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Volta Seca

ANTÔNIO DOS SANTOS
(78 anos)
Cangaceiro, Cantor e Compositor

☼ Saco Torto, SE (13/03/1918)
┼ Pirapetinga, MG (02/02/1997)

Antônio dos Santos, conhecido como Volta Seca, foi um cangaceiro sergipano nascido em Saco Torto, no então município de Itabaiana Grande e atual município de Malhador, SE, no dia 13/03/1918. Filho de Manuel Antônio dos Santos e Arminda Maria dos Santos, era o sexto dos treze filhos do casal.

Volta Seca saiu pelo mundo devido aos maus tratos da madrasta, pessoa violenta que espancava constantemente os enteados. Percorreu sozinho, os sertões de Sergipe e Bahia, até encontrar Lampião em Goroso, no município de Bom Conselho. Era o mais jovem dos cangaceiros do bando, tendo-se juntado a ele ainda aos 11 anos de idade. E não era a primeira criança a ser aceita no bando: Beija-FlorDeus-te-GuieJosé Roque e Rouxinho. Essas crianças eram utilizadas na lavagem dos cavalos, no carregamento de água, na arrumação e assepsia de pousos e acampamentos, e foram muitas vezes usadas nos serviços de espionagem. Portanto, a sua passagem pelo cangaço foi rápida, não mais de 4 anos.

Misterioso, complexo e desconcertante, Antônio dos Santos, o Volta Seca, é uma das personalidades mais ricas do ciclo do Cangaço. Considerado o tenente de "mais destacada fama" de Lampião, mais importante ainda do que Corisco na opinião de historiadores como Ranulfo Prata. Matou pela primeira vez aos 10 anos, entrou para o cangaço aos 11 anos recrutado pelo Diabo Louro, compôs pérolas do cancioneiro popular como "Mulher Rendeira" e teve a compaixão de  Irmã Dulce.

Embora haja discordância entre alguns historiadores e relatos, Volta Seca deve ter entrado para o bando de Lampião por volta de 1928 e lá permaneceu por quatro anos, destacando-se pela coragem, valentia, e implacável postura de sentinela. Em entrevista ao jornalista Joel Silveira ele disse que logo que chegou ao bando apanhava quase que diariamente mas "depois endureci o cangote e o primeiro que me apareceu com ares de pai, recebi com a mão no rifle!".

Coragem Para Desafiar o Capitão

Volta Seca foi o único a desafiar o próprio chefe para uma briga. O episódio marcou o fim de sua vida no cangaço e foi relatado por ele ao, na época, já famoso jornalista Joel Silveira, em entrevista concedida em março de 1944 no presídio da Coreia em Salvador.

A contenda se deu em 1931 por causa de um socorro dado ao cangaceiro Bananeira, ferido em combate. Lampião era de opinião que o atraso colocaria o bando em risco junto a volante, mas Volta Seca insistiu em acudir o companheiro atingido por tiros. A insubordinação do rapazote enfureceu o capitão, que não viu outro jeito de assegurar sua autoridade no bando senão dar cabo do insolente. Mas Volta Seca não era apenas o preferido de Lampião, era querido também por Maria Bonita, a quem Virgulino lhe confiou a guarda por diversas vezes. Ao tomar conhecimento dos planos de LampiãoMaria Bonita tratou de avisar a seu segurança que o marido pretendia matá-lo no dia seguinte durante o almoço. Volta Seca fugiu na madrugada.

Em sua fuga acabou preso aos 14 anos, no final de fevereiro de 1932. Foi a julgamento dois anos depois sendo condenado a 145 anos de cadeia. A chegada de Volta Seca a Salvador causou comoção. Uma junta de cientistas, médicos e acadêmicos logo se adiantou para traçar o perfil antropológico e psicológico do bandido, segundo os cânones evolucionistas que ainda perduravam no país por via da influência da chamada Escola de Nina Rodrigues.

O grande médico e etnólogo alagoano, Arthur Ramos foi um dos que estudaram cuidadosamente o perfil de Volta Seca na prisão e emitiram diagnóstico. Segundo Arthur Ramos, a primeira impressão que se tem ao encontrar o bandido é de desapontamento. Não são encontradas nele nenhuma das características do criminoso nato, "nenhuma anomalia, nenhum estigma antropológico de degenerescência", a saber, "a cabeça disforme, os malares salientes, o olhar duro e mau, orelhas malformadas...".

"Antes cafuzo do que caboclo propriamente dito, Volta-Seca é o tipo do adolescente mal saído da época puberal. Dezesseis anos. De estatura um pouco abaixo do normal: 1,58 e 5. Franzino.
Atitude de humanidade. Fala arrastado, responde com precisão a questões que lhe propõem. A este exame preliminar, parece haver um certo grau de mitomania. Aumenta um pouco os relatos de crimes dos seus companheiros. Admiração incondicional pelo compadre Lampião, o que denota um certo grau de erostratismo criminal. Olhar móvel, desconfiado, intimidado com a presença de várias pessoas - oficiais da Força Pública - que o inquirem.
Esta vaidade criminal leva-o até a descrer no fracasso de Lampião, que julga invulnerável." 
(Relata Arthur Ramos) 


A mesma falta de sinais aparentes de psicopatia é encontrada no perfil psicológico. Arthur Ramos, no entanto, conclui que a criminalidade em Volta Seca é fruto de seu ambiente e não uma disposição intrínseca.

"Outro desapontamento. É o menino aparentemente ingênuo dos sertões. Crivado de perguntas, responde com humildade, fala arrastada, com precisão. Esta impressão de ingenuidade vai desaparecendo progressivamente, à medida que vamos mergulhando nos abismos desconhecidos da sua psique criminal... Isoladamente, é o caboclo humilde, o adolescente inofensivo que temos diante de nós. Socialmente, porém, é o membro temível de uma coletividade anormal. Em Volta Seca, o fator intrínseco da criminalidade cede de muito o passo aos fatores extrínsecos, mesológicos, que o caracterizam como um dos elementos mais perversos, mais criminosos, mais ferozes, do grupo de Lampião."
(Trechos retirados do capítulo "Os cabras de Lampião", do livro "Lampião" de Ranulfo Prata)

Tudo leva a crer que Volta Seca possuía um nível intelectual acima da média. Além do senso moral próprio e do talento como compositor, possuía também, apesar da pouca idade, um discernimento agudo da situação social e política do Nordeste que pode ser ilustrada por uma de suas declarações na prisão:

"O medo da prisão transforma o homem numa fera, é isto mesmo: os crimes dos 'macacos' foram iguais aos nossos. Mas nada aconteceu com eles, nem com os homens importantes e ricos do sertão, que nos ajudaram, nos davam armas, dinheiro e comida, continuam ricos e importantes."
(Volta Seca)

Segundo Zé Sereno, depois da prisão de Volta Seca, ninguém nunca mais acampou no Raso da Catarina, ou na Serra do Chico. Quando o cangaceiro foi preso, Lampião ordenou a divisão dos grupos, entregando o comando aos seus mais experimentados homens: Luís Pedro, Zé Baiano, Velho Cirilo, Jararaca Manuel Moreno. Cada um com seu grupo formado saiu do Raso da Catarina, para penetrar nas caatingas.


Ao tomar conhecimento da prisão de Volta SecaLampião soube que os irmãos Roxo, o haviam entregue à polícia e decidiu se vingar. Passou na casa dos irmãos e assassinou todos eles, exceto a mãe e um irmão que encontrava-se viajando. Incendiou a fazenda e destruiu plantações.

Volta Seca, por duas vezes fugiu da cadeia. A primeira foi concedida um "passeio experimental". Volta Seca saiu e não retornou, ficou perambulando pelas ruas de Salvador. A segunda vez fugiu em companhia de outro sentenciado e saiu pela porta principal sem ser percebido. Apesar de não ter sido capturado em combate, a polícia baiana ganharia notável publicidade com a prisão de Volta Seca, que ocorreu em virtude do cansaço (longa caminhada a pé pela mata durante vários dias), do companheiro de cárcere que ficou muito doente, ao ponto de querer desistir da jornada. Volta Seca não o abandonou, levou-o nos ombros até o primeiro povoado mais próximo, onde foi reconhecido pela população e denunciado a força pública, em seguida preso e recambiado a Salvador.

A notícia de sua fuga, do famigerado bandoleiro, deixou a população sergipana preocupada, porque ainda não havia desaparecido do espírito nordestino, a época de terrorismo em que o banditismo de Lampião criou nos sertões de Pernambuco, Sergipe, Bahia e Alagoas, e de tão graves consequências para o homem do campo. Segundo o Departamento de Segurança:

"Volta Seca fugiu da Bahia pelo litoral, penetrando neste Estado pelo município de Estância, e sendo preso em companhia de outro bandoleiro, entre os municípios de Indiaroba e Cristinápolis."
(Diário Oficial, 05/03/1944)

Após tomar conhecimento da fuga, as autoridades sergipanas, determinaram rápidas e enérgicas providências, estabelecendo imediatamente contato, com os destacamentos policiais de todo o interior e foi determinada severa vigilância.

A Força Policial do Estado, que relevantes serviços prestou no combate ao banditismo, quando este esteve em plena campanha, traz de público, uma vez mais, a sua disposição de combatê-lo, sempre com mais energia, defendendo, com a sua coragem e a sua técnica militar:

"Transportado de Indiaroba para esta capital, desde a sexta-feira última, que aqueles foragidos estão recolhidos à Penitenciária do Estado, à disposição das autoridades policiais do vizinho Estado da Bahia, de onde se evadiram."
(Diário Oficial, 08/03/1944)

Volta Seca, Esposa e Filhos
Liberdade e Música

Volta Seca ganhou a liberdade em 1954, graças a um indulto do presidente Getúlio Vargas. No presídio da Coreia, em Salvador, conheceu Irmã Dulce e lhe prometeu nunca mais pegar em armas, e virou personagem de Jorge Amado no romance "Capitães de Areia".

A amizade com a jovem freira, que costumava visitar o presídio para levar o consolo do evangelho e da música aos presos, para escândalo da sociedade da época, se deu por causa da música. Sanfoneira e amante da música, Irmã Dulce encontrou em Volta Seca um talento musical incomum: tocava realejo, era entoado ao cantar e já havia composto a maioria de suas músicas.

Estigmatizado ao sair da prisão, Volta Seca recebeu o apoio do cineasta Lima Barreto por ocasião do lançamento do filme "O Cangaceiro" (1953) em São Paulo. Lima Barreto o convidou para avaliar criticamente o filme.

Volta Seca não gostou de uma cena em que Lampião aparece chicoteando um homem no rosto. Segundo ele, isso não se fazia no Nordeste: "A cara de um homem é sagrada".

Realizado em 1953, "O Cangaceiro" foi o primeiro filme brasileiro a alcançar sucesso internacional. Ganhou o prêmio de melhor filme de aventura e de melhor trilha sonora com a música "Mulher Rendeira", em Cannes.

Com a mudança para o Sudeste, Volta Seca conseguiu emprego na Estrada de Ferro Leopoldina. Cantor e compositor em 1957, Volta Seca gravou pela Continental um LP, com apenas 8 faixas compostas no período do Cangaço, "As Cantigas de Lampião", interpretadas pelo próprio, com instrumentação do maestro Guio de Moraes e narrações do radialista Paulo Roberto da Rádio Nacional: "Acorda Maria Bonita", "Escuta Donzela", "Eu Não Pensei Tão Criança", "Lá Prá Mina", "A Laranjeira", "Mulher Rendeira", "Lampião e Sabino" e "Se Eu Soubesse".

