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Naum Alves de Souza

NAUM ALVES DE SOUZA
(73 anos)
Artista Plástico, Autor, Cenógrafo, Diretor, Dramaturgo, Figurinista e Professor

☼ Pirajuí, SP (01/06/1942)
┼ São Paulo, SP (09/04/2016)

Naum Alves de Souza foi um artista plástico, autor, cenógrafo, figurinista, diretor, dramaturgo e professor brasileiro. Homem de teatro ligado a múltiplas atividades, não apenas no campo do teatro como também da televisão, cinema, ópera e balé.

Conquistou importantes prêmios teatrais brasileiros como o Moliére, Mambembe, APCA e Ziembinsky. Mereceu três prêmios, Serviço Nacional do Teatro (SNT), Mambembe e APCA, pelos figurinos e quatro prêmios Ziembinski, APCA, APETESP/Trófeu Zimba e Governador do Estado de São Paulo, pelo projeto cenográfico inspirado que concebeu para "Macunaíma" (1978), encenação de Antunes Filho (1978).

Pelo espetáculo "No Natal a Gente Vem Te Buscar" (1979) recebeu dois Moliéres: Direção e Autoria, e o Troféu APCA: Cenografia.

Em 2012, o curta-metragem "A Noite dos Palhaços Mudos", roteiro adaptado por Juliano Luccas e Naum, conquistou o prêmio de Melhor Filme Internacional no Festival Videobabel no Peru.

De formação religiosa presbiteriana, completou o curso colegial clássico em Lucélia, no interior paulista, e depois cursou apenas um mês numa faculdade paulistana de psicologia.

Mudou-se para São Paulo aos 18 anos de idade, onde, pouco depois, começou a dar aulas de educação artística e iniciação às artes plásticas para crianças e adolescentes. Mais tarde, por notório saber, deu aulas de cenografia na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

Em 1972, fundou o grupo teatral Pod Minoga, juntamente com seus alunos da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Carlos Moreno, Mira Haar, Flávio de Souza, Dionisio Jacob, Beto de Souza, Regina Wilke e Angela Grassi. Este grupo funcionou durante os anos 70, produzindo diversas montagens experimentais, causando furor e tornando-se um fenômeno cult.

Sua estreia profissional fora desse grupo se deu como cenógrafo e figurinista de "El Grande de Coca-Cola", um musical americano dirigido por Luíz Sérgio Person no Auditório Augusta, em 1974. Logo a seguir, executou os bonecos de "Vila Sésamo", programa infantil da TV Cultura de enorme sucesso, entre eles Garibaldo e Gugu.

Aos poucos vai se desdobrando em múltiplas atividades. Como autor escreveu e dirigiu "Maratona" (1977), "No Natal a Gente Vem Te Buscar" (1979), "A Aurora da Minha Vida" (1981), "Um Beijo, Um Abraço, Um Aperto de Mão" (1984).


Fazendo um perfil analítico sobre a produção teatral na década de 1980, escreveu o crítico Yan Michalski:

"A dramaturgia está sendo, sem dúvida, o elemento do teatro mais sacrificado [...] Apenas um autor de personalidade já claramente formada surgiu e firmou-se no panorama: Naum Alves de Souza, que através de uma interessante trilogia - 'No Natal a Gente Vem Te Buscar', 'A Aurora da Minha Vida', 'Um Beijo, Um Abraço, Um Aperto de Mão' - enfrenta corajosamente os seus fantasmas do passado, oriundos de uma formação pequeno-burguesa e religiosa, conservadora e preconceituosa."

Seguem-se "Nijinski", ainda em 1984, e "Suburbano Coração", com músicas de Chico Buarque, em 1989.

Através dessas realizações, Naum construiu uma sólida, reconhecida e premiada carreira como autor, que prosseguiu anos depois com "Água Com Açúcar" (1995), "Strippers" (1997), além de inéditas, entre as quais "Ódio a Mozart" e "As Festas do Amigo Secreto".

Como diretor, além de encenar seus próprios textos, destacou-se nas montagens de "Cenas de Outono", de Yukio Mishima, tendo Marieta Severo à frente do elenco, em 1987, "Lulu", de Frank Wedekind, com Maria Padilha no papel central, em 1989, "Longa Jornada de Um Dia Noite Adentro", de Eugene O'Neill, com Sérgio Britto e Cleyde Yáconis, em 2002. No ano seguinte, dirigiu "A Flor do Meu Bem Querer", de Juca de Oliveira, superprodução sobre corrupção política no Brasil, em 2003.

Sua colaboração para espetáculos alheios, na direção, roteirização, cenografia e figurinos é igualmente insuflada de criatividade, exemplo disso são os cenários e figurinos de "Falso Brilhante", show de Elis Regina, e, sobretudo, "Macunaíma", espetáculo internacionalmente consagrado, dirigido por Antunes Filho, em 1978.

Em 1983, roteirizou "O Grande Circo Místico", espetáculo de dança sobre trilha sonora de Chico Buarque e Edu Lobo, dirigido por Emílio Di Biasi para o Teatro Guaíra de Curitiba. Adaptou e dirigiu "Dona Doida", sobre poemas de Adélia Prado, espetáculo consagratório da atriz Fernanda Montenegro, em 1990. No mesmo ano, fez ainda a adaptação de texto e direção de "Big Loira", contos de Dorothy Parker, em montagem que destacou Cristina Mutarelli.


Em 1997, fez a direção cênica do espetáculo de dança "Muito Romântico", novas versões das canções do Roberto Carlos, com coreografias de Susana Yamauchi, em parceria com João Maurício, espetáculo que faz consecutivas viagens ao exterior.

Na área da ópera criou "Ópera do 500", "Os Pescadores de Pérolas" e "King Arthur", no Teatro Municipal de São Paulo, "Janufa", de Leos Janácek, além de versões compactas para "Carmen" e "Mme. Butterfly".

Na área da dança criou alguns espetáculos memoráveis, especialmente para o desempenho de J. C. Violla, entre os quais "Senhores das Sombras", "Valsa Para Vinte Veias", "Flippersports", "Petruchka", "Salão de Baile" e "Doze Movimentos Para Um Homem Só".

Naum escreveu o roteiro de "Romance da Empregada", filme de Bruno Barreto, em 1986. Na TV, dirigiu um sitcom à brasileira, "A Guerra dos Pintos", na TV Bandeirantes, em 1999.

Naum escreveu artigos para as revistas Vogue, Claudia, Revista do SESC, entre outras. Durante quase três anos teve uma coluna semanal de contos / crônicas no Diário Popular.

Em 2000 foi co-cenógrafo da exposição "Brasil 500 Anos" - módulos de arqueologia, arte indígena e bio-antropologia, realizada no Oca, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Em 2005, dirigiu a remontagem da ópera "Os Pescadores de Pérolas" no Teatro Municipal de São Paulo.

Em 2012, esteve internado num hospital por complicações causadas por miastenia, uma doença neuromuscular.

Em 2015 Naum lançou livro de contos "Tirando a Louca do Armário & Outras Histórias".

Morte

Naum Alves de Souza morreu no sábado, 09/04/2016, aos 73 anos. O velório ocorreu no Cemitério Gethsêmani, em São Paulo, no dia 10/04/2016, a partir das 9h00, e o sepultamento ocorreu às 17h00.

A causa da morte de Naum não foi divulgada.

Indicação: Miguel Sampaio

Guilherme Figueiredo

GUILHERME DE OLIVEIRA FIGUEIREDO
(82 anos)
Autor e Dramaturgo

☼ Campinas, SP (13/02/1915)
┼ Rio de Janeiro, RJ (24/05/1997)

Guilherme de Oliveira Figueiredo, ou somente Guilherme Figueiredo foi um autor e dramaturgo brasileiro, irmão do último presidente militar João Baptista de Oliveira Figueiredo. Nasceu em Campinas, interior do Estado de São Paulo, em 13/02/1915.

Forma-se em Direito, pela Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, cidade em que iniciou sua carreira profissional como crítico de teatro e de literatura em O Jornal e no Diário de Notícias.

Em 1948, fez sua estreia como dramaturgo, com a montagem de dois textos pela Companhia do ator Procópio Ferreira: a comédia "Lady Godiva" e o drama "Greve Geral".

Suas peças são voltadas para temas mitológicos, em sua maioria, escritas com uma abordagem cômica.

Em 1949 montou a peça "Um Deus Dormiu Lá Em Casa", inspirada em temática grega, iniciando uma série que o aproximou do universo dos mitos. Dirigida por Silveira Sampaio, com Paulo Autran e Tônia Carrero à frente do elenco, a montagem alcançou repercussão e prêmios. Ainda em 1949, foi professor de história do teatro na Escola do Serviço Nacional de Teatro (SNT), bem como tradutor de inúmeros autores, como Molière, William Shakespeare e Bernard Shaw.

Com o Teatro de Revista em alta, na década de 50, escreveu as revistas "A Imprensa é Livre" e "Miss França", em co-autoria com Geysa Bôscoli. Em seguida, apresentou os textos "Don Juan" (1951).

Em 1952, "A Raposa e as Uvas" dirigida por Bibi Ferreira, tornou-se sua criação mais conhecida no Brasil e no exterior, onde conheceu diversas encenações e traduções, recebendo o Prêmio Municipal do Rio de Janeiro e da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT).


Em 1957, fez "Menina Sem Nome", infantil. No volume "Xântias - Oito Diálogos Sobre a Arte Dramática", Guilherme Figueiredo resume seus ensinamentos sobre dramaturgia.

Em 1958, fez "A Muito Curiosa História da Virtuosa Matrona de Éfeso", montagem de sucesso empreendida pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Novos textos são lançados, mas nenhum alcança grande repercussão: "Tragédia Para Rir", "Retrato de Amélia" e "Os Fantasmas".

Nos anos subsequentes criou as peças inéditas: "Napoleão", "Balada Para Satã", "O Herói", "Comédia Para Não Rir" e "Maria da Ponte", além de uma série de comédias curtas em um ato.

Em 1963, escreveu "Os Gigantes, Os Rios..." e "A Cidade de Cada Um", conto premiado no concurso "As Melhores Histórias Sobre a Cidade", instituído pelo Correio da Manhã, publicado pela Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro.

Com o livro "A Raposa e as Uvas" alcançou o Prêmio Artur Azevedo, da Academia Brasileira de Letras (ABL), e com o livro "Um Deus Dormiu Lá Em Casa", obteve a medalha de ouro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT).

Guilherme Figueiredo morreu no dia 24/05/1997, aos 82 anos, no Rio de Janeiro.

Fonte: Wikipédia

Roberto Freire

JOAQUIM ROBERTO CORRÊA FREIRE
(81 anos)
Psiquiatra, Escritor, Diretor, Autor, Letrista e Pesquisador

☼ São Paulo, SP (18/01/1927)
┼ São Paulo, SP (23/05/2008)

Joaquim Roberto Corrêa Freire foi um médico psiquiatra e escritor brasileiro, conhecido por ser o criador de uma nova e heterodoxa técnica terapêutica denominada Soma (somaterapia), baseada no anarquismo e nas ideias de Wilhelm Reich. Foi também diretor de cinema e teatro, autor de telenovela, letrista e pesquisador científico.

Nasceu em São Paulo no dia 18/01/1927. Formou-se em Medicina, na Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, em 1952. Enquanto estudante, e após a sua formatura, trabalhou como pesquisador em eletrofisiologia e em biofísica celular no Instituto de Biofísica da Universidade do Brasil, sob a orientação do professor Carlos Chagas Filho.

Em 1953 foi trabalhar no Collège de France, em Paris, desenvolvendo trabalhos de endocrinologia experimental, sob orientação do professor Robert Courrier. Publicou vários trabalhos nas revistas das Academias de Ciências do Rio de Janeiro e de Paris.

Após alguns anos trabalhando como endocrinologista clínico, Roberto Freire realizou sua formação em psicanálise através da Sociedade Brasileira de Psicanálise, em São Paulo, com o professor Henrique Schlomann.


Em 1956, realizou trabalhos de acompanhamento clínico no Centro Psiquiátrico Franco da Rocha, em São Paulo.

A partir deste período Roberto Freire buscou novas fontes de pesquisa, realizando estágios no exterior. Em bioenergética, com os discípulos de Wilhem Reich, em Paris. Em gestalterapia, com os discípulos de Frederich Perls, em Bourdeaux. Suas divergências teóricas e ideológicas se ampliaram e Roberto Freire acaba se distanciando da psicanálise, ao mesmo tempo em que se aproxima cada vez mais do campo artístico, literário e político brasileiro.

Roberto Freire, militante clandestino lutando contra a ditadura militar, não encontrava na psicanálise nem na psicologia tradicional as ferramentas necessárias que auxiliassem nos conflitos emocionais e psicológicos de seus companheiros de luta que o procuravam buscando algum tipo de ajuda. Foram principalmente as pesquisas de um cientista renegado pelo meio acadêmico - considerado por muitos como o dissidente mais radical da psicanálise - Wilhelm Reich, que influenciaram Roberto Freire na criação de uma nova técnica terapêutica corporal e em grupo.

A Soma nasceu de uma pesquisa sobre o desbloqueio da criatividade, realizada no Centro de Estudos Macunaíma, com as contribuições de Myriam Muniz e Sylvio Zilber. Através de exercícios teatrais, jogos lúdicos e de sensibilização, Roberto Freire foi criando uma série de vivências que possibilitavam uma rica descoberta sobre o comportamento, suas infinitas e singulares diferenças.

Roberto Freire e Roberto Carlos
Perceber como o corpo reage diante de situações comuns no cotidiano das relações humanas, como a agressividade, a comunicação, a sensualidade, e sua associação com os sentimentos e emoções, permite um resgate daquilo que nos diferencia enquanto individualidade, para criar um jeito novo, a originalidade contra a massificação. Assim, a Soma se construiu como um processo terapêutico com conteúdo ideológico explícito, o Anarquismo.

Simultaneamente a vida científica, desenvolveu atividades artísticas e culturais, desde seu retorno da Europa, especialmente no campo da poesia e do teatro. Desta época resultou um trabalho de poesia ainda inédito, "Pé no Chão, Roupa Suja, Olho no Céu". A maioria desses poemas foi musicada pelo compositor Caetano Zama, sendo que um deles, "Mulher Passarinho", teve gravação de Agostinho dos Santos, no período inicial da bossa nova.

No teatro, Roberto Freire foi diretor das peças "Escurial", de Michel Guelderhode e "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto, além de autor e co-diretor de "O&A", co-direção com Sionei Siqueira.

A peça "Morte e Vida Severina" é sempre muito lembrada por diretores e atores, pois foi a revelação de um jovem músico, Chico Buarque. Além disso, esta peça, de 1965, enaltecia dois pilares essenciais no teatro: a sua alta qualidade artística associada ao trabalho de mobilização do grupo de atores, músicos e diretores. Esses elementos foram fundamentais na superação da estrutura material ainda precária, e impulsionaram o grupo de tal maneira que, no ano seguinte, a peça obtivesse o primeiro lugar no Festival de Teatro de Nancy, na França.


Roberto Freire trabalhou também em funções administrativas, como presidente da Associação Paulista da Classe Teatral, diretor do Serviço Nacional de Teatro, e diretor artístico no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA).

Na música, Roberto Freire foi letrista e jurado de diversos Festivais da Música Popular Brasileira. Nesta época trabalhava para a TV Globo na criação e redação, em parceria com Max Nunes, no programa "A Grande Família". Mesmo assim, Roberto Freire e o grupo de jurados, Nara Leão (presidente), Rogério Duprat, Décio Pignatari, Sérgio Cabral, César Camargo Mariano, Big Boy, entre outros, decidem que Roberto Freire seria o representante do júri nacional que leria o manifesto assinado por eles no palco do Maracanãzinho.

O pesquisador Zuza Homem de Mello, em seu livro "A Era dos Festivais, Uma Parábola" (2003, Editora 34, pag. 429), descreve claramente de que maneira os resultados dos Festivais passaram a ser ditados pelos interesses ligados à ditadura militar e enfoca o papel de Roberto Freire no último Festival Internacional da Canção (FIC) da TV Globo.

"Ao tentar ler no palco do VII Festival Internacional da Canção um manifesto contra a destituição do júri nacional, Roberto Freire foi violentamente arrastado por policiais, que o levaram a uma sala e o espancaram barbaramente (…) Terminava a Era dos Festivais."

Na televisão, Roberto Freire foi autor de teleteatro, exibido na TV Record e na TV Globo. No cinema fez a direção e roteiro do longa-metragem "Cleo e Daniel", com Myriam Muniz, John Herbert, Beatriz Segall, Irene Stefânia (no papel de Cleo), Chico Aragão (como Daniel). O roteiro é uma adaptação do romance homônimo, escrito por Roberto Freire em 1966, inspirado na tragédia "Daphnis e Chloe" do poeta romano Longus. O primeiro livro de Roberto Freire é reconhecido como um marco para as gerações de 1960 e 1970, que se identificava fortemente com os conflitos familiares e amorosos das personagens.


No jornalismo Roberto Freire foi repórter e redator de medicina e saúde pública no jornal OESP. Diretor-responsável e redator do jornal Brasil Urgente. Cronista do jornal A Última Hora, de São Paulo. Repórter da revista Realidade, da Editora Abril, na qual obteve o Prêmio Esso com a reportagem "Meninos do Recife". Diretor de reportagem da revista Bondinho. Editor da revista Grilo (histórias em quadrinhos).

Na área da educação, foi assessor do professor Paulo Freire no Plano Nacional de Alfabetização de Adultos, associando as pesquisas pedagógicas a um movimento nacional de cultura popular. Este trabalho foi interrompido após 1964. Além desta experiência, Roberto Freire foi professor na disciplina Psicologia do Ator na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo, então dirigida por Alfredo Mesquita, onde acumulava a função de médico clínico dos alunos.

Em 1958, a convite dos alunos e por insistência do amigo e mestre Alberto D’Aversa, também professor da Escola de Artes Dramáticas e recém chegado da Argentina, escreveu a peça "Quarto de Empregada", cujos dois únicos papéis eram representados, como exercício didático, pelas alunas Ruthnéia de Moraes e Assunta Peres. "Quarto de Empregada" é, até hoje, a peça mais encenada de Roberto Freire.

Em todas as atividades às quais se dedicou - psicanálise, teatro, televisão, jornalismo e a literatura - Roberto Freire deixou suas marcas. Porém, segundo o próprio Roberto Freire, a Somaterapia foi a sua principal contribuição enquanto teórico e libertário.

Roberto Freire morreu na noite de sexta-feira, 23/05/2008, aos 81 anos. O corpo foi cremado no sábado, 24/05/2008, no Crematório da Vila Alpina, em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada pela família. 

Lúcia Lambertini

LÚCIA LAMBERTINI
(50 anos)
Atriz, Diretora e Autora

* São Paulo, SP (26/06/1926)
+ São Paulo, SP (23/08/1976)

Lúcia Lambertini foi uma atriz, diretora e autora brasileira. Graciosa, alegre, era baixinha e sempre aparentou menos idade do que tinha.

Quando a TV Tupi foi inaugurada em 1950, Lúcia Lambertini já tinha amizade com Tatiana Belinky e Júlio Gouveia, diretores do TESP. E estes começaram as tratativas para lançar os programas infantis na televisão, logo em 1952.

Lúcia Lambertini, seu tipo físico e seu talento, encaixaram-se perfeitamente no papel de Emília, a bonequinha do "Sítio do Pica-Pau Amarelo". Então, em 1952, ela estreou na televisão vivendo a Emília da primeira versão do "Sítio do Pica-Pau Amarelo". Depois participou do "TV de Vanguarda" e interpretou famosas personagens juvenis em especiais e tele-teatros, como "Heidi", "Pollyana", "A Moreninha" e "O Pequeno Lorde".

Grande atriz, intercalou seus trabalhos de atriz, aos de redatora de novelas e produtora de programas. Na década de 60 passou a escrever e dirigir para a TV Cultura e TV Excelsior, onde fez "Quem Casa Com Maria", "Yoshico, Um Poema de Amor", a primeira novela brasileira dedicada à colônia japonesa. Escreveu ainda "As Professorinhas" e "Os Amores de Bob".

HélioTozzi e Lúcia Lambertini

Foi produtora das novelas "Amor de Perdição", "Escrava do Silêncio" "O Moço Loiro". Sua importância também cresceu por ser um dos principais nomes da criação do modelo de TV Educativa. Esteve por muitos anos na TV Cultura, como produtora e autora.

Como atriz atuou no filme "O Homem das Encrencas" (1964), título alternativo "Imitando o Sol", e nas telenovelas "As Professorinhas", "Quem Casa Com Maria?", "Sozinho no Mundo" e "A Viagem", na TV Tupi, onde fez a divertida Dona Cidinha, proprietária de uma pensão.

Era irmã da também atriz Leonor Lambertini e foi casada com o diretor e produtor Hélio Tozzi, com quem teve filhos.

Lúcia Lambertini morreu repentinamente em 23/08/1976, vítima de uma parada cardíaca.


Sempre se disse sobre ela:

"Lúcia Lambertini foi a melhor Emília de todos os tempos!"

Indicação: Valdimir D'Angelo

Fauzi Arap

FAUZI ARAP
(75 anos)
Diretor, Autor e Ator

* São Paulo, SP (1938)
+ São Paulo, SP (05/12/2013)

Sempre fora dos esquemas de produção tradicionais, Fauzi Arap imprimiu em seus trabalhos como diretor e autor uma expressão original, assimilando a poesia e a liturgia da contracultura dos anos 1970.

Formado em engenharia civil, sua trajetória profissional se consolidou no teatro. Começou como ator no fim dos anos 1950, ainda na fase amadora do Teatro Oficina, e participou da primeira montagem profissional do grupo em 1961, "A Vida Impressa em Dólar", de Clifford Odetts, direção de José Celso Martinez Corrêa, quando recebeu os prêmios Saci e Governador do Estado de melhor ator coadjuvante.

Afirma-se como ator tanto em montagens do Teatro Oficina como do Teatro de Arena, tais como: "José do Parto à Sepultura", de Augusto Boal, direção Antônio Abujamra, no Teatro Oficina, 1961; "A Mandrágora", de Maquiavel, direção Augusto Boal, no Teatro de Arena, 1962. No ano seguinte, em "Pequenos Burgueses", de Máximo Gorki, substituindo Raul Cortez, alcançou brilhante desempenho realista, transfigurando-se no bêbado Teteriev. Fez ainda "Andorra", de Max Frisch, 1964; ambas direções de  José Celso pelo Teatro Oficina. Junto ao Grupo Decisão, esteve em "O Inoportuno", de Harold Pinter, recebendo elogiosa crítica de Décio de Almeida Prado.


Estreou como diretor em 1965, levando ao palco o texto "Perto do Coração Selvagem", adaptado da obra de Clarice Lispector, adaptada por ele. Em 1967 dirigiu e interpretou, dividindo o palco com Nelson Xavier, "Dois Perdidos Numa Noite Suja", de Plínio Marcos. Em 1968, Tônia Carrero o convida para dirigi-la em "Navalha Na Carne", também de Plínio Marcos, peça que obteve estrondoso sucesso.

Aos 29 anos, abandonou a carreira de ator para dedicar-se à direção. Como diretor, lançou importantes nomes da dramaturgia nacional. Além do já citado Plínio Marcos, trouxe à cena "Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã", do então jovem estreante Antônio Bivar, produção do Teatro Maria Della Costa (TMDC), em 1968. Revelou ao público a poética contundente de José Vicente ao dirigir "O Assalto" em 1969, que contava com Ivan de Albuquerque e Rubens Corrêa. Projetou nacionalmente o nome de Maria Bethânia ao dirigi-la no show "Rosa dos Ventos", em 1971, valorizando a forte presença cênica da cantora.

A carreira como autor tem início com "Pano de Boca", 1975, na qual fez um balanço dos caminhos e descaminhos do teatro brasileiro nos anos 1960 e 1970, inspirando-se livremente nos fatos que dilaceraram o Teatro Oficina.


Recebeu os prêmios Molière de melhor autor e Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA), de melhor diretor por "O Amor do Não", 1977. Mais tarde, em 1983 levou o prêmio Mambembe de melhor autor em "Quase 84", dirigido por Ivan de Albuquerque.

Em 1986, voltou a chamar a atenção pela direção em "Uma Lição Longe Demais", de Zeno Wilde. Em 1987, é premiado à frente do "Risco e Paixão", "Projeto T.A.R.Ô Rosa dos Ventos" do Teatro Brasileiro, que ocupou o Teatro de Arena Eugênio Kusnet por dois anos, com o qual se mostraou um ativo fomentador da produção cultural. Nesse projeto dirigiu "Às Margens do Ipiranga", de sua autoria, na qual procurou reproduzir, sobre a trajetória do Teatro de Arena, uma análise afetiva semelhante à que realizou com relação ao Teatro Oficina em "Pano de Boca". No fim dos anos 1990, obteve êxitos na direção de diferentes gêneros, como no drama poético "Santidade", peça de José Vicente censurada em 1968, e na comédia "Caixa 2", de Juca de Oliveira, prêmios Shell de melhor direção por ambos os trabalhos.

Fauzi Arap é tido como pioneiro na direção de shows musicais no Brasil e também, reconhecidamente, um dos melhores diretores de ator do país. Em 1971 trabalhou como terapeuta voluntário na Casa das Palmeiras, centro psiquiátrico anti-convencional dirigido pela doutora Nise da Silveira, quando mergulhou nas obras de Jung. Sua autobiografia, "Mare Nostrum - Sonhos, Viagens e Outros Caminhos", 1998, revela a trajetória de um homem que buscou na vida e no teatro uma existência integral.


Morte

Fauzi Arap morreu, aos 75 anos, na madrugada de quinta-feira, 05/12/2013, em sua casa, no Paraíso, em São Paulo. Segundo a família, ele sofria de um câncer, que começou na bexiga mas já havia se espalhado. O enterro ocorreu no Cemitério São Paulo, na sexta-feira, 06/12/2013, às 11:00 hs.

