maiores complicações. A história das pílulas se espalhou rapidamente e Galvão teve que ensinar às irmãs do Recolhimento como fabricá-las, o que elas fazem até os dias de hoje. Elas são distribuídas gratuitamente para cerca de 300 fiéis diariamente.

Em 25/10/1998, Galvão se tornou o primeiro religioso nascido no Brasil a ser beatificado pelo Vaticano, tendo sido declarado Venerável um ano antes, em 08/03/1997.

Em 11/05/2007, durante a visita de cinco dias do Papa Bento XVI ao Brasil, se tornou a primeira pessoa nascida no Brasil a ser canonizada pela Igreja Católica. A cerimônia de mais de duas horas, realizada ao ar livre no Aeroporto Militar Campo de Marte, perto do centro de São Paulo, reuniu cerca de 800 mil pessoas, segundo estimativas oficiais. Galvão foi o primeiro santo que o Papa Bento XVI canonizou numa cerimônia realizada fora da Cidade do Vaticano. Sua elevação ao status de santo veio depois que a Igreja concluiu que ele havia realizado pelo menos dois milagres.

De acordo com a Igreja, as histórias de Sandra Grossi de Almeida e Daniella Cristina da Silva são evidências da intercessão divina de Galvão. Após tomar uma das pílulas de papel em 1999, Sandra Grossi de Almeida, que possui uma malformação uterina que deveria impossibilitar que ela carregasse um feto no útero por mais de quatro meses, deu à luz a Enzo. As pílulas de Galvão, de acordo com a Igreja, também seriam responsáveis pela cura, em 1990, de Daniella Cristina da Silva, uma menina de 4 anos de idade que sofria de hepatite considerada incurável pelos médicos.

Apesar da popularidade das pílulas entre os católicos brasileiros, médicos e até mesmo alguns membros do clero consideram-nas como meros placebos. A orientação da Igreja é que somente pacientes em estado terminal devam tomá-las.

Fonte: Wikipédia

Nhá Chica

FRANCISCA DE PAULA DE JESUS
(85 anos)
Religiosa e Beata

* Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, MG (1810)
+ Baependi, MG (14/06/1895)

Filha e neta de escravos, Francisca de Paula de Jesus, conhecida popularmente como Nhá Chica, nasceu em 1810, no povoado de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, um dos atuais cinco distritos de São João del-Rei, município do estado brasileiro de Minas Gerais, onde também foi batizada no dia 26/04/1810. Pouco tempo depois sua família mudou-se para a cidade de Baependi, no sul deste estado, onde viveu até 14/06/1895, data de seu falecimento, porém só foi sepultada dia 18/06/1895 no interior da capela dedicada à Nossa Senhora da Conceição, construída por ela. Ficou órfã aos dez anos. Mulher humilde, era fervorosa devota de Nossa Senhora da Conceição, e, a pedido da mãe, passou a vida inteira a dedicar-se à prática de caridade. Leiga, foi chamada ainda em vida de "a mãe dos pobres" e era respeitada por todos que a procuravam, desde os mais humildes aos homens do Império. Durante 30 anos, reuniu doações para construir a capela de Nossa Senhora da Conceição, onde hoje funciona o Santuário da Conceição, na cidade mineira de Baependi. Francisca de Paula de Jesus também era conhecida com Nhá Chica.

É considerada por muitos católicos como santa, de modo que o processo de canonização já se encontra em tramitação no Vaticano.

Nhá Chica, já em vida, passou a ser aclamada pelo povo como a Santa de Baependi, por sua fé. O Processo Informativo Diocesano começou em 16/07/1993, tendo sido encerrado em 1995, quando foi para Roma. O Relator deste processo foi o padre José Luís Gutiérrez. A causa ficou parada até 1998, quando assumiram como postulador Frei Paolo Lombardo, Ordem dos Frades Menores (OFM), e como vice-postuladora irmã Célia Cadorin, mesma religiosa que atuou nas causas de Madre Paulina e Frei Galvão.

Desde 1991 é reconhecida como Serva de Deus, título que recebeu oficialmente da Congregação Para As Causas Dos Santos do Vaticano.

