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Luiza Bairros

LUIZA HELENA DE BAIRROS
(63 anos)
Administradora

☼ Porto Alegre, RS (27/03/1953)
┼ Porto Alegre, RS (12/07/2016)

Luiza Helena de Bairros foi uma administradora brasileira nascida em Porto Alegre, RS, no dia 27/03/1953. Foi ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Brasil entre 2011 e 2014.

Filha do militar Carlos Silveira de Bairros e da dona de casa Celina Maria de Bairros. Sempre foi estimulada pelos pais quanto a sua formação. Não causou estranheza a seus familiares quando começou a envolver-se com as questões raciais, pois no período de colégio sempre fazia parte de grêmios e na universidade pertencia a diretórios acadêmicos, demonstrando um forte interesse pela militância estudantil.

E foi na universidade, a partir de um amigo participante do diretório acadêmico, que teve seu primeiro contato com informações sobre os movimentos sociais americanos e ao conhecer o material dos Panteras Negras, ficou ainda mais entusiasmada com o caminho que estava traçando para sua luta política.

No início de 1979, participou da Reunião Anual da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência, ocorrida em Fortaleza. Foi impactada pela presença de inúmeros integrantes do Movimento Negro de várias regiões brasileiras, quando travou um contato mais próximo com o pessoal do Movimento Negro Unificado da Bahia e resolveu muda-se para Salvador, no mês de agosto do mesmo ano.


Entre 1976 e início da década de 1990 esteve envolvida em pesquisas relevantes para o conhecimento e combate do racismo no Brasil e nas Américas, como por exemplo sua participação na coordenação da pesquisa do Projeto Raça e Democracia nas Américas: Brasil e Estados Unidos. Uma cooperação entre CRH e a National Conference Of Black Political Scientists (NCOBPS).

Bacharel em Administração Pública e Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com conclusão em 1975; Especialista em Planejamento Regional pela Universidade Federal do Ceará (UFC) concluindo em 1979; Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutora em Sociologia pela Michigan State University no ano de 1997.

Com toda esta qualificação trabalhou entre 2001 a 2003 no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na coordenação de ações inter-agenciais e de projetos no processo de preparação e acompanhamento da III Conferência Mundial Contra o Racismo - relação Agências Internacionais/Governo/Sociedade Civil.

Entre 2003 a 2005 trabalhou no Ministério do Governo Britânico para o Desenvolvimento Internacional (DFID), na pré-implementação do Programa de Combate ao Racismo Institucional para os Estados de Pernambuco e Bahia.


Entre 2005 a 2007 foi consultora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), para questões de gênero e raça como coordenadora do Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI) na Prefeitura da Cidade do Recife, Prefeitura Municipal de Salvador e Ministério Público de Pernambuco.

Enquanto docente trabalhou na Universidade Católica do Salvador (UCSAL), Universidade Federal da Bahia (UFBA), dentre outras. Foi organizadora de alguns livros memoráveis e autora de vários artigos e dossiês. Coordenou diversos eventos na área do combate a discriminação racial.

Dona de uma trajetória respeitável, Luiza Bairros é reconhecida como uma das principais lideranças do movimento negro no País. Fez parte dos grupos de estudiosos e ativistas que contribuíram e lutaram para a superação do racismo e sexismo e esteve nas últimas décadas à frente de inúmeras iniciativas de afirmação da identidade negra na sociedade brasileira.

Pesquisadora na área de políticas públicas para população afro descendente, sempre trabalhou em prol da redefinição de novos caminhos para as mulheres negras, apresentando e sugerindo propostas em políticas voltadas para a igualdade racial e de gênero.

Coroando esta trajetória no dia 08/08/2008 tomou posse como titular da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial da Bahia (SEPROMI), no governo Jaques Wagner quando foi convidada pela presidente Dilma Rousseff a participar de seu ministério em 2011.

Morte

Luiza Helena de Bairros morreu em Porto Alegre, RS, na terça-feira, 12/07/2016, em virtude de um câncer de pulmão. O corpo de Luiza Bairros foi sepultado na tarde de quinta-feira, 14/07/2016, no Cemitério João XXIII, em Porto Alegre, RS.

O sepultamento foi realizado às 15h00, segundo a administração do jazigo. O velório teve início no dia da morte de Luiza Bairros no cemitério, mas o corpo foi transferido na quarta-feira, 13/07/2016, para o Memorial da Assembleia Legislativa, onde familiares, amigos e colegas de militância prestaram as últimas homenagens.

Após a solenidade na Assembleia, o corpo foi encaminhado diretamente para o jazigo.

Indicação: Miguel Sampaio

Jorge Wilheim

JORGE WILHEIM
(85 anos)
Urbanista, Arquiteto, Administrador Público, Político e Ensaísta

* Trieste, Itália (23/04/1928)
+ São Paulo, SP (14/02/2014)

Jorge Wilheim foi um dos principais urbanistas brasileiros. Com atuação política, que atravessou diversas siglas partidárias, foi um expressivo defensor, no Brasil, do chamado "planejamento estratégico", criado pelos teóricos catalães Manuel Castells e Jordi Borja. A propósito, foi o próprio Manuel Castells quem o definiu, à sua imagem e semelhança, como um "visionário pragmático, sempre interessado nos grandes debates intelectuais, mas também desconfiado da aristocrática alienação de certos teóricos de esquerda".

Tal vocação urbanística começou a se definir precocemente a partir do projeto para Angélica, em 1954, no Mato Grosso: uma cidade nova no meio de uma floresta, entre Campo Grande e Dourados, hoje no atual estado do Mato Grosso do Sul.

Com apenas 26 anos de idade, recém-formado arquiteto, aplicou a doutrina funcionalista de Le Corbusier (1887-1965) e criou uma separação funcional, com zonas comerciais e residenciais que se assemelham às superquadras propostas três anos depois por Lúcio Costa para o Plano Piloto de Brasília.

Jorge Wilheim é responsável por um legado inestimável de emblemáticos projetos, obras e conceitos, entre os quais vários cartões postais paulistanos, como o Vale do Anhangabaú (Primeiro entre 94 em concurso público para a reurbanização, 1981-91), o Parque Anhembi (1967-1973), em São Paulo, cujas instalações incluíram o Pavilhão de Exposições, o Palácio das Convenções e um hotel, e o Pateo do Collegio (Projeto de reurbanização, 1975).

Vale do Anhangabaú
Formou-se em 1952 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Venceu, nesse ano, concurso fechado para a elaboração do projeto hospitalar da Santa Casa de Jaú, então abriu escritório próprio para desenvolvê-lo. Depois foi convidado a projetar em Mato Grosso duas clínicas em Campo Grande e, em 1954, a conceber o projeto urbanístico da cidade de Angélica, para 15 mil habitantes, atualmente as duas cidades localizadas no estado do Mato Grosso do Sul.

Em 1957, participou do concurso para a realização do ante-projeto de plano diretor de Brasília, com Maurício Segall, Pedro Paulo Poppovic, Péricles do Amaral Botelho, Riolando Silveira, José Meiches, Rosa Kliass, Arnaldo Tonissi, Odiléia Helena Setti e Alfredo Gomes Carneiro. Cinco anos mais tarde, associado a Carlos Millan e Maurício Tuck Schneider, venceu o concurso para a construção do Edifício Jockey Club de São Paulo, no Largo do Ouvidor.

A partir de meados da década de 60, realizou inúmeros planos diretores para cidades em desenvolvimento, como Curitiba, PR e Joinville, SC, em 1965. Osasco, SP, em 1966. Natal, RN, em 1967. Goiânia, GO, 1968, e lançou também seu primeiro livro: "São Paulo Metrópole 65".

Em 1970 ingressou na vida pública como secretário estadual de Economia e Planejamento, na gestão Paulo Egydio Martins, entre 1975 e 1979.

Pateo do Collegio
Em 1981, associado a Rosa Kliass e Jamil Kfouri, venceu o concurso para a reurbanização do vale do Anhangabaú, construído e inaugurado dez anos mais tarde. O partido do projeto era a construção de um túnel para o tráfego motorizado, criando na cota do vale uma grande laje para a circulação de pedestres, que ganhou o caráter de uma extensa "praça pública". Contudo, dada a magnitude e relevância da obra para a cidade, o chamado Parque Anhangabaú revelou aspectos particulares da reflexão urbanística de Jorge Wilheim, tal como certa valorização da vida a pé, e uma associação esquemática, já um tanto anacrônica, entre identidade cívica e espaço aberto.

No governo Mário Covas, de 1983 a 1986, foi o titular da Secretaria Municipal de Planejamento (SEMPLA), e coordenou a elaboração do plano diretor de São Paulo de 1984 (não efetivado).

Em 1985, auxiliado por Jonas Birger, projetou o Centro de Diagnósticos do Hospital Albert Einstein, e tornou-se, no mesmo ano, presidente da Fundação Bienal de São Paulo.

No governo Orestes Quércia, de 1987 a 1991, foi nomeado secretário estadual do Meio Ambiente e, na administração seguinte, de Luiz Antônio Fleury Filho, entre 1991 e 1994, ocupou a presidência da Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo (EMPLASA).

Duas das suas principais marcas no Governo do Estado de São Paulo foram a criação do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON)  e do "Passe do Trabalhador", hoje conhecido como Vale Transporte.


Em 1994, a convite da Organização das Nações Unidas (ONU), mudou-se para Nairóbi, no Quênia, e assumiu o cargo de secretário-geral adjunto da Conferência Mundial Habitat 2, realizada em 1996, em Istambul, Turquia. De volta ao Brasil, retomou projetos de planos diretores para cidades como Campos do Jordão, SP, em 2000, e Araxá, MG, em 2002, além de realizar o projeto da cidade industrial de Londrina, PR, em 1997.

Retornou à vida pública na administração da prefeita Marta Suplicy, entre 2001 a 2004, novamente como presidente da Secretaria Municipal de Planejamento (SEMPLA), e coordenou a elaboração do plano diretor estratégico de 2002. Nesse período, publicou o livro "Tênue Esperança no Vasto Caos: Questões do Proto-Renascimento do Século XXI", em que procurou sistematizar sua experiência no campo do urbanismo, lançando perspectivas para o futuro das cidades.

No decorrer de sua carreira, Jorge Wilheim foi paulatinamente substituindo a cartilha funcionalista dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAMS), por um contextualismo mais voltado para a dimensão humana e para a unidade tipológica, próprias à uniformidade humanista das cidades europeias do século XV ao XIX. Vem daí a sua defesa teórica de um "Renascimento do século 21", bem como sua metáfora da essência do espaço público como um simples "banco de praça".

No campo da arquitetura, Jorge Wilheim projetou e construiu obras importantes, como a sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Serviço Social das Indústrias (SESI) da Vila Leopoldina, em 1974, a fábrica da Novelprint, 1975, o Centro de Diagnósticos do Hospital Albert Einstein, 1978-1985, e, sobretudo, o conjunto do Parque Anhembi, em 1969, em colaboração com Miguel Juliano, no qual se destacam o Palácio das Convenções, abrigando 3,5 mil lugares, e o Pavilhão de Exposições, com uma área de 67 mil metros quadrados. Com a estrutura metálica tubular em treliça espacial, a imensa cobertura é inteiramente montada no chão e erguida por 25 guindastes durante apenas oito horas. Com cálculo do engenheiro anglo-canadense Cedric Marsh, fornecida e montada pela empresa francesa Fichet Schwartz-Hautmont, representa até hoje "a maior estrutura metálica construída no solo e levantada numa só peça em poucas horas."


Morte

Jorge Wilheim faleceu na sexta-feira, 14/02/2014. Ele estava internado desde dezembro de 2013, no Hospital Albert Einstein, no Morumbi, zona sul de São Paulo, em decorrência de um acidente de carro. O corpo foi velado no próprio hospital e o enterro ocorreu no mesmo dia, às 14:30 hs, no Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo.


Hélio Beltrão

HÉLIO MARCOS PENA BELTRÃO
(81 anos)
Advogado, Economista e Administrador

* Rio de Janeiro, RJ (15/10/1916)
+ Rio de Janeiro, RJ (26/10/1997)

Advogado, economista e administrador público brasileiro nascido no dia 15/10/1916, no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, no então Distrito Federal. Filho do deputado Heitor Beltrão, um inflamado líder udenista, e amigo pessoal do ex-presidente Ernesto Geisel, Hélio Beltrão acreditava que a engrenagem da administração pública deveria ser posta a funcionar em benefício do homem comum. Aboliu e aperfeiçoou diversas exigências burocráticas, como o reconhecimento de firma, o atestado de vida, atestado de residência, o credenciamento de firmas e inúmeros requerimentos e liberações de documentos que exigiam carimbo oficial. Era também a favor da revisão da legislação tributária em favor do município, por permitir que os problemas do cotidiano fossem tratados de acordo com as peculiaridades da própria região.

Popularmente conhecido como o ministro da Desburocratização, foi responsável pela abolição de 600 milhões de documentos desnecessários. Formado em Direito na Faculdade Nacional de Direito, foi servidor público no Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários (IAPI),  chegou à presidência da autarquia alguns anos depois.

Hélio Beltrão assumiu o ministério do Planejamento – e o Conselho Monetário Nacional – em 15 de março de 1967, por convite do presidente  Costa e Silva. Premissa básica de sua política de planejamento foi a descentralização administrativa, que acarretou a instalação de escritórios representativos do ministério em vários Estados. Com a entrada de Emílio Garrastazu Médici no poder, Hélio Beltrão deixou o cargo.

Hélio Beltrão tornou-se popular nos anos 1980 devido às sátiras que se fazia ao governo de João Figueiredo, que criou o ministério da Desburocratização, coordenado por Hélio Beltrão desde o início, em 1979. Para desburocratizar a administração pública, dizia-se, novos cargos foram criados e vários ofícios, despachados. Beltrão aboliu formalidades como atestados de vida e de idoneidade moral. Três anos depois, acumulou também a Previdência.

Hélio Beltrão ainda trabalhou como advogado, economista e administrador, em instituições como o Conselho Nacional de Petróleo, o Banco Nacional da Habitação, Petrobras, e presidente da Embraer.

Presidiu a Petrobrás (1985-1986) no governo José Sarney. Foi grande acionista do Grupo Ultra onde também foi executivo, e  vice-presidente da cadeia de lojas Mesbla.

Destacou-se como um dos signatários do famigerado AI-5 (1968), que permitiu a suspensão dos já restritos direitos políticos que vigoravam na época.

Era pai da jornalista Maria Beltrão e do executivo liberal Hélio Beltrão Filho, hoje sócio-herdeiro do Grupo Ultra.

Foi casado com a arqueóloga Maria Beltrão, com quem teve os filhos Cristiane, Hélio Beltrão Filho, hoje sócio-herdeiro do Grupo Ultra e a jornalista Maria Beltrão.

Um de seus hobbies era tocar violão.

Morte

Hélio Beltrão morreu vítima de um câncer, aos 81 anos, em 26 de outubro de 1997 na cidade do Rio de Janeiro.

Em sua memória foi criado em 1999 o Instituto Helio Beltrão, uma organização não governamental, sem vinculação político-partidária, que tem por objetivo promover estudos e propor iniciativas que contribuam para a maior eficiência e agilidade da administração pública e reduzam a interferência indevida ou excessiva do governo na vida do cidadão e da empresa.

Dorina Nowill

DORINA GOUVÊA NOWILL
(91 anos)
Filantropa, Administradora e Pedagoga

* São Paulo, SP (28/05/1919)
+ São Paulo, SP (29/08/2010)

Nascida em 1919, filha de pai português e mãe italiana, Dorina cresceu na Rua Matias Aires, entre a Rua Frei Caneca e a Rua Augusta, região central de São Paulo, e foi matriculada no Instituto Elvira Brandão onde foi contemporânea dos futuros atores Paulo Autran e Célia Biar. Empolgou-se com a Revolução Constitucionalista de 1932 participando da coleta de cigarros e sabonetes para os soldados. Frequentava o Clube Português e era uma menina comportada.

A Aba Bateu em Seu Olho Direito

Em 16 de agosto de 1936 foi com a família à missa das 9h do Colégio São Luiz. Naquela manhã, uma amiga de sua mãe usava um chapéu de abas largas. Ao se despedirem, ela quis dar um beijo em Dorina e a aba bateu em seu olho direito. No dia seguinte de manhã, fechou o olho esquerdo e no outro surgiu uma mancha opaca, bem no centro da visão. A mácula havia sido afetada, não pelo choque, mas por uma razão clínica não traumática como descobriu depois.

O que se seguiu foram visitas a oftalmologistas, exames e mais exames, mas em 14 de outubro: "Vi uma cortina de sangue e nada mais distingui. Era como se eu estivesse vendo uma vidraça com chuva escorrendo. Em vez de água, sangue". Ela, então, soube que não mais poderia enxergar. Sua mãe pediu a Deus: "Se Dorina não puder voltar a ver, que pelo menos se conforme, aceite e possa assim viver."

De 1936 a 1943, Dorina viveu um processo de adaptação a seu novo modo de vida. Foi apresentada ao método braile de leitura e sua mãe pode comemorar o "milagre da aceitação".

Naquele ano, 1943, ela conseguiu uma vitória inédita – ser aceita como aluna regular no Caetano de Campos, para o Curso Normal. Foi a primeira aluna cega a matricular-se em São Paulo numa escola comum de formação de professores.

Ainda estudante, outra conquista foi quando a mesma escola implantou o primeiro curso de especialização de professores para o ensino de cegos em 1945. Em 2008, ela contou como conseguiu não desistir:

"Eu perdi a visão e ao mesmo tempo encontrei o apoio de meus pais em tudo o que eu queria realizar. Devo a eles a forma de encarar com realidade as novas situações e de resolver os problemas sem mistificações, mas dentro de uma proposta real de vida, baseada sempre na verdade. O início foi encarar a realidade como ela se apresenta, pois é aí que encontramos forças para dominar o desânimo e a falta de coragem, depois encontrar soluções mais adequadas, embora diferentes daquelas com que todos nós contamos desde os primeiros dias de vida."

Após diplomar-se, viajou para os Estados Unidos, com uma bolsa de estudos patrocinada pelo governo americano, pela Fundação Americana Para Cegos e pelo Instituto Internacional de Educação. Frequentou um curso de especialização na área de deficiência visual na Universidade de Columbia. Ao voltar ao Brasil, Dorina mergulhou no trabalho para implantar a primeira imprensa braile de grande porte no país. Também foi convidada a organizar o Departamento de Educação Especial da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Esse cargo foi fundamental para ela e seus amigos comemorarem quando a educação para cegos se transformou em atribuição do governo por força de lei. Em 1953, em São Paulo, e em 1961, em todo o país.

Companheiro de Toda Uma Vida

Em fevereiro de 1950, casou-se com Alexandre Nowill, companheiro de toda uma vida, com quem teve cinco filhos e viveu uma relação de companheirismo em todas as atividades em que acabou se envolvendo.

Dorina foi convidada para dirigir o primeiro órgão nacional de educação de cegos no Brasil, criado pelo Ministério da Educação, em que permaneceu de 1961 a 1973 tocando projetos que implantaram serviços para cegos em diversos estados do país, além de campanhas para a prevenção da cegueira.

"Aprendi que eu mesma teria de resolver como manter as minhas aspirações dentro de um nível capaz de me satisfazer, mas nunca pensei em desistir e fui resolvendo grandes problemas, mesmo com elementos diferentes do início da minha vida."

O reconhecimento pelo trabalho de Dorina Nowill foi além de nossas fronteiras. Ocupou cargos em organizações internacionais de cegos. Em 1979, foi eleita presidente do Conselho Mundial dos Cegos. Em 1981, Ano Internacional da Pessoa Deficiente, discursou na ONU. E ainda batalhou com ardor pela criação da União Latino-Americana de Cegos (ULAC).

Certa vez, viajou sozinha a Nova York e, depois de esbarrar em muita lata de lixo, aprendeu a se virar com a bengala.

"Sem força interior não se encontram soluções. Viver tem que ser real, não pode ser uma história, é preciso viver e 'viver é realizar'. A realidade, muitas vezes, é dura, mas é preciso enfrentá-la."

O Primeiro Centro de Reabilitação

Em 1989, Dorina registrou mais uma vitória, quando o Congresso Nacional ratificou a Convenção 1599 da Organização Internacional do Trabalho, que trata da reabilitação, do treinamento e da profissionalização de cegos, resultado de mais uma luta, que havia começado 18 anos antes com o primeiro centro de reabilitação criado pela Fundação.

