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Virgínia Lane

VIRGÍNIA GIACCONE
(93 anos)
Cantora, Compositora, Atriz e Vedete

* Rio de Janeiro, RJ (28/02/1920)
+ Volta Redonda, RJ (10/02/2014)

Virgínia Lane era o nome artístico de Virgínia Giaccone. Ela foi uma cantora, compositora, atriz e vedete brasileira.

Foi interna do Colégio Regina Coeli, dos 6 aos 14 anos. Estudou, em seguida, no Instituto Lafayette, famoso colégio situado no bairro carioca de Botafogo, chegando depois a cursar o primeiro ano de Direito. Estudou um período com Maria Olenewa na Escola de Bailados do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Em 1935, começou sua carreira como cantora no programa "Garota Bibelô", na Rádio Mayrink Veiga, de César Ladeira. Sua estreia no elenco do Cassino da Urca se deu em 1943, quando atuou como cantora e dançarina à frente das orquestras de Carlos Machado, Tommy Dorsey e Benny Goodman.

Seu primeiro disco pela gravadora Continental foi lançado, em 1946, com a marcha "Maria Rosa" (Oscar Bellandi e Dias da Cruz), e o samba "Amei Demais" (Cyro de Souza e J. M. da Silva).


Em 1948, sob a direção de Chianca de Garcia, apareceu como vedete na revista "Um Milhão de Mulheres", no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro. Tornou-se então a vedete mais famosa da Praça Tiradentes. Por 4 anos seguidos emplacou diversas revistas em parceria com o produtor Walter Pinto.

Aos 34 anos estourou nas rádios com a música "Sassaricando" e recebeu o título de "A Vedete do Brasil", dado pelo presidente Getúlio Vargas. Aliás, ela foi uma das artistas de maior prestígio no governo de Getúlio Vargas que, além de ser seu fã, conta-se, chegou a ter um "affair" com ela.

Segundo contou em algumas entrevistas, Virgínia Lane teve um relacionamento amoroso durante 10 anos com Getúlio Vargas. Chegou a dizer que "a barriguinha dele atrapalhava, mas que tudo se resolvia na horizontal".

No auge da febre do Teatro de Revista levou para a televisão o formato do teatro de variedades com o programa "Espetáculos Tonelux", na TV Tupi carioca, dirigida por Mário Provenzano.

Virgínia Lane fez sucesso também no cinema, em diversos filmes na Cinédia e na Atlântida, como "Laranja da China" (1940), de Ruy Costa, e "Carnaval no Fogo" (1949), de Watson Macedo. Participou de várias comédias carnavalescas cantando seus sucessos e contracenando com Oscarito, Grande Otelo e Zé Trindade.


No início dos anos 70 passou a morar nos arredores da cidade de Barra do Piraí, RJ, onde chegou a ser Secretária de Turismo. Ali vivendo sozinha, apenas acompanhada por uma filha adotiva, dali só saia para shows esporádicos.

Em 2002, sofreu acidente automobilístico, tendo que colocar alguns pinos de aço na parte superior de suas famosas pernas.

Em 2005 fez parte do elenco na novela "Belíssima", da TV Globo, ao lado de outras ex-vedetes, como Carmem Verônica, Íris Bruzzi, Ester Tarcitano, Lady Hilda, Teresa Costello, Dorinha Duval, Anilza Leoni, Rosinda Rosa, Lia Mara, entre outras.

Virgínia Lane foi casada duas vezes. Em 1970, com o segundo marido, passou a morar em um sítio em Piraí, RJ, onde fixou residência. Mesmo depois dos 80 anos, a ex-vedete deixava expostas, em eventos públicos, as pernas já consideradas as mais belas do Brasil.


Morte

Virgínia Lane morreu na tarde de segunda-feira, 10/02/2014, aos 93 anos. Segundo a assessoria de comunicação, a causa da morte foi Falência Múltipla dos Órgãos. Ela estava internada desde o dia 02/02/2014 no CTI do Hospital São Camilo, em Volta Redonda, RJ.

Virgínia foi internada devido a uma grave infecção urinária. No dia 06/02/2014, o estado de saúde da ex-vedete piorou. De acordo com a filha dela, Marta, a mãe também estava com uma secreção nos dois pulmões e pressão arterial muito baixa.

Ainda de acordo com informações da assessoria de Virgínia Lane, o corpo será levado na noite de segunda-feira, 10/02/2014, para ser embalsamado em Queimados, na Baixada Fluminense. O velório será realizado a partir da manhã terça-feira, 11/02/2014, no Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes, no Centro do Rio e Janeiro.

Anteriormente, a previsão era que o velório acontecesse em duas partes: na Câmara Municipal de Piraí e no Rio de Janeiro. O enterro está marcado para o fim da tarde de terça-feira, 11/02/2014, no Memorial do Carmo, no bairro do Caju, na Zona Portuária do Rio de Janeiro.

Cinema

  • 1935 - Alô, Alô, Brasil (Vedete)
  • 1936 - Alô, Alô, Carnaval (Vedete)
  • 1939 - Banana-da-Terra
  • 1939 - Está Tudo Aí
  • 1940 - Céu Azul
  • 1940 - Laranja-da-China
  • 1941 - Entra na Farra
  • 1943 - Samba em Berlim
  • 1949 - Carnaval no Fogo ... Dalva
  • 1951 - Anjo do Lodo ... Lúcia
  • 1952 - É Fogo na Roupa
  • 1952 - Está Com Tudo
  • 1952 - Tudo Azul
  • 1955 - Carnaval em Marte
  • 1956 - Guerra ao Samba ... Tetê
  • 1956 - Tira a Mão Daí!
  • 1958 - Vou Te Contá
  • 1959 - Mulheres à Vista ... Gil
  • 1959 - Quem Roubou Meu Samba? ... Sônia
  • 1960 - O Viúvo Alegre ... Marah
  • 1960 - Vai Que é Mole
  • 1962 - Bom Mesmo é Carnaval
  • 1975 - Os Pastores da Noite
  • 1977 - A Árvore dos Sexos
  • 1998 - Vox Populi

Televisão

  • 2007 - Sete Pecados ... Ex-vedete, amiga de Corina

Indicação: Miguel Sampaio

Marly Marley

MARLY MARLEY
(75 anos)
Atriz, Diretora Teatral, Crítica Musical, Jurada Musical e Vedete

* Três Lagoas, MS (05/04/1938)
+ São Paulo, SP (10/01/2014)

Marly Marley foi uma atriz, diretora de teatro, crítica musical, jurada musical e ex-vedete da época de ouro do rádio e televisão brasileiros, personalidade de destaque expressivo no cenário da cultura artística e musical nacional por várias décadas.

Era conhecida como "única vedete de São Paulo" pois o teatro de revista dos anos 50 e 60 era dominado pelas cariocas. Formