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Duda Ribeiro

DUDA RIBEIRO
(54 anos)
Ator, Diretor e Roteirista

☼ Rio de Janeiro, RJ (05/06/1962)
┼ Rio de Janeiro, RJ (14/09/2016)

Duda Ribeiro foi um ator, diretor e roteirista brasileiro. Nascido no Rio de Janeiro, em 05/06/1962, foi criado em São Pedro da Aldeia, RJ. Somente em 1971, voltou ao Rio de Janeiro, onde passou a adolescência.

Em 1986, concluiu o curso de engenharia mecânica, na Faculdades Souza Marques e só no final do curso teve contato com o teatro. Foi convidado pelo diretor Carlos Wilson, para a montagem do espetáculo "Nossa Cidade", mesmo nunca tendo atuado. Conheceu Carlos Wilson em uma reunião no Tablado, na qual, foi com Marcello Novaes.

A formação em engenharia ajudou Duda Ribeiro de certa forma, já que aprendeu a ser uma pessoa mais metódica e organizada, valores muito importantes no teatro.

Atuou em mais de 30 espetáculos teatrais, sendo que alguns fizeram muito sucesso no cenário nacional, com destaque para o musical "Rocky Horror Show", direção de Jorge Fernando, "Ciúme", direção de Marília Pêra, "Romeu e Julieta", direção de Pedro Vasconcelos, dentre tantos outros.

Na televisão, Duda Ribeiro fez oito novelas, três minisséries e várias participações. Com a autora Glória Perez, atuou em "Barriga de Aluguel" (1990), "De Corpo e Alma" (1992), "Pecado Capital" (1988) e na minissérie "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes" (2007). Com o autor Carlos Lombardi, nas novelas "Vira lata" (1996) e "Kubanacan" (2003). Do autor Agnaldo Silva fez "Pedra Sobre Pedra" (1992).


No cinema, fez parte do elenco dos filmes "Assalto ao Banco Central" (2011) e "Heleno" (2012).

Duda Ribeiro foi professor do segundo período na Faculdade Estácio de Sá, no curso Autor/Roteirista Para Televisão. Deu aulas de Adaptação Literária Para Roteiro de Televisão.

Produziu, atuou e dirigiu esquetes e espetáculos de humor para a Tim, jornal O Globo, Petrobrás, Gerdau, entre outros.

Em julho de 2009, Duda Ribeiro lançou seu primeiro livro: "Falando Sob Elas", pela editora Nova Fronteira Cultural. O livro é uma junção de oito textos teatrais, todos com os personagens principais sendo mulheres.

Em 2012, estava no teatro no espetáculo "Dona Flor e Seus Dois Maridos", de Jorge Amado, com direção de Pedro Vasconcelos.

Duda Ribeiro dizia que para ele nada nessa vida é por acaso. Tudo acontece com um propósito, e com sua carreira não foi diferente. Ainda completou "Digo que não escolhi, fui escolhido".

Duda Ribeiro interpretou o personagem Adam em "Salve Jorge" (2012) e participou do "Vai Que Cola" em 2013. Ele estava escalado para a próxima novela de Gloria Perez, "À Flor da Pele", que estreia em 2017 na Rede Globo.

Em 2010, Duda Ribeiro passou por seis cirurgias para tratar um câncer no fígado e precisou realizar um transplante.

Morte

Duda Ribeiro morreu na quarta-feira, 14/09/2016, aos 54 anos. Ele lutava contra um câncer e estava internado no Hospital Adventista Silvestre no Rio de Janeiro.

Em nota oficial, a direção do hospital informou que Duda Ribeiro estava "em processo de quimioterapia para tratamento de um tumor neuroendócrino, que evoluiu para uma pneumonia grave e resultou em choque séptico. O ator faleceu nesta quarta-feira, às 05h10".

Em seu última publicação no Facebook, no dia 07/09/2016, Duda Ribeiro escreveu:

"A vida nas mãos do Criador. Não se iluda, ela não será controlada por você. Por isso tente, uma vez só, deixar que ela flua como Ele quer."

Vários amigos lamentaram a morte do ator nas redes sociais.

"Amigo querido. Aprendi com ele em cada momento de sua luta. Aceitando com alegria seu destino e nos alegrando a todos sempre. Mais uma estrela nos ilumina agora em paz!"
(Letícia Spiller no Instagram)

A autora Gloria Perez contou que o ator já foi namorado de sua filha Daniella Perez.

"Duda chegou em nossa família na adolescência, como o primeiro namorado sério da Dany. E ficou para sempre, como um amigo querido e presente. Hoje ele foi embora, depois de lutar tanto e tão bravamente pela vida. Muita saudade, Duda!"

"Meu amigo amado, é com essa imagem que me despeço de você, em 'Assalto ao Banco Central'. Foi você que me ensinou a fazer comédia, foi com a sua direção que ganhei premio de atriz revelação no teatro, foi com você que fiz um dos melhores e mais divertidos trabalhos da minha vida. Te amo muito, parabéns pela sua passagem nesse plano, dois filhos lindos, um grande homem, grande amigo e um grande ator. Vai com Deus!"
(Antonia Fontenelle)

Duda Ribeiro deixa dois filhos, Júlia, 16 anos, e Felipe, de 14, frutos do seu relacionamento com a dentista Patricia Iorio.

Trabalhos

Televisão

  • 2013 - Vai Que Cola
  • 2012 - Salve Jorge ... Adam
  • 2011 - Tapas & Beijos ... Ricardo
  • 2009 - Caminho das Índias ... Miguel
  • 2009 - Paraíso ... Mané Corrupio
  • 2008 - Beleza Pura ... Lino
  • 2008 - Casos e Acasos ... Denilson
  • 2008 - Toma Lá, Dá Cá ... Detetive Paranhos
  • 2008 - Faça Sua História ... Passageiro
  • 2007 - Sítio do Pica-Pau Amarelo ... Jeca Tatu
  • 2007 - Amazônia, de Galvez a Chico Mendes ... Doutor
  • 2006 - Avassaladoras ... Tônio
  • 2005 - A Lua Me Disse ... Policial
  • 2000 - Aquerela do Brasil ... Policial Ferreira
  • 1999 - Você Decide (Episódio: Uma Mina de Ouro)
  • 1998 - Labirinto ... Valmir
  • 1998 - Pecado Capital ... Tatu
  • 1991 - Barriga de Aluguel ... Ricky

Teatro

  • Doida Varrida (Autor)
  • O Mundo é dos Animais (Autor e Ator)
  • Quem é Que Manda? (Autor e Diretor)
  • Uma Dupla de Dois (Autor e Ator)
  • Doido Varrido (Autor e Ator)
  • Ópera dos Horrores (Autor)
  • O Enviado (Autor, Ator e Diretor)
  • Romeu e Julieta (Ator)
  • Rádio no Ar (Autor e Diretor)
  • Mulheres de Nelson (Diretor e Adaptação)
  • Dona Flor e Seus Dois Maridos (Ator)
  • Não Olhe Pra Baixo, Você Vai Querer Pular (Diretor)

Fernando Baleroni

FERNANDO BALERONI
(57 anos)
Ator, Diretor, Roteirista e Produtor

☼ São Paulo, SP (25/11/1922)
┼ São Paulo, SP (22/11/1980)

Fernando Baleroni foi um ator, diretor, roteirista e produtor brasileiro, nascido em São Paulo, SP, no dia 25/11/1922. Foi casado com a atriz Laura Cardoso com quem teve duas filhas, Fátima e Fernanda.

Começou a carreira no rádio em 1944 na Rádio Difusora, onde já mostrou toda a sua versatilidade. Era ator de radioteatro, diretor e autor. Da mesma forma sua versatilidade ia do drama à comédia. Foi também ator de cinema, onde aparecia muito bem. Enfim, era figura muito querida e aproveitada na época.

