Mostrando postagens com marcador Cartunista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cartunista. Mostrar todas as postagens

Shaolin

FRANCISCO JOZENILTON VELOSO
(44 anos)
Humorista, Cartunista, Chargista, Caricaturista e Ator

☼ Coremas, PB (08/05/1971)
┼ Campina Grande, PB (14/01/2016)

Francisco Jozenilton Veloso, mais conhecido pelo nome artístico Shaolin, foi um cartunista, chargista, caricaturista, humorista e ator de televisão brasileiro.

Começou sua carreira, quando trabalhou no Teatro Municipal Severino Cabral, de Campina Grande. Foi cartunista político do jornal A Palavra, do Jornal da Paraíba e da Revista Nordeste, além de radialista na Rádio Campina Grande. Fez participação em grandes programas da televisão brasileira, como "Domingão do Faustão", "A Praça é Nossa", "Show do Tom" entre outros.

Seu último trabalho foi no programa "Tudo é Possível" com Ana Hickmann, parodiando famosos, como Leonardo, Joelma da Banda Calypso, Zezé di Camargo entre tantos outros.

Shaolin casou-se em dezembro de 1994 com Laudiceia Veloso, com quem teve dois filhos.

O Acidente

Shaolin ficou gravemente ferido em um acidente na BR-230, na região de Mutirão, em Campina Grande, PB, no dia 18/01/2011. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o comediante dirigia seu automóvel, uma Mitsubishi Pajero, no sentido São José da Mata quando um caminhão, que vinha na faixa oposta, invadiu a contramão e colidiu lateralmente contra seu veículo.

Shaolin foi levado para o hospital com traumatismo craniano e o braço esquerdo com fratura exposta e quase amputado. Depois de uma cirurgia de 4 horas no Hospital Antonio Targino, a equipe de cirurgiões conseguiu salvar seu braço, e ele foi colocado em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

No dia 20/01/2011, o motorista envolvido no acidente, Jobson Clemente Benício, de 23 anos, apresentou-se à delegacia da Polícia Rodoviária Federal da cidade paraibana. O inspetor responsável pela unidade ouviu o motorista que, em seguida, foi liberado.

Desde o acidente, já foram ouvidos policiais rodoviários federais, médicos do SAMU que prestaram os primeiros atendimentos ao humorista e pessoas da comunidade local, que presenciaram o ocorrido, segundo o advogado da família de Shaolin, Rodrigo Felinto.

Ainda de acordo com o advogado, a delegada responsável pelo caso pediu mais prazo ao Ministério Público, pois ainda faltam depoimentos de duas ou três testemunhas, além da documentação com o quadro clínico do humorista do hospital em que ele deu entrada logo após o acidente.

Assim que tudo estiver anexado ao inquérito, o Ministério Público julgará se acusa ou não o motorista do caminhão como réu no crime de lesão corporal na direção de veículo automotor, previsto no Código de Trânsito Brasileiro.

Hospital

Em maio de 2011, Shaolin saiu da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para um quarto no hospital, ainda em coma. Em 10/06/2011, em "estado mínimo de consciência e clinicamente estável", segundo o hospital, Shaolin recebeu alta e voltou para casa em Campina Grande, após 145 dias internado.

Em setembro de 2012, a apresentadora Ana Hickmann, durante uma reportagem em que visitou Shaolin, deu-lhe um aparelho importado da Suécia que permite a comunicação através de movimentos com os olhos. Shaolin se mostrou plenamente consciente e conseguiu se comunicar pela primeira vez desde o acidente, e expressou não estar feliz pela sua condição.

Morte

Shaolin, foi internado na quarta-feira, 13/01/2016, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da clínica particular Santa Clara, em Campina Grande, PB. A informação foi divulgada nas redes sociais pelo filho mais novo do humorista, o também ator e comediante Lucas Veloso, e pela esposa de Shaolin, Laudiceia Veloso.

De acordo com os familiares de Shaolin, o humorista deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da clínica "a princípio com um quadro de infecção respiratória". Na postagem, Lucas Veloso explica que o quadro pode ser considerado comum em pacientes acamados, como é o caso do humorista e pede orações.

No hospital, o humorista sofreu uma parada cardíaca e seu falecimento ocorreu às 02h15 do dia 14/01/2016. A notícia foi confirmada por seu filho, Lucas Veloso, por meio das redes sociais.

