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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Lourival Vargas

LOURIVAL BARROSO VARGAS
(56 anos)
Artista Plástico e Pintor

* Ibertioga, MG (23/08/1952)
+ Barbacena, MG (20/11/2008)

Lourival Barroso Vargas foi um artista plástico e pintor brasileiro. Autodidata, destacou-se como pintor de temas sacros, contudo, era autor de obras ecléticas, com temas como paisagens bucólicas e natureza, motivos esotéricos, abstratos, com diversas inspirações. Também era retratista. Nascido em Ibertioga, MG, a 23/08/1952, teve contato com a arte desde a infância quando começou a desenvolver seu talento para o desenho e pintura.

Lourival possuía um traço característico, bem como o uso das cores, especialmente ao abordar a natureza em suas obras. A vista da Serra de Ibitipoca a partir de Barbacena era uma paisagem muito apreciada pelo artista, além das redondezas da terra natal Ibertioga, e também a cidade de Barbacena, onde viveu por muitos anos, que eram temas recorrentes de suas obras.

Lembrança do Bonde (Óleo Sobre Tela)
É relevante também sua visão do universo urbano e da sociedade, pois em várias telas o artista fez seu autorretrato demonstrando um sentimento de marginalização e incompreensão, como artista e pensador, em relação à sociedade falida e hipócrita em que viveu.

Uma das principais obras do artista e que o imortalizaram são os afrescos da Catedral de Ibertioga. A magnífica mão de Deus retratada mostra a mão calejada de um trabalhador. A inspiração se deu numa tarde ao deixar a catedral. Após dias pensando em como seria a mão divina, deparou com um lavrador sentado na calçada da praça e nesse momento ele percebeu que a mão do Criador deveria ser como aquela, calejada pelo trabalho árduo da grande criação do mundo. Pediu ao homem que deixasse que ele desenhasse sua mão. Ao se ver a obra pronta percebe-se como foi sensível e precisa a observação do artista.

Algumas pessoas do círculo íntimo do artista emprestaram seus rostos para que ele compusesse as figuras ali retratadas como anjos e arcanjos. Essa obra foi um marco importante na sua carreira, e depois dela foi convidado para fazer a pintura do teto de capelas nas fazendas da região.

Morte

Lourival Vargas faleceu em Barbacena, MG, em 20/11/2008, aos 56 anos, depois de ficar 58 dia internado na Santa Casa de Misericórdia de Barbacena. Ele teve um AVC hemorrágico e foi colocado em coma induzido. Durante este período Lourival Vargas ficou ligado a aparelhos. O velório do artista plástico ocorreu na Capela de Santa Terezinha e o sepultamento aconteceu em Ibertioga, MG, sua cidade natal.

Fonte: Wikipédia

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Ana Helena Berenger

ANA HELENA BERENGER PEÇANHA
(48 anos)
Atriz e Artista Plástica

* Rio de Janeiro, RJ (14/02/1961)
+ Los Angeles, Estados Unidos (29/07/2009)

Ana Helena Berenger Peçanha, conhecida como Ana Helena Berenger, foi uma atriz e artista plástica brasileira Nascida no Rio de Janeiro. Formou-se em jornalismo na Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, mas não chegou a exercer a profissão, interessando-se logo pela carreira artística.

Atuou no cinema, na televisão e no teatro em todo o mundo, atuando inclusive em produções de outros países.

Enquanto esteve em Paris, Ana Helena estudou arte no Museu do Louvre. Apaixonada pelas cores, tornou-se artista plástica e foi morar em Los Angeles, deixando a carreira de atriz.

Ana Helena Berenger morreu vítima de um câncer de mama, em Los Angeles, no dia 29/07/2009.

Fonte: Wikipédia
Indicação: Miguel Sampaio

Albery

ALBERY SEIXAS DA CUNHA
(58 anos)
Pintor e Artista Plástico

* Belém, PA (04/10/1944)
+ Rio de Janeiro, RJ (07/04/2003)

Albery Seixas da Cunha foi um pintor e artista plástico brasileiro. Seus quadros mais famosos são de mulheres nuas. Ele nasceu no dia 04/10/1944 na cidade de Belém, PA, onde revelou sua vocação para pintura já na infância.

Seus primeiros óleos foram feitos em 1959, no Rio de Janeiro, onde morou até 1970. Neste ano, ele se transferiu para Paris, onde é até hoje um dos poucos artistas brasileiros realmente reconhecidos. Albery figura entre os mais importantes artistas da arte contemporânea brasileira. O artista sabe como poucos mesclar na dose certa a flora e a fauna brasileira colocando-as com perfeição nas formas e cores que cria. Muitas vezes registra em suas telas imagens que parecem sair de um sonho, como se quisesse desvendar seus mistérios.

No Rio de Janeiro, Albery despontou para a fama quando ganhou o primeiro prêmio, em uma galeria de arte, pintando o tema "Carolina", para a música de Chico Buarque. De acordo com a crítica, ele criou uma figura coerente com a música, ao mesmo tempo comunicativa, popular, simples e sofisticada. Ficou expresso nesse quadro que Albery estava atento à linguagem para a comunicação de massa utilizada na época.

Albery está sempre homenageando a mulher em seus quadros. O artista trabalha o corpo feminino sempre com um tratamento renovado e atual, acrescentando toques expressivos onde sobressaem os relevos da anatomia podendo-se quase perceber sua textura. Em suas viagens pelo mundo, o artista soube perceber as diferentes raça e formas faciais independente das classes sociais e cria rostos universais, como disse Walmir Ayala:

"O rosto de uma princesa contemporânea, ou de uma artista famosa, parece ter passado pelo carbono das histórias em quadrinhos, deixando assomar o lado heroico e mitológico subjacentes no lado da beleza feminina."

"Pintar é antes de tudo para mim um ato vital. Foi desde minha infància, a principal maneira de me expressar. Meu ideal de criança, era tornar-me no futuro um verdadeiro pintor e viver de minha arte. Sempre tive tendência inata para o surrealismo, e um gosto pelo mórbido que foi se diluindo com o tempo. Acho extremamente importante a qualidade técnica de minha obra e a temática sempre criada, baseando-me na natureza, no animal e na mulher. Dedico esta exposição a todos os mestres com os quais tive contato, em especial Salvador Dali."
(Albery - Texto do folder "25 Anos de Arte". Exposição individual do artista em novembro de 1992, na Bolsa do Rio)



Em 1962, Albery ingressou na Escola Nacional de Belas Artes.

Em 1965, participou dos Salões de Desenho na ENBA, de Gravura da Feira do Atlântico e o de Pintura da ENBA.

Em 1966, participou dos Salões Sesquicentenário da ENBA, de Gravura da Feira Industrial e da Gravura da ENBA. Fez sua primeira exposição coletiva na GEAD.

Em 1967, participou dos Salões da Jovem Pintura SBPC e de Desenhos e Gravuras da PUC. Realizou sua primeira individual na Galeria L'Atelier. Conquistou o primeiro prêmio do Concurso Nacional criado por Ruth Lauss e pela Galeria Domus. Participou do XVII Salão de Arte Moderna e do Salão da PUC e foi convidado pelo governo do Pará para realizar uma mostra em seu estado natal.

