Mostrando postagens com marcador Policial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Policial. Mostrar todas as postagens

Mariel Mariscot

MARIEL MARISCOT DE MATOS
(41 anos)
Policial e Membro do Esquadrão da Morte

☼ Niterói, RJ (06/1940)
┼ Rio de Janeiro, RJ (08/10/1981)

Mariel Mariscöt de Matos foi um policial brasileiro. Atuou no Rio de Janeiro na década de 60, e destacou-se por ser acusado de pertencer ao Esquadrão da Morte Scuderie Detetive Le Cocq.

"Eu sou Mariel Mariscot de Matos. Lutei muito, fui feliz, amei. Fui amado por uns e odiado por outros. Subi morros, corri atrás de bandidos, troquei tiros, matei. Fui julgado e condenado. Estou cumprindo pena, mas ainda não fui mutilado, a vida não me embruteceu. Dizem que estou condenado á morte pelos meus companheiros de cela. Não acredito. Ontem estava em apuros, hoje estou tranqüilo e, amanhã, quem sabe, poderei estar novamente nas ruas, andando livremente, convivendo com a sociedade, essa mesma sociedade que me condenou e a quem eu defendi e me esqueceu no fundo do cárcere."

Nascido em Niterói, em junho de 1940, filho de Ariel Mariscot de Matos e de Maria Araújo Mariscot de Matos, Mariel foi com a família morar em Salvador, na Bahia. Quando completou três anos de idade, seu pai morreu vítima de enfermidade incurável. Durante cinco anos Maria Araújo Mariscot de Matos lutou sozinha para criar os dois filhos, Roberto e Mariel.

Cinco anos depois, ela se casou novamente e regressou ao Rio de Janeiro, indo morar em Bangu, na Zona Oeste, com o novo marido, o terceiro sargento do Exército, Wilson de Azevedo Brito, e os dois filhos: Roberto, com seis anos e Mariel, com oito. Era o ano de 1948.

Mariel, seus pais e seu irmão moravam no subúrbio carioca, numa casa humilde, de pau-a-pique. Com o soldo de sargento, o padrasto de Mariel precisava contar com a renda de Dona Maria que costurava para fora. Os meninos ajudavam fazendo bainha nas saias. O tempo passava, Wilson foi promovido a primeiro-sargento, e pôde proporcionar uma vida melhor à família. Mudou-se para uma casa de alvenaria com todas as dependências. Nessa época, Mariel já era rapazinho. Estudava à noite, trabalhava e, pela manhã, treinava natação e water-polo à tarde, no Esporte Clube Bangu. Foi campeão carioca de natação e saltos ornamentais.

Aos 17 anos se alistou na Divisão Aero-Terrestre como paraquedista. Sua carreira militar foi curta, mas bastante para despontar como um soldado arrojado e de coragem invejável, que substituía, voluntariamente, os companheiros escalados para saltos. Com isso ele mantinha o número necessário de saltos para receber soldo maior do que um soldado comum.

A vidinha de Bangu já não satisfazia mais os anseios daquele jovem militar apontado como um dos mais corajosos do corpo de paraquedistas. Mariel via nas revistas que o padrasto levava para casa, um mundo diferente, cheio de prédios, boates, praias e mulheres bonitas. Esse mundo ficava apenas a alguns quilômetros de Bangu. Seu nome: Copacabana.

Através dos jornais, o inquieto Mariel tomou conhecimento da abertura de um concurso para o cargo de guarda-vidas. Era o caminho aberto para concretizar um de seus sonhos. O suburbano de classe média baixa sonhava com um mundo de cores, dinheiro e aventuras. Ele sonhava com o glamour da zona sul do Rio de Janeiro. E mais, custasse o que custasse, Mariel queria ser rico.


Prestou os exames e conseguiu ser um dos primeiros colocados com nota muito acima da média. Como membro do Corpo Marítimo de Salvamento, ele pôde alugar um pequeno apartamento e habitar no mundo que sempre desejou, o mesmo mundo que o levaria ao auge da fama e o arrastaria às celas de uma prisão. Finalmente, Mariel Mariscot de Matos estava morando em Copacabana.

Em 1963, fez concurso para a Polícia Civil e passou em todas as provas. Como policial foi designado para trabalhar num sub-posto de Bangu. Depois de tanto esforço para morar em Copacabana, acabou voltando ao bairro onde moravam seus pais. Nos dias de folga, se apresentava para fazer um "extra" na delegacia de Copacabana.