O corpo de Shaolin será velado e enterrado no Cemitério Campo Santo Parque da Paz ainda no dia 14/01/2016, segundo informou o genro do humorista, Ricardo. O velório será aberto ao público das 11h00 às 15h00 e o sepultamento está previsto para acontecer às 17h00.

Fonte: Wikipédia e G1 e R7

Péricles

PÉRICLES DE ANDRADE MARANHÃO
(37 anos)
Cartunista

☼ Recife, PE (14/08/1924)
┼ Rio de Janeiro, RJ (31/12/1961)

Péricles de Andrade Maranhão foi um cartunista brasileiro de grande sucesso nas décadas de 40 e 50. Ele foi um adolescente desenhista daquele com talento de enlouquecer qualquer professor. Jovem durante a fase áurea dos quadrinhos, por vezes imitou os traços de Dick Tracy, Agente Secreto X-9 e Flash Gordon.

Péricles nasceu no bairro do Espinheiro, no Recife, PE, no dia 14/08/1924, estudou no Colégio Marista e fez sua primeira charge para o Diário de Pernambuco. A charge viveu nas páginas de O Cruzeiro de 23/10/1943 a 03/02/1962.

Menor de idade, chegou ao Rio de Janeiro, com uma carta de recomendação para Leão Gondim de Oliveira, manda-chuva dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, então a mais poderosa rede de comunicações do país.

Em sua estréia, no dia 06/06/1942, era o funcionário mais jovem da empresa. Nove meses depois seu primeiro personagem cômico no Diário da Noite, Oliveira, o Trapalhão, já divertia os leitores.


No ano de 1943 a revista O Cruzeiro baseada numa equipe jovem e de qualidade, iniciou a revolução que faria nos anos seguintes se tornando a revista mais importante do Brasil. Péricles participou com um tipo humorístico que traduzisse "a verve típica e o humor carioca", que captasse "o estado de espírito daquele que vive no Rio de Janeiro, não importa onde tenha nascido".

Rabisca pra cá, rabisca para lá, Péricles colocou o lápis para pensar e emergiu uma figura que lhe parecia apropriada: Baixinho, cabelo penteado para trás à base de gumex, summer jacket, bigodinho safado e olhar de peixe morto. Fez tanto sucesso, que as tiradas que antes ficavam na capa e contra-capa passaram a ser dentro da revista, evitando que as pessoas apenas as folheassem sem pagar.

O Amigo da Onça foi utilizado para fazer jornalismo e críticas e em muitas situações o Amigo da Onça esculhamba instituições como o casamento, exército e a hipocrisia social contida no jogo de aparências. Estreou em 23/10/1943, capturando de imediato a atenção dos leitores.


Coube a Leão Gondim de Oliveira o batismo do personagem, baseado numa piada da época:

Dois caçadores conversam em seu acampamento:
- O que você faria se estivesse agora na selva e uma onça aparecesse na sua frente?
- Ora, dava um tiro nela.
- Mas se você não tivesse nenhuma arma de fogo?
- Bom, então eu matava ela com meu facão.
- E se você estivesse sem o facão?
- Apanhava um pedaço de pau.
- E se não tivesse nenhum pedaço de pau?
- Subiria na árvore mais próxima!
- E se não tivesse nenhuma árvore?
- Sairia correndo.
- E se você estivesse paralisado pelo medo?
Então, o outro, já irritado, retruca:
- Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?


O sucesso do Amigo da Onça entre os leitores era enorme, mal se podia esperar pela próxima revista para vê-lo cometer as maiores maldades: Enganar um podre transeunte na rua, pregar uma peça na sogra, azedar com o cara que pedia dinheiro emprestado, botar uma armadilha para o chefe mal-humorado, etc.

O Amigo da Onça foi publicado durante mais de 20 anos ininterruptos em O Cruzeiro. Ao contrário de repórteres como David Nasser e Jean Manzon, desenhistas de humor como Carlos Estevão ou escritores como Rachel de Queiroz, que transformaram seus nomes em grifes, quão difícil era desvincular seu nome do personagem.

Dono de uma personalidade atormentada, o sucesso fez com que o cartunista passasse a odiar sua criação, pois era sempre citado como "O criador do Amigo da Onça". Apesar disso, continuou ilustrando suas histórias semanalmente, por 17 anos ininterruptos.

