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Dom Paulo Evaristo Arns

Paulo Evaristo Arns
(95 anos)
(Frade Franciscano e Cardeal)

☼ Forquilhinha, SC (14/09/1921)
┼ São Paulo, SP (14/12/2016)

Dom Frei Paulo Evaristo Arns OFM, foi um frade franciscano e Cardeal brasileiro nascido em Forquilinha, SC, no dia 14/09/1921. Foi o quinto Arcebispo de São Paulo, tendo sido o terceiro prelado dessa Arquidiocese a receber o título de Cardeal. Era Arcebispo-Emérito de São Paulo e protopresbítero do Colégio Cardinalício.

Quinto de treze filhos do casal Gabriel Arns e Helena Steiner, brasileiros, descendentes de imigrantes provenientes da Alemanha, região de Rio Mosela.

Realizou seus estudos fundamentais em Forquilhinha, SC. Depois ingressou no seminário franciscano, no Seminário Seráfico São Luís de Tolosa, em Rio Negro, PR.

Em 1940, entrou no noviciado, em Rodeio, SC. A Filosofia, cursou-a em Curitiba e a Teologia em Petrópolis, RJ.

Três de suas irmãs são freiras, e um irmão faz parte da Ordem dos Frades Menores (OFM). Também é irmão de Zilda Arns, morta em um terremoto em Porto Príncipe, Haiti, em 2010.

Paulo Evaristo Arns foi ordenado presbítero no dia 30/11/1945, em Petrópolis, por Dom José Pereira Alves, Arcebispo de Niterói.

Por cerca de uma década exerceu seu ministério, assistindo a população desfavorecida de Petrópolis, RJ, onde também lecionou no Teologado Franciscano de Petrópolis e na Universidade Católica de Petrópolis. Depois disto, foi para a França para cursar letras na Sorbonne, onde se doutorou em 1952. Retornando ao Brasil, foi professor nas faculdades de Filosofia, Ciências e Letras de Agudos e Bauru. A seguir, retornou a Petrópolis, onde voltou a dar assistência aos desfavorecidos.

Em 02/05/1966 foi eleito Bispo da Sé Titular de Respecta e auxiliar de São Paulo, aos 44 anos. Recebeu a ordenação episcopal em 03/07/1966, na igreja matriz do Sagrado Coração de Jesus em Forquilhinha, SC, sendo sagrante principal Dom Agnelo Rossi, Arcebispo de São Paulo, e consagrantes Dom Anselmo Pietrulla OFM, então Bispo de Tubarão, SC, e Dom Honorato Piazera SCI, então Bispo coadjutor de Lages, SC.

No dia 22/10/1970, o Papa Paulo VI o nomeou Arcebispo metropolitano de São Paulo, tendo tomado posse a 01/11/1970, exercendo o cargo até 15/04/1998, quando renunciou, por limite de idade, detendo o título de Arcebispo-Emérito de São Paulo.

No Consistório do dia 05/03/1973, convocado pelo Papa Paulo VI, na Basílica de São Pedro, Dom PauloEvaristo Arns foi criado Cardeal-Presbítero do título de Santo Antônio de Pádua, na Via Tuscolana.

Como Cardeal eleitor, participou dos dois conclaves, de agosto e de outubro de 1978. Participou ainda, como Cardeal não-votante, dos conclaves de 2005 e de 2013.

Em 09/07/2012 tornou-se o Protopresbítero do Colégio dos Cardeais, por ser aquele que há mais tempo foi elevado à dignidade cardinalícia entre todos os cardeais-presbíteros, sendo também o mais antigo de todos os membros do Colégio Cardinalício.

Brasão e Lema

Descrição: Escudo eclesiástico. Em campo de blau uma cruz em tau de jalde com um in-fólio aberto do mesmo, brocante sobre a cruz, e uma espada de argente, empunhada e guarnecida do primeiro metal, posta em pala, cosida sobre o livro; tendo, à dextra e à senestra, dois ramos de café "ao natural", ou seja de sinopla e frutado de goles. Em chefe, um Cálice de jalde encimado por uma Hóstia de argente. O escudo está assente em tarja branca, na qual se encaixa o pálio branco com cruzetas de sable. O conjunto pousado sobre uma cruz trevolada de duas travessas de ouro. O todo encimado pelo chapéu eclesiástico com seus cordões em cada flanco, terminados por quinze borlas cada um, tudo de vermelho. Brocante sob a ponta da cruz um listel de jalde com a legenda: EX SPE IN SPEM, em letras de blau.

Interpretação: O escudo obedece às regras heráldicas para os eclesiásticos. O campo de blau (azul) representa o manto de Maria Santíssima sob  cuja proteção o Cardeal pôs toda a sua vida sacerdotal, sendo que este esmalte significa: Justiça, serenidade, fortaleza, boa fama e nobreza. A Cruz em Tau é própria da Ordem Franciscana, à qual pertence o Cardeal e, sendo de jalde (ouro) simboliza: nobreza, autoridade, premência, generosidade, ardor e descortínio. O in-fólio com a espada representam São Paulo Apóstolo, numa referência ao padroeiro do Estado, da cidade e da Arquidiocese, sendo que o metal jalde (ouro) tem o significado acima descrito) e o metal argente (prata) da lâmina da espada simboliza: inocência, castidade, pureza e eloquência; virtudes essenciais num bispo. Os ramos de café frutados representam o estado de São Paulo, "Terra do Café", cuja capital é a sede episcopal do Cardeal; sendo que as expressões "ao natural" e "de sua cor" são recursos para se colocar os ramos de café, naturalmente com a cor sinopla (verde), com frutos de goles (vermelho) sobre o campo de blau (azul), sem ferir as leis da Heráldica. Os ramos, por seu esmalte sinopla (verde) representam: esperança, liberdade, abundância, cortesia e amizade; e os frutos de café, por seu esmalte goles (vermelho) simbolizam o fogo da caridade inflamada no coração do Cardeal, bem como, valor e socorro aos necessitados, e ainda o martírio de São Paulo Apóstolo. No chefe, a Hóstia de argente (prata) e o Cálice de jalde (ouro) lembram o santo sacrifício da missa, no qual o pão e o vinho são transubstanciados no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, com os significados destes metais, acima descritos. O lema: "EX SPE IN SPEM" (De Esperança em Esperança), traduz a certeza do cardeal de que em Deus esperou e não será confundido, numa referência ao Livro dos Salmos (Sl. 70,1), sendo uma expressão da total e confiante adesão a Cristo e do humilde abandono do cardeal nas mãos da Divina Providência.

Atividade e Contribuições

Sua atuação pastoral foi voltada aos habitantes da periferia, aos trabalhadores, à formação de comunidades eclesiais de base nos bairros, principalmente os mais pobres, e à defesa e promoção dos direitos da pessoa humana. Ficou conhecido como o Cardeal dos Direitos Humanos, principalmente por ter sido o fundador e líder da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, e sua atividade política era claramente vinculada à sua fé religiosa. Segundo ele:

"Jesus não foi indiferente nem estranho ao problema da dignidade e dos direitos da pessoa humana, nem às necessidades dos mais fracos, dos mais necessitados e das vítimas da injustiça. Em todos os momentos Ele revelou uma solidariedade real com os mais pobres e miseráveis (Mt 11, 28-30); lutou contra a injustiça, a hipocrisia, os abusos do poder, a avidez de ganho dos ricos, indiferentes aos sofrimentos dos pobres, apelando fortemente para a prestação de contas final, quando voltará na glória para julgar os vivos e os mortos."

Enquanto bispo-auxiliar, trabalhou na Zona Norte paulistana, no bairro de Santana. Durante a ditadura militar, na década de 1970, notabilizou-se na luta pelo fim das torturas e restabelecimento da democracia no país, junto com o Rabino Henry Sobel, criando uma ponte entre a comunidade judaica e a Igreja Católica em solo paulista.