Estava na Rádio Cultura de São Paulo, quando se casou com a também atriz Laura Cardoso. O casal teve duas lindas filhas, Fátima e Fernanda.

Para salientar seu trabalho como ator, devemos citar que levavam sua assinatura no rádio, os seguintes programas: "Novela Sertaneja", "Bonde das Sete" e "Transatlântico de Luxo".

Fernando Baleroni e a esposa se transferiram da Rádio Cultura para as Emissoras Associadas, mais ou menos em 1952. E assim passaram ambos a fazer tanto rádio, como TV. Para a televisão, Fernando Baleroni escreveu "Seu Pepino" e "O Corintiano". Dirigiu as novelas "Abnegação" (1966), "A Pequena Karen" (1966) e "Seu Pepino" (1955).

Como ator salientou-se muito em grandes peças, levadas ao ar pelo "TV de Vanguarda". Fez "Casa de Bonecas", "Solnessem", "O Construtor", "Os Miseráveis", "O Delator" e "Hamlet". Atuou nas novelas "Sol Amarelo" (1971), "Editora Mayo, Bom Dia" (1971), "Os Fidalgos da Casa Mourisca" (1972) e "Os Deuses Estão Mortos" (1971). Embora aqui estejam citadas só novelas da TV Record, Fernando Baleroni também fez novelas na TV Tupi, anteriormente, e na TV Excelsior. Nesta fez "Vidas em Conflito" (1969), "Os Diabólicos" (1968), "Os Tigres" (1968), dentre outras.

Fernando Baleroni  participou com sucesso dos filmes "O Sobrado" (1956), "Dona Violante Miranda" (1960), "Na Garganta do Diabo" (1960) e "Cléo e Daniel" (1970).

Também participou de peças teatrais importantes, como "Os Catadores de Papel", "Depois da Queda", "O Marido Vai à Caça" e "As Comadres de Windson".

Fernando Baleroni recebeu muitos prêmios, entre os quais o Prêmio Saci, como melhor ator de cinema, pelo filme "O Sobrado". Pela mesma atuação recebeu o prêmio O Governador do Estado de São Paulo.

Fernando Baleroni faleceu em São Paulo, SP, no dia 22/11/1980, aos 57 anos, na semana em que iria completar 58 anos.

Carreira

Televisão
  • 1973 - Vendaval
  • 1972 - O Leopardo
  • 1972 - Os Fidalgos da Casa Mourisca
  • 1972 - O Príncipe e o Mendigo ... Pai de Andrew
  • 1971 - Sol Amarelo
  • 1971 - Editora Mayo, Bom Dia ... Chicão
  • 1970 - Tilim
  • 1969 - Mais Forte Que o Ódio ... Januário
  • 1969 - Algemas de Ouro ... Delegado
  • 1969 - Vidas em Conflito ... Pedro
  • 1968 - Os Diabólicos ... André
  • 1968 - Os Tigres
  • 1967 - Sublime Amor ... Fausto
  • 1967 - O Grande Segredo ... Delegado
  • 1966 - Redenção ... Mateus
  • 1966 - Ninguém Crê em Mim ... Orestes
  • 1966 - Abnegação ... Rafael
  • 1965 - O Caminho das Estrelas ... Martino
  • 1965 - A Ilha dos Sonhos Perdidos
  • 1965 - O Céu é de Todos
  • 1965 - Vidas Cruzadas ... Rodolfo
  • 1965 - Pecado de Mulher
  • 1964 - A Cidadela
  • TV de Vanguarda
  • 1958 - Os Miseráveis ... Jean Vanjean
  • TV de Comédia
  • TV Teatro
  • 1958 - Casa de Bonecas
  • 1957 - O Corcunda de Notre-Dame ... Rei dos Mendigos
  • 1957 - Os Três Mosqueteiros ... Portus
  • 1956 - Douglas Red ... Pablo
  • 1955 - O Falcão Negro ... Cesar Borgia
  • 1955 - Legionário Invencível
  • 1955 - Seu Pepino
  • 1953 - Segundos Fatais


Cinema
  • 1970 - Cléo e Daniel
  • 1960 - Dona Violante Miranda
  • 1960 - Na Garganta do Diabo
  • 1957 - Paixão de Gaúcho
  • 1956 - O Sobrado
  • 1949 - Luar do Sertão


Diretor
  • 1966 - A Pequena Karen
  • 1957 - Seu Genaro
  • 1956 - Douglas Red
  • 1956 - Seu Tintoreto
  • 1955 - Seu Pepino


Roteirista
  • 1956 - Douglas Red
  • 1956 - Seu Tintoreto
  • 1954 - Ciúme
  • 1954 - O Grande Sonho


Carlos Manga

JOSÉ CARLOS ARANHA MANGA
(87 anos)
Montador, Roteirista e Diretor de Cinema e TV

☼ Rio de Janeiro, RJ (06/01/1928)
┼ Rio de Janeiro, RJ (17/09/2015)

José Carlos Aranha Manga foi um montador, roteirista e diretor de cinema e televisão brasileiro. Carlos Manga inovou a comédia e a sátira no cinema brasileiro. Filho do advogado Américo Rodrigues Manga e de Maria Isabel AranhaJosé Carlos Aranha Manga nasceu em 06/01/1928, no Rio de Janeiro.

Começou a trabalhar como bancário, porém sua paixão pelo cinema. Essa paixão o levou para a Atlântida Cinematográfica, através do ator Cyll Farney que integrava o primeiro time da companhia. Na ocasião, foi contratado pela Atlântida, para trabalhar no setor de almoxarifado, e abandonou o curso de direito no segundo ano. Mas aos poucos foi aprendendo o ofício e galgando posições. De contra-regra, passou a assistente de montagem e de direção. Por volta de 1951, atuou como diretor musical em filmes da Atlântida, o que o qualificou para a sua primeira empreitada como diretor.

Seu nome artístico, Carlos Manga, foi sugerido pelo então presidente da companhia, Luiz Severiano Ribeiro Júnior.

Junto com Watson Macedo, foi um dos principais diretores do período de ouro, os anos 50, da Atlântida, onde esteve à frente de clássicos da chanchada como "Nem Sansão Nem Dalila" (1954), "Matar Ou Correr" (1954) e "O Homem do Sputnik" (1959). Fez sua estreia, inclusive, em um filme produzido em 1952 pela antiga companhia, e dirigido por José Carlos Burle, "Carnaval Atlântida" (1952). Na época, foi responsável por dirigir os números musicais.

Ao todo, Carlos Manga dirigiu 32 filmes. O primeiro deles, ainda na Atlântida, foi "A Dupla Do Barulho", em 1953. No elenco, além de Oscarito e Grande Otelo, os grandes astros da época, nomes como Wilson Grey, Fregolente, entre outros.

Do Cinema Para a Televisão

Começou a trabalhar na televisão no início dos anos 1960, a convite de Chico Anysio, na antiga TV Rio. Estreou dirigindo o programa "O Riso é o Limite", depois passou por "Noites Cariocas", "Agora é Que São Elas", entre muitos outros. Ainda naquela emissora, foi o responsável, junto com o técnico Marcelo Barbosa, pela primeira edição em videotape da televisão brasileira, feita para o humorístico "Chico City", em 1961. Ainda no início da década de 1960, começou a trabalhar também com publicidade, atividade que desempenharia ao longo de toda a sua carreira no cinema e na televisão.

Contratado pela TV Excelsior, onde chegaria a ser o diretor geral, dirigiu programas importantes, como o musical "Times Square", "Vovô Deville", "A Cidade Se Diverte", "Dois No Balança", "My Fair Lady", entre outros.

