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Eduardo Chapot-Prévost

EDUARDO CHAPOT-PRÉVOST
(43 anos)
Médico, Cientista e Professor

☼ Cantagalo, RJ (25/07/1864)
┼ Rio de Janeiro, RJ (19/10/1907)

Eduardo Chapot-Prévost foi um médico-cirurgião, cientista e professor brasileiro nascido em Cantagalo, RJ, no dia 25/07/1864. Ele foi uma das mais ilustres e notórias personalidades da medicina brasileira, cujo nome tornou-se mundialmente famoso pela marcante e bem sucedida operação que realizou, no final do século XIX, separando as irmãs siamesas Maria e Rosalina.

Filho de Louis Chapot-Prévost, cirurgião dentista, de nacionalidade francesa, e de Louisa Lend Chapot-Prévost, de nacionalidade belga, professora de línguas. Cursou os preparatórios no Colégio Pedro II.

Vocacionado aos estudos médicos, Eduardo Chapot-Prévost matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Colou grau em 1885, defendendo a tese sobre "Formas Clínicas do Puerperismo Infeccioso e seu Tratamento", na Bahia.

No magistério, foi Professor Adjunto de Anatomia, em 1886, e de Histologia, em 1888, tendo logrado conquistar a cátedra de Histologia em 1890, com uma tese sob o título "Pesquisas Histológicas Sobre a Inervação das Vias Biliares Extra-Hepáticas".

Eduardo Chapot-Prévost participou de diversas comissões, entre elas a que foi a Berlim estudar o processo proposto do Doutor Robert Koch para a cura da tuberculose, em 1890, a que foi identificar uma suposta epidemia de cólera no Vale do Paraíba, em 1894, e outra, presidida por Domingos Freire, para debelar a febre amarela, em 1899. Ainda em 1899, chefiou a comissão da Diretoria Geral de Saúde Pública que foi a Santos investigar e combater um surto de peste bubônica, da qual fez parte Oswaldo Cruz. Dessa empreitada nasceriam o Instituto Soroterápico Federal, no Rio de Janeiro, e o Instituto Soroterápico do Estado de São Paulo.

Eduardo Chapot-Prévost integrou a comissão que foi a Berlim estudar o processo do Drº Robert Koch para cura da tuberculose, e a que reuniu no Rio de Janeiro, sob a presidência do professor Domingos Freire, para debelação da febre amarela. Foi patrono e membro titular da cadeira nº 81 da Academia Nacional de Medicina. É, também, o Patrono da Cadeira 60 da Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro.

Notoriedade Mundial

Em 30/05/1900, o Drº Eduardo Chapot-Prévost realizou, pela primeira vez, na história da medicina, uma intervenção operatória que constituiu um marco na evolução da cirurgia mundial: A separação das meninas toracoxifópagas, Maria e Rosalina, de 7 anos de idade, cuja cirurgia durou apenas 90 minutos.

Drº Eduardo Chapot-Prévost, após realizar os mais minuciosos estudos sobre a operabilidade desse caso de toracoxifopagia, esgotando os métodos de investigação e exame possíveis, para a época, criou processos originais para as várias fases da inovadora cirurgia.

Drº Eduardo Chapot-Prévost e a esposa ao lado de Rosalina
Vida e Família

Eduardo Chapot-Prévost casou-se com Laura Caminhoá, filha do Comendador da Ordem da Rosa, Joaquim Monteiro Caminhoá, doutor em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e professor de Botânica e Zoologia, e de sua esposa, Delmira Monteiro Caminhoá.

Da união, nasceu um único filho, falecido em tenra idade.

Após longa enfermidade, Eduardo Chapot-Prévost faleceu em 19/10/1907, aos 43 anos de idade.

Maria e Rosalina

As irmãs Maria e Rosalina, ligadas pelo fígado, nasceram em 21/04/1893, em Cachoeiro do Itapemirim, ES, filhas de João Antônio Davel e Rosalina Pinheiro Davel. Entretanto, os poucos recursos da medicina do final do século XIX não permitiram aos médicos descobrir como e, por onde, elas estavam unidas.

O tempo foi passando e até que, quando tinham 5 anos de idade, os pais foram convencidos de que só no Rio de Janeiro seria possível resolver o caso. Poucos dias depois, rumaram para o Rio de Janeiro, onde o Drº Pinheiro Júnior apresentou os pais das irmãs toracoxifópagas ao Drº Álvaro Ramos, que decidiu realizar a operação.

Durante um ano, estiveram as crianças aos cuidados desse médico, em observação. A primeira tentativa de operação fracassou quando o Drº Álvaro Ramos descobriu que as meninas não estavam ligadas apenas por músculos ou cartilagem, como inicialmente se pensara.

Diante desse resultado frustrado, o Drº Pinheiro Júnior decidiu consultar o Drº Eduardo Chapot-Prévost sobre o caso. Ficou surpreso com a resposta do cientista que declarou estar disposto a assumir a responsabilidade da intervenção. Entretanto, como, na época, nem radiografias existiam, o decidido médico Eduardo Chapot-Prévost foi obrigado a mais de um ano de pesquisas.

Aplicando remédios para uma das irmãs a fim de verificar se a outra sentia os efeitos, foi que ele chegou à conclusão de que o órgão que ligava as duas era o fígado. Foram necessários vários meses de experiências para descobrir se elas possuíam um único fígado ou não.


Para preparar a operação, o Drº Eduardo Chapot-Prévost foi obrigado a esculpir em gesso, em tamanho natural, o modelo das duas crianças e a desenhar uma mesa de operação especial, que se dividia em duas, para permitir que ele, depois de separadas as toracoxifópagas, atendesse a uma delas, enquanto os assistentes concluíam a operação da outra. Inclusive, um aparelho especial para a sutura do fígado foi desenhado e construído pelo médico.

A Equipe Médica chefiada pelo Drº Eduardo Chapot-Prévost, na Operação de Toracoxifopagia, era composta por 13 médicos assistentes: Drº Paulino Werneck, Drº Pinheiro Junior, Drº Azevedo Monteiro, Drº Ernani Pinto, Drº Figueiredo Rodrigues, Drº João Gonçalves Lopes, Drº Amaro Campello, Drº Jonathas Campello, Drº José Chapot-Prévost, Drº Silvio Muniz, Drª Paula Rodrigues, Drº Dias de Barros e Drº Chardinal d’Arpenans.

Em 1900, o Drº Eduardo Chapot-Prévost usou, pela primeira vez no mundo, as máscaras de gaze, só dezenas de anos depois generalizadas pelos cirurgiões de todos os continentes, em seus atos operatórios. Para a hemostasia (interrupção fisiológica de uma hemorragia) do fígado, separado em larga ponte de conexão entre Maria e Rosalina, o Drº Eduardo Chapot-Prévost utilizou método e aparelhos originais, aceitos na técnica cirúrgica, após a publicação do seu trabalho: "Chirurgie dês Thoracopages", em Paris, no ano de 1901.

Durante o procedimento cirúrgico, a população estava acompanhando o drama de bondade e de amor que se representa na Casa de Saúde de São Sebastião.

Acabada a operação, suspensa a ação anestésica do clorofórmio, quando um silêncio trágico reinava naquela sala em que acabava de ser afirmada a glória da ciência humana, a Mariasinha, a que mais sofrera, a que mais sangue perdera, a que mais receios devia dali por diante inspirar, logo ao despertar, agitou uma das mãos no ar, e disse adeus à irmã.

