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Niltinho Tristeza

NILTON DE SOUZA
(81 anos)
Cantor e Compositor

☼ Rio de Janeiro, RJ (15/10/1936)
┼ Rio de Janeiro, RJ (10/02/2018)

Niltinho Tristeza foi um cantor e compositor nascido em no Rio de Janeiro, RJ, no dia 15/10/1936. Foi integrante da ala de compositores da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, ex funcionário do INPS e linotipista. Nilton de Souza prestou serviços também na União Brasileira de Compositores (UBC) e na Sociedade Administradora de Direitos de Execução Musical do Brasil (SADEMBRA), entretanto, sua grande paixão e vocação sempre foi a música.

Nasceu em Botafogo, Rio de Janeiro, na Rua Real Grandeza, e lá mesmo foi criado, até se casar, na época do sucesso de "Tristeza", quando mudou-se do bairro. Porém até chegar a este momento trabalhou antes em muitos eventos. Niltinho Tristeza não teve influencias musicais da família. A música já nasceu consigo, um dom natural.

Niltinho Tristeza  começou no Bloco da São Clemente passando depois para o Foliões de Botafogo. Carrega este apelido devido ao grande sucesso de sua musica "Tristeza", composta em 1963 para o bloco Foliões de Botafogo e, sem sombra de dúvida, sua maior inspiração, sua composição mais conhecida até hoje, tanto no Brasil como no resto do mundo.

Seu amigo Paulo Duque incentivou-o com a primeira versão da música. Na realidade, somente 3 anos após ser composta, e com a nova parceria de Haroldo Lobo, que impressionou-se ao ouvi-la, a música recebeu algumas modificações que a tornaram mais popular. Seu parceiro não chegaria a ouvir a música nas rádios, falecendo antes de o samba ser lançado. Na época houve uma certa revolta dos dirigentes da São Clemente devido ao grande sucesso da musica, que afinal , foi cantada no bloco rival. A versão original é bastante conhecida pelos frequentadores mais assíduos do antigo Cantinho da Fofoca, e é também muito bem elaborada e de grande qualidade musical.

João Nogueira levou-o para o Cacique de Ramos em 1970 e em 1971, Zé Katimba o carregou definitivamente para a Imperatriz Leopoldinense.


Casado com Neuza Maria, a inspiradora de sua grande obra, há mais de 42 anos. Mulata que, como ele próprio, também trabalhava nos espetáculos produzidos por Oswaldo Sargentelli, e com ele trabalharam por mais ou menos 10 anos. Desse casamento tiveram um filho e 3 netos. Ela foi , na época, a grande batalhadora para que "Tristeza" alcançasse o sucesso. Por mito tempo Neuza Maria ainda trabalhou com o samba ensinando e ensaiando a dança para as novas gerações, além de integrar a ala das baianas da Imperatriz Leopoldinense.

Somente em 1966 a música estourou nas rádios e passou a ser uma das mais cantadas no Carnaval daquele ano, na voz de Ari Cordovil, passando daí ao exterior onde foi gravada centenas de vezes.

Além de "Tristeza"Niltinho Tristeza possui cerca de 150 sambas gravados e, pelo menos mais uns 40 guardados, inéditos. Somente "Tristeza" foi gravada 575 vezes. Graças à musica conseguiu estabilidade na vida.

Outro grande sucesso seu é a musica "Chinelo Novo", em parceria com João Nogueira (1971).

Em 1984, integrante da ala de compositores da Imperatriz Leopoldinense, ganhou o samba na Escola com "Alô Mamãe" (Niltinho Tristeza, Guga, Toninho e Jurandir). Em 1985 fizeram "Adolã - A Cidade Mistério". Em 1986 fizeram "Um Jeito Para Ninguém Botar Defeito" e em 1987 foi "A Estrela Dalva".

Em 1989, criou em parceria, o samba enredo "Liberdade! Liberdade! Abre As Asas Sobre Nós" (Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Jurandir) contribuindo assim para que a Imperatriz Leopoldinense se tornasse a campeã do carnaval daquele ano. Este samba já teve diversas regravações, sendo até hoje considerado o mais belo samba-enredo daquela agremiação.


A partir do sucesso de "Tristeza", Niltinho passou a ser muito solicitado no meio artístico e vários cantores começaram a gravar suas musicas, entre eles: Elizeth Cardoso, Pery Ribeiro, Wilson Simonal, Elza Soares, Jorge Goulart, Maria Creuza, Emílio Santiago, Dominguinhos do Estácio, Jair Rodrigues (Com sua voz é que "Tristeza" estourou de vez em 1966, sendo depois regravada no LP "Dois Na Bossa" com Elis Regina), Sergio Mendes, Doris Monteiro, Miltinho, Agnaldo RayolElis Regina, Toquinho, Vinicius de Moraes, Paulinho Mocidade, dentre vários outros.

O musico de jazz Oscar Peterson chegou a gravá-la em um LP com o título de sua música. Em outros países também foi gravado por Paul Mauriat, Astrud Gilberto, Freddy Cole, Julio Iglesias, Ray Connif, e três vezes diferentes por Ornella Vanoni.

Niltinho Tristeza atribui também o sucesso de sua musica a uma grande enchente que houve no Rio de Janeiro devido às densas chuvas que caíram nos meses que antecederam o Carnaval daquela época, inclusive ameaçando a suspensão do Carnaval.

Com o ambiente triste envolvendo a cidade, o povo saiu as ruas cantando em alto e bom som:
Tristeza

Por favor vá embora
Minha alma que chora
Está vendo o meu fim
Fez do meu coração a sua moradia
Já é demais o meu penar
Quero voltar aquela vida de alegria
Quero de novo cantar!

Em 1971, mudou-se para São Paulo para uma pequena temporada de shows, ficando por lá pelo menos 14 anos. A partir de 1972 levou para lá toda a sua família.

No final de 1981, recebeu um convite para montar um show de mulatas no chile e ficou por lá por volta de 6 meses.

Somente em 1985, Niltinho voltaria para o Rio de Janeiro. Adquirindo uma casa de vila em Ramos, para justamente ficar próximo ao Cacique de Ramos.

Alguns de seus grandes sucessos são "A Onda do Mar Levou" (Niltinho Tristeza e Nonô), "Barra de Ouro, Barra de Rio, Barra de Saia" (Niltinho Tristeza e Zé Katimba), este foi seu primeiro samba ganhador na Imperatriz Leopoldinense, "Liberdade! Liberdade! Abre As Asas Sobre Nós" (Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Jurandir), "Tristeza" (Niltinho Tristeza e Haroldo Lobo), "A Infelicidade" (Niltinho Tristeza e Mauro Duarte) e o samba introdutório da Imperatriz Leopoldinense, samba que é cantado na concentração antes da entrada da escola na passarela.