Principais Trabalhos

Autoria
  • 1975 - Pano de Boca
  • 1977 - O Amor do Não
  • 1977 - Um Ponto de Luz
  • 1979 - Mocinhos Bandidos
  • 1979 - Sol no Olho
  • 1980 - Parabéns Pra Você
  • 1981 - The Brazilian Tropical Super Star
  • 1983 - Quase 84
  • 1987 - Projeto T.A.R.Ô. Rosa dos Ventos
  • 1988 - Às Margens do Ipiranga
  • 1988 - Risco e Paixão
  • 1989 - Além do Círculo
  • 1991 - A História Acabou
  • 2003 - O Mundo é um Moinho
  • 2005 - Chega de História
  • 2007 - Chorinho


Direção
  • 1961 - São Paulo - O Balanço
  • 1965 - São Paulo - Perto do Coração Selvagem
  • 1967 - Rio de Janeiro - Dois Perdidos Numa Noite Suja
  • 1967 - São Paulo - Santidade
  • 1968 - Rio de Janeiro - Navalha na Carne
  • 1968 - São Paulo - Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã
  • 1969 - Rio de Janeiro - Falando de Rosas
  • 1969 - Rio de Janeiro - O Assalto
  • 1969 - São Paulo - Falando de Rosas
  • 1970 - São Paulo - Seu Tipo Inesquecível
  • 1970 - Rio de Janeiro - Macbeth
  • 1971 - Rio de Janeiro - Rosa dos Ventos. Show Encantado
  • 1974 - Rio de Janeiro - A Cena Muda - Show de Maria Bethânia
  • 1976 - São Paulo - Pano de Boca
  • 1977 - São Paulo - O Amor do Não
  • 1977 - São Paulo - Um Ponto de Luz
  • 1977 - Rio de Janeiro - Pássaro da Manhã
  • 1979 - Rio de Janeiro - Maria Bethania
  • 1979 - São Paulo - Mocinhos Bandidos
  • 1980 - São Paulo - Abajur Lilás
  • 1980 - Campinas - O Abajur Lilás
  • 1981 - Rio de Janeiro - Estranha Forma de Vida
  • 1986 - São Paulo - Uma Lição Longe Demais
  • 1987 - São Paulo - Dois Perdidos Numa Noite Suja
  • 1988 - São Paulo - Às Margens do Ipiranga
  • 1991 - São Paulo - A História Acabou
  • 1993 - São Paulo - Retrato Falado
  • 1994 - São Paulo - Adorável Desgraçada
  • 1995 - São Paulo - A Quarta Estação
  • 1996 - São Paulo - Perdidos na Praia
  • 1996 - São Paulo - Frida Kahlo
  • 1997 - São Paulo - Caixa 2
  • 1998 - São Paulo - Santidade
  • 2002 - São Paulo - Deve Ser do C... o Carnaval em Bonifácio
  • 2003 - São Paulo - O Mundo É um Moinho
  • 2005 - São Paulo - Chega de História
  • 2006 - São Paulo - Kerouac
  • 2007 - São Paulo - Chorinho5


Indicação: Miguel Sampaio e Fadinha Veras

José Fortuna

JOSÉ FORTUNA
(60 anos)
Cantor, Compositor, Autor Teatral, Radialista e Ator

* Itápolis, SP (02/10/1923)
+ São Paulo, SP (10/11/1983)

Zé Fortuna começou a compor ainda criança, quando acompanhava o pai em andanças pela lavoura, escrevendo versos no chão de terra com um pedaço de madeira. Com 11 anos de idade compôs "Quinze a Sete", numa homenagem a seu time de futebol. Profissionalmente compôs sua primeira música no dia 26 de setembro de 1942, com 18 anos.  Sua primeira música gravada foi "Moda das Flores", no dia 04 de abril de 1944, por Raul Torres & Florêncio, e desde então nunca mais parou. Nos próximos quarenta anos ele comporia e gravaria perto de duas mil músicas, algumas com mais de cinquenta regravações.

Um de seus maiores sucessos foi a versão da guarânia "Índia", composta há sessenta anos, do outro lado de "Meu Primeiro Amor", também versão de José Fortuna, gravados originalmente por Cascatinha & Inhana, no ano de 1952, músicas que chegaram a vender na ocasião mais de um milhão de cópias.

Casa onde José Fortuna nasceu no Bairro da Aldeia em Itápolis, SP
Estas duas composições foram regravadas por dezenas de duplas sertanejas, como também por intérpretes da música popular brasileira, como por exemplo, Agnaldo Timóteo, Ângela Maria, Nara Leão, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, que regravou "Índia", nome dado a um de seus shows no Canecão, Rio de Janeiro. A obra foi tema da novela da Rede Globo "Alma Gêmea" (2005), de Walcir Carrasco, na interpretação de Roberto Carlos.

"Meu Primeiro Amor", a versão para "Lejania", composta no mesmo ano para o outro lado de "Índia", e também muito regravada, foi relançada nos últimos anos pelos intérpretes Joana e Fagner. Uma curiosidade é que "Índia", foi a responsável pela introdução da guarânia como estilo musical no Brasil, posto que até então tal gênero musical era desconhecido por aqui, não possuindo mercado propício para a sua expansão, e assim sendo, após o enorme sucesso gravado por Cascatinha & Inhana, intensificou-se o intercâmbio cultural entre Brasil e Paraguai. Estas duas guarânias, bem como outras de autoria de José Fortuna, tais como, "Anahy", "Solidão", "Minha Terra Distante", "Vai Com Deus", entre outras, geraram inúmeras regravações, inclusive no exterior.

Entretanto, José Fortuna não foi na sua essência, um compositor de guarânias somente, mas sim de uma grande versatilidade de estilos musicais. Outros de seus grandes sucessos foram as músicas "Lembrança", "Paineira Velha", "Berrante de Ouro", "Cheiro de Relva", "Terra Tombada", "O Selo de Sangue", "Rosto Molhado", "Vinte e Quatro Horas de Amor", "Esteio de Aroeira", "A Mão do Tempo", "O Ipê e o Prisioneiro", "O Vai e Vem do Carreiro", entre outras, todas com várias regravações.

Durante todo este tempo, e paralelamente às suas atividades como compositor, José Fortuna manteve um trio, do qual pertencia também seu irmão Euclides Fortuna, o Pitangueira, formando com Zé do Fole o trio Os Maracanãs. Eles gravaram mais de quarenta LPs e dezenas de discos ainda em 78 rotações, como também muitos compactos com músicas de José Fortuna. Apresentaram-se em todas as emissoras da capital e do interior. Curiosamente foi o trio Os Maracanãs que inaugurou o canal 5, hoje Rede Globo de Televisão, no ano de 1950.


Além de compositor, José Fortuna foi também autor e escritor de 42 peças de teatro, tais como "O Punhal da Vingança", "O Selo de Sangue", "Voz de Criança", "Lenda da Valsa dos Noivos", "Crime de Amor", "Os Valentes Também Amam", "Coração de Homem", entre outras peças,  percorrendo todo o Brasil, e algumas cidades da América do Sul, com a Companhia Teatral Maracanã. Também atuava como ator de destaque em todas as suas criações teatrais, e a Companhia Teatral Maracanã acabou por receber inúmeros prêmios e troféus, tornando-se assim conhecidos dentro do universo da música sertaneja como "Os Reis do Teatro".