Em 1968 expôs na Galeria Meia Pataca, no Rio de Janeiro.

Em 1969, expôs nas Galerias Vice Rey em São Paulo e na Petite Galerie no Rio de Janeiro.

Em 1971, Realizou sua primeira exposição em Paris na Galeria André Weil.

Em 1972, expôs na Galeria Copacabana Palace. Apresentou uma individual na Galeria Pre-Design, de Bruxelas.

Em 1973, expôs na Galeria Albertus Magnus, de Paris, seguido de Happening com os mais destacados nomes da pintura francesa. Mostra na Galeria Chelsea em São Paulo.

Em 1974 expôs na Galeria Boris Orekhoff em Paris.

Em 1975, expôs na Galeria Debret e na Galeria Les Roseaux, ambas em Paris.

Sônia Braga e Albery (Participação Novela Dancin' Days)
Em 1976, realizou uma individual na Galeria Jacques Carrie em Paris.

Em 1977, expôs na Galeria Les Roseaux em Paris.

Em 1978 voltou ao Brasil para individual na Galeria B-75 Concorde, no Rio de Janeiro e na Galeria Acaiaca de Curitiba.

Em 1979, apresentou individuais nas Galerias Oscar Seraphico em Brasilia, Casa Grande em Goiània e Realidade Galeria de Arte no Rio de Janeiro. Participou da Coletiva Itinerante Brasileira no Hotel Le Meridien e outra coletiva no Othon Palace Hotel no Rio de Janeiro.

Em 1980, expôs na Don Camilo Galeria de Arte em Salvador e recebeu a Medalha Mérito Legionário conferida pela PRONAVE-LBA.

Em 1981, expôs na Galeria Realidade e numa Coletiva no Hotel Meridien no Rio de Janeiro.

Em 1982, expôs no Espaço Planetário do Rio e na Galeria Espaço Delfin no Rio de Janeiro.

Em 1983, expôs na Galeria Casa Branka em Curitiba e na Galeria Carimã em Foz do Iguaçu.

Participou em 1984, da Coletiva na Casa do Estudante Universitário, expôs na Galeria Engenho e Arte da Cidade, na Galeria Promorio e na Galeria Antonio Goulart no Rio de Janeiro. Recebeu ainda no mesmo ano homenagem de Dom Grenough e Jean Pierre Dutilleu no Clube Chez Moi, Beverly Hills, Los Angeles, Estados Unidos.

Em 1985, recebeu homenagem dos Salões de Arte CERJ e FCEB, participou do 1º Congresso Brasileiro de Serigrafia no Rio e Janeiro, expôs no seleto "Clube 1" e ainda pintou painéis para a Academia da Cidade no Rio de Janeiro.

Sônia Braga e Albery (Participação Novela Dancin' Days)
Em 1986, expôs na Galeria People, Coletiva na Cia. das Índias no Rio de Janeiro e realizou performance pictural na Academia GYM Center no Rio de Janeiro.

Em 1987, expôs na Galeria José de Alencar em Fortaleza.

Em 1988, expôs nas Galerias Art e Design em Maceió e Borghese no Rio de Janeiro. Participou da Expo Coletiva no Salão Nobre do Hotel Copacabana Palace no Rio de Janeiro.

Em 1989, exposição em Jarí, PA.

Em 1990 exposição na Ciudad de Leste, Paraguai.

Em 1991, fez uma nova viagem a Paris para execução de novos trabalhos.

Em 1992, de volta ao Brasil, participou do Projeto Jangada das Sete - Coco Beach Performance. Exposição Galeria de Arte da Biblioteca Pública Câmara Cascudo em Natal. Performance Trajano Shopping no Rio de Janeiro. Exposição Individual no Espaço Bolsa do Rio.

Em 1993, exposição individual em Natal, RN.

Em 1994, exposição individual em Campos, RJ.

Em 1995, exposição individual na Century's Gallery, no Rio de Janeiro.

Em 1997 foi para Miami e expôs individualmente na Foundation For The Contemporary Arts Gallery. Participou de coletiva na Lopez Negro Gallery, Dania, Flórida. Individual na Hidden Bay, Aventura, Flórida.

Em 1998, individual na Santayana Gallery, Key Biscayne, Florida, e no Gable's Club, Coral Gables, Flórida.

Em 1999, individual no BarRoom, em Miami Beach, Flórida. No mesmo ano, individuais no Pine Bank Bricckell, no Gran Bay Hotel , Coconut Grove, Flórida, e no Santa Maria, Brickell.

Em 2001 individual na Galeria Jordi no Rio de Janeiro e a Exposição "Retratos", mobilizando a alta sociedade carioca no Shopping Fashion Mall.

"O mundo deveria ser:

Todos para arte!
Todos pela arte!
Tudo sobre arte!"

Sônia Braga e Albery (Participação Novela Dancin' Days)
Morte

Albery morreu numa manhã chuvosa no dia 07/04/2003, no outono, na estação que tem as cores estilizadas marrom-vermelho-dourado, os mesmos tons que o artista utilizava para pintar seus cavalos também estilizados.

Exposições Individuais

  • 1967 - Rio de Janeiro - Primeira individual, na Galeria L'Atelier
  • 1970 - Paris, França - Individual, na Galeria Andre Weil
  • 1974 - Paris, França - Individual, na Galeria Boris Orekhoff
  • 1975 - Paris, França - Individual, na Galeria Debret
  • 1975 - Paris, França - Individual, na Galeria Les Roseaux
  • 1976 - Paris, França - Individual, na Galeria Jacques Carrie
  • 1977 - Paris, França - Individual, na Galeria Les Roseaux
  • 1977 - Flórida, Estados Unidos - Individual, na Hidden Bay
  • 1978 - Rio de Janeiro - Individual, na Galeria B-75 Concorde
  • 1978 - Curitiba - Individual, na Galeria Acaiaca
  • 1979 - Brasília - Individual, na Galeria Oscar Seraphico
  • 1979 - Goiânia - Individual, na Casa Grande
  • 1979 - Rio de Janeiro - Individual, na Realidade Galeria de Arte
  • 1980 - Salvador - Individual, na Don Camilo Galeria de Arte
  • 1981 - Rio de Janeiro - Individual, na Realidade Galeria de Arte
  • 1983 - Rio de Janeiro - Individual, na Galeria Pau Brasil
  • 1984 - Rio de Janeiro - Individual, no Estúdio Antônio Goulart
  • 1985 - Rio de Janeiro - Individual, na Forma Livre Academia da Cidade
  • 1987 - Fortaleza - Individual, na Galeria José de Alencar
  • 1988 - Rio de Janeiro - Individual, na Galeria de Arte Borguese no Shopping da Gávea
  • 1998 - Key Biscayne, Flórida, Estados Unidos - Individual, na Santayana Gallery
  • 1998 - Coral Gables, Flórida, Estados Unidos - Individual, no Gable´s Club
  • 1999 - Miami Beach, Flórida, Estados Unidos - Individual, no BarRoom
  • 1999 - Coconut Grove, Flórida, Estados Unidos - Individual, no Gran Bay Hotel
  • 1999 - Brickell, Estados Unidos - Individual, no Brickel
  • 2001 - Rio de Janeiro - Individual, na Galeria Jordi 