A cirurgia feita por Eduardo Chapot Prévost
Um cronista na pressa de transmitir aos leitores as suas impressões pessoais, não soube compreender toda a significação desse adeus. Pareceu a essa alma apressada que havia ali, naquele gesto eloqüente da pequenina, a manifestação da primeira saudade, da primeira mágoa da separação, do primeiro desgosto do apartamento… Não era isso, não. Aquilo era um adeus aliviado e consolado, com que o galé se despede do calceta, com que o acusado se despede do banco dos réus, com que a alma da gente se despede de uma preocupação dolorosa, com que um devedor ameaçado de penhora se despede de uma dívida, com que todos os que sofrem se despedem do sofrimento.
"Como quereríeis vós que se amassem aquelas pobres almas, condenadas ao eterno convívio? Como quereríeis vós que não se repelissem aqueles dois corpos, condenados ao eterno contato?"
(Trecho apócrifo de texto encontrado junto aos documentos dos descendentes dos familiares de Eduardo Chapot-Prévost)

Infelizmente, Maria, uma das xifópagas, faleceu cinco dias e quatorze horas após a cirurgia, vitimada, conforme ficou provado pelo laudo da necropsia oficial, solicitada pelo próprio cirurgião, por uma pleuropericardite, quadro infeccioso para cuja debelação a medicina da época não dispunha de eficazes recursos.

Maria, caso tivesse acatado a dieta recomendada, também se salvaria. Muito voluntariosa, porém, e cheia de caprichos, não quis se submeter aos rigores que indicavam somente a ingestão de caldos e coisas leves. A enfermeira resolveu contrariar o conselho médico e deu-lhe um mingau de tapioca, que causou grave infecção intestinal.

A sobrevivência de Rosalina, a outra xifópaga, foi suficiente para atestar a magistral proficiência e o êxito do ato operatório, bem como para consagrar, no Brasil, e perante a ciência médica mundial, o nome de Eduardo Chapot-Prévost, cientista, mestre da medicina e imortal pioneiro deste tipo de cirurgia. Rosalina Henriques, depois de visitar toda a Europa, serviu de tema a várias conferências médicas.

Rosalina, aos 75 anos, com o marido Wantuil Henriques e os netos
Rosalina relatou, em diversos jornais da década de 1930, como ela e sua irmã Maria viveram presas, uma a outra, durante 7 anos. Havia entre elas profundas diferenças de gênio e de vontades. Maria era voluntariosa, caprichosa e, isso, causava rusgas constantes. Uma não queria satisfazer as vontades da outra e principiava a briga da qual sempre Rosalina levava a pior parte, pois, mais cordata, calma e ponderada, cedia aos caprichos da irmã. Resumindo: Rosalina gostava mais do sossego e Maria de brincadeiras mais movimentadas. Essas divergências eram constantes e manifestavam-se, inclusive, na hora de dormir. Uma queria ir para o leito e a outra não, porque não tinha sono. E como era difícil acomodarem-se no leito. A deformação no rosto da sobrevivente foi proveniente da posição a que era obrigada no leito. Maria também apresentava deformação idêntica, mas em sentido inverso porque as suas faces se encostavam, e, de tanto se tocarem, estabeleceram perfeita junção das partes em contato.

O vestido tinha que ser de feitio todo especial. Da cintura para cima, com duas blusas; para baixo, uma saia somente. Comiam, cada qual no seu prato, mas sentadas numa só cadeira.

Rosalina disse que seus pais tiveram, depois, mais 10 filhos, todos eles perfeitos, e que o seu caso foi o único fenômeno que se registrou na sua família e na de seus parentes. Rosalina contou que depois de operada, passou a morar com o Drº Eduardo Chapot-Prévost, que mais tarde se tornou seu padrinho e lhe arranjou educação gratuita num colégio de irmãs de caridade, em Botafogo. Seu grande bem feitor tratava-a como filha.

Quando o padrinho morreu, tinha Rosalina 14 anos de idade e, muito embora a família do médico não quisesse, deixou a casa e foi morar com os pais. Educada, porém, não se habituou àquela vida de privações, no interior do Espírito Santo. Assim, ela voltou para o Rio de Janeiro e, depois, passou a residir com a família de Sebastião Lacerda, na vila que hoje tem seu nome e que se chamava Commercio.

Em Sebastião Lacerda, perto de Vassouras, conheceu o homem que viria a ser seu esposo. Dos seus 6 filhos, os 2 primeiros nasceram em maternidades do Rio de Janeiro, pois, os médicos temiam qualquer complicação no parto. Os outros 4, em mãos de parteiras, naquele lugarejo fluminense.

 Rosalina viveu mais de 80 anos.

Obras
  • 1890 - Pesquisas Histológicas
  • 1892 - A Bouba e a Sífilis
  • 1900 - O Carbúnculo no Matadouro
  • 1901 - Novo Xifópago Vivo
  • 1901 - Cirurgia dos Toracópagos
  • 1902 - Xifópago Operado
  • 1905 - Teratópago Brasileiro Vivo


Voo LaMia 2933

VOO LAMIA 2933



28/11/2016


Voo 2933 da LaMia foi um voo charter, operado pela companhia com a identificação LMI2933, a serviço da Associação Chapecoense de Futebol, proveniente de Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, com destino ao Aeroporto Internacional José María Córdova em Rionegro, Colômbia, que caiu próximo ao local chamado "Cerro El Gordo", "Monte O Gordo", em livre tradução, na Colômbia, às 22h15 do dia 28/11/2016 no horário local e 1h15 do dia 29/11/2016 pelo horário de Brasília.

A aeronave trazia 77 pessoas a bordo, tendo por passageiros atletas, equipe técnica e diretoria do time brasileiro da Chapecoense, jornalistas e convidados, que iriam a Medellín onde o clube disputaria a primeira partida da Final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional. Entre passageiros e tripulantes, 71 pessoas morreram na queda do avião e seis foram resgatadas com vida.

Dos mortos, 20 eram jornalistas brasileiros, 9 eram dirigentes, incluindo o presidente do clube, 2 eram convidados, 14 eram da comissão técnica, incluindo o treinador e o médico da equipe, 19 eram jogadores e 7 eram tripulantes. Dos 6 ocupantes que sobreviveram, 4 eram passageiros e 2 eram tripulantes. Pelo total de vítimas, esta tragédia torna-se a maior da história com uma delegação esportiva e a maior do jornalismo brasileiro.

Aeronave

A rota foi operada em um British Aerospace 146 (Avro RJ85), registro CP-2933. Medindo 28,55m do bico à cauda, largura de asas de 26,4 m, altura de 8,61 m, equipada com quatro motores Honeywell LF 507. O modelo Avro RJ85 tem uma autonomia de voo de três mil quilômetros, com capacidade de transportar até 112 passageiros e 9 tripulantes.

A aeronave recebeu do fabricante o número de série (MSN) E2348 e teve seu primeiro voo em 26/03/1999, contando portanto com 17 anos e 7 meses de atividade. Em 30/03/1999, foi liberada para a Mesaba Airlines dos Estados Unidos. Em seguida, a 18/09/2007, passou a ser operada pela companhia de voos domésticos irlandesa CityJet. Finalmente em 16/10/2013 teve pela primeira vez seu registro pela LaMia (a empresa mudou o registro mais duas vezes: em setembro de 2014 e em janeiro do ano seguinte).