Renovou o plano pastoral da Arquidiocese de São Paulo, instituindo novas regiões episcopais (divisões da Arquidiocese de São Paulo) e quarenta e três novas paróquias.

Em 1972 criou a Comissão Brasileira de Justiça e Paz de São Paulo. Incentivou a Pastoral da Moradia e a Pastoral Operária.

Em 22/05/1977 recebeu o título de Doutor Honoris Causa, juntamente com o presidente norte-americano Jimmy Carter, da Universidade de Notre Dame, Indiana, Estados Unidos. A distinção, concedida também ao Cardeal Kim da Coreia do Sul e ao Bispo Lamont da Rodésia, deveu-se ao seu empenho em prol dos direitos humanos.

Entre 1979 e 1985, coordenou com o Pastor Jaime Wright, de forma clandestina, o projeto "Brasil: Nunca Mais". Este projeto tinha como objetivo evitar o possível desaparecimento de documentos durante o processo de redemocratização do país. O trabalho foi realizado em sigilo e o resultado foi a cópia de mais de um milhão de páginas de processos do Superior Tribunal Militar (STM). Contudo, este material foi microfilmado e remetido ao exterior diante do temor de uma apreensão do material. Em ato público realizado dia 14 de junho de 2011, foi anunciada a futura repatriação, digitalização e disponibilização para todos os brasileiros deste acervo. O livro homônimo "Brasil: Nunca Mais" reuniu esta pesquisa sobre a tortura no Brasil no período da Ditadura Militar e foi publicado pela Editora Vozes. Dom Paulo Evaristo Arns também foi um dos organizadores do movimento "Tortura Nunca Mais".

Em 03/06/1980 recebeu, em São Paulo o Papa João Paulo II.

Em 30/11/1984 inaugurou a Biblioteca Dom José Gaspar.

Em 1985, com a ajuda de sua irmã, a pediatra Zilda Arns Neumann, implantou a Pastoral da Criança.

Em 1989 a Arquidiocese de São Paulo, por decisão do Papa João Paulo II, teve seu território reduzido com a criação das novas dioceses: Osasco, Campo Limpo, São Miguel Paulista e Santo Amaro.

Em 1992, Dom Paulo Evaristo Arns criou o Vicariato Episcopal da Comunicação, com a finalidade de fazer a Igreja estar presente em todos os meios de comunicação.

Em 22/02/1992 inaugurou uma nova residência destinada aos padres idosos, a Casa São Paulo, ano em que também criou a Pastoral dos Portadores de HIV.

Em 1994 criou o Conselho Arquidiocesano de Leigos.

Em 1996, após completar 75 anos, apresentou renúncia ao Papa João Paulo II, em função das normas eclesiásticas, renúncia esta que foi aceita. A partir de então, tornou-se Arcebispo Emérito de São Paulo e foi substituído por Dom Frei Cláudio Cardeal Hummes.

Dom Paulo Evaristo Arns recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, em 1998.

Morte

Dom Paulo Evaristo Arns morreu na quarta-feira, 14/12/2016, aos 95 anos. Ele foi internado no Hospital Santa Catarina, no dia 28/11/2016, em decorrência de uma broncopneumonia. Com o passar do dia o estado de saúde piorou, e ele teve de ir para a UTI por causa de dificuldades na função renal. Segundo o hospital, Dom Paulo Evaristo Arns morreu às 11h45 vítima de Falência Múltipla dos Órgãos.

Bibliografia

Autor de 49 livros, suas obras versam sobre a ação pastoral da Igreja nas grandes cidades e estudos da literatura cristã dos primeiros séculos, além de centenas de artigos escritos para as diversas revistas das quais foi redator, antes do episcopado.

Umas das principais obras foi a pesquisa por ele organizada, em que foi abordada a tortura durante os Anos de Chumbo: "Brasil, Nunca Mais".

Ordenações Episcopais

O Cardeal Paulo Evaristo Arns foi o principal sagrante dos seguintes bispos:

  • Benedito de Ulhôa Vieira (1920-2014)
  • Francisco Manuel Vieira (1925-2014)
  • Joel Ivo Catapan, S.V.D. (1927-1999)
  • Angélico Sândalo Bernardino (1933-)
  • Mauro Morelli (1935-)
  • Antônio Celso de Queiroz (1933-)
  • Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, S.J. (1930- 2006)
  • Dom Geraldo Majella Cardeal Agnelo (1933-)
  • Alfredo Ernest Novak, C.Ss.R. (1930-)
  • Ricardo Pedro Paglia, M.S.C. (1937-)
  • Aloísio Hilário de Pinho, F.D.P. (1934-)
  • José Carlos Castanho de Almeida (1930-)
  • Antônio Gaspar (1931-)
  • Fernando Antônio Figueiredo, O.F.M. (1939-)
  • Walter Bini, S.D.B. (1930-1987)
  • Walter Ivan de Azevedo, S.D.B. (1926-)
  • Irineu Danelon, S.D.B. (1940-)
  • José Vieira de Lima, T.O.R. (1931-)
  • Dom Leonardo Ulrich Steiner, O.F.M. (1950 -)
E foi consagrante de:

  • Dom Luís Flávio Cappio O.F.M.
  • Dom Manuel Parrado Carral
  • Dom Pedro Luiz Stringhini

Fonte: Wikipédia
Indicação: Miguel Sampaio

Doriel de Oliveira

DORIEL DE OLIVEIRA
(77 anos)
Pastor e Fundador da Igreja Casa da Bênção

☼ Araraquara, SP (27/05/1939)
┼ Brasília, DF (17/11/2016)

Doriel de Oliveira foi um pastor e fundador da igreja Casa da Benção, nascido em Araraquara, SP, no dia 27/05/1939. Era filho de Cycero de Oliveira e Idulmira Lyrio de Oliveira.  Era doutor em Teologia pela Jacksonville Theological Seminary - Flórida, Estados Unidos, presidente da Igreja Tabernáculo Evangélico de Jesus (ITEJ), conhecida como Casa da Bênção. Tinha sob sua responsabilidade mais de 2.000 igrejas em vários Estados do Brasil e 25 igrejas no exterior como nos Estados Unidos, Angola, Alemanha, Itália, Suíça, Japão, Portugal e Espanha.

Recebeu seu chamado para o Ministério ainda adolescente, aos 16 anos, quando participou de um culto realizado por dois missionários norte-americanos em uma tenda. Neste dia, estava presente uma menina com uma perna bem maior que a outra, cerca de uns 10 centímetros, o que a obrigava usar um aparelho especial. Um dos missionários falava que Deus havia-lhe revelado que aquela menina seria curada naquela noite.

Trazida do meio da multidão para frente, foi colocada sentada num ponto que dava para ser vista por todos. Chegada a hora, ele pediu que todos fechassem os olhos, mas Doriel de Oliveira, que depois de muito se espremer conseguiu chegar à frente da multidão, junto a uma corda prestava toda a atenção possível.


Durante a oração a perna da menina, como se tivera uma mola começou a crescer… Num instante, como se a fé lhe falhasse, retornou ao estado original, mas o Pastor clamou mais acirradamente ao Senhor e, para seu deslumbramento Doriel de Oliveira presenciou o primeiro milagre da sua vida. Naquele momento ele dobrou seus joelhos e aceitou Jesus como seu Salvador.

Doriel de Oliveira exercia o cargo de Presidente do Seminário Nacional da Igreja Tabernáculo Evangélico de Jesus, que anualmente centenas de pessoas são formadas para a obra de missões, sendo que vários destes já foram fazer a obra em outros países, também era presidente do Supremo Concílio da ITEJ e vice- presidente do Conselho de Pastores e Igrejas Evangélicas do Distrito Federal.

Por direção de Deus, foi para Belo Horizonte, MG, onde conseguiu alugar um pequeno salão para a nova e promissora igreja. Foi atrás das rádios para conseguir divulgar o seu ministério. A Casa da Benção foi inaugurada em 09/06/1964. O começo foi muito difícil e o povo continuava indiferente ao Evangelho, até que toda equipe programou uma grande campanha evangelística onde muitos foram curados e libertos, deixando-os espantados com o estrondoso sucesso conseguido. E desde então a igreja passou a ser forte, com cultos realizados pela manhã, tarde e noite. A obra se estendeu por Belo Horizonte e por inúmeras cidades de Minas Gerais.


No dia 31/05/1970, Doriel de Oliveira e sua comitiva mudaram-se para Brasília, optando por Taguatinga, onde os terrenos eram mais baratos e eram permitidas construções de madeiras. Com o crescimento da igreja em Brasília nasceu a necessidade de levar esta mensagem aos demais Estados da Federação.

No dia 08/07/1985 foi inaugurada a Catedral da Bênção, com cerca de 2.000 mts²,  um grande sonho realizado por Deus.

O ano de 1987 foi marcado por um acelerado crescimento da igreja Casa da Bênção em todo o Brasil e outros países como Estados Unidos, Japão, Alemanha, entre outros.

Doriel de Oliveira era casado com Ruth Brunelli de Oliveira e é pai de três filhos: A missionária Lílian Brunelli, o pastor Júnior Brunelli e o caçula Samuel Wesley de Oliveira.

Ex-deputado evangelico Júnior Brunelli
Oração da Propina

Seu filho, ex-deputado distrital, Júnior Brunelli ficou famoso em todo o país no episódio que ficou conhecido como a "Oração da Propina". Em 2009, Júnior Brunelli, o então colega de Câmara Legislativa Leonardo Prudente e Durval Barbosa, delator da Caixa de Pandora, fazem uma oração após receberem dinheiro desviado.

Em maio de 2012, Júnior Brunelli chegou a ser preso pela Polícia Civil, depois de dois dias foragido. Ele é acusado de desviar R$ 1,7 milhão de emendas parlamentares.

Morte

Doriel de Oliveira morreu na quinta-feira, 17/11/2016, em Brasília, DF, aos 77 anos. Doriel de Oliveira estava internado desde o fim de agosto de 2015 no Hospital Brasília, no Lago Sul, após sofrer fortes dores abdominais.

O velório ocorrerá na quarta-feira, 23/11/2016, à tarde, na Catedral da Bênção, em Taguatinga, DF. O enterro será às 10h00 de quinta-feira, 24/11/2016, no Cemitério Campo da Esperança em Brasília, DF.

A ideia de esperar uma semana entre a morte e a cerimônia é dar tempo de fiéis de todo o país virem para Brasília.

Frei Antônio Moser

ANTÔNIO MOSER
(76 anos)
Padre

☼ Gaspar, SC (29/08/1939)
┼ Rio de Janeiro, RJ (09/03/2016)

Frei Antônio Moser foi um padre Católico brasileiro nascido em Gaspar, SC, no dia 29/08/1939. Era filho de Ângelo Moser e Elizabeth Beiler Moser.

Frei Antônio Moser estudou Filosofia e Teologia em Petrópolis, RJ, após isso cursou a licenciatura em Teologia em Lyon, França e doutorou-se em Teologia, com especialização em Moral, na Academia Alfonsianum, Roma, com a tese doutoral: "O Compromisso do Cristão Com o Mundo na Teologia de M.D. Chenu", obtendo Summa cum laude.

Durante 10 anos lecionou Teologia Patrística, foi professor na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, lecionando na graduação e na pós-graduação, além de ter passagens como professor convidado na Universidade Católica de Lisboa, Portugal e na Universidade de Berkeley, Califórnia, Estados Unidos.

É autor de 25 livros, vários deles traduzidos para outras línguas, participou como co-autor e colaborador de inúmeros títulos e publicou incontáveis artigos espalhados por revistas nacionais e internacionais.

Construiu quinze comunidades de fé, algumas na Baixada Fluminense e outras em Petrópolis, RJ. Algumas delas, tais como a Comunidade Menino Jesus de Praga e a Paróquia de Santa Clara, merecem destaque se observados a arquitetura e o paisagismo.

Atualmente era Diretor Presidente da Editora Vozes, professor de Teologia Moral e Bioética no Instituto Teológico Franciscano (ITF) em Petrópolis, Pároco da Igreja de Santa Clara, além de conferencista no Brasil e no exterior.

Vida Acadêmica

Possuía graduação em Filosofia pelo Seminário Maior da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil (1962), graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1983), mestrado em Teologia pela Facultas Theologica Lugdunensis (1970), e doutorado em Teologia pela Pontificie Universitates Lateranenses (1973). Atuando principalmente nos seguintes temas: Compromisso, Mundo.

Morte

Frei Antônio Moser faleceu aos 76 anos, na manhã de quarta-feira, 09/03/2016, em decorrência de uma tentativa de assalto na Rodovia Washington Luiz, na altura de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

De acordo com o site oficial dos Franciscanos, Frei Antônio Moser foi morto a tiros após ser abordado em seu carro por assaltantes. O crime aconteceu por volta das 6h10 na pista sentido Rio de Janeiro. Mesmo ferido, Frei Antônio Moser, ainda conseguiu dirigir o carro até o acostamento. Os bandidos conseguiram fugir.

Frei Antônio Moser estava a caminho de São Paulo, onde gravaria o programa "Pelos Caminhos da Fé" para a TV Canção Nova.

Livros Publicados

  • 2010 - Colhendo Flores Entre Espinhos
  • 2006 - Bioética do Consenso ao Bom Senso
  • 2006 - Casado ou Solteiro Você Pode Ser Feliz
  • 2005 Paróquia do Sagrado Coração de Jesus - Comunidade Cristã Menino Jesus de Praga: Um Sonho Que Se tornou Realidade 02/06/1990 - 02/06/2005
  • 2005 - Biotecnología y Bioética - Hacia Dónde Vamos?
  • 2004 - El Enigma de La Esfinge - La Sexualidad
  • 2004 - Biotecnologia e Bioética
  • 2001 - O Enigma da Esfinge
  • 1996 - O Pecado: Do Descrédito ao Aprofundamento
  • 1992 - Ética Ecológica
  • 1992 - Assim Nasceu Jesus
  • 1991 - Teologia Moral: Desafios Atuais
  • 1990 - Moral Thology - Dead Ends And Ways Forward
  • 1989 - Moral Theologie - Engpässe Und Auswege
  • 1989 - Afetividade Compromisso Social na América Latina
  • 1989 - Teologia Moral: Impasses e Alternativas
  • 1988 - Teologia Morale: Conflitti e Alternative
  • 1988 - Pastoral Familiar: Desafios e Persperctivas - Balizamentos Éticos Para Uma Pastoral Familiar
  • 1988 - Integracion Afectiva y Compromiso Social en America Latina
  • 1987 - Integração Afetiva e Compromisso Social na América Latina
  • 1987 - Teología Moral - Conflictos y Alternativas
  • 1984 - Mudanças na Moral do Povo Brasileiro
  • 1983 - O Problema Ecológico e Suas Implicações Éticas
  • 1982 - Liberta: Desafio da Educação - A Libertação do Homem só se Realiza Plenamente no Horizonte de Deus
  • 1978 - O Problema Demográfico e as Esperanças de um Mundo Novo
  • 1976 - O pecado Ainda Existe? Pecado, Conversão, Penitência
  • 1975 - A Paternidade Responsável - Face a Uma Mentalidade Contraceptiva (Paternidade Responsável - Esterilização - Aborto)
  • 1973 - O Compromisso do Cristão Com o Mundo na Teologia de M.D. Chenu

Fonte: Wikipédia
Indicação: Miguel Sampaio

Dom Miguel de Lima Valverde

MIGUEL DE LIMA VALVERDE
(78 anos)
Arcebispo Católico

* Santo Amaro, BA (29/09/1872)
+ Recife, PE (07/05/1951)

Dom Miguel de Lima Valverde foi um arcebispo católico brasileiro. Nasceu a 29/09/1872 em Santo Amaro, Bahia. Criada a Diocese de Santa Maria, em 1910, seu território continuou sendo administrado pelo Arcebispo de Porto Alegre, Dom Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão.

Ordenado sacerdote em 30/03/1895. Não tardou, porém, e a Santa Sé elegeu, a 06/02/1911, Dom Miguel de Lima Valverde como primeiro Bispo da nova Diocese, sendo ordenado bispo no dia 29/10/1911, no Rio Grande do Sul.

Escolheu como lema de vida episcopal: "Quis ut Deus?" (Quem Como Deus?).

Tomou posse da Diocese de Santa Maria no dia 07/01/1912, com a presença de Dom Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão.

Em seus dez anos de episcopado, Dom Miguel de Lima Valverde criou 14 novas Paróquias. Visitou diversas vezes o interior da vasta diocese incentivando as vocações sacerdotais, Deu início à construção do Seminário Diocesano São José, área hoje ocupada pelo Santuário e Parque Medianeira.

Foi nomeado pelo Papa Pio XI através da Bula Hodie Nos, de 14/02/1922. Havia sido o 1º Bispo de Santa Maria, RS, tendo sido sagrado pelo Arcebispo Primaz do Brasil Dom Jerônimo Tomé da Silva. Sua posse na Arquidiocese de Olinda e Recife ocorreu em 23/07/1922.


Esse prelado governou a Arquidiocese de Olinda e Recife entre 1922 a 1951, portanto, por quase trinta anos. Os seus contemporâneos, dentre os quais Gilberto Freyre, o descrevem como um homem "austero e até hierático", "um príncipe da Igreja". Mário Melo apresentou o seu nome pra membro do Instituto Histórico e Arqueológico de Pernambuco, como sócio honorário, o que significa suas boas relações com a sociedade civil e política pernambucana.

"O período de atuação de Dom Miguel foi um dos mais conturbados na história política pernambucana e brasileira, o que gerou oportunidades para que houvesse, por parte do Arcebispo, diversas manifestações de caráter político. Presenciou os movimentos que antecederam a Revolução de 1930, a Intentona Comunista, o estabelecimento do Estado Novo, a participação do Brasil na Guerra de 1939-1945, a reorganização democrática após a deposição de Getúlio Vargas. Seus pronunciamentos foram sempre no diapasão da ordem e da defesa das instituições, evitando qualquer palavra de apoio a movimentos que contestassem o status quo. Sempre reconheceu as mudanças após elas estarem estabelecidas."
(In Entre o Tibre e o Capibaribe, pg. 109)

Dom Miguel de Lima Valverde foi um tenaz opositor ao socialismo e ao comunismo, não poupando esforços em suas pastorais em combater essas ideologias políticas sociais como doutrinas que dizimariam a Igreja, o Estado e a Família, sustentáculos da vida católica. Esse seu ponto de vista foi fundamental para a formação do clero e povo de pernambuco, cuja influência ultrapassou ao seu governo diocesano, chegando aos dias atuais. Mesmo quando a Igreja de Pernambuco seguia uma linha mais "à esquerda", a partir de 1964, muitos dos clérigos formados por Dom Miguel se contrapuseram às novas idéias, como também leigos, irmandades e confrarias.

Bodas de prata de Agamenon Magalhães e Dona Antonieta, com Dom Miguel Valverde (16/07/1944)
Dom Miguel era amigo pessoal de Agamenon Magalhães, Interventor Federal em Pernambuco, homem de confiança do Arcebispo. Católico, o interventor tinha confessor indicado pelo prelado. Mantinha com o poder público relações amistosas, incentivando participação da sociedade nos programas governamentais, incluindo o censo, utilizando-se desses dados para uso administrativo eclesial, dentre esses a ereção de paróquias, dentre as quais: N. S. da Soledade, Bom Jesus do Arraial, N. S. do Rosário do Pina, São Sebastião do Cordeiro, Santo Antonio de Água Fria, Coração Eucarístico do Espinheiro, N. S. do Rosário de Tejipió e N. S. da Boa Viagem, dentre outras, em bairros que já apontavam aumento populacional. E ainda nova reforma da Sé de Olinda, remodelada em estilo neobarroco.

"Dom Miguel Valverde viu-se envolvido em uma disputa com os inovadores educacionais, especialmente Carneiro Leão, que introduzia no Estado de Pernambuco novos parâmetros, antecedendo o debate que viria ocorrer nas décadas seguintes entre os partidários de uma educação modernista e os defensores da tradição. Embora óbvio, assinalamos que as aulas de catecismo formam mentalidades e os católicos formados naquele período receberam a orientação anticomunista da Igreja no período, o que não é de pouca importância para o momento em que veio a ocorrer a movimentação progressista dos anos setenta."
(In Entre o Tibre e o Capibaribe, pg. 112)

Lápide de Dom Miguel de Lima Valverde

Sua morte foi assim noticiada pelos jornais:

"Às 5 horas e 30 minutos do dia 7 de maio de 1951, ocorreu o falecimento de Dom Miguel de Lima Valverde, Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, no Palácio do Manguinho, aos 79 anos."

Seu sepultamento na Sé de Olinda, onde jaz, ocorreu meio à comoção popular e foi muito concorrido pelo povo e pelas autoridades.

Rubens Saraceni

RUBENS SARACENI
(63 anos)
Médium, Babalorixá e Escritor

* Osvaldo Cruz, SP (18/10/1951)
+ São Paulo, SP (09/03/2015)

Rubens Saraceni foi um médium e escritor brasileiro, nascido em Osvaldo Cruz, SP no ano de 1951. Exerceu sua mediunidade por mais de 30 anos e fez seus estudos no campo da espiritualidade. Seus inúmeros livros já publicados são psicografados, ditados e orientados pelos Mestres. Sua jornada, segundo conta, foi iniciada no espiritismo de "mesa branca", passando posteriormente para a umbanda, onde se tornou Sacerdote da Umbanda Sagrada.

Há muitos anos o médium Rubens Saraceni, que tem uma enorme quantidade de livros psicografados e dezenas deles publicados, recebeu um pedido dos Mestres da Luz, Guias de Lei e de Umbanda, no qual solicitavam que as informações reveladoras, por eles transmitidas, não fossem apenas para seu bel prazer, e sim para que, por meio dele, o conhecimento se multiplicasse. Com isso, Rubens Saraceni começou a ministrar o curso de Teologia de Umbanda, um curso simples e teórico, visando a uma melhor formação do médium umbandista em relação aos fundamentos da umbanda.

Desse convívio Rubens Saraceni se deu conta do valor do que havia recebido, pois há muitos anos praticava a Magia Divina ensinada por seus mentores que se mostrou fundamental na proteção daqueles que o procuravam. Foi quando os Mestres da Luz ressaltaram a importância de consolidar-se no lado material um colégio nos moldes dos grandes colégios astrais, que sustentam toda a formação daqueles que se assentam à direita e à esquerda dos Sagrados Orixás, Tronos e Divindades de Deus. Daí surgiu o Colégio de Umbanda Sagrada Pai Benedito de Aruanda, para dar formação mediúnica e sacerdotal de umbanda, bem como, sustentação, religiosa e magística aos que buscam o conhecimento sagrado sobre O Divino Criador Olorum (Deus), suas divindades e seus mistérios geradores.