O Centro de Memória da Fundação guarda a história de luta pela inclusão social em sua sede, na Vila Clementino, em São Paulo. Ali, uma exposição aberta ao público orienta museus a receberem pessoas com deficiência visual e, desde 2006, promove o programa de formação em acessibilidade para museus. Estudantes cegos de todo o Brasil estudam com os livros produzidos na Fundação. Eles imprimem ainda a Revista Veja e Cláudia, além de outras específicas sob demanda. A Biblioteca Circulante de Livro Falado da Fundação Dorina Nowill Para Cegos possui um acervo com cerca de 900 títulos em áudio de obras de diversos autores, desde clássicos da literatura brasileira aos mais variados best-sellers internacionais. Esse serviço está disponível gratuitamente para pessoas com deficiência visual de todo o Brasil.

"Acreditamos que a educação seja o melhor caminho para a inclusão social. Para a pessoa com deficiência visual, ter acesso garantido à literatura, ao estudo ou ao entretenimento é questão primordial em seu desenvolvimento pessoal. Anualmente são produzidas milhares de páginas em braile de livros didático-pedagógicos, paradidáticos, literários e obras específicas solicitadas pelos deficientes visuais... A natureza é sábia. O rico potencial do ser humano procura suprir quaisquer perdas. É preciso enfrentá-las em toda a sua realidade. Muito difícil para uns, um pouco menos para outros, fácil para ninguém."

Aos 91 anos, com a saúde debilitada e num leito de hospital em São Paulo, a bravíssima Dorina de Gouvêa Nowill lutou pela vida da mesma maneira que a desfrutou - com tranquila consciência. Já não falava e resistia à alimentação. Muito magra, enfrentava problemas nos pulmões e no esôfago. Seus cinco filhos, 12 netos e três bisnetos rezavam por essa mulher, que ganhou o respeito e a admiração de todos os brasileiros.

"Quando perdi a visão, percebi que algo tinha se modificado. Nesse momento tão particular, simplesmente surgiu uma força interior que me impulsionou a encarar a própria vida 'sem ver' e a importância que dei a outras possibilidades foi muito maior que o desespero de ter perdido a visão. Eu tinha de enfrentar as situações como elas se apresentavam e todos esperavam a minha reação. Nesse momento foram surgindo soluções de acordo com meu temperamento e com minhas aspirações. Hoje acredito que não perdi aspirações, apenas tive de modificá-las um pouco, até mesmo para mantê-las, mesmo dentro de situações para as quais não estava preparada integralmente", contou ela em sua autobiografia lançada em 1996, ...E Eu Venci Assim Mesmo, em que conta em detalhes de como cuidou dos filhos, da casa, do casamento e de suas ações sociais ao mesmo tempo.

A pedagoga Dorina Nowill, morreu por volta das 19:30hs de domingo, dia 29/08/2010, em São Paulo. Ela estava internada por conta de uma infecção e sofreu uma Parada Cardíaca no Hospital Santa Isabel.

Ela deixou cinco filhos, doze netos e três bisnetos. O velório aconteceu às 8:00hs de segunda-feira 30/08/2010 na sede da Fundação Dorina Nowill, localizada na Zona Sul de São Paulo. O enterro aconteceu às 15:30hs, no Cemitério da Consolação.

Para conhecer mais a Fundação, visite o site no link: Fundação Dorina Nowill

Fonte: Contigo e R7

Pedro Luís de Orléans e Bragança

PEDRO LUÍS MARIA JOSÉ MIGUEL GABRIEL RAFAEL GONZAGA DE ORLÉANS E BRAGANÇA E LIGNE
(26 anos)
Administrador de Empresas e Consultor Financeiro,
Príncipe do Brasil e Príncipe de Orléans e Bragança

☼ Rio de Janeiro, RJ (12/01/1983)
┼ Oceano Atlântico, (01/06/2009)

Dom Pedro era o filho mais velho de Dom Antônio João de Orléans e Bragança, príncipe do Brasil, e de Dona Christine de Ligne, princesa de Ligne, e descendente direto de Dona Isabel I, e do Conde d'Eu. Era o quarto na linha de sucessão ao trono do Brasil.

Juventude

Nasceu em 12/01/1983 no Rio de Janeiro, sendo seus tios mais velhos, Dom Luís e Dom Bertrand, celibatários, e após seus próprio pai, era esperado que Dom Pedro viesse a se tornar em seu devido momento o Chefe da Casa Imperial do Brasil e herdeiro da extinta coroa brasileira. Era descendente não apenas dos imperadores brasileiros, mas também dos demais monarcas europeus e colateralmente de Maurício de Nassau, famoso governante holandês do Nordeste brasileiro durante o período colonial.

Com apenas dez anos de idade, era visto ao lado do pai na campanha pela restauração da monarquia durante o Plebiscito de 1993. Os próprios Dom Luís e Dom Bertrand reconheciam que Dom Pedro seria uma melhor opção como futuro imperador caso a opção pela monarquia fosse a mais votada pelos brasileiros, o que acabou não ocorrendo. 6.840.551 brasileiros, ou 13% dos votos válidos, votaram a favor da Monarquia Parlamentarista.