Operadora LaMia

A Línea Aérea Merideña Internacional de Aviación (LaMia), foi fundada em 16/08/2010, com uma cota inicial do governo do estado venezuelano de Mérida de cinco milhões de dólares. A empresa, que teve seu registro suspenso depois do acidente fatal em Medelin, era comandada pelo economista e empresário venezuelano Ricardo Albacete e estava adquirindo três aeronaves Avro-RJ85, incluindo a acidentada (única que estava em operação na época do acidente). Ricardo Albacete, antes de ingressar no ramo de transporte aéreo, já tinha empresas nos setores metalúrgico (Gurimetal) e petrolífero (Alba Energy) e já havia respondido a um processo na Corte Suprema da Venezuela por uma suposta fraude, com uso de um mandato falso e apropriação indébita.

Ricardo Albacete tinha um amigo chinês, Sam Pa, que se apresentava como um milionário de Pequim, interessado em investimentos internacionais. No entanto, as promessas de investimento de Sam Pa na companhia não se realizaram, e em setembro de 2011 a companhia foi desativada, depois que o "investidor" chinês foi preso em seu país.

Dois anos depois, Ricardo Albacete reativou a companhia com outro nome, Línea Aérea Margarita, em uma manobra que lhe permitiu manter os mesmos logotipos e distintivos internacionais da antiga empresa, anunciando voos para várias cidades do mundo, inclusive Miami e Boston. Ricardo Albacete adquiriu então os três aviões que estavam estacionados no aeroporto de Norwich, na Inglaterra.

A empresa reestruturada recomeçou suas atividades, oferecendo preços muito abaixo da concorrência, valores até 40% mais baratos. Rapidamente especializou-se em transportar equipes de futebol por todo o continente. Em uma entrevista a um jornal espanhol depois do acidente em Medellín, e ante uma confusa situação em que a LaMia tinha registro não só na Venezuela, mas também na Bolívia, Ricardo Albacete declarou que não era acionista nem empregado dessa outra empresa boliviana, mas sim da LaMia da Venezuela, e que eram eles (da LaMia da Venezuela) quem arrendavam seus aviões à empresa boliviana. Entretanto, a LaMia boliviana foi criada pelo próprio Ricardo Albacete em janeiro de 2015, em sociedade com Miguel Quiroga, piloto que era o comandante da aeronave acidentada.

O Acidente

O time brasileiro da Associação Chapecoense de Futebol viajava para o jogo de ida da final da Copa Sul-Americana de 2016 contra o Atlético Nacional em Medellín, na Colômbia. A equipe tentou, a princípio, fazer o voo saindo do aeroporto de Guarulhos direto para Medellín. O pedido foi indeferido pela ANAC de acordo com a legislação vigente, com base no Código Brasileiro de Aeronáutica e na Convenção de Chicago, pelos quais apenas uma companhia aérea brasileira ou colombiana poderia fazer o voo.

O trajeto foi feito, então, em duas etapas: Um voo comercial pela companhia aérea boliviana BoA partindo de São Paulo às 15h15 e chegando a Santa Cruz de la Sierra cerca de três horas depois, e o trecho final em voo fretado com a LaMia. Integraria a comitiva do time o prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, que não embarcou junto com a comitiva, e dois responsáveis pela logística do clube já se achavam na Colômbia, aguardando a chegada do voo.

Às 22h00 a aeronave declarou uma emergência elétrica quando voava entre os municípios de La Ceja e La Unión. A comissária de bordo Ximena Suárez, sobrevivente ao acidente, declarou ao governador de Antioquia Luis Pérez que, pouco antes da queda, as luzes da aeronave se apagaram de repente, e então entre quarenta ou cinquenta segundos depois caiu. O técnico de voo sobrevivente, Erwin Tumiri, disse dois dias depois do acidente, que somente conseguiu ficar vivo porque seguiu todos os protocolos para tal ocasião: Ficara em posição fetal, com malas entre as pernas. Segundo ele, ocorreu um pânico total no interior da aeronave, com gritaria e pessoas saindo de seus assentos. Entretanto, alguns dias depois, Erwin Tumiri desmentiu essas informações em entrevista dada à rede de rádio Bluradio de Bogotá, afirmando que até o exato momento do impacto, nenhum passageiro sabia que havia uma situação de emergência, sem qualquer aviso da tripulação, e que todos estavam apenas preparados para a aterrissagem que havia sido anunciada. Afirmou que tudo foi muito rápido, a sensação de descida, depois as luzes se apagaram, acendendo-se as de emergência e em seguida o impacto e que não houve tempo para nada, nem havia ninguém em pânico no momento do impacto.

A queda ocorreu no Cerro El Gordo. Num primeiro comunicado o Aeroporto de Medellín informava que o piloto havia relatado à torre de controle que o avião apresentava problemas elétricos e declarava situação de emergência por volta das 22h00, pouco tempo depois da queda as autoridades localizaram o local da queda, e helicópteros foram inicialmente incapazes de chegar ao local devido à névoa densa na região, forçando o acesso dos socorristas da Força Aérea da Colômbia por terra.

A princípio fora divulgado que havia 81 pessoas a bordo, contudo verificou-se que a contagem inicial incluía quatro passageiros que deixaram de viajar na última hora.

Sobreviventes

O primeiro passageiro a ser resgatado e chegar ao hospital de La Ceja foi o lateral Alan Ruschel, um dos jogadores a bordo da aeronave. Mais tarde, foram encontrados com vida o goleiro Jakson Follmann, o jogador Neto, a comissária Ximena Suárez, o jornalista Rafael Henzel, e o técnico de voo Erwin Tumiri.

Apesar de em melhor estado de saúde que os demais, os dois tripulantes bolivianos que sobreviveram não puderam retornar ao seu país no dia 01/12/2016, quando aquele país enviou uma aeronave para o traslado dos corpos daquela nacionalidade, por não terem sido liberados pelos médicos.

Vítimas Fatais e Traslado

Das vítimas fatais, entre passageiros e tripulantes, uma era paraguaia, outra venezuelana, cinco eram bolivianas e o restante era de brasileiros. Já no dia 01/12/2016 a Bolívia enviou uma aeronave Hércules para efetuar o traslado dos mortos daquela nacionalidade, ao tempo em que levara à Colômbia familiares dos mesmos.

No mesmo dia, Carlos Valdés, diretor do Instituto Médico Legal (IML) de Medellín, declarou que todas as 71 vítimas fatais haviam sido identificadas. Ele também informou que a causa da morte da maioria das vítimas foi grave lesão em ossos e vísceras, provocada pela queda. Já neste dia o corpo de Gustavo Encina, tripulante paraguaio, seguiu para seu país num voo comercial. Quatro empresas funerárias de Medellín trabalharam para o preparo dos corpos às condições de transporte.

Na sexta, 02/12/2016, foi feito o traslado do cidadão venezuelano, também tripulante, também em voo comercial, partindo às 8h00. Uma hora mais tarde partiu o Hércules boliviano. 14 dos jornalistas brasileiros partiram nesta data, em voos privados. 35 carros funerários efetuaram o transporte dos corpos de Medellín até a cidade de Rionegro.

Duas aeronaves Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB) foram até Medellín buscar os demais corpos, saindo de lá na sexta, 02/12//2016, entre 16h15 e 17h05. Os aviões fizeram escala em Manaus e partiram às 2h00 do sábado, horário local, chegando em Chapecó por volta das 9h30. Os corpos foram levados para um velório coletivo na Arena Condá.

Avaliação Inicial das Causas

Em comunicado oficial, o Aeroporto Internacional José María Córdova informou:

"O Comitê de Operações de Emergência e a gerência do Aeroporto José Maria Córdova informa que às 22h uma aeronave (...) se declarou em estado de emergência, entre os municípios de La Ceija e La Unión. A aeronave reportou pane elétrica, segundo informado à torre de controle de Aeronáutica Civil."