Mestre Seiman Hamiser Yê, um Ogum Sete Espadas da Lei e da Vida, assumiu a abertura da Magia do Fogo no plano material, por meio de Rubens Saraceni, na qual são ensinados os fundamentos da Magia Riscada dos Orixás, a Grafia Sagrada, bem como a correta utilização magística das velas, suas cores e o elemento fogo na arte da magia. O primeiro curso do gênero aberto ao plano material por Mestre Seiman, e que deve ser o primeiro na formação do mago, intitula-se "Magia das Sete Chamas Sagradas".

Rubens Saraceni foi também o fundador do Colégio Tradição de Magia Divina, colégio este que se destina a dar amparo aos formados nas magias abertas ao plano material e espiritual.

Ao longo da carreira, lançou cerca de 50 livros psicografados e foi autor de outros 30, que permanecem inéditos para o grande público.

Morte

Três dias antes de morrer, Rubens Saraceni se despediu dos filhos e da mulher. Médium desde a década de 1980, parecia saber que faria em breve sua passagem - termo utilizado na umbanda para designar a morte.

Após pedir à família que não chorasse, declarou seu amor por todos e recomendou que continuassem as atividades no Colégio de Umbanda Pai Benedito de Aruanda, que fundou em 1999, na zona leste da capital paulista.

Fumante desde os 20 anos, largou o vício após o diagnóstico de câncer de pulmão. Morreu na manhã de segunda-feira, 09/03/2015, aos 63, vítima de um enfisema pulmonar.

O velório de Rubens Saraceni ocorreu na Câmara Municipal de Vereadores de São Paulo.

Ele deixa a mãe, Leocádia, cinco irmãos, os filhos, Maurício, Estela e Graziela, além da esposa, Alzira, com quem foi casado por 46 anos.

Obras
  • Aprendiz-Sete - O Filho de Ogum
  • Os Arquétipos da Umbanda - As Hierarquias Espirituais dos Orixás
  • O Cavaleiro da Estrela Guia - A Saga Completa
  • O Cavaleiro da Estrela Guia - A Saga Continua
  • O Código da Escrita Mágica Simbólica
  • Código de Umbanda
  • Os Decanos - Os Fundadores, Mestres e Pioneiros da Umbanda
  • Diálogo Com Um Executor
  • Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada - A Religião dos Mistérios - Um Hino de Amor à Vida
  • A Evolução dos Espíritos
  • Formulário de Consagrações Umbandistas - Livro de Fundamentos
  • Gênese Divina de Umbanda Sagrada - O Livro dos Tronos de Deus - A Ciência Divina Revelada
  • O Guardião da Meia-Noite - Por Honra e Glória do Criador de Tudo e de Todos
  • Guardião da Pedra de Fogo - As Esferas Positivas e Negativas
  • O Guardião da Sétima Passagem - A Porteira Luminosa
  • O Guardião das Sete Cruzes - Um Livro Mistério
  • Guardião das Sete Encruzilhadas - Hemisarê a Ira Divina
  • Guardião do Amor - Aprendiz Sete no Reino das Ninfas
  • O Guardião do Fogo Divino - A História do Senhor Caboclo Sete Pedreiras
  • O Guardião dos Caminhos - A História do Senhor Guardião Tranca-Ruas
  • Guardião Sete - O Chanceler do Amor
  • Os Guardiões da Lei Divina - A Jornada de um Mago
  • Iniciação à Escrita Mágica Divina - A Magia Simbólica dos Tronos de Deus
  • Os Guardiões dos Sete Portais - Hash-Meir e O Guardião das Sete Portas
  • Iniciação à Escrita Mágica Divina - A Magia Simbólica dos Tronos de Deus
  • A Lenda do Sabre Dourado
  • Lendas da Criação - A Saga dos Orixás
  • O Livro da Vida - As Marcas do Destino
  • A Longa Capa Negra
  • A Magia Divina das Sete Pedras Sagradas
  • A Magia Divina das Velas - O Livro das Sete Chamas Sagradas
  • A Magia Divina dos Elementais
  • A Magia Divina dos Gênios - A Força dos Elementais da Natureza
  • A Magia Divina dos Sete Símbolos Sagrados
  • Manual Doutrinário, Ritualístico e Comportamental Umbandista
  • Oráculo de Delfos - O Ancestral Místico
  • Orixá Exu - Fundamentação do Mistério Exu na Umbanda
  • A Princesa dos Encantos - Sob o domínio da Paixão
  • Orixá Pombagira
  • Orixás - Teogonia de Umbanda
  • O Protetor da Vida - Viver a Vida: Um Ato de Fé
  • Rituais Umbandistas - Oferendas, Firmezas e Assentamentos
  • As Sete Linhas de Evolução e Ascensão do Espírito Humano
  • As Sete Linhas de Umbanda - A Religião dos Mistérios
  • Os Templos de Cristais - A Era dos Grandes Magos
  • Tratado de Escrita Mágica Sagrada - Um Curso de Escrita Mágica
  • Tratado Geral de Umbanda
  • Umbanda Sagrada - Religião, Ciência, Magia e Mistérios

Indicação: Douglas Bachine

David Miranda

DAVID MARTINS MIRANDA
(78 anos)
Pastor Evangélico Pentecostal

* Reserva, PR (04/07/1936)
+ São Paulo, SP (21/02/2015)

David Martins Miranda foi um pastor evangélico pentecostal brasileiro, fundador da denominação evangélica brasileira Igreja Pentecostal Deus é Amor (IPDA), fundada em 1962.

Filho do agricultor Roberto Martins de Miranda e da dona de casa Anália Miranda Paraná, David Miranda mudou-se para São Paulo em abril de 1958, ainda jovem, onde se converteu ao pentecostalismo em 06/07/1958 na Igreja Cristã Pentecostal Maravilhas de Jesus, dirigida na época pelo pastor Leonel Silva.

Até a década de 60, a grande maioria das igrejas pentecostais eram radicalmente contrárias à política, ao divórcio, à televisão e outras práticas, mas no final desta década muitas desses costumes foram abolidos e práticas modernas começaram a ser aceitas. Não conformado, David Miranda fundou um ministério em 1962, no bairro de Vila Maria, mudando-se posteriormente para a baixada do Glicério. O nome: Igreja Pentecostal Deus é Amor, segundo conta o missionário em sua autobiografia, foi revelado pelo próprio Deus numa madrugada de oração.

David Miranda casou-se em 12/06/1965, com Ereni Oliveira de Miranda, com quem teve 4 filhos: David Miranda Filho, Daniel Miranda, Débora Miranda de Almeida e Léia Miranda.

Em 1979, David Miranda adquiriu o terreno que hoje abriga a sede mundial da Igreja Pentecostal Deus é Amor.

Em janeiro de 2004 foi inaugurada a nova sede mundial, chamado O Templo da Glória de Deus, em uma área de 70 mil metros quadrados, com capacidade total para 140.000 mil pessoas, reconhecido como um dos maiores templos evangélicos do mundo.

David Miranda faleceu as 23:45 hs. do dia 21/02/2015 aos 78 anos de idade, vítima de infarto. 

O missionário costumava afirmar em tom de ameaça que o fiel que deixava a sua denominação perdia a salvação, que os rebeldes iriam para o inferno e que não havia salvação fora da Igreja Pentecostal Deus é Amor, conforme vídeo abaixo.

Fonte: Wikipédia

Dom David Picão

DAVID PICÃO
(85 anos)
Bispo Católico

* Ribeirão Preto, SP (18/08/1923)
+ Santos, SP (30/04/2009)

Dom David Picão nasceu em Ribeirão Preto, SP, no Bairro de Vila Tibério, aos 18/08/1923. Filho primogênito do casal Joaquim Ramos Picão e Maria da Piedade Picão, de uma família de sete irmãos.