Carlos Manga trabalhou também na TV Record de São Paulo, no final da década de 1960, ao lado de profissionais renomados como o produtor Nilton Travesso, o editor Paulo de Carvalho, o escritor Manoel Carlos e o humorista Jô Soares. Ainda na TV Record, criou programas como "Preto No Branco" e "Quem Tem Medo da Verdade?", além de participar das edições do Prêmio Roquette Pinto, sobretudo a de 1968, quando se apresentou imitando o cantor norte-americano Al Johnson, devidamente caracterizado.

No início dos anos 1970, Carlos Manga morou na Itália, onde conheceu a Cinecittá e trabalhou com seu grande ídolo, o diretor de cinema Federico Fellini. De volta ao Brasil, em 1974, escreveu, produziu e dirigiu o longa-metragem "O Marginal", estrelado por Darlene Glória e Tarcísio Meira, inspirado nos métodos de direção aprendidos com Federico Fellini. Em seguida, ainda em 1974, Carlos Manga escreveu e dirigiu "Assim Era Atlântida", em que contou com a assistência de direção de um iniciante promissor, Silvio de Abreu.

Em 1980, também convidado por Chico Anysio, foi contratado pela TV Globo, onde dirigiu a segunda versão do humorístico "Chico City". Ainda na linha de humor da emissora, Carlos Manga dirigiu também "Os Trapalhões", na fase de maior sucesso do programa. Seu último trabalho no cinema seria ao lado deles, no filme "Os Trapalhões e o Rei do Futebol" (1986), que contou com a participação especial de Édson Arantes do Nascimento, o Pelé.

Minisséries: Grandes Produções

Na década de 1990, já como diretor artístico de minisséries da TV Globo, Carlos Manga foi responsável por grandes produções da teledramaturgia brasileira, como "Agosto" (1993), "Memorial De Maria Moura" (1994), protagonizada por Glória Pires, e "Engraçadinha... Seus Amores e Seus Pecados" (1995), adaptação da obra clássica de Nelson Rodrigues, com Cláudia Raia no papel principal.

Carlos Manga dirigiu ainda "A Madona De Cedro" (1994), adaptada por Walther Negrão a partir do romance homônimo de Antônio Callado, "Incidente em Antares" (1994), baseada na obra de Érico Verissimo, e "Decadência" (1995), de Dias Gomes.

Além das minisséries, Carlos Manga tornou-se diretor de núcleo e foi responsável pela produção de duas novelas na TV Globo. A primeira foi o remake de "Anjo Mau" (1997), escrita originalmente por Cassiano Gabus Mendes em 1976 e adaptada por Maria Adelaide Amaral, com a atriz Glória Pires no papel da vilã Nice. A segunda novela foi "Torre de Babel" (1998), de Sílvio de Abreu, que teve no elenco grandes astros e estrelas da emissora, como Tarcísio Meira, Glória Menezes, Edson Celulari, Cláudia Raia, Tony Ramos, entre outros.

No final dos anos 1990, após a experiência com a teledramaturgia e o êxito que suas obras obtiveram, Carlos Manga voltou a trabalhar com a linha de shows, na qual iniciara sua carreira, cerca de quarenta anos antes. Nessa linha, dirigiu desde programas de auditório, como o "Domingão do Faustão" (1989), seriados, como "Sandy & Junior" (1999) e "Sítio do Pica-Pau Amarelo" (2001).

Carlos Manga iniciou os anos 2000 trabalhando como diretor artístico do "Zorra Total" (1999), que reúne diversos humoristas da emissora. Em 2004, voltou a trabalhar como diretor artístico em uma minissérie da TV Globo.

Em "Um Só Coração" (2004), de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, o diretor esteve à frente de um grande elenco, estrelado por Ana Paula Arósio, Edson Celulari, entre muitos outros. A minissérie foi produzida em comemoração aos 450 anos da cidade de São Paulo.

Aos 50 anos de carreira, o diretor foi homenageado e fez uma participação especial, no papel de si mesmo, na novela "Belíssima" (2006), de seu amigo Sílvio de Abreu. Além disso, por sua contribuição ao cinema brasileiro, recebeu o primeiro Troféu Oscarito, no Festival de Gramado.

Em 2007, o núcleo Carlos Manga foi responsável pela produção da novela "Eterna Magia" (2007), de Elizabeth Jhin, que contou com a supervisão de texto de Sílvio de Abreu.

Em setembro de 2008, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) concedeu ao cineasta Carlos Manga o título de Cidadão Benemérito do Estado do Rio.

Em novembro de 2010, Carlos Manga participou como ator do seriado "Afinal, o Que Querem As Mulheres?". A trama contava a aventura de um jovem escritor e psicólogo, interpretado por Michel Melamed, obcecado por entender o sexo oposto. Carlos Manga interpretou o papel de Don Carlo, um conde italiano decadente que namorava Celeste, vivida por Vera Fischer.

Em "Dercy de Verdade", da autora Maria Adelaide Amaral, Carlos Manga foi personagem. A minissérie, que foi ao ar em janeiro de 2012, contou a história de um século de vida e 86 anos de carreira da artista Dercy Gonçalves. Carlos Manga foi responsável pela primeira aparição de Dercy Gonçalves na televisão, quando era produtor da TV Excelsior. Ele foi interpretado pelo ator Danton Mello.

Morte

Carlos Manga morreu na quinta-feira, 17/09/2015, aos 87 anos. Ele tinha 87 anos e morava no Rio de Janeiro.  A informação foi confirmada no começo da noite de quinta-feira, 17/09, pela Central Globo de Comunicação. A causa da morte não foi divulgada.

Indicação: Fadinha Veras e Miguel Sampaio

Barbara Heliodora

HELIODORA CARNEIRO DE MENDONÇA
(91 anos)
Diretora, Crítica e Professora Teatral, Roteirista, Figurinista, Tradutora e Ensaísta

* Rio de Janeiro, RJ (29/08/1923)
+ Rio de Janeiro, RJ (10/04/2015)

Heliodora Carneiro de Mendonça, ou Barbara Heliodora, foi diretora crítica e professora teatral, roteirista, figurinista, tradutora, ensaísta e uma das maiores autoridades brasileiras da obra de William Shakespeare. Era filha do historiador Marcos Claudio Philippe Carneiro de Mendonça e e da poetisa Anna Amelia de Queiroz Carneiro de Mendonça.

Barbara Heliodora fez o Bacharelado em Língua e Literatura Inglesas no Connecticut College, nos Estados Unidos, e o Doutorado em Artes na Universidade de São Paulo (USP). Começou a carreira como jornalista aos 35 anos. Nessa época, estreou na crítica teatral por insistência de seus amigos que trabalhavam no meio e conheciam sua admiração pela arte.

Pela relevância de seu trabalho, ao longo de sua carreira recebeu o título de Oficial da Ordre des Arts et des Lettres, da França, a Medalha Connecticut College, nos Estados Unidos e a Medalha João Ribeiro, da Academia Brasileira de Letras (ABL), em 2005, pelos serviços prestados à cultura brasileira. Era Professora Titular aposentada da Universidade do Rio de Janeiro (UNI-RIO) e Professora Emérita da mesma Universidade.

Entre suas atividades profissionais, exerceu sobretudo o ofício de crítica teatral, mas desempenhou outros papéis no cenário cultural nacional, entre os quais o de diretora do Serviço Nacional de Teatro (1964-1966); o de fundadora e duas vezes presidente do Círculo Independente de Críticos Teatrais (RJ-SP); de membro do júri do Prêmio Molière, desde sua criação até a extinção, membro do júri do Prêmio Mambembe; integrante da equipe de jurados para as bolsas da Rio-Arte na área de teatro e membro de júris de incontáveis outras premiações.


Exerceu também a atividade de tradutora, tendo em seu currículo a publicação em português de cerca de 40 livros de vários gêneros e autores de língua inglesa e um mesmo número de peças de teatro de autores diversos além de, como especialista da obra de William Shakespeare, ter traduzido boa parte das peças do "bardo".

Barbara Heliodora tornou-se uma das mais respeitadas especialistas em Shakespeare do país. Sua paixão pelo dramaturgo inglês começou na infância e, segundo a própria Barbara Heliodora, continuou por toda a vida: ela dizia que Shakespeare foi um grande e fiel amigo.

Entre suas obras, destacam-se os livros: "A Expressão Dramática do Homem Político em Shakespeare", "Falando de Shakespeare" e "Martins Pena, Uma Introdução".

Participou de publicações coletivas, tendo escrito capítulos ou artigos em livros como "A História da Cultura no Brasil" (MEC); "A Era do Barroco" (MNBA); "Theatre Companies Of The World" (Kullman & Young); "Escenarios de dos Mundos" (Centro de Documentación Teatral, Espanha); e freqüentemente teve artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais, entre os quais citam-se o Shakespeare Survey; o Shakespeare Quarterly; o Shakespeare Bulletin; a revista Bravo!; a revista República; e os jornais Estado de São Paulo e Folha de São Paulo.

Como crítica, era admirada e temida: "Eu me indispus com muita gente", dizia. "Mas agora passo por cima de tudo isso. Não tenho rancores. Só projetos", disse em 2014 em entrevista a revista Época.

Barbara Heliodora se aposentou no final de 2013, quando anunciou que abandonaria a coluna que mantinha no jornal O Globo. Pretendia continuar trabalhando como tradutora.

Morte

Bárbara Heliodora morreu na manhã de sexta-feira, 10/04/2015, aos 91 anos, no hospital Samaritano, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ela estava internada desde o dia 21/03/2015. Ela deixou três filhas e quatro netos.

Fonte: Instituto de Artes Unicamp e Época
Indicação: Fadinha Veras

João Ubaldo Ribeiro

JOÃO UBALDO OSÓRIO PIMENTEL RIBEIRO
(73 anos)
Escritor, Professor, Jornalista e Roteirista

* Itaparica, BA (23/01/1941)
+ Rio de Janeiro, RJ (18/07/2014)

João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro foi um escritor, jornalista, roteirista e professor brasileiro, formado em direito e membro da Academia Brasileira de Letras. Foi ganhador do Prêmio Camões de 2008, maior premiação para autores de língua portuguesa.

João Ubaldo Ribeiro teve algumas obras adaptadas para a televisão e para o cinema, além de ter sido distinguido em outros países, como a Alemanha. É autor de romances como "Sargento Getúlio", "O Sorriso do Lagarto", "A Casa dos Budas Ditosos", que causou polêmica e ficou proibido em alguns estabelecimentos, e "Viva o Povo Brasileiro", tendo sido, esse último, destacado como samba-enredo pela escola de samba Império da Tijuca, no Carnaval de 1987.

João Ubaldo Ribeiro era pai do ator e apresentador Bento Ribeiro.

Nascido na Bahia na casa do avô materno, quando completou dois meses de idade a família mudou-se para Aracaju, SE, onde passou parte da infância. Seu pai, Manuel Ribeiro, advogado de renome na capital baiana, veio a ser o fundador e diretor do curso de Direito da Universidade Católica do Salvador (UCSal). Sua mãe Maria Filipa Osório Pimentel deu à luz mais dois filhos: Sônia Maria e Manuel.


Formação

Seu pai, por ser professor, não suportava a ideia de ter um filho analfabeto e João Ubaldo iniciou seus estudos com um professor particular, em 1947. Alfabetizado, ingressou no Instituto Ipiranga, em 1948, ano em que leu muitos livros infantis, principalmente a obra de Monteiro Lobato. O pai de João Ubaldo sempre fora exigente, o que fez do garoto se empenhar intensamente nos estudos.

Em 1951 ingressou no Colégio Estadual Atheneu Sergipense, em Aracaju. Prestava ao pai, diariamente, contas sobre os textos que havia lido e algumas vezes era obrigado a resumi-los e traduzir alguns de seus trechos. Afirma ter feito essas tarefas com prazer e, nas férias, estudava também o latim.

Seu pai era chefe da Polícia Militar, e nessa época, passou a sofrer pressões políticas, o que o fez transferir-se com a família para Salvador. Na capital baiana João Ubaldo foi matriculado no Colégio Sofia Costa Pinto.

Em 1955 matriculou-se no curso clássico do Colégio da Bahia, conhecido como Colégio Central, onde conheceu seu colega Glauber Rocha.

Em 1958 iniciou seu Curso de Direito na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Em 1959, entrou para o curso do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Exército no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) da Bahia, mas não chegou a completá-lo: escolhido para compor um grupo de estudantes convidado para uma viagem para os Estados Unidos, na volta ao quartel foi injustamente desligado.

Em 1964, João Ubaldo partiu para os Estados Unidos com uma bolsa de estudos concedida pelo governo daquele país para fazer seu mestrado em Ciência Política na Universidade do Sul da Califórnia.


Jornalismo

Em 1957 estreou no jornalismo, trabalhando como repórter no Jornal da Bahia, sendo depois transferido para a Tribuna da Bahia, onde chegou a exercer o posto de editor-chefe. Editou juntamente com Glauber Rocha, revistas e jornais culturais e participou do Movimento Estudantil (1958). Apesar de nunca ter exercido a profissão de advogado, foi aluno exemplar. Nessa mesma Universidade, concluído o curso de Direito, fez pós-graduação em Administração Pública.

João Ubaldo Ribeiro colaborou nos editais O Globo, Frankfurter Rundschau (Alemanha), Jornal da Bahia, Die Zeit (Alemanha), The Times Literary Supplement (Inglaterra), O Jornal (Portugal), Jornal de Letras (Portugal), O Estado de São Paulo, A Tarde e muitos outros, internacionais e nacionais.


Vida Pessoal e Viagens

Seu primeiro casamento foi em 1960 com Maria Beatriz Moreira Caldas, sua colega na Faculdade de Direito. Separaram-se após nove anos de vida conjugal. João Ubaldo passou boa parte de sua vida no exterior, em países como nos Estados Unidos (como estudante e, posteriormente, como professor convidado), em Portugal (editando em parceria com o jornalista Tarso de Castro a revista Careta) e na Alemanha (publicando crônicas semanais para o jornal Frankfurter Rundschau, além de produzir peças para o rádio).

Em 1964 partiu para os Estados Unidos, através de uma bolsa de estudos conseguida junto à Embaixada norte-americana, para fazer seu mestrado em Administração Pública e Ciência Política na Universidade da Califórnia do Sul. Na sua ausência, teve até sua fotografia divulgada pela televisão baiana, encimada com a palavra Procura-se.

Voltou ao Brasil em 1965 e começou a lecionar Ciências Políticas na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ali permaneceu por seis anos, mas desistiu da carreira acadêmica e retornou ao jornalismo.

Em 1969 casou-se com a historiadora Mônica Maria Roters, com quem teve duas filhas, Emília e Manuela. O casamento acabou em 1978, e em 1980 casou-se com a psicanalista Berenice Batella, com quem teve dois filhos, Bento e Francisca.

João Ubaldo Ribeiro participou, em Cuba, do júri do concurso Casa das Américas, juntamente com o critico literário Antônio Cândido e o ator e dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri. O primeiro prêmio havia sido concedido à brasileira Ana Maria Machado. Residindo em Portugal editou com o jornalista Tarso de Castro, a revista Careta.

Voltou a residir no Rio de Janeiro em 1991 e, em 1994, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Participou no mesmo ano da Feira do Livro de Frankfurt, Alemanha, recebendo o Prêmio Anna Seghers, concedido somente a escritores alemães e latino-americanos.