Num primeiro momento foi divulgado que a causa seria falta de combustível. Passadas algumas horas do acidente, e com as informações então disponíveis, especialistas analisaram vários fatores que poderiam tê-lo causado. Se num primeiro momento foi dito da falta de combustível, uma informação contraditória se seguiu, dizendo que o piloto havia se livrado deste antes de tentar um pouso forçado. Outro dado que chamou a atenção dos analistas é que, para o fabricante da aeronave, esta tem autonomia de voo de 2965 km (a velocidade de cruzeiro de 720 km/h), e a distância a ser percorrida foi de 2.975, o que fez voltar a hipótese da falta de combustível. Em razão disto o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas do Brasil, Rodrigo Spader, afirmou que o ideal seria ter havido uma escala para reabastecimento, neste caso.

Rodrigo Spader considera ainda situações como um vento contrário durante o trajeto, que forçaria ao crescimento do consumo do combustível. Tanto ele como o professor de aeronáutica Cláudio Scherer concordam que não pode ter havido o "alijamento" (derrame proposital do combustível) que só é feito em aviões de maior porte a fim de aliviar o peso para um pouso estável - o avião, no entanto, não teria capacidade de alijar combustível. Também foi relevante a revelação feita de que a torre de controle do aeroporto dera prioridade de pouso a outra aeronave, antes do LaMia. Um último fator a ser apreciado nas investigações é o estado dos pilotos, segundo Rodrigo Spader, pois o cansaço está na causa direta de 20% dos acidentes registrados. As caixas-pretas foram encontradas, na tarde do dia 29/11/2016, em perfeito estado.

Plano de Voo

No dia do acidente um despachante da LaMia apresentou à funcionária da Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares de Navegação Aérea (AASANA), Celia Castedo Monasterio, o plano de voo da aeronave. Segundo o depoimento da funcionária às autoridades bolivianas ela teria alertado ao despachante que o plano estava errado, pois trazia os valores de tempo de voo e autonomia de combustível idênticos, o que não daria a margem obrigatória (ambos davam quatro horas e vinte e dois minutos), e que não havia um plano alternativo.

Celia Castedo Monasterio teria advertido o despachante (que também morreu no acidente) por cinco vezes, segundo ela, mas este insistiu dizendo que estavam capacitados a realizar a viagem assim mesmo. Especialistas em aviação qualificaram o plano de voo como "absurdo".


Diálogo Com a Torre de Controle

Na quarta-feira, 30/11/2016, a gravação entre o piloto da aeronave e a controladora de voo, Yaneth Molina, foi divulgada. Nela o piloto Miguel Quiroga solicita prioridade de aproximação pois enfrentava "problemas de combustível". A controladora pede que confirme e ele responde que sim, ela então lhe diz que dentro de sete minutos lhe daria a confirmação pois já havia outra aeronave antes dele. Miguel Quiroga então insiste estar numa emergência motivada por combustível, mas a controladora se dirige para outro avião, o Avianca 9356 para que se aproxime e dialoga com o outro piloto.

Após a interrupção, o piloto da LaMia volta a pedir a descida imediatamente. A torre informa que há tráfego abaixo dele e pede que efetue um desvio à direita. Miguel Quiroga pede-lhe que seja "incorporado a outro vetor" e a controladora volta a falar do tráfego à frente dele e pede que continue a aproximação, perguntando-lhe se deseja alguma assistência na pista, ao que Miguel Quiroga retruca que confirmaria a assistência "na pista" e emenda: "Senhorita, LaMia 2933 está em falha total, sem combustível".

A controladora diz que a pista está livre, esperando chuva e que os bombeiros estão alertas. Miguel Quiroga revela o desespero em que se encontrava: "Vetores, senhora! Vetores!". A controladora diz que o perdeu no radar e que ele indicasse o rumo, ao que ele diz, repetindo, ser "rumo 3,6,0". A controladora diz que ele está a 8,2 milhas da pista. Miguel Quiroga diz a última palavra do contato: "Jesus!" e outras vozes surgem na torre de controle, dizendo que "não responde" e uma última pergunta encerra a gravação: "Qual a sua altitude agora?".

Helicóptero colombiano resgata corpos na área rural de La Unión.
Investigação

Além das autoridades aeronáuticas colombianas responsáveis pela apuração das causas do sinistro, também técnicos britânicos da fabricante do avião se dirigiram àquele país para auxiliar nas investigações sobre a queda, bem como representantes bolivianos, país de origem do voo.

Na terça-feira, 29/11/2016, seguiram para Medellín técnicos brasileiros do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), convidados pelo órgão local de apuração, a Aeronáutica Civil da Colômbia, além de Policiais federais brasileiros.

No dia 01/12/2016, Freddy Bonilla, secretário de segurança aérea da entidade responsável pela aviação civil colombiana, declarou que:

"Quando chegamos ao local do acidente e pudemos inspecionar os destroços, confirmamos que a aeronave não tinha combustível no momento do impacto. Uma das teorias que estamos trabalhando é que por não termos encontrado combustível no local da colisão ou nos tubos de alimentação, a aeronave sofreu queda por falta de combustível."

Freddy Bonilla disse também que a autorização do voo previa que a aeronave deveria ter partido de Cobija, cidade boliviana muito mais ao norte do que aquela de onde partiu de fato, Santa Cruz de la Sierra.

No curso das investigações, a promotoria responsável pelo caso prendeu provisoriamente em 06/12/2016 na Bolívia, Gustavo Vargas, diretor-geral da LaMia. Mais dois funcionários da empresa (uma secretária e um mecânico) prestaram depoimentos e foram liberados. Foram recolhidos também vários documentos nos escritórios da companhia, pela Direção Geral de Aeronáutica Civil da Bolívia (DGAC). No dia seguinte, foram confiscadas as duas outras aeronaves da LaMia, do mesmo modelo, para investigações e para ficarem à disposição da Justiça em um eventual uso no pagamento de indenizações. Havia inclusive uma dívida da LaMia para com a Força Aérea Brasileira, equivalente a 48,2 mil dólares, de serviços de manutenção prestados em 2014. Segundo a promotoria, entre os crimes investigados no processo, estão: abandono do dever, abuso de influência, homicídio e lesões gravíssimas.

As caixas-pretas, encontradas no dia seguinte ao acidente, foram enviadas para Farnborough, na Inglaterra, sede da BAE Systems, fabricante da aeronave. A equipe de especialistas participantes da análise dos registradores é formada por um investigador do Grupo de Investigação de Acidentes e Incidentes Aéreos da Colômbia (GRIAA), um investigador da DGAC, um investigador do Conselho Nacional de Segurança em Transportes dos Estados Unidos (NTSB) (porque equipamentos importantes da aeronave, entre eles os motores, são produzidos nos Estados Unidos), e um investigador da Agência de Investigação de Acidentes Aéreos do Reino Unido (AAIB), porque o avião foi produzido na Inglaterra.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, do Brasil (CENIPA), decidiu não participar da equipe, aguardando os resultados, compartilhados com todos os órgãos nacionais envolvidos. No entanto, a Força Aérea Brasileira (FAB) enviou para a Colômbia dois representantes, sendo um especialista em investigações de acidentes aéreos do CENIPA, e um psicólogo para avaliar os fatores humanos envolvidos no acidente, bem como acompanhar a recuperação dos brasileiros sobreviventes. Segundo as normas internacionais, o país que tem seus cidadãos vítimas fatais ou feridos seriamente em acidentes aéreos, pode solicitar formalmente junto ao país que conduz as investigações, a participação de um especialista, com as seguintes prerrogativas no processo: Visitar o local do acidente, ter acesso às informações relevantes, participar da identificação das vítimas, auxiliar nos esclarecimentos prestados pelos sobreviventes e receber uma cópia do Relatório Final.

