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Góis Monteiro

PEDRO AURÉLIO DE GÓIS MONTEIRO
(66 anos)
Militar e Político

* São Luiz de Quitunde, AL (12/12/1889)
+ Rio de Janeiro, RJ (16/10/1956)

Pedro Aurélio de Góis Monteiro foi um militar general-de-exército e político brasileiro. Era filho de Pedro Aureliano Monteiro dos Santos e Constança Cavalcanti de Góis Monteiro.

Oriundo de família com ascendência militar iniciou sua carreira na Escola de Guerra de Porto Alegre chegando ao posto de General-de-exército. Ao longo dos anos adotou um viés legalista ao combater os Dezoito do Forte, o Tenentismo e a Coluna Prestes durante os anos 20.

O irromper da Revolução de 1930 o levou a exercer o comando militar da mesma contribuindo sobremaneira para o seu êxito. Pouco tempo depois comandou as tropas Federais que debelaram a Revolução Constitucionalista de 1932 e, durante os combates com os paulistas, perdeu seu irmão, o capitão Cícero Augusto de Góis Monteiro que era integrante do 9º Regimento de Infantaria do Exército Brasileiro.

Após esse evento, foi ungido Ministro da Guerra (1934-1935) do governo Getúlio Vargas ocupando tal posição até a escolha de Eurico Gaspar Dutra como seu sucessor, o que não impediu Góis Monteiro de participar ativamente da decretação e manutenção do Estado Novo (1937-1945) evento que ajudou a consolidar seu clã como a força política dominante em Alagoas, Estado governado por dois de seus irmãos entre 1941 e 1945.

Na época em que foi ministro da Guerra, elaborou a Doutrina de Segurança Nacional que inspirou várias leis a esse respeito tanto na Era Vargas quanto no Regime Militar de 1964.

Em setembro de 1937, Góis Monteiro descobre o Plano Cohen, que foi um planejamento falso, forjado pelo então capitão Olympio Mourão Filho, de uma Revolução Comunista no Brasil. Esse plano foi posteriormente utilizado por Getúlio Vargas como justificativa do golpe que deu origem ao Estado Novo.

Góis Monteiro foi Chefe do Estado Maior do Exército Brasileiro entre 1937 e 1943, retornando ao ministério nos últimos dias de Getúlio Vargas no poder em 1945. Foi mantido no cargo no governo José Linhares e nos primeiros meses da gestão de Eurico Gaspar Dutra.

Após deixar o poder foi eleito senador pelo Partido Social Democrático (PSD) em 1947. No ano de 1945 seu irmão Ismar de Góis Monteiro havia sido eleito para esse mesmo cargo e em 1958 foi a vez de Silvestre Péricles chegar à Câmara Alta do país. No entanto, em 1950 Góis Monteiro não conseguiu se reeleger e ainda rejeitou um convite para ser vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas.

Góis Monteiro foi chefe do Estado-Maior das Forças Armadas entre 15/02/1951 e 01/12/1952. A seguir, foi ministro do Superior Tribunal Militar (STM), de 15/12/1952 até seu falecimento em 16/10/1956.

Homenagens Recebidas
  • Grã-Cruz da Ordem de Quetzal (México)
  • Grã-Cruz da Ordem de Vasco Nunez de Balboa (Panamá)
  • Grã-Cruz da Ordem da Estrela Polar
  • Grã-Cruz da Ordem de Manoel de Cespedes (Cuba)

Idálio Sardenberg

IDÁLIO SARDENBERG
(81 anos)
Militar

☼ Porto Alegre, RS (18/04/1906)
┼ Rio de Janeiro, RJ (30/05/1987)

Idálio Sardenberg foi um militar, general brasileiro, nascido em Porto Alegre, RS, no dia 18/04/1906. Era filho de Olinto Nunes Sardenberg, oficial do Exército, e de Etelvina Maria Sardenberg.

Fez seus estudos secundários no Colégio Militar do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e ingressou em abril de 1924 na Escola Militar do Realengo, também no Rio de Janeiro, saindo aspirante-a-oficial de arma de artilharia em janeiro de 1927.

Em julho de 1927 foi promovido a segundo-tenente e, em julho de 1929, a primeiro-tenente. Nesse mesmo ano fez parte da Aliança Liberal (AL), movimento político que lançou a candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República e promoveu a revolução que eclodiu em 03/10/1930. Idálio Sardenberg atuou ao lado das forças revolucionárias na região de Sengés, PR.

Cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais ainda como primeiro-tenente.

Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, combateu ao lado das forças legalistas atuando no quartel-general do Exército do Sul. A partir dessa atuação no Paraná tornou-se prestigiado no Estado, onde se radicou e contraiu matrimônio.

No pleito de maio de 1933, elegeu-se primeiro suplente de deputado pelo Paraná à Assembléia Nacional Constituinte na legenda do Partido Social Democrático (PSD). Assumindo o mandato em novembro de 1933, foi representante do Paraná na Comissão dos 26, encarregada de coordenar as propostas destinadas à elaboração da Constituição de 1934.

Com a aprovação da nova Carta em julho de 1934, teve, como os demais constituintes, seu mandato prorrogado até abril de 1935, quando tomaram posse os deputados eleitos em outubro do ano anterior. Ainda em outubro de 1935, chegou ao posto de capitão. Deixando a Constituinte, retornou à carreira militar fazendo o curso da Escola de Estado-Maior do Exército.


Em abril de 1943 e em março de 1948 foi promovido às patentes de major e tenente-coronel, respectivamente. No ano de 1949, foi um dos fundadores da Escola Superior de Guerra (ESG), onde exerceria as funções de adjunto da Divisão de Assuntos Militares e de chefe do Departamento de Estudos. Assessor da missão brasileira chefiada pelo general Pedro Aurélio de Góis Monteiro que negociou com os Estados Unidos o Acordo Militar assinado em 1952.

Em janeiro de 1953 atingiu a patente de coronel.

Em 11/12/1958, no governo do presidente Juscelino Kubitschek, foi nomeado presidente da Petrobras em substituição a Janari Nunes. Durante sua gestão, foram feitas várias obras de vulto, como a construção de novas unidades na refinaria Landulfo Alves, na Bahia, da refinaria Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro, do terminal da Ilha d’Água, no estado da Guanabara, do terminal Madre de Deus, na Bahia, da Fábrica de Borracha Sintética, em Duque de Caxias, e do oleoduto da Ilha d’Água, na refinaria Duque de Caxias. Além disso, conseguiu a elevação ao dobro da capacidade da refinaria de Cubatão, em São Paulo, e a produção total de petróleo passou de 60 mil barris/dia em 1959 para 72 mil barris/dia em 1960. Também em 1960 a capacidade de refino atingiu trezentos mil barris diários.

Ainda como presidente da Petrobras, foi membro da missão comercial brasileira à União Soviética em dezembro de 1959.

Em março de 1960, foi promovido a general-de-brigada.

Em 02/02/1961, logo em seguida à posse de Jânio Quadros na presidência da República, deixou a presidência da Petrobras, sendo substituído pelo engenheiro Geonísio Barroso.

Em 13/03/1961, Jânio Quadros anunciou a reforma cambial, segundo a Instrução nº 204 da Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC), que modificava a sistemática da política cambial brasileira, passando de um sistema de taxas múltiplas - fixas e variáveis - para um sistema de taxa única e flutuante, sendo que as importações passariam a ser feitas pelo sistema de taxas livres, com exceção do trigo, do petróleo e de outros poucos produtos essenciais.