Em meio a todas essas atividades, publicou também 40 livretos com as letras de suas obras musicais e dezenas de estórias completas, todas em verso, a chamada Literatura de Cordel.

Após o encerramento das atividades com a Companhia Teatral Maracanã, por volta de 1975, passou então a se dedicar com maior afinco à composição. Foi a época dos grandes Festivais de Música Sertaneja promovidos pela Rádio Record, em que ele começou a trabalhar em parceria com Carlos Cezar.

Participou então seguidamente de mais de 20 Festivais, obtendo sempre as primeiras colocações, principalmente na Capital, onde nos anos de 1979, 1980 e 1981 venceu-os consecutivamente. Em um deles, no ano de 1979, obteve os três primeiros lugares com as músicas: "Riozinho" (1º lugar), "Berrante de Ouro" (2º lugar) e "Brasil Viola" (3º lugar).

Ainda em 1979, a Secretaria do Trabalho do Estado de São Paulo, oficializou "O Hino do Trabalhador Brasileiro", de José Fortuna e Carlos Cezar.

"Berrante de Ouro", por exemplo já tem mais de setenta regravações. Isto tudo ocorreu em meio a festivais onde participavam mais de 13.600 concorrentes, durante um período de seis meses, com eliminatórias em todas as Capitais e grandes cidades brasileiras.

Em 1981, também no Festival da Rádio Record, concorrendo com mais de dez mil composições, obteve o primeiro lugar com a música "O Vai e Vem do Carneiro", além de ganhar, juntamente com Carlos Cezar, os troféus de melhor letra, melodia, orquestração, interpretação e arranjo.

Zé Fortuna & Pitangueira
No âmbito da música sertaneja pode-se afirmar que não há um intérprete que não tenha gravado obras de José Fortuna, desde Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, João Paulo & Daniel, Milionário & José Rico, Tião Carreiro & Pardinho, Tonico & Tinoco, estes inclusive gravaram um LP com doze faixas só com obras de José Fortuna, homenageando o compositor, Sérgio Reis, Roberta Miranda, Cezar & Paulinho, Mococa & Paraíso, enfim, todos os intérpretes do gênero sertanejo, têm com certeza em seu repertório passado ou recente, obras musicais de José Fortuna.

Um fato curioso acontecido em sua vida, foi quando da inauguração da cidade de Brasília, ocasião em que José Fortuna teve o prazer de receber das mãos do então Presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira, um cartão de congratulações e mérito por sua composição "Sob o Céu de Brasília", tida como o Hino Inaugural de Brasília.

O Rádio também foi outra de suas grandes paixões. Foi radialista durante toda a sua vida artística, e apresentou o "Programa José Fortuna" em quase todas as rádios da capital: TupiPiratiningaGazetaJornalRecordNove de JulhoSão PauloCometaNacionalDifusoraGloboMorada do Sol, entre outras.

Ao longo de sua vida, teve o prazer de receber inúmeros troféus, títulos e congratulações, destacando-se dentre estes:

  • Título de Cidadão Osasquense
  • Cartão de Prata e a Medalha Anchieta por iniciativa da Câmara Municipal do Estado de São Paulo
  • Título de Cidadão Paulistano
  • A Sala José Fortuna no Museu de sua cidade natal, Itápolis
  • A Avenida José Fortuna na sua cidade natal, Itápolis, inaugurada por ele apenas vinte dias antes do seu falecimento.

Outras cidades que o homenagearam, dando o seu nome à algumas praças e ruas são: São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, Guarulhos, São Paulo, São Miguel Paulista, Osasco, Blumenau em Santa Catarina, São Carlos, Mogi das Cruzes e Mogi-Mirim.

A última foto de José Fortuna
Morte

José Fortuna faleceu no dia 10 de novembro de 1983, em sua casa, na cidade de São Paulo, vítima da Doença de Chagas que o acompanhou durante toda a sua vida, deixando sua esposa Durvalina e suas duas filhas Iara e Marlene. Está sepultado no Cemitério do Morumbi, São Paulo, e em sua campa há uma estrofe de um poema seu musicado, que se intitula "O Silêncio do Berranteiro":

"Aqui estou meus velhos companheiros
Olhem pra cima, pra me ver passando
Em meu cavalo, Raio de Luar
Pelo estradão de estrelas galopando
O meu berrante hoje são trombetas
Que os anjos tocam chamando a boiada
De nuvens brancas no sertão do espaço
Vindo ao curral azul da madrugada"

José Fortuna deixou inéditas perto de novecentas obras musicais, que foram sendo musicadas e gravadas por seus diversos parceiros, dentre estes destacando-se com maior afinco Paraíso, co-autor juntamente com José Fortuna de inúmeras obras musicais, tais como "O Ipê e o Prisioneiro", "Avenida Boiadeira", "Atalho" e "Raízes do Amor", sendo também o responsável pela administração de todo o repertório atual de José Fortuna.

Fonte: José Fortuna Site Oficial
Indicação: Miguel Sampaio

Darcy Penteado

DARCY PENTEADO
(61 anos)
Desenhista, Artista Plástico, Pintor, Escritor, Cenógrafo, Figurinista, Autor Teatral e Militante do Movimento LGBTTTs

* São Roque, SP (1926)
+ São Paulo, SP (02/12/1987)

Distinguindo-se sempre pelos elegantes desenhos a bico de pena, trabalhou primeiro em publicidade e como figurinista, ilustrando revistas de moda, passando logo a trabalhar em teatro, como figurinista e cenógrafo, tendo participado, na década de 1950, do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).

Participou de inúmeras exposições, ilustrou livros e foi uma figura presente na cena cultural da cidade de São Paulo entre a década de 1950 e década de 1980. Foi reconhecido em Nova York como um dos dez melhores retratistas do mundo.


Em 1973 participou da XII Bienal com um audiovisual que propunha uma tese em termos estéticos contra a violência e a intolerância. Nesse ano foi produzido um filme documentário de curta metragem intitulado "Via Crucis Segundo Darcy Penteado".

Em 1976 publicou o seu primeiro livro de contos "A Meta" e a partir desse mesmo ano iniciou o ativismo na luta contra a discriminação aos homossexuais. Participou ativamente, durante os anos de repressão da ditadura militar, do jornal O Lampião, publicação pioneira para os gays brasileiros, ativo na defesa dos direitos dos homossexuais.


Por anos Darcy carregou sozinho a bandeira dos homossexuais no Brasil. Foi dele, ainda no início da década de 1980, a primeira tentativa de arrecadação de fundos em benefício da pesquisa sobre a AIDS no Brasil, através de um leilão. Apesar de desiludido com os resultados, participou de diversas campanhas de conscientização da doença. Gravou uma chamada para a televisão, de alerta ao público.

Na literatura, Darcy Penteado ilustrou o primeiro livro de Jorge Amado, "O País do Carnaval" e "Navegação de Cabotagem".