Exposições Coletivas

  • 1964 - Rio de Janeiro - 2ª O Rosto e a Obra, na Galeria Ibeu Copacabana
  • 1965 - Rio de Janeiro - Salão de Desenho da Enba
  • 1965 - Rio de Janeiro - Salão de Gravura da Feira do Atlântico
  • 1965 - Rio de Janeiro - Salão de Pintura da Enba
  • 1966 - Rio de Janeiro - Salão do Sesquicentenário da Enba
  • 1966 - Rio de Janeiro - Salão de Gravura da Feira Industrial
  • 1966 - Rio de Janeiro - Salão de Gravura da Enba
  • 1967 - Rio de Janeiro - Salão Jovem Pintura SBPC
  • 1967 - Rio de Janeiro - Salão de Desenhos e Gravuras da PUC/RJ
  • 1973 - Paris, França - Coletiva, na Galeria Albertus Magnus
  • 1977 - Flórida, Estados Unidos - Coletiva, na Lopez Negro Gallery
  • 1979 - Rio de Janeiro - Coletiva Itinerante Brasileira, no Hotel Le Meridien
  • 1979 - Rio de Janeiro - Coletiva, no Othon Palace Hotel
  • 1981 - Rio de Janeiro - Coletiva, no Hotel Meredien
  • 1984 - Foz do Iguaçu - Coletiva, na Casa do Estudante Universitário
  • 1987 - Rio de Janeiro - Coletiva, no Salão Nobre do Hotel Copacabana Palace

Exposições Póstumas

  • 2003 - Rio de Janeiro - Projeto Brazilianart, na Almacén Galeria de Arte

Indicação: Cidia Martins

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Mário Faisal

MÁRIO FAISAL
(76 anos)
Artista Plástico, Compositor e Instrumentista

* Ibitinga, SP (1937)
+ Praia Grande, SP (02/01/2014)

Mário Faisal foi um artista multifacetado, compositor gravado por importantes cantores foi um precursor, contestador social, artista tridimensional com forte carga de dopamina. Não seria nada exagerado se comparado a Flávio de Carvalho.

Compositor, pianista e artista plástico Mário Faisal, foi figura importante na época da Jovem Guarda. No Canal 9 de São Paulo, TV Excelsior, ele participou de um programa que funcionava como concorrente ao movimento jovem-guardista, e Mário Faisal era o fio condutor, o querosene desse projeto.

Participou de programas de calouros como o histórico "Peneira Rhodine", da Rádio Cultura de São Paulo, e foi gongado ao cantar "Carinhoso" (Pixinguinha). Foi também o primeiro jurado do programa do Chacrinha.

No cinema participou do filme "As Mulheres Amam por Conveniência" (1972), de Roberto Mauro. Teve como arranjador de suas letras o prestigioso Maestro Portinho. Mário Faisal foi precursor em muitas outras coisas entre as quais o grafite e conjuntos musicais que incluía crianças como Os Caçulas com quatro componentes, Gilberto, Vera Lúcia, Alvinho e Yara, que em 1967 gravariam sua composição "Pic Nic", e em 1968 seria regravada por Wanderlei Cardoso com grande sucesso no disco "O Bom Rapaz".


Ainda em 1967, uma coletânea intitulada "Os 12 Brasas", incluiria mais uma composição "Estou Só", gravada por Arturzinho, um de seus maiores interpretes que gravaria outros sucessos com autoria de Mário Faisal "Não Toque Este Long Play".

Mais composições de Mário Faisal seriam gravadas por nomes consagrados da música brasileira como Sérgio Reis "Eu Te Amo Tanto", Célio Roberto, também conhecido com Cigano, gravou "Olha Eu Aqui", e Leila Silva "Céu Sem Estrelas".

No ano de 1970, Nilton César fez sucesso com "Eu Te Sigo" (Mário Faisal). A melodia lembrava muito um fado e talvez por isso não tenha alcançado o sucesso merecido no Brasil. Mas, se pode dizer que foi Mário Faisal quem lançou Nilton César em Portugal com esta faixa. Nessa época como um artista multifacetado já conciliava as duas artes: composição e artes plásticas.

Nos anos 1980, Nancy Sinatra, filha de Frank Sinatra, gravou "Pic-Nic" e faria sucesso nos Estados Unidos com a sua composição. No final da década de 1970 Mário Faisal se retirou do cenário artístico.


Artes Plásticas

Mário Faisal estudou na Escola Paulista de Belas Artes (1954-1958), estudou escultura e cerâmica no ateliê de Berenice Florshein (1979-1981) e Fundação Mokiti Okada, Japão (1995-1998).

Artista catalogado no Júlio Louzada, do alto dos seus 70 anos se mostrava incansável e irrequieto. Sempre na busca das cores e dos tons e na insatisfação social tema presente em várias obras. O esmero era tanto que em certa época foi apelidado pelos colegas como "Das Cores". Transitando entre o acadêmico, o abstrato e as vezes surrealismo, atualmente desenvolvia estudos pictóricos onde mesclava estilos de nada menos do que Pablo Picasso e Paul Cézanne para seus quadros. Porém, suas expectativas, frustrações e revolta com o descaso social cometido pelas autoridades estão presentes em suas telas. A inventividade com as tintas, a sua excentricidade espontânea são marcas registradas. E isso já lhe valeu prêmios e exposições no Brasil e no Exterior.

Espírito sempre em ebulição e conflitos, mostravam que o artista continuava vivo e criativo em sua jornada pictórica. Entre seus clientes já estiveram João Baptista Figueiredo, ex-presidente da República e Júlio Iglesias. "Nada se faz por acaso. Tudo tem sua razão de ser, principalmente quando se faz com prazer", dizia Mário Faisal.

Ele também considerava que sua inspiração pictórica vinha de divindades como anjos e arcanjos, deuses ou abutres, e assim, ele seguia retratando figuras carimbadas do país. Em seu ateliê livre, na Alameda Jaú, Jardim Paulista, ministrava aulas de pintura e cerâmica, e restauro de obras sacras.

Morte

Segundo informações de sua sobrinha, Míriam, Mário Faisal faleceu no dia 02/01/2014, na Praia Grande, litoral paulista, onde residia atualmente.

Indicação: Miguel Sampaio

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Hélio Oiticica

HÉLIO OITICICA
(42 anos)
Pintor, Escultor e Artista Plástico

* Rio de Janeiro, RJ (26/07/1937)
+ Rio de Janeiro, RJ (22/03/1980)

Hélio Oiticica foi um pintor, escultor, artista plástico e performático de aspirações anarquistas. É considerado por muitos um dos artistas mais revolucionários de seu tempo e sua obra experimental e inovadora é reconhecida internacionalmente.

Hélio Oiticica era filho de José Oiticica Filho, um dos importantes fotógrafos brasileiros, que também era engenheiro, professor de matemática e entomólogo e de Ângela Santos Oiticica. Teve mais dois irmãos, César e Cláudio, nascidos respectivamente em 1939 e 1941.