Sendo membro do "Ramo de Vassouras", não tinha direito aos proveitos do Laudêmio de Petrópolis, ao contrário de outro ramo de descendentes da Princesa Isabel que não fazem parte da Família Imperial, e vivia confortavelmente, mas "sem grandes luxos". Não possuía carro e andava de ônibus para se locomover pelo Rio de Janeiro. A respeito de sua condição como príncipe de um trono há muito extinto e da responsabilidade inerente afirmou:

"A gente carrega esse fardo e precisa dar exemplo."

A partir de 1999 tornou-se presidente de honra da Juventude Monárquica e detinha para si os títulos de Grã-Cruz das Imperiais Ordens de Pedro Primeiro e da Rosa.

Pedro Luiz com sua tia Dona Maria Thereza
Vida Adulta

Pedro formou-se em administração de empresas pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC) no Rio de Janeiro e realizou uma pós-graduação em economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Desde 2005, vivia no Luxemburgo, onde trabalhava no Banco Paribas, um dos maiores bancos da Europa, e realizava consultoria financeira em algumas empresas. Também buscava encontrar uma potencial noiva que fizesse parte da realeza, visto que era obrigado a tanto por ser príncipe brasileiro e futuro Chefe da Casa Imperial do Brasil. A respeito de sua vida, declarou em entrevista:

"É normal. Somos cidadãos como os outros, temos que trabalhar para viver."

Era considerado pela maior parte dos monarquistas brasileiros como depositante de "todas as suas esperanças e aspirações" graças ao "vigor da juventude e a seriedade de seu caráter". A seu respeito, Dom Duarte, Duque de Bragança e herdeiro da extinta coroa portuguesa, afirmou:

"É uma pessoa muito inteligente. Tenho as melhores referências dele."

Acidente Aéreo

O príncipe estava retornando para Luxemburgo, onde morava, após visitar a família no Rio de Janeiro, quando desapareceu no acidente aéreo do voo Air France 447, no dia 31/05/2009. Dias mais tarde, seu corpo foi recolhido do mar pela Marinha do Brasil e sua identidade confirmada pelo IML de Recife.

Foi sepultado em 06/07/2009, no jazigo da família, no município de Vassouras, onde também está sepultado seu avô, Dom Pedro Henrique de Orléans e Bragança, ex-chefe da casa imperial do Brasil.

Devido a sua morte, seu irmão Rafael Antônio Maria de Orléans e Bragança o sucede na linhagem dinástica brasileira, visto este ser o quinto membro da linhagem imperial.

Fonte: Wikipédia

Orestes Quércia

ORESTES QUÉRCIA
(72 anos)
Político, Administrador e Advogado

* Pedregulho, SP (18/08/1938)
+ São Paulo, SP (24/12/2010)

Orestes Quércia mudou-se ainda jovem com a sua família para Campinas, onde se formou em jornalismo. Era também advogado e administrador de empresas formado em 1962 pela Pontifícia Universidade Católica.

Foi casado com Alaíde Barbosa Ulson desde os anos 1980, com quem teve quatro filhos.

Filho de Otávio Quércia e Isaura Roque Quércia, Orestes Quércia morou em Pedregulho e a seguir em Campinas para onde mudou acompanhando a família e lá foi eleito vice-presidente do grêmio estudantil da Escola Normal Livre. Nessa, época que ingressou como repórter do Diário do Povo e foi aprovado no vestibular da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Campinas, onde foi diretor do jornal do Centro Acadêmico 16 de Abril e fundou a Universidade de Cultura Popular, ligada à Universidade Católica de Campinas.

Foi locutor de 1959 a 1963 na Rádio Cultura e na Rádio Brasil. Trabalhou no Jornal de Campinas e na sucursal do Última Hora. A seguir presidiu a Associação Campinense de Imprensa e trabalhou no Departamento de Estradas de Rodagem como assistente de produção.

Orestes Quércia iniciou sua carreira política ao ser eleito vereador em Campinas pelo Partido Libertador (PL) em 1962. Extinto o pluripartidarismo optou pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) sendo eleito deputado estadual em 1966 e prefeito de Campinas em 1968. Em relação à sua administração o Dicionário Histórico e Bibliográfico Brasileiro (DHBB) da Fundação Getúlio Vargas destaca o seguinte:

"Em sua gestão desenvolveu trabalhos através de planejamento coordenado com a Universidade Estadual de Campinas. Foi autor do projeto de avenidas expressas, pavimentou ruas e avenidas, aperfeiçoou o saneamento com a construção da terceira estação de tratamento de água e a elaboração do plano diretor de esgotos, urbanizou o parque Taquaral — na época o maior centro turístico do estado —, construiu o palácio dos Esportes e instalou praças de esportes nos bairros mais populosos. Criou ainda novos núcleos de habitação popular e a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas."

Após eleger seu sucessor em 1972 passou a organizar diretórios do Movimento Democrático Brasileiro pelo interior paulista e disputou a convenção do partido como candidato ao Senado Federal vencendo a disputa com Lino de Matos e Samir Achôa.

Em 1974, foi eleito senador derrotando Carvalho Pinto que disputava a reeleição pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e era apontado como favorito. Na tribuna foi crítico da política econômica do governo Ernesto Geisel e em 1977 foi noticiada a ocorrência de casos de corrupção quando de sua passagem pela prefeitura de Campinas, porém tais afirmações não foram comprovadas. Com o retorno ao pluripartidarismo ingressou no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em 1980 e declarou-se candidato à sucessão do governador Paulo Maluf em fevereiro de 1981, posição que manteria até que um acordo de última hora o fez candidato a vice-governador na chapa de Franco Montoro.