A famosa "Mulher Rendeira", conta-se, foi cantada pelo bando de Lampião durante a famosa invasão a cidade de Mossoró, RN.

Em 1959, teve o baião "A Laranjeira" gravado por Zé do Baião, e no ano seguinte, por José Tobias, a toada "Se Eu Soubesse".

Antônio dos Santos, o Volta Seca, faleceu aos 78 anos em Pirapetinga, MG, no dia 02/02/1997, de causas naturais.

Dadá

SÉRGIA RIBEIRO DA SILVA
(78 anos)
Cangaceira

☼ Belém do São Francisco, PE (25/04/1915)
┼ Salvador, BA (07/02/1994)

Sérgia Ribeiro da Silva, mais conhecida como Dadá, foi uma cangaceira, a única mulher a pegar em armas no bando de Lampião.

Nasceu em Belém do São Francisco, PE, em 1915, onde viveu seus primeiros anos de vida e teve algum contato com índios, e uma das filhas do casal Vicente R. da Silva e Maria R. S. da Silva. A família mudou-se para a Bahia onde, aos treze anos, foi raptada por Cristino Gomes da Silva Cleto, o cangaceiro Corisco, de quem seria prima.

Numa entrevista que concedeu em 1977, ela contou que Lampião chegou na sua casa, "onde fez uma baderna danada". Na época, Dadá morava na Fazenda Macucuré, entre os municípios de Glória e Paulo Afonso, no interior do estado da Bahia.

De repente, disse DadáLampião chamou Corisco e, em tom de brincadeira, disse para ele: "Como é? Você não quer desmamar esta menina?"Corisco deu uma gargalhada, me pegou no colo, me colocou na sela do seu cavalo e saiu a galope. Depois, lembrou, "foram 12 anos de luta, correndo ou enfrentando a Policia por toda parte". Dadá tinha, apenas 13 anos.

Cabocla bonita, esbelta, conheceu o homem da sua vida de forma violenta, em meio a caatinga árida por onde vivia errante o bando de cangaceiros. Consta que seu defloramento provocara-lhe tanta hemorragia que por pouco não faleceu.

A relação, que começou instintiva, transformou-se com o tempo. A vida nômade, seguindo o companheiro, que era o segundo homem, na hierarquia do bando, a chegada dos filhos, fez com que mais que uma amante Dadá se tornasse a companheira de Corisco, com quem, ainda no meio das lutas veio a se casar.

Dadá Grávida
Apesar da violência do contato inicial, Dadá sempre falou de Corisco com muita ternura, afirmando: "Nos amamos muito".

Dadá teve sete filhos com Corisco, que eram ocultamente deixados em casas de parentes para serem criados. Destes, apenas três sobreviveram, Maria do Carmo, Maria Celeste e Sílvio Hermano, todos vivos. Também elogiava Lampião, dizendo que ele era um homem bom.

"Um homem de palavra, que só falava uma vez e não contava vantagens. Fico triste quando vejo escreverem coisas que Lampião nunca fez. Os livros que têm saído sobre o cangaço só apresentam vantagens da Polícia e coisas terríveis que nunca aconteceram."

O bando de Lampião dividia-se, como forma de defesa, em partes menores, e a mais importante delas era justamente a chefiada por Corisco. A esposa tinha uma pistola, que ele dera, para sua defesa pessoal, e também lhe ensinou a ler, escrever e contar. Ela era a única cangaceira que carregava um revólver calibre 38 e contribuía na defesa e ataque do grupo. Algumas outras, segundo ela, possuíam uma "pistolinha de brincadeira" apenas.

Num dos ataques feitos pelas volantes, em outubro de 1939, na Fazenda Lagoa da Serra em Sergipe, o Diabo Louro foi ferido em ambas as mãos, perdendo a capacidade para atirar. Dadá, então, tornou-se a primeira e única mulher a tomar parte ativa, e não meramente defensiva, nas lutas do cangaço.

Se o marido era temido como um dos mais violentos bandoleiros, consta que muitas pessoas tiveram sua vida poupada graças à intervenção de sua companheira. Dadá também era chamado "Suçuarana do Cangaço".

Corisco e Dadá
Trágico Final

Tendo Lampião sido executado em 1938, Corisco, que estava em Alagoas com parte do bando, empreendeu feroz vingança. Como seus companheiros tiveram as cabeças decepadas, e expostas no Museu Nina Rodrigues de criminologia, na capital baiana, Corisco também cortou a cabeça de muitas vítimas, então.

O cangaço definhava, sobretudo pela disparidade de armamentos: os volantes tinham uma arma que os cangaceiros nunca conseguiram obter: a metralhadora. A própria justiça passou a oferecer vantagens para os bandoleiros que se rendessem.

Em 25/05/1940, Corisco e seu bando foi cercado em Brotas de Macaúbas, pela volante do tenente Zé Rufino. Dissolveram o bando, e abandonaram as vestes típicas, procurando se passar por simples retirantes.

Uma rajada da metralhadora rompeu os intestinos de Corisco. Dadá foi ferida na perna direita.

O último líder do cangaço morreu dez horas depois do ataque, sendo enterrado em Miguel Calmon, no Estado da Bahia, dez dias após, exumado e a cabeça decepada é enviada ao Museu Nina Rodrigues, junto às demais do bando.

Dadá, colocada em condições infectas, teve seu ferimento agravado para uma gangrena, que restou-lhe, na prisão, à amputação quase total da perna. Por essa situação, o célebre rábula baiano Cosme de Farias, representou Dadá na Justiça, pleiteando sua libertação, em 1942.

Luta Por Direitos

Dadá passou a viver em Salvador, lutando para ver a legislação que assegura o respeito aos mortos fosse cumprida - e a tétrica exposição do Museu Antropológico Estácio de Lima, localizado no prédio do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues tivesse fim.

Só a 06/02/1969, no governo Luiz Viana Filho, foi que os restos mortais dos cangaceiros puderam ser inumados definitivamente - tendo, porém, o museu feito moldes para expor, em substituição.

Por sua luta e representatividade feminina, Dadá foi, na década de 80, homenageada pela Câmara Municipal de Salvador. Na Bahia, que tivera Gláuber Rocha e tantos outros a retratar o cangaço nas artes, Dadá era a última prova viva a testemunhar o cotidiano de lutas, dificuldades e, também, de alegrias e divertimentos. Deu muitas entrevistas, demonstrando sua inteligência e desenvoltura.

Teve sua vida retratada em muitos filmes, sendo que em um deles trabalhou na Supervisão Histórica e Costumes assegurando a melhor reprodução possível de sua época e história.

Velório de Dadá
Morte

Sob muitas lágrimas das duas filhas, dos três que teve com Corisco, dezenas de netos e bisnetos, todos chorando convulsivamente, e aplausos de um bom número de admiradores, que acorreram ao Cemitério Jardim da Saudade, foi sepultada, às 18:10 hs, de 07/02/1994, o corpo de Sérgia Silva Chagas, a Dadá, que morreu, em Salvador, BA, aos 78 anos, na madrugada de 07/02/1994, no Hospital São Rafael, vitimada por um câncer generalizado, de acordo com a informação do historiador Carlos Cleber.

O corpo de Dadá foi velado na capela do Cemitério Jardim da Saudade, onde o capelão do cemitério, padre Afonso Gomes, celebrou missa de corpo presente. O filho Sílvio Hermano, que mora em Alagoas, não chegou  a tempo de assistir ao sepultamento de sua mãe. Entre os admiradores, estiveram no cemitério o jornalista e juiz classista Oleone Coelho Fontes, autor de um livro sobre o cangaço, e a ex–vereadora Geracina Aguiar.

Dadá casou-se novamente com um velho pintor de paredes, já falecido, com quem não teve filhos. Criou, no entanto, muitos meninos e meninas, que considerava como seus filhos. Mesmo com uma perna só, Dadá costurava muito, chegando a aposentar-se como costureira. Com sua morte, fecha-se uma das últimas páginas do cangaço no sertão nordestino.

Dadá Na Cultura

  • 2005 - "Dadá, a Mulher de Corisco" (Savaget, Luciana - Ed. DCL)
  • 1996 - "Corisco & Dadá" (Filme de Rosemberg Cariry)
  • 1982 - "Gente de Lampião: Dadá e Corisco" (Araújo, Antônio Amaury Corrêa de)
  • 1976 - "A Mulher no Cangaço" (Curta-metragem de Hermano Penna)

Fonte: Wikipédia e A Tarde (08/02/1994)

Corisco

CRISTIANO GOMES DA SILVA CLETO
(32 anos)
Cangaceiro

☼ Matinha de Água Branca, AL (10/08/1907)
┼ Fazenda Cavacos - Brotas de Macaúbas, BA (25/05/1940)

Cristino Gomes da Silva Cleto era seu nome verdadeiro. Nascido no dia 10/08/1907, em Matinha de Água Branca, no Estado de Alagoas. Era filho do sofrido casal Manoel Anacleto e Firmina Maria, segundo comprovação no atestado de óbito do acervo Ivanildo Alves da Silveira. Ivanildo é promotor de justiça, colecionador e pesquisador do cangaço.

Considerado por Lampião como um dos mais valentes cangaceiros e apontado pelos historiadores como um dos mais ferozes e cruéis bandidos que fizeram parte do grupo de Virgulino Ferreira

No ano de 1924, foi convocado pelo Exército Brasileiro para cumprir o serviço militar, mas talvez não satisfeito com as exigências das forças armadas, desistiu  em seguida.

No ano de 1926, em uma briga de rua, Corisco matou um homem e tomou a decisão de aliar-se ao bando do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, apelidado Lampião. Corisco era conhecido por sua beleza, seu porte físico atlético e cabelos longos deixavam-o com uma aparência agradável, além da força física muito grande. Por estes motivos foi apelidado de Diabo Louro quando entrou no bando de Lampião. No cangaço fora alcunhado de Corisco pela sua ligeireza.

Dadá e Corisco
Assim que Lampião levou Maria de Déia, a futura Maria Bonita para o cangaço, com a liberação do chefe, Corisco raptou uma moça de 13 anos, descendente dos índios Pancarerés, a Sérgia Ribeiro da Silva, conhecida por Dadá. Como a companheira não sabia ler e escrever, Corisco a ensinou, e também os manejos de  armas de fogo. Corisco permaneceu com ela até no dia de sua morte. Mesmo vivendo de correrias dentro das caatingas, o casal teve sete filhos, mas apenas três deles sobreviveram, e um deles é o Sílvio Bulhões, muito conhecido por todos os escritores e pesquisadores do cangaço.

Em relação às vestes dos cangaceiros, Dadá foi a maior  estilista do bando. Costurava e enfeitava as vestes de todos os cangaceiros.

Como em toda sociedade sempre há desavenças por uma razão qualquer, infelizmente Lampião e Corisco se desentenderam, causando a separação do bando, mas isso não afetou muito o relacionamento amigável entre ambos. Com isso Corisco foi obrigado a formar o seu próprio grupo de cangaceiros e continuou conservando a amizade com o chefe Lampião.

Na madrugada de 28/07/1938, na Grota de Angicos, no Estado de Sergipe, a polícia alagoana desbaratou o bando de cangaceiros. Matou e degolou onze asseclas, que infelizmente não conseguiram furar o cerco, e entre eles morreram: o rei  Lampião e a sua rainha Maria Bonita.


O cangaceiro Corisco não se encontrava no acampamento no momento do massacre, e ao tomar conhecimento, vingou-se ao seu modo, furiosamente.