Nessa oportunidade, o presidente criticou a situação financeira da Petrobras, herdada da gestão anterior. Diante disso, Idálio Sardenberg levou a público um manifesto à nação no qual declarava que o empréstimo por ele solicitado ao Banco do Brasil não fora feito para pagar compromissos atrasados e sim para cobrir um aumento do capital de giro resultante da expansão da produção de petróleo. Esse documento teve grande repercussão por se tratar de um desmentido às palavras do presidente Jânio Quadros, e foi considerado também um ato de indisciplina. Em decorrência, o general Nestor Souto de Oliveira, comandante do I Exército, sediado no Rio de Janeiro, decretou a prisão de Idálio Sardenberg em 15/04/1961, sendo ele recolhido ao Forte de Copacabana. Diante da repercussão de sua prisão, várias vozes se levantaram a seu favor, entre as quais as de alguns deputados e senadores.

Juscelino Kubitschek, o presidente da Petrobras Idálio Sardenberg e demais autoridade durante a inauguração da Refinaria Duque de Caxias em 1961
Ainda no ano de 1961, Idálio Sardenberg assumiu o comando da Artilharia Divisionária da 3ª Divisão do Exército, no Rio Grande do Sul.

Em 1964, passou ao comando da Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Exército, na Vila Militar do Rio de Janeiro.

Promovido a general-de-divisão em março de 1966, foi diretor-geral de Ensino do Exército entre 1967 e 1968.

Em 1967 assumiu a função de presidente da Comissão Brasil-Estados Unidos, no Rio de Janeiro, e, em novembro, foi promovido a general-de-exército.

Nomeado em setembro de 1971 para a chefia do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), em substituição ao almirante Murilo do Vale e Silva, permaneceu no cargo até maio do ano seguinte, quando foi transferido para a reserva remunerada, passando a chefia do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) ao general Artur Candal Fonseca.

Em 1976 foi escolhido diretor-presidente da Delfim Crédito Imobiliário, cargo que ainda ocupava no início de 1983, quando a empresa sofreu intervenção do Banco Central.

Ao longo de sua carreira militar foi instrutor da Escola de Estado-Maior do Exército, da Escola de Estado-Maior de Fort Leavenworth, nos Estados Unidos, onde fez o curso de Estado-Maior, chefe da 3ª seção do Estado-Maior da III Região Militar, chefe de divisão do gabinete do ministro do Exército, adjunto da 2ª seção e chefe de gabinete do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), diretor do Material de Engenharia do Exército e diretor de Ensino e de Formação do Exército.

Idálio Sardenberg faleceu no Rio de Janeiro, RJ, no dia 30/05/1987, aos 81 anos. Era casado com Ivone Faria Sardenberg, com quem teve um filho.

Max Wolf Filho

MAX WOLF FILHO
(33 anos)
Militar e Herói Brasileiro

☼ Rio Negro, PR (29/07/1911)
┼ Biscaia, Espanha (12/04/1945)

Max Wolf Filho foi um militar do Exército Brasileiro, nascido em Rio Negro, PR, no dia 29/07/1911. Participou da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na frente de combate italiana durante a II Guerra Mundial.

Era filho de Max Wolf, descendente de alemães e de Etelvina, natural de Lapa, PR. Até os 4 anos viveu as tensões da Guerra do Contestado. Aos 5 anos, durante a I Guerra Mundial, frequentava a escola em Rio Negro, PR. Aos 11 anos já era o principal auxiliar de seu pai na torrefação e moagem de café. Aos 16 anos passou a trabalhar como escriturário de uma companhia que explorava a navegação no Rio Iguaçu. Nas horas de folga, juntava-se aos carregadores para ensacar erva-mate, carregar e descarregar vapores.

Max Wolf alistou-se em Curitiba, aos 18 anos, no 15º Batalhão de Caçadores (15º BC), hoje 20º Batalhão de Infantaria Blindado Sargento Max Wolf Filho (20º BIB), onde participou da Revolução de 1930.

Na década de 1930 mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e ingressou na Polícia Militar na qual permaneceu por uma década. Combateu a Revolução de 1932 no Vale do Paraíba. Foi professor de Educação Física e Defesa Pessoal.

No ano de 1944 apresentou-se voluntariamente para compor a Força Expedicionária Brasileira (FEB), integrando a então 1ª Companhia do 11º Regimento de Infantaria (11º RI), em São João del-Rei, MG.

Ingressou na Força Expedicionária Brasileira (FEB) como 3° Sargento, desde cedo tornou-se muito popular e querido, dada as suas atitudes desassombradas e a maneira carinhosa e paternalista com que tratava seus subordinados. Com o passar do tempo passou a ser admirado não só pelos seus camaradas, mas pelos superiores tanto da Força Expedicionária Brasileira (FEB) como do V Exército de Campanha Americano, pelas suas inegáveis qualidades.

Todas as vezes que se apresentava para missões difíceis de serem cumpridas, lá estava o Sgt Wolf se declarando voluntário, principalmente participando de patrulhas. Fazia parte da Companhia de Comando e, portanto, sem estar ligado diretamente às atividades de combate, participou de todas as ações de seu Batalhão no ataque de 12 de dezembro a Monte Castelo, levando, de forma incessante, munição para a frente de batalha e retornando com feridos e, na falta deste, com mortos.

Indicado por sua coragem invulgar e pelo excepcional senso de responsabilidade, passou a ser presença obrigatória de todas as ações de patrulha de todas as companhias, como condição indispensável ao êxito das incursões.

Um desses exemplos está contido no episódio em que o General Zenóbio da Costa, ao saber do desaparecimento do seu Ajudante-de-Ordens, Capitão João Tarciso Bueno, que foi colocado à disposição do escalão de ataque, pelo general, por absoluta falta de recompletamento de oficiais, ordenou ao comandante do Batalhão que formasse uma patrulha para resgatar o corpo do seu auxiliar. O comandante adiantou ao emissário que a missão seria muito difícil, mas que tentaria. Para tanto, sabedor que só um Wolf poderia cumpri-la, o chamou, deu a ordem e ouviu do Sargento Wolf, com a serenidade, a firmeza e a lealdade que só os homens excepcionalmente dotados podem ter:

''Coronel, por favor, diga ao General que, desde o escurecer, este padioleiro e eu estamos indo e voltando às posições inimigas para trazer os nossos companheiros feridos. Faremos isto até que a luz do dia nos impeça de fazer. Se, numa dessas viagens, encontrarmos o corpo do Capitão Bueno, nós o traremos também!"

Não logrou o Sargento Wolf trazer o corpo do Capitão João Tarciso Bueno que, apenas ferido, havia sido resgatado por um soldado, mas ainda lhe foi possível, naquela madrugada, salvar muitas outras vidas.

Max Wolf Filho momentos antes de ser morto em combate
A Última Missão

O Sargento Max Wolf Filho foi elevado ao comando de um pelotão de choque, integrado por homens de elevados atributos de combate, especializado para as missões de patrulha, que marcharia sobre o acidente capital "Ponto Cotado 747", ação fundamental nos planos concebidos para a conquista de Montese.

Foi-lhe lembrado sobre a poupança da munição para usá-la no momento devido, pois, certamente, os nazistas iriam se opor à nossa vontade. Foi-lhe aconselhado que se precavesse, pois a missão seria à luz do dia.

Partiu às 12h00 de Monteporte, passou pelo "Ponto Cotado 732" e foi a Maiorani, de onde saiu às 13h10 para abordar o "Ponto Cotado 747". Tomou, o Sargento Wolf todas as precauções, conseguindo aproximar-se muito do casario, tentando envolve-lo pelo norte. Estavam a 20 metros e o Sargento Wolf, provavelmente, tendo se convencido de que o inimigo recuava, estando longe, abandonou o caminho previsto para, desassombradamente, à frente de seus homens, com duas fitas de munição trançadas sobre seus ombros, alcançar o terço superior da elevação.

O inimigo deixou que ele chegasse bem perto, até quando não podiam mais errar. Eram 13h15 do dia 12/04/1945. O inimigo abriu uma rajada, atingindo e ferindo o comandante no peito que, ao cair, recebeu nova rajada de arma automática, tendo caído mortalmente também o soldado que estava ao seu lado.

Após esta cena, sucedeu-se a ação quase suicida de seus liderados para resgatar o corpo do comandante. A rajada da metralha inimiga rasgava um alarido de sangue. A patrulha procurava neutralizar a arma que calara o herói. Dois homens puxaram o corpo pelas penas. Um deles ficou abatido nessa tentativa. O outro, esquálido e ousado, trouxe o Sargento Wolf à primeira cratera que se lhe ofereceu.

Ali, mortos e vivos se confundiam. A patrulha, exausta, iniciava o penoso regresso às nossas linhas, pedindo que a artilharia cegasse o inimigo com os fogos fumígenos e de neutralização. Os soldados do 11º Regimento de Infantaria (11º RI) queriam, a qualquer custo, buscar o companheiro na cratera para onde tinha sido trazido, lembrando a ação que ele mesmo praticara tantas vezes. Queriam trazer o paciente artesão das tramas e armadilhas da vida e da morte das patrulhas. Foi impossível resgatá-lo no mesmo dia face a eficácia dos fogos inimigos, inclusive de artilharia.

Somente vários dias após sua morte, o corpo do Sargento Max Wolf Filho foi encontrado. Foi agraciado post mortem com as medalhas de Campanha de Sangue e Cruz de Combate, do Brasil e com a medalha Bronze Star, dos Estados Unidos da América.

Montese foi conquistada e seu nome será sempre presente pois as grandes ações resistem ao tempo e são eternas. Foi promovido "post-mortem" ao posto de 2º Tenente (Decreto Presidencial, de 28/06/1945).

Max Wolf Filho deixou na orfandade sua filha Hilda, seu elevo e a maior afeição de sua vida de soldado. Da Itália, escreveu a sua irmã Isabel, relatando seu orgulho em pertencer ao Exército Brasileiro e que, se a morte o visitasse, morreria com satisfação.

Max Wolf Filho foi sepultado no Cemitério Militar Brasileiro, em Pistóia, na Itália. Posteriormente, seus restos mortais foram trasladados para o Brasil.

Eis a síntese do heroísmo de um homem simples e valoroso. Seus restos mortais encontram-se no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Jazigo 32, Quadra G.

Carta comunicando a morte em combate do Sgt Max Wolf Filho
Reconhecimento

Em sua homenagem, a Escola de Sargentos das Armas (EsSA) leva seu nome como patrono.

Em 2010, foi criada a Medalha Sargento Max Wolf Filho pelo Decreto nº 7118. Tal medalha é conferida a Subtenentes e Sargentos do Exército brasileiro, em reconhecimento à dedicação e interesse pelo aprimoramento profissional, que efetivamente se tenham destacado no seu desempenho profissional, evidenciando características e atitudes inerentes ao 2º Sargento Max Wolf Filho.

Em São Paulo, a Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Max Wolf Filho, Sgt. também leva o seu nome.

O 20º Batalhão de Infantaria Blindado (20º BIB), em Curitiba, PR, tem a denominação histórica de Batalhão Sargento Max Wolf Filho.

Condecorações
  • Cruz de Combate
  • Medalha Sangue do Brasil
  • Medalha de Campanha
  • Estrela de Bronze (Estados Unidos)

Jarbas Passarinho

JARBAS GONÇALVES PASSARINHO
(96 anos)
Militar e Político

☼ Xapuri, AC (11/01/1920)
┼ Brasília, DF (05/06/2016)

Jarbas Gonçalves Passarinho foi um militar e político brasileiro. Nasceu em Xapuri, AC, no dia 11/01/1920, filho de Inácio de Loiola Passarinho e de Júlia Gonçalves Passarinho.

Aos três anos de idade, foi com a família para Belém, PA. Seguiu depois para o Sul, onde cursou a Escola Preparatória de Cadetes de Porto Alegre. Mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1940, ingressando, no ano seguinte, na Escola Militar de Realengo.

Chegando a major em 1953, fez o curso da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), que concluiu em 1955.

De 1956 a 1957 foi estagiário, adjunto e chefe de seção do quartel-general do Comando Militar da Amazônia e, em 1958, foi nomeado superintendente-adjunto da Petrobrás na região amazônica, tornando-se seu superintendente em 1959.

Em agosto de 1962, alcançou o posto de tenente-coronel quando da deposição de João Goulart e a subsequente instauração do Regime Militar de 1964, por meio do qual foi alçado à política.

Indicado por Castelo Branco, em 15/06/1964, foi empossado governador do Pará, eleito pela Assembléia do Estado, em lugar do deposto Aurélio do Carmo cuja presença à frente do executivo foi dispensada pelo novo regime.


Em janeiro de 1966 transmitiu o Governo do Pará a Alacid Nunes e, dois meses depois, ao serem criados a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), agremiação política de apoio ao Governo, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), filiou-se à primeira, tornando-se presidente de sua seção paraense e membro do seu diretório nacional e da sua comissão executiva.

Após deixar o governo foi eleito senador em novembro de 1966, pelo Pará, na legenda da ARENA, mas em seguida foi nomeado ministro do Trabalho e Previdência Social no governo Costa e Silva sendo mantido no cargo pela Junta Militar de 1969 que assumiu o poder após o afastamento do presidente da República até que o presidente Emílio Garrastazu Médici o nomeou ministro da Educação, de 30/10/1969 a 15/03/1974.

Em 15/03/1967 foi convidado pelo novo presidente da República, Artur da Costa e Silva, para o Ministério do Trabalho e Previdência Social. Nesse mesmo ano passou para a reserva, com a patente de coronel.

Em sua atuação como ministro de Estado foi signatário do Ato Institucional Número Cinco (AI-5) em 13/12/1968. É de autoria, do então ministro Jarbas Passarinho, a célebre frase que dirigiu ao presidente Costa e Silva por ocasião da assinatura do AI-5:

"Sei que a Vossa Excelência repugna, como a mim e a todos os membros desse Conselho, enveredar pelo caminho da ditadura pura e simples, mas me parece que claramente é esta que está diante de nós. [...] Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência."


Em 30/10/1969, em virtude do agravamento do estado de saúde de Costa e Silva, tomou posse na presidência da República o general Emílio Garrastazu Médici, que convidou Jarbas Passarinho para a Pasta da Educação.

Em 14/11/1969 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, em 02/03/1971 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e em 02/11/1972 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública de Portugal.

Reeleito senador em 1974 foi um dos poucos arenistas a vencer no pleito daquele ano e com o passar dos anos foi um dos fundadores do Partido Democrático Social (PDS) e presidiu o Senado Federal de 1981 a 1983, durante o governo João Baptista de Oliveira Figueiredo.

Em fevereiro de 1981 foi eleito Presidente do Senado Federal.

Sua liderança foi posta à prova a partir da cisma entre ele e Alacid Nunes, outrora seu maior aliado. Progressivamente afastados, cada um usou de influência para controlar o Partido Democrático Social (PDS) local e como Jarbas Passarinho dispunha do apoio de Brasília os alacidistas apoiaram e elegeram o deputado federal Jader Barbalho governador do Pará em 1982, mesmo ele sendo filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). No mesmo ano Jarbas Passarinho foi derrotado por Hélio Gueiros na disputa pelo Senado. Um ano depois, em 1983, foi nomeado ministro da Previdência Social pelo presidente João Figueiredo entre 14/11/1983 e 15/03/1985.


Por ocasião das eleições de 1986 aceitou uma coligação com o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) de Jader Barbalho e nisso Hélio Gueiros foi eleito governador com Almir Gabriel e Jarbas Passarinho eleitos senadores, porém o acerto não o demoveu de fazer oposição ao governo José Sarney.

Em 26/11/1987 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito de Portugal.

Eleito presidente do diretório nacional do Partido Democrático Social (PDS), renunciou pouco antes das eleição presidencial de 1989.