Foi nas rondas na delegacia da Zona Sul que Mariel aprendeu, com um simples olhar a distinguir o punguista do assaltante, o ladrão de praia do traficante de drogas, o estelionatário do vagabundo de rua. Foi na delegacia de Copacabana que ele aprendeu a técnica de interrogar e de perseguir bandidos nos morros, a ter vivência nas casas noturnas e de atirar e correr atrás de bandidos.

Foi na empolgação de seus 21 anos de idade que Mariel Mariscot matou pela primeira vez, quando deu um flagrante de assalto e os bandidos resistiram à voz de prisão. Daí em diante, ele passou a ser conhecido como o Ringo de Copacabana. Naquela ocasião, Mariel rendeu, com uma pistola calibre 45 em cada uma das mãos, um delegado de polícia que queria prendê-lo sob a acusação de homicídio.

Desde o dia em que matou pela primeira vez, passando por uma trajetória invejável de prisão de bandidos famosos e o assassinato de um motorista de táxi e o momento em que o promotor Silveira Lobo lhe deu voz de prisão com a preventiva já decretada, sob a acusação de pertencer ao Esquadrão da Morte, muitos lances emocionantes e perigosos marcaram a vida de Mariel Mariscot de Matos.

No carro da polícia que o conduzia ao Ponto Zero, onde fica o Batalhão da Polícia Militar, junto com César, seu companheiro de prisão, Mariel falou da necessidade de fugir para provar sua inocência. César não só concordou, como prometeu segurar a onda, enquanto o parceiro tentava reunir as provas. A fuga era uma decisão irrevogável. Na cela, César e Mariel acertaram detalhes. Só não marcaram data. Primeiro tinham que estudar bem aquela prisão, para que tudo saísse da melhor maneira possível. Durante alguns meses eles permaneceram com os outros presos, partilhando jogos, fazendo juntos as refeições e dormindo quando soava o toque de recolher. A idéia de fuga martelava a cabeça de Mariel.

Num trabalho que exigiu muita paciência, ele passou a cronometrar tudo o que acontecia na prisão. Havia a sala de jogos que fechava às 18:00 hs. Só às 21:00 hs eram trancadas as portas das celas. Esse detalhe fez com que Mariel concluísse que o melhor horário para a fuga era entre 17:55 hs e 18:05 hs. Era o tempo em que os carcereiros estavam ocupados em encerrar o movimento da sala de jogos que fechava cinco minutos depois. Aqueles dez minutos eram importantes, porque, dentro desse tempo, era feita a substituição da guarda, no portão principal da cadeia. No dia programado para a fuga estava chovendo e os guardas procuravam proteção embaixo de uma grande marquise. Na área por onde deveria escapar, o sentinela andava de um lado para o outro.

Mariel Mariscot anotou: eram cinquenta passadas de ida e o mesmo na de volta. Exatamente na volta, o guarda ficava de costas, tempo suficiente para que ele ganhasse a passarela do terceiro andar. A sala de jogos estava quase vazia. Mariel subiu na janela. Deu um salto e agarrou ao parapeito, passou da janela para um andaime colocado para o banho de sol dos presos. Em determinado momento, teve que se abaixar para não ser visto pelo carcereiro que dava ordens aos retardatários da sala de jogos.


Agarrado a parede, Mariel se deslocou do lance da passarela para o outro lance, mais abaixo. Desta forma conseguiu chegar a parte externa do prédio. Corpo reto, respiração ofegante, ele avançou e atingiu a terceira janela. Todo o cuidado era pouco. No andar de baixo, dois soldados da Polícia Militar conversavam animadamente. Bastava uma olhada para cima e Mariel estaria descoberto. A chuva ajudava, os soldados saíram daquele ponto e ele continuou em sua escalada. Na quarta e última passarela do pavilhão, Mariel deu um giro no corpo, entrou novamente no prédio e alcançou o saguão da entrada principal. Diante dele estava apenas a escada que o levaria para a liberdade.

Elza de Castro, atriz e sua mulher na época, estava a sua espera com o motor do carro ligado, na Avenida Brasil. Mariel entrou, se acomodou no banco do carona e partiram rumo ao Sul do país. O final da viagem seria o Paraguai. No caminho, depois de contar todos os detalhes da fuga, Mariel divertia Elza de Castro lembrando os lances do homem que matou em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, quando surpreendeu três bandidos tentando assaltar um comerciante.