Em 1982 foi eleito vice-governador de São Paulo, mas ao contrário da imagem de unidade partidária apresentada durante a campanha, foi adversário constante de políticos peemedebistas ligados ao governador, não conseguindo, porém impedir a nomeação do deputado federal Mário Covas como prefeito de São Paulo em 1983 e a eleição do senador Fernando Henrique Cardoso à presidência do diretório estadual do PMDB naquele mesmo ano.

Foi adepto das Diretas Já e da campanha vitoriosa de Tancredo Neves rumo à presidência em 1985, ano em que se casou com a médica Alaíde Cristina Barbosa Ulson. Nesse ponto estava em curso sua candidatura a governador em 1986.

Após a vitória do ex-presidente Jânio Quadros sobre Fernando Henrique Cardoso em novembro daquele de 1986, Orestes Quércia viu aumentar seu controle sobre o PMDB num movimento denominado de "quercismo" que garantiu sua indicação como candidato a governador apesar das dissidências internas. Candidato numa eleição inicialmente polarizada entre o deputado Paulo Maluf e o empresário Antônio Ermírio de Morais e ainda contava com a participação do deputado Eduardo Suplicy, iniciou o embate com índices baixos nas pesquisas de opinião, entretanto manteve sua candidatura e afinal sagrou-se vitorioso. Seu governo foi responsável pela privatização da Viação Aérea São Paulo (VASP) em 1990, ano em que elegeu Luiz Antônio Fleury Filho como seu sucessor.

Governo do Estado

Em 1987 Orestes Quércia criou a Secretaria do Menor uma atitude pioneira e anterior à promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente promulgado em nível federal em 1990. Tirou menores carentes e abandonados das ruas e empregou-os como aprendizes em empresas estatais, como a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP).

Na área dos transportes realizou investimentos na duplicação de rodovias como a Anhangüera e a Dom Pedro I e na reforma de estradas vicinais. A seguir ampliou a linha leste-oeste do metrô, inaugurando as estações Barra Funda, Marechal Deodoro, e a extensão leste da Vila Matilde até Corinthians-Itaquera. Também deu início às obras do ramal Paulista do metrô, das estações Paraíso à Consolação.

No setor de saneamento básico, em 1988, através da SABESP, colocou em operação a Estação de Tratamento de Esgotos de Barueri, aumentando de 5% para 25% o índice de tratamento dos esgotos na Região Metropolitana.

Em 1990, concluiu as obras da SABESP de produção e tratamento de água da Estação de Tratamento de Taiaçupeba, localizada na Represa de Taiaçupeba, em Mogi das Cruzes, melhorando o abastecimento de água da região leste de Grande São Paulo.

Na segurança pública, inventou o Rádio Patrulhamento Padrão, uma iniciativa de aproximar a polícia da comunidade. Construiu sem abertura de licitação o polêmico Memorial da América Latina localizado na Barra Funda, cujo projeto foi de Oscar Niemeyer. Estima-se que tenha custado aos cofres públicos cerca de 74 milhões de dólares, quinze vezes mais que o previsto inicialmente.

Como defensor do municipalismo, desenvolveu ações de fortalecimento do interior, como a regionalização da produção.

Em 16 de setembro de 1988, o então secretário estadual da Indústria e Comércio, Otávio Ceccato, pediu demissão após tentar subornar um delegado da Polícia Federal com US$ 1 milhão para não ser indiciado no Escândalo Banespa/Cecatto, onde o banco perdeu cerca de US$ 55 milhões em operações financeiras.

O governo de Orestes Quércia também sofreu acusações de adquirir sem licitação equipamentos israelenses para as universidades estaduais e polícias civil e militar num valor de US$ 310 milhões, onde o estado perdeu um valor estimado em US$ 40 milhões.

Em julho de 1990 foram iniciadas as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Campinas que custou cerca de US$ 50 milhões.

Seu predomínio junto ao PMDB e sua defesa em favor dos cinco anos de mandato para o presidente José Sarney levou seus adversários internos a deixar a legenda e fundarem o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) em 24 de junho de 1988. Nesse mesmo ano perdeu as eleições municipais em São Paulo e Campinas. Apesar do revés teve seu nome cogitado para disputar as eleições presidenciais em 1989, entretanto a candidatura escolhida pelo partido foi a de Ulysses Guimarães.

Ao fim do mandato Orestes Quércia obtinha bons índices de aprovação junto à população paulista e conseguiu eleger o seu sucessor, Luiz Antônio Fleury Filho, que até pouco tempo antes era o semi-desconhecido secretário de Segurança Pública do governo de Orestes Quércia.

Mas as inúmeras denúncias de corrupção relativas à gestão de Orestes Quércia que surgiram posteriormente, insatisfatório mandato desempenhado por Fleury e o esvaziamento de algumas medidas tomadas em seu antigo cargo acabaram por comprometer a sua imagem de forma aparentemente irremediável. Sobre as denúncias de corrupção, a mais célebre foi a de má gestão do Banco do Estado de São Paulo (BANESPA).