Niltinho Tristeza participou do CD "Meninos do Rio", em 2001, juntamente com outros compositores de renome da música, interpretando suas composições "Chinelo Novo", "Liberdade! Liberdade! Abre As Asas Sobre Nós" e "Tristeza".

Em 2003, participou juntamente com Noca da Portela, Darcy da Mangueira e Roberto Serrão, como um dos convidados de Leandro Fregonesi do Café Cultural Sacrilégio.

Em 2006 ganhou na Imperatriz Leopoldinense, o samba enredo da escola, em parceria com os compositores Amaurizão, Maninho do Ponto e Tuninho Professor. Ao todo já ganhou 5 vezes o samba enredo da Imperatriz Leopoldinense. 

Niltinho Tristeza gostava também de compor e cantar outros gêneros musicais tais como o samba canção, bossa nova, bolero e seresta. Curiosamente, apesar de seu potencial musical, Niltinho Tristeza gravou apenas três compactos pela RCA, Continental e RGE, fora, é claro, as gravações que fez para o CD "Meninos do Rio".

Morte

Niltinho Tristeza faleceu na tarde de sábado, 10/02/2018, no Rio de Janeiro, RJ, aos 81 anos. Ele estava internado há 15 dias no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, e lutava contra um câncer no pulmão.

O velório ocorreu no Cemitério do Caju às 10h00 de domingo, 11/02/2018, e o sepultamento às 14h30.

Nas Redes Sociais, familiares, amigos e admiradores do artista fizeram homenagens ao cantor.

Fonte: Dr. Zem e O Globo
Indicação: Valmir Bonvenuto

Ruy Faria

RUY ALEXANDRE FARIA
(80 anos)
Cantor, Compositor e Produtor Musical

☼ Cambuci, RJ (31/07/1937)
┼ Rio de Janeiro, RJ (11/01/2018)

Ruy Alexandre Faria foi um cantor, compositor e produtor musical brasileiro, fundador e integrante do grupo MPB-4, do qual foi membro entre os anos de 1964 e 2004, nascido no Município de Cambuci, Rio de Janeiro, no dia 31/07/1937.

Filho de Enedina Alexandre Faria, que tocava piano e Octávio Faria, segundo pistom de uma banda. Iniciou suas atividades musicais como crooner do Boêmios do Ritmo, um conjunto de baile de Santo Antônio de Pádua, RJ.

Em Niterói, com Gerardo, Gilberto Peruzinho formou o Trio Alvorada, cover do Trio Irakitan e atuou como músico, cantor e ator no Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE), ao lado de Carlos Vereza, João das Neves e Oduvaldo Viana Filho, entre outros.

Em 1964, integrou o Conjunto do CPC, um embrião do que viria a ser o MPB-4, que em 1965 por força do golpe militar de 1964, virou profissional, em São Paulo. Formou então um dos principais grupos musicais da Música Popular Brasileira, ao lado de Magro, Miltinho e Aquiles, fazendo parte do MPB-4 até o ano de 2004. A escala vocal de Ruy Faria era a 1ª voz, marcando musicalmente os arranjos das músicas do quarteto.

MPB-4
Ainda nos anos 1960, o grupo iniciou uma frutífera parceria com Chico Buarque, que durou dez anos. Os grandes sucessos comerciais do grupo, porém, vieram nos anos 1970, com álbuns como "De Palavra Em Palavra" (1971), "Cicatrizes" (1972), "Canto Dos Homens" (1976) e "Cobra De Vidro" (1978).

Ruy Faria foi responsável por assinar roteiros para espetáculos do MPB-4, como "Canções e Momentos""Feitiço Carioca" e "Arte de Cantar".

Paralelamente ao seu trabalho com o MPB-4, Ruy Faria gravou, com produção e direção próprias, o álbum solo "Amigo É Pra Essas Coisas", remasterizado e relançado em CD pela gravadora Velas. Fez shows individuais em várias cidades cantando músicas do disco.

Atuou como diretor artístico e produtor musical de um disco de Roberto Nascimento e do LP "Pronta Pra Consumo", de Cynara, do Quarteto em Cy, com quem foi casado e teve três filhos: João, Irene e Francisco.

Ruy Faria foi responsável por assinar inúmeros roteiros para espetáculos do MPB-4, como "Canções e Momentos", "Feitiço Carioca" (Em homenagem a Noel Rosa em 1987), "Melhores Momentos" (Em homenagem aos 30 anos do Canecão, RJ) e, com Miguel Falabela e Maria Carmem, "Arte de Cantar" (Em comemoração aos 30 anos de carreira do grupo). Atuou também como diretor artístico do CD "Melhores Momentos", gravado ao vivo pelo MPB-4 no Teatro Rival.

MPB-4 em 1995
Participou de projetos como roteirista e diretor geral de shows de Danilo Caymmi, Marisa Gata Mansa e Reinaldo Gonzaga em homenagem à obra de Antonio Maria. Do show de lançamento do CD da cantora Dora Vergueiro e do show de lançamento do instrumentista, compositor e cantor Kiko Furtado.

Em 2004, saiu do MPB-4 após desentendimentos com Milton Lima dos Santos Filho (Miltinho), pois não concordava que ele assumisse a dianteira nos assuntos empresariais do grupo. Em seguida, foi substituído por Dalmo Medeiros, que ocupa atualmente sua posição vocal.

Ao deixar o MPB-4, após 40 anos de trabalho em conjunto, Ruy Faria fez shows em dupla com o compositor Carlinhos Vergueiro, no Rio de Janeiro e em 2005, lançaram juntos o CD "Dupla Brasileira - Só Pra Chatear", reverenciando duplas que marcaram o cenário da Música Popular Brasileira, como Francisco Alves e Mário Reis, Cascatinha e Inhana, Zé da Zilda e Zilda do Zé, Jackson do Pandeiro e Almira, Joel e Gaúcho, Jonjoca e Castro Barbosa, Toquinho e Vinicius, Irmãos Tapajós e ainda Cynara e Cybele.


Em 2007, após 43 anos formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Ruy Faria conseguiu emitir seu registro como advogado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional do Rio de Janeiro e atuou em um dos conceituados escritórios na cidade.

Em 2008, Ruy adaptou e dirigiu o espetáculo musical "Calabar", de Chico Buarque e Rui Guerra, no Teatro Niemeyer, Niterói.