Cinco dias depois do combate na Grota de Angicos, Corisco matou o coiteiro Domingos Ventura, e mais cinco pessoas de sua família, incentivado por Joca Bernardo, dizendo que o coiteiro Domingos Ventura era o responsável pela denúncia de Lampião.

Em seguida, separou  as cabeças dos corpos, e mandou-as para o tenente João Bezerra da Silva. E com elas foi o recado: "Faça uma fritada. Se o problema é cabeça, aí vai em quantidade".

Como haviam sido mortos os pais dos cangaceiros, isto é, seus protetores, com uns trinta dias depois do massacre de Angico, a maioria dos facínoras já havia se rendido. Na ativa apenas permaneciam os grupos de Moreno e Corisco.

Morte

Em 1940 o governo de Getúlio Vargas promulgou uma lei concedendo anistia aos cangaceiros que se rendessem. Corisco e sua mulher Dadá decidiram se entregar mas, antes que isso acontecesse, foram baleados.

O médico e historiador Magérbio Lucena, autor do livro "Lampião e o Estado Maior do Cangaço", descreve que, na verdade, não houve combate. Corisco e sua mulher, Sérgia Ribeiro da Silva, conhecida como Dadá, tinha acabado de almoçar, quando foram surpreendidos com a volante comandada pelo tenente João Bezerra. Corisco e Dadá estavam desarmados, quando foram metralhados.

Corisco havia cortado o longo cabelo loiro e não andava mais em bando desde a morte do amigo Lampião, dois anos antes. Magérbio Lucena descreve que, ao se aproximar do cangaceiro, o coronel José Rufino perguntou: "É Corisco?". O cangaceiro respondeu: "É Corisco veio!". O militar questionou: "Por que não se entregou?". E Corisco retrucou: "Sou homi para morrer, não para se entregar".

Depois deste diálogo, o cangaceiro foi atingido na barriga por uma rajada de metralhadora. Ficando com os intestinos à mostra, conseguiu sobreviver durante dez horas. Naquele mesmo conflito, Dadá foi atingida na perna e, não obstante ter passado por várias intervenções cirúrgicas, precisou amputar o pé direito. Em relação ao confronto final, ela declarou que os policiais vieram decididos a roubá-los e a matá-los, e que seu companheiro era deficiente físico e não teve chance alguma de se defender.

Em maio de 1968, a revista Realidade colocou frente a frente Dadá e o coronel José Rufino, responsável pela morte de Corisco. Ele, velho e doente, chorou ao vê-la. Dadá, forte e altiva, o perdoou, no entanto, desmentiu o algoz. Ele não matara seu marido em combate, afirmou: "Foi emboscada".

Do cangaço, Dadá levou lembranças, três filhos com Corisco e nenhum dinheiro. Morreu em fevereiro de 1994, aos 78 anos, na periferia de Salvador.

Magérbio Lucena lembra que o objetivo dos policiais não era defender a Lei. Na verdade, segundo o escritor, o que mais interessava aos policias eram os 300 contos de réis e os dois quilos de ouro que os dois fugitivos carregavam. De acordo com o escritor, Corisco não tinha condições de reagir.

Em 1939, ele caiu numa emboscada, na Fazenda Lagoa da Serra, em Sergipe. Corisco sofreu fraturas gravíssimas no braço esquerdo e no antebraço direito. O casal já tinha tomada a decisão de deixar o cangaço, quando foi localizado pela polícia.

Com a morte do chamado Diabo Louro, na tarde do dia 25/05/1940, na Fazenda Cavacos, em Brotas de Macaúbas, Oeste da Bahia, estava decretado o fim do Cangaço.

Corisco foi e sepultado no cemitério da atual cidade de Miguel Calmon, sendo exumado 3 dias depois para que lhe cortassem a cabeça, segundo informação que foi para estudo. Seus restos mortais ficaram expostos durante 30 anos no Museu Nina Rodrigues ao lado das cabeças de Lampião e Maria Bonita.

Nesta  foto abaixo do jazigo, onde se lê o nome do cangaceiro "Cristino Gomes da Silva Cleto", e a data de 1977, quando os restos mortais foram colocados ali, transportados da primeira sepultura, aquela datada de 1969.

Tirando as Possíveis Dúvidas

Corisco morreu em maio de 1940 e seu corpo completo foi enterrado em Miguel Calmon, no Estado da Bahia. Após 3 dias foi desenterrado e sua cabeça foi levada para o Museu Nina Rodrigues e seu corpo sem cabeça continuou no cemitério de Miguel Calmon, até 1969.

Após ações judiciais na década de 60, a cabeça de Corisco saiu do Museu Nina Rodrigues e foi enterrada junto com os restos mortais que estavam em Miguel Calmon, no Cemitério da Quinta dos Lázaros.

E esta exumação foi para a troca de cemitério? Não, foi devido a compra de um jazido perpétuo que todo o conjunto dos restos mortais foi transferido para o túmulo onde se encontra hoje.

Corisco e Vinte e Cinco
O Cangaço Continua

O bando de Lampião aterrorizou o sertão nordestino por quase 20 anos. Especula-se que a origem do Cangaço remonte ao século XVIII, quando fazendeiros recrutavam sertanejos para exterminar índios. Mais tarde, os colonos teriam sido obrigados a participarem das lutas entre famílias ricas que disputavam terras com políticos. Por fim, esses bandos tornaram-se independentes, criando leis próprias e subornando fazendeiros e comandantes da polícia em troca de proteção. Seus métodos bárbaros incluíam tortura, estupro e morte.

Segundo essa tese, o surgimento desses andarilhos coincide com o declínio das culturas de cana-de-açúcar e algodão. O café, no Sudeste, passou a ser o motor da economia brasileira gerando fome, desemprego e falta de perspectivas no agreste. Assim, o Cangaço era uma opção de vida atraente para sertanejos jovens que não tinham trabalho e rendiam-se à promessa de fama e dinheiro fácil. Qualquer semelhança com a história dos "Soldados do Tráfico de Drogas" nos dias atuais não é mera coincidência. Essa era a situação social e política da primeira fase da República.

Representações na Cultura

A vitalidade, energia e violência de Corisco fascinou Glauber Rocha e inspirou o seu filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964). Corisco foi interpretado por Othon Bastos.

Em 1969, foi lançado o filme "Corisco, o Diabo Loiro" de Carlos Coimbra. Corisco foi interpretado por Maurício do Valle, o mesmo que interpretou Antônio das Mortes, assassino de Corisco em "Deus e o Diabo na Terra do Sol".

Em 1996 foi lançado o filme "Corisco & Dadá", que conta a história do casal. O filme foi protagonizado por Chico Diaz e Dira Paes.

Vinte e Cinco

JOSÉ ALVES DE MATOS
(97 anos)
Cangaceiro

☼ Paripiranga, BA (1917)
┼ Maceió, AL (15/06/2014)

José Alves Matos, mais conhecido por Vinte e Cinco, nasceu em Paripiranga, BA, na Fazenda Alagoinha. Teve vários primos e sobrinhos com ele no cangaço, tais como: Santa CruzPavãoChumbinhoVentania e Azulão.

José Alves vem de uma família numerosa, sendo oito irmãos e seis irmãs e depois seu pai casou novamente e nasceram mais cinco homens e três mulheres.

Antes de se destacar no bando montado por Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, José Alves de Matos tinha, de acordo com sua filha, feito estágio no bando de Corisco, alcunha de Cristino Gomes da Silva Cleto. No dia que entrou para o bando de Corisco o seu sobrinho Santa Cruz entrou no grupo de Mariano. Por conta de uma discussão com a cangaceira Dadá saiu do grupo de Corisco.

Corisco e Vinte e Cinco
Somente depois de participar do bando de Corisco foi que ingressou no grupo de Lampião, de quem recebeu, na noite de Natal, o apelido pelo qual será eternamente conhecido: Vinte e Cinco.

Ingressou no grupo de Virgulino Ferreira da Silva no dia 25/12/1937, aos 20 anos, depois de se dizer perseguido pelas polícias da Bahia, Alagoas e Pernambuco. O dia em que entrou para o bando de Lampião lhe valeu o apelido de Vinte e Cinco.

No fatídico 28/07/1938, da morte de Lampião, ele não se encontrava entre o bando porque havia sido incumbido de ir junto com os dois irmãos Atividade e Velocidade buscar uns mosquetões, munições e mantimentos para o grupo como conta Dalma Matos, filha do cangaceiro:.

"Na noite anterior, papai e mais alguns companheiros saíram da grota para cumprir a ordem de Lampião de conseguir mantimentos para a alimentação dos demais cangaceiros. Se não tivesse saído da grota naquele dia..."

Após a morte de Lampião, Vinte e Cinco se manteve escondido até se entregar as autoridades em novembro de 1938 junto com outros cangaceiros, em Poço Redondo, SE, e acabou ficando preso por quatro anos em Maceió e dentro da cadeia começou a estudar. Quando recebeu o alvará de soltura conseguiu entrar no Estado como Guarda Civil, conseguindo a vaga através de um amigo.

Vinte e Cinco, Lampião, Canário e Maria Bonita
Quando o governador Ismar de Góis Monteiro descobriu que ele havia sido cangaceiro convocou o secretário de Justiça do Estado, o senhor Ari Pitombo e disse que não podia ficar com ele na guarda pois ele havia sido cangaceiro. O secretário procurou o chefe da guarda, o major Caboclinho e o major disse que ele era entre os 38 guardas o melhor profissional que ele tinha. O Secretário resolveu fazer um concurso entre eles e José Alves contratou duas professoras, esqueceu as festas e curtições e foi estudar bastante o que lhe rendeu o primeiro lugar na primeira fase, na segunda fase se classificou entre os melhores e quase foi reprovado na parte de tiro, pois era acostumado com o Parabellum e teve que atirar com um 38, só passando depois que atirou com o Parabellum e acertou o alvo, depois de duas sequências de erros com a outra arma.

Com seis obras publicadas sobre o cangaço, o pesquisador baiano João de Souza Lima afirma que conheceu Vinte e Cinco em 2005, e o define como um "ser humano inteligentíssimo".

"Costumávamos conversar muito e numa dessas conversas ele revelou que o motivo que o fez ingressar no cangaço foi o fato de a polícia ter violentado familiares seus."

José Alves, que era aposentado como servidor do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Alagoas, foi casado por mais de 50 anos com Mariza da Silva Matos e deixou seis filhos e 16 netos.

Vinte e Cinco e a esposa Mariza
Morte

Último cangaceiro do bando de LampiãoJosé Alves de Matos, 97 anos, morreu na manhã de domingo, 15/06/2014, em sua residência, em Maceió, AL, vítima de insuficiência respiratória.

O corpo de José Alves de Matos, tido como o último cangaceiro vivo do bando de Virgulino Ferreira da Silva, foi sepultado no início da noite de segunda-feira, 16/06/2014 no Cemitério Parque das Flores, 76 anos  depois de ter escapado da morte pela polícia alagoana no famoso Massacre da Gruta de Angicos, onde Lampião, Maria Bonita e seus cangaceiros foram mortos pelos "macacos", apelido dado por Lampião à Policia Volante.

Vinte e Cinco era "oficialmente" o ultimo ex-cangaceiro vivo. Dos remanescentes do cangaço de Lampião resta apenas Dulce que foi companheira do cangaceiro Criança.

Indicação: Miguel Sampaio

Moreno

ANTÔNIO IGNÁCIO DA SILVA
(100 anos)
Cangaceiro

☼ Tacaratu, PE (01/11/1909)
┼ Belo Horizonte, MG (06/09/2010)

Mais conhecido pela alcunha de Moreno, foi um cangaceiro pertencente ao bando de Lampião e Maria Bonita, considerado o "Último Cangaceiro de Lampião". Após a morte deste, fugiu de Pernambuco e adotou o pseudônimo de José Antônio Souto, fixando-se em Minas Gerais. Foi um dos integrantes do bando com maior longevidade, e um dos últimos a morrer.