A educação de Hélio e seus irmãos começou em sua casa, onde tiveram aulas de matemática, ciências, línguas, história e geografia dadas pelo pai e a mãe. Também teve grande influência em sua formação o avô José Oiticica, conhecido intelectual filólogo, professor, escritor, anarquista e jornalista.

No ano de 1947, seu pai, José Oiticica Filho foi premiado com uma bolsa da Fundação Guggenheim. A família se mudou para Washington, Estados Unidos, e seu pai passou a trabalhar no United States National Museum - Smithsonian Institution. Ficaram lá por dois anos e Hélio, então com 10, e seus irmãos foram matriculados pela primeira vez numa escola oficial, a Thomson School. A a proximação com a arte se deu nessa época. Hélio e os irmãos tinham à disposição galerias de arte e museus.

A família retornou ao Rio de Janeiro, em 1950, e, em 1952, Hélio começou a escrever e a traduzir peças de teatro que encenava em casa com os irmãos. Sua tia, a atriz Sônia Oiticica, passou a o incentivá-lo nessa empreitada.


Primeiras Exposições

Durante a II Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo, realizada em 1953, Hélio Oiticica tomou contato com a obra de Paul Klee, Alexander Calder, Piet Mondrian e Pablo Picasso, e no ano seguinte começou a estudar pintura com Ivan Serpa. Entrou para o Grupo Frente e junto fez a sua primeira exposição no Museu de Arte Moderna. Nessa época começou a conviver com artistas e críticos, como Lygia Clark, Ferreira Gullar e Mário Pedrosa. Sua obra desse período (1955-1957) são pinturas geométricas sob guache e cartão, que resultou em 27 trabalhos nessa técnica, intitulados "Secos", que foram expostos no Rio de Janeiro, na Exposição Nacional de Arte Concreta.

Paralelo a esse evento esteve presente à polêmica conferência proferida por Décio Pignatari, na "Noite de Arte Concreta" na União Nacional dos Estudantes. Esse evento teve grande importância pois lançou as bases da arte concreta e colocou, de um lado, poetas e críticos como Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Décio Pignatari e Ferreira Gullar, e de outro, os defensores da arte tradicional.

Em 1959, convidado por Lygia ClarkFerreira Gullar, integrou o Grupo Neoconcreto do Rio de Janeiro e passou a realizar pinturas a óleo sobre tela e compensado. São obras monocromáticas que incluem pinturas triangulares em vermelho e branco. Nesse mesmo ano participou da V Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em 1960 trabalhou como auxiliar técnico de seu pai, José Oiticica Filho, no Museu Nacional.


Parangolés e Penetráveis

A partir do início dos anos 60, Hélio Oiticica começou a definir qual seria o seu papel nas artes plásticas brasileiras e a conceituar uma nova forma de trabalhar, fazendo uso de maneiras que rompiam com a ideia de contemplação estática da tela. Surgiu aí uma proposta da apreciação sensorial mais ampla da obra, através do tato, do olfato, da audição e do paladar. Exemplo disso é o penetrável PN1 e a maquete do "Projeto Cães de Caça", composto de cinco penetráveis (1961) e os bólides, que são as estruturas manuseáveis, chamados de B1 Bólide Caixa 1 (1963).

No período de 1964, aproximou-se da cultura popular e passou a frequentar a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, tornando-se passista e integrando-se na comunidade do morro. Vem dessa época o uso da palavra parangolé que passou a designar as obras em que estava trabalhando naquele momento. Os primeiros parangolés se compunham de tenda, estandarte e bandeira e P4, a primeira capa para ser usada sobre o corpo. São obras que causaram polêmicas e ele definia como "antiarte por excelência". Na exposição Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, foi proibido de desfilar - os passistas da Mangueira vestiam seus parangolés - nas dependências do museu. Hélio Oiticica realizou a apresentação no jardim, com grande aceitação pública.

Hélio Oiticica, além de realizar as sua obras, também teorizava sobre elas em textos como "Os Bólides e o Sistema Espacial Que Neles Se Revela", "Bases Fundamentais Para Definição do Parangolé", e "Anotações Sobre o Parangolé", entre muitos outros, que divulgava mimeografadas.

Em 1965, começou carreira internacional e realizou exposição, Soundings Two, em Londres, ao lado de obras de Duchamp, Klee, Kandinsky, Mondrian, Léger, entre outros.


Em 1967, iniciou suas propostas supra-sensoriais, com os bólides da "Trilogia Sensorial", além dos penetráveis PN2 e PN3 que faziam parte da obra Tropicália, mostrada na exposição Nova Objetividade Brasileira, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Caetano Veloso usou como cenário a bandeira "Seja Marginal Seja Herói", de Hélio Oiticica, em show na boate Sucata no Rio de Janeiro. A bandeira foi apreendida e o espetáculo suspenso pela Polícia Federal. Essa aproximação com Hélio Oiticica foi de grande importância na definição dos rumos da música brasileira.

Além da militância artística no Brasil, a carreira internacional de Hélio Oiticica passou a tomar grande parte de seu tempo, com exposições e intervenções em Londres, Nova York e Pamplona, a partir dos fins dos de 60 e início dos anos 70.

Em 1972, usou o formato super 8 e realizou o filme "Agripina é Roma - Manhattan". O cinema passou a ser uma referência, e em 1973 criou o projeto Quase-Cinema, com a obra "Helena Inventa Ângela Maria", série de slides que evocam a carreira da cantora Ângela Maria.

Uma nova série de penetráveis intitulados Magic Square e os objetos Topological Ready-Made Landscapes foram mostrados na exposição Projeto Construtivo Brasileiro, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1977.

Em 1979, criou o seu último penetrável chamado "Azul In Azul". Neste ano, Ivan Cardoso realizou o filme "HO", retratando a obra de Hélio Oiticica.

No dia 22/03/1980, Hélio Oiticica sofreu um acidente vascular cerebral, vindo a falecer, no Rio de Janeiro.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Mestre Didi

DEOSCÓREDES MAXIMILIANO DOS SANTOS
(95 anos)
Escritor, Artista Plástico e Sacerdote Africano

* Salvador, BA (02/12/1917)
+ Salvador, BA (06/10/2013)

Deoscóredes Maximiliano dos Santos foi um escritor, artista plástico, e sacerdote afro-brasileiro. Conhecido popularmente como Mestre Didi, é filho de Maria Bibiana do Espírito Santo e Arsenio dos Santos.

Família

Seu pai Arsenio dos Santos, pertencia à elite dos alfaiates da Bahia, mais tarde iria transferir-se para o Rio de Janeiro na época em que houve uma grande migração de baianos para a então capital do Brasil.