Ruy Faria foi casado com Cynara, integrante do Quarteto Em Cy. Os dois tiveram três filhos: JoãoIrene e Francisco. O casamento também rendeu boas parcerias musicais, como a música "Mar Da Tranqüilidade" (Ruy FariaCynara e Aquiles), 1968, e os LPs "Cobra De Vidro" (1978), "Bate-Boca" (1997), "Somos Todos Iguais Nesta Noite" (1998) e "Vinícius, a Arte do Encontro" (2000).

Os filhos João Faria e Chico Faria seguiram a carreira musical. O primeiro excursiona com artistas consagrados, como o MPB-4, e segue também carreira solo. Seu irmão Francisco também realiza estas atividades e lança também suas próprias composições.

Morte

Ruy Faria faleceu na tarde de quinta, 11/01/2018, aos 80 anos. Ele estava internado para tratar de uma pneumonia desde 09/12/2017, no Hospital Federal de Bonsucesso. A causa da morte foi falência múltipla dos órgãos em decorrência de uma pneumonia.

O velório e o sepultamento de Ruy Faria ocorreu na sexta-feira, 12/01/2018, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, às 14h00, na capela 9.

Indicação: Valmir Bonvenuto

Elson do Forrogode

ELSON CRUZ
(75 anos)
Cantor e Compositor

☼ São Fidélis, RJ (20/03/1942)
┼ Rio de Janeiro, RJ (02/11/2017)

Elson Cruz, mais conhecido como Elson do Forrogode, foi um cantor e compositor brasileiro, nascido em São Fidélis, RJ, no dia 20/03/1942. Seu nome artístico originou-se da junção de dois ritmos populares nacionais, o forró e o pagode.

Após participar de vários programas, nas rádios Tupi, Nacional, dentre outras, e programas de televisão como "A Grande Chance", com Flávio Cavalcanti, Elson teve participação marcante nos festivais de música na época, tais como o Festival Internacional da Canção (FIC) onde cantou em 1971 e 1972 as músicas "Karanuê" e "Nó Na Cana" (César Fome e Ary do Cavaco).

Em 1973, na RCA faz de seu primeiro compacto simples com produção de Milton Nascimento e arranjos de Wagner Tiso.

Em 1975 lançou seu primeiro LP "Desafio da Navalha" também pela RCA, com produção do jornalista Sérgio Cabral, tendo como arranjadores, Wagner Tiso, Oberdan Magalhães, Rildo Hora e Paulo Moura.

O nome artístico de Elson do Forrogode já anunciava a mistura sonora que o artista procurou emplacar a partir de 1987, promovendo no álbum "Forrogode", a fusão de forró - genérico gênero musical que designa vários ritmos nordestinos, dos quais o cantor sempre gostou, com o pagode que conquistou o Brasil a partir de 1985 e que gerou ídolos como Zeca Pagodinho. A rigor, a mistura não emplacou.

Seu auge ocorreu em 1989, com a canção "Talismã" (Michael Sullivan e Paulo Massadas), lançada no álbum "Alô Brasil" pela gravadora RGE, foi uma das mais executadas, fato que lhe garantiu o disco de ouro na época. A música seria regravada tempos depois pela dupla Leandro & Leonardo.

"Talismã" se tornou uma das músicas mais tocadas no Brasil naquele ano de 1989 e virou o maior sucesso da carreira de Elson do Forrogode.

Em 1993, lançou o álbum "Cada Dia Quero Mais", contendo o sucesso "Jeito Atrevido" (Arandas Júnior). Desde então, Elson do Forrogode participou ativamente da vida cultural do país, seja compondo, fazendo shows e produzindo e dirigindo projetos.

Entre um disco e outro, Elson gravou álbuns como "Imã" (RGE, 1990) e "Amor Na Palma Da Mão" (CID, 2002), além de ter feito shows pelo Brasil e na África, no rastro do estouro de "Talismã".

Morte

Elson do Forrogode morreu na tarde de quinta-feira, 02/11/2017, aos 75 anos em decorrência de complicações do diabetes e insuficiência renal. Ele estava internado desde o dia 06/10/2017 no Hospital Mario Kroeff, na Penha Circular, Zona Norte do Rio de Janeiro, após ser transferido do Hospital Municipal Rocha Faria.

Elson foi velado na sexta-feira, 03/11/2017, às 7h00, no Cemitério do Caju, Zona Norte do Rio de Janeiro. O sepultamento foi marcado para às 12h00.

Discografia
  • 1975 - Desafio Da Navalha
  • 1987 - Forrogode
  • 1989 - Alô Brasil
  • 1990 - Imã
  • 1993 - Cada Dia Quero Mais
  • 1994 - Coisas Do Peito
  • 1996 - Não Vivo Sem Você
  • 1996 - 20 Preferidas
  • 1998 - Só Vale a Paixão
  • 2000 - Talismã e Outros Sucessos
  • 2000 - Amor Na Palma Da Mão
  • 2006 - 7 Dias De Forró
  • 2015 - Me Leva

Fonte: Wikipédia
Indicação: Miguel Sampaio

Ataulpho Alves Júnior

ATAULPHO ALVES DE SOUZA JÚNIOR
(74 anos)
Cantor e Compositor

☼ Rio de Janeiro, RJ (05/08/1943)
┼ Rio de Janeiro, RJ (15/10/2017)

Ataulpho Alves Júnior foi um cantor e compositor brasileiro nascido no bairro do Méier, subúrbio do Rio de Janeiro, no dia 05/08/1943.

Filho do compositor Ataulfo Alves de Souza, herdou do pai o tradicional lenço branco que foi sua marca registrada.

Inicialmente, integrou o trio Os Herdeiros do Samba, juntamente com Aluízio e sua irmã Matilde. O nome do trio foi dado pelo pai, sendo ensaiado pelo violonista Meira.

Em 1963, apresentou-se pela primeira vez para o público no Teatro Record, em São Paulo, no "Programa Bossaudade", de Elizeth Cardoso, sua madrinha artística.

Entre 1963 e 1969, trabalhou ao lado do pai em diversos shows por todo o Brasil. Neste mesmo ano, gravou seu primeiro disco, um compacto simples pela gravadora Continental.

Em 1973, compôs a sua primeira música, "A Mangueira é Você", em parceria com Barbosa da Silva, gravada por Moreira da Silva.