Em 18/06/1998 foi feito o reconhecimento dos restos mortais de Nhá Chica, na presença de autoridades eclesiásticas, de membros do Tribunal Eclesiástico Pela Causa de Beatificação de Nhá Chica, da Comissão Histórica e de médicos legistas. Ainda em 1998, o Tribunal Eclesiástico Pela Causa de Beatificação de Nhá Chica apresentou à Diocese de Campanha um provável milagre para ser enviado e analisado pelo Vaticano.

A causa de Canonização de Nhá Chica está aguardando desde 2007 o anúncio de sua beatificação. E em 2007 uma graça foi atribuída a Nhá Chica referente a professora Ana Lúcia Meirelles Leite, moradora de Caxambu, em Minas Gerais.

A Professora Ana Lúcia Meirelles Leite curada de doença cardíaca.
Ana Lúcia foi curada de um problema congênito muito grave no coração, sem precisar passar por cirurgia, apenas pelas orações de Nhá Chica. O fato se deu em 1995. A graça foi aceita pelo Vaticano, que analisa o pedido de beatificação. O início da campanha pela canonização se deu em 1952. A instalação da Comissão em prol da beatificação teve início em 1989 e depois em definitivo foi instalada em 14 de janeiro de 1992.

A publicação da Positio, documento que reúne todos os dados e testemunhos recolhidos durante a fase Diocesana, corresponde à primeira etapa do processo de beatificação e aconteceu no dia 30/10/2001. O documento seguiu para o Vaticano para ser apreciado pela Congregação Para As Causas Dos Santos.


Em 30 de abril de 2004, os bispos brasileiros reunidos em sua 42ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) assinaram um documento pedindo pela beatificação de Nhá Chica. O documento que reuniu 204 assinaturas de Bispos de 25 estados brasileiros foi encaminhado pela Diocese de Campanha ao então Papa João Paulo II.

No dia 08/06/2010, a Congregação Para As Causas Dos Santos deu parecer favorável às virtudes da Serva de Deus Nhá Chica.

No dia 14/01/2011, o Papa Bento XVI aprovou o decreto da Congregação Para As Causas Dos Santos sobre as virtudes heroicas da Serva de Deus. Nhá Chica pode receber o título de Venerável, estando assim mais próxima da beatificação.

Aguarda-se o reconhecimento, por parte da Santa Sé, do milagre da cura, atribuído à intercessão de Nhá Chica, da professora de Caxambu, Ana Lúcia Meirelles Leite que sofria de problemas cardíacos.

No dia 13/10/2011, a Comissão Médica da Congregação Para As Causas Dos Santos, depois de analisar o possível milagre da cura da professora Ana Lúcia, declarou que a cura não tem explicação científica.

Em 28/06/2012, o Papa Bento XVI autorizou a Congregação Para As Causas Dos Santos a promulgar o decreto de um milagre atribuído a intercessão da Venerável Mineira.

Nhá Chica foi beatificada em 04/05/2013, em Baependi, MG, em cerimônia presidida pelo prefeito da Congregação Para As Causas Dos Santos, o cardeal Angelo Amato, representante da Santa Sé, que anunciou a data de 14/06 como a festa litúrgica em memória de Nhá Chica.

Fonte: Wikipédia

Pai João de Camargo

JOÃO DE CAMARGO
(84 anos)
Religioso, Médium, Curandeiro, Santo Popular, Milagreiro e Preto Velho

* Sarapuí, SP (16/05/1858)
+ Sorocaba, SP (18/09/1942)

Pai João de Camargo foi um médium, curandeiro, religioso, também considerado santo popular, milagreiro e preto-velho. Era também conhecido como médico dos pobres.

Nhô João, nasceu no dia 16 de maio de 1858, na fazenda dos Camargo Barros, bairro dos Cocaes em Sarapuí, SP. Era filho de Francisca, escrava de Luís de Camargo Barros e de pai incógnito, batizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores de Sarapuí.

Como escravo cresceu na fazenda em que nascera, herdou o sobrenome da família Camargo Barros, analfabeto não teve acesso à educação institucional, veio para Sorocaba, SP, logo após a abolição da escravatura, em 13 de maio de 1888.

Trabalhou em Sorocaba como cozinheiro para Manuel Lopes Monteiro, e também para a família de Inácio Pereira da Rocha. Em 1893, alistou-se como soldado voluntário, no batalhão dos Voluntários Paulistas, deu baixa em sua carreira militar em 1895, quando a Revolução Federalista terminou. Passou a trabalhar na lavoura em Pilar do Sul, lugar onde conheceu Escolástica do Espírito Santo, sua esposa.

Voltou para Sorocaba em meados de 1890, época em que Sorocaba fora atacada pela epidemia de febre amarela o que fez o casal abandonar a cidade e mudar-se para o Bairro da Ilha, em Salto de Pirapora, SP. Após cerca de cinco anos de convivência matrimonial vieram a separar-se por incompatibilidade. João de Camargo retornou à Sorocaba para recomeçar a vida, trabalhou em vários empregos para sobreviver desde o campo trabalhando na lavoura a olarias fazendo tijolos e telhas.

Recebeu influência na prática de curandeirismo e na religiosidade africana através de sua mãe, Nhá Chica, de sua sinhazinha, Ana Teresa de Camargo a iniciação ao catolicismo e do padre João Soares do Amaral os ensinamentos através de seus sermões, pois o conhecera ainda quando era adolescente e lhe tinha grande admiração. Sua religiosidade sincrética formou-se a partir do catolicismo popular, participando nas festas em devoção aos santos católicos a que se homenageavam na Casa Grande nos dias sagrados, bem como do aprendizado que adquirira com sua mãe.

Desde 1897 iniciara-se no caminho do misticismo, acendia velas, rezava ao pé da cruz e já praticava a cura em algumas pessoas. Em 1905 seguindo seu percurso pela Estrada da Água Vermelha, cumpria a sua obrigação junto a Cruz do Menino Alfredinho, em casa meditando por volta da meia-noite, percebeu que fenômenos estranhos como murmúrios, luzes, ventos entre outros sinais ocorriam a ele, fazendo-o muitas vezes a ser tomado como louco. Entre as vozes que ouvia, a mensagem para que parasse de beber era clara, uma vez que, segundo a voz que lhe falava o álcool o impedia de receber a missão designada, além de lhe estragar o corpo.

Em 1913 foi processado judicialmente acusado de praticar o curandeirismo. Absolvido e para se proteger de perseguições criou em sua Capela a Associação Espírita e Beneficente Capela do Senhor do Bonfim, reconhecida como pessoa jurídica em fevereiro de 1921.

Em 1915, fundou a Corporação Musical São Luís, composta por vinte e oito músicos, sendo muitos deles os que animavam os cordões carnavalescos da cidade, visto que apresentavam-se em festas religiosas e profanas. Seus maestros foram Francisco Dimas de Melo, Salvador Elisário, Pancrácio Inocêncio de Campos, e Avelino Soares.

Sua fama percorreu o mundo, foram-lhe dedicadas poesias, composições musicais e desenhos. João de Camargo foi tema de várias dissertações de mestrado, biografado por inúmeros escritores, pesquisadores e historiadores entre eles Antônio Francisco Gaspar, Florestan Fernandes, Genésio Machado, Roger Bastide, José Barbosa Prado, Aluísio de Almeida, Paulo Tortello, Rogich Vieira, Prof. Bene Cleto, Alcir Guedes e Antônio Carlos Guerra da Cunha.

Também sobre João de Camargo o jornalista Plínio Cavalcante publicou reportagem na revista semanal "O Malho", Rio de Janeiro em 1934 e na Europa o "Corriere Dela Sera" publicou reportagem em 1922. Em 1995 foi publicada sua biografia e um espetáculo teatral cujos autores, Sônia Castro e Fernando Antonio Lomardo tinham como intenção principal investigar O Homem - João de Camargo.

Em 1999 os pesquisadores Carlos de Campos e Adolfo Frioli publicaram o livro "João de Camargo - O Nascimento de Uma Religião de Sorocaba", sendo o tema principal "o preto velho e bom da Água Vermelha" uma vez que, Nhô João foi uma referência de fé popular nesta cidade. No mesmo ano de 1999, o pesquisador Carlos Carvalho Cavalheiro também dedicou-lhe algumas páginas de seu trabalho sobre o "Folclore em Sorocaba - Milagres de Nhô João de Camargo".

Pai João de Camargo faleceu no dia 18 de setembro de 1942 na cidade de Sorocaba, SP. Após sua morte a Capela Bom Jesus do Bonfim ficou fechada durante cinco anos por questões judiciais, Escolástica do Espírito Santo Maduro, sua ex- mulher apareceu requerendo sua parte no espólio.

O túmulo de João de Camargo é uma réplica da Capela Bom Jesus do Bonfim, levantada sob responsabilidade de um de seus devotos, João Massa em 1948. Seu túmulo é visitado por um número incontável de devotos e simpatizantes, principalmente no dia 02 de novembro, Finados.

Sobre sua vida, foram escritas inúmeras biografias por famosos escritores brasileiros. Em 2003, foi homenageado no enredo da escola de samba paulistana Império de Casa Verde. O desfile contou com a participação do ator Paulo Betti, que é devoto de Nhô João e produziu o filme "Cafundó", sobre sua vida.


Cafundó

"Cafundó" é inspirado em um personagem real saído das senzalas do século XIX. Um tropeiro, ex-escravo, deslumbrado com o mundo em transformação e desesperado para viver nele.

Este choque leva-o ao fundo do poço. Derrotado, ele se abandona nos braços da inspiração, alucina-se, ilumina-se, é capaz de ver Deus. Uma visão em que se misturam a magia de suas raízes negras com a glória da civilização judaico-cristã.

Sua missão é ajudar o próximo. Ele se crê capaz de curar, e acaba curando. O triunfo da loucura da fé.

Sua morte, nos anos 40, transforma-o numa das lendas que formou a alma brasileira e, até hoje, nas lojas de produtos religiosos, encontramos sua imagem, O Preto Velho João de Camargo.

"Cafundó", na linguagem popular, é um lugar de difícil acesso, situado longe de centros povoados. A origem do nome é indígena e "caa" significa mato em tupi. Por extensão, o termo passou a designar locais para os quais fugiam índios e negros escravos.


Principais Prêmios e Indicações

Festival de Gramado 2005:
  • Venceu nas categorias de Melhor Ator (Lázaro Ramos), Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia.
  • Ganhou o Prêmio Especial do Júri na categoria de Melhor Longa Metragem em 35mm Brasileiro.
  • Indicado na categoria de Melhor Filme.

Los Angeles Pan African Film Festival 2006:
  • Recebeu Menção Honrosa.


Elenco
  • Lázaro Ramos ... João de Camargo
  • Leona Cavalli ... Rosário
  • Leandro Firmino ... Cirino
  • Alexandre Rodrigues ... Natalino (Adulto)
  • Ernani Moraes ... Coronel João Justino
  • Luís Melo ... Monsenhor João Soares
  • Renato Consorte ... Ministro
  • Francisco Cuoco ... Bispo
  • Abrahão Farc ... Juiz


Odetinha

ODETTE VIDAL DE OLIVEIRA
(9 anos)
Santa Popular

* Rio de Janeiro, RJ (15/09/1930)
+ Rio de Janeiro, RJ (25/11/1939)

Odette Vidal de Oliveira, também conhecida como Odetinha ou a Menina Odetinha, nasceu no subúrbio de Madureira, em 1930. Teve vida curta. Apesar de não ter sua santidade reconhecida pela Igreja Católica, a criança vem conquistando devotos à medida que diversos milagres são atribuídos a ela.

Chamada carinhosamente pelos pais de Odetinha, lírio de pureza e caridade, dotada de um amor extraordinário a Jesus Eucarístico, ia à missa com sua mãe. Desde muito pequena, aos quatro anos, já possuía colóquios íntimos com o Senhor Sacramentado.

Tendo se mudado para o bairro de Botafogo, na zona sul do Rio, fez a sua Primeira Comunhão no Colégio São Marcelo, da Paróquia Imaculada Conceição, ao lado de sua casa, em 15 de agosto de 1937, aos sete anos de idade. Desde então, ao receber a comunhão, dizia: "Oh meu Jesus, vinde agora ao meu coração!". Seu confessor atestou sua fé viva, confiança inabalável, intenso amor a Deus e ao próximo.

Demonstrou profunda caridade para com os pobres e a busca da santidade de forma impressionante e extraordinária para uma criança tão nova. Inserida de fato na causa de promoção dos mais carentes, gostava muito de ajudá-los com obras concretas de misericórdia, e atividades caritativas semanais. Sua mãe fazia uma feijoada aos sábados para os pobres a seu pedido e ela colocava seu avental e servia a todos alegremente.

Irradiou e inspirou uma imensa obra social, assumida com seriedade pelos seus pais, tornando-os grandes apóstolos da caridade por toda sua vida. Estes colaboraram efetivamente com muitos Institutos de Vida Religiosa, salvando alguns da falência, além do trabalho com as meninas órfãs, um pedido de Odetinha, até hoje administrado por religiosas e voluntários.

Sua piedade explica o segredo de todo o bem que realizou com máxima paciência, admirada por todos até o fim. A modéstia e o pudor foram um grande sinal de uma alma pura e boa, nos divertimentos mais inocentes de sua infância. Amava os lírios e rezava o terço diariamente, revelando, assim, sua confiança total em Nossa Senhora. Queixava-se, ainda, pelo fato de São José, que tanto trabalhou e sofreu por Jesus e Nossa Senhora, ser tão pouco honrado.

Nos últimos quarenta e nove dias de sua vida sofreu dolorosa enfermidade - paratifo, suportada com paciência cristã. No leito de dor, dizia: "Eu vos ofereço, ó meu Jesus, todos os meus sofrimentos pelas missões e pelas crianças pobres (Cf. Ef. 5, 1-2)".

No dia de sua morte, ocorrida em 25 de novembro de 1939, Odetinha recebeu a Sagrada Comunhão às 7:30 hs e na ação de graças disse: "Meu Jesus, meu amor, minha vida, meu tudo". Assim, serenamente, às 8:20 hs entregou sua alma inocente a Deus, vítima de febre Tifóide e Meningite.

Seu túmulo situa-se na Quadra 06, nº 850, no Cemitério São João Batista, Botafogo. Até hoje é um dos mais visitados, sobretudo aos sábados e domingos, por inúmeras pessoas que ali acorrem para agradecer benefícios espirituais e temporais que atribuem à sua intercessão junto a Deus. Sua biografia oficial, lançada no ano seguinte de sua morte pelo padre Afonso Maria Germe, causou grande comoção na sociedade carioca.

Eis como Odetinha rezava seu "Tercinho de Amor":

Nas contas pequenas: "Meu Jesus eu vos amo!"
Nas contas grandes: "Quero passar meu céu fazendo bem à terra!"
Nas três últimas contas: "Meu Jesus, abençoai-me, santificai-me, enchei o meu coração de vosso amor"


A Lenda da Menina Santa

Morta aos 9 anos de idade e enterrada em um luxuoso jazigo perpétuo no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, a criança adquiriu fama de milagreira em meados da década de 1970, quando começaram a surgir placas de agradecimento por graças alcançadas. Sua mãe já falecida chamava-se Alice Vidal de Oliveira.

Em volta do seu túmulo, todas as segundas-feiras, durante anos, Dona Idalina rezava o terço com seus devotos. A oração era simples, nas dez pequenas contas falava-se: "Jesus, eu vos amo e, nas maiores, quero passar para o céu fazendo o bem sobre a terra". Ao final, nas três últimas, agradecia-se da seguinte forma: "Meu Jesus, abençoai-nos, santificai-nos e enchei nossos corações com o vosso santo amor e, por fim, porque queremos passar para o céu fazendo o bem sobre a terra."

Fonte: Wikipédia e Santo Protetor
Indicação: Miguel Sampaio

Antoninho

ANTÔNIO DA ROCHA MARMO
(12 anos)
Considerado Santo do Povo

* São Paulo, SP (19/10/1918)
+ São Paulo, SP (21/12/1930)

Antoninho foi uma criança católica paulista a quem se atribuía o dom de predizer acontecimentos futuros. Teria inclusive previsto a própria morte. Antoninho tornou-se objeto de veneração e passou a ser conhecido como Santo Antoninho. Hoje em dia, é conhecido como o Santo do Povo.

Desde pequeno, Antoninho brincava de fazer altares e simular missas, era um grande amigo da mãe e muito inteligente quanto a assuntos polêmicos. Foi considerado um santo pela população de São Paulo, por agraciar os pedidos de curas. Faleceu vítima de tuberculose aos 12 anos. Foi sepultado no Cemitério da Consolação. Seu túmulo está localizado na Quadra 80, Terreno 6, e é constantemente visitado por devotos que lhe pedem auxílio.

Antoninho nasceu numa época tormentosa que ficou assinalada na historia. Enquanto, na Europa,  uma longa batalha que se prolongava há cinco anos e os homens matavam-se uns aos outros, no Brasil a Gripe Espanhola dizimava vidas preciosas, numa pavorosa epidemia, que se transformou em calamidade publica.

O calendário marcava o dia 19 de outubro de 1918. E foi naquela casa assobradada da Rua Bandeirantes, 24, no distrito de Santa Efigênia  que seus pais, os paulistas Pamfilo Marmo e Maria Isabel da Rocha Marmo, o receberam com indizível alegria, completando o batalhão ruidoso dos outros maninhos: Maria da Penha, Nair, Ciro e Wanda.

Em 13 de junho de 1920, dia festivo de Santo Antônio, Antoninho foi levado à pia batismal, na igreja de Santo Antonio do Pari, servindo de padrinho o casal Tolens (Drº Oscar Tolens). Antes, porem, fora batizado, sob condição em perigo de vida, salvo a tempo por um misterioso medico, que não se sabe quem era e que entrara de porta a dentro, sem ser chamado e sem dizer o nome, num desses desígnios inexplicáveis de Deus.

Dali por diante passou ele aos cuidados efetivos da boa e dedicada Mariama, como assim era tratada, na intimidade a empregada.

Com seis meses apenas, quando levado pela ama para passear nas ruas da cidade, Antoninho alegrava-se sobremodo e agitava os bracinhos tenros ao avistar alguma igreja, e, se nela tinha ingresso, transfigurava-se e era tomado de profunda unção ao aproximar-se do altar onde estava a hóstia consagrada. Se acontecia de assistir à benção do padre, procurava ficar de pé e imitava o sacerdote, dando a seu modo a benção aos fiéis com as minusculas mãos. Antoninho era, na verdade, rica alma predestinada.

Antoninho Celebrando uma "Missa"
Predizendo o Futuro

Antoninho, desde muito cedo, revelara vivíssima inteligencia, apreendendo facilmente os principais e mais complexos acontecimentos que se desenrolavam ao seu redor.

Tinha cinco anos quando predisse, com grande surpresa, ante a irmã Maria Vicentina, na Santa Casa de São Paulo, que a velha questão romana, entre o Vaticano e a Itália  teria solução definitiva, obtendo vitoria a Igreja, no reinado do Papa Pio XI. Tal fato aconteceu realmente em 1929. Ao saber do ocorrido, tratou de mandar dizer àquela freira da realidade da sua previsão.

Certa manhã, assistiu à primeira missa do padre Olegário da Silva Barata. Na hora do beija-mão do sacerdote, Antoninho ao aproximar-se do padre, atirou-se-lhe nos braços, num amplexo comovido, chegando a molhar-lhe com lagrimas as vestes paramentais. Em palestra, vaticinou, então, que a morte dele, Antoninho, aconteceria, num coincidir bastante expressivo, no mesmo dia do aniversario do sacerdote, no dia 21 de dezembro, o que realmente aconteceu, nessa data, no ano de 1930.

A maior ambição de Antoninho era abraçar a carreira eclesiástica  E ao indagarem da sua vocação, costumava responder sempre:

"Quero ser padre, mas quero pertencer ao clero secular, pois desejo estar mais em contacto com o povo. E se algum dia chegar a ser vigário saberei cumprir com o meu dever."

O seu passatempo predileto constituía em "celebrar missa", num altarzinho portátil  improvisado no quintal da casa dos pais. O ilustre bispo paulista, Dom Epaminondas, por intermédio do padre Ascanio Brandão, foi quem o presenteou com aquele altar, acompanhado de paramentos. Para o pequeno Antoninho, aquilo constituiu um régio presente. Dali, por diante, passou, circunspectamente, a "celebrar sua missa" todas as manhãs, e depois da "missa" se seguia a pregação feita a meia duzia de fedelhos da sua idade e a outros maiores, a quem ensinava a doutrina do catecismo.