Comentário Crítico

O Amigo da Onça, é uma espécie de herói irônico ou "figura do homenzinho macunaímico que satiriza costumes e acontecimentos". O personagem encarna com olhar cínico e dissimulado o espírito de porco que se encontra em algum lugar entre o malandro carioca da Lapa e o grã-fino da vida mundana do Rio de Janeiro. Sempre alinhado, de cabelo engomado, calças pretas, paletó branco e gravata-borboleta, o Amigo da Onça está pronto para tirar vantagem de tudo, em geral colocando seus interlocutores em situações humilhantes e vexatórias.

O personagem nasceu na revista ilustrada O Cruzeiro, em 1943, inspirado no quadro The Enemies Of Man, da revista americana EsquireLeão Gondim de Oliveira, editor da revista brasileira, teve a idéia de criar uma figura fixa e convocou o desenhista Augusto Rodrigues para dar forma ao Amigo. Contudo, seu desenho solto parecia não combinar com o humor negro implacável do personagem. Então convidou o jovem Péricles, recém-chegado do Recife, PE, e já colaborador em outros periódicos dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, com a série "Oliveira, o Trapalhão" da revista A Cigarra, para dar vida ao personagem. O homem de baixa estatura e nariz proeminente, desenhado em linhas bem-feitas e formas estilizadas, é prontamente aprovado.

Em popularidade, o Amigo da Onça tem antecedentes na história do humor gráfico brasileiro em figuras como Zé Povo, Jeca Tatu e Juca Pato. No entanto, diferentemente destes, não está associado aos oprimidos e sua luta. Ao contrário, em mais de mil páginas semanais, o Amigo da Onça assumiu diversos papéis sociais: é tanto o mendigo como o grã-fino, o chefe e o subalterno, o adulto e a criança, o ladrão e o policial, o retirante nordestino e o gaúcho, o náufrago e o comandante.

Tal mobilidade indica a universalidade na falta de valores e na suspensão de juízo crítico que orienta o personagem. Nos quadros do Amigo da Onça o leitor defronta um mundo cuja competição permanente exige ações livres de qualquer bom sentimento para quem quer ser vencedor. Nesse sentido, os quadros de Péricles - contemporâneo do teatro de Nelson Rodrigues, do projeto desenvolvimentista e da bossa nova - ironizam as afirmações de harmonia social advindas tanto da esquerda como da direita política e testemunham um processo de deterioração de valores sociais que se querem acima de qualquer poder ou exercício de exploração de um sobre o outro.

Por suas criações, Péricles é considerado um dos responsáveis pela inovação do humorismo brasileiro. Apesar dos diversos trabalhos de alta qualidade executados ao longo da vida - por exemplo, ao lado de Millôr Fernandes durante dez anos na coluna O Pif-Paf, também na revista O Cruzeiro, ou com charges políticas -, é com a figura baixinha do Amigo da Onça que o desenhista encontrou fama nacional.

Morte

Por trás da personalidade irreverente, havia uma pessoa muito sensível. No último dia do ano de 1961, sentindo-se só, suicidou-se abrindo o gás no seu apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro. Péricles era desquitado e estava longe dos parentes e amigos. Antes de cometer o suicídio, fixou na porta um cartaz onde se lia: "Não risquem fósforos".

Depois da morte de Péricles, o "Amigo da Onça" foi desenhado por Carlos Estevão, sendo publicado até 1972. Os diretores da revista O Cruzeiro queriam criar um personagem fixo e já tinham até o nome, adaptado de uma famosa anedota.

Sobre ele, escreveu o poeta Carlos Drummond de Andrade:

"A solidão do caricaturista seria talvez reação contra a personagem, que o perseguia, que lhe era necessária e que lhe travara os meios de comunicar-se e comungar com outros seres!"

Indicação: Miguel Sampaio

Borjalo

MAURO BORJA LOPES
(79 anos)
Desenhista e Cartunista

* Pitangui, MG (15/11/1925)
+ Rio de Janeiro, RJ (18/11/2004)

Borjalo, pseudônimo de Mauro Borja Lopes, foi um desenhista e cartunista brasileiro, conhecido por seus personagens de traços simples, desenhados sem boca e, na maior parte das vezes, sem diálogo.