Em 1976, gravou seu primeiro grande sucesso, "Os Meninos da Mangueira" (Rildo Hora e Sérgio Cabral). A música alcançou o primeiro lugar nas paradas de sucesso da época, abrindo caminho para outros sucessos do cantor, como "Pedro Sonhador" (Rildo Hora e Sérgio Cabral), "Canto de Amor" (Rildo Hora e Sérgio Cabral), "A Bela da Tarde" (Rildo Hora e Sérgio Cabral), "Mais Um Samba de Amor", "Razão Pra Cantar", "Emoções Fortes" e "Paixão Estilo Antigo".

Entre 1992 e 1993, excursionou pela Europa, apresentando-se em várias cidades. Voltou à Europa nos anos de 1996, 1997 e 1998, apresentando-se em várias casa noturnas como Casino Vilamoura (Algarve), Casino Solverde (Espanha), Ilha da Madeira, Expo-98, em Lisboa, Sevilla, Astúrias, Oviedo e em Granada.

Em 1999, participou do projeto "Discoteca do Chacrinha", gravando pela Universal/Polydor um dos CD's do projeto ao lado de vários outros artistas.

Em 2002, fez espetáculo juntamente com Heitorzinho dos Prazeres, no qual reviveu mais de quatro décadas depois o conjunto Herdeiros do Samba, seu momento inicial de carreira e alguns sucessos de Ataulfo Alves e Heitor dos Prazeres.

No ano de 2003, apresentou o show "Os Grandes Mestres da MPB", no Café Cultural Sacrilégio, na Lapa, centro do Rio de Janeiro.

Em 2005 foi um dos convidados do programa "Dorina Samba", apresentando-se no auditório da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Desenvolveu também neste mesmo ano o projeto "Herdeiros do Samba".

Morte

Ataulpho Alves Júnior faleceu na noite de domingo, 15/10/2017, aos 74 anos, vítima de um infarto. Ele estava no apartamento em que morava com a família, no bairro da Glória, Zona Sul do Rio de Janeiro. A mulher dele, Malu, relatou que o marido havia sofrido um infarto há três meses e estava em tratamento. O casal assistia à televisão quando o sambista caiu sobre o ombro dela e não acordou mais.
"Ele estava em tratamento, tomava os remédios direitinho. Estávamos recostados, vendo o 'Fantástico', e ele me contava que, quando voltasse (aos shows) chamaria o Jorginho do Império, estava conversando só coisa boa, sempre cheio de planos. Aí, do nada, ele bateu com a cabeça no meu ombro. Perguntei se ele estava brincando, mas vi os olhos fechados, a boca, e chamei meu filho!"
De acordo com Malu, ela e o filho chamaram um médico que morava no 3º andar. Ele realizou massagem cardíaca enquanto os bombeiros chegavam ao apartamento. A mulher chorava muito quando recebeu a notícia de que o marido não havia resistido.

O velório e o sepultamento do sambista ocorrerá na tarde de segunda-feira, 16/10/2017, no jazigo da família, no Jardim da Saudade, em Sulacap.

Discografia

  • 1999 - Discoteca Do Chacrinha (Universal/Polydor, CD)
  • 1998 - Bodas De Ouro (Sony Music, CD - Participação)
  • 1997 - Geração Samba (Warner Music, CD)
  • 1996 - Aos Mestres Com Carinho Vol. 2 (CID, CD)
  • 1995 - Leva Meu Samba / Clássicos Do Mestre Ataulfo (Eldorado, CD)
  • 1991 - Samba Que Te Quero Samba (Som Livre, LP)
  • 1984 - Leva Meu Samba - Ataulpho Alves JR e Elizete Cardoso (Eldorado, LP)
  • 1980 - Leva Meu Samba - Homenagem Aos 80 Anos Do Mestre Ataulfo (Som Livre, LP)
  • 1979 - Emoções Fortes (WEA Discos, LP)
  • 1979 - A Bela Da Tarde (WEA Discos, Compacto Simples)
  • 1979 - Alegria De Viver (WEA Discos, Compacto Simples)
  • 1978 - Vida, Viola E Samba (RCA Victor, Compacto Simples)
  • 1978 - Banda De Ipanema (RCA Victor, Compacto Simples)
  • 1977 - Pedro Sonhador (RCA Victor, Compacto Simples)
  • 1976 - Os Meninos Da Mangueira (RCA Victor, Compacto Simples)
  • 1976 - Ataulpho Alves Júnior (RCA Victor, LP)
  • 1974 - Razão Pra Cantar (RCA Victor, Compacto Simples)
  • 1974 - Mais Um Samba De Amor (RCA Victor, Compacto Simples)
  • 1973 - Se Eu Pudesse (RCA Victor, Compacto Simples)
  • 1973 - Ataufo Alves Júnior (RCA Victor, LP)
  • 1969 - Ataulpho Alves Júnior (Continental, Compacto Simples)
  • 1969 - O Herdeiro Sou Eu (Polydor/PolyGram, LP)
  • 1963 - Eternamente Samba (Polydor/PolyGram, LP)

Indicação: Miguel Sampaio

Archimedes Messina

ARCHIMEDES MESSINA
(85 anos)
Compositor, Jornalista, Publicitário e Radialista

☼ São Paulo, SP (1932)
┼ São Paulo, SP (31/07/2017)

Archimedes Messina foi um compositor, jornalista, publicitário e radialista brasileiro, nascido em São Paulo em 1932.

Archimedes Messina fez parte do dia-a-dia dos brasileiros nos últimos 50 anos. Dentre os muitos jingles que ele criou e que viraram clássicos na cabeça de várias gerações, o mais famoso deles ainda vai ao ar todas as semanas: "Silvio Santos Vem Aí", a trilha sonora que acompanha o maior apresentador do país desde o início de sua carreira no rádio, foi composta por Archimedes Messina e ajudou a torná-lo um dos maiores compositores de jingles brasileiros.

Archimedes Messina sempre sonhou em trabalhar com rádio. Quando menino, ouvia toda a programação de jornais, radionovelas e programas de auditório. Entrando na vida adulta, surgiu a primeira oportunidade de se tornar radioator na Rádio São Paulo, líder de audiência na época. Mais tarde passou a escrever programas de rádio e o primeiro foi para o drama "Aqueles Olhos Azuis".

A atuação como ator em pequenos papéis acompanhou trabalhos de locução na TV Record e os primeiros projetos como compositor, fazendo músicas para as novelas nas quais atuava. Mas foi com marchinhas carnavalescas que Archimedes Messina começou a se projetar nacionalmente: "Faz Um Quatro Aí", de 1957, foi seu primeiro sucesso, que o colega de rádio, o humorista Chocolate, gravou.