Sua mãe Maria Bibiana do Espírito Santo, mais conhecida como Mãe Senhora era descendente da tradicional família Asipa, originária de Oyo e Ketu, importantes cidades do império Yoruba. Sua trisavó, Srª Marcelina da Silva, Oba Tossi, foi uma das fundadoras da primeira casa de tradição nagô de candomblé na Bahia, o Ilê Ase Aira Intile, depois Ilê Iya Nassô. Sua esposa Juana Elbein dos Santos, é antropóloga e companheira em todas as suas viagens pelo exterior, aos países da África, Europa e Américas, de grande importância pelos intercâmbios e experiências adquiridas, e que contribuiram significativamente para os desdobramentos institucionais de luta de afirmação da tradição afro-brasileira e pelo respeito aos direitos à alteridade e identidade própria. Sua filha Inaicyra Falcão dos Santos é cantora lírica, graduada em dança pela Universidade Federal da Bahia, professora doutora, pesquisadora das tradições africano-brasileiras, na educação e nas artes performáticas no Departamento de Artes Corporais da Unicamp.


Sacerdote

A igreja durante o período colonial e pós-colonial foi uma instituição de que a comunidade descendente de africanos inseriu em suas estratégias de luta pela alforria e re-agrupamento social. Didi foi batizado, fez primeira comunhão e foi coroinha. Mais tarde, já sacerdote da tradição afro-brasileira foi se dedicando inteiramente a ela afastando-se do catolicismo, embora respeitando-o como uma outra religião. Eugenia Ana dos Santos - Mãe Aninha, tratada por Didi como avó, foi quem o iniciou no culto aos orixás e lhe deu o título de Assogba, Supremo Sacerdote do Culto de Obaluaiyê.

Arsenio Ferreira dos Santos era sobrinho de Marcos Theodoro Pimentel, o Alapini, primeiro mestre de Didi no Culto aos Egungun, os ancestrais masculinos, tradição originária de Oyo, capital do império Yoruba.

Depois de Marcos Theodoro Pimentel, foi Arsenio Ferreira dos Santos, conhecido por Paizinho quem deu continuidade a iniciação de Didi, que se confirmou Ojé com o título de Korikowe Olokotun. A herança de tio Marcos Alapini se constitui sobretudo pelo culto ao Olori Egun, Baba Olukotun, o mais antigo ancestral que foi trazido da África na ocasião da viagem que fez com seu pai, Marcos O Velho. Paizinho, então Alagbá, o mais antigo da tradição aos Egungun recebeu esta herança que aproximou à do terreiro Ilê Agboulá na Ilha de Itaparica.

A herança de Marcos Alapini, para seu sobrinho Arsenio Alagba passou para Didi, Ojé Korikowe Olukotun. Mais tarde Didi recebeu o título de Alapini, o mais alto do culto aos Egungun, no Ilê Agboula e anos depois, em 1980 fundou o Ilê Asipa onde é cultuado o Baba Olukotun e demais Eguns desta tradição antiga.

Em setembro de 1970, não tendo no Brasil quem pudesse fazer sua confirmação de Balé Xangô, foi para Oyo e realiza a obrigação na cidade originária do culto à Xangô. A cerimônia foi realizada pelo Balé Sàngó e o Otun Balé do reino de Xangô de Oyo.

Mestre Didi não costumava falar sobre sua obra nem sobre si. Ele chegou a expor em Gana, Senegal, Inglaterra e França, além do Guggenheim, em Nova York. No Brasil, ganhou reconhecimento após a 23ª Bienal de São Paulo, em 1996, quando recebeu uma sala apenas para suas obras.


Artista

"Os Orixá do Panteão da Terra são os que nos alimentam e nos ajudam a manter a vida. Os meus trabalhos estão inspirados na natureza, na Mãe Terra-Lama, representada pela Orixá Nanã, patrona da agricultura."
(Mestre Didi)

"Mestre Didi é um sacerdote-artista. Exprime, através da criação estética, uma arraigada intimidade com seu universo existencial, onde ancestralidade e visão de mundo africanos se fundem com sua experiência de vida baiana. Completamente integrado ao universo nagô de origem yorubana, revela em suas obras uma inspiração mítica, material. A linguagem nagô com a qual se expressa é o discurso sobre a experiência do sagrado, que se manifesta por meio de uma simbologia formal de caráter estético."
(Juana Elbein dos Santos)

Morte

Mestre Didi morreu em decorrência de um câncer de próstata. Ele foi enterrado no domingo, 06/10/2013, por volta das 17:00 hs, no Cemitério Jardim da Saudade, no centro da capital baiana.


Obra
  • 1950 - Yorubá Tal Qual Se Fala, Tipografia Moderna, Bahia
  • 1961 - Contos Negros da Bahia, Edições GRD, Rio de Janeiro
  • 1962 - História de Um Terreiro Nagô, Instituto Brasileiro de Estudos Afro-Asiáticos
  • 1963 - Contos de Nagô, Edições GRD, Rio de Janeiro
  • 1966 - Porque Oxalá Usa Ekodidé, Ed. Cavaleiro da Lua
  • 1976 - Contos Crioulos da Bahia, Ed. Vozes, Petrópolis
  • 1981 - Contos de Mestre Didi, Ed. Codecri, Rio de Janeiro
  • 1987 - Xangô, El Guerrero Conquistador Y Otros Cuentos de Bahia, SD. Ediciones Silva Diaz, Buenos Aires, Argentina
  • 1987 - Contes Noirs de Bahia, tradução francesa de Lyne Stone, Ed. Karthale
  • 1988 - História da Criação do Mundo, Olinda, PE
  • 1988 - História de Um Terreiro Nagô, Editora Max Limonad
  • 1997 - Ancestralidade Africana no Brasil, Mestre Didi: 80 Anos, organizado por Juana Elbein dos Santos, SECNEB, Salvador, Bahia, 1997, CD-ROM - Ancestralidade Africana no Brasil
  • Pluraridade Cultural e Educação
  • Nossos Ancestrais e o Terreiro
  • Democracia e Diversidade Humana: Desafio Contemporâneo

Fonte: Wikipédia
Indicação: Miguel Sampaio e Fada Veras

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Flávio Império

FLÁVIO IMPÉRIO
(49 anos)
Arquiteto, Artista Plástico, Cenógrafo, Figurinista, Diretor, Professor e Pintor

* São Paulo, SP (19/12/1935)
+ São Paulo, SP (07/09/1985)

Suas experiências na pintura evidenciam o aprendizado da linguagem modernista. Em 1956, entrou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) e, concomitantemente, trabalhou como cenógrafo, figurinista e diretor no grupo de teatro amador da Comunidade de Trabalho Cristo Operário, na periferia de São Paulo.

Em 1958, passou a integrar o Teatro de Arena. No ano seguinte, estreou como cenógrafo do grupo em Gente Como a Gente, dando início à parceria artística com Augusto Boal. Em 1960, concebeu os cenários e figurinos de "Morte e Vida Severina" para o Teatro Experimental Cacilda Becker, fazendo uso dos tecidos, das técnicas artesanais e referências à cultura brasileira. Começou em 1962 a trabalhar para o Teatro Oficina, de José Celso Martinez Corrêa.