Ministro da Justiça no governo Fernando Collor de 13/10/1990 a 02/04/1992, quando retornou ao Senado, para concluir seu mandato em janeiro de 1995. Deixou o cargo antes das investigações que resultariam no impeachment presidencial.

Seu papel de maior relevo foi o de presidente da CPI do Orçamento, todavia esse fato não impediu sua derrota quando concorreu ao governo do Pará pelo Partido Progressista Reformador (PPR) em 1994 derrotado por Almir Gabriel.

Jarbas Passarinho casou-se com Ruth de Castro Gonçalves Passarinho, com quem teve cinco filhos.

Morte

Jarbas Passarinho morreu na manhã de domingo, 05/06/2016, aos 96 anos, em Brasília, DF, em decorrência de problemas de saúde devido à idade avançada, segundo nota divulgada pelo governo do Pará.

O velório teve início a partir das 13h00 na Paróquia Militar do Oratório do Soldado, na Capital Federal, cidade onde morava havia muitos anos. O enterro, com honras militares, ocorreu no fim da tarde, no cemitério Campo da Esperança, também em Brasília.

Foram disparados tiros de fuzil e de canhão. O corpo foi enterrado ao som da "Canção da Artilharia", que representa a arma do Exército da qual Jarbas Passarinho fez parte durante a carreira militar.

Por meio de nota, o Governo do Pará informou que decretou luto oficial de três dias.

Araripe Macedo

JOELMIR CAMPOS DE ARARIPE MACEDO
(84 anos)
Militar

☼ Rio de Janeiro, RJ (16/02/1909)
┼ Rio de Janeiro, RJ (12/04/1993)

Joelmir Campos de Araripe Macedo (GCA - GCIH) foi um militar brasileiro, no posto de tenente-brigadeiro (quatro estrelas) da aeronáutica.

Araripe Macedo era descendente do Barão do Araripe.

Foi diretor da fábrica de aviões do Galeão, diretor técnico e diretor presidente da Fábrica Nacional de Motores (FNM), membro do Conselho Nacional do Petróleo (CNP), diretor de Engenharia Aeronáutica e diretor de Rotas Aéreas do Ministério da Aeronáutica.

Orgulhava-se de ter participado do segundo voo do Correio Aéreo Nacional (CAN), então chamado Correio Aéreo Militar, em junho de 1931. Tendo como copiloto o brigadeiro e ex-ministro da Aeronáutica Nélson Freire Lavanére-Wanderley, ele cumpriu uma longa rota, passando pelos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

Brigadeiro Araripe Macedo cumprimenta o general Ernesto Geisel, ao lado o governador do Rio Grande do Norte, Tarcísio Maia
Sua última função no serviço ativo foi a presidência da Comissão de Construção do Aeroporto Supersônico, no Galeão. Atingido pela compulsória (aposentadoria obrigatória por tempo de serviço dos militares), passou para e reserva remunerada, mas continuou no cargo até assumir o Ministério da Aeronáutica, em 29/11/1971, graças a ato especial do ministro Márcio de Sousa Melo, seu antecessor no cargo.

Foi ministro da Aeronáutica nos governos Emílio Garrastazu Médici, de 29/11/1971 a 15/03/1974. Em poucas semanas liquidou o núcleo de insubordinação que controlava a Força Aérea desde a crise do Para-Sar em 1968.

Em 02/11/1972 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis de Portugal.

Continuou ministro do Governo Ernesto Geisel, de 15/03/1974 a 15/03/1979. Sua continuidade no cargo no Governo Ernesto Geisel deveu-se a diversos fatores: Havia sido colega de turma de Ernesto Geisel, tratando-o por "você", além disso tinha praticamente escolhido para vice-presidente, mas o processo de escolha de um novo ministro poderia gerar um conflito interno, sendo preferido a continuidade.

Em 28/12/1978 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal.

Morte do Ex-Presidente Militar Castelo Branco

O documento oficial que reúne toda a investigação do acidente que vitimou, entre outros, o ex-presidente militar Castelo Branco, produzido pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), foi assinado pelo tenente-brigadeiro Araripe Macedo. Esta investigação oficial é criticada por falhas e sua desconcertante superficialidade.

Para saber mais detalhes a respeito do acidente acesse a biografia de Castelo Branco.

Fonte: Wikipédia

Maximiano da Fonseca

MAXIMIANO EDUARDO DA SILVA FONSECA
(78 anos)
Militar

☼ São José das Taboas, RJ (06/11/1919)
┼ Rio de Janeiro, RJ (03/04/1998)

Maximiano Eduardo da Silva Fonseca (Ordem Militar de Avis e Ordem do Infante D. Henrique) foi um militar da Marinha do Brasil, nascido em São José das Taboas, Estado do Rio de Janeiro, em 06/11/1919.

Atingiu o posto de almirante-de-esquadra e é o patrono do Corpo Auxiliar Feminino da Reserva da Marinha, criado por ele.

Tendo cursado a Escola Naval entre 1937 e 1941, durante o curso mostrou especial entusiasmo pelas matérias ligadas à navegação, instrumentos náuticos e hidrografia. Foi ,assim, natural a escolha da sua especialidade: a Hidrografia.

Foi promovido a segundo-tenente em 16/10/1942, a primeiro-tenente em 30/06/1944 e a capitão-tenente em 09/05/1946.

Fez o curso de Hidrografia e Navegação Para Oficiais em 1949.

Em 1952, na Amazônia, ainda sem dispor de equipamentos eletrônicos de posicionamento, o então capitão-tenente Maximiano da Fonseca realizou admiráveis trabalhos como Comandante do NHi Rio Branco, chefiando a comissão que executou o levantamento hidrográfico e produziu as cartas náuticas que permitiram a abertura do Canal Norte do Amazonas a navios de grande porte. Posteriormente, teve decisiva participação na escolha do equipamento de posicionamento Raydist, o qual, a partir de 1955, acelerou substancialmente a execução do Plano Cartográfico Brasileiro.

Por merecimento obteve as promoções a capitão-de-corveta em 15/03/1953, capitão-de-fragata em 11/07/1958 e a capitão-de-mar-e-guerra em 18/08/1965. Posteriormente, em 31/12/1969, ascendeu a contra-almirante, vice-almirante em 31/03/1974 e a almirante-de-esquadra em 25/11/1976.

Recebeu, em janeiro de 1958, como imediato, o NHi Sírius, construído no Japão. Em setembro do mesmo ano, assumiu o comando do navio, no qual voltou a realizar levantamento na Barra Norte do Rio Amazonas. No comando do NHi Canopus, em 1963, completou o levantamento da costa sul do Brasil e iniciou o dos Abrolhos.

Como Comandante do CAMR elaborou o planejamento para recuperação e melhoramento da sinalização náutica no Brasil que consubstanciou-se como o primeiro plano de longo prazo para a atividade, servindo de base para a elaboração da parte do Plano Diretor da Marinha pertinente à sinalização náutica.

Em 1979, o já então almirante-de-esquadra Maximiano da Fonseca assumiu a pasta da Marinha. Na área da Hidrografia, além da incorporação de novos meios flutuantes, foram adquiridos novos equipamentos, notadamente o Sistema de Automação Cartográfica, que veio colocar a Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) no mesmo nível dos melhores serviços hidrográficos. Sua ação culminou com a transferência da DHN para a Ponta da Armação, o que vem permitindo, hoje, a contínua expansão da Diretoria e de suas organizações militares subordinadas.

A Sinalização Náutica foi outro setor para o qual o ministro deu permanente atenção. Ao deixar a pasta contávamos com 414 faróis e faroletes, destes, nada menos de 116 haviam sido acrescentados na sua gestão.

Dentre os exemplares serviços que o almirante Maximiano da Fonseca prestou à Marinha, à Hidrografia Brasileira e suas pesquisas, cabe ainda lembrar seu entusiasmo e apoio as Operações Antárticas, desde a aquisição do Navio Polar Thala Dan (Barão de Teffé 1982), seguida pela Primeira Expedição à Antártica e da instalação de nossa base na Ilha Rei George, por ocasião da Segunda Expedição.

A 22/09/1981 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis e a 18/05/1983 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal.

Após ser transferido para a Reserva da Marinha, exerceu o cargo de diretor da Petrobrás, de 30/04/1985 a 10/06/1991.

Em sua homenagem, em junho de 1998, o terminal da Ilha Grande da Petrobrás teve o seu nome alterado para Terminal Marítimo Almirante Maximiano da Fonseca.

Maximiano da Fonseca foi Ministro da Marinha no governo João Baptista Figueiredo, de 15/03/1979 a 21/03/1984. Nesse período, a Marinha adquiriu 40 dos 272 apartamentos do Hotel St. Paul, construído pelo seu genro Paulo Octávio e Sérgio Naya.

Na Escola de Guerra Naval fez os seguintes cursos:
  • 1956 - Preliminar de Comando
  • 1959 - Comando
  • 1962 - Superior de Comando.

Entre as suas realizações destacam-se:
  • Implementação do Programa Nuclear da Marinha;
  • Implementação do Programa Antártico Brasileiro;
  • Criação do Corpo Auxiliar Feminino da Marinha;
  • Transferência do 5° Distrito Naval para a cidade de Rio Grande;
  • Dinamização da Sociedade de Amigos da Marinha (SOAMAR);
  • Construção de diversas embarcações da Armada em estaleiros nacionais;
  • Criação do Quadro de Artífices para Praças.


Publicações
  • Plano de Recuperação e Ampliação da Sinalização Náutica
  • O Problema do Pessoal Para Sinalização Náutica - Sua Solução
  • Plano Para o Estabelecimento de Serviços Regionais de Hidrografia do Norte e Nordeste
  • O Que Segura Este País


Coronel Ustra

CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA
(83 anos)
Militar

☼ Santa Maria, RS (28/07/1932)
┼ Brasília, DF (15/10/2015)

Carlos Alberto Brilhante Ustra foi um coronel reformado do Exército Brasileiro, ex-chefe, de 1970 a 1974, do Destacamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) do II Exército, um dos órgãos atuantes na repressão política, durante o período do Regime Militar no Brasil, ocorrido entre 1964 e 1985. Também era conhecido pelo codinome de Drº Tibiriçá.

De setembro de 1970 a janeiro de 1974, Ustra chefiou o DOI-CODI do II Exército em São Paulo, órgão encarregado da repressão a grupos de oposição à ditadura militar e aos grupos de esquerda que atuavam na região. No mesmo período, a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo reuniu 502 denúncias de tortura no DOI-CODI paulista.

Segundo Thomas Skidmore descreve em seu livro "Brasil: De Castelo a Tancredo", em 1986, a então deputada Bete Mendes reconheceu em Ustra, adido militar no Uruguai durante o governo José Sarney, o homem que a torturou em 1970. A deputada enviou uma carta ao então presidente José Sarney, solicitando que ele fosse exonerado do cargo e pronunciou discurso sobre o assunto no Congresso Nacional. No entanto, o general Leônidas Pires Gonçalves, ministro do Exército à época, manteve Ustra no posto e também avisou que não demitiria nenhum outro militar por acusações de tortura. Isso tornou Ustra um protagonista da primeira crise militar do governo José Sarney.

Em resposta a Bete Mendes, em 1987, o ex-coronel lançou o livro "Rompendo o Silêncio", em que narra sua passagem pelo DOI-CODI, no período de 1970 a 1974, além da Operação Bandeirante (OBAN).

Em 2006, lançou o livro "A Verdade Sufocada", em que conta sua versão dos fatos que viveu durante a ditadura.

Em 2008, Ustra tornou-se o primeiro militar a ser reconhecido, pela Justiça, como torturador durante a ditadura. Embora reformado, ele continuou politicamente ativo nos clubes militares, na defesa da ditadura militar e nas críticas anticomunistas.

Condenação

Em 2008, por decisão em primeira instância do juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível de São Paulo, o coronel Ustra tornou-se o primeiro oficial condenado em ação declaratória por sequestro e tortura, mais de 30 anos depois de fatos ocorridos durante a ditadura militar (1964-1985).

Publicada em 09/10/2008, a sentença é o julgamento, em primeira instância, ao requerimento de dois ex-guerrilheiros e seus filhos Janaína de Almeida Teles, Edson Luis de Almeida Teles, César Augusto Teles, Maria Amélia de Almeida Teles e uma quinta pessoa, Criméia Alice Schmidt de Almeida, que acusaram Ustra, agente de órgãos de segurança nos anos 70, de sequestro e tortura em 1972 e 1973, requerendo à Justiça que, através de uma ação declaratória, ele fosse reconhecido como torturador.

Na sentença, ficou reconhecido que o militar, na qualidade de chefe de operações do DOI-CODI de São Paulo, deveria saber que naquele lugar eram feitas sessões de interrogatório. Baseado em depoimento de Pérsio Arida ao final, julgou:

"Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido formulado pelos autores César Augusto Teles, Maria Amélia de Almeida Teles e Criméia Alice Schmidt de Almeida.... JULGO IMPROCEDENTE o pedido formulado pelos autores Janaína de Almeida Teles e Edson Luis de Almeida Teles..."
(Gustavo Santini Teodoro - Juiz de Direito)

O advogado do coronel Ustra, Paulo Alves de Souza, continuou afirmando que os ex-guerrilheiros, autores da ação, mentiam e anunciou que recorreria da decisão.

Em agosto de 2012, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) rejeitou o recurso de Ustra, confirmando a sentença anterior que o declarara torturador.

Em junho de 2012, Ustra também fora condenado a indenizar por danos morais a esposa e a irmã do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino, morto em 1971. Merlino foi preso no dia 15/07/1971 em Santos, SP, e morto quatro dias depois. A versão oficial da sua morte, fornecida pelos agentes do antigo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), foi a de que ele cometeu suicídio enquanto era transportado para o Rio Grande do Sul.

Ordem dos Advogados do Brasil

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no uso de suas atribuições constitucionais, através do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, ingressou, em agosto de 2008, no Supremo Tribunal Federal (STF), com uma ação em que solicita àquela Corte para decidir se a Lei da Anistia inclui ou não crimes praticados por militares e policiais. A OAB considera que a lei de 1979 não isenta militares envolvidos em crimes, pois os tratados internacionais, dos quais o Brasil é signatário, dizem que crimes contra a humanidade perpetrados por agentes da Administração Estatal não prescrevem. Assim, apenas ações praticadas por militantes sem ligações com o aparelho estatal estariam beneficiados pela anistia.

A OAB pretende abrir a possibilidade de o Brasil revisar as ações praticadas por agentes do Estado, uma vez que estes possuíam em mãos todo o aparato estatal para tais ações, enquanto os que discordavam da ideologia do governo militar eram privados de suas liberdades.

Comissão da Verdade

Em maio de 2013, Ustra compareceu à sessão da Comissão da Verdade, a primeira aberta ao público em geral e transmitida pela televisão. De posse de um habeas-corpus que lhe permitia ficar em silêncio, mesmo assim ele respondeu a algumas perguntas, negando que tivesse cometido qualquer crime durante seu período no comando do DOI-CODI paulista e que recebeu ordens de seus superiores no Exército para fazer o que foi feito, alegando em sua defesa que "combatia o terrorismo".

Ustra também negou que qualquer pessoa tivesse sido morta dentro do DOI-CODI, afirmando que todos os mortos o "foram em combate nas ruas". Acusou a presidente Dilma Roussef de participar de quatro organizações terroristas mas, quando questionado sobre a existência dos chamados instrumentos de tortura "pau-de-arara" e "cadeira do dragão" nas dependências do órgão, exerceu seu direito de manter-se em silêncio.