Antoninho e Seu Cãozinho de Estimação
Amigo e Protetor dos Humildes

Antoninho tinha coisas excepcionais, próprias de adultos e era um menino diferente dos outros, um menino prodígio.

Doente gravemente, viu-se obrigado a procurar o clima ameno de São José dos Campos e de Campos do Jordão, a fim de tentar a cura de uma tuberculose que se apossara valentemente do seu débil corpo. Enfraquecera-se, a principio, sob violenta erupção de sarampo. Depois veio a enfermidade insidiosa, para que se tornaram vãos todos os apelos à medicina. Ele mesmo previra que os maiores esforços seriam inúteis contra a doença.

Mesmo atormentado pelos dolorosos sofrimentos, jamais esqueceu os humildes. Um dia, em Campos do Jordão, soube que fora detido um pobre homem, surpreendido com o porte irregular de um revolver, achado no mato. Antoninho interessou-se pelo caso e foi à delegacia, a fim de falar ao delegado que era, então, o Drº Caio Machado Leite Sampaio. Não o encontrou e falou com o carcereiro. Pediu-lhe que transmitisse por favor à autoridade a sua solicitação:

"Diga ao delegado assim que chegar que Antoninho quer a liberdade do preso."

E como lembrete desenhou uma caricatura qualquer sobre a escrivaninha do delegado.

"Faço esta careta no caso do Srº esquecer-se de transmitir meu recado. O delegado, vendo-a, há de perguntar quem a fez. O Srº dirá então que fui eu e fará o meu pedido."

E assim aconteceu. A autoridade ali chegando achou estranho o desenho. Interpelou o carcereiro, que lhe contou tudo. O Drº Caio Machado, com aquela bondade que lhe era peculiar, foi em pessoa a procura de Antoninho, que lhe contou do interesse em favor do seu "constituinte". O delegado, que não o conhecia, achou curioso os modos do garoto. E declarou-lhe que mandaria por em liberdade o detido. Assim o fez, porem, por medida de precaução, despachou-o para Pindamonhangaba.

O homem, profundamente reconhecido ao gesto de Antoninho, regressou a Campos, em áspera travessia a pé, a fim de agradecer-lhe pessoalmente, trazendo de presente uma cabra e dois cabritinhos. O garoto enternecido com a atitude do pobre camponês, fez-lhe ver que a Deus devia agradecer e não a ele, e negou-se a receber o presente, aconselhando-o a vende-lo, pois era pobre e necessitava de dinheiro.

Conformado com a morte próxima, Antoninho piorava cada dia mais nos últimos meses da sua rápida existência. Conhecia perfeitamente o precário estado de sua saúde e mostrava-se conformado com a vontade de Deus.

Uma tarde, vendo a pobre mãe tristonha por causa da sua moléstia, interpelou-a assim:

- Por que está tão triste, mamãe?
- Por nada, meu filho. Eu nunca estou triste ao seu lado.
- Mamãe, precisa fazer a vontade de Nosso Senhor! Nosso Senhor precisa de mim!

E após uma pausa:

- A senhora está vendo aquele pintassilgo naquela árvore? Se eu fizer com que ele venha pousar no meu dedo e cantar, a senhora acredita que é por vontade de Nosso Senhor?
- Acredito, sim, meu filho!
- Então veja! Pintassilgo, passarinho querido, em nome de Deus Nosso Senhor, vem pousar aqui no meu dedo e canta!

Realmente, o lindo passarinho veio obediente ter sobre a mão de Antoninho, e cantou um canto mavioso e doce.

- Então, mamãe, ouviu o canto da vontade de Nosso Senhor?
- Sim, meu filho, ouvi e acredito!
- Vai, vai, meu amiguinho, para a tua árvore e lá continua a cantar!

E assim aconteceu. A ave voou e foi cantar na árvore de onde descera. Voltaram mãe e filho para casa. Horas depois, interpelava ele:

- Está ainda pensando no passarinho, mamãe?
- Sim, é verdade, meu filho...