"Aquele nunca mais vai assaltar ninguém. Eu não queria matar, mas o cara reagiu e não tive outra alternativa senão manda-lo para o inferno. Foi uma jogada de sorte. Nós íamos passando, eu e o César. Ali, perto da Rua Álvaro Ramos diminuímos a marcha do carro. A gente já tinha recebido reclamações que ali estava havendo assaltos com muita freqüência. Entramos na Rua General Góis Monteiro e vimos um homem sendo assaltado. Fui incisivo. Parei o carro de repente. César desceu de um lado e eu do outro. Ficamos distantes para não chamar a atenção.
Observamos que a vítima mantinha as mãos espalmadas na altura do peito. Um homem estava na frente dele e o outro atrás, enquanto o terceiro revistava seus bolsos. Não havia dúvida de que se tratava de um assalto. Me aproximei sorrateiramente por entre os carros e gritei: 'Mãos na cabeça que é a polícia!'.
A resposta foi na hora. Um dos caras se virou, apontou a arma e começou a atirar. Por alguns segundos fiquei em posição difícil, me protegendo por entre os carros estacionados, sem poder atirar para não atingir o cara que estava sendo assaltado. Os bandidos estavam se escudando na vítima. Eles atiraram novamente, rolei por entre os carros e ganhei melhor posição. Um dos bandidos ficou bem descoberto. Fiz pontaria e atirei na cabeça dele. O outro estava preocupado com César que se aproximava atirando do outro lado. Saltei por cima do capô de um carro e atirei na testa do segundo assaltante. Ele ainda estava caindo quando atirei novamente acertando-o no peito. O assaltante rodopiou e caiu. César chegou correndo e, pensando que eu também estivesse morto já ia atirar novamente na cabeça do assaltante. Eu gritei: 'Calma compadre, eu estou bem. A vítima dos bandidos, o comerciante Hélio Tamassini, estava tremendo, encostado na parede de um prédio. César examinava os homens feridos, percebeu que estavam graves e decidimos leva-los para o Pronto Socorro. Um deles morreu antes de chegar ao Hospital Miguel Couto. O outro escapou."


Mariel Mariscot foi morto em 1981, no centro do Rio de Janeiro, quando estacionava o carro para uma reunião com bicheiros.




Veja Também:

Lúcio Flávio
Madame Satã
Preto Amaral
Maria Bonita

Sérgio Fleury

SÉRGIO FERNANDO PARANHOS FLEURY
(45 anos)
Policial

* Niterói, RJ (19/05/1933)
+ Ilhabela, SP (01/05/1979)

Sérgio Fernando Paranhos Fleury foi um policial que atuou como delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, durante a ditadura militar no Brasil e ficou notoriamente conhecido por sua pertinácia ao perseguir os opositores do regime. Sofreu diversas acusações formais pelo Ministério Público pela contumácia na prática de tortura e homicídios contra os opositores do golpe de estado orquestrado pelos militares em 1964.

Vários depoimentos, testemunhas e relatos de presos políticos, apontam que ele usava sistematicamente a tortura durante os interrogatórios que comandava na época do regime militar brasileiro. Vários dos militantes que eram capturados pelo delegado Fleury não resistiram a essas torturas e acabaram morrendo, como no caso de Eduardo Collen Leite, guerrilheiro de renome, que foi torturado por cerca de quatro meses.

Sérgio Fleury foi o principal responsável pela tentativa de captura e morte de Carlos Marighella, ícone da extrema-esquerda, apontado como participante da Chacina da Lapa e de mais uma série de casos envolvendo combate e morte de opositores do regime.

Carreira

Bacharel em Direito, delegado em 1966, atuou no serviço de radio-patrulhamento da cidade de São Paulo, ganhando notoriedade no combate enérgico às organizações armadas de esquerda, utilizando-se também de violência.

Em 1968, foi requisitado pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), para lutar contra os movimentos de oposição ao governo militar no Brasil.

Pela sua participação nas ações desenvolvidas pelas Forças Armadas do Brasil durante a chamada "guerra subversiva", foi condecorado pelo Exército Brasileiro com a Medalha do Pacificador e pela Marinha de Guerra com o título de "Amigo da Marinha".