Darcy Penteado faleceu em dezembro de 1987, aos 61 anos vitimado pela AIDS.

Atualmente, suas obras podem ser vistas no museu mantido pelo Centro Cultural Brasital, no município de São Roque, em São Paulo.


Em frente a entrada principal do Edifício Copan, na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua Major Sertório, centro de São Paulo, existe ali uma praça com o nome de Praça Darcy Penteado. Uma justa homenagem a este pioneiro no combate à intolerância.

Para finalizar, uma frase de Darcy Penteado escrita em uma de suas obras de 1985:

"Subsistir apenas, não basta. É preciso dignificar a vida!"
(Darcy Penteado)

Fonte: Blog Grisalhos e Wikipédia

Glória Magadan

MARIA MAGDALENA ITURRIOZ Y PLACENCIA
(81 anos)
Autora de Novelas

* Havana, Cuba (1920)
+ Miami, EUA (27/06/2001)

Maria Magdalena Iturrioz y Placencia, mais conhecida como Glória Magadan  foi uma autora de telenovelas cubana radicada no Brasil.

Para que a história da telenovela no Brasil seja contada e compreendida, é essencial que se escreva nela o nome de Glória Magadan. A escritora, nascida em Cuba, foi a mais importante novelista da década de 60, essencial no início do gênero, tornando-se a mulher mais poderosa da televisão da época.

Se Janete Clair foi a consolidação do gênero, Glória Magadan foi o seu alicerce. Suas histórias folhetinescas eram desprovidas de qualquer bom senso ou apego à realidade. Era a ilusão, a fantasia e o sonho na forma bruta, às vezes grotesca. Distanciados da realidade brasileira, os folhetins da autora traziam histórias mirabolantes e exóticas, que podiam ter como cenário o deserto do Saara, o Japão medieval, a corte francesa do século XVIII. Amarradas de forma consistente, mas longe de uma lógica narrativa, as suas aventuras fascinaram o então incipiente público das telenovelas, fazendo da TV Globo uma máquina de produção do gênero, assegurando a audiência que necessitava na época que se lançou como a mais nova emissora de televisão do Brasil.

A Rainha Louca (Rubens de Falco e  Nathália Timberg)
Após a Revolução Cubana de 1959, Glória Magadan se refugiou em Porto Rico, onde conseguiu emprego na estação de TV local Telemundo e acabou sendo contratada pela agência publicitária da Colgate-Palmolive para desenvolver telenovelas patrocinadas pela empresa. Pouco depois foi enviada para trabalhar na Venezuela, e em 1964, foi tranferida para o Brasil para produzir telenovelas. Ainda em 1964, auxiliada por Walter George Durst e por Daniel Más, iniciou a produção de telenovelas para a TV Tupi.

São desta época tramas como Gutierritos, o Drama dos Humildes, A Cor de Sua Pele e A Outra. No final de 1965 foi contratada pela TV Globo do Rio de Janeiro, onde desenvolveu novelas exóticas e super-produções.

Em 1966, reescreveu em uma nova versão a novela Eu Compro Esta Mulher, que a própria autora escrevera em 1960 para a Telemundo. Esta nova versão foi vendida para uma TV da Argentina em 1968. Ainda fez O Sheik de Agadir (1966), A Sombra de Rebeca (1967) entre outras.

Em 1967, após o fracasso de Anastácia, a Mulher sem Destino, Glória Magadan convida a autora Janete Clair, que estava realizando Paixão Proibida pela TV Tupi para escrever o final da trama.

Glória Magadan acumulava a função de escritora, supervisora e produtora de novelas na TV Globo. Com o acúmulo de funções, pediu para que Janete Clair continuasse trabalhando na emissora, o que abriu caminho para que Janete Clair fizesse sucesso com suas próprias tramas, desbancando as novelas de Glória Magadan. Isso gerou atrito entre as duas autoras. Glória Magadan acusou o diretor Daniel Filho de prestar maior atenção às produções de Janete Clair e isso levou o diretor a pedir demissão da emissora. Glória Magadan também proibiu que Janete Clair se comunicasse diretamente com o elenco.

Em 1968, a TV estava mudando. A TV Excelsior e TV Tupi investiam em novos meios para a teledramaturgia. A TV Excelsior, aproveitando-se da história do Brasil, realizou novelas como O Tempo e o Vento e A Muralha. A TV Tupi investiu em temas modernos, como em Beto Rockfeller e Nino, o Italianinho, enquanto na TV Globo a ordem era continuar baseando-se em clássicos da literatura mundial.

O Sheik de Agadir (Yoná Magalhães e Amilton Fernandes)
Mas a audiência global continuava a declinar, e em meados de 1969, a administração da  TV Globo decide dispensar Glória Magadan, apesar dos grandes sucessos entre 1966 e 1967. Era preciso renovar, e a TV Globo apostava em uma renovação com o trabalho contemporâneo de Janete Clair.

Dispensada pela TV Globo, Glória Magadan consegue retornar à TV Tupi, onde escreveu a trama de E Nós, Aonde Vamos?, novela em que tentava mudar seu estilo, ao fazer uma trama atual. Após o fracasso de sua passagem pela TV Tupi, foi morar em Miami, lar de muitos de seus compatriotas exilados. Nos Estados Unidos, continuou com sua carreira como escritora, mas agora dando mais destaque aos livros e revistas.

Em 1996, Glória Magadan foi procurada pela Rede Manchete, que a queria escrevendo uma novela. A autora chegou a entregar um projeto chamado Homens Sem Mulher, mas as crises constantes na emissora cancelaram o projeto.

Glória Magadan morreu em Miami no dia 27 de junho de 2001.