No Teatro Oficina, participou de "Um Bonde Chamado Desejo", "O Melhor Juiz: o Rei e Andorra", entre outros projetos. Teve ainda importantes realizações no Teatro Arena, como "Arena Conta Zumbi" (1965) e "Arena Conta Tiradentes" (1967). Em 1968, dirigiu e cenografou "Os Fuzis de Dona Tereza", adaptação da obra de Brecht para o Teatro da Universidade de São Paulo (TUSP) e fora do Teatro Oficina, mas ao lado de Zé Celso, criou o cenário e o figurino de "Roda Viva", em que estão presentes o colorido e as referências à cultura pop do Tropicalismo.

Na década de 1970, deu início à parceria com Fauzi Arap em espetáculos teatrais e musicais. Realizou trabalhos elogiados em "Labirinto: Balanço da Vida", "Pano de Boca" e "Um Ponto de Luz", textos e direção de Fauzi Arap, e, também com direção deste, cenografou espetáculos musicais entre os quais se destacam os trabalhos com Maria Bethânia.

Foi professor da Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/USP), entre 1962 e 1966. Lecionou, entre 1962 e 1977, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), escola na qual voltou a dar aulas em 1985. Entre 1964 e 1967, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), e na Faculdade de Belas Artes de São Paulo, entre 1981 e 1985. No fim da década de 1970 e inicio dos anos 1980, Flávio Império retomou sua atividade como artista plástico, além de desenvolver projetos para o Teatro Popular do Sesi (TPS) como os cenários de "A Falecida" (1979), e de "Chiquinha Gonzaga, Ó Abre Alas" (1983).

Comentário Crítico

Flávio Império era um dos cenógrafos responsáveis, entre as décadas de 1960 e 1980, pela transição do estilo decorativo (voltado simplesmente à ambientação temporal e espacial da peça, acrescido da ideia de "embelezamento") para uma cenografia não-ilusionista, na qual os cenários e objetos evidenciam suas funções simbólicas e estruturais. O trabalho era desenvolvido em conjunto com o diretor e fazia parte de um processo elaborado com base no conceito da encenação. A cenografia passou a refletir uma ideia  ajudou a contar uma história e foi criada simultaneamente aos ensaios e concepção da montagem. O ator e sua presença em cena tinham grande importância para a definição do projeto. Os espetáculos eram encenados em vários espaços e de diferentes formas de acordo com a proposta e muitas vezes se transcendia os limites do palco italiano, em busca de uma maior comunicação com o público.

As obras de Flávio Império em cenografia, figurino e direção mostravam uma pluralidade de linguagens, encaminhamentos e pesquisas. Inicialmente, seus trabalhos faziam referências às ideias de Bertolt Brecht, e essa influência tornou-se cada vez mais frequente em seus projetos, nas décadas de 1960 e 1970. Não existia mais a preocupação em esconder as estruturas e os processos de construção, tanto do espaço cênico quanto dos objetos.

O conjunto das produções de Flávio Império podia ser dividido em três fases: o início, no Teatro de Arena e sob influência de Augusto Boal; a parceria com José Celso e o Teatro Oficina, que lhe permitiu, especialmente a partir da segunda metade da década de 1960, a junção de técnicas cenográficas artesanais - e muitas vezes rústicas - ao ideário do Tropicalismo; e as décadas de 1970 e 1980, quando, tendo já desenvolvido pesquisas estéticas bastante pessoais, Flávio Império as aplicou não apenas no teatro, mas também em shows musicais, contribuindo para modificar a visualidade desses espetáculos.


O trabalho no Teatro Arena foi marcado, antes de mais nada, pela necessidade de reelaboração da cenografia em função da própria disposição espacial circular: tendo para trabalhar não um palco italiano, espécie de "caixa" que facilitava a criação de uma cenografia ilusionista e decorativa, mas um palco em que os atores estavam cercados pelo público, o cenógrafo foi obrigado a repensar o espaço e a utilizar objetos que fossem ao mesmo tempo simbólicos e funcionais. Flávio Império traduziu essa necessidade na utilização de praticáveis, que ganharam funções diversas conforme a demanda da peça, de cores e de objetos de cena carregados de grande valor dramático, isto é, capazes de condensar determinadas características de situações ou personagens.

Foi então que o artista começou a trabalhar com a escassez de recursos como possibilidade criativa, incorporando-a a seus projetos posteriores. Em "Morte e Vida Severina", espetáculo para palco italiano, utilizou tecidos crus tingidos (não apenas nas roupas mas também nos cenários) e objetos (máscaras, por exemplo) que apontavam para a força expressiva e a aridez encontradas na pintura modernista de artistas como Cândido Portinari, principalmente na sua série "Retirantes".

A liberação do ilusionismo reforçou a possibilidade de reinvenção dos espaços cênicos tradicionais mesmo em trabalhos realizados com bons recursos financeiros. É o caso de "Depois da Queda" (1964), em que o palco foi configurado como uma série de planos superpostos que remetiam à fragmentação da própria consciência do protagonista. Em trabalhos com o Teatro Oficina, como "Os Inimigos" (1966), apareciam também a utilização de elementos tradicionais, porém de maneira absolutamente crítica.

Mas é principalmente a partir de "Roda Viva" (1968) que Flávio Império incorporou o colorido e fontes da cultura popular que doravante apareciam como marcas de sua obra. O espetáculo, inspirado no movimento tropicalista, era inovador tanto na forma despudorada de abordar a cultura nacional quanto em termos espaciais (com a presença de uma passarela pela qual os atores "penetravam" na plateia). A revisão dos limites entre palco e plateia perpassava também o trabalho de Flávio Império como diretor: no mesmo ano, em "Os Fuzis de Dona Tereza", a plateia era invadida por um coro de atores que usava matracas em lugar de vozes. Flávio Império buscou com esse coro representar o povo brasileiro que vivia os dilemas da protagonista, divido entre o apoio ou não ao regime político, com essa mudança de foco do individual para o coletivo a intenção era mostrar o drama nacional, fazendo um paralelo com a situação do Brasil, na época.

Sylvia Ficher e Flávio Império
Em "Roda Viva" também aparecia outra característica marcante do trabalho de Flávio Império na década de 1970: a assemblage (colagem ou ajuntamento de figuras, objetos e elementos visuais, criando efeitos através do acúmulo - como num "amontoado" - ou da simples disposição espacial, como nas instalações das artes plásticas). Espetáculos como "Réveillon" (1975) e "Pano de Boca" (1976) ilustram bem este aspecto: em "Réveillon", o cotidiano de uma família de classe média era representado em seu caráter opressivo e sobrecarregado de signos, medos e limitações; cenograficamente, isso se traduzia em um apartamento feito de amontoados de jornais, móveis e utensílios, protegendo e sufocando a vida familiar. Em "Pano de Boca", foram unidos em assemblage, dentro de um galpão-teatro, objetos que remetiam a um passado teatral de glórias, mas absolutamente decadente - o que refletia também a situação do meio teatral brasileiro setentista, que sofria com o exílio de importantes criadores, a falta de perspectivas e a opressão da censura.