Fez os estudos iniciais na Escola Primária das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição e no 3º Grupo Escolar de Vila Tibério. Ingressou no 1º ano ginasial da Associação de Ensino de Ribeirão Preto, em 1936, e logo no ano seguinte seguiu para o Seminário Diocesano da Imaculada, em Campinas, onde prosseguiu seus estudos de Humanidades até 1941.

Em 1947, em Roma, terminou Teologia e estudou Direito Canônico na Universidade Gregoriana. Recebeu a ordenação sacerdotal na "Chiesa del Gesú", em Roma, em 10/10/1947.

Na Arquidiocese de Ribeirão Preto, para onde retornou em 1950, exerceu os cargos de professor e diretor espiritual do Seminário Diocesano Maria Imaculada, chanceler do Arcebispado (1950-1960), procurador da Mitra  Arquidiocesana.

Em 14/05/1960, foi eleito Bispo da nova Diocese de São João da Boa Vista, SP, sendo ordenado bispo em 31/07/1960, na Catedral de Ribeirão Preto, SP, pela manhã. À tarde, tomou posse na nova Diocese.

Em 11/05/1963 foi transferido para Santos, SP, como Bispo Coadjutor,  com direito à sucessão, tomando posse em 22 de junho do mesmo ano.

Tendo Dom Idílio José Soares renunciado à Diocese de Santos, Dom David assumiu o governo diocesano em 13/12/1966.  Tornou-se bispo emérito da Diocese de Santos em 26/07/2000.

Durante sua função como bispo, foi presidente do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), São Paulo; membro da Comissão Episcopal de Pastoral da CNBB e responsável pelo setor de Comunicação Social da CNBB; Membro da Comissão de Educação do Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM); Promotor Nacional do Apostolado do Mar; Assistente Nacional do Movimento Vida Ascendente.

Dom David Picão faleceu no dia 30/04/2009 no Hospital São Lucas em Santos.



Mestre Irineu

RAIMUNDO IRINEU SERRA
(78 anos)
Fundador da Doutrila Religiosa Santo Daime

* São Vicente Ferrer, MA (15/12/1892)
+ Rio Branco, AC (06/07/1971)

Raimundo Irineu Serra, mais conhecido como Mestre Irineu, foi o fundador da doutrina religiosa do Santo Daime que usa como sacramento a bebida chamada Ayahuasca, batizada por ele de Daime, associada a orações e cânticos (hinos) a diversas divindades, caracterizando um culto resultante da mistura de diversas religiões e crenças indígenas, africanas e europeias. Predominam, no entanto, o Deus Pai, Jesus Cristo e Nossa Senhora, e os adeptos da doutrina a consideram uma doutrina cristã. Tem também grande influência do espiritismo.

Mestre Irineu era filho do ex-escravo Sancho Martino e Joana Assunção, família humilde, descendentes de escravos que viviam do trabalho de cultivo da terra. Mestre Irineu chegou ao estado do Acre com vinte anos, afro-brasileiro de alta estatura, integrando o movimento migratório da extração do látex em seringais.

Em 1912 foi para Manaus, no Porto de Xapuri, onde residiu por dois anos, indo trabalhar posteriormente nos seringais da Brasiléia durante três anos e, em seguida, em Sena Madureira, onde residiu por mais três anos. Foi ali  no coração das florestas da América do Sul, que o Mestre Irineu cristianizou as tradições caboclas e xamânicas da bebida sacramental Ayahuasca, conhecida desde antes dos incas e rebatizou-a com o nome de Daime, significando, com isso, a invocação espiritual que deveria ser feito pelo fiel, ao comungar com a bebida: Dai-me amor, Dai-me luz, etc.


De volta ao Rio Branco, foi para a Guarda Territorial, até chegar ao posto de cabo, e em seguida participou e passou no concurso para integrar a Comissão de Limites, entidade do Governo Federal que delimitava as fronteiras entre Acre, Bolívia e Peru, órgão este, comandado pelo Marechal Rondon. E foi o próprio Rondon que nomeou Irineu Tesoureiro da Tropa, um cargo de confiança.

Em Rio Branco começou a trabalhar com um pequeno círculo de discípulos. Instalou definitivamente sua família e um grupo de seguidores na localidade denominada Alto Santo.

Posteriormente retornou à floresta, de volta ao seringal, conheceu aquele que tornou-se um grande amigo: Antônio Costa.

Relatos colhidos na região contam que Antônio Costa tomava a bebida, por volta de 1918, com o ayahuasquero peruano Dom Crescêncio Pizango, que se acreditava herdeiro dos conhecimentos de um rei inca de nome Huascar.


Numa reunião com a presença de doze pessoas, a miração estava forte quando o caboclo Pizango se acercou do grupo, de modo que só Irineu percebeu sua presença. A certa altura do trabalho, o caboclo aproximou-se e entrou na cuia grande onde era servida a Ayahuasca, olhou para Irineu e lhe disse para convidar seus companheiros a olhar dentro da cuia, para falarem o que viam. Mas eles olhavam e repetiam que só viam a bebida.

"Só tu tem condições de trabalhar com a Ayahuasca. Ninguém mais está vendo o que tu está vendo", anunciou o caboclo a Irineu, avisando-lhe que ele era o único capacitado para trabalhar com a bebida.

Certo dia, Mestre Irineu tomou a Ayahuasca e foi se deitar na rede. Era uma noite iluminada e muito bela. Sentiu vontade de olhar para a lua, que foi se aproximando até ficar bem pertinho. Dentro da lua, ele avistou uma senhora muito formosa de nome Clara, que lhe disse:

"O que está vendo agora ninguém jamais viu, só tu. Eu vou te entregar esse mundo para tu governar. Tu vais te preparar, porque eu não vou te entregar nada agora. Vai ter uma preparação para ver se tu tens merecer verdadeiramente. Tu vais passar oito dias comendo só macaxeira (mandioca) cozida insossa, com água e mais nada. Também não pode ver mulher, nem uma saia de mulher a mil metros de distância."

Após esta preparação, Mestre Irineu recebeu da Virgem da Conceição, a Rainha da Floresta os fundamentos da Doutrina do Santo Daime, e dentro deste contexto ele determinou o seu futuro, assim como o futuro de todos aqueles que viriam a seguir os seus passos: O povo de Juramidam.

Desde a mais tenra idade que Mestre Irineu conheceu as adversidades da vida, mas a medida que se tornou homem formado e digno de sua herança devota, religiosa, também se aprofundou, se aperfeiçoou e mergulhou nos segredos e mistérios da floresta.

Descendente de escravos, este negro forte e de estatura avantajada, media 1,98m e calçava 48, se casou quatro vezes e deixou um único filho, chamado Walcírio.

O Centro de Iluminação Cristã Luz Universal - Alto Santo, é hoje dirigido por Dona Peregrina Gomes Serra, viúva do Mestre Irineu, e fica na Vila Irineu Serra, no estado do Acre. Graças a ela que nos Trabalhos os Hinos são acompanhados com instrumentos de corda, o violão.

Morte

Na manhã de 06/07/1971, por volta das 09:00 hs, Mestre Irineu se despedia do planeta terra. Com uma forte crise de urina, desmaiou por cima da rede quando tentava urinar. Seguro por Francisco Martins, que gritou pela presença de madrinha Peregrina, o Mestre dava seus últimos suspiros já com uma vela na mão. O clamor e a tristeza tomavam conta da região. Em pouco tempo a notícia ganhava dimensão. O radialista Mota de Oliveira, uma das últimas pessoas curadas pelas mãos de Mestre Irineu, anunciava seu falecimento nas ondas da Rádio Capital. A cidade de Rio Branco parava para ouvir a triste notícia. A irmandade que morava na capital, era tolhida pela notícia da perda. Iniciava-se nas primeiras horas daquela manhã, um dos dias mais tristes da história da Doutrina do Santo Daime.