O sucesso com essa e outras marchinhas chamou atenção do amigo Jorge Adib, que comandava uma agência de publicidade chamada Multi Propaganda. Uma proposta de aumento de salário, que era o dobro do que Archimedes Messina ganhava na Rádio São Paulo, foi o suficiente para superar o receio do então radioator em mudar radicalmente de função. Ele fechou um contrato de três meses para compor jingles para os clientes da Multi Propaganda. Deu tão certo que ao final dos três meses ele recebeu o dobro do que havia sido combinado e entrou de vez para o mercado publicitário.


Três anos depois, integrava o elenco de compositores da Sonotec, onde durante 15 anos compôs os jingles da Varig, como "Urashima Tarô" e do "Seu Cabral" além de ter composto o jingle para o Café Seleto.

Os anos trabalhando em rádio já haviam colocado Archimedes Messina no caminho de Senor Abravanel, já Silvio Santos, que trabalhava para Manuel de Nóbrega na Rádio Nacional.

Em 1964, o comunicador ganharia seu primeiro programa solo aos domingos e coube a Archimedes Messina compor a trilha sonora do programa. O compositor encontrou Silvio Santos em um corredor da Rádio Nacional e perguntou como ele queria que fosse a música: "Silvio pediu simplesmente uma música animada, bem alegre e simples, que pegasse rápido, afinal seria o tema de abertura do seu programa", contou o especialista em jingles Fábio Barbosa Dias.

Segundo Fábio Barbosa Dias, o futuro Homem do Baú ainda sugeriu que a música começasse com um "lá, lá, lá" e que depois Archimedes Messina poderia continuar como quisesse. Surgiram então os versos:

Lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá

Agora é hora de alegria
Vamos sorrir e cantar
Do mundo não se leva nada
Vamos sorrir e cantar

Lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá
Silvio Santos vem aí!


Silvio Santos aprovou a música de cara e o sucesso com o público foi tão grande que ela o acompanhou no ano seguinte em sua chegada à televisão. Com ela, fez sucesso na TV Paulista, na TV Globo e finalmente na TVS, hoje SBT, que o próprio Silvio Santos inaugurou em 1981.

Trilha de todos os domingos, a música foi até tema do jingle eleitoral de Silvio Santos em sua fracassada tentativa de se candidatar à presidência da República em 1989. Anos mais tarde, a música traria dores de cabeça a Silvio Santos.

Em 2001, Archimedes Messina moveu um processo contra Silvio Santos reclamando os direitos autorais que a composição arrecadou ao longo de todos os anos em que foi executada. Os cálculos dos advogados levaram a um pedido de R$ 50 milhões. O SBT recorreu e o processo se arrastou até 2011, quando a Justiça determinou que fosse paga uma indenização de R$ 5 milhões para Archimedes Messina e que a música não fosse mais executada. No ano seguinte, em condições mantidas em sigilo, Silvio Santos e Archimedes Messina entraram em um acordo e em 2013 a música voltou a fazer parte dos domingos dos brasileiros.

Ainda que esse seja o seu maior sucesso, a carreira de Archimedes Messina passa longe de se resumir ao jingle de Silvio Santos. O fenômeno com o jingle do apresentador chamou a atenção de Carlos Ivan Siqueira, diretor de propaganda da Varig, que em 1967 encomendou uma música que vendesse viagens para Portugal: "Archimedes criou uma historinha que envolvia um tal de 'Seu Cabral', que vinha ao Brasil de caravela e voltava a Portugal em um avião da Varig", contou Fábio Barbosa Dias.


Foi só o primeiro dos muito jingles que Archimedes Messina fez para a companhia aérea em 20 anos de parceria. Sempre que precisava vender algum novo destino da companhia, Archimedes Messina pesquisava algo sobre a cultura ou a história daquele país que lhe servissem de gancho. Foi assim que a lenda de Urashima Taro, uma tartaruga salva por um pescador, se tornou a base para outro sucesso: O pescador trouxe a tartaruga para o Brasil e ela voltou a sua terra natal, o Japão, em um jatinho da Varig. A música foi gravada por Rosa Miyake, apresentadora do programa "Imagens do Japão".
"Ele me convidou para gravar e eu achei o máximo! No dia da gravação eu estava muito nervosa. Ele me chamou no estúdio e disse: 'Rosinha, esse pedaço do estúdio é todinho seu, cante como se estivesse no palco'. Eu estava suando! Foi uma experiência que eu nunca vou esquecer. Ele era querido por todos por sua lealdade e sensibilidade."
(Recordou Rosa Miyake)

Foram 12 músicas para a companhia aérea, cada uma sobre um Estado brasileiro ou país. Em alguns casos, Archimedes Messina viajou com custos cobertos pela Varig para conhecer melhor a história do lugar e assim criar uma história que cativasse o público. Outro de seus sucessos foi o jingle do Café Seleto, composto em 1974 sem que Archimedes Messina recebesse qualquer informação sobre o produto. E não precisou. Assim mesmo a música caiu nas graças do povo e de Manoel da Silva, o Maneco, dono da marca: "Ao receber a gravação finalizada, seus olhos encheram de lágrimas", aponta Fábio Barbosa Dias.

Archimedes Messina trabalhou até o final de sua vida. Embora raramente compusesse jingles, dedicou seus últimos anos a colocar melodia nas letras que havia composto ao longo de sua carreira, mas que não teve tempo de musicar por causa do volume de trabalho. O processo de composição seguiu o mesmo: batucando em uma caixinha de fósforo para encontrar a melodia correta para "grudar" nos ouvidos do público.

Morte

Archimedes Messina faleceu na segunda-feira, 31/07/2017, aos 85 anos. Na sexta-feira, 28/07/2017,  Archimedes Messina sofreu um aneurisma no fígado em casa e foi internado no Hospital Santa Maggiore, na região central de São Paulo. Uma cirurgia estava marcada para esta quarta-feira, 02/08/2017, mas ele não resistiu a uma ruptura no vaso do fígado. O velório ocorreu justamente na quarta-feira, na Vila Mariana, em São Paulo.

Archimedes Messina deixou dois filhos, três netos e a mulher, Inajá, companheira desde 1962 e com quem era casado desde 1965.

Indicação: Miguel Sampaio

Lourenço

LOURENÇO OLEGÁRIO DOS SANTOS FILHO
(61 anos)
Cantor e Compositor

☼ Recife, PE (17/11/1955)
┼ Rio de Janeiro, RJ (01/10/2017)

Lourenço Olegário dos Santos Filho, mais conhecido por Lourenço, foi um cantor e compositor brasileiro, nascido em Recife, PE, no dia 17/11/1955.