Relatório Preliminar

Em 26/12/2016, 28 dias depois do acidente, a Aerocivil, Unidade Administrativa Especial de Aeronáutica Civil da Colômbia, apresentou o relatório preliminar. De acordo com o relatório, não foi identificada uma falha técnica que tivesse causado ou contribuído para o acidente, nem apresentou ato de sabotagem ou tentativa de suicídio. As evidências revelam que a aeronave sofreu falta total de combustível (Pane Seca).

A aeronave ficou totalmente destruída e os danos subsequentes indicaram que não houve possibilidade mínima de sobrevivência da maioria dos passageiros e tripulantes e nem incêndio. As investigações devem continuar até abril de 2017, quando a Aerocivil apresentará o relatório final, considerando esta análise preliminar, bem como os aspectos de organização, vigilância e supervisão operacional, planificação do combustível, tomada de decisões e sobrevivência.

Reações e Homenagens

A Confederação Sul-Americana de Futebol (CSF) cancelou a final da Copa Sul-Americana de 2016. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) adiou por uma semana a segunda partida da final da Copa do Brasil e a última rodada do Campeonato Brasileiro.

O presidente Michel Temer decretou luto oficial no Brasil de três dias logo após a notícia do acidente.

Alguns clubes brasileiros emitiram comunicados oficiais com a palavra de seus respectivos presidentes, em solidariedade à tragédia com a Chapecoense. Lamentando o acidente, os dirigentes ainda informam a criação de "medidas solidárias" à Chapecoense, entre elas, a possibilidade de impedir o rebaixamento do clube catarinense pelas próximas três temporadas e o empréstimo de atletas para a temporada de 2017.

Por todo o mundo os principais jornais imediatamente repercutiram o acidente, bem como as principais redes de notícia de todos os países. Logo redes como CNN e BBC, e jornais como The New York Times, El País e Le Monde passaram a cobrir a tragédia.

Já na manhã do dia 29/11/2016 as redes sociais da mesma forma exibiram reações que de forma unânime manifestavam apoio às vítimas da tragédia. Em suas contas pelo Twitter os atletas Pelé, Maradona, MessiNeymar Jr., entre muitos outros, manifestaram pesar e solidariedade. Os times de futebol de todo o mundo também usaram este meio para expressar o luto e apoio ao time brasileiro e às famílias das vítimas, bem como por meio de suas páginas oficiais. Equipes como o Barcelona fizeram minuto de silêncio antes de seu treino na manhã daquele dia.

Logo hashtags como "#forçachape" ou "#fuerzachape" se tornaram as trending topics em todo o mundo. O vídeo que exibia a equipe rezando unida tornou-se o mais compartilhado. A equipe contra quem jogaria a Chapecoense, Atlético Nacional, imediatamente também manifestou sua solidariedade e a intenção de ceder o título ao adversário vitimado.

Na noite do dia 29/11/2016 vários monumentos ao redor do planeta se iluminaram na cor verde em homenagem à equipe catarinense. No Brasil isto se deu no Palácio do Planalto, no Cristo Redentor, Elevador Lacerda e outros símbolos locais. O gesto foi repetido na Torre Eiffel, na sede da Conmebol e no Obelisco de Buenos Aires. Isto também ocorreu em vários estádios pelo mundo.

A Rede Globo, no mesmo dia, durante o Jornal Nacional, exibiu um discurso do Galvão Bueno e encerrou a sua edição com 1 minuto de aplausos e as fotos da vítimas no fundo.

Em 30/11/2016, a Organização da Aviação Civil Internacional expressou condolências e declarou que estaria à disposição das autoridades para participar das investigações, caso fosse solicitado. No mesmo comunicado, lembrou que, conforme a Convenção de Chicago, as autoridades envolvidas na investigação têm 30 dias a partir da data do acidente para emitir um relatório preliminar, e 12 meses para emitir o relatório final.

Ainda no dia 30/11/2016, no horário que seria disputada a Final da Copa Sul-Americana, o canal Fox Sports 1 entrou em silêncio no período que estava reservado para a transmissão do jogo. A tela ficou toda preta em sinal de luto, com a hashtag #90minutosdesilencio e um cronômetro para marcar o tempo que a cobertura da partida duraria.

No Twitter um usuário simulou uma partida intitulada "Final dos Sonhos" e o assunto ficou entre um dos mais comentados nos trending topics na rede.

A direção da Fox na América Latina prestou uma homenagem aos 6 jornalistas mortos dos canais Fox Sports. A diretoria do canal decidiu mudar seu logo e seu slogan. Do dia 04/12/2016 até o fim de 2017, o tradicional logo do canal contará com seis estrelas, cada uma delas representando cada um dos funcionários mortos. A homenagem não ficará restrita ao canal do Brasil. As demais filiais da emissora, em países como Argentina e México, por exemplo, trarão as estrelas acima de seu logo. O slogan do canal também mudou de torcemos juntos para sempre juntos.

Consequências Oficiais

No dia 29/11/2016 a Direção Geral de Aeronáutica Civil da Bolívia expediu a Resolução Administrativa nº 716, suspendendo de forma imediata a autorização de operação da Lamia Corparatión SRL. Também como reação ao acidente, o Ministério das Obras Públicas daquele país, por seu titular Milton Claros, trocou toda a direção geral de aeronáutica civil. Neste mesmo dia foi afastada a funcionária da Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares de Navegação Aérea (AASANA), Celia Monasterio.

Milton Claros ainda disse que uma investigação foi aberta para apurar a concessão da licença à LaMia, bem como da situação da empresa, e que também os dirigentes da AASANA ficarão suspensos enquanto durarem as investigações.

Passageiros e Tripulação

A relação dos passageiros e tripulantes do voo foi divulgada horas depois de constatado o acidente.

Delegação da Chapecoense

Jogadores:
  1. Danilo Padilha (Goleiro)
  2. Gimenez (Lateral)
  3. Bruno Rangel (Atacante)
  4. Marcelo (Zagueiro)
  5. Lucas Gomes (Atacante)
  6. Sergio Manoel (Meio-campista)
  7. Filipe Machado (Zagueiro)
  8. Matheus Biteco (Meio-campista)
  9. Cleber Santana (Meio-campista)
  10. Alan Ruschel (Lateral - Sobrevivente)
  11. William Thiego (Zagueiro)
  12. Tiaguinho (Meio-campista)
  13. Neto (Zagueiro - Sobrevivente)
  14. Josimar (Meio-campista)
  15. Dener Assunção (Lateral)
  16. Gil (Meio-campista)
  17. Ananias (Atacante)
  18. Kempes (Atacante)
  19. Jakson Follmann (Goleiro - Sobrevivente)
  20. Arthur Maia (Meio-campista)
  21. Mateus Caramelo (Lateral)
  22. Aílton Canela (Atacante)

Demais Convocados e Comissão Técnica:
  1. Caio Júnior (Técnico)
  2. Eduardo de Castro Filho, o Duca (Auxiliar Técnico)
  3. Luiz Grohs, o Pipe (Analista de Desempenho)
  4. Anderson Paixão (Preparador Físico)
  5. Anderson Martins, o Boião (Preparador de Goleiros)
  6. Drº Marcio Koury (Médico)
  7. Rafael Gobbato (Fisioterapeuta)
  8. Cocada
  9. Sergio de Jesus, o Serginho
  10. Adriano
  11. Cleberson Silva
  12. Mauro Stumpf, o Maurinho (Vice-presidente de Futebol)
  13. Eduardo Preuss, o Cadu Gaúcho (Diretor)
  14. Chinho di Domenico (Supervisor)
  15. Sandro Pallaoro
  16. Cezinha
  17. Gilberto Pace Thomas, o Giba (Assessor de Imprensa)