Tecidos utilizados em todas as suas possibilidades cromáticas e espaciais; luxo e "lixo" (despojos da cultura nacional) atrelados como reflexo da nossa brasilidade; inventividade na organização do espaço; pesquisa contínua de materiais alternativos: são esses os elementos que, já na década de 1970, fizeram de Flávio Império um dos nossos maiores cenógrafos. Tal maturidade artística aparecia não apenas no teatro, em espetáculos como "A Falecida" (1979), que compartimentava o palco italiano em diversos ambientes basculantes e interligados, mas também nos shows. Em trabalhos com grandes nomes da música popular como Maria Bethânia e o grupo Doces Bárbaros, o artista transformava as antigas apresentações inspiradas em recitais eruditos e em orquestras de baile em verdadeiros espetáculos visuais, carregados de teatralidade e plasticidade.

Tais aspectos aparecem cristalizados, enfim, nas obras dos últimos anos de vida do artista, tais como "Patética" (1980); "Chiquinha Gonzaga: Ó Abre Alas" (1983) - com cenários e figurinos inspirados nos antigos e modernos carnavais de rua; e "O Rei do Riso" (1985). A última realização do artista foi a cenografia de um espetáculo de sua mais fiel parceira no meio musical: Maria Bethânia, no show "20 Anos de Paixão".

Flávio Império morreu perto de completar 50 anos, no Hospital do Servidor Público Estadual, vitimado por uma infecção bacteriana nas meninges causada pela AIDS.



domingo, 3 de março de 2013

Bispo do Rosário

ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO
(80 anos)
Artista Plástico

* Japaratuba, SE (14/05/1909)
+ Rio de Janeiro, RJ (05/07/1989)

Arthur Bispo do Rosário foi um artista plástico brasileiro que viveu por meio século recluso em um hospital psiquiátrico. Transitando entre a realidade e o delírio, acreditava estar encarregado de uma missão divina e utilizava materiais dispensados no hospital para produzir peças que mapeavam sua realidade. Valendo-se da palavra como elemento pulsante, manipulou signos e brincou com a construção e desconstrução de discursos para criar bordados, assemblages, estandartes e objetos que seriam, posteriormente, consagrados como obras referenciais da arte contemporânea brasileira.

Pouco se conhece de sua infância e adolescência. O que se sabe é que nasceu na cidade de Jarapatuba, em Sergipe. Uns dizem que em julho de 1909. Outros, em março de 1911. A data mais aceita é 14 de maio de 1909. Aos 16 anos, foi inscrito pelo pai na Escola de Aprendizes de Marinheiros de Sergipe e embarcou num navio como ajudante-geral. Ficou na instituição até 1933, viajando pelo País e colecionando advertências por comportamentos inadequados. Mas também se tornou um bom boxeador. Foi campeão sul-americano na categoria peso-leve.

Quando foi afastado da instituição, estava no litoral do Rio de Janeiro. Sua rotina era perambular pela cidade, fazendo pequenos bicos. Até ser aceito como lavador de bondes da Light. Um dia sofreu um acidente de trabalho e ao levar o caso à Justiça, conheceu o advogado  Humberto Magalhães Leoni, que, sensibilizado, convidou Bispo do Rosário para morar num quartinho em sua casa. O sergipano tornou-se ajudante geral da família. Tudo ia bem até que vozes mudaram seu destino.


Considerado louco por alguns e gênio por outros, a sua figura insere-se no debate sobre o pensamento eugênico, o preconceito e os limites entre a insanidade e a arte, no Brasil. A sua história liga-se também à da Colônia Juliano Moreira, instituição criada no Rio de Janeiro, na primeira metade do século XX, destinada a abrigar aqueles classificados como anormais ou indesejáveis - doentes psiquiátricos, alcoólatras e desviantes das mais diversas espécies.

Na noite 22 de dezembro de 1938, despertou com alucinações que o conduziram ao patrão, o advogado Humberto Magalhães Leoni, a quem disse que iria se apresentar à Igreja da Candelária. Saiu da casa e começou uma peregrinação por igrejas cariocas. Depois de peregrinar pela Rua Primeiro de Março e por várias igrejas do então Distrito Federal, terminou subindo ao Mosteiro de São Bento, onde anunciou a um grupo de monges que era um enviado de Deus, encarregado de julgar os vivos e os mortos. Dois dias depois foi detido e fichado pela polícia como "negro, sem documentos e indigente", e conduzido ao Hospício Pedro II, o hospício da Praia Vermelha, primeira instituição oficial desse tipo no país, inaugurada em 1852, onde anos antes havia sido internado o escritor Lima Barreto.

Um mês após a sua internação, foi transferido para a Colônia Juliano Moreira, localizada no subúrbio de Jacarepaguá, sob o diagnóstico de "esquizofrênico-paranoico". Na Colônia Juliano Moreira recebeu o número de paciente 01662, e permaneceu por mais de 50 anos e, dentro de um quartinho apertado, produziu um dos mais fantásticos conjuntos de obras do País. Tudo alheio ao que acontecia além dos limites do hospício. De forma absolutamente intuitiva, sem frequentar escolas de arte ou ler livros, Arthur Bispo do Rosário deixou acadêmicos abobados com sua expressividade e originalidade.

Na Colônia Juliano Moreira, Bispo do Rosário repetia a história para quem quisesse ouvir: "Vozes dizem para me trancar num quarto e começar a reconstruir o mundo". E assim fez.

Produzia sem parar, mesmo sob forte medicação e choques elétricos. Os companheiros de manicômio o ajudavam na missão, buscando entulhos e papelões que serviriam para seu trabalho. Às vezes ficava meses sem sair do quarto, numa jornada de 16, 18 horas por dia. Sete anos depois, a voz reapareceu: "A obra está concluída".

Em determinado momento, Bispo do Rosário passou a produzir objetos com diversos tipos de materiais oriundos do lixo e da sucata que, após a sua descoberta, seriam classificados como arte vanguardista e comparados à obra de Marcel Duchamp, o francês que criou o conceito de que objetos do cotidiano poderiam ser levados para o campo das artes. Entre os temas, destacam-se navios (tema recorrente devido à sua relação com a Marinha na juventude), estandartes, faixas de misses e objetos domésticos. Tudo com beleza, ineditismo, múltiplos significados. Seguia uma linha convergente ao que se discutia sobre arte contemporânea mundial, mesmo sem ter nenhum contato com influências exteriores.

Os objetos recolhidos dos restos da sociedade de consumo foram reutilizados como forma de registrar o cotidiano dos indivíduos, preparados com preocupações estéticas, onde se percebem características dos conceitos das vanguardas artísticas e das produções elaboradas a partir de 1960.

Utilizava a palavra como elemento pulsante. Ao recorrer a essa linguagem manipula signos e brinca com a construção de discursos, fragmenta a comunicação em códigos privados.

Inserido em um contexto excludente, Bispo do Rosário driblava as instituições todo tempo. A instituição manicomial se recusando a receber tratamentos médicos e dela retirando subsídios para elaborar sua obra, e museus, quando sendo marginalizado e excluído, é consagrado como referência da Arte Contemporânea brasileira.


Cavalheiro e Solitário

A fama de Bispo do Rosário se alastrou pela cidade e, depois, pelo país. Bispo do Rosário recebia visitas de estudiosos, artistas, curiosos. Aos que queriam conhecer seu ateliê improvisado, fazia uma intrigante pergunta: "Qual é a cor do meu semblante?". Se não gostasse da resposta, encerrava a visita.