Sérgio Fleury participou da prisão dos estudantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), Congresso de Ibiúna, 1968. Foi acusado de determinar o extermínio de militantes comunistas em São Paulo (1968-1969). Chefiou a captura, seguida da troca de tiros que matou Carlos Marighella em 04/11/1969 e de buscas visando a prender diversos opositores à ditadura militar ligados a este último, em 1971.

A Inversão da Tática

Ao contrário dos métodos do Exército, empregados na repressão aos movimentos subversivos nos demais estados brasileiros, que copiavam modelos empregados pela França e pelos Estados Unidos na luta contra a insurgência, envolvendo equipamentos sofisticados e até o uso de satélites, o delegado Sérgio Fleury adotou a inversão dessa tática.

Um artigo publicado na revista Veja de 12/11/1969, ressaltava que o sucesso de Sérgio Fleury no combate à luta armada da esquerda, deveu-se a sua experiência no combate aos criminosos comuns. Para ele, a motivação política era secundária.

"Um assalto a banco, praticado por um subversivo, deveria ser investigado como um assalto comum. O subversivo que roubasse um automóvel deveria ser procurado como qualquer 'puxador'."

A tática usada no cerco a Carlos Marighella foi a mesma empregada na captura de marginais. A revista, entrevistando um delegado do DOPS paulista, obteve a seguinte informação:

"Quando a gente prende um malandro, ladrão ou assassino, enfim um bandido, e a gente sabe que ele tem um companheiro, obrigamos o preso a nos levar até o barraco onde o outro mora. O bandido vai lá, bate na porta, o outro pergunta: 'quem é?', e o bandido responde: 'sou eu'. O camarada abre a porta e entram dez policiais junto com o bandido. Foi assim que Fleury obteve sucesso no combate à subversão: em cada dez diligências, sete eram proveitosas."

Esquadrão da Morte e Anistia Política

Além de acusado pela prática de tortura contra guerrilheiros, foi investigado e denunciado pelos Promotores de Justiça Hélio Bicudo e Dirceu de Mello por supostos assassinatos praticados pelo Esquadrão da Morte.

O delegado Sérgio Fleury foi apontado pelo Ministério Público de São Paulo como o principal líder desse Esquadrão. Apesar de algumas condenações, não chegou a cumprir pena.

Foi condecorado pelo governador Abreu Sodré em 1969, e foi escolhido Delegado do Ano em duas oportunidades, em 1974 e 1976, em meio a diversas acusações de tortura e homicídios.

Em 1978, na convenção da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) em São Paulo, apoiou a candidatura do coronel Erasmo Dias à Câmara dos Deputados. Opôs-se à anistia política promulgada em 1979.

Foi beneficiado por uma lei que facultava a liberdade aos réus primários e com residência fixa que ficou conhecida como Lei Fleury.

Morte

Sérgio Fleury morreu vítima de afogamento, segundo a sua mulher Maria Izabel Oppido, presente em sua lancha na madrugada do dia 01/05/1979. Seu corpo foi sepultado sem ter sido necropsiado, o que gerou comentários de que ele teria sido assassinado pela esquerda como vingança ou como "queima de arquivo" pelos seus antigos colaboradores da ditadura.

Segundo relatos no livro "Memórias de Uma Guerra Suja", o ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) do Espírito Santo, Cláudio Antônio Guerra, assume na condição de um ex-agente da repressão aos opositores da ditadura militar, que o também delegado Sérgio Paranhos Fleury teria sido assassinado por ordem dos próprios militares.

Segundo Claudio Guerra, "o delegado Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar e não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria".

Segundo o mesmo, "Fleury teria sido dopado e levado uma pedrada na cabeça antes de cair no mar, fato que justificaria a estranha ausência da necropsia do cadáver".

O delegado Sérgio Fleury era conhecido e temido publicamente no Estado de São Paulo como agente apoiador da ditadura, torturador e assassino de opositores ao regime militar. Assim, quando sua morte foi anunciada pelo jornalista Juca Kfouri no famoso Comício do Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, ainda durante o 1º de maio, ele teve a duvidosa homenagem de ter a notícia de sua morte festejada e efusivamente aplaudida por aproximadamente 100 mil pessoas.

Cinema

Sérgio Fleury é interpretado por Cássio Gabus Mendes no filme "Batismo de Sangue" (2007), do diretor Helvécio Ratton. Também por Ernani Moraes, como Delegado Flores no filme "Lamarca" (1994), de Sérgio Rezende. O personagem de um delegado da repressão interpretado pelo ator Carlos Zara no filme "Pra Frente Brasil" (1980), também é vagamente inspirado no delegado Sérgio Fleury.