Providências para a realização do velório foram tomadas. O corpo de Mestre Irineu ficou em sua residência até ser vestido com a farda oficial utilizada pelo grande líder. Na sede, os homens arrumavam os bancos e a mesa central para o ritual de velório. Fardados em branco, todos os irmãos receberam o corpo de Mestre Irineu, perfilados em forma de "V" que significava vitória. Seu caixão foi colocado ao centro, coberto pela Bandeira Nacional, que lhe dava as honras de um Chefe de Estado. Na cidade, o governo Valério Magalhães divulgava nota de pesar ao falecimento do grande líder. Uma crônica lida na rádio também evidenciava o triste acontecimento.


Durante o restante do dia e toda a noite de 06 para 07 de julho, foram cantados os hinários base da Doutrina por ele difundida. A emoção e o sentimento de dor e tristeza era visíveis, principalmente na execução dos hinos do hinário "O Cruzeiro". O semblante de cada seguidor parecia flutuar em um fato que jamais eles esperavam que fosse acontecer naquele momento.

Ao amanhecer, após longas horas de palestras e discursos de autoridades e oradores do centro, acompanhados pela Banda da Polícia Militar, em toque fúnebre, perfilados em fileiras masculinas e femininas, o batalhão cantando os hinos novos, seguia para a morada final escolhida por Mestre Irineu, bem ao lado da residência de Leôncio Gomes da Silva. Todos, de adultos a crianças choravam pela perda. Dona Peregrina Gomes Serra acompanhada de sua mãe e irmãos, recebia os pêsames das autoridades, amigos e admiradores do grande líder. Sentia, mais que todos, naturalmente, a profunda perda do grande companheiro, conselheiro, amigo e esposo. Alguns como o orador Luiz Mendes do Nascimento, chegaram a desmaiar por cima do caixão fechado de Mestre Irineu. A irmandade dava adeus ao Mestre, comovida, os 78 anos de história marcavam aquele momento inesquecível. Os mistérios e encantos de uma vida dedicada à bondade e ao companheirismo. Abria-se um novo capítulo na história daquele povo.

Manoel Jacintho

MANOEL JACINTHO COELHO
(87 anos)
Fundador da Cultura Racional

* Rio de Janeiro, RJ (30/12/1903)
+ Rio de Janeiro, RJ (13/01/1991)

Manoel Jacintho Coelho foi o fundador da Cultura Racional. Filho de músicos, o pai, Manoel, era maestro e a mãe, Rosa Maria, professora de piano. Ao completar treze anos, Manoel Jacintho já era violonista. O violão de sete cordas tornou-se uma de suas especialidades.

Aos dezoito anos entrou para o Exército Brasileiro. Ingressou na 1ª Companhia de Metralhadoras Pesadas, no Quartel de Deodoro, no Rio de Janeiro. Trabalhou muitos anos no Ministério das Relações Exteriores, Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro.

Em 4 de outubro de 1935 iniciou a elaboração da Enciclopédia de Cultura Racional composta de 1.000 livros, intitulada "Universo Em Desencanto", e a concluiu em 5 de dezembro de 1990. Os livros foram divididos em cinco partes:

  • 1°- Obra, composta de 21 volumes
  • 2°- Réplica, composta de 21 volumes
  • 3°- Tréplica, composta de 21 volumes
  • 4°- Histórico, composta de 934 volumes
  • 5º - Amarelões, composta de 3 volumes editados entre 1935 e 1938

Recebeu ao longo de sua vida várias condecorações nacionais e internacionais, dentre elas a Medalha de Honra da Inconfidência, que a Presidência da República confere a um civil, o título de Comendador pela Ordem Internacional dos Jornalistas, e a Medalha Tiradentes, concedida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Foi biografado pelo jornalista Jorge Elias, na obra intitulada "Cavaleiro da Concórdia - O Homem do Outro Mundo".

Fonte: Wikipédia

Antônio Conselheiro

ANTÔNIO VICENTE MENDES MACIEL
(67 anos)
Líder Social e Líder Religioso

* Quixeramobim, CE (13/03/1830)
+ Canudos, BA (22/09/1897)

Mais conhecido na História do Brasil como Antônio Conselheiro. Figura carismática, adquiriu uma dimensão messiânica ao liderar o arraial de Canudos, um pequeno vilarejo no sertão da Bahia, que atraiu milhares de sertanejos, entre camponeses, índios e escravos recém-libertos, e que foi destruído pelo Exército da República na chamada Guerra de Canudos em 1896.

A imprensa dos primeiros anos da República e muitos historiadores, para justificar o genocídio, retrataram-no como um louco, fanático religioso e contra-revolucionário monarquista perigoso.

Filho do comerciante Vicente Mendes Maciel e de Maria Joaquina de Jesus, Antônio Vicente Mendes Maciel ficou órfão da mãe aos seis anos. Estudou aritmética, português, geografia, francês e latim. Entre suas leituras preferidas estavam As Aventuras do Imperador Carlos Magno e Os Doze Pares de França, adaptações de lendas populares da idade média arraigadas no folclore nordestino.

Aos 27 anos, perdeu o pai e começou a cuidar da loja da família, com a qual sustentava as quatro irmãs. Ficou dois anos à frente do negócio e, depois, passou a dar aulas numa escola de fazenda. Graças aos seus estudos e esforço pessoal, tornou-se escrivão de cartório, solicitador (encarregado de encaminhar petições ao poder Judiciário) e rábula (advogado sem diploma).

Em 1857, Antônio Maciel casa-se com Brasilina Laurentina de Lima, jovem filha de um tio seu. No ano seguinte, o jovem casal muda-se para Sobral, onde Antônio Maciel passa a viver como professor do primário, dando aulas para os filhos dos comerciantes e fazendeiros da região, e mais tarde como advogado prático, defendendo os pobres e desvalidos em troca de pequena remuneração. Passa a mudar-se constantemente, em busca de melhores mercados para seus ofícios. Primeiro vai para Campo Grande (atual Guaraciaba do Norte), depois Santa Quitéria e finalmente Ipu, então um pequeno povoado localizado bem na divisa entre os sertões pecuaristas e a fértil Serra da Ibiapaba.

Em 1861 flagra a sua mulher em traição conjugal com um sargento de polícia em sua residência na Vila do Ipu Grande. Envergonhado, humilhado e abatido, abandona o Ipu e vai procurar abrigo nos sertões do Cariri, já naquela época um pólo de atração para penitentes e flagelados, iniciando aí uma vida de peregrinações pelos sertões do nordeste. Para sobreviver, trabalhou como pedreiro e construtor, ofício aprendido com o pai. Restaurava e construía capelas, igrejas e cemitérios.

Esse trabalho e as pregações do Padre Ibiapina - que peregrinava pelo sertão fazendo obra de caridade - influenciaram Antônio Maciel. Ele passou a ler os Evangelhos e a divulgá-los entre o povo humilde, ouvindo também os problemas das pessoas e procurando consolá-las com mensagens religiosas. Devido aos conselhos, tornou-se conhecido como Antônio Conselheiro e arrebanhou um número crescente de seguidores fiéis que o acompanhavam pelas suas andanças.

À medida que a simpatia dos pobres por ele aumentava, surgiam também os inimigos, que se sentiam prejudicados. Por um lado, os padres, que viam seu prestígio diminuir diante das pregações de um leigo. Por outro, os latifundiários, que viam muitos empregados de suas fazendas abandonarem tudo para seguir o beato.

Em 1874, Antonio Conselheiro e seus seguidores se fixaram perto da vila de Itapicuru de Cima, no sertão da Bahia, onde fundaram o arraial do Bom Jesus.