Presidente do PMDB

Orestes Quércia foi um dos fundadores do PMDB, tendo-o presidido entre 24 de março de 1991 e 26 de abril de 1993 ao renunciar da presidência ante as sucessivas denúncias de corrupção e o refluir de seu apoio político. Em seu período como presidente do partido fez oposição do governo Fernando Collor, apoiando inclusive o processo de impeachment, viu morrer Ulysses Guimarães e apoiou o regime presidencialista no plebiscito de 21 de abril de 1993. Ao deixar o comando da legenda foi substituído interinamente pelo senador José Fogaça e depois por Luiz Henrique da Silveira.

Em 1994 enfrentou a oposição de partidários que apoiavam o governo Itamar Franco e venceu Roberto Requião na convenção que apontou o candidato do PMDB à presidência da República numa campanha marcada pelo discurso em favor do nacionalismo, municipalismo e por críticas ao Plano Real. Ao final terminou a disputa em quarto lugar tendo sido superado até por Enéas Carneiro do Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA).

Foi presidente do diretório do PMDB de São Paulo, de 2001 a 2003. Reeleito em 2006, foi agraciado mais uma vez como presidente do PMDB paulista em 13 de dezembro de 2009 ao ser eleito pela 4ª vez o presidente na chapa Unidade do PMDB derrotando o deputado federal Francisco Rossi (chapa Candidatura Própria Já) com 597 votos contra 73 (88% dos votos contra 12%) em convenção partidária ocorrida na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP).

Candidaturas

Desde que Orestes Quércia deixou o governo de São Paulo em 1991, não conseguiu vencer nenhuma outra disputa eleitoral. Foi o candidato do PMDB à presidência da República em 1994, ao governo estadual em 1998/2006 e ao Senado Federal em 2002. Ia ser candidato novamente ao Senado em 2010, mas renunciou à candidatura devido ao tratamento de câncer de próstata.

Orestes Quércia foi o 4° colocado das eleições de 1994 com 2.773.793 votos (4,4% dos válidos), tendo ficado atrás do vitorioso Fernando Henrique Cardoso (PSDB) que obteve 34.377.198 votos (54,3% dos válidos), de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o 2º colocado com 17.126.291 votos (27% dos válidos) e de Enéas Ferreira Carneiro (PRONA), o 3º colocado com 4.672.026 votos (7,4% dos válidos).

Foi o 5º colocado no 1º turno das eleições de 1998 com 714.097 votos (4,30% dos válidos), atrás do 1º colocado Paulo Maluf (PPB), que obteve 5.351.026 votos (32,21% dos válidos), do então governador Mário Covas (PSDB), o 2º colocado com 3.813.186 votos (22,95% dos válidos), da então deputada federal Marta Suplicy (PT), a 3ª colocada com 3.738.750 votos (22,51% dos válidos) e de Francisco Rossi (PDT), o 4º colocado com 2.843.515 votos (17,12% dos válidos).

Foi o 3º colocado nas eleições de 2002 com 5.550.803 votos (15,8% dos válidos), atrás do então deputado federal petista Aloízio Mercadante, eleito senador na 1ª colocação com 10.491.345 votos (29,9% dos válidos) e do senador pefelista Romeu Tuma, re-eleito na 2ª colocação com 7.278.185 votos (20,7% dos válidos).

Foi o 3º colocado nas eleições de 2006 com 977.695 votos (4,57% dos válidos), atrás do vitorioso José Serra (PSDB), que obteve 12.381.038 votos (57,93% dos válidos) e do senador petista Aloízio Mercadante, que obteve 6.771.582 votos (31,68% dos válidos).

Eleições 2010

Após ter apoiado a vitoriosa campanha de Gilberto Kassab do Democratas (DEM) à prefeitura de São Paulo em 2008, Orestes Quércia foi procurado por diversos líderes políticos para apoio nas eleições de 2010. De acordo com notícia publicada na Folha Online, o PSDB fechou parcerias com o PMDB de São Paulo presidido por Orestes Quércia pelo apoio a José Serra, Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes. Os petistas, por outro lado, contam com a movimentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para segurar o PMDB como vice na chapa governista.

Para fortalecer o PMDB em São Paulo, Orestes Quércia percorreu diversas regiões do interior paulista para unir as lideranças partidárias para o pleito de 2010. Mas, devido a um câncer na próstata, deixou a candidatura ao Senado por São Paulo em 6 de setembro de 2010 para tratar a doença.

Como Empresário

Orestes Quércia atuou nos ramos imobiliário e das comunicações. Foi proprietário do Grupo Sol Panamby, que detém controle da Rádio Nova Brasil FM, do jornal financeiro DCI, de duas emissoras regionais, a TVB Campinas (Afiliada a Rede Record) e a TVB Santos (Afiliada a Rede Bandeirantes), do Shopping Jaraguá e de várias fazendas. Seu patrimônio foi avaliado em mais de R$117 milhões.

Morte

Orestes Quércia morreu na véspera de Natal de 2010, aos 72 anos, vítima de câncer na próstata, de acordo com o Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. Ele havia tratado a doença em 1990, mas o tumor reincidiu, levando-o a desistir da candidatura ao Senado. Segundo o assessor de Orestes Quércia, o velório foi realizado no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, a partir das 14:00 hs. O enterro foi marcado para o dia 25 de dezembro, às 9:00 hs, no Cemitério do Morumbi.

Fonte: Wikipédia