Filho de Manuel Ignácio da Silva (o Jacaré) e Maria Joaquina de Jesus, Moreno perdeu o pai na adolescência, quando este foi morto pela polícia nas proximidades de São José do Belmonte, em uma suposta queima de arquivo. Exerceu a profissão de barbeiro, mas seu desejo era ser soldado da polícia. O sonho terminou quando foi preso e espancando por policiais de Brejo Santo, após ser acusado injustamente de roubar um carneiro. Libertado, matou o homem que o denunciou, que seria o verdadeiro ladrão.

Foi contratado por um proprietário rural para defender sua fazenda do ataque de cangaceiros, mas terminou integrando-se ao grupo de Virgínio Fortunato da Silva, cunhado de Lampião, de quem tornou-se amigo. Na década de 1930 casou-se com Durvalina Gomes de Sá, a Durvinha. O casal teve um filho, que não pôde permanecer com o bando, pois seu choro poderia denunciá-los. A criança foi deixada então com um padre, que a criou.


Moreno era conhecido por não gostar dos rifles de repetição americanos, muito usado na época e ter, a sua disposição, um mosquetão.

Dois anos após a morte de Lampião, o casal fugiu para Minas Gerais. Por precaução, Moreno passou a chamar-se José Antônio Souto, e Durvalina tornou-se Jovina Maria. Estabeleceram-se na cidade de Augusto de Lima, e prosperaram vendendo farinha. Tiveram mais cinco filhos, e mudaram-se para Belo Horizonte no final da década de 1960.

Ainda com medo de serem descobertos e mortos, mantiveram o passado em segredo até para os filhos. A situação manteve-se até meados da década de 2000, quando a existência do primogênito foi revelada. Encontrado em 2005, Inácio Carvalho Oliveira pôde finalmente reencontrar seus pais biológicos.  Ele é policial e mora no Rio de Janeiro. O casal de cangaceiros resolveu contar para os filhos, que nasceram em Minas Gerais, a verdadeira história de suas vidas. Só então é que a família conheceu a história do passado no cangaço. Durvinha morreu pouco tempo depois.

Moreno e Durvina foram localizados pelo cineasta cearense Wolney Oliveira, que estava produzindo o documentário "Lampião, O Governador Do Sertão". Uma das filhas do casal,  Nely Maria da Conceição, ajudou o cineasta - a chave foi um filho que Durvina e Moreno deixaram com um padre, em Tacaratu, no sertão pernambucano, enquanto fugiam. A primeira providência de Wolney foi trazer o casal de volta às suas origens: Paulo Afonso, na Bahia, onde nasceu Durvina, e Brejo Santo, no Ceará, onde estão os parentes de Moreno.

Moreno e Durvinha
Moreno foi recebido como herói, em Brejo Santo, de onde saiu em 1930, com vários crimes nas costas. Ele foi recepcionado com festa, concedeu entrevistas às emissoras de rádio e abraçou sobrinhos e amigos de infância. A mesma recepção festiva aconteceu com Durvina, em Paulo Afonso.

Segundo Nely, filha do casal, o pai já pedia para morrer há mais de dois anos, sempre chamando pela mãe. "Depois da morte de Durvina, em 2008, ele entrou em depressão e sempre falava assim ´Mãezinha vem me buscar. Já vi tudo que tinha pra ver. Quero encontrar Durvina´. Ele estava sofrendo muito", disse.

Em Brejo Santo, na conversa com os parentes, entre risos, lágrimas e versos improvisados, reviveu a sua adolescência sofrida marcada por um ardente desejo de ser soldado de Polícia. O destino, entretanto, lhe foi cruel. Terminou levando uma surra da polícia de Brejo Santo, sob a acusação injusta de ter roubado um carneiro. Quando saiu da cadeia, matou o homem que o denunciou e que era o verdadeiro ladrão do carneiro.


A partir daí virou uma fera. Matou e castrou alguns dos seus perseguidores. Ele nega estes crimes, dizendo que não assassinou ninguém em Brejo Santo. Mas, a própria família confirma as atrocidades praticadas por Moreno que, com 19 anos, fugiu para a Paraíba. Em Cajazeiras, matou mais um. Fugiu para Alagoas, onde já chegou com a fama de valente.

Nas suas contas, matou cerca de 21 homens. Os historiadores dizem que este número é muito maior.


"Ele dirigiu o seu próprio grupo e foi um dos cangaceiros mais cruéis", garante o escritor Magérbio Lucena. Moreno justificava: "Estava ali para matar e morrer, não tinha alternativa". E complementava: "Só atirava, quando o inimigo estava na mira do meu mosquetão".

Deprimido com a morte da esposa, a saúde de Moreno passou a ficar cada vez mais debilitada. Ele morreu no dia 06/09/2010 em Belo Horizonte, aos 100 anos de idade. Durante o sepultamento foi realizada queima de fogos de artifício, a pedido do próprio Moreno, que pensou que nunca teria uma cova. O temor de morrer como um cangaceiro, decapitado e com o corpo deixado no mato, não o abandonou nos 70 anos que manteve seu disfarce.

Maria Bonita

MARIA GOMES DE OLIVEIRA
(27 anos)
Cangaceira

☼ Glória, BA (08/03/1911)
┼ Poço Redondo, SE (28/07/1938)

Maria Gomes de Oliveira, vulgo Maria Bonita foi a primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros.

Maria Bonita, nasceu em 08/03/1911 no Sítio da Malhada da Caiçara, povoado da então cidade de Santo Antonio da Glória, BA. Depois da emancipação, o endereço da rainha do cangaço passou integrar a cidade de Paulo Afonso, BA.

Filha de pais humildes, José Gomes de Oliveira e Maria Joaquina Conceição Oliveira, Maria Bonita casou-se muito jovem.  Aos 15 anos, Maria se casava com o sapateiro José Miguel da Silva, apelidado Zé do Neném. O casal permaneceria junto durante cinco anos, mas, como José era estéril, eles não tiveram filhos. As brigas entre os dois eram muito freqüentes e, a cada desavença, Maria costumava se mudar para a casa dos pais, que ficava próxima à Cachoeira de Paulo Afonso. 

Maria Bonita antes de ingressar no cangaço
E foi, justamente, numa dessas "fugas domésticas" que ela encontrou Virgulino Ferreira, o Lampião, em 1929. Por aquela fazenda passou Virgulino Ferreira da Silva, o famoso e temido Lampião. Uns dizem que, sem nunca tê-lo visto, Maria já nutria um grande amor platônico pelo cangaceiro. Outros afirmam que a mãe dela segredara, ao próprio Lampião, a existência daquela paixão. E, há quem jure, que foi Luís Pedro, um dos integrantes do bando, quem insistiu para Lampião conhecê-la.

Independentemente de como tenha sido, o fato é que a atração entre eles foi imediata e recíproca: o cangaceiro caiu de amores por Maria e vice-versa. Impressionado por sua beleza, passou a chamá-la de Maria Bonita. E, ao invés de ficar três dias na fazenda, como era de praxe, permaneceu dez, vivenciando com a esposa de Zé do Neném um tórrido romance. 

Ao fim dos dez dias, sem medir riscos e dificuldades, Maria Bonita colocou suas roupas em dois bornais, despediu-se do marido para sempre, abraçou os familiares, e partiu com Lampião rumo à caatinga. Foi a primeira mulher a se inserir oficialmente no bando, abrindo um precedente até então inabalável. Os demais cangaceiros respeitavam-na muito, referindo-se a ela como Dona Maria, Maria de Lampião ou Maria do Capitão. Era o ano 1931 e Maria Bonita tinha 20 anos. 

 A partir daí, outras mulheres também entraram para o cangaço. Seria uma verdadeira revolução feminista, uma vez que se emanciparam e impuseram respeito. Muito embora não participassem dos combates, de forma direta, elas eram preciosas colaboradoras, tomando parte das brigadas e empreitadas mais perigosas, cuidando dos feridos, cozinhando, lavando, e, principalmente, dando amor aos companheiros. Fosse representando um porto seguro, ou funcionando como um ponto de apoio importante, para se implorar algum tipo de clemência junto aos cangaceiros, as representantes do sexo feminino contribuíam para acalmar e humanizar os homens, limitando-lhes os excessos de desmandos. Muitas portavam armas de cano curto e, em caso de defesa pessoal, estavam sempre prontas para atirar. Excetuando-se Lampião e Maria Bonita, os casais mais famosos do cangaço foram: Corisco e Dadá, Galo e Inacinha, Moita Brava e Sebastiana, José Sereno e Cila, Labareda e Maria, José Baiano e Lídia, e Luís Pedro e Neném


Cabe ressaltar que, apesar de receberem a proteção paternalista dos cangaceiros, a vida das mulheres era bastante difícil. Levar a termo as gestações no desconforto da caatinga, por exemplo, significava sofrimento e, muitas vezes, logo após o parto, elas eram obrigadas a fazer longas caminhadas, fugindo das volantes. Caso não possuíssem uma resistência física incomum, não conseguiam sobreviver àquele cotidiano inóspito. 

Após ter ido viver com Lampião, Maria Bonita engravidou, mas, com pouco tempo, perdeu espontaneamente o feto. E este não seria o único aborto que teve na vida. Em 1932, contudo, ela conseguiu levar a termo a gestação, dando à luz à sombra de um umbuzeiro, no meio da caatinga, em Porto de Folha, no Estado de Sergipe. Lampião foi seu parteiro. A criança, uma menina que chamaram de Expedita Ferreira Nunes

A despeito de ser um bandido temido por muitos, Lampião era um homem extremamente jeitoso, dotado de grande capacidade de improvisação: confeccionava suas roupas, fazia os curativos, encanava pernas e braços quebrados, realizava os partos das companheiras dos cangaceiros, entre outros. Superdotado de inteligência, ele era, ao mesmo tempo, guerrilheiro, médico, farmacêutico, dentista, vaqueiro, poeta, estrategista e artesão.

Expedita Ferreira Nunes
No tocante à  Expedita Ferreira Nunes, vale salientar dois pontos importantes:
  • Não era permitida a presença de crianças no bando. Logo que nasciam, os bebês eram entregues aos parentes não engajados no cangaço, ou deixados com familiares de padres, coronéis, juízes, militares, ou fazendeiros.
  • A vida dos cangaceiros era instável, com intensas perseguições, tiroteios e confrontos. Por esses motivos, Lampião e Maria Bonita não podiam criar Expedita.
E os fatos, a partir daí, se tornaram, também, uma questão polêmica. Uns disseram que  Expedita foi entregue a tio João, irmão de Lampião, que nunca fez parte do cangaço, e outros, testemunharam que ela foi deixada com o vaqueiro Manuel Severo, na Fazenda Jaçoba. Seja lá como tenha sido, Maria Bonita não pôde criar a própria filha pois a sua vida já estava intimamente ligada à própria linha do cangaço.  

 Em uma luta contra a volante pernambucana, na vila de Serrinha, próximo ao município de Garanhuns, PE, a mulher de Lampião foi baleada. Como estava perdendo muito sangue, o Capitão Virgulino deu ordem para que a luta fosse encerrada imediatamente, pegou a sua amada nos braços e seguiu rumo ao município de Buíque, onde ela tratou os ferimentos na vila de Guaribas.


No dia 27/07/1938, conforme o costume de anos a fio, o bando acampou na Fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. Na madrugada do dia 28, porém, a volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Quando alguém deu o alarme, já era tarde demais.