A carreira de Borjalo começou em Belo Horizonte, no jornal Folha de Minas. Logo ele passaria para O Diário de Minas e de lá para o Rio de Janeiro, onde foi colaborador das revistas A Cigarra, Manchete, O Cruzeiro e O Cruzeiro Internacional. Seus cartuns mais marcantes foram os que traziam mensagens ecológicas, assunto pouco abordado naqueles anos 50.

Ficou conhecido fora do Brasil ao ser incluído entre os sete maiores caricaturistas do mundo no Congresso Internacional de Humorismo, em 1955 na Itália, e passou a ter trabalhos publicados no exterior, em veículos como The New York Times e Paris Match. Pouco depois, foi apontado como um dos cinco maiores do mundo por outro mestre do desenho, o romeno naturalizado norte-americano Saul Steinberg.


Ainda nos anos 60, passou a trabalhar em televisão, integrando-se à equipe de Fernando Barbosa Lima na Esquire, agência de comunicação que realizava programas para as principais emissoras do país, como a TV Rio, TV Excelsior, TV Tupi, TV Itacolomi, entre outras.

Em 1966, deixou a Esquire e foi para a TV Globo, convidado pelo então diretor-geral da emissora, Walter Clark. Na TV Globo, Borjalo trabalhou 36 anos, primeiro como diretor de programas, depois diretor de criação, diretor-geral da Central Globo de Produção, e, finalmente, diretor de controle de qualidade. Foi um dos principais parceiros do executivo de produção e programação José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, na implantação do chamado "Padrão Globo de Qualidade".

Além de atuar na direção de televisão, Borjalo nunca deixou de desenhar. Mas adaptou seus desenhos à linguagem da TV. Nos anos 60 ilustrava os programas que dirigia com caricaturas de olhos e boca móveis, para dar a impressão de que "falavam". Atores e/ou locutores dublavam os bonecos. Os primeiros bonecos falantes, como o próprio Borjalo apelidou essas caricaturas em papel-cartão, apareceram no Jornal de Vanguarda da TV Excelsior, e o mais famoso deles foi a Zebrinha da TV Globo, criada em 1972 para divulgar os resultados da loteria esportiva.


Nos anos 90, já usando os recursos da computação gráfica, criou alguns "cartuns-eletrônicos" para as vinhetas de intervalo da TV Globo, os famosos "plim-plins".

Também participou, por muitos anos, dos "Debates Populares" do radialista Haroldo de Andrade, na Rádio Globo AM do Rio de Janeiro. BorjaloHaroldo de Andrade foram grandes amigos.

Borjalo foi casado com a autora e roteirista de novelas Marilu Saldanha com quem teve dois filhos, Helena e Gustavo.

Borjalo morreu no Rio de Janeiro, no dia 18/11/2004, aos 79 anos de idade, em decorrência de um câncer na boca.

Fonte: Wikipédia

Millôr Fernandes

MILTON VIOLA FERNANDES
(88 anos)
Cartunista, Humorista, Dramaturgo, Escritor e Tradutor

* Rio de Janeiro, RJ (16/08/1923)
+ Rio de Janeiro, RJ (27/03/2012)

Com passagem marcante pelos veículos impressos mais importantes do Brasil, como O Cruzeiro, O Pasquim, Veja e Jornal do Brasil, entre vários outros, Millôr é considerado uma das principais figuras da imprensa brasileira no século XX.

Multifacetado, obteve sucesso de crítica e de público em todas os gêneros em que se aventurou, como em seus trabalhos de ilustração, tradução e dramaturgia, sendo várias vezes premiado. Além das realizações nas áreas literária e artística, ficou conhecido também por ter sido um dos idealizadores do frescobol.

Juventude

Filho do engenheiro espanhol Francisco Fernandes e de Maria Viola Fernandes, Millôr nasceu no do Méier em 16 de agosto de 1923, mas só foi registrado como Milton Viola Fernandes, no ano seguinte, em 27 de maio de 1924. De Milton se tornou Millôr graças à caligrafia duvidosa na certidão de nascimento, cujo traço não completou o "t" e deixou o "n" incompleto. Aos dois anos perde o pai, e sua mãe passa a trabalhar como costureira para sustentar os quatro filhos.