Diretoria:
  1. Nilson Folle Júnior
  2. Decio Burtet Filho
  3. Edir de Marco (Diretor)
  4. Ricardo Porto (Diretor)
  5. Mauro dal Bello (Diretor)
  6. Jandir Bordignon (Diretor)
  7. Dávi Barela Dávi (Empresário)

Convidado:
  1. Delfim Peixoto Filho (Vice-presidente da CBF e Presidente da Federação Catarinense)

Imprensa:
  1. Victorino Chermont (Fox Sports)
  2. Rodrigo Santana Gonçalves (Fox Sports)
  3. Deva Pascovich (Fox Sports)
  4. Lilacio Júnior (Fox Sports)
  5. Paulo Julio Clement (Fox Sports)
  6. Mario Sergio Pontes de Paiva (Fox Sports e Ex-jogador)
  7. Guilher Marques (Globo)
  8. Ari de Araújo Júnior (Globo)
  9. Guilherme Laars (Globo)
  10. Giovane Klein (Repórter da RBS TV de Chapecó)
  11. Bruno Mauro da Silva (Técnico da RBS TV de Florianópolis)
  12. Djalma Araújo Neto (Cinegrafista da RBS TV de Florianópolis)
  13. Adré Podiacki (Repórter do Diário Catarinense)
  14. Laion Espindula (Repórter do Globo Esporte)
  15. Rafael Henzel (Rádio Oeste Capital - Sobrevivente)
  16. Renan Agnolin (Rádio Oeste Capital)
  17. Fernando Schardong (Rádio Chapecó)
  18. Edson Ebeliny (Rádio Super Condá)
  19. Gelson Galiotto (Rádio Super Condá)
  20. Douglas Dorneles (Rádio Chapecó)
  21. Jacir Biavatti (Comentarista RIC TV e Vang FM)

Tripulação:
  1. Miguel Quiroga (Piloto)
  2. Ovar Goytia
  3. Sisy Arias
  4. Romel Vacaflores (Assistente de Voo)
  5. Ximena Suarez (Aeromoça - Sobrevivente)
  6. Alex Quispe
  7. Gustavo Encina
  8. Erwin Tumiri (Técnico da Aeronave - Sobrevivente)
  9. Angel Lugo

Flávio Gikovate

FLÁVIO GIKOVATE
(73 anos)
Psiquiatra, Psicoterapeuta e Escritor

☼ São Paulo, SP (11/01/1943)
┼ São Paulo, SP (13/10/2016)

Flávio Gikovate foi um médico psiquiatra, psicoterapeuta e escritor brasileiro, nascido em São Paulo, SP, no dia 11/01/1943.

Filho do médico polonês Febus Gikovate, formou-se pela Universidade de São Paulo (USP) em 1966 como psicoterapeuta e desde o início da carreira dedicou-se às técnicas breves de psicoterapia. Flávio Gikovate alegou que escolheu a especialidade psiquiátrica em função de dois motivos combinados: pessoal - ter sido um obeso tímido e familiar - pai era médico e a mãe dele sofria de depressão.

Em 1970, foi assistente clínico no Institute Of Psychiatry da Universidade de Londres.

Nos últimos trinta anos, escreveu 25 livros sobre problemas relacionados com a vida social, afetiva e sexual e seus reflexos na sociedade, alguns dos quais também publicados em língua espanhola. Colaborava regularmente com vários periódicos de grande circulação. Manteve uma coluna semanal sobre comportamento no jornal Folha de S.Paulo, entre 1980 e 1984 e, entre 1987 e 1999, uma página na revista mensal Claudia.

Mantinha um programa de rádio semanal na CBN chamado "No Divã do Gikovate" e frequentemente participava, como convidado, de programas de televisão.

Entre 1991 e 1993, coordenou programas na Rede Bandeirantes de Televisão e uma primeira fase do talk-show "Canal Livre". O formato desse programa era ao vivo e Flávio Gikovate sempre começava fazendo considerações psicológicas profundas sobre um determinado tema.

Era também conferencista, atuando em eventos dirigidos ao público em geral, como também naqueles voltados a quadros gerenciais e profissionais de psicologia ou de diferentes especialidades médicas.

Fez participações na novela "Passione" (2010), como ele mesmo, ajudando o personagem que tinha sofrido de abuso sexual na infância, Gérson, vivido por Marcello Antony.

Morte

Flávio Gikovate morreu na quinta-feira, 13/10/2016, aos 73 anos, no Hospital Albert Einstein onde estava internado desde março de 2016 devido a um câncer.

Alguns Livros Publicados

  • 1981 - As Drogas: Opção de Perdedor (Ed. MG Editores)
  • 1987 - Vício dos Vícios (Ed. MG Editores)
  • 1989 - Homem: O Sexo Frágil? (Ed. MG Editores)
  • 1990 - Cigarro: Um Adeus Possível (Ed. MG Editores)
  • 1996 - Uma Nova Visão do Amor (Ed. MG Editores)
  • 1998 - Os Sentidos da Vida - Uma Pausa Para Pensar (Ed. Moderna)
  • 1998 - A Arte de Educar (Ed. MG Editores)
  • 1998 - Ensaios Sobre o Amor e a Solidão (Ed. MG Editores)
  • 2000 - Liberdade Possível (Ed. MG Editores)
  • 2001 - A Libertação Sexual (Ed. MG Editores)
  • 2005 - Deixar de Ser Gordo (Ed. MG Editores)
  • Uma História de Amor... Com Final Feliz (Ed. Grupo Editorial Summus)

Fonte: Wikipédia

Ivo Pitanguy

IVO HÉLCIO JARDIM DE CAMPOS PITANGUY
(90 anos)
Cirurgião Plástico, Professor e Escritor

☼ Belo Horizonte, MG (05/07/1926)
┼ Rio de Janeiro, RJ (06/08/2016)

"A busca da cirurgia plástica emana de uma finalidade transcendente. É a tentativa de harmonização do corpo com o espírito, da emoção com o racional, visando estabelecer um equilíbrio que permita ao indivíduo sentir-se em harmonia com sua própria imagem e com o universo que o cerca."
(Ivo Pitanguy)

Ivo Hélcio Jardim de Campos Pitanguy foi um cirurgião plástico, professor e escritor brasileiro, membro da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Letras. É considerado um dos mais renomados cirurgiões plásticos do país e do mundo.

Ivo Pitanguy nasceu em 05/07/1926 na cidade de Belo Horizonte, MG, filho da humanista Maria Stael Jardim de Campos Pitanguy e do cirurgião-geral Antônio de Campos Pitanguy.

Durante a infância e a adolescência, suas paixões eram os livros, a pintura, a poesia, a natureza e o esporte. O fascínio pelas artes, foi herdado da mãe, uma mulher sensível e culta, que lhe deu quatro irmãos: IvanIvetteYeda Lúcia e Jacqueline. A vocação pela medicina surgiu após o término dos estudos secundários, por influência do pai.

Ivo Pitanguy fez o ginásio em Belo Horizonte, nos colégios Arnaldo e Affonso Arinos. Cursou medicina na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) até o 4º ano, quando, para servir o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva sem interromper os estudos, transferiu-se para a Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que frequentou até concluir o curso, ao mesmo tempo que servia na Cavalaria dos Dragões da Independência.