Quando os policiais abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa. O ataque durou uns vinte minutos, e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Lampião foi ferido gravemente e, logo em seguida, o mesmo ocorreu com Maria Bonita.

Ainda assim, ela rastejou até o companheiro, que ainda respirava, e pediu para ele ser poupado. Mas, suas preces foram inúteis. Arrastada pelos cabelos por um dos soldados, José Panta de Godoy, a cangaceira foi degolada viva. Sua cabeça ficou pendurada no pescoço. O próprio Godoy contou, no local da chacina, como procedeu para separar a cabeça de Maria Bonita:

"Depois de cortar a cabeça, que até tive que bater no osso, saiu muito sangue, e eu enfiei o dedo dentro do tutano que tinha e barriei tudo, que era de um branco danado".

Feito isso, o corpo foi colocado em posições grotescas, para risos da volante. Das 34 pessoas presentes no bando, 11 foram mortas em Angico. Bastante eufóricos com a vitória, os soldados ainda saquearam e mutilaram os mortos, roubando-lhes todo o dinheiro, ouro, e jóias. Com Maria Bonita morreu, também, a mulher mais famosa da história do cangaço.

Maria Bonita
Os soldados colocaram as cabeças cortadas, como troféus de vitória, em latas de querosene contendo aguardente e cal. E, para alimentar os urubus, deixaram os corpos mutilados e ensangüentados a céu aberto. Mesmo em adiantado estado de decomposição, as cabeças percorreram uma parte do Nordeste brasileiro, sendo exibidas à população. Elas atraiam multidões, onde quer que fossem expostas.

No Instituto de Medicina Legal de Maceió, as cabeças foram medidas, pesadas e examinadas, pois havia a hipótese de que, um indivíduo normal, não se tornava bandido. Em outras palavras, era preciso haver características sui generis, um tipo de tara sertaneja, para que alguém se transformasse em cangaceiro.

Depois de muitos estudos, no entanto, contrariando aquela tese, os pesquisadores concluíram que as cabeças não apresentavam qualquer sinal de degenerescência física, tampouco anomalias ou displasias, e classificaram-nas, simplesmente, como dolicocéfalas. Feito isto, os restos mortais seguiram para o sul do país e, de lá, para Salvador, onde permaneceram seis anos na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia. Lá, os pesquisadores, não conformados com o laudo anterior, tornaram a medir, pesar, estudar as cabeças. Isto representou, apenas, mais uma das tentativas inúteis para se descobrir uma patologia preexistente. Depois dessa romaria, aqueles trunfos de guerra ficaram expostos, por mais de 30 anos, no Museu Nina Rodrigues, em Salvador.

Benjamin Abrahão ao lado de Lampião, Maria Bonita e o restante do bando.
As famílias dos cangaceiros lutaram junto à Justiça, durante muito tempo, visando proporcionar um enterro digno aos seus parentes. Isto só veio a ocorrer, porém, depois do Projeto de Lei nº 2.867, de 24 de maio de 1965, que teve sua origem nos meios universitários de Brasília, em particular, nas conferências do poeta Euclides Formiga, e que foi reforçado pelas pressões da população. Neste sentido, após longos anos de exposições, de estudos e protestos, no dia 6 de fevereiro de 1969, as cabeças de Maria Bonita e Lampião foram sepultadas no Cemitério da Quinta dos Lázaros, em Salvador.

Em se tratando da memória do cangaço, do banditismo, da cultura violenta, indiferença e insensibilidade perante o sangue e a morte, entre outros temas, Maria Bonita tem sido pesquisada por acadêmicos, e destacada através da literatura, do cinema, da fotografia, das artes. Os trovadores e poetas populares nordestinos, ao longo dos anos, compuseram muitos versos, inclusive cantados, utilizando o seu nome. Um deles foi o seguinte:

Acorda, acorda Maria Bonita,
Acorda, vem fazer o café,
Que o dia já vem raiando,
E a polícia já está de pé.

Maria Bonita e Lampião possuem familiares em Aracaju, SE. Expedita Ferreira Nunes, a única filha do casal, casou-se com Manuel Messias Neto, dando quatro netos, Djair, Gleuse, Isa e Cristina, à mítica "Rainha do Cangaço".

Lampião

VIRGULINO FERREIRA DA SILVA
(40 anos)
Cangaceiro

☼ Serra Talhada, PE (04/06/1898)
┼ Poço Redondo, SE (28/07/1938)

Virgulino Ferreira da Silva nasceu das contradições e conflitos da terra, da violência do campo imposta pelos coronéis latifundiários, políticos corruptos e do clero aliado da aristocracia sertaneja e da burguesia litorânea. Eternizou-se como mito da cultura popular. Virou lenda no Brasil de Sul a Norte, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Influenciou a música popular nordestina. Apimentou os acordes de Luiz Gonzaga e de centenas de sanfoneiros, violeiros, repentistas e cordelistas. Seu sangue corre nas veias do xaxado (dança dos gangaceiros), no xote, no baião e no forró.

Existe uma grande controvérsia sobre a data de nascimento de Lampião. As mais citadas são:
  • 7 de julho de 1897: Data do Registro Civil.
  • 4 de junho de 1898: É a data citada em sua Certidão de Batismo, uma das mais citadas na literatura de cordel. A data de seu batismo é geralmente aceita por muitos devido ao costume das regiões do semiárido de se batizar as crianças primeiro e apenas registrá-las tempos depois, devido a um misto de religiosidade e desconfiança em relação ao poder civil constituído e a um "enquadramento administrativo" por parte deste. Através de inúmeras análises, constatou-se ser esta a verdadeira.
  • 12 de fevereiro de 1900: Data dada segundo Antônio Américo de Medeiros pelo próprio Lampião em entrevista ao escritor cearense Leonardo Mota, em 1926, no Juazeiro do Norte.

A questão de sua data de nascimento torna-se ainda mais relevante no contexto em que se instituem datas comemorativas em seu nome, como o Dia do Xaxado, projeto da Câmara Municipal de Serra Talhada que escolheu a data de 7 de julho, o que correspondente ao seu registro civil.

Lampião seguido por Maria Bonita e Dadá
A Vida de Lampião

Nascido na cidade de Vila Bela, atual Serra Talhada, no semiárido do estado de Pernambuco, foi o terceiro filho de José Ferreira da Silva e Maria Lopes de Oliveira. O seu nascimento só foi registrado no dia 7 de agosto de 1900. Até os 21 anos de idade ele trabalhava como artesão, era alfabetizado e usava óculos para leitura, características bastante incomuns para a região sertaneja e pobre onde ele morava.

Virgulino desde criança demonstrou-se excelente vaqueiro. Cuidava do gado, trabalhava com artesanato de couro e conduzia tropas de burros para comercializar na região da caatinga, lugar muito quente, com poucas chuvas e vegetação rala e espinhosa, no alto sertão de Pernambuco.

Em 1915, acusou um empregado do vizinho José Saturnino de roubar bodes de sua propriedade. Começou, então, uma rivalidade entre as duas famílias. Quatro anos depois, Virgulino e dois irmãos se tornaram bandidos. Matavam o gado do vizinho e assaltavam. Os irmãos Ferreira passaram a ser perseguidos pela polícia e fugiram da fazenda. A mãe de Virgulino morreu durante a fuga e, em seguida, num tiroteio, os policiais mataram seu pai (1919). O jovem Virgulino jurou vingança e, ao fazê-lo, provou ser um homem de atitudes violentas e rudes. Tornou-se um mito em termos de disciplina. O bando chamava os integrantes das volantes de "Macacos" - uma alusão ao modo como os soldados fugiam quando avistavam o grupo de Lampião: "Pulando".

Maria Bonita
Durante os 19 anos seguintes (começou aos 21 anos), Lampião viajou com seu bando de cangaceiros, todos a cavalo e em trajes de couro, chapéus, sandálias, casacos, cintos de munição e calças para protegê-los dos arbustos com espinhos típicos da vegetação caatinga. Para proteger o "capitão", como Lampião era chamado, todos usavam sempre um poder bélico potente. Como não existiam contrabandos de armas para se adquirir, em sua maioria eram roubadas da polícia e unidades paramilitares. A espingarda Mauser e uma grande variedade de pistolas semiautomáticas e revólveres também eram adquiridos durante confrontos. A arma mais utilizada era o rifle Winchester.

Existem duas versões para o seu apelido. Dizem que, ao matar uma pessoa, o cano de seu rifle, em brasa, lembrava a luz de um lampião. Outros garantem que ele iluminou um ambiente com tiros para que um companheiro achasse um cigarro perdido no escuro.

Comparado a Robin Hood, Lampião roubava comerciantes,  fazendeiros, políticos e coronéis, da época do coronelismo, sempre distribuindo parte do dinheiro com os mais pobres  miseráveis, que passavam fome e lutavam para sustentar famílias com inúmeros filhos. No entanto, seus atos de crueldade lhe valeram a alcunha de "Rei do Cangaço". Para matar os inimigos, enfiava longos punhais entre a clavícula e o pescoço. Seu bando sequestrava crianças, botava fogo nas fazendas, exterminava rebanhos de gado, estuprava coletivamente, torturava, marcava o rosto de mulheres com ferro quente. Em uma ocasião, antes de fuzilar um de seus próprios homens, obrigou-o a comer um quilo de sal. Em outra, assassinou um prisioneiro na frente da mulher, que implorava perdão. Lampião arrancou olhos, cortou orelhas e línguas, sem a menor piedade. Perseguido, viu três de seus irmãos morrerem em combate e foi ferido seis vezes.

Corisco
Grande estrategista militar, Lampião sempre se saía vencedor nas lutas com a polícia, pois atacava sempre de surpresa e fugia para esconderijos no meio da caatinga, onde acampavam por vários dias até o próximo ataque. Apesar de perseguido, Lampião e seu bando foram convocados para combater a Coluna Prestes, marcha de militares rebelados. O governo se juntou ao cangaceiro em 1926, lhe forneceu fardas e fuzis automáticos.

Era devoto de Padre Cícero e respeitava as suas crenças e conselhos. Os dois se encontraram uma única vez, no ano de 1926, em Juazeiro do Norte.

Em 1929, conheceu Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, a linda mulher de um sapateiro chamado José Neném. Ela tinha 19 anos e se disse apaixonada pelo cangaceiro há muito tempo. Pediu para acompanhá-lo. Lampião concordou. Ela enrolou seu colchão e acenou um adeus para o incrédulo marido. Maria Bonita assim como as demais mulheres do grupo, vestia-se como cangaceiro e participou de muitas das ações do bando.

Virgulino e Maria Bonita tiveram uma filha, Expedita Ferreira de Oliveira Nunes, nascida em 13/09/1932. Há ainda a informação controversa de que eles tiveram mais dois filhos: os gêmeos Ananias Gomes de Oliveira e Arlindo Gomes de Oliveira, mas nunca foi comprovada a verdade dos fatos, além de outros dois natimortos.

A Morte de Lampião e Seu Bando

No dia 27/07/1938, o bando acampou na Fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. A volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Por volta das 05:15 hs. do dia 28, os cangaceiros levantaram para rezar o oficio e se preparavam para tomar café quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais.

Não se sabe ao certo quem os traiu. Entretanto, naquele lugar mais seguro, o bando foi pego totalmente desprevenido. Quando os policiais do tenente João Bezerra e do sargento Aniceto Rodrigues da Silva abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa.