Carreira Literária

Em 1959 participou da antologia Panorama do Conto Baiano, com o conto "Lugar e Circunstância". A antologia foi publicada pela Imprensa Oficial da Bahia. Nesse período trabalhou na Prefeitura de Salvador como office-boy do Gabinete e logo em seguida como redator do Departamento de Turismo.

Em 1961, participou da coletânea de contos "Reunião", editada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com os contos "Josefina", "Decalião" e "O Campeão".

Em 1963 escreveu seu primeiro romance, "Setembro Não Faz Sentido", com prefácio do colega Glauber Rocha e apadrinhamento de Jorge Amado. O título original seria "A Semana da Pátria", mas por sugestão da editora, João Ubaldo alterou o título.

A Editora Civilização Brasileira lançou, em 1971, o romance "Sargento Getúlio", feito que garantiu a João Ubaldo o Prêmio Jabuti de 1972 concedido pela Câmara Brasileira do Livro, na categoria "Revelação de Autor". Segundo a crítica da época, o livro continha o melhor de Graciliano Ramos e o melhor de Guimarães Rosa.

Publicou, em 1974, o livro de contos "Vencecavalo e o Outro Povo", cujo título inicial era "A Guerra dos Pananaguás", pela Editora Artenova. Com tradução feita pelo próprio autor, vários romances tornaram-se famosos no exterior, entre eles o "Sargento Getúlio" que, lançado nos Estados Unidos em 1978, ganhou receptividade pela crítica do país.

Em 1981 mudou-se para Lisboa, Portugal e, voltando ao Brasil, publicou "Política" - livro ainda adotado em faculdades e republicado como "Já Podeis da Pátria Filhos" -, além de iniciar colaboração no jornal O Globo. Sua produção jornalística nessa época foi reunida em 1988 no livro "Sempre Aos Domingos".

Em 1982 iniciou o romance "Viva o Povo Brasileiro", intitulado primeiramente como "Alto Lá, Meu General". Nesse ano participou do Festival Internacional de Escritores, em Toronto, Canadá. "Viva o Povo Brasileiro" foi finalmente editado em 1984, e recebeu o Prêmio Jabuti na categoria "Romance" e o Golfinho de Ouro, do Governo do Rio de Janeiro. Iniciou a tradução do livro para a língua inglesa, tarefa que lhe consumiu dois anos de trabalho, a partir do qual preferiu utilizar o computador. Ao lado dos escritores Jorge Luis Borges e Gabriel Garcia Marquez, participou de uma série de nove filmes produzidos pela TV estatal canadense sobre a literatura na América Latina.

Em 1983, estreou na literatura infanto-juvenil com o livro "Vida e Paixão de Pandonar, o Cruel".

Em 1989 lançou o romance "O Sorriso do Lagarto". Sua segunda experiência na literatura infanto-juvenil apresentou-se em 1990 com o livro "A Vingança de Charles Tiburone". Nesse ano João Ubaldo participou do já citado Frankfurter Rundschau e, retornando em 1991 ao país de origem, hospedou-se no Rio de Janeiro.

Em 1994 lançou o livro de crônicas "Um Brasileiro em Berlim", sobre sua estada na cidade.

Publica, em 1997, o romance "O Feitiço da Ilha do Pavão", pela Editora Nova Fronteira. No mesmo ano, antes da publicação deste romance, João Ubaldo foi hospitalado com fortes dores de cabeça devido uma queda.

Foi escolhido, em 1999, um dos escritores em todo mundo para dar um depoimento ao jornal francês Libération sobre o milênio que se aproximava na época.

Em 2000, saíram várias reedições de seus livros na Alemanha, incluindo uma nova edição de bolso de "Sargento Getúlio". O "Sorriso do Lagarto" foi publicado na França. "A Casa dos Budas Ditosos" foi traduzido para o inglês, nos Estados Unidos. "Viva o Povo Brasileiro" foi indicado para o exame de Agrégation, um concurso nacional realizado na França para os detentores de diploma de graduação.

Seus principais romances são "Sargento Getúlio", "Viva o Povo Brasileiro" e "O Sorriso do Lagarto", no qual expressou com bastante vivacidade e imaginação exuberante aspectos políticos e sociais da vida nordestina e brasileira.

Foi um dos grandes criadores de artigos jornalísticos no Jornal Bahia (Jornal a Tarde), onde esses além de serem críticos-educativos, fortaleceram a construção política da sociedade que tinha acesso aos seus materiais.


Reconhecimento

João Ubaldo Ribeiro foi detentor da Cátedra de Poetikdozentur (Docente em Poesia) na Universidade de Tübigen, Alemanha e também consagrado na Avenida Marquês de Sapucaí. Seu livro "Viva o Povo Brasileiro" foi escolhido como samba-enredo da escola Império da Tijuca para o Carnaval do ano de 1987.

Em 1993 foi eleito para a cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras, na vaga aberta com a morte do jornalista Carlos Castello Branco.

Participou em 1994 da Feira do Livro de Frankfurt, Alemanha, recebendo o Prêmio Anna Seghers, concedido somente a escritores germanófonos e latino-americanos.

Em 2008 recebeu o Prêmio Camões pelo "alto nível de sua obra literária", "especialmente densa das culturas portuguesa, africanas e dos habitantes originais do Brasil". Ele foi o oitavo brasileiro a ganhar o prêmio. Especula-se que o valor do prêmio foi 100 mil euros, semelhante ao que foi pago a António Lobo Antunes, ganhador do Prêmio Camões de 2007.


Estilo Literário

O estilo literário de João Ubaldo Ribeiro é basicamente traçado pela ironia e pelo contexto social do Brasil, abrangendo também cultura portuguesa e cultura africana. Antônio Olinto, escritor, crítico literário, diplomata e também membro da Academia Brasileira de Letras, disse que João Ubaldo constrói sua estrutura muitas vezes começando a história pelo meio, como se ela já houvesse existido antes. "Mas como falar deste país sem o lanho do humor? Em tudo insere João Ubaldo a visão do humorista, que vê o que não aparece, identifica a nudez das gentes, entende os pensamentos ocultos", disse Antônio Olinto, no mesmo artigo. Segundo ele, em João Ubaldo Ribeiro o humor atinge seu auge em "Vencecavalo e o Outro Povo".

Antônio Olinto também reforçou que "no fundo, chega João Ubaldo à criação de um país e de um povo, país dele e povo dele, mas também país que existe fora das palavras e povo que ri fora e dentro das palavras. As duas realidades - a real, que envolve o caminho de cada brasileiro e a realidade não menos real, mas com outras vestiduras - mesclam-se na obra de João Ubaldo de tal maneira que ele acaba promovendo uma invenção do Brasil e uma invenção de cada um de nós. Nisso - e no modo como pega no país para o mostrar pelo avesso, e nas gentes desse país, para mostrá-las de cara lavada - provoca uma reação de espanto e incredulidade". Para Antônio Olinto, João Ubaldo é o "porta-voz" do Brasil, devido os inúmeros materiais produzidos por ele quanto às condições sociais que condizem com a atualidade nacional. Essas análises, não só encontradas em livros, podem ser descobertas também na grande gama de artigos escritos por João Ubaldo em diversos jornais do país. No artigo, Antônio Olinto terminou dizendo que "inventando um país, João Ubaldo inventou-se a si mesmo e foi eleito pelos seus leitores o porta-voz deste país."