Por meio de concurso para interno de cirurgia geral, iniciou sua formação cirúrgica no Hospital do Pronto-Socorro do Rio de Janeiro, atual Hospital Souza Aguiar, complementada nos Serviços dos Professores George Grey, Josias de Freitas e Ugo Pinheiro Guimarães.

Sentindo que a sua vocação era a cirurgia plástica, inscreveu-se em um concurso organizado pelo Institute Of International Education, sendo contemplado com uma bolsa de estudos que o levou a Cincinnati, Estados Unidos, na condição de cirurgião residente do Serviço do Professor John Longacre, no Bethesda Hospital. Posteriormente, foi Visiting Fellow da Mayo Clinic, em Minnesota, e do Serviço de Cirurgia Plástica do Drº John Marquis Converse, em Nova York.


De volta ao Brasil, foi trabalhar no Hospital do Pronto-Socorro do Rio de Janeiro, onde recebeu o convite do professor Marc Iselin, que visitava o hospital, para ser seu assistant étranger (assistente estrangeiro) em Paris, onde ficaria por dois anos, período em que visitou os Serviços de Cirurgia Plástica dos professores C. Dufourmentel e R. Mouly em Paris e do Professor Paul Tessier em Suresnes.

O amadurecimento de sua formação profissional deu-se no Reino Unido, onde, através de uma bolsa de estudos do British Council, frequentou os serviços de Cirurgia Plástica de Sir Harold Gillies, em Londres, Sir Archibald McIndoe, no Queen Victoria Hospital, em East Grinstead, e do Professor Kilner, no Churchill Hospital, em Oxford.

A dificuldade encontrada nesta longa peregrinação por diversos Centros de Cirurgia Plástica o fez compreender a necessidade de transmitir os conhecimentos adquiridos através da criação de uma escola e ressaltar a importância social da especialidade para a classe médica e a população em geral.  

Criou o Serviço de Queimados do Hospital do Pronto-Socorro e o primeiro serviço de Cirurgia de Mão e de Cirurgia Plástica Reparadora da Santa Casa. O ensino que de forma socrática vinha prestando a seus discípulos, ganhou fôro ao conquistar a cátedra de cirurgia plástica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e mais tarde a do Instituto de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas. Nesta época, com a colaboração dos médicos residentes, pôde tratar de forma abrangente as vítimas do grande incêndio do Gran Circo Norte-Americano em Niterói, acontecimento que despertou a atenção de todos para a real importância social da cirurgia plástica.

A inauguração da Clínica Ivo Pitanguy em 1963 e sua integração com a 38ª Enfermaria da Santa Casa permitiu estruturar a formação profissional e de ensino. A clínica tornou-se um centro de referência nacional e internacional da especialidade, tendo sido frequentada por cerca de 5000 cirurgiões plásticos, entre Fellows e Visitantes. Sob sua orientação, na Clínica Ivo Pitanguy, na Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro e nos Serviços Associados, o curso de três anos de pós-graduação em cirurgia plástica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) criado em 1960 já formou 500 cirurgiões plásticos de mais de 40 países.

O Serviço da 38ª Enfermaria da Santa Casa, que atende a população menos favorecida, ressalta a importância social da cirurgia plástica, abolindo, da especialidade, seu caráter elitista. A necessidade da resolução de problemas que foram surgindo deu, a Ivo Pitanguy, a oportunidade de criar inúmeras técnicas para solucioná-los.


Por sua iniciativa neste campo, Ivo Pitanguy foi agraciado pelo Papa João Paulo II com o Prêmio Cultura pela Paz. A Unesco, através do Instituto Internacional de Promoção e Prestígio, lhe concedeu também o Prêmio pela Divulgação Internacional da Pesquisa Médica, além dos diversos títulos e honrarias.

O conhecimento e a maturidade permitiram-lhe levar a experiência adquirida para todo Brasil e para várias partes do mundo através de mais de 1500 conferências, demonstrações cirúrgicas em encontros, seminários, simpósios e congressos internacionais.

Organizou e ministrou inúmeros cursos de Cirurgia Plástica no Brasil e no exterior, destacando-se o 1º Curso de Extensão Universitária em Cirurgia Plástica, da então Universidade do Brasil, ministrado no anfiteatro da Clínica Ivo Pitanguy, unindo a iniciativa privada ao ensino público. Organizou o 1º Curso de Cirurgia da Mão, o 1º Curso de Cirurgia Plástica da Academia Nacional de Medicina; os Cursos da Universidade Camplutense de Madrid; o Curso de Cirurgia Plástica do XXIII World Congress Of The International College Of Surgeons, Universidade de Harvard, Universidade de Paris, entre outros.

Membro de respeitadas entidades acadêmicas e culturais, Ivo Pitanguy é autor de cerca de 800 trabalhos científicos em revistas brasileiras e internacionais, tendo publicado uma série de livros. A obra "Plastic Surgery Of The Head And Body" foi premiada na Feira do Livro de Frankfurt e se tornou uma importante fonte didática e científica.

Ivo Pitanguy é patrono da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, membro honorário da American Society Of Plastic Surgery, (AISAPS) e de inúmeras outras entidades científicas e culturais.

Atualmente, além das cirurgias que realizava, Ivo Pitanguy apresentava conferências e ministrava aulas a convite de universidades e entidades médicas do Brasil e de outras partes do mundo. O professor participou de 2064 conferências no Brasil e em outros países, com aproximadamente 1800 publicações entre livros, capítulos de livros, prefácios, conferências e artigos científicos.

"O sofrimento do individuo não é proporcional à deformidade e sim ao transtorno causado a sua harmonia de viver com a sua imagem."
(Ivo Pitanguy)

A Família

O prazer de viver de Ivo Pitanguy era compartilhado com sua família. O cirurgião era casado com Marilu, que com seu refinamento e seu equilíbrio, era sua companheira há mais de 50 anos. Ivo Pitanguy sempre fez do esporte um forte elo com seus filhos Ivo, Gisela, Helcius e Bernardo.

Ao longo dos anos, os momentos de lazer do médico, eram intensamente desfrutados com a família em sua casa na Gávea, em sua ilha em Angra dos Reis e na prática do esqui nos alpes suíços. Com os filhos já adultos, Ivo Pitanguy acompanhava com orgulho e alegria o amadurecimento de seus netos, Ivo, Mikael, Pedro, Rafael e Antonio Paulo.

Amigo da Natureza

Se quando pequeno Ivo Pitanguy levava uma jibóia pendurada no pescoço pelas ruas de Belo Horizonte, a paixão pelos animais perdurou. O nome Pitanguy, inclusive, significa "rio das crianças" em tupi-guanari. "O convívio direto com a natureza é simplesmente vital para minha existência, meu bem-estar, minha harmonia", atestou. Foi este sentimento ecológico que o motivou a criar um santuário na Ilha dos Porcos Grande, em Angra dos Reis, RJ, onde desde a década de 70 preservava diversas espécies em extinção.

Nelida Piñon e Ivo Pitanguy
Academias

Ivo Pitanguy foi membro titular da Academia Nacional de Medicina desde 28/06/1973, quando assumiu a cadeira número 67.

Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 11/10/1990, na sucessão de Luís Viana Filho. Foi recebido em 24/09/1991, pelo acadêmico Carlos Chagas Filho. Ocupou a cadeira 22, cujo patrono é José Bonifácio, o Moço.


Morte

Ivo Pitanguy faleceu no sábado, 06/08/2016, aos 90 anos, no Rio de Janeiro. Ivo Pitanguy estava em casa, quando sofreu uma parada cardíaca, e não houve tempo para socorro.