O ataque durou uns vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos trinta e quatro cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida. Alguns cangaceiros, transtornados pela morte inesperada do seu líder, conseguiram escapar. Bastante eufóricos com a vitória, os policiais apreenderam os bens e mutilaram os mortos. Apreenderam todo o dinheiro, o ouro e as jóias.

Gato e Inacinha
A força volante, de maneira bastante desumana para os dias de hoje, mas seguindo o costume da época, decepou a cabeça de Lampião. Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando foi degolada. O mesmo ocorreu com Quinta-Feira, Mergulhão (os dois também tiveram suas cabeças arrancadas em vida), Luis Pedro, Elétrico, Enedina, Moeda, Alecrim, Colchete e Macela. Um dos policiais, demonstrando ódio a Lampião, desferiu um golpe com a coronha do fuzil na sua cabeça, deformando-a. Este detalhe contribuiu para difundir a lenda de que Lampião não havia sido morto, e escapara da emboscada, tal foi a modificação causada na fisionomia do cangaceiro.

Feito isso, salgaram as cabeças e as colocaram em latas de querosene, contendo aguardente e cal. Os corpos mutilados e ensanguentados foram deixados a céu aberto, atraindo urubus. Para evitar a disseminação de doenças, dias depois foi colocada creolina sobre os corpos. Como alguns urubus morreram intoxicados por creolina, este fato ajudou a difundir a crença de que eles haviam sido envenenados antes do ataque, com alimentos entregues pelo coiteiro traidor.

Percorrendo os estados nordestinos, o tenente João Bezerra exibia as cabeças (já em adiantado estado de decomposição) por onde passava, atraindo uma multidão de pessoas. Primeiro, os troféus estiveram em Piranhas, onde foram arrumadas cuidadosamente na escadaria da igreja, junto com armas e apetrechos dos cangaceiros, e fotografadas. Depois, foram levadas a Maceió e ao sudeste do Brasil.

Recompensa do Governo do Estado da Bahia Por Lampião, Vivo ou Morto
No Instituto Médico Legal de Aracaju, as cabeças foram observadas pelo médico Drº Carlos Menezes. Depois de medidas, pesadas e examinadas, os criminalistas mudaram a teoria de que um homem bom não viraria um cangaceiro, e que este deveria ter características sui generis. Ao contrário do que pensavam, as cabeças não apresentaram qualquer sinal de degenerescência física, anomalias ou displasias, tendo sido classificados, pura e simplesmente, como normais.

Do sudeste do País, apesar do péssimo estado de conservação, as cabeças seguiram para Salvador, onde permaneceram por seis anos na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia. Lá, tornaram a ser medidas, pesadas e estudadas, na tentativa de se descobrir alguma patologia. Posteriormente, os restos mortais ficaram expostos no Museu Antropológico Estácio de Lima localizado no prédio do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, em Salvador, por mais de três décadas.

Placa de bronze e cruzes marcam o local da emboscada contra o bando de Lampião
Durante muito tempo, as famílias de Lampião, CoriscoMaria Bonita lutaram para dar um enterro digno a seus parentes. O economista Silvio Bulhões, filho de Corisco e Sérgia Ribeiro da Silva, a Dadá, em especial, empreendeu muitos esforços para dar um sepultamento aos restos mortais dos cangaceiros e parar, de vez por todas, a macabra exibição pública. Segundo o depoimento do economista, dez dias após o enterro de seu pai, a sepultura foi violada, o corpo foi exumado, e sua cabeça e braço esquerdo foram cortados e colocados em exposição no Museu Nina Rodrigues.

O enterro dos restos mortais dos cangaceiros só ocorreu depois do Projeto de Lei nº 2.867, de 24 de maio de 1965. Tal projeto teve origem nos meios universitários de Brasília (em particular, nas conferências do poeta Euclides Formiga), e as pressões do povo brasileiro e do Clero o reforçaram. As cabeças de LampiãoMaria Bonita foram sepultadas no dia 06/02/1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois.

Lampião e Juriti
Lampião Compositor

"Mulher Rendeira" é um antigo tema popular, muito cantado nos sertões nordestinos ao tempo de Lampião, e cuja origem é controversa. Segundo a versão mais conhecida do padre Frederico Bezerra Maciel, regionalista pernambucano e biógrafo de Lampião, é de que o mesmo teria escrito os versos da versão original da música. A ele se acrescenta Câmara Cascudo, segundo o qual Lampião teria escrito a letra em homenagem ao aniversário de sua avó Dona Maria Jocosa Vieria Lopes (Tia Jacosa) em 15 de setembro, que era uma rendeira.

Compôs a música entre setembro de 1921 e fevereiro de 1922, quando apresentou a música em Floresta, PE. A música tornou-se praticamente um hino de guerra dos cangaceiros do bando de Lampião, tendo inclusive relatos de que o seu ataque à Mossoró em 1927 teria sido feito com mais de 50 cangageiros cantando  "Mulher Rendeira".

Por isso foi incluído no premiado filme "O Cangaceiro", de Lima Barreto, que o celebrizou no país e no exterior. Na ocasião, sofreu uma adaptação do compositor Alfredo Ricardo do Nascimento (Zé do Norte), autor de outras músicas do filme, que manteve a sua estrutura original. Há também uma gravação de um antigo cabra do bando de Lampião, o cangaceiro Volta Seca.

Representações na Cultura

1937 - Capitães da Areia (Citações Referentes a Lampião)
1953 - O Cangaceiro
1963 - O Lamparina
1969 - Corisco, O Diabo Louro
1982 - Lampião e Maria Bonita
1983 - O Cangaceiro Trapalhão
1997 - Mandacaru
1997 - Baile Perfumado
2006 - Canta Maria
2011 - Cordel Encantado

Cronologia

15 de julho de 1895: Nasce Antônio Ferreira da Silva, o cangaceiro Antônio Ferreira, filho de Maria Lopes de Oliveira, conhecida como Dona Maria Jacoza, e de Venâncio Nogueira, seu patrão. Venâncio Nogueira doa a ela o sítio Passagem das Pedras, no Riacho São Domingos, em Serra Talhada, PE. José Ferreira da Silva, conhecido como Zé Ferreira, natural da Fazenda Carro Quebrado, em Triunfo, PE, casa-se com Maria Jocoza, e assume a paternidade do seu filho.

7 de novembro de 1896: Nasce Levino Ferreira da Silva, o cangaceiro Vassoura, primeiro filho de Zé Ferreira com Maria Jacoza.

7 de julho de 1898: Nasce Virgulno Ferreira da Silva, o Lampião, no sítio Passagem das Pedras, em Serra Talhada, PE.

8 de março de 1911: Nasce Maria Gomes de Oliveira, vulgo Maria Bonita, na Fazenda Malhada Caiçara, em Santa Brígida, BA. Filha de José Felipe e Maria Joaquina da Conceição, conhecida como Maria Déa. Alguns estudiosos do cangaço revelam que não há certeza sobre a data de nascimento de Maria Bonita, e também que ela não seria filha de José Felipe, mas de um senhor chamado Agripino, ex-namorado de Maria Déa. Segundo o pesquisador Valdir de Moura Ribeiro, o nascimento de Maria Bonita foi em 10 de janeiro de 1910.

1916: Zé Caboclo, é preso pelo inspetor Manoel Lopes acusado de roubo de bodes. Os irmãos Ferreira (Antônio, Levino e Virgulino) também são acusados do mesmo crime, por Domingos Rodrigues, pagando a ele uma indenização financeira.

Após este incidente, foram encontrado dois chocalhos pertencentes a Zé Saturnino nas vacas dos Ferreiras. Zé Saturnino então pega três chocalhos dos Ferreiras e coloca em vacas suas.

O jovem Virgulino pega um burro pertencente a Zé Saturnino, que acusa os Ferreiras de ladrões. Virgulino Ferreira, ofendido, manda ele ir buscar o burro em sua casa, e então mata nove reses de Zé Saturnino.

Zé Saturnino foi falar com Zé Ferreira, arbitrariamente proibindo seus filhos de cuidar do rebanho em campo. Esta ordem de Zé Saturnino não foi acatada pelos irmãos Ferreira, e eles foram emboscados por Zé Saturnino na Fazenda Pedreira, em Lagoa da Água Branca. Nesta ocasião Antônio Ferreira, o irmão mais velho de Virgulino, foi ferido.

Zé Ferreira, foi então até Serra Talhada, PE, pedir ajuda ao coronel Antônio Timóteo de Lima, latifundiário petencente à mesma corrente política da família Nogueira (Venâncio Nogueira era o pai biológico de Antônio Ferreira). No entanto, nenhuma providência foi tomada.

Quelé do Cipó, parente de Zé Saturnino tentou apaziguar a questão, propondo reconciliação entre Zé Saturnino e os Ferreira, mas Zé Saturnino não quis saber de qualquer tentativa de acordo.

5 de agosto de 1917: É fundado o povoado de Nazaré do Pico, distrito de Floresta, PE.

1917: Na tentativa de evitar mais conflitos, Zé Ferreira, homem calmo e sensato, vende suas terras e vai morar na Fazenda Poço do Negro, próximo ao povoado de Nazaré do Pico, em Floresta, PE.

10 de fevereiro de 1918: Zé Saturnino vai até Nazaré do Pico, buscar um dinheiro quebrando um acordo feito - o acordo era que Zé Saturnino não deveria ir até a cidade onde a família Ferreira morava - e ele então é emboscado por Virgulino e seu primo Domingos Paulo. No dia seguinte Zé Saturnino acompanhado por 15 homens, cercam a Fazenda Poço do Negro, onde a família Ferreira morava. No conflito, um dos homens de Zé Saturnino é baleado, o cabra Zé Guedes.

1919: Nazaré do Pico é invadida por Jacinto Alves de Carvalho. Virgulino, agora chamado de Lampião defende o povoado.

José Alves Nogueira, tio de Zé Saturnino é emboscado por Virgulino. João Flor, padrinho de Virgulino, vai até o local do embate, pensando que era Jacinto novamente atacando o povoado. Contudo ele descobre que era o seu próprio afilhado, iniciando um atrito entre ele e os Ferreira.

Levino Ferreira da Silva dá um tiro no canto da rua e Odilon Flor, filho de João Flor revida quase atingindo Lampião na cabeça. Começa o tiroteio e Levino é ferido e vai até a casa de Chico Euzebio onde é preso e levado para Floresta. Levino é solto e os Ferreiras vão embora para Alagoas.

1920: Lampião junta-se ao cangaceiro Antônio Matilde e atacam por diversas vezes a Fazenda Pedreira, pertencente a Zé Saturnino. Dos cabras que acompanhavam Lampião podemos destacar os cangaceiros Antônio Ferreira, Levino Ferreira (Vassoura), Antônio Rosa, Baião, Manoel Tubiba, Cajazeira, Baliza, Zé Benedito, Olimpio Benedito e Manoel Benedito.

Zé Saturnino vendo seu gado e sua fazenda invadida, procurou seu tio, o famoso cangaceiro Cassimiro Honório que trouxe vários cabras para defesa da fazenda do sobrinho onde travaram alguns combates com o bando de Lampião, que voltou para Alagoas. Entres os cabras de Zé Saturnino podemos citar Nêgo Tibúrcio, Zé Guedes, Zé Caboclo, Vicente Moreira, Batoque e o famoso Marcula.

Maio de 1920: Em Alagoas, Zé Ferreira manda o filho João Ferreira comprar remédio para um sobrinho doente. O delegado Amarilio prende João Ferreira, como isca para tentar prender os seus irmãos foragidos.