Cinema e Televisão

João Ubaldo teve várias de suas obras adaptadas para o cinema e para a televisão, tendo, inclusive, participado no processo de criação delas:
  • Seu livro "Sargento Getúlio" tornou-se um filme, com título homônimo, premiado em 1983, dirigido por Hermano Penna e protagonizado por Lima Duarte.
  • Quando voltou a residir no Rio de Janeiro em 1991, voltando do exterior, seu romance "O Sorriso do Lagarto" foi adaptado para uma minissérie na Rede Globo, tendo como protagonistas os atores Tony Ramos, Maitê Proença e José Lewgoy.
  • Em 1993 adaptou "O Santo Que Não Acreditava em Deus" para a série "Caso Especial", da Rede Globo, que teve Lima Duarte no papel principal.
  • Em 1997, ano em que foi internado devido às dores de cabeça, o cineasta Cacá Diegues comprou os direitos de filmagem do livro "Já Podeis da Pátria Filhos", embora o filme não tenha sido produzido.
  • Em 1998, vendeu os direitos autorais de "Viva o Povo Brasileiro" para o cineasta André Luis Oliveira.
  • Em 1999, juntamente com Cacá Diegues, escreveu o roteiro de "Deus é Brasileiro", em cima de seu conto "O Santo Que Não Acreditava em Deus".

Academia Brasileira de Letras

João Ubaldo Ribeiro ocupava a cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras, eleito em 07/10/1993 na sucessão de Carlos Castelo Branco. Foi recebido pelo acadêmico Eduardo Portella em 08/06/1994.

Internação

A secretária Valéria dos Santos, que trabalhou durante dez anos com João Ubaldo Ribeiro, disse que em maio ele chegou a ser internado durante cinco dias por causa de problemas respiratórios. Segundo ela, o escritor reduziu o cigarro, mas não chegou a parar de fumar como foi orientado pelos médicos.

Valéria dos Santos contou que há cerca de um ano e meio João Ubaldo vinha escrevendo um novo romance, mas que não revelou seu conteúdo. Ele acordava por volta das 5:00 hs para se dedicar ao livro e por volta das 10:00 hs, parava para atender telefonemas e outras demandas.

Morte

João Ubaldo Ribeiro morreu de madrugada de sexta-feira, 18/07/2014, em sua casa, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro, aos 73 anos, vítima de uma embolia pulmonar.

Sua secretária Valéria dos Santos informou: "Ele acordou por volta das 3:00 hs, 18/07/2014, e chamou a mulher dizendo que estava se sentindo mal. Chamaram uma ambulância e os paramédicos tentaram reanimá-lo, mas ele já estava morto", acrescentando que o cardiologista particular dele também foi chamado.

O enterro ocorreu no sábado, 19/07/2014, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A Academia Brasileira de Letras, onde foi feita uma parte do velório, na sexta-feira, 18/07/2014, foi reaberta às 8:00 hs. Uma cerimônia religiosa foi celebrada pelo capelão do Outeiro da Glória, Sérgio Costa Couto. De lá, o corpo seguiu às 9:30 hs para o Cemitério São João Batista, onde o corpo foi sepultado no Mausoléu dos Imortais da Academia Brasileira de Letras.

O corpo seria velado a partir das 10:00 hs na Academia Brasileira de Letras, mas a cerimônia sofreu atrasos por conta da chegada dos filhos que vieram de outros estados, e acabou sendo adiada para às 12:00 hs. A filha Manuela, que mora da Alemanha, chegou às 8:00 hs de sábado, 19/07/2014, ao velório, portando malas e muito emocionada.

De acordo com funcionários do Cemitério São João Batista, o sepultamento do acadêmico estava previsto para ocorrer às 16:00 hs de sexta-feira, 18/07/2014, mas por conta das mudanças e da chegada de Manuela, o enterro foi adiado para sábado.

O velório, no Salão dos Poetas Românticos, ficou aberto ao público, até as 19:00 hs. Duas filhas do autor chegaram ao local no início da tarde. A Academia Brasileira de Letras decretou luto por três dias.

Várias coroas de flores chegaram à Academia Brasileira de Letras durante toda a manhã, entre elas homenagem de um dos bares frequentados pelo imortal. O corpo só chegou ao local, entretanto, por volta das 11:30 hs.

Obras Selecionadas

Romances
  • 1968 - Setembro Não Tem Sentido
  • 1971 - Sargento Getúlio
  • 1979 - Vila Real
  • 1984 - Viva o Povo Brasileiro
  • 1989 - O Sorriso do Lagarto
  • 1997 - O Feitiço da Ilha do Pavão
  • 1999 - A Casa dos Budas Ditosos
  • 2000 - Miséria e Grandeza do Amor de Benedita
  • 2002 - Diário do Farol
  • 2009 - O Albatroz Azul

Contos
  • 1974 - Vencecavalo e o Outro Povo
  • 1981 - Livro de Histórias - Reeditado em 1991, incluindo os contos "Patrocinando a Arte" e "O Estouro da Boiada", sob o título de "Já Podeis da Pátria Filhos".

Crônicas
  • 1988 - Sempre Aos Domingos
  • 1995 - Um Brasileiro em Berlim
  • 1999 - Arte e Ciência de Roubar Galinhas
  • 2000 - O Conselheiro Come
  • 2006 - A Gente Se Acostuma a Tudo
  • 2008 - O Rei da Noite

Ensaios
  • 1981 - Política: Quem Manda, Por Que Manda, Como Manda

Literatura Infanto-Juvenil
  • 1983 - Vida e Paixão de Pandonar, o Cruel
  • 1990 - A Vingança de Charles Tiburone
  • 2011 - Dez Bons Conselhos de Meu Pai

Prêmios

  • Prêmio Golfinho de Ouro, do Estado do Rio de Janeiro, conferido, em 1971, pelo romance "Sargento Getúlio".
  • Dois prêmios Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1972 e 1984, respectivamente para o Melhor Autor e Melhor Romance do Ano, pelo romances "Sargento Getúlio" e "Viva o Povo Brasileiro".
  • Prêmio Altamente Recomendável - Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, 1983, para "Vida e Paixão de Pandonar, o Cruel".
  • Prêmio Anna Seghers, em 1996, Mogúncia, Alemanha.
  • Prêmio Die Blaue Brillenschlange, Zurique, Suíça.
  • Detém a Cátedra de Poetik Dozentur na Universidade de Tubigem, Alemanha, 1996.
  • Prêmio Lifetime Achievement Award, em 2006.
  • Prêmio Camões, em 2008.

Fonte: WikipédiaG1

Max Nunes

MAX NEWTON FIGUEIREDO PEREIRA NUNES
(92 anos)
Humorista, Compositor, Roteirista, Diretor, Escritor, Médico e Polímata

☼ Rio de Janeiro, RJ (17/04/1922)
┼ Rio de Janeiro, RJ (11/06/2014)

Max Newton Figueiredo Moreira Nunes nasceu no Rio de Janeiro, em 17/04/1922. Desde muito cedo, teve contato com o meio artístico, já que seu pai, Lauro Nunes, era humorista, jornalista e escrevia esquetes para a Rádio Mayrink Veiga. Sua casa era frequentada por artistas e intelectuais. Além disso, Max era vizinho de Noel Rosa, com quem se acostumou a andar e por quem foi incentivado a cantar.

Na infância, participou de programas de rádio e de concursos musicais. Nos anos 50, ficou famoso por suas marchinhas. A música "Bandeira Branca" gravada por Dalva de Oliveira no Carnaval de 1970, é de autoria de Max Nunes e Laércio Alves.

Quando começou a seguir os passos do pai, Max Nunes ouviu dele: "Você tem jeito, mas olha que ninguém faz fila pra comprar soneto, muda de vida". E em 1948, ele formou-se pela Faculdade Nacional de Medicina da antiga Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e se especializou em cardiologia. Exerceu a profissão até a década de 1980, mas sem abandonar a carreira artística.