Dias após, perguntava Antoninho à sua progenitora:

- Minha mãe, que frade foi esse que esteve aqui conversando comigo?
- Frade, meu filho? Eu não vi nenhum frade ao seu lado. Você, com certeza, teve algum sonho...
- Bem, mamãe, não se fala mais nisso...

Logo mais bateram à porta. Era o carteiro e trazia um envelope. Abriram e dentro, o retrato de um frade. Antoninho o reconheceu:

- Este retrato, minha mãe, é de Frei Fabiano de Cristo, que, ainda há pouco, esteve palestrando comigo.

Não era possível aquilo senão por milagre: Frei Fabiano de Cristo falecera já há muitos anos. Aquela fotografia fora enviada por uma irmã do garoto prodigioso.

Hospital Filantrópico Antoninho da Rocha Marmo
A Morte de Um Justo

Antoninho marchava, cada dia, para a morte certa. Ele sabia perfeitamente e era um conformado com a dura realidade. Era a vontade de Deus. Deus o queria. Que se fizesse, então, a vontade de Dele.

Em 19 de dezembro, dois dias antes, ainda armou, com as próprias mãos, num grande esforço, o seu tradicional presépio de Natal. Dali foi carregado pela mãe desvelada, causando tamanho trabalho, até o leito, donde não mais se levantou.

Na manhã do dia 20 de dezembro, foi visitá-lo a Superiora da Santa Casa de Misericordia de São Paulo, acompanhada de outras freiras. Aquela visita foi excepcional motivo de alegria para o doente.

Ali compareceu depois Frei Angelo de Rezende, que lhe ministrou os últimos sacramentos, em altar previamente armado e ornamentado pelo próprio Antoninho, que, da cama, ia orientando tudo. Em dado momento, após a comunhão, supôs o sacerdote que o menino tinha já entregue a alma ao Criador, apresentando-se com os olhos fechados, em atitude de êxtase  Tocou-lhe de leve no ombro. Ele abriu os olhos e falou: "Eu estou rendendo graças a Deus!"

Logo mais, não esquecendo o padre, pediu à mãe que providenciasse um automóvel para reconduzi-lo ao convento e que não o deixasse ir sem tomar uma xícara de café. Depois solicitou um copo d'água e principiou a balbuciar estas frases:

- Que linda estrada... atapetada de flores... como são belas! Quantos anjos! Olha, minha mãe: alguns tocam... outros sorriem! Convidam-me para acompanhá-los... Que belo cortejo!... Eu vou, mamãe... Vou... Sim... Vejo um clarão! Um vulto se aproxima... Olha, mamãe, é meu avozinho... o pai da senhora!

Pediu que acendessem duas velas em torno da imagem de Santo Antônio, junto do leito.

- Antes que estas velas se consumam, eu estarei no céu! Estou cansado... preciso repousar...

Principiou a lenta agonia. Em dado instante, num esforço, abriu os olhos. Circunvagou-os pelo quarto, num meigo sorriso para todos. Um ligeiro tremor de lábios  como se quisesse falar alguma coisa. Depois, mais nada. Estava morto! Morrera como um pássaro!

O relógio marcava 23:30 hs de 21 de dezembro de 1930. Antoninho contava 12 anos de idade.

No dia seguinte, era inumado no jazigo da família no Cemitério da Consolação, na Quadra 80, Sepultura 6, onde a visitação publica o consagrou com a sua admiração e a sua veneração, de então para cá.

A missa de 7º dia foi celebrada sem qualquer pompa, com a encomendação sobre um modesto pano preto, entre quatro velas singelas. Era satisfeita assim a sua ultima vontade.

E, numa curiosa e bem interessante coincidência  conforme uma sua anterior previsão: por acidental engano da empresa funerária, foi seu corpo encerrado num caixão de adulto, carregado num coche de adulto e enterrado numa cova de adulto.

Toda a pequena existência desse grande menino paulista, não há duvida, extraordinária  fora assim revestida de grandes lances: reviveu, em poucos anos, nos dias da atualidade, uma vida beatifica igual à dos santos da antiguidade.

Texto publicado na Folha da Noite, quarta-feira, 12 de março de 1947
(Neste texto foram alterados alguns trechos da grafia original)

Fonte: Banco de Dados Folha e Wikipédia
Indicação: Simone Cristina Firmino