Mesmo quando confrontado com um documento exibido por um membro da comissão, Cláudio Fonteles, um documento do próprio Exército, listando a morte de pelo menos 50 pessoas dentro do DOI-CODI no período em que foi comandado por Ustra, o ex-militar afirmou que o documento não provava que essas mortes tinham realmente acontecido nas dependências do órgão. Convidado a uma acareação com o atual vereador paulista Gilberto Natalini, que se encontrava na platéia e já havia dado seu depoimento sobre as torturas que lhe foram infligidas pessoalmente por Ustra naquela época, o militar recusou-se gritando que "não fazia acareação com ex-terrorista", o que provocou a reação do vereador aos gritos dizendo que era "um brasileiro de bem. O senhor é que é terrorista. Eu fui torturado pelo coronel Ustra!", levando ao encerramento da sessão.

Ouvido também em audiência pública antes do ex-coronel, o ex-sargento do Exército Marival Fernandes, que trabalhou na análise de documentos do órgão, entre 1973 e 1974, e quatro meses sob o comando de Ustra, testemunhou que o ex-comandante, então capitão, era o "Senhor da Vida e da Morte" do DOI-CODI e "escolhia quem ia viver e ia morrer".

Manifestações

Um grupo de 150 militantes do Levante Popular, do Movimento dos Pequenos Produtores e da Juventude do MST realizou dia 31/03/2014 um "escracho" em frente à casa do ex-coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, em um bairro nobre de Brasília. Por meia hora, cantaram músicas do tempo da ditadura, colaram cartazes na vidraça de frente da residência e no portão e escreveram no asfalto que ali morava um torturador.

Morte

Carlos Alberto Brilhante Ustra morreu na madrugada de quinta-feira, 15/10/2015, em Brasília, aos 83 anos. Ele havia sido internado no Hospital Santa Helena para tratamento de um câncer. A família informou que ele fazia quimioterapia e estava com a imunidade baixa.

De acordo com boletim divulgado pelo hospital, Ustra teve falência múltipla de órgãos, provocada por uma pneumonia. Em 23/04/2015, ele foi encaminhado à UTI do Hospital das Forças Armadas (HFA) com suspeita de infarto, após um mal-estar.

O horário e local do velório e do enterro ou cremação do corpo não foram divulgados.

Sua morte foi lamentada publicamente como uma consagração da impunidade aos responsáveis pelos assassinatos e torturas cometidos pela ditadura militar no Brasil.

Xavier Curado

JOAQUIM XAVIER CURADO
(83 anos)
Militar e Político

☼ Pirenópolis, GO (02/12/1746)
┼ Rio de Janeiro, RJ (15/09/1830)

Joaquim Xavier Curado, primeiro e único Barão com grandeza e Conde de São João das Duas Barras, foi um militar e político brasileiro filho de José Gomes Curado e de Maria Cerqueira d'Assunção.

Nascido em Meia Ponte, hoje Pirenópolis, GO, numa família tradicional, órfão de pai, partiu ainda adolescente para o Rio de Janeiro e assentou praça no exército como soldado nobre, em 1764.

Em 1774, depois de receber a patente de alferes, marchou com o exército expedicionário para o Rio Grande do Sul, com a finalidade de expulsar os espanhóis que ocupavam parte do território.

Terminada a campanha do sul, foi designado para defender os habitantes entre as capitanias de São Paulo e Minas Gerais, que sofriam com índios que saqueavam fazendas, e conseguiu restabelecer a paz na região.

Pelos bons serviços prestados, o vice-rei o louvou e agradeceu, em relatório de 20/08/1789, graduando-o no posto de tenente-coronel de infantaria, para depois o designar em uma missão especial junto à corte de Lisboa, porém seu navio foi aprisionado em alto-mar por corsários franceses e Xavier Curado obrigado a decorar e destruir os documentos que carregava.

Preso numa masmorra na região da Biscaia, conseguiu fugir e chegar meses depois a Lisboa, onde cumpriu finalmente sua missão. De volta ao Brasil, foi promovido ao posto de coronel e nomeado governador da capitania de Santa Catarina, de 08/12/1800 a 05/07/1805.

Ainda em 1805, Xavier Curado retornou ao Rio de Janeiro e solicitou sua reforma do exército, que lhe foi negada pelo vice-rei Marcos de Noronha, Conde dos Arcos, que o promoveu a brigadeiro, em 02/06/1806.


Em 13/05/1808 foi graduado no posto de marechal-de-campo e dois anos depois partiu para o Rio Grande do Sul, à disposição do general Diogo de Sousa, Conde do Rio Pardo, governador local, que recebera a ordem de invadir o Uruguai. Formaram-se então duas colunas invasoras, uma comandada pelo general Marques de Sousa e a outra por Xavier Curado, ambas vitoriosas, e o sucesso lhe rendeu promoção ao posto de tenente-general, em 13/05/1813.

Entre os anos de 1815 a 1820 participou da guerra contra Artigas, militar uruguaio que entrou em guerra contra o exército luso-brasileiro que invadira a Banda Oriental. Na Batalha de Catalán, em 1817, Xavier Curado foi agraciado com a Comenda da Torre e Espada, pelos atos de bravura no posto de 2º comandante do exército.

Como o Marquês de Alegrete, comandante supremo do Exército no sul, afastara-se da luta, assumiu o comando e estabeleceu seu quartel nas imediações do Passo-do-Lageado, onde lhe chegou às mãos o diploma de Comendador da Torre e Espada, Lealdade e Mérito, conferido por Dom João VI.

Retornando ao Rio de Janeiro, conseguiu organizar uma tropa de seis mil soldados e assim expulsar o general Jorge de Avilez Zuzarte de Sousa Tavares, comandante das tropas portuguesas, dando sustentação ao Dia do Fico, sendo por isso agraciado, das mãos de Dom Pedro I, com os títulos de Barão com grandeza e Conde de São João das Duas Barras, em 20/10/1825 e 07/09/1826.

Xavier Curado foi comendador da Imperial Ordem de São Bento de Avis. Foi o representante de Santa Catarina no Conselho dos Procuradores das Províncias, de 03/07/1822 a 20/10/1823.

Em 2006 o deputado Leandro Vilela, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) de Goiás, apresentou Projeto de Lei nº 6.917/06, para inscrever o nome do general Xavier Curado no Livro dos Heróis da Pátria, projeto que ainda encontra-se em tramitação.

Xavier Curado é Patrono da Cadeira XVIII da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música.

Fonte: Wikipédia

Fabriciano Felisberto Carvalho de Brito

FABRICIANO FELISBERTO CARVALHO DE BRITO
(80 anos)
Comerciante, Farmacêutico, Militar e Político

☼ Antônio Dias, MG (22/08/1840)
┼ Antônio Dias, MG (28/06/1921)

Fabriciano Felisberto Carvalho de Brito foi um comerciante, farmacêutico, militar e político brasileiro. Nasceu no dia 22/08/1840 na então freguesia de Nossa Senhora de Nazaré de Antônio Dias Abaixo, hoje município de Antônio Dias, pertencente a Itabira, no interior do estado de Minas Gerais, sendo filho do professor primário Antônio de Britto e de Theresa Umbelina.

Casou-se com Anna Angélica de Carvalho Britto, nascida em 1849, filha de José Antonio Carvalho e Maria Carvalho, e juntos tiveram três filhos: Drº José Tomás de Carvalho, casado com Josefa de Miranda Britto; Drº Manoel Tomás de Carvalho, casado com Elisa Robertina de Albuquerque, e Drº Eusébio Tomás de Carvalho Britto, casado com Ernestina Lage de Britto, dos quais se originaram 21 netos e 38 bisnetos até a data do centenário de Fabriciano, em 22/08/1940.