No Sergipe, o jornal O Rabudo traz a primeira menção pública de Antônio Conselheiro como penitente conhecido nos sertões:

"Há seis meses que por todo o centro desta Província e da Província da Bahia, chegado do Ceará, infesta um aventureiro santarrão que se apelida por Antonio dos Mares. O que, a vista dos aparentes e mentirosos milagres que dizem ter ele feito, tem dado lugar a que o povo o trate por S. Antônio dos Mares. Esse misterioso personagem, trajando uma enorme camisa azul que lhe serve de hábito a forma do de sacerdote, pessimamente suja, cabelos mui espessos e sebosos entre os quais se vê claramente uma espantosa multidão de bichos (piolhos). Distingue-se pelo ar misterioso, olhos baços, tez desbotada e de pés nus, o que tudo concorre para o tornar a figura mais degradante do mundo".
(O Rabudo, 22 de Novembro de 1874)

Em 1876, já famoso como homem santo e peregrino, Antônio Conselheiro é preso nos sertões da Bahia, pois corre o boato de que ele teria matado mãe e esposa. É levado para o Ceará, onde se conclui que não há nenhum indício contra a sua pessoa: sua mãe havia morrido quando ele tinha seis anos. Antônio Conselheiro é posto em liberdade e retorna à Bahia. Entretanto, seu fervor religioso aumentou durante a temporada na prisão. Da mesma maneira, aumentou seu prestígio entre os pobres, que passaram a vê-lo como um mártir.

Em 1877, o Nordeste do Brasil passa por uma das mais calamitosas secas de sua história. Levas de flagelados perambulam famintos pelas estradas em busca de socorro governamental ou de ajuda divina. Bandos armados de criminosos e flagelados promovem justiça social com as próprias mãos assaltando fazendas e pequenos lugarejos, pois pela ética dos desesperados roubar para matar a fome não é crime. Cresce a notoriedade da figura de Antônio Conselheiro entre os sertanejos pobres. Para eles, Antônio Conselheiro, ou o Bom Jesus, como também passa a ser chamado, seria uma figura santa, um profeta enviado por Deus para socorrê-los.

Em 1888 acontece o fim da escravidão e muitos ex-escravos, libertos e expulsos das fazendas onde trabalhavam sem ter então nenhum meio de subsistência, partem em busca de Conselheiro.

Arraial de Canudos

Em 1893, cansado de tanto peregrinar pelos sertões e então sendo um fora da lei, Antônio Conselheiro decide se fixar à margem norte do Rio Vaza-Barris, num pequeno arraial chamado Canudos. Nasce ali uma experiência extraordinária: em Bello Monte (como a rebatizou Antônio Conselheiro, apesar de encontrar-se num vale cercado de colinas), os desabrigados do sertão e as vítimas da seca eram recebidos de braços abertos pelo peregrino. Era uma comunidade onde todos tinham acesso à terra e ao trabalho sem sofrer as agruras dos capatazes das fazendas tradicionais. Um lugar santo, segundo os seus adeptos. Os grandes fazendeiros e o clero sentem que seu poder está sendo ameaçado, e começam a se articular em busca de uma solução ao problema.

Canudos prosperou e se tornou incômoda para as autoridades políticas e religiosas locais, que procuravam um pretexto para acabar com ela.

A Guerra de Canudos

Em 1896 um problema comercial acerca de uma compra de madeira na cidade de Juazeiro deu motivo para que uma tropa de soldados da polícia baiana investisse contra os seguidores de Antônio Conselheiro dando início a Guerra de Canudos. Em 24 de novembro deste ano, é enviada a primeira expedição militar contra Canudos, sob comando do tenente Pires Ferreira. Mas a tropa é surpreendida pelos fanáticos de Antônio Conselheiro, durante a madrugada, em Uauá. Após uma luta corpo-a-corpo são contados mais de cento e cinquenta cadáveres de conselheiristas. Do lado do exército morreram oito militares e dois guias. Estas perdas, embora consideradas insignificantes quanto ao número nas palavras do comandante, ocasionaram o retiro das tropas.

Em 29 de dezembro de 1896 tem início uma segunda expedição militar contra Canudos. Assim como a primeira, esta expedição foi violentamente debelada pelos conselheiristas.

Em 1897 tem início a terceira expedição contra Canudos, comandada pelo capitão Antônio Moreira César, conhecido como O Corta-Cabeças, por suas façanhas heróicas na Revolução Federalista, no Rio Grande do Sul. Mas, acostumado aos combates tradicionais, Moreira César não estava preparado para eliminar Canudos, e foi abatido por tiros certeiros de homens leais a Antônio Conselheiro. A tropa foge em debandada, deixando para trás armamentos e munição. Para os conselheiristas, trata-se de uma prova cabal da santidade do beato de Belo Monte.

Em 5 de abril de 1897 tem início a quarta e última expedição contra Canudo. Desta vez o cerco foi implacável e até muitos dos que se rendiam foram mortos. Eliminar Canudos e seus fanáticos habitantes tornou-se uma questão de honra para o exército. O confronto estendeu-se até 5 de outubro de 1897, quando o exército tomou definitivamente o arraial.

Morte

Em 22 de setembro de 1897 morre Antônio Conselheiro. Não se sabe ao certo qual foi a causa de sua morte. As razões mais citadas são ferimentos causados por uma granada, e uma forte Caminheira (Disenteria).

No dia 5 de outubro de 1897 são mortos os últimos defensores de Canudos, e o exército inicia a contagem das casas do arraial.

A única foto conhecida de Antônio Conselheiro, místico rebelde e líder espiritual do arraial de Canudos 1893-1897, Bahia. Foto tirada duas semanas após sua morte, pelo fotógrafo Flávio de Barros, a serviço do Exército.

Em 6 de outubro de 1897, o cadáver de Antônio Conselheiro é encontrado enterrado no Santuário de Canudos. Sua cabeça é cortada e levada até a Faculdade de Medicina de Salvador para ser examinada pelo Drº Nina Rodrigues, pois para a ciência da época, "a loucura, a demência e o fanatismo" deveriam estar estampados nos traços de seu rosto e crânio. O arraial de Canudos é completamente destruído.

No dia 3 de março de 1905, um incêndio na antiga Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, em Salvador (BA), destrói a cabeça de Antônio Conselheiro, que lá se encontrava desde o final da Guerra de Canudos, em outubro de 1897.

Antônio Conselheiro, Louco?

Recostituição da cabeça de Antônio Conselheiro
O diagnóstico de louco o mais específicamente de portador de uma Psicose Sistemática Progressiva (termo equivalente ao delírio crônico proposto por Valentin Magnan) e a paranóia dos italianos, (referindo-se à Eugênio Tanzi e Gaetano Riva) por uma célebre autoridade sanitária da época, o Drº Nina Rodrigues, no qual se fundamentram os escritos da época (inclusive de Euclides da Cunha), ainda hoje se constitui como um entrave para o reconhecimento de seu mérito como líder comunitário empreendedor, responsável pela organização de mais de 24 mil pessoas em um ambiente extremamente adverso e até mesmo como um homem religioso com verdadeiros ideais cristãos como se propunha a ser.

A pecha de loucura e fanatismo com os conceitos da época, de psicologia das multidões inspiradas na obra de Gustave Le Bon também são reponsáveis por toda uma lógica de interpretação das revoltas sociais como ocasionadas por influência de uma personalidade psicopática, a insanidade moral proposta por Henry Maudsley, num ambiente de ignorância, pobreza ou degenerescência tal como se designava na época, incluindo entre esses fatores psicossociais características biológico raciais.

Memorial Antônio Conselheiro

Há dois centros culturais relacionados à Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos. Um localizado em Quixeramobim no interior do Ceará, conta a história de seu conterrâneo, está situado no centro da cidade, próximo ao Banco do Brasil. O outro situado em Canudos, Bahia, criado pelo Decreto 33.333, de 30 de junho de 1986, (publicado no Diário Oficial de 1º de julho) mantido e administrado em parceria com a Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

Fonte: Wikipédia e UOL Educação