Estreou como roteirista do programa "Barbosadas", na Rádio Nacional, e do filme "E o Mundo Se Diverte" (1948), de Watson Macedo. Trabalhou na Rádio Tupi, em programas como "A Queixa do Dia", "Ninguém Rasga", "Dona Eva" e "Seu Adão e O Amigo da Onça", e integrou a equipe de produtores da Rádio Nacional, quando surgiu o humorístico "Balança Mas Não Cai", onde se consagraram, por exemplo, atores como Paulo Gracindo e Brandão Filho, nos papéis do "Primo Rico e Primo Pobre". O programa ganhou versões para o cinema, teatro de revista e a televisão. Max Nunes escreveu 36 peças para o teatro de revista.

Convidado a voltar para a Rádio Tupi em 1952, passou a se dedicar a apenas um programa, o "Uma Pulga na Camisola". Com mais tempo para outras atividades, produziu colunas nos jornais Tribuna da Imprensa, de 1954 a 1955, e Diário da Noite, de 1954 a 1960.

Escreveu pela primeira vez para a televisão em 1962, quando criou os programas "My Fair Show" e "Times Square" para a TV Excelsior.

Max Nunes, Jô Soares, Agildo Ribeiro e Paulo Silvino (Programa do Jô)
Chegou à TV Globo em 1964, como roteirista e diretor, ao lado de Haroldo Barbosa, do humorístico "Bairro Feliz", que teve no elenco nomes como Paulo Monte, Grande Otelo, Berta Loran e Mussum.


Em 1966, estreou "Riso Sinal Aberto" e "Canal 0", que se transformou no "TV0-TV1", apresentado por Paulo Silvino e Agildo Ribeiro.

Max Nunes trabalhou durante 38 anos como roteirista e consultor de texto da TV Globo e participou da criação de programas como "Balança Mas Não Cai" (1968), "A Grande Família" (1972), "Satiricom" (1973) e "Planeta dos Homens" (1976).

Max Nunes tinha uma parceria de mais de 30 anos com o humorista Jô Soares. Alguns dos grandes sucessos de Jô Soares têm origem em textos de Max Nunes, como os personagens Capitão Gay e a cantora lírica Nanayá Com Ypsilon.

Como cronista era autor de textos sobre o cotidiano do Rio de Janeiro. Foi torcedor do America Football Club do Rio de Janeiro, e em sua homenagem, na sede do clube, há um teatro que leva seu nome.

Ele deixou duas filhas, as atrizes Bia Nunnes e Maria Cristina Nunnes.

Morte

Max Nunes morreu na quarta-feira, 11/06/2014, aos 92 anos, no Rio de Janeiro, vítima de complicações em seu quadro clínico após ter sofrido uma queda e fraturado a tíbia. Max Nunes estava internado no Hospital Samaritano, na Zona Sul da cidade.

Fonte: Wikipédia e UOL

Luíz Sérgio Person

LUIZ SÉRGIO PERSON
(39 anos)
Ator, Diretor, Roteirista e Produtor

* São Paulo, SP (12/02/1936)
+ São Paulo, SP (07/01/1976)

Luiz Sérgio Person foi um ator, diretor, roteirista e produtor brasileiro. É conhecido sobretudo por ter dirigido dois importantes filmes do cinema brasileiro dos anos 1960, "São Paulo S.A.", um contundente retrato da alienação e do desespero do cidadão médio perante a emergente e aguda industrialização iniciada no final dos anos 50, e "O Caso dos Irmãos Naves", no qual usa um episódio verídico de injustiça e abuso de poder ocorrido durante o Estado Novo para traçar um paralelo com a repressão da ditadura militar da época, de forma crua e bastante corajosa.

Em 1951, fez o curso de interpretação cinematográfica no Centro de Estudos Cinematográficos de São Paulo, como bolsista da prefeitura. Nesse mesmo ano, ele se increveu num processo de seleção de atores para a peça "O Massacre", de Manuel Robins. Ficou entre os cinco finalistas mas os pais o impediram de abandonar o curso clássico no Colégio São Bento para ser ator numa peça encenada no Rio de Janeiro.

Em 1954, ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP) onde ficou até o último ano sem contudo diplomar-se.

No ano seguinte, em 1955, junto com um grupo de jovens talentosos, como Antunes Filho, Cláudio Petraglia, Flávio Rangel e Antônio Henrique do Amaral, encenou inúmeras peças teatrais em casa de amigos, dentro do mais perfeito espírito amador.

Antes de completar 20 anos, organizou e editou uma revista de cinema e teatro, "Seqüência". Apesar do título, a revista não passou do primeiro número pelas dificuldades que Luiz Sérgio Person enfrentou em conduzir sozinho todas as tarefas indispensáveis à edição. Alguns meses mais tarde, engajou-se como ator na Companhia de Comédias de Odilon Azevedo e se apresentou no Teatro Municipal de Campinas como galã na peça "Vamos Brincar de Amor". Nesse ano, ainda escreveu um roteiro cinematográfico, inédito, com base no romance "Chão Bruto", de Hernani Donato; o argumento e roteiro de "A Lei do Mais Forte", e teve participação secundária como ator nos filmes "Cais do Vício" e "A Doutora é Muito Viva", ambos de 1956.

Em 1957, experimentou a televisão como ator de  teleteatro na TV Tupi, levado pelo amigo Antunes Filho. Na TV Tupi e TV Record, dirigiu gente consagrada como a atriz Cacilda Becker, de quem ficou amigo. Escreveu o roteiro de "Casei-me Com Um Xavante" (1957), em parceria com Alfredo Palácios, de quem foi também assistente de direção e onde apareceu ainda como ator ao lado de Pagano Sobrinho, Luely Figueiró e Lola Brah. Dirigiu o longa-metragem "Um Marido Para Três Mulheres" (1957).


Afastou-se do cinema em 1959, quando passou a se dedicar a atividades industriais, assumindo a diretoria comercial da empresa Person-Bouquet S/A, o que o levou a circular por ambientes que mais tarde surgiram em "São Paulo, Sociedade Anônima" (1965).

Em 1961, retornou à atividade cinematográfica. Foi para a Itália fazer curso de direção no Centro Sperimentale di Cinematografia (CSC), em Roma, onde ficou por dois anos. Junto com vários colegas do curso, realizou, como produtor, argumentista e diretor, o curta-metragem "Al Ladro" (1962). O filme recebeu o prêmio de qualidade do governo italiano e representou o país no Festival de Veneza em 1962 e, em seguida, no Festival de Bilbao. Como explicou o próprio Luiz Sérgio Person:

"O filme foi inteirinho rodado com a câmera na mão, a pouca distância e mesmo debaixo do nariz de transeuntes e pessoas completamente desprevenidas. Como preparação, de modo geral, o método consistiu em ensaiarmos os atores sem nos preocuparmos com os curiosos que iam se amontoando à nossa volta. Depois de estabelecida a posição da câmera, a objetiva, o diafragma, etc., nos retirávamos fingindo que o trabalho estava terminado; íamos tomar um café ou bater um papo distante do local escolhido, fazendo desaparecer a máquina, a fim de que ninguém nos seguisse. Em seguida, quando o grupo já havia se dispersado, voltávamos e, rapidamente, sem dar tempo ao público de perceber exatamente o que estava sucedendo diante dele, rodávamos a cena."

No mesmo ano, 1962, foi assistente de direção de Luigi Zampa no filme "Anni Ruggenti".

Em 1963, realizou o curta-metragem "L'ottimista Sorridente" em 16mm, seu trabalho de formatura no Centro Sperimentale di Cinematografia. Dirigiu também o documentário "Il Palazzo Doria Pamphili" sobre a sede da representação diplomática brasileira em Roma. Escreveu a primeira versão do argumento de "São Paulo, Sociedade Anônima", ainda com o título de "Agonia". Em Paris, tentou comprar os direitos de "Irma la Dulce" para o cinema.