Fonte: Wikipédia

Capitão Aza

WILSON VASCONCELOS VIANNA
(75 anos)
Ator, Policial e Apresentador de Programas Infantis

* Rio de Janeiro, RJ (27/02/1928)
+ Bonito, MS (03/05/2003)

Capitão Aza, nome artístico de Wilson Vasconcelos Vianna, foi um apresentador de programas infantis da televisão brasileira.

Com estas palavras, começava o programa "Clube do Capitão Aza", sucesso infantil da antiga TV Tupi Rio que esteve no ar durante 14 anos:

"… Alô, alô Sumaré! Alô, alô Embratel! Alô, alô Intelsat 4! Alô, alô criançada do meu Brasil! Aqui quem fala é o Capitão Aza, comandante em chefe das Forças Armadas Infantis deste Brasil."


História

O Capitão Aza foi criado em setembro de 1966, durante a Ditadura Militar, servindo como homenagem a um falecido herói da Força Aérea Brasileira (FAB) que lutou na Segunda Guerra Mundial, o capitão aviador Adalberto Azambuja, que era conhecido como "Aza" entre os aviadores.

O Capitão Aza, com seu uniforme aeronáutico e o capacete de piloto com o "A" com duas asas, era interpretado pelo ator e policial civil Wilson Vianna e foi criado para tentar superar o programa concorrente da TV Globo, "Capitão Furacão", tendo conseguido tal objetivo após alguns meses, liderando a audiência junto aos mais jovens.

O Capitão Aza buscava trazer à tona bons conselhos como estudar, respeitar os mais velhos, compartilhar da amizade, carinho e amor das pessoas. Sempre que possível e principalmente nos finais de semana, levava as crianças a passeios turísticos promovidos pela TV Tupi junto com os patrocinadores Riotur e Casas Sendas.

Ídolo de toda uma geração, passou a fazer parte do imaginário das crianças de então, que não parecem esquecê-lo até hoje.

O programa dava a oportunidade às crianças de se tornarem artistas através da "Mini Chance", espécie de programa de calouros, onde eles eram julgados por um júri. Os melhores ganhavam cadernetas de poupança e outros prêmios.

Durante os 13 anos que esteve a frente do programa Wilson Vianna visitou aproximadamente 100 escolas por ano, mantendo assim estreito contato pessoal com os fãs do programa. Em suas visitas sempre se fazia acompanhar de um policial-militar, um marinheiro, um bombeiro e um ex-oficial da Força Expedicionária Brasileira (FEB), levando a sua mensagem de civismo às crianças.

Nas datas festivas, como o 7 de setembro, desfilava com sua possante moto na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, além de exaltar os feitos dos ex-combatentes (pracinhas) na campanha da Segunda Grande Guerra Mundial.


O Programa

"Clube do Capitão Aza" era apresentado de segunda à sexta, inicialmente apenas para o Rio de Janeiro e a partir de 1974 para todo o Brasil via satélite Embratel. Teve diversas fases e durações. Chegou a 4:00 hs de duração e por fim, em 1979, 1:15 hs.

No princípio era apresentado de dentro de um pequeno avião. Já nos anos 70 ganhou um novo cenário, mais futurista, lembrando uma nave espacial.

Em 1974 ganhou mais um cenário. Com o advento da TV em cores o Capitão Aza teve de se adaptar à nova tecnologia e pintou seu capacete, até então branco, na cor abóbora, para ficar talvez mais visível no espaço de seu cenário. Os efeitos eram elaborados pelo técnico visual J. Reis.

Entre suas principais atrações, estavam os seriados "Jeannie é Um Gênio" e "A Feiticeira", os desenhos dos Heróis Marvel: Capitão América, Homem de Ferro, Thor, Hulk, Namor e Homem Aranha. Também houve espaço no horário para as séries de "Supermarionation", animações de marionetes, tais como, "Thunderbirds", "Capitão Escarlate", "Joe 90" e "Stingray".

Outros desenhos apresentados em seu programa foram "Turma da Pantera Cor de Rosa", "Grump, O Feiticeiro Trapalhão", "Anjo do Espaço", "Super Robin Hood", "Mr. Magoo", "Esper: O Garoto a Jato", "Vingadores do Espaço", "Robô Gigante", "Jerry Lewis" (desenho), "King Kong" (desenho), "Brasinhas do Espaço" entre tantas outras animações.