Millôr Fernandes (Fonte: AE)
De 1931 a 1935 estudou na Escola Ennes de Souza. Nesse meio tempo se torna leitor voraz de histórias em quadrinhos, especialmente Flash Gordon. A forte influência, e o estímulo de seu tio Antônio Viola, o leva a submeter um desenho ao períodico carioca O Jornal que, aceito e publicado, lhe rende um pagamento de 10 mil réis.

Aos doze anos perde a mãe, passando a morar com o tio materno Francisco, sua esposa Maria e quatro filhos no subúrbio de Terra Nova, próximo ao Méier. Dois anos depois, em 1938, passa a trabalhar para o médico Luiz Gonzaga da Cruz Magalhães Pinto, entregando seu remédio para os rins Urokava em farmácias. Pouco depois é empregado pela revista O Cruzeiro, assumindo as funções de contínuo, repaginador e factótum.

Na mesmo época, assinando sob o pseudônimo Notlim, ganha um concurso de contos na revista A Cigarra. É promovido a arquivista da publicação, e com o cancelamento de quatro páginas de publicidade desta, é convidado a preencher o espaço vago. Cria então a seção Poste Escrito, que assina como Vão Gogo.

Carreira Literária

O sucesso de sua coluna em A Cigarra faz com que ela passe a ser fixa, e Millôr assume a direção do periódico, cargo que ocuparia por três anos. Ainda sob o pseudônimo Vão Gogo, começa a escrever uma coluna no Diário da Noite. Passa a dirigir também as revistas O Guri, com histórias em quadrinhos, e Detetive, que publicava contos policiais.

Em 1941 volta a colaborar com a revista O Cruzeiro, continuando a assinar como Vão Gogo na coluna Pif-Paf, o fazendo por 18 anos. A partir daí passou a conciliar as profissões de escritor, tradutor (autodidata) e autor de teatro.

Já em 1956 divide a primeira colocação na Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires com o desenhista norte-americano Saul Steinberg. Em 1957, ganha uma exposição individual de suas obras no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Dispensa o pseudônimo Vão Gogo em 1962, passando a assinar apenas como Millôr em seus textos na revista O Cruzeiro. Deixa a revista no ano seguinte, por conta da polêmica causada com a publicação de A Verdadeira História do Paraíso, considerada ofensiva pela Igreja Católica.

Em 1964, passa a colaborar com o jornal português Diário Popular e obtém o segundo prêmio do Salão Canadense de Humor. Em 1968, começa a trabalhar na revista Veja, e em 1969 torna-se um dos fundadores do jornal O Pasquim.

Nos anos seguintes escreveu peças de teatro, textos de humor e poesia, além de voltar a expor no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Traduziu, do inglês e do francês, várias obras, principalmente peças de teatro, entre estas, clássicos de Sófocles, William Shakespeare, Molière, Bertolt Brecht e Tennessee Williams.

Depois de colaborar com os principais jornais brasileiros, retornou à Veja em setembro de 2004, deixando a revista em 2009 devido a um desentendimento acerca da digitalização de seus antigos textos, publicados sem sua autorização no acervo on-line da publicação.

Problemas de Saúde

No princípio de fevereiro de 2011, Millôr sofreu um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico. Permaneceu em torno de duas semanas inconsciente na UTI, e após cinco meses de internação em uma clínica no Rio de Janeiro, recebeu alta no dia 28 de junho. Dois dias depois voltou a se sentir mal, passando outros cinco meses internado.

Após o segundo internamento a família de Millôr manteve em privado os detalhes a respeito de sua saúde, até que em 28 de março de 2012 é divulgado à imprensa que o escritor morrera no dia anterior, em decorrência de Falência Múltipla dos Órgãos e Parada Cardiorrespiratória.

Fonte: Wikipédia

Arapuã

SÉRGIO ARAPUÃ DE ANDRADE
(81 anos)
Jornalista, Publicitário, Humorista, Cartunista e Cronista Esportivo

* São Paulo, SP (1928)
+ São Paulo, SP (02/10/2009)

Jornalista, publicitário, humorista, cartunista e cronista esportivo, começou como repórter e redator no O Mundo Esportivo, Atuou em diversos jornais, revistas, rádio e TV. Escreveu a coluna Ora Bolas nos anos 1950 a 1970, nos jornais Diário da Noite e Última Hora.