Maria Jacoza, mãe de Lampião, fica preocupada e resolve ir embora da região. Ela adoece e morre na Fazenda Engenho de Luiz Fragoso. Dezoito dias após sua morte. Zé Ferreira (pai de Lampião, Antônio e Vassoura), é morto pelo tenente José Lucena de Albuquerque Maranhão e os irmãos Ferreira resolvem entrar de vez na vida do cangaço.

1921: Os Ferreira entram no grupo dos Purcinos e matam o viajante Arthur Pinto. O tenente Zé Lucena vai até Poço Branco, AL, onde trava tiroteio com o grupo dos Purcinos. O cangaceiro Gafanhaque é morto. Nesse ano os Ferreiras e os Purcinos matam ainda 6 irmãos da família Quirino, de Julio Batista.

Junho de 1921: Os Ferreiras entram no grupo de Sebastião Pereira e Silva, vulgo Sinhô Pereira, cangaceiro famoso de Serra Talhada, PE.

8 de agosto de 1921: Combate na centenária Fazenda Carnauba, em Serra Talhada, PE, entre Sinhô Pereira  Capitão Zé Cataeno sendo morto o cangaceiro Luiz Macario, e vitória da força volante.

Setembro de 1921: Combate na Fazenda Feijão entre Sinhô Pereira  tenente João Marques de Sá. Vitória dos cangaceiros sem morte nenhuma.

Outubro de 1921: O bando de Sinhô Pereira e Lampião vai para o Ceará, onde travam combate na Fazenda Mandaçaia, não sofrendo nenhuma baixa em ambas as partes. Quatro dias depois travam combate na Vila de Coité morrendo um soldado e saindo dois bandidos feridos. Depois houve outro combate onde foi morto o cangaceiro Pitombeira e saiu ferido o cangaceiro Lavandeira e dois soldados.

23 de junho de 1922: Lampião faz um assalto a Fazenda Baronesa de Água Branca, da cidade de Água Branca, AL, roubando ai grande quantia em dinheiro, sendo a primeira vez comandante de um grupo próprio.

18 de julho de 1922: Combate em Poço da Areia, AL, contra a força de 120 soldados do tenente Medeiros, além de parte da família Quirino. Baixas após assalto: O sargento Agapito e dois soldados, contra 20 cangaceiros de Lampião. Neste combate saiu gravemente ferido o cangaceiro Fiapo I sendo morto por Lampião depois.

Agosto de 1922: Devido aos pedidos da familia o cangaceiro Sinhô Pereira vai embora da Fazenda Preá, no Ceará, com destino a Goiás, para junta-se ao primo e ex-cangaceiro Luiz Padre.

20 de outubro de 1922: Invasão de São José do Belmonte, PE, onde é morto o rico comerciante e chefe politico, coronel Luiz Gonzaga Lopes Ferraz. Lampião não tinha nenhum inimizade com o coronel mas atacou a cidade e matou o comerciante a pedido de Yoyo Maroto, parente de Sinhô Pereira e inimigo politico de Luiz Gonzaga Lopes Ferraz. Despois disso a viúva vai embora do estado.

31 de julho de 1923: De surpresa, Lampião entra em Nazaré do Pico e vai até o casamento de sua prima e ex-amor de infância Maria Licor Ferreira e Enoque Menezes com o intuito de acabar o casamento sendo repelido pelo padre Kerlhe que pede para ir embora e deixar o casamento acontecer. Ele decide ir embora mas deixa a ordem para ninguém no povoado dançar.

1 de agosto de 1923: Combate na praça de Nazaré entre Lampião e a forca do sargento Sinhozinho Alencar com a ajuda dos civis nazarenos João Flor, Euclides Flor, Manoel Flor, Davi Gomes Jurubeba, Pedro Gomes de Lira, Zé Saturnino e mais seis homens. Lampião vai embora. Depois desse ocorrido João Flor consegue alistar sua família na Força Volante de Combate ao Banditismo de Pernambuco por influência aos irmãos Pessoa de Queiroz. Tem inicio a Força de Nazaré, a mais ferrenha perseguidora de Lampião.

12 de agosto de 1923: Combate na Fazenda Enforcado, na Serra do Pico, em Floresta, PE, entre o grupo de Lampião e os nazarenos. Saiu ferido o bandido Miguel Piloto e os nazarenos Pedro Gomes de Lira, Olimpio Jurubeba e Adão Thomaz Nogueira.

5 de janeiro de 1924: Lampião invade a cidade de Santa Cruz da Baixa Verde, PE, em busca de matar o seu ex-amigo Clementino Quelé. Nesse combate Lampião incendiou 3 casas e foi repelido pela força policial comandada pelo tenente Pedro Malta. Nesse combate morreram Pedro Quelé e Alexandre Cruz, ficando ferido Deposiano Alves Feitosa.

11 de janeiro de 1924: - Lampião ataca novamente Santa Cruz da Baixa Verde, PE. Foi repelido por Clementino Quelé que depois entrou na policia.

Janeiro de 1924: Lampião ataca o povoado de Tupanaci, em Mirandiba, PE, onde na ocasião encontrava-se um pequeno grupo de cangaceiros comandados por Tibúrcio Severino dos Santos, vulgo Nêgo Tibúrcio, ex-cabra de Zé Saturnino e odiado por Lampião. Lampião então entra em combate e mata Nêgo Tibúrcio e seus cabras, partindo o cangaceiro em vários pedaços e jogando o corpo no meio da rua.

Março de 1924: Combate de Lampião na Serra do Catolé, em São José do Belmonte, PE. Lampião é gravemente ferido no pé sendo cuidado pelo Drº José Cordeiro e pelo Drº Severino Diniz, da cidade de Triunfo, PE. A pedido do padre Kerlhe ele pensou em se entregar para a policia mas depois voltou e continuou no cangaço.

27 de julho de 1924: Lampião manda um sub-grupo com 84 cabras tendo o comando dos cangaceiros Antônio Ferreira, Levino Ferreira, Sabino Gomes, Paizinho, Meia Noite e o fazendeiro Chico Pereira atacar e saquear a cidade de Sousa, PB. Tudo na cidade virou alvo de saque, os cangaceiros roubaram o comércio, residências, tendo a cidade um prejuízo incalculável. O principal alvo era o coronel Otávio Mariz, desafeto de Chico Pereira que fugiu. O juiz Drº Archimedes Soutto Mayor foi humilhado em praça publica pelo bando. O destacamento local era comandado pelo tenente Salgado que nada pode fazer. Depois desse ataque o coronel Zé Pereira, de Princesa Isabel, PB, nunca mais deu proteção ao cangaceiro.

14 de novembro de 1924: Lampião toca fogo na casa da Fazenda Lagoa do Mato, de Pedro Thomaz Nogueira, sendo perseguidos pelos nazarenos Manoel Jurubeba, Manoel Flor, Inocêncio Nogueira e Levino Cabloco até chegar na Fazenda Baixas de Antônio Feitosa, em Floresta, PE. Lá houve novo combate entre Lampião com 15 a 20 bandidos contra os nazarenos Euclides Flor, Olimpio Jurubeba, Eloi Jurubeba, Pedro Lira, Abel Thomaz, Manoel Thomaz e Davi Jurubeba que saiu ferido no tornozelo. Foi morto o bandido Manoel de Margarida e dos nazarenos Olimpio Jurubeba e Inocêncio Nogueira.

11 de fevereiro de 1925: Lampião entra pacificamente na cidade de Custódia, PE.

4 de julho de 1925: Lampião ataca a Fazenda Melancia, em Flores, PE. O proprietário Zé Calú é violentado pelo grupo. Em seu socorro vieram os sargentos Imbrain e Zé Guedes com 30 soldados. Vão atrás do grupo que se aloja na Fazenda Barra do Juá onde é morto dois cangaceiros. Dali os cangaceiros vão para o Sítio Tenório, em Flores, PE onde o soldado Berlamino Morais em pleno combate, viu um vulto de cangaceiro em cima de uma pedra gritando e atirando. Belarmino então atira e mata. Era o cangaceiro Levino Ferreira da Silva, irmão de Lampião. No outro dia ao saber disso o capitão Zé Caetano e o cabo Pedro Monteiro vão até a Fazenda Tenório e encontram os 3 corpos sem a cabeça, pratica esta utilizada pelos cangaceiros para dificultar o reconhecimento pela policia.

14 de novembro de 1925: Combate na Fazenda Xique-Xique, em Serra Talhada, PE entre Lampião e a força volante composta de Euclides Flor, Manoel Flor, João Jurubeba, Aurelino Francisco, Hercilio Nogueira, Ildefonso Flor e o rastejador Batoque. Neste combate é morto o soldado Ildefonso Flor. Dois cangaceiros são capturados, Mão Foveira e Cancão.

4 de fevereiro de 1926: Na Fazenda Caraibas, em Floresta, PE, houve combate entre Lampião com 60 cangaceiros e a força volante do tenente Optato Gueiros com 35 soldados. O tenente Higino Belarmino, o cabo Manoel de Souza Neto e o rastejador Batoque sairam feridos. Foi morto os soldados Aristides Panta, Benedito Bezerra de Vasconcelos, Antônio Benedito Mendes e também 6 cangaceiros de Lampião.

18 de fevereiro de 1926: Lampião ataca Nazaré do Pico com 50 cabras. No povoado estavam apenas Lúcio Nogueira, Abel Thomaz, Aureliano Nogueira, Manoel Jurubeba, Gomes Jurubeba e João Jurubeba. Depois chegou Odilon Flor com Euclides Flor, Vicente Grande, Manoel Lira, Antônio Capistrano e Quinca Chico. Lampião recuou de com raiva tocou fogo nas fazendas de Euclides, João Flor, Afonso Nogueira e Praxedes Capistrano.

20 de fevereiro de 1926: A Coluna Prestes passa próximo ao povoado de Nazaré com 600 homens sendo perseguida pela força legalista comandada pelo major Otacilio Fernandes que ao entrar no povoado houve troca de tiros por engano com os habitantes.

23 de fevereiro de 1926: Lampião ataca a Fazenda Serra Vermelha, em Serra Talhada, PE e Antônio Ferreira mata Zé Alves Nogueira, tio de seu inimigo Zé Saturnino. Zé Nogueira havia sido sequestrado pela Coluna Prestes na passagem da mesma pela região e tinha acabado de chegar em casa cansado da violência sofrida pelos revoltosos e sua morte gerou grande ódio na família Nogueira.

12 de março de 1926: Lampião recebe a patente de capitão do Exército Patriótico de Padre Cícero em Juazeiro do Norte, CE. Lampião tinha bastante respeito e devoção ao padre e sua chegada na cidade foi com festa sendo até entrevistado. Foi a ultima vez que reuniu toda a família para tirar uma foto. Recebeu muita munição e ordens para combater a Coluna Prestes.

20 de abril de 1926: Lampião ataca o povoado de Algodões que se encontrava com os soldados doentes de malária.

3 de julho de 1926: Lampião ataca as cidades de Cabrobó, Ouricuri e Parnamirim, todas no estado de Pernambuco.

7 de julho de 1926: Lampião manda o cangaceiro Sabino Gomes atacar a cidade de Triunfo, PE, saqueando o comercio local. Houve troca de tiros com a policia saindo mortos 2 soldados e o comandante da policia local.

1 de agosto de 1926: Lampião com 80 cangaceiros ataca a Fazenda Serra Vermelha, em Serra Talhada, PE. A família Nogueira composta do major João Alves Nogueira, do seu filho Neneco e dos seus netos Luiz, Dãozinho, Raimundo e Gentil Nogueira combatem saindo morto o cabra Zé Paixão e Antônia, ambos moradores de João Nogueira, este tio-sogro de Zé Saturnino.