Em 1975, o "Clube do Capitão Aza" apresentou a série "Batman", com Adam West, pela primeira vez a cores. Também em 1975, foi resgatado o desenho "Speed Racer", que tinha sido exibido pela TV Globo carioca em 1972 e 1973, e como aquela ainda não era transmitida em rede nacional, não teve tanta repercussão. Quando exibido pela TV Tupi dentro do programa, o desenho alcançou o sucesso nacional.


Histórias Em Quadrinhos

Em 1973, o personagem Capitão Aza teve histórias em quadrinhos publicadas na revista "O Cruzeiro Infantil" da Editora O Cruzeiro.

Após o fim da editora em 1975, alguns títulos como "Pimentinha" e "Gasparzinho" passaram a ser publicados pela Editora Vecchi, outros como "Luluzinha" e "Heróis da TV", com personagens da Hanna Barbera, foram para a Editora Abril.

Mas o Capitão Aza, ao contrário dos outros personagens, não ganhou uma nova revista em quadrinhos. O personagem contudo, continuou associado aos quadrinhos quando, ainda em 1975, a TV Tupi fez uma parceira com a Bloch Editores, editora que publicava personagens da Marvel na época. O programa da TV Tupi que exibia a série "The Marvel Super Heroes", veiculou chamadas para as revistas da Bloch Editores e de seu "Clube do Bloquinho" que estavam sendo lançadas com os personagens que haviam sido publicados pela Editora Ebal, além de novos personagens nunca antes publicados aqui no Brasil. Todas as edições vinham com a coluna "Notícias do Capitão Aza" que divulgava as atividades do programa bem como as visitas, atividades e suas novas atrações. Essa parceira durou até 1978.


A Despedida

Em 1979, depois de 10 meses sem pagamento, assim como os demais funcionários da TV Tupi, Wilson Vianna apresentou o último "Clube do Capitão Aza", dizendo como despedida que teria de partir para uma missão no espaço.

Depois disso, houve uma tentativa de se rodar um filme sobre o personagem mas, por falta de patrocínio, o projeto foi cancelado.

Em 1981, estava praticamente certo o seu retorno pela TVS. Com contrato praticamente acertado com Moysés Weltman, diretor da TV na época, Wilson Vianna sofreu o seu segundo infarto.

Aconselhado pelos médicos e seus familiares a não voltar mais à televisão, pois poderia expor-se a mais um infarto, o que poderia ser fatal, o Capitão Aza se retirou definitivamente da mídia, preferindo se dedicar ao seu Hotel/Pousada em Penedo, região serrana do Rio de Janeiro, onde recebia velhos amigos como Flávio Cavalcanti, Roberto Carlos, Aérton Perlingeiro entre outros.

Ainda voltaria para algumas pontas cinematográficas em dois filmes: "Atrapalhando a Suate" (1983) com Dedé, Mussum e Zacarias e "Os Trapalhões e o Mágico de Oróz" (1985) com Os Trapalhões e Xuxa. Também participou de alguns capítulos da minisérie "Marquesa de Santos" (1983) na Rede Manchete.

Em 1985 teve na Rádio Bandeirantes AM do Rio de Janeiro, um programa de entrevistas ás segundas-feiras sempre ás 22:00 hs recebendo grandes nomes do cinema, televisão e teatro. Entre os que estiveram no programa "Mesa de Celebridades" destacam-se Jô Soares, Tibério Gaspar, Orlandivo e Alcione. Depois disso, preferiu viajar pelo mundo. Era também membro da Academia de Cinema de Hollywood.

Wilson Viana era delegado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, e além de interpretar o Capitão Aza atuou em 63 filmes.


Morte

Wilson Vianna morreu na madrugada de sábado, 03/05/2003 vítima de um infarto fulminante. Ele estava com a mulher, o filho e a nora passando uma temporada em Boito, no Mato Grosso do Sul. O corpo de Wilson Vianna foi levado para o Rio de Janeiro. O velório aconteceu na Capela C do Cemitério do Caju e o enterro às 12:00 hs de domingo, 04/05/2003.