Aos 16 anos mudou-se com a família para o Estado do Rio de Janeiro. Inicialmente foi morar na cidade de Petrópolis, logo depois transferiu-se para o bairro de Bangú, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Lourenço integrou a Ala de Compositores da Tradição.

No início dos anos 80 passou a cantar em bailes na quadra da Portela.

Em 1982, quando conheceu a cantora Alcione, ela o convidou para ser integrante da Banda do Sol, no qual permaneceu por dez anos.

Em 1986, Alcione incluiu de sua autoria em parceria com o médico e compositor Franco, "Fruto e Raiz", composição que deu nome ao disco da cantora.

Em 1987, no LP "Ouro e Cobre", Alcione interpretou "Machucou", (Lourenço, Marley e Marques).

Em 1989, Dominguinhos do Estácio, no disco "Gosto de Festa", pela RGE, gravou "Apego" (Lourenço). Nesta música, o compositor fez uma participação especial.


Em 1990, em seu disco "Coisa Sentimental", Reinaldo interpretou "Gafieira" (Lourenço e Adilson Victor).

Em 1991, Almir Guineto, em seu disco "De Bem Com a Vida", pela RGE, gravou "Mulher, Sempre Mulher" (Lourenço, Carlos SennaAlmir Guineto, Teteu e J. Laureano).

Na década de 1990 vários grupos gravaram suas composições:

"Doidinha Por Meu Samba", "Mundo Lindo" (Molejo); 
"Armadilha" (Exaltasamba); 
"Maré Mansa" (Asa de Águia); 
"Mineirinho" (Só Pra Contrariar); 

Lourenço também se destacou no Carnaval, sendo autor de seis sambas da Escola de Samba Tradição, quatro deles de forma consecutiva no início dos anos 2000 ao lado de Adalto Magalha. Os mais famosos são "Passarinho, Passarola, Quero Ver Voar" (1994), "Liberdade! Sou Negro, Raça e Tradição" (2000), puxado por Wantuir, e "O Homem do Baú - Hoje é Domingo, é Alegria, Vamos Sorrir e Cantar!" que homenageou Silvio Santos em 2001.


Lourenço também foi intérprete da Tradição em 2004, quando defendeu a reedição de "Contos de Areia", originalmente apresentado pela Portela em 1984.

Em 2002, outra vez em parceria com Adalto Magalha, a escola Tradição desfilou com o samba-enredo "Os Encantos da Costa do Sol". Neste mesmo ano, o grupo Pique Novo, no disco "Ao Vivo 10 Anos" (Sony Music) incluiu de sua autoria "Amor Oriental" (Lourenço e Ronaldo Barcellos).

Em 2003, compôs com Adalto Magalha o samba-enredo "O Brasil é Penta - R é 9 - o Fenômeno Iluminado", com o qual a Tradição desfilou no carnaval. Neste mesmo ano Ivete Sangalo interpretou de sua autoria "Sorte Grande" no CD "Clube Carnavalesco Inocentes em Progresso". A faixa ficou mais conhecida pelo nome "Poeira" e logo tornou-se um sucesso nacional, sempre cantada em diversos estádios de futebol, assim como em quase todas as emissoras de rádio e TV do país. A música bateu o recorde de em agosto de 2003 quando foi executada 310 vezes em apenas 12 horas.

Entre seus vários intérpretes está Elza Soares em "Mais Uma Vez" (Lourenço e Carlos Dafé) e ainda o grupo Molejo em "Mundo Lindo".

Lourenço participou em shows de bandas musicais, entre eles, Copa Sete, Chanell, Brasil Show e Banda Devaneios

Morte

Lourenço faleceu no domingo, 01/10/2017, aos 61 anos no Hospital Rio Mar, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Lourenço faleceu vítima de insuficiência cardíaca após sofrer de pneumonia e anemia.

Ele deixa mulher, duas filhas e dois netos.

Lourenço foi velado na segunda-feira, 02/10/2017, na Capela 3 do Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio de Janeiro, e o sepultamento às 16h00.

Discografia

  • 1989 - Gosto de Festa (RGE, LP)


Indicação: Miguel Sampaio

Sérgio Sá

SÉRGIO ANTÔNIO SÁ DE ALBUQUERQUE
(64 anos)
Cantor, Compositor, Instrumentista, Arranjador, Produtor, Ator, Palestrante e Escritor

☼ Fortaleza, CE (17/01/1953)
┼ Fortaleza, CE (03/10/2017)

Sérgio Antônio Sá de Albuquerque, mais conhecido por Sérgio Sá, foi um cantor, compositor, instrumentista, arranjador, produtor e escritor brasileiro nascido em Fortaleza, CE, no dia 17/01/1953.

Sérgio Sá nasceu com catarata congênita, associada a microftalmia. Ele era cego de nascença. Sua trajetória de vida foi marcada por êxitos e realizações.

Desde que veio de Fortaleza aos 13 anos continuar seus estudos em São Paulo, Sérgio Sá procurou desenvolver seu talento para a música - tem ouvido absoluto -, incorporando-se a bandas de garagem, tocando, cantando e logo mais arranjando, produzindo e gravando.

Iniciou a sua carreira cantando baladas de rock em inglês, no início da década de 70. Nessa época, adotava o nome artístico de Paul Bryan e lançou em 1973 três compactos pela Top Tape. Tinha quatro músicas entre as dez mais executadas e vendidas no país.

Em 1974, ela já assinava o nome de batismo em "Sonhos de um Palhaço", canção composta em parceria com Antônio Marcos que fez sucesso na voz de Vanusa. Com a cantora e compositora, Sérgio Sá criou o hit feminista "Mudanças" (1979). 

Logo depois, assumiria os teclados do grupo de rock paulistano Joelho de Porco, como tecladista, permanecendo nele até 1976.

Em 1977 se formou em Educação Artística pela Faculdade Morzateum, e era artista nato com habilidades diversas, em diferentes áreas de atuação, com currículo excepcional que marcou sua presença na história da Música Popular Brasileira.

Em 2016, Sérgio Sá se lançou como candidato a vereador de São Paulo pelo Partido Social Democrata Cristão (PSDC), sem conseguir se eleger.

Carreira

Como compositor foram mais de 350 canções gravadas por artistas como Roberto Carlos ("Como é Possível"), Simone ("Olho do Furacão"), Tim Maia ("O Vento e as Canções"), Fábio Júnior ("Eu Me Rendo" e "O Que é Que Há?"), Chitãozinho & Xororó, ("Pensando em Minha Amada"), isso só para citar alguns exemplos.