Para quem o chamava de artista, rebatia: "Não sou artista. Sou orientado pelas vozes para fazer desta maneira".

Tornou-se uma lenda, estudado por várias correntes do conhecimento. "É possível analisá-lo pela Psicanálise, pela Sociologia, pela História da Arte, pela Semiótica e pela Antropologia", avalia Jorge Anthonio e Silva, autor de "Arthur Bispo do Rosário – Arte e loucura" (Quaisquer, 2003).

Manto da Apresentação

Entre as suas obras de maior impacto, está o "Manto da Apresentação", que Bispo do Rosário deveria vestir no dia do Juízo Final. Com eles, Bispo do Rosário pretendia marcar a passagem de Deus na Terra. O "Manto da Apresentação" é uma veste com um emaranhado de pequenos símbolos e figuras, como tabuleiros de xadrez, mesas de pingue-pongue, ringues de boxe, crucifixos. Destaca-se também uma espécie de Arca de Noé, construída com papelão e pano, destinada a salvar o mundo. Além de uma nave que o levaria para o céu. Suas obras foram expostas em galerias de arte da cidade. Mas Bispo do Rosário não era muito favorável a que elas saíssem do ateliê. As tratava como filhas, perguntava até se estavam bem.

Bispo do Rosário era um homem sério, de poucas palavras. Um cavalheiro com as mulheres. Gostava de andar limpo e ficava semanas sem se alimentar. Sentia-se um enviado de Deus, uma espécie de Cristo. Gostava de concurso de misses e quase nunca era violento. Mas sempre solitário.

"Os doentes mentais são como beija-flores: nunca pousam, ficam sempre a dois metros do chão", costumava dizer.

Estátua de Bispo do Rosário em sua cidade natal, Japaratuba, Sergipe
Morte

Em 5 de junho de 1989, se sentiu mal e foi atendido no setor médico. Estava muito magro pelos jejuns. Morreu horas depois, vítima de infarto, aos 80 anos.

"Ele morreu na solidão de sua cela, sem ver seu império classificado como obra de arte, percorrendo o mundo",  disse a escritora Luciana Hidalgo, autora de "Arthur Bispo do Rosário - O Senhor do Labirinto" (Rocco, 1997). "Mas, aos olhos da crítica e do público, já era um artista".

Após várias exposições pelo país, a obra de Bispo do Rosário representou o Brasil na prestigiada Bienal de Veneza, na Itália, em 1995.

Hoje a Colônia Juliano Moreira não funciona mais como manicômio. O espaço abriga o Museu  Bispo do Rosário de Arte Contemporânea.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Santa Rosa

TOMÁS SANTA ROSA
(47 anos)
Cenógrafo, Artista Gráfico, Ilustrador, Pintor, Gravador, Decorador, Figurinista, Professor e Crítico de Arte

* João Pessoa, PB (20/09/1909)
+ Nova Délhi, Índia (29/11/1956)

Tomás Santa Rosa, também conhecido por Santa Rosa, tornou-se famoso em meados do século XX, época em que assinava com as iniciais SR as ilustrações das capas de alguns dos escritores mais importantes daquela geração. Os mais próximos o chamavam simplesmente de "Santa".

É reconhecido principalmente como cenógrafo, ou melhor, o primeiro cenógrafo moderno brasileiro, porém a atividade a qual se dedicou ao longo de sua vida foi a de ilustrador de livros. Entretanto o seu trabalho no ramo dos livros não era apenas ilustrá-los, era mais do que isso. Ele desenvolvia identidades visuais para os livros, ou seja, fazia um planejamento visual para estabelecer uma unicidade às publicações de determinada editora. Atualmente, o profissional que exerce esse tipo de atividade é o designer gráfico.

Como cenógrafo criou o espaço cênico para o espetáculo "Vestido de Noiva" (1943), de Nelson Rodrigues, trabalho que revolucionou a concepção cenográfica do Brasil. Como designer gráfico projetou e também ilustrou livros para a Livraria José Olympio Editora. Entre os autores dos livros estavam José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade. Como pintor, auxiliou Cândido Portinari na preparação de diversos murais.


Vida

Tomás Santa Rosa nasceu na cidade de João Pessoa, capital do estado da Paraíba. Quando criança estudou piano e fez parte de um coral. Quase na casa dos 20 anos já trabalhava como contabilista. Nessa época passou no concurso público para ocupar cargo de mesma função no Banco do Brasil. Já contratado, foi transferido para a cidade de Salvador, BA. De lá foi para a cidade de Maceió, AL, onde participou do movimento intelectual local.

Tomás Santa Rosa não tinha formação acadêmica, era autodidata.

Em 1932, mudou-se para o Rio de Janeiro, então a capital do Brasil e o local de concentração de artistas e intelectuais do todo país. Naquele período o país vivia um momento de explosão do mercado editoral e de valorização artística.

Tomás Santa Rosa morreu aos 47 anos durante uma viagem a Índia para participar, primeiro, como representante do Brasil na Conferência Internacional de Teatro, em Bombaim, depois, como observador da 9ª Conferência Geral da Unesco Para a Educação, a Ciência e a Cultura, em Nova Délhi.

Meninas Lendo (Óleo Sobre Tela)

Alguns Projetos Gráficos de Livros

Seu primeiro projeto gráfico foi para o livro "Cahétes" de Graciliano Ramos, em 1933, Livraria Schmidt Editora.


Alguns Projetos Para Ariel Editora:

Alguns Projetos Para Livraria José Olympio Editora:

Alguns Cenários:
  • 1937 - "Ásia", de Henri-René Lenormand, Rio de Janeiro, RJ
  • 1942 - "Orfeu", de Jean Cocteau, Rio de Janeiro, RJ
  • 1943 - "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues
  • 1944 - "Pelleas e Melisanda", de Maurice Maeterlink, Rio de Janeiro, RJ
  • 1953 - "A Falecida", de Nelson Rodrigues, Rio de Janeiro, RJ
  • 1954 - "Senhora dos Afogados", de Nelson Rodrigues

Algumas Pinturas:
  • "Pescadores", s.d.; óleo s/ tela, c.i.d.; 60 x 80 cm - Coleção Particular
  • 1940 - "Meninas Lendo", 1940; óleo s/ tela, c.i.d.; 72 x 84 cm
  • 1943 - "Pescadores", óleo s/ tela, c.i.d.; 54 x 64,9 cm - Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ)
  • 1945 - "Na Praia", óleo s/ tela, c.i.d.; 64,5 x 80 cm
  • 1948 - "O Vento", óleo s/ madeira, c.i.d.; 46 x 55 cm
  • 1950 - "Cabeça", óleo s/ tela, c.s.d.; 70 x 60 cm
  • 1950 - "Duas Mulheres", óleo s/ tela, c.i.d.; 56 x 47 cm
  • 1955 - "Mulheres na Praia", óleo s/ tela; 50 x 68 cm

Fonte: Wikipédia