Indicação: Miguel Sampaio

Estela Borges Morato

ESTELA BORGES MORATO
(22 anos)
Policial e Bancária

* Campo Limpo, SP (22/01/1947)
+ São Paulo, SP (07/11/1969)

Estela Borges Morato foi uma investigadora da Polícia Civil do Estado de São Paulo e a primeira mulher brasileira morta no cumprimento do dever, no exercício da profissão de policial. Nasceu na cidade de Campo Limpo, próximo a Jundiaí, Estado de São Paulo, em 22/01/1947. Fez o curso primário no Externato Santo Antonio, o ginásio e o curso científico no Colégio Paulistano.

Em 1964 tomou parte em um concurso bíblico instituído por uma estação de rádio da Capital Paulista, obtendo o primeiro lugar. Recebeu como prêmio mil discos e um aparelho de televisão. Em 18/12/1965 casou-se com Marcos Morato, união que se desfez com a sua morte em 1969.

Foi bancária, ingressando no Banco Comércio e Indústria de São Paulo, em 1966, através de concurso. Aperfeiçoando-se na profissão, fez o curso de Grafodactiloscopia bancária "Preventivo de Falsificação", na Academia de Polícia de São Paulo (Acadepol), onde, primeiramente, se familiarizou com a atividade policial.

Entrou para a carreira de investigadora de Polícia, mediante concurso público em 1969. Foi destacada para prestar serviço no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), onde de acordo com a opinião das autoridades com quem trabalhou foi exemplo de disciplina, abnegação e patriotismo.

Em 07/11/1969, deu com apenas 22 anos, sua vida cheia de crenças, sonhos e esperanças à glória e liberdade da terra que a viu nascer, quando no cumprimento do dever tomou parte com intrepidez o cerco destinado a prisão do perigoso Carlos Marighella, líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), chefe da subversão do Estado de São Paulo.

Estela Borges Morato, foi a primeira mulher brasileira e paulista a ser vítima de uma nobre audácia, no trabalho árduo contra o terrorismo, em defesa da sociedade, em defesa dos postulados cristãos e da Pátria Brasileira.

Os Fatos

Sozinho e confiante, o subversivo Carlos Marighella caminhou para o carro onde morreu. Repetia o erro de Gaúcho e de todo o seu esquema de segurança. A armadilha funcionava, deixando claro que as 23 prisões (Frei Fernando, ex-Frei Ivo, doze seminaristas dominicanos, dois jornalistas, sete outras pessoas) feitas em São Paulo e no Rio de Janeiro não haviam chegado ao conhecimento do líder maior do terrorismo.

Terroristas menores, em São Paulo, aparentemente sabiam das prisões e estavam alertas. A notícia havia chegado até o Rio Grande do Sul. Sete horas antes da morte de Carlos Marighella e uma antes da invasão policial ao Seminário Cristo-Rei, na cidade de São Leopoldo, o seminarista dominicano Carlos Alberto Toledo Cristo, Frei Beto, havia fugido. Ele era o encarregado de providenciar fugas de terroristas para o exterior.

Carlos Marighella não sabia do que se passava e caminhava para o carro. Então, a encenação policial terminou. Do carro dos "namorados" saltou o delegado Fleury dando voz de prisão. Os "operários" deixaram os materiais de construção e mostraram suas armas. Carlos Marighella correu, o ex-Frei Ivo, sentado à direção, abriu-lhe a porta direita e o tiroteio começou.

Frei Ivo saiu pela porta esquerda, braços levantados; os homens da segurança de Carlos Marighella responderam ao fogo enquanto fugiam; Frei Fernando deitou-se no banco traseiro. Cinco minutos depois estava tudo acabado. Dois mortos: Carlos Marighella e o protético Friederich Rohmann, que nada tinha com o terrorismo. E dois feridos: o delegado Rubens Tucunduva, com um tiro na perna, e a investigadora Estela Borges Morato, com um tiro na testa, falecendo dias depois.

A Crônica

No mês anterior, Estela escreveu uma crônica para o jornal editado pelo Sindicato dos Bancários que sintetizou a sua visão do mundo:

"Que Tipo de Mundo Você Queria?