Na publicidade criou a campanha da Cerveja Antárctica "Nós viemos aqui pra beber ou conversar?").

Foi autor de livros como Ora Bolas, Como Ganhar Eleições Usando Rádio e TV e O Futebol dos Imbecis.

Foi casado com Maria Helena e do casamento teve um filho chamado Sérgio Augusto.

Faleceu no dia 02/10/2009 no Hospital Sírio Libanês em São Paulo.

Fonte: Projeto VIP

Henfil

HENRIQUE DE SOUSA FILHO
(43 anos)
Cartunista, Quadrinista, Jornalista e Escritor

* Ribeirão das Neves, MG (05/02/1944)
+ Rio de Janeiro, RJ (04/01/1988)

Como outros dois de seus irmãos — o sociólogo Betinho e o músico Chico Mário, herdou da mãe a Hemofilia.

A estreia de Henfil deu-se em 1964 na revista "Alterosa". Em 1965 passou a colaborar com o jornal Diário de Minas, tendo seu trabalho também publicado no Jornal dos Sports, do Rio de Janeiro, e nas revistas Realidade, Revista Visão, Revista Placar e O Cruzeiro. Aí mudou-se para o Rio, onde em 1969 passou a trabalhar no Jornal do Brasil e no jornal O Pasquim.

Com o advento do AI-5 - garantindo a censura dos meios de comunicação, e os órgãos de repressão prendendo e torturando os "subversivos", - Henfil, em 1972, lançou a revista "Fradim" pela editora Codecri, que tornou seus personagens conhecidos. Além dos fradinhos "Cumprido e Baixim", a revista reuniu a "Graúna", o "Bode Orelana", o nordestino "Zeferino" e, mais tarde, "Ubaldo, o paranoico".

Henfil envolveu-se também com cinema, teatro, televisão (trabalhou na Rede Globo, como redator do extinto programa TV Mulher) e literatura, mas ficou marcado mesmo por sua atuação nos movimentos sociais e políticos brasileiros. Ele tentou seguir carreira nos Estados Unidos, mas não teve lugar nos tradicionais jornais estadunidenses, sendo renegado a publicações underground. Ele então retornou ao Brasil, publicando mais um livro.

Henfil passou toda sua vida a defender o fim do regime ditatorial pelo qual o Brasil passava. Quando em 1972 Elis Regina fez uma apresentação para o exército brasileiro, Henfil publicou em O Pasquim uma charge enterrando a cantora, apelidando-a de "regente" - junto a outras personalidades que, na ótica dele, agradariam aos interesses do regime, como os cantores Roberto Carlos e Wilson Simonal, o jogador Pelé e os atores Paulo Gracindo, Tarcísio Meira e Marília Pêra. Elis Regina protestou contra as críticas, e Henfil enterrou-a novamente.

Cronista do Humor

Os escritos de Henfil eram anotações rápidas. Não eram propriamente crônicas, mas um misto de reflexões rápidas, assim como seus traços ligeiros dos cartuns. Célebres eram suas "Cartas à mãe" — título comum em que escrevia sobre tudo e todos, muitas vezes atirando como metralhadora, usando um tom intimista do filho que realmente fala com a mãe — ao tempo em que criticava o governo e cobrava posições das personalidades.

Mesmo seus livros são em verdade a reunião desses escritos, a um tempo memorialistas e de outro falando sobre tudo, sobre a conjuntura política e seu engajamento.

Em "Diário de um Cucaracha", por exemplo, Henfil narra sua passagem pelos Estados Unidos, onde tentou "fazer a América, sonho de todo latino-americano que se preza" (segundo ele próprio). A obra traz um quadro em que o cartunista relata o choque cultural que experimentou, a reação vigorosa do público americano aos seus personagens, classificados como agressivos e ofensivos. Tudo isso escrito em capítulos pequenos, no tom intimista de quem dialoga não com um leitor anônimo, mas com um amigo ou conhecido. No ano de 2009 seu único filho criou o Instituto Henfil.