Seu trabalho em criação publicitária inclui comerciais para empresas como Banco Itaú, McDonald's, TV Globo, TV Bandeirantes, além de trilhas sonoras para novelas e seriados como o "Mundo da Lua" (1991/1992) da TV Cultura.

Destaca-se também seu trabalho em Los Angeles onde criou e executou trilhas e vinhetas para clientes como a KJLH, emissora de FM de Stevie Wonder.

Sérgio Sá integrou a equipe responsável pela Campanha Nacional de Rádio Presidência, em 2002, no ano seguinte, contratado pela Radiobrás, foi responsável pela criação das vinhetas que compõe o novo formato da "Voz do Brasil".

No período entre 2004 e 2006 realizou campanhas para prefeito em São Paulo, Curitiba, Goiânia e em diversas cidades do interior do país.

Gilberto Gil e Sérgio Sá
Em 2006, Sérgio Sá manteve-se na ativa e foi convidado para produzir a trilha sonora do musical "Mary Poppins" do estúdio de Ballet Cisne Negro. Com adaptações e composições elaboradas especialmente para a produção Sérgio Sá surpreendeu com sua capacidade de criar e executar uma obra musical alinhada aos passos rítmicos exigidos pela dança de ballet. Mais tarde, repetiu a dose desenvolvendo uma produção natalina para a Coca-Cola que, através de alta tecnologia de luz e som, impressionou o público com bonecos gigantescos contadores de histórias embalados pela trilha sonora criada por ele.

Voltando ao passado, Sérgio Sá, com o pseudônimo de Paul Bryan, nos anos 70, criou diversos temas românticos que lideraram as paradas de sucesso e de vendas do país: "Dont Say Goodbye", tema da novela "Cavalo de Aço" (1973), "Listen", parte da trilha internacional de "O Bem Amado" (1973), "Window", tema de "Carinhoso" (1973), foram algumas de suas obras com grande repercussão.

Como arranjador trabalhou ao lado de nomes como Gilberto Gil, em seu projeto "Quanta", Zizi Possi, Jane Duboc, Ivan Lins, e vários outros artistas, Sérgio Sá foi um dos primeiros a mesclar sintetizadores a sons acústicos e um dos pioneiros em gravações digitais.

Como intérprete, com 8 discos já gravados entre os quais "Voa Vida", "Fora de Prumo" e "Ecos do Amanhã", inúmeras apresentações no Brasil, Estados Unidos e Europa, lançou o CD "Sérgio Sá - I'm Paul Bryan" onde regravou seus hits em inglês além de versões de seus sucessos e composições inéditas.


Seu último lançamento, no início de 2015, de forma independente, foi o CD "Sérgio S/A", comemorando seus 46 anos de carreira, com participações de convidados ilustres da Música Popular Brasileira como Zeca Baleiro, Elba Ramalho, Jorge Vercillo, Jane Duboc, Gilberto Gil, Cláudia Albuquerque, Carlos Navas, Lucinha Lins, Tribo De Jah e Vânia Bastos.

Suas participações em gravações atingiram a marca de 30 mil horas de estúdio e suas apresentações ao vivo somam mais de 10 mil (Marcas registradas até agosto/2015).

Como produtor trabalhou produziu para Zé Rodrix, Vanusa, Jane Duboc, Milton Carlos, Eduardo Araújo, além de inúmeros artistas independentes, tiveram em seus trabalhos a assinatura de Sérgio Sá como produtor musical.

Como escritor, seu livro "Fábrica de Sons" (Editora Globo) já em quarta edição atualizada e acrescida de CD, foi aprovado e adquirido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.

Em Outubro de 2004, Sérgio Sá, deficiente visual de nascença, lançou "Feche Os Olhos Para Ver Melhor", obra em que faz um apanhado de vivências e reflexões, propondo novas maneiras de enxergar o mundo e que foi também lançado em edição em braile. Com o lançamento do livro de ficção "Ecos do Amanhã", Sérgio Sá entretém o leitor com uma narrativa instigante e faz um brado de alerta e de profundo amor à humanidade.


Em 2012 Concluiu seu quarto livro, "Aos Olhos de Um Cego" (Sá Editora). Ainda em 2012 estreou como ator na peça "O Grande Viúvo", conto de Nelson Rodrigues, no projeto Teatro Cego. Uma proposta com espetáculo de característica inédita no Brasil, pois convida o público a abdicar da visão para por à prova seus outros quatro sentidos. Atores, atrizes e músicos cegos e não cegos se unem no palco para fazer arte.

Paralelo a outros projetos Sérgio Sá demonstrava maestria também como palestrante, viajando por todo o país com a sua Palestra-Show "Feche Os Olhos Para Ver Melhor", propondo reflexões com interatividade, música ao vivo e bom humor.

Desde de 2009 era convidado pela Secretaria Municipal de Cultura a falar com crianças e jovens da periferia, levando suas vivências musicais e literárias.

Em 2011, em parceria com Irineu Toledo, "Tocando Músicas e Trocando Ideias", ao lado de grandes palestrantes como Luciano Pires, José Luiz Tejon, Daniel Carvalho Luz, foi aplaudido por mais de 2.000 pessoas no evento Feliz Dia Novo.

Morte

Sérgio Sá morreu na madrugada de terça-feira, 03/10/2017, em Fortaleza, CE, vítima de um infarto, aos 64 anos. A informação foi confirmada pelo filho, Thiago Pinheiro, em publicação no Facebook. 
"É com imensa tristeza que comunico o falecimento de meu pai Sérgio Sá durante esta madrugada. Sérgio, que estava na casa de uma prima em Fortaleza, foi vítima de um rápido processo de infarto por volta das 2h30, e não resistiu e nos deixou com a eterna saudade."
No comunicado, o filho fez elogios a Sérgio Sá, como pessoa e profissional:
"Meu pai sempre foi homem íntegro, sempre buscou grande excelência, produtor e compositor que deixou fortes marcas em nossa música e em minha vida. Agora, tornou-se a forte memória de alguém que nunca deixou de acreditar na força e sutileza do amor."
"Há algumas semanas ele veio me visitar, conhecer o estúdio que nunca havia visitado, passamos um dia inteiro agradável, conversas suaves sobre música, ouvimos o disco que acabara de finalizar, nos abraçamos, demos risada, agradecemos pela trajetória, falamos da admiração mútua, foi um dia de paz, momento muito importante para os dois e eu jamais imaginaria que seria o último encontro. Mal sabia que seriam meus momentos derradeiros na presença física do meu querido pai, pessoa que sempre amei e que conheci através dos discos, das composições brilhantes e do carinho em menos encontros do que eu gostaria de ter tido!"
Fonte: Sérgio Sá, Estadão e G1  

Laudir de Oliveira

LAUDIR SOARES DE OLIVEIRA
(77 anos)
Compositor, Ator, Dançarino e Percussionista

☼ Rio de Janeiro, RJ (06/01/1940)
┼ Rio de Janeiro, RJ (17/09/2017)

Laudir Soares de Oliveira foi um dos mais importantes percussionistas brasileiros e dos mais atuantes do cenário internacional, nascido no Rio de Janeiro, RJ, no dia 06/01/1940.