26 de agosto de 1926: O cangaceiro Horácio Novaes pede a Lampião para atacar a família Gilo, na Fazenda Tapera, em Floresta, PE, por conta de uma mentira que Horácio soltou para Lampião sobre o patriarca da família. Lampião então mata 12 pessoas da família e na hora de mostrar uma carta ao patriarca o mesmo responde que não sabe ler e escrever sendo morto na mesma hora por Horácio Novaes. Lampião percebe a mentira de Horácio e ele sai do grupo indo embora para o sul do pais.

2 de setembro de 1926: Lampião ataca novamente a cidade de Cabrobó, PE.

6 de setembro de 1926: Lampião ataca Parnamirim, PE, morrendo 2 soldados.

16 de setembro de 1926: Combate na Fazenda Tigre, em Itacuruba, PE, entre Lampião e o cabo Francisco Liberato. Lampião foi ferido na omoplata e o cangaceiro Moreno no pé. Lampião foi para a Serra da Cunha, em Tacaratu, PE tratar do ferimento. Lá ficou escondido sobre a proteção do rico fazendeiro Angêlo Gomes de Lima, o Anjo da Gia.

11 de novembro de 1926: Combate na Fazenda Favela, em Floresta, PE, entre Lampião e a força volante comandada pelo cabo Manoel de Souza Neto e o sargento Zé Saturnino. A força recuou morrendo 5 soldados sendo um deles João Gregório Ferraz Neto, da família Nazarena. Do lado dos cangaceiros morreram cinco bandidos. Após o combate o capitão Muniz de Farias chegou na fazenda e mandou tocar fogo em tudo por ter raiva do dono da mesma.

25 de novembro de 1926: Lampião sequestra o viajante Mineiro Dias e vai até a Serra Grande, em Serra Talhada, PE. Nessa serra acontece o maior combate entre cangaceiros e a policia. Participam do combate o major Theofanes Ferraz Torres, tenente Higino Belarmino, tenente Sólon Jardim, sargento Arlindo Rocha, cabo Manoel Neto, Euclides Flor e mais 400 homens. Lampião do alto da serra ataca e mata onze policiais e deixa onze feridos entre eles Manoel Neto e Arlindo Rocha. Da parte de  Lampião apenas Antônio Ferreira foi baleado.

25 de dezembro de 1926: Por conta do ferimento e da falta de munição gasta no combate da Serra Grande, o cangaceiro Antônio Ferreira junto com Luiz Pedro, Jurema e Biu vão até a Fazenda Poço do Ferro, em Tacaratu, PE, pertencente ao coiteiro Angelo Gomes de Lima. O cangaceiro Luiz Pedro estava limpando uma arma e acabou dormindo. Antônio Ferreira em ato de brincadeira balança a rede para acorda-lo e a arma dispara acidentalmente atingindo Antônio Ferreira. Lampião é chamado até a fazenda e chegando lá encontra Antônio Ferreira ainda vivo que isenta Luiz Pedro de culpa. Logo depois morre o cangaceiro Antônio Ferreira, seu irmão.

3 de abril de 1927: Lampião manda um subgrupo comandado pelo cangaceiro Jararaca atacar a cidade de Carnaíba, PE, assaltando o comércio local.

15 de maio de 1927: Lampião tenta entrar na cidade de Uiraúna, PB, com 35 cabras, sendo repelidos pela força policial comandada pelo tenente Nelson Furtado Leite e mais 14 homens. O combate durou cerca de uma hora saindo vencedora a força policial que perdeu apenas um soldado.

13 de junho de 1927: Lampião ataca a cidade de Mossoró, RN. O bando de Lampião foi dividido em vários subgrupos comandados pelos cangaceiros Sabino Gomes, Massilon Leite, Jararaca e Luiz Pedro. A cidade estava totalmente organizada tendo a frente o prefeito Rodolfo Fernandes que distribuiu seu pessoal nas 4 torres da cidade, que aquela altura era a segunda maior do estado. Lampião sofreu sua maior derrota. O cangaceiro Jararaca foi preso e enterrado vivo. Mossoró saiu vencedora.

15 de junho de 1927: Lampião em fuga do combate de Mossoró sequestra a senhora Maria Rocha e o senhor Antônio Gurgel pedindo 80 contos de réis. Para isso ele vai até a cidade de Limoeiro do Norte, CE, sendo recebido pacificamente pelo juiz Custódio Saraiva que passou telegrama sobre o resgate do sequestro que não chegou. Lampião dormiu na cidade e depois foi embora.

17 de junho de 1927: Combate entre Lampião e a Força Volante na Serra da Mucamba, em Jaguaribara, RN. Lampião com 42 homens e a policia com 815 homens comandados pelo major Moisés Leite de Figueiredo, cunhado do major Isaías Arruda, este velho coiteiro de Lampião. Apesar de no combate terem sido mortos somente dois soldados e um saiu ferido, o major Moisés, com grande numero de policias, foi acusado de covarde pelo tenente Joaquim Teixeira de Moura.

7 de julho de 1927: Lampião em fuga de Mossoró passa um bom tempo na Serra do Coxá, em Milagres, CE. Depois de alguns dias saiu e foi para a casa de Zé Cardoso na Fazenda Ipueiras, em Aurora, CE. Lá era coito de seu velho amigo Isaías Arruda o que fez Lampião confiar. Chegando nessa fazenda Lampião almoçou e logo depois o dono ofereceu 8 cabras para participar do bando o que foi recusado por Lampião desconfiado de traição. Realmente estava combinado entre o major Moisés e seu cunhado Isaías Arruda essa estratégia. Lampião resolve ir embora sendo atacado pelo major Moisés com 15 soldados.

9 de julho de 1927: Lampião passa pelo Morro Dourado, em Milagres, CE, rumo a cidade de Santa Inês, PB.

27 de março de 1928: Lampião vai até a Fazenda Batoque, em Jati, CE, do coiteiro Antônio da Piçarra. A Força de Nazaré entra no estado cearense. O cangaceiro Sabino Gomes conversava ao pé de um fogueira quando é atingido na boca por Hercilio Nogueira, dos Nazarenos. Lampião bate em retirada sendo perseguindo pela policia. Duas semanas depois, não aguentando ver tanto sofrimento com o ferimento de Sabino, o cangaceiro Mergulhão, á pedido, mata Sabino Gomes com um tiro de misericórdia.

21 de agosto de 1928: Lampião atravessa de canoa o Rio São Francisco entrando no estado da Bahia com os cangaceiros Luiz Pedro, Ezequiel Ferreira, Moreno, Virgínio Mordeno e Mergulhão.

26 de agosto de 1928: Lampião entra na cidade de Bonfim, BA. Houve pequeno combate com a força do tenente Manoel Neto.

1 de março de 1929: Lampião entra pacificamente na cidade de Carira, SE.

25 de novembro de 1929: Lampião entra em Nossa Senhora das Dores, SE. De lá vai de carro até a cidade de Capela, SE. Lá visita o comércio local, assiste um filme no cinema e recolhe dinheiro com os comerciantes locais.

16 de dezembro de 1929: Lampião entra na cidade de Pombal, BA.

22 de dezembro de 1929: Lampião entra em Queimadas, BA. Lá ele assaltou a casa de João Lantyer de Araújo Cajahyba, cortou os fios do telégrafo e sequestrou os telegrafistas Joaquim Cavalcante e Manoel Evangelista pelos quais recebeu o regaste de 500 mil réis. Depois foi até a cadeia e prendeu o sargento Evaristo Costa e outros 7 soldados. Foi almoçar, voltou para a cadeia e soltou todos os presos. Mandou todos os 7 soldados ajoelharem e matou um por um. Pela noite, saqueou o comércio onde conseguiu 20 contos de réis. Foi ao cinema da cidade e depois mandou fazer um baile.

23 de dezembro de 1929: Lampião invade a cidade de Quijingue, BA. Lá ele fez um baile e deu dinheiro para o povo.

25 de dezembro de 1929: Lampião ataca a cidade de Mirandela, BA. A força policial comandada por Francisco Guedes de Assis repele o ataque travando pequeno combate onde é morto os civis Manoel Amaral, Jeremias Dantas e mais um soldado. Nesse combate é ferido o cangaceiro Luiz Pedro. Lampião então entra na cidade e saqueia o comércio local.

17 de outubro de 1930: Lampião invade a cidade de Simão Dias, SE. Invadiu casas, saqueou o comércio local e humilhou alguns moradores, levando a morte à esposa do latifundiário Martinho Ferreira Matos que estava de resguardo quando foi violentada pelo próprio.

Dezembro de 1930: Lampião conhece Maria Bonita, casada com o sapateiro Zé de Neném. Ela já era apaixonada pelo cangaceiro e fugiu com ele deixando uma carta para o ex-marido. Foi a primeira mulher a participar do cangaço.

24 de maio de 1931: Combate em Tanque do Touro entre o bando de Lampião e o tenente Arsênio. Nesse combate, a cangaceira Sérgia Ribeiro da Silva, esposa de Corisco tem um filho que nasce em pleno tiroteio. A criança, de nome Josafá morre dois meses depois.

28 de julho de 1931: O Governo da Bahia contrata a Força de Nazaré comandada pelo tenente Manoel de Souza Neto para combater Lampião naquele estado. Faziam parte daquela força o sargento Davi Jurubeba, Euclides Flor, Manoel Flor, João Gomes de Lira, Pedro Gomes de Lira, Herculano Nogueira, João Cavalcanti, Vicente Grande, Henrique Gregório e Antônio Capistrano, tudo gente do povoado.

6 de setembro de 1931: Combate na Fazenda Aroeiras, em Glória, BA, entre Lampião e a força volante do tenente Manoel Neto com 15 soldados. Neste combate acontece episódio épico em um riacho onde Manoel Neto e o famoso cangaceiro Corisco ficam frente a frente, tendo o cangaceiro fugido em disparada. Não houve baixas nesse combate.

5 de janeiro de 1932: Lampião invade a cidade de Canindé, SE. Nesta cidade, violenta várias moças e saqueia o comércio local.

8 de janeiro de 1932: Lampião encontra-se com 32 cangaceiros na Fazenda Maranduba, em Poço Redondo, SE. A força do tenente Manoel Neto com 100 soldados vai em perseguição travando grande combate. Na frente da força estava os soldados João CavalcantiHercílio Nogueira que tombaram mortos. Adalgisio Nogueira, irmão de Hercílio Nogueira tentou socorrer e também foi alvejado morrendo no local. Foi o maior combate de Lampião na Bahia. A força recuou com 6 soldados mortos e 12 feridos. Os cangaceiros perderão 3 cabras e um outro que de tão ferido Lampião matou.

20 de janeiro de 1932: Lampião invade a cidade de Olindina, BA.

22 de abril de 1932: Lampião trava combate na Fazenda Caldeirão contra força do tenente Abdon Menezes e Manoel Neto.

11 de agosto de 1932: Combate entre o bando de Lampião e o tenente Ladislau na Fazenda Cajazeira, em Cipó, BA.

13 de setembro de 1932: Nasceu Expedita Ferreira Nunes, filha de LampiãoMaria Bonita em Porto da Folha, SE.

23 de outubro de 1937: Um subgrupo de Lampião, comandado por Corisco e Gato atacam violentamente a cidade de Piranhas, AL. O intuito era resgatar a cangaceira Inacinha, companheira de Gato.

28 de julho de 1938: O bando de Lampião acampou na Fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. A volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Por volta das 05:15 hs., os cangaceiros levantaram para rezar o oficio e se preparavam para tomar café quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais.  O ataque durou uns vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos trinta e quatro cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer.

Fonte: Wikipédia