Telenovelas

  • 1960 - Yo Compro Esa Mujer - (Telemundo - Porto Rico)
  • 1960 - Yo Compro Esa Mujer (RCTV - Venezuela)
  • 1964 - O Sorriso de Helena (TV Tupi - Supervisão)
  • 1964 - Gutierritos, o Drama dos Humildes (TV Tupi - Supervisão)
  • 1964 - Pecado de Mulher (TV Excelsior - Supervisão)
  • 1965 - Teresa  (TV Tupi - Supervisão)
  • 1965 - O Cara Suja  (TV Tupi - Supervisão)
  • 1965 - A Outra (TV Tupi - Supervisão)
  • 1965 - A Cor de Sua Pele  (TV Tupi - Supervisão)
  • 1965 - Paixão de Outono (TV Globo)
  • 1965 - Um Rosto de Mulher (TV Globo - Supervisão)
  • 1966 - Eu Compro Essa Mulher (TV Globo)
  • 1966 - O Sheik de Agadir (TV Globo)
  • 1966 - O Rei dos Ciganos  (TV Globo - Supervisão)
  • 1967 - A Sombra de Rebecca (TV Globo)
  • 1967 - A Rainha Louca (TV Globo)
  • 1967 - Anastácia, a Mulher Sem Destino (TV Globo - Supervisão)
  • 1967 - Sangue e Areia (TV Globo - Supervisão)
  • 1968 - O Santo Mestiço (TV Globo)
  • 1968 - A Gata de Vison (TV Globo)
  • 1968 - A Grande Mentira (TV Globo - Supervisão)
  • 1968 - Passos dos Ventos (TV Globo - Supervisão)
  • 1968 - Yo Compro Esa Mujer (Argentina)
  • 1968 - Demian, O Justiceiro (TV Globo)
  • 1969 - A Ultima Valsa (TV Globo)
  • 1969 - Rosa Rebelde (TV Globo - Supervisão)
  • 1969 - A Ponte dos Suspiros (TV Globo - Supervisão)
  • 1969 - A Cabana do Pai Tomás (TV Globo - Supervisão)
  • 1970 - E Nós, Aonde Vamos? (TV Tupi)
  • 1972 - El Carruaje (A Rainha Louca) (Televisa - México) 
  • 1977 - Carolina (Eu Compro Essa Mulher) (RCTV - Venezuela)
  • 1990 - Yo Compro Esa Mujer (Televisa - México)
  • 1996 - Homens e Mulheres (Manchete - Projeto)

Fonte: Wikipédia e Virtualia

Plínio Marcos

PLÍNIO MARCOS DE BARROS
(64 anos)
Escritor, Autor, Ator, Diretor e Jornalista

* Santos, SP (29/09/1935)
+ São Paulo, SP (29/11/1999)

Plínio Marcos foi um escritor brasileiro, autor de inúmeras peças de teatro, escritas principalmente na época da Ditadura Militar. Foi também ator, diretor e jornalista. Foi casado por 25 anos com a jornalista Vera Artaxo, falecida em julho de 2010.

De família modesta, Plínio Marcos não gostava de estudar e terminou apenas o curso primário. Foi funileiro, quis ser jogador de futebol, serviu na Aeronáutica e chegou a jogar na Portuguesa Santista. Mas foram as incursões ao mundo do circo, desde os 16 anos, que definiram seus caminhos. Atuou em rádio e também na televisão, em Santos.

Em 1958, por influência da escritora e jornalista Pagu, começou a se envolver com teatro amador em Santos. Nesse mesmo ano, impressionado pelo caso verídico de um jovem currado na cadeia, escreveu sua primeira peça teatral, Barrela. Por sua linguagem crua, ela permaneceria proibida durante 21 anos após a primeira apresentação.

Em 1960, com 25 anos, foi para São Paulo, onde inicialmente trabalhou como camelô. Depois, trabalhou em teatro, como ator onde apareceu no seriado Falcão Negro da TV Tupi de São Paulo, administrador e faz-tudo, em grupos como o Teatro de Arena, a companhia de Cacilda Becker e o teatro de Nydia Lícia.

A partir de 1963, produziu textos para a TV de Vanguarda, programa da TV Tupi, onde também atuou como técnico. No ano do Golpe Militar, fez o roteiro do espetáculo Nossa Gente, Nossa Música.

Em 1965, conseguiu encenar Reportagem de um Tempo Mau, colagem de textos de vários autores, e que ficou apenas um dia em cartaz.

Em 1968, participou como ator da telenovela Beto Rockfeller, vivendo o cômico motorista Vitório. O personagem seria repetido no cinema e também na telenovela de 1973, A Volta de Beto Rockfeller, com menor sucesso. Ainda nos anos 1970, Plínio Marcos voltaria a investir no teatro, chegado ele mesmo a vender os ingressos na entrada das casas de espetáculo. Ao fim da peça, como a de Jesus-Homem, ele subia ao palco e conversava pessoalmente com a plateia.

Na década de 1980, apesar da censura do governo, que visava principalmente aos artistas, Plínio Marcos viveu sem fazer concessões, sendo intensamente produtivo e sempre norteado pela cultura popular. Escreveu nos jornais Última Hora, Diário da Noite, Guaru News, Folha de São Paulo, Folha da Tarde, Diário do Povo, e também na revista Veja, além de colaborar com diversas publicações, como Opinião, O Pasquim, Versus, Placar e outras.

Depois do fim da censura, Plínio Marcos continuou a escrever romances e peças de teatro, tanto adulto como infantil. Tornou-se palestrante, chegando a fazer 150 palestras-shows por ano, vestido de preto, portando um bastão encimado por uma cruz e com aura mística de leitor de tarô.

Plínio Marcos foi traduzido, publicado e encenado em francês, espanhol, inglês e alemão. Estudado em teses de sociolinguística, semiologia, psicologia da religião, dramaturgia e filosofia, em universidades do Brasil e do exterior. Recebeu os principais prêmios nacionais em todas as atividades que abraçou em teatro, cinema, televisão e literatura, como ator, diretor, escritor e dramaturgo.

Morreu aos 64 anos na cidade de São Paulo, por falência múltipla dos órgãos em decorrência de um Derrame Cerebral.

Fonte:  Wikipédia

Abílio Pereira de Almeida

ABÍLIO PEREIRA DE ALMEIDA
(71 anos)
Ator, Autor, Produtor e Diretor Teatral

* São Paulo, SP (26/02/1906)
+ São Paulo, SP (12/05/1977)

Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), começou como ator em montagens beneficentes de Alfredo Mesquita. Juntos eles fundam o Grupo de Teatro Experimental (GTE).

Foi um dos fundadores do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), não só como ator mas principalmente como autor com a peça "A Mulher do Próximo", estrelada por Cacilda Becker. No Teatro Brasileiro de Comédia encenou também de sua autoria, "Paiol Velho", "Santa Marta Fabril" e "Rua São Luís, 27".

Foi para a Companhia Vera Cruz onde participou como ator dos filmes "Caiçara" (1950), "Terra é Sempre Terra" (1951), "Angela" (1951), "Tico-Tico no Fubá" (1952), "Apassionata" (1952) e "Sai da Frente" (1952), que lançou Mazzaropi.

Produziu filmes importantes pela Brasil Filmes no final da década de 1950 como "Moral em Concordata" (1959), "O Sobrado" (1956) e "Estranho Encontro" (1958). No primeiro filme se destaca Odete Lara, de cuja carreira foi um dos principais incentivadores.

Escreveu várias peças para outras companhias como "Dona Violante Miranda" que virou filme com Dercy Gonçalves, "O Comício", "Os Marginalizados", "O Bezerro de Ouro", "Círculo de Champagne" e "Licor de Maracujá".

Morte

Abílio Pereira de Almeida suicidou-se aos 71 anos em São Paulo, no ano de 1977. Ele completaria cem anos em 2006 e foi homenageado pelo diretor Silnei Siqueira com uma nova montagem de "Moral em Concordata".

Fonte: Wikipédia