Trajetória

Felisberto cursou o primário na Escola de Meninos de sua cidade natal, tendo ainda pequeno aprendido o ofício de sapateiro, profissão que exerceu durante sua juventude. Posteriormente atuou como comerciante e farmacêutico, herdando do sogro, José Tomás Pereira, uma casa comercial de gêneros, armarinhos e tecidos. Esse empreendimento modernizou-se a partir das viagens que fez ao Rio de Janeiro, de onde trazia mercadorias variadas e encomendas para a população da localidade.

Anos mais tarde, tornou-se um líder local, passando a exercer, por nomeação, diversos cargos públicos: Escrivão do Cartório de Paz e da Subdelegacia de Polícia em 1862, subdelegado de polícia em 1876, agente dos Correios em 1877 e primeiro suplente de Juiz Municipal para o Distrito de Antônio Dias em 1888.

Fabriciano e Anna Angélica

Fabriciano, depois de ter tido uma pequena fábrica de sapatos (ele também tinha o ofício de sapateiro e trabalhava junto com os seus empregados), estabeleceu-se como negociante. Enquanto ele ficava na loja e fazia sapatos, Anna Angélica dirigia a casa, cuidava dos filhos, fazia biscoitos para vender na loja, costurava calças e camisas para os fregueses e cuidava da cozinha. Era uma abelhinha para trabalhar. Quantas vezes a gente a ouvia dizer, mostrando as mãos: "O que estas mãos sagradas não fazem, quem há de fazer?".

Neste tempo, Antônio Dias era um pequeno arraial, que não deixava de ter os seus atrativos no seu aspecto bucólico. A igreja fora construída pelo bandeirante Antônio Dias, que morreu e foi sepultado na terra a que deu o nome. Existe uma lápide com o nome do fundador e o ano do seu falecimento na porta da igreja, o que representa uma contribuição histórica para a cidade. Em frente, na outra margem, no alto do morro, o Cruzeiro. Embaixo, o rio Piracicaba, em cujas margens se alinhava o casario, formado de casas de estilo aproximado ao colonial simples, com portas e janelas geralmente azuis e com paredes brancas.

Na praça da matriz se encontrava a loja de Fabriciano e do lado esquerdo o rancho que servia para receber as cargas e os arreios da tropa, no tempo em que funcionava a loja. Do lado direito, a casa de moradia, com graciosas janelas e a porta de entrada com a indefectível cancela.

Neste tempo, a população devia ser de 1.500 a 2.000 habitantes. As ruas eram assim denominadas: Rua de Baixo, Rua de Cima, Bonfim, Sítio, Beco da Ponte. Tudo simples, respirando paz. Distrações não havia ou a custo encontradas nas banalidades do dia-a-dia. Por exemplo, se os que chegavam a cavalo, despertavam os que estavam tranquilos em casa, com o tropel nas pedras da rua, de todas as janelas surgia gente curiosa para saber quem era e logo a notícia corria. Sabe quem está na terra? Se era gente de fora, hospedada na casa de Fabriciano, logo logo, aparecia gente para conversar, para saber novidades ou para contá-las. Uma delas era Andrelina de Castro, filha de Joaquim Tito, o sapateiro auxiliar de Coronel Fabriciano, afilhada da casa da qual participava da intimidade, passando lá diariamente, várias horas. Ao chegar ia logo dizendo: "Louvado seja Cristo, meu padrinho ou... minha madrinha".

Era uma mulher de inteligência rara. Estudou as primeiras letras e através da leitura de jornais e de um outro livro que lhe caía nas mãos, chegou a adquirir uma cultura invulgar. Sabia opinar a propósito de tudo, dos fatos corriqueiros da terra à política, que ela conhecia como ninguém. Era muito alta, dentes bons lhe enfeitavam o riso franco. Não era bonita. Quando se empolgava e defendia seus pontos de vista, levantava-se da cadeira e andava de um lado para outro, gesticulando e falando em tom de oratória. Conhecia História Geral e Religião.

Os Filhos de Fabriciano

Além do filho doutor, Manoel Tomás, que ia casar com a filha do Juiz de Direito em Itabira, e de Eusébio, Fabriciano e Anna Angélica tinham também José Tomás, o filho mais velho, que ia ser padre, tendo estudado durante seis anos no Seminário de Mariana, chegando a iniciar-se na Teologia, já no seminário maior. Era muito estudioso e conhecia latim como qualquer bom latinista. Tinha sempre um caso de seminário para contar e repetidamente citava frases latinas. As férias, passava-as em Antônio Dias, vestido de batina e dando sua mão a beijar a todos que dele se aproximassem, sobretudo as mocinhas. Mas não era por saliência, tinha mesmo gosto na vocação. Ajudava o vigário nas funções religiosas, contava o Tantum Ergo nas bençãos do Santíssimo, rezava o terço com Fabriciano e Anna Angélica.

Mas foi uma pena. Vocação se não é bem cultivada, se arrefece e se perde. José Tomás foi influenciado pelo irmão que estudava Direito e que o levou para São Paulo para entrar na Faculdade do Largo São Francisco. José Tomás hospedou-se na república dos estudantes, onde morava seu irmão. Foi o desastre: a estudantada, influenciada pelo positivismo quis atrair também José Tomás para as idéias contistas, desviando-o da vocação. Ele desistiu de ser padre, mas também não se sentiu bem no meio da mocidade sem religião. Voltou à casa dos pais, na pacata Antônio Dias.

Os Estudos dos Filhos e as "Chorosas" Partidas

Chegou o tempo de seguirem para os estudos os filhos de Fabriciano e Anna Angélica. Enquanto se preparavam para partir, Anna Angélica, muito chorosa, dizia: "Eu preferia que Inhô (Fabriciano) fosse pobre para eu não ter de separar-me de meus filhos...".

Coitadinha, de fato naquele tempo a separação dos filhos era muito penosa, pois não havia meios de comunicação que diminuíssem as distâncias, facilitando um encontro mais frequente com eles.

José Tomás (Juca), o mais velho, seguiu para Mariana, MG, para o famoso seminário onde pontificavam padres lazaritas de muito saber, sob a jurisdição de bispos como Dom Benevides, Dom Viçoso, Dom Silvério.

Manoel Tomás e Eusébio, o mais novo, continuaram os estudos iniciados em Itabira, com Mestre Emílio, na capital de Minas, ou seja, Ouro Preto, antiga Vila Rica.

Eusébio optou pela carreira de farmacêutico e tão logo se formou iniciou-se na vida prática, casando-se em seguida com uma linda moça de olhos azuis, cabelos louros e tez muita alva. Chamava-se Ernestina, pertencia à família Lage e era conhecida pelo apelido de Netinha. Eusébio era apaixonado pela noiva e muito romântico. Prova-se uma fotografia em que ele com um retrato de Netinha sobre uma mesa se deixou fotografar numa atitude embevecida de enamorado.

O casal formou uma bela família de oito filhos, três homens e cinco mulheres. Todos estudaram e se formaram, casaram e constituíram família. As bonitas filhas Ceci e Zuleika permaneceram solteiras, apesar de muito assediadas por bons partidos. Acompanharam os pais com muita dedicação e exerceram com proficiência funções na Secretaria da Educação do Estado de Minas Gerais.

Assim que formou, Eusébio Tomás estabeleceu-se em Antônio Dias, com uma farmácia e fazia as vezes de médico, pois naquele tempo não os havia no lugar.

Construiu sua casa num terreno pegado ao de seu pai e todo seus filhos nasceram lá. A casa era de um estilo aproximado ao normando, grande e confortável.

Mudando-se para Belo Horizonte, fez mais tarde, depois dos 40 anos, o curso de Direito, ingressando na política e, atuando como deputado, prestou muitos serviços a zona que o elegeu. Em suma, tinha um grande prestígio em todo o Vale do Rio Doce, notadamente em Itabira, Antônio Dias, Sant’Ana de Ferros, São José da Lagoa, hoje Nova Era, São Domingos do Prata e outros.