A cremação ocorrerá no domingo, 07/08/2016, às 18h00, no Memorial do Carmo, no Caju, Rio de Janeiro. O corpo será velado a partir das 13h00, em uma cerimônia reservada à família e amigos próximos.

Ivo Pitanguy e Renata Fialdini
Títulos Honoríficos e Prêmios

  • Membro titular da Academia Nacional de Medicina
  • Membro da Academia Brasileira de Letras
  • Patrono da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
  • Membro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
  • Membro do Conselho Deliberativo do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (Comissão Nacional da Unesco) e de várias associações médicas internacionais
  • 1976 - Cidadão Honorário do Rio de Janeiro
  • 1981 - Prêmio para Melhor Livro Científico do Ano (1981) na Feira Internacional do Livro de Frankfurt, pela sua obra "Aesthetic Surgery Ff The Head And Body"
  • 1984 - Humanitarian Award, Chicago, Estados Unidos
  • 1986 - Philosophiae Doctor Honoris Causa, conferido pela Universidade de Tel Aviv, Israel
  • 1987 - Prêmio Alfred Jurzykowski da Academia Nacional de Medicina
  • 1988 - Chancellier des Universités de Paris
  • 1988 - Membro Honorário de La Società Medica Di Bologna, vinculada à Universidade de Bologna
  • 1989 - Prêmio Cultura Per La Pace, concedido por S.S. o Papa João Paulo II e pela associação Insieme per la Pace, Itália

Fonte: Wikipédia, Clínica Ivo Pitanguy e IstoÉ
Indicação: Soraya Veras, Fadinha Veras, Neyde Almeida, Aline Alencar, Valmir Bonvenuto e Miguel Sampaio

Mário Pinotti

MÁRIO PINOTTI
(78 anos)
Médico e Político

☼ Brotas, SP (21/01/1894)
┼ Rio de Janeiro, RJ (03/03/1972)

Mario Pinotti foi um médico sanitarista brasileiro e o primeiro prefeito do município de Nova Iguaçu, RJ.

Mário Pinotti nasceu em Brotas, SP no dia 21/01/1894, era filho de Rafael Vitório Pinotti e de Precilda Bossel Pinotti. Formou-se em 1914 pela Escola de Farmácia de Ouro Preto, MG, e em 1918 pela Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro.

Iniciou sua carreira em 1919, como inspetor sanitário rural do Departamento Nacional de Saúde Pública. Em 1922 assumiu a prefeitura municipal de Nova Iguaçu, RJ. De volta ao Departamento Nacional de Saúde, trabalhou na campanha contra a Febre Amarela de 1928 a 1931.

Em 1936, durante a gestão de Gustavo Capanema no Ministério da Educação e Saúde, foi nomeado diretor-assistente do Serviço Nacional de Febre Amarela, e em 1937 passou a inspetor dos Serviços Especiais do Departamento Nacional de Saúde.

Entre 1938 e 1941, durante o Estado Novo, foi diretor-geral do Departamento de Saúde do estado do Rio de Janeiro. Nomeado em 1941 diretor do Serviço Nacional de Peste, assumiu no ano seguinte a direção do Serviço Nacional de Malária, onde permaneceu até 1954. Em 1945 tornou-se também diretor do Departamento Nacional de Saúde.

Durante o segundo governo de Getúlio Vargas, foi nomeado pelo presidente Ministro da Saúde. Com o suicídio de Getúlio Vargas, tomou posse o vice-presidente João Augusto Fernandes Campos Café Filho e, em meio às alterações ministeriais que se sucederam, Mário Pinotti permaneceu no cargo somente até 05/09/1954.


Em 1956 foi nomeado diretor do Departamento Nacional de Endemias Rurais, organismo que estruturou na gestão de Maurício Campos de Medeiros, Ministro da Saúde no governo de Juscelino Kubitschek.

De 1957 a 1959, foi presidente da Legião Brasileira de Assistência (LBA).

Ao longo do governo de Juscelino Kubitschek, as mudanças na composição do ministério foram constantes, refletindo a necessidade de conciliar os interesses partidários e saldar os compromissos assumidos na campanha eleitoral.

Como em junho de 1958 esgotava-se o prazo previsto pela Lei Eleitoral para a desincompatibilização dos candidatos que iriam concorrer às eleições legislativas de outubro, houve substituições em várias pastas. Mário Pinotti foi assim convidado para substituir Maurício Medeiros em 03/07/1958. Ambos representavam no governo o Partido Social Progressista (PSP), liderado nacionalmente por Ademar de Barros.

Em 03/10/1958, entretanto, Mário Pinotti candidatou-se a suplente de senador pelo Pará na legenda do Partido Social Progressista (PSP). Além de sua chapa ter sido derrotada, o registro de sua candidatura foi posteriormente impugnado, já que ele não se desincompatibilizara, permanecendo no Ministério da Saúde.

Em 1959, a Câmara dos Deputados redigiu uma moção, assinada por 274 parlamentares e encaminhada por Paulo Freire de Araújo, deputado do Partido Republicano (PR) de Minas Gerais, indicando Mário Pinotti para o Prêmio Nobel de Medicina como médico sanitarista que fora durante 40 anos e como criador de um novo método de combate à malária, o "Método Pinotti", aceito pela Organização Mundial de Saúde (OMS).


Devido às suas ligações com Ademar de BarrosMário Pinotti, à frente do Ministério da Saúde, criou dificuldades a solicitações feitas por Jânio Quadros, então governador de São Paulo, mas o presidente Juscelino Kubitschek interveio, favorecendo assinaturas de vários contratos do Departamento Nacional de Endemias Rurais com o governador paulista. Mário Pinotti acabou por incompatibilizar-se com essa política e foi afastado da pasta da Saúde em 10/08/1960, substituído por Pedro Paulo Penido, ligado ao Partido Social Democrático (PSD).

Logo após a saída de Mário Pinotti do ministério, Maurício Medeiros escreveu um artigo em que apontava Ademar de Barros como o grande causador do afastamento de Mário Pinotti e da perda de representação do Partido Social Progressista (PSP) no governo, já que o líder do partido vinha lançando seguidos ataques a Juscelino Kubitschek e ao candidato da situação, o general Henrique Teixeira Lott, à sucessão presidencial. Ao mesmo tempo, Juscelino Kubitschek instaurou inquéritos para apurar irregularidades na gestão de Mário Pinotti no Ministério da Saúde.

No período presidencial de Jânio Quadros, iniciado em janeiro de 1961, os resultados desses inquéritos se tornaram públicos. Em agosto, Mário Pinotti foi um dos indiciados no inquérito realizado no Departamento Nacional de Endemias Rurais, que constatou a prática de irregularidades, e retirou-se da vida pública. Alguns anos depois, esse inquérito foi arquivado por falta de provas.

Mário Pinotti foi membro da Academia Nacional de Medicina, da Royal Society Of Tropical Medicine And Hygiene, da Academia Militar de Medicina Militar e da New York Academy Of Sciences.

Casou-se com Margarida Pinotti, com quem teve dois filhos.

Mário Pinotti faleceu no Rio de Janeiro, no dia 03/03/1972, aos 78 anos.

Seu nome batiza o Hospital Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti, em Belém. Há também a Rua Professor Mário Pinotti, localizada em Nova Cruz, cidade do interior do Rio Grande do Norte e a Avenida Mário Pinotti em Brotas, São Paulo.

Obras
  • O Problema da Malária Transmitida Por Kerteszia no Sul do Brasil
  • 1951 - Grande Programa de Erradicação da Malária no Brasil
  • 1956 - Campanha Contra a Doença de Chagas
  • 1959 - Vida e Morte do Brasileiro