De volta ao Brasil, em 1964, iniciou os preparativos para a produção de "São Paulo, Sociedade Anônima", em regime de quotas, com Renato Magalhães Gouvêa e Nelson Mattos Penteado.

No ano seguinte, o filme recebeu o Prêmio de Público na I Mostra Internacional do Novo Cinema realizada em Pesaro na Itália; Prêmio Cabeza de Palenque no VIII Festival Internacional do Filme de Acapulco, México; Prêmio Governador do Estado, da Comissão Estadual de Cinema de São Paulo; diversos Prêmios Cidade de São Paulo; os Prêmios Saci do jornal O Estado de S. Paulo para melhor filme, direção e montagem. Nesse mesmo ano, trabalhou na produção do documentário "Esportes no Brasil" para o Ministério das Relações Exteriores.


"São Paulo, Sociedade Anônima" é um marco no cinema paulista e foi a obra de Luiz Sérgio Person mais bem-sucedida, mostrando uma temática profundamente urbana tratada de um modo único dentro do movimento do Cinema Novo. Além de ser pioneiro no aprofundamento da problemática do jovem de classe média, é de se destacar a ausência do povo no filme, que era uma das características cinema-novistas. A forma narrativa assemelha-se ao questionamento da linguagem clássica feita pelo Cinema Novo e, com isso, Luiz Sérgio Person foi considerado um dos poucos participantes paulistas do movimento.

Em 1966, convidou Jean-Claude Bernadet para fazer a pesquisa e roteirizar o episódio do erro judiciário ocorrido em Araguari, MG, em que dois irmãos foram condenados sem terem cometido crime algum. Surgiu, entretanto, a possibilidade de dirigir um filme tendo Roberto Carlos e a Jovem Guarda no elenco, e Luiz Sérgio Person decidiu adiar o projeto sobre os Irmãos Naves. Tendo como parceiros Jean-Claude Bernadet e Jô Soares, escreveu o argumento e roteiro de "SSS Contra Jovem Guarda", mas o filme não chegou a ser rodado. Escreveu então o roteiro, a primeira versão, de "Panca de Valente" (1968).

Viajou inúmeras vezes até Araguari, MG, em companhia de Jean-Claude Bernadet para entrevistar testemunhas da época em que ocorreu o julgamento dos Irmãos Naves e levantar as locações para a realização do filme sobre o assunto. Antes das filmagens, organizou uma produtora com o amigo Glauco Mirko Laurelli, a Lauper Filmes. Em novembro começam as filmagens de "O Caso dos Irmãos Naves" (1967).

Integrou a Comissão Estadual de Cinema, onde ficou até 1971.

Em 1967, "O Caso dos Irmãos Naves" recebeu o Prêmio Governador do Estado para argumento e roteiro; Prêmio INC e Coruja de Ouro de melhor fotografia, cenografia e figurino. No III Festival de Brasília do Cinema Brasileiro recebeu os prêmios para melhor roteiro, diálogo e atriz coadjuvante. No final de 1968, o filme, considerado o melhor do ano, recebeu em Marília, SP, do Clube de Cinema da cidade, o Troféu Curumim

Iniciou um outro projeto, com Jean-Claude Bernadet: o roteiro de "A Hora dos Ruminantes", que não chegou a ser filmado.

Foi lançado "Marido Barra Limpa", o antigo "Um Marido Para Tês Mulheres", de 1957, com cenas adicionais filmadas por Renato Grecchi, que assinou o filme. Luiz Sérgio Person escreveu o roteiro de "Os Sete Pecados Capitalistas", não realizado, e deu aulas na cadeira de linguagem cienematográfica na Escola Superior de Cinema São Luiz, em São Paulo.

Luis Sérgio Person e sua filha Marina Person.
Participou de vários filmes paulistas como ator, em "O Quarto" (1968), dirigido por Rubem Biáfora, "Anuska, Manequim e Mulher", de Francisco Ramalho Jr. A amizade com José Mojica Marins, o Zé do Caixão, o levou mais uma vez a desempenhar a função de ator em "O Estranho Mundo de Zé do Caixão", no episódio "O Fabricante de Bonecas". Com o mesmo José Mojica Marins e Ozualdo Candeias, fez o longa "Trilogia do Terror", cabendo-lhe o episódio "A Procissão dos Mortos" (1968).

Luiz Sérgio Person liderou a criação da Reunião de Produtores Independentes (RPI), empresa de distribuição de filmes, revelando sua preocupações com a comercialização insatisfatória da produção nacional e dirigiu mais um longa metragem, "Panca de Valente" (1968).

Em 1969, já dedicado ao cinema publicitário, Luiz Sérgio Person recebeu o prêmio de melhor comercial de cinema, "Casa Zacharias", daquele ano, oferecido pelos cronistas publicitários de São Paulo. Continuou dirigindo comerciais - centenas, entre 1969 e 1971 - na G. Smith do Brasil e na sua empresa, a Lauper Filmes.

Voltou a interpretar, em 1970, em papel secundário no filme "Audácia!", de Antônio Lima e Carlos Reichenbach, seu antigo aluno na Escola Superior de Cinema.

"O Caso dos Irmãos Naves" impressionou a crítica americana e fez grande sucesso em Nova York, em 1972. Luíz Sérgio Person seguiu para lá, na tentativa de montar algum esquema de produção para "A Hora dos Ruminantes". Tentou comprar os direitos para montagem no Brasil da peça musical "Chorus Line".

Voltando ao Brasil, dirigiu no Rio de Janeiro a pornochanchada "Cassy Jones, o Magnífico Sedutor" (1973), com o qual ganhou, em 1973, o Kikito de melhor diretor no Festival de Gramado e também prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) que considerou seu filme o melhor do ano. O filme recebeu o Prêmio INC e Carlos Imperial foi premiado com o Troféu Coruja de Ouro de melhor autor das partituras musicais.

Associação Paulista de Críticos de Arte lhe conferiu uma menção especial pela abertura do Auditório Augusta, um velho cinema agora transformado em teatro que ele dirigiu com Glauco Mirko Laurelli e onde encenou inúmeras peças de muito sucesso.

Depois de uma famosa e controvertida entrevista dada a O Pasquim, em que criticou os cinema-novistas e fez afirmações contundentes ("Ipanema Não Existe!"), Luíz Sérgio Person foi convidado a colaborar no semanário enviando suas crônicas semanalmente de São Paulo.

Em 1975, concluiu o curta "Vicente do Rego Monteiro".

Luis Sérgio Person fotografado na região da Boca do Lixo, em São Paulo.
Morte

Luiz Sérgio Person faleceu vítima de um acidente automobilístico em 07/01/1976, deixando duas filhas pequenas, Marina Person e Domingas Person, que futuramente se tornariam bem-sucedidas apresentadoras de televisão, sobretudo de programas musicais.

Ele recebeu inúmeros prêmios póstumos, entre eles o Grande Prêmio da Crítica (APCA) e o prêmio do XI Festival de Brasília, por seu filme "Vicente do Rego Monteiro".


Filmografia

  • 1974 - Vicente do Rego Monteiro
  • 1972 - Cassy Jones, o Magnífico Sedutor
  • 1968 - Panca de Valente
  • 1968 - Trilogia do Terror (Episódio: A Procissão dos Mortos)
  • 1967 - O Caso dos Irmãos Naves
  • 1965 - São Paulo, Sociedade Anônima
  • 1963 - II Palazzo Doria Pamphil
  • 1963 - L'ottimista Sorridente (Curta-Metragem)
  • 1962 - Al Ladro (Curta-Metragem)
  • 1957 - Um Marido Barra-Limpa (Não Creditado)

Fonte: Filmescópio