Além de político, era pessoa de fino trato, sabendo relacionar-se com todos, com os compadres e com os humildes, adquirindo assim, além do prestígio, uma amizade singular em toda zona. Quando voltava a Antônio Dias, em visita aos pais e possivelmente para politicar, as visitas que recebia eram ininterruptas. Vinha gente de todo o município, a casa ficava repleta e Sá Donana (apelido da mãe de Eusébio, Anna Angélica) era inexcedível, atendendo a todos com cafezinho e com palavras amáveis, servindo mesmo refeição para aqueles que moravam longe ou eram pessoas ligadas por uma maior amizade ou pelo compadresco.

Assim é que Antônio Dias foi adquirindo foros de uma cidade tradicional, berço de pessoas ilustres, conservando, entretanto, o cunho de vida simples, de comunidade familiar, em que todos se conheciam e se tratavam sem etiquetas: ao contrário, não se dava senhoria para quase ninguém e havia um entrelaçamento de relações entre os mais afortunados e os de condições humildes ou mesmo pobres. Era a igualdade absoluta o que tornava a vila e mais tarde, a cidade, uma comunidade "suigeneris", onde todos se sentiam bem, inclusive os forasteiros, aqueles que por uma razão particular, ali se estabeleciam. "Muitos deles criavam raiz na terra e não mais se desligavam dela e do convívio de seu povo acolhedor", relatou Maria Cecília Maurício da Rocha, sobrinha de Eusébio e filha de José Tomás

O Título de Coronel

No dia 25/08/1888, aos 48 anos, através do apoio de amigos e do Partido Conservador, recebeu de sua majestade Dom Pedro II, o título de tenente-coronel da Guarda Nacional para a região da comarca de Piracicaba. O título de coronel, dado a civis no Brasil surgiu com a criação da Guarda Nacional, em 1832, por Diogo Antônio Feijó, também conhecido como Regente Feijó ou Padre Feijó.

O agraciado com o título teria a função de reunir milícias em casos de situação premente da ordem e da defesa nacional. O coronel era geralmente um grande proprietário de terras, poderoso chefe político que se impunha sobre a população na sua área de atuação. No entanto, coronel Fabriciano que era na verdade, tenente-coronel, nem teve tempo para exercer o cargo em sua plenitude, uma vez que recebeu o título um ano antes do fim do Império.

Coronel Fabriciano Felisberto de Britto impunha-se pela sua capacidade de liderança e trabalho. Preocupado com as questões sociais de seu tempo, buscou com o seu prestígio realizar obras que promovessem o bem-estar da população da cidade de Antônio Dias.

Além da luta pela emancipação, destacam-se como seus feitos a construção do primeiro grupo escolar do Baixo Piracicaba, o segundo de Minas Gerais, em 1909; Instalação de linha do telégrafo em 1920; Fundação da Santa Casa de Misericórdia da qual foi provedor até sua morte em 1920.

Por intermédio de seu filho, Eusébio Tomás de Carvalho Britto, deputado e membro da comissão responsável pela divisão administrativa de Minas Gerais, foi um dos responsáveis pela criação da Vila de Antônio Dias, em 1911, e do Distrito de Melo Viana em 1923, sendo este mais tarde batizado de coronel Fabriciano em sua referência e emancipado em 1948.

Além da criação de um Grupo Escolar, necessária para que fosse Antônio Dias fosse instalada, Fabriciano coordenou a construção do primeiro hospital e deu início às obras da Igreja Matriz.

Homenagens

No dia 17/04/1909, foi instalada em Antônio Dias a escola que leva desde então o nome do tenente-coronel. Pelo decreto-lei estadual nº 88, de 30/03/1938, o então distrito antoniodiense Melo Viana foi batizado com o nome de Coronel Fabriciano, emancipando-se em 27/12/1948. A carta-patente da nomeação de Fabriciano Felisberto de Britto a tenente-coronel da Guarda Nacional, assinada pelo imperador Dom Pedro II em 1888, foi tombada como patrimônio cultural fabricianense através do decreto municipal nº 1.033, de 31/03/1997.

Falecimentos

Fabriciano Felisberto veio a falecer no dia 28/06/1921 e a esposa Anna Angélica de Carvalho Britto, dia 21/05/1936. O casal encontra-se sepultado na Capela São Geraldo, em Antônio Dias, MG, construída pelo coronel para mausoléu da família.

Após a reforma da capela, em meados da década de 1970, seus restos mortais, juntamente com os de sua esposa, foram transladados para o interior do templo.

Curiosidades Sobre Coronel Fabriciano Felisberto


  • Fabriciano antes de tornar-se um próspero e influente comerciante, teve uma modesta fábrica de sapatos, onde executava o ofício de sapateiro e trabalhava junto com seus empregados na cidade de Antônio Dias, ou melhor, Antônio Dias Abaixo.
  • Fabriciano era um homem muito religioso era um dever sagrado seu rezar o terço com a família todas as noites às 21:00 hs e de hábitos simples e rígido.
  • Depois da ladainha em latim servia leite quente com biscoitos, servido pela esposa e se recolhia. Era um apaixonado leitor de jornais que chegavam à antiga vila de Antônio Dias Abaixo duas vezes por semana.
  • Almoçava sempre às 09:00 hs da manhã; fazia a siesta deitado num banco da varanda; continuava a ler; atendia todos os pedidos; tratava dos assuntos políticos; e dava suas voltas conversando com conhecidos.
  • Filho de um professor, José Antônio de Britto, quando jovem Fabriciano fez promessa de nunca mais pegar em baralho, depois de perder no carteado 14 mil réis, uma vultosa quantia para a época. Sua esposa, Anna Angélica, dirigia a casa, cuidava dos filhos, fazia biscoitos para vender na loja, e costurava calças e camisas para os fregueses.
  • A Loja Grande era o nome do comércio de Fabriciano e, segundo anúncio publicado em 1903 no Correio de Itabira, possuía "um completo e variado sortimento de fazendas, ferragens, armarinho, roupas feitas, calçados, chapeos (sic) de sol e de cabeça, molhados, louças, kerozene (sic) e muito outros artigos".
  • Nesse tempo, o homem mais rico e poderoso da antiga vila de Antônio Dias Abaixo, o coronel Manoel de Barros de Araújo Silveira, viria a ter grande influência na vida de Fabriciano.
  • Sua segunda esposa, após a morte de Clara de Ataíde Barros (que morreu bem nova), foi Maria Tomásia de Carvalho, irmã de Anna Angélica. Assim, ao tornar-se concunhado de Fabriciano, cresceu um forte laço de amizade entre os dois.
  • Foi o coronel Manoel de Barros, que tinha sido deputado da província mineira durante o Império, que emprestou dinheiro para Fabriciano comprar sua primeira escrava, Luisa. Sabe-se, também, que a casa de Fabriciano, que ficava à direita da igreja de Nossa Senhora de Nazaré, era um ponto de venda de leite. Segundo a autora, as vacas do avô "não primavam pela robustez".
  • A medição de cada garrafa, vendida ao preço de cem réis, era feita pelo próprio Fabriciano, que não suportava retardatários, já após tal obrigação, era absorvido pela leitura dos jornais.
  • A propósito da promessa de Fabriciano (que comprou o título de coronel da Guarda Nacional, hábito comum na época) de nunca mais pegar em baralho e que tal fato marcou a personalidade do futuro chefe político, tornando-o mais rígido na educação dos filhos. Certa noite, notando as ausências de José Tomás e Eusébio (já casados) saiu à procura deles e os encontrou na mesa de baralho. Irritado, esbravejou: "Isto são horas de pais de família estar na rua jogando?". Sem dizer nada, os dois saíram acompanhando o pai. Detalhe: eram dez horas da noite.