Iniciou sua carreira profissional em 1965, como percussionista do grupo folclórico Mercedes Batista, com o qual excursionou durante um ano na França.

Em 1966, participou, como ator, do I° Teatro Negro do Brasil, encenando "Antígona", de Sófocles, produzida por Paschoal Carlos Magno na Aldeia de Arcozelo. Em seguida, viajou em turnê de dois anos pelo exterior como percussionista e bailarino do grupo folclórico Brasiliana

Em 1969, acompanhou durante dois meses o Sergio Mendes & Brasil' 66, em shows realizados nos Estados Unidos. Ainda nesse ano, integrou o conjunto Vox Populi, com o qual viajou para o México. De volta ao Brasil, fundou, com Wagner Tiso, Zé Rodrix, Tavito e Luis Alves, o conjunto Som Imaginário, para acompanhar Milton Nascimento. Desligou-se do grupo em 1970, sendo substituído por Naná Vasconcelos, para atender ao convite de Sergio Mendes para integrar o Brasil' 66.

Laudir de Oliveira mudou-se, em 1970, para os Estados Unidos, onde viveu até 1984. 


De 1970 a 1974 fez parte, como percussionista e cantor, do Sergio Mendes & Brasil' 66. Participou, ainda, do conjunto de Moacir Santos (1970), como percussionista e cantor, e do conjunto de Manfredo Fest (1971), como percussionista.

De 1974 a 1981, atuou como percussionista do grupo norte-americano Chicago, com o qual foi agraciado com o Prêmio Grammy, em 1976. 

Em 1983 e 1984, participou de duas turnês internacionais de Chick Corea, gravando dois discos com o pianista. 

Fez parte do Paul Winter Consort, ao lado do violonista Oscar Castro Neves, gravando dois álbuns com o grupo. 

Em 1989, voltou para o Brasil. 

Na década de 1990. atuou também como produtor musical, tendo sido responsável por discos de João Nogueira, Alfredo Karan, Ventilador, Angelo, Pura Relíquia, Força do Pagode e Edinho Santa Cruz

Laudir de Oliveira em show na Miranda, Rio de Janeiro, 29/09/2015
Laudir de Oliveira tocou com o saxofonista e clarinetista Paulo Moura, com quem fundou o grupo de espetáculos da Velha Guarda da Imperatriz Leopoldinense.

Participou das gravações do álbum de Joe Cocker, "With a Little Help From My Friends", apresentou-se com o guitarrista Santana no Rock In Rio II, tocou com o saxofonista Wayne Shorter, gravou o último álbum dos Jackson Five, intitulado "Destiny".

Gravou também com o multiinstrumentista Hermeto Pascoal, o saxofonista americano Paul Winter, e na banda Som Imaginário, com Milton Nascimento, Robertinho Silva, Wagner Tiso, Luiz Alves, Zé Rodrix e Tavito.

Participou de duas turnês da cantora Nina Simone, como percussionista e vocalista, gravou com Chick Corea, Gal Costa, Maria Bethânia, Sadao Watanabe, Dom Um Romão, Jennifer Warnes, Gerry Mulligan, entre outros.

Gravou cinco álbuns com Airto Moreira ("I'm Fine How Are You", "Touching You Touching Me", "Aqui Se Puede", "Samba de Flora" "The Colors Of Life"), quatro álbuns com Flora Purim ("Open Your Eyes You Can Fly", "Everyday Everynight", "Carry On""Live At Hollywood Bowl", além do vídeo "Harvest Jazz") e sete álbuns com Ithamara Koorax ("Serenade In Blue", "Exclusively For My Friends", "Brazilian Butterfly", "Ithamara Koorax & Friends", "Tributo à Stellinha Egg", "All Around The World" e "Ithamara Koorax Sings Getz/Gilberto"), entre outros.


Compôs canções e gravou com Marcos Valle. Em parceria fizeram, entre outras, as canções "Life Is What It Is", gravada pelo grupo Chicago, em seu álbum "Chicago 13" (1979), "A Paraíba Não é Chicago" (Baby Don't Stop Me), "Sei lá", essas duas também em parceria com Leon Ware, parceiro de Marvin Gaye, e Peter Cetera, do álbum "Vontade de Rever Você", de Marcos Valle (1981), "Dentro de Você", gravada por Emílio Santiago, "Tapetes, Guardanapos e Cetins" e "Para os Filhos de Abraão", do álbum "Marcos Valle" (1983).

Laudir de Oliveira foi também dançarino, ritmista e diretor do grupo de dança afro-brasileira Brasiliana. Foi ator, artista plástico, diretor cultural da Universidade do Grande Rio e produtor musical de discos de João Nogueira, Alfredo Karam, entre outros.

Laudir de Oliveira fez a direção musical da peça "Carlota Joaquina", de Nuno Leal Maia.

Gravou a música "Do Kayambá ao Dollar", no álbum "Costa do Descobrimento" de Ari Sobral & Água de Coco.

Gravou a faixa "Viúva Negra", ao lado de Jorge Pescara, para o álbum "Rio Strut".

As últimas gravações foram para o disco da Orquestra Afro-Brasileira, em agosto de 2017, e para o CD "Boulevard", da banda Urca Bossa Jazz, em setembro de 2017.

Morte

Laudir de Oliveira faleceu na tarde deste domingo, 17/09/2017, aos 77 anos, durante um show no Reduto Pixinguinha, centro cultural na Praça Ramos Figueira, em Olaria, Zona Norte do Rio de Janeiro. Segundo familiares, ele teve um mal súbito enquanto tocava, diagnosticado posteriormente como infarto do miocárdio.

Laudir de Oliveira participava de uma homenagem ao maestro Paulo Moura. Segundo relato de amigos, ele estava tocando o chorinho "Ternura" quando teve um mal súbito e morreu.

Fonte: Wikipédia e Dicionário Cravo Albin da MPB
Indicação: Miguel Sampaio