Obras Publicadas

1976 - Diário de um Cucaracha (1976)
1976 - Hiroxima, Meu Humor (1976)
1984 - Dez em Humor (Coletânea, 1984)
1984 - Diretas Já! (1984)
1984 - Henfil na China (1984)
1984 - Fradim de Libertação (1984)
1984 - Como se Faz Humor Político (1984)

Morte

Após uma transfusão de sangue acabou contraindo o vírus da AIDS. Ele faleceu vítima das complicações da doença no auge de sua carreira, com seu trabalho aparecendo nas principais revistas brasileiras.

Fonte: Wikipédia

Glauco Villas Boas

GLAUCO VILLAS BOAS
(53 anos)
Desenhista e Cartunista

* Jandaia do Sul, PR (10/03/1957)
+ Osasco, SP (12/03/2010)

Mudou-se para Ribeirão Preto em 1976, e após ser descoberto pelo jornalista José Hamilton Ribeiro, publicou seus primeiros trabalhos no jornal Diário da Manhã.

Foi premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba em 1977, por um júri formado por Jaguar, Millôr Fernandes, Henfil e Angeli, e mais tarde na 2ª Bienal de Humorismo y Gráfica de Cuba.

Em 1984, ao desenvolver sua "Autobiografia Com Exageros", começou a publicar no caderno Ilustrada do jornal Folha de São Paulo, convidado por Angeli, onde mostrou vários personagens, entre eles Geraldão, criado em 1981 após ler A Erva do Diabo, de Carlos Castaneda. Logo também vieram Casal Neuras, Doy Jorge, Dona Marta e Zé do Apocalipse.

Fez parte do elenco de redatores da TV Pirata e de alguns quadros do programa infantil TV Colosso, ambos da Rede Globo, para a qual também desenvolveu vinhetas.

Editou a revista Geraldão pela Circo Editorial entre 1987 e 1989 e, nesse período, foi colaborador das revistas Chiclete com Banana e Circo.

Músico, também tocava em bandas de rock. Para o público infantil, leitor do suplemento semanal Folhinha criou o personagem Geraldinho, que é uma versão light (no traço e na temática) do seu personagem Geraldão.

Era adepto do Santo Daime, e foi padrinho fundador da igreja animista Céu de Maria, que ficava em sua casa em Osasco.

Estilo

Com um humor ácido, piadas rápidas, traços limpos, "ultrassofisticado no pensamento" e com "um jeito particular, que unia inocência e malícia", Glauco colaborou para a modernização do projeto gráfico e do estilo dos cartoons brasileiros em período coincidente com o do advento de uma geração pós-ditadura.

Os trabalhos do cartunista expressavam "o singelo, uma expressão quase infantil", em resultado que mostrava a valorização do sentido urgente do humor.

A abordagem dos seus trabalhos era o cotidiano e a sua degradação. Problemas conjugais, neurose, solidão, drogas e violência urbana eram retratadas "sempre com graça e compaixão".

O nome de Glauco sempre esteve associado aos de Angeli e Laerte, "a santíssima trindade dos quadrinhos brasileiros", pela afinidade e por trabalharem no mesmo jornal durante 25 anos.

Morte

Glauco foi assassinado em Osasco na madrugada de 12/03/2010. Seu advogado divulgou à imprensa que o crime ocorrera durante uma tentativa de assalto seguido de sequestro: ele teria negociado com os bandidos, que o levariam e deixaram sua mulher e os dois filhos. Enquanto saíam de casa, um outro filho de Glauco (Raoni, de 25 anos) chegou ao local e tentou dissuadir os assaltantes, que atiraram e mataram pai e filho.

Esta versão foi posteriormente desmentida pela polícia que, após colher depoimentos das testemunhas do crime, chegaram ao nome do universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes. Armado com uma pistola automática e uma faca, o suspeito teria chegado ao local disposto a levar Glauco e sua família para a casa de sua mãe em São Paulo com o objetivo de afirmar à mulher que ele era Jesus Cristo. Glauco tentou negociar para ir sozinho, e chegou a ser agredido. No momento da discussão, porém, Raoni chegou de carro. Em seguida, Carlos Eduardo atirou contra pai e filho, por motivos ainda não esclarecidos.

O universitário foi detido na Ponte da Amizade na madrugada de 15 de março enquanto tentava fugir para o Paraguai e, confrontado pela polícia, confessou o crime.

Glauco e Raoni foram enterrados no cemitério Gethsêmani Anhanguera, zona norte de São Paulo.

Fonte: Wikipédia