Para esta pergunta, a resposta é sempre a descrição de uma utopia. Porém, eu gosto deste século, cheio de vivacidade e colorido, planos e esforços que nos fazem participar de uma experiência excitante e maravilhosa, sendo exatamente isso que dá a vida sua única atração verdadeira. Vida é movimento. Quero este mundo assim como ele é, com sonhos para sonhar, problemas para resolver e lutas para lutar. Vivamos intensamente a vida que Deus nos deu, afinal ela nos oferece mais prazer que dor, mesmo que haja sempre algo para ser resolvido ou remediado. Este mundo merece voto de confiança, porque ele é bom, só é mau para gente dura e de cabeça mole. O homem, enfrentando suas dificuldades, pode mostrar que é homem, aceitando o desafio. As dificuldades serão superadas e a vida valerá a pena ser vivida. Afinal já conquistamos a Lua."

Por reconhecimento dos seus contemporâneos, Estela Borges Morato foi homenageada com a designação do seu nome para uma das ruas da cidade de São Paulo e para uma Escola Estadual.

Ivan Kojak

IVAN BAPTISTA DIAS
(75 anos)
Policial Civil

* Rio de Janeiro, RJ (04/12/1935)
+ Brasília, DF (29/12/2010)

Conhecido como Ivan Kojak ou Ivan Gaguinho, era carioca nascido em 1935. Kojak ingressou nos quadros da Polícia Civil do Distrito Federal em 1960, como agente de polícia, e teve papel importante na Instituição, sendo um dos fundadores do Sinpol e presidente da Associação Geral dos Policiais Civis (Agepol) entre 1983 e 1987.

Com muita história na Instituição, Ivan Kojak mostrou-se verdadeiro apaixonado pelo trabalho policial, foi perseguido, preso e anistiado em épocas de repressão, mas isso não abalou sua vontade de lutar.

Uma das grandes conquistas durante sua gestão na Agepol, quando ainda o policial não podia filiar-se ao sindicato, foi um reajuste de cerca de 315% entre vencimentos, gratificações e outros benefícios, concedido já no fim do governo do presidente do Brasil João Baptista de Oliveira Figueiredo. Fato contado na revista Tribuna Policial em abril do ano de 2006.

Mesmo aposentado, o falecimento de Ivan Kojak foi considerado perda irreparável na Polícia Civil do Distrito Federal. Segundo o diretor do Sinpol, André Rizzo que visitou o policial às vésperas do natal, Ivan Kojak sempre foi atuante e preocupado com as causas da Instituição: "É um referencial para nós, homem de muitos amigos, sem dúvidas fará muita falta, pois nos ensinou a lutar de cabeça erguida por nossos ideais", declarou André Rizzo.

O presidente do Sinpol Wellington Luiz e a presidente da Associação dos Policiais Civis Aposentados e Pensionistas (Apcap), Sandra Lobo externam seus sentimentos pela perda do policial que tanto contribuiu para a história da Polícia Civil do Distrito Federal. "Agradecemos a Deus por ter nos dado a oportunidade de conhecer esse grande homem que está partindo, mas que deixou um legado de muitos ensinamentos", lamentou Wellington Luiz.

A última aparição de Ivan Kojak no meio policial foi durante as comemorações do dia do policial civil em abril de 2010, quando o Sinpol homenageou todos os seus sindicalizados com um churrasco no clube da Agepol, momento em que o aposentado teve oportunidade de se expressar em público e falar do seu orgulho de ser policial.

Título de Cidadão Honorário de Brasília

A Câmara Legislativa do Distrito Federal no dia 07 de maio de 2003 concedeu ao senhor Ivan Baptista Dias (Ivan Kojak), o título de Cidadão Honorário de Brasília através do deputado Fábio Barcellos (PL), pela sua dedicação e zelo durante 37 anos à polícia e a sociedade do Distrito Federal onde destacou-se como excelente policial, desempenhando com brilhantismo as suas funções e sendo reconhecido por todos nesta instituição.

No dia 23/04/2008, a Câmara Legislativa do Distrito Federal homenageou 152 policiais civis com moção de louvor, durante sessão solene que comemorou o Dia do Policial Civil. O presidente da Casa, deputado Alírio Neto (PPS), autor do requerimento para a sessão em conjunto com Milton Barbosa (PSDB), saudou os policiais antigos na pessoa de Ivan Kojak, ex-presidente da Associação Geral dos Servidores da Polícia Civil do DF (Agepol). Ele foi o principal responsável, segundo Alírio Neto, pela conquista da progressão na carreira.

Morte

Ivan Kojak faleceu vítima de Câncer. O policial estava internado desde o dia 15/12/2010 Hospital de Apoio de Brasília e faleceu às 19:05hs de quarta-feira, 29/12/2010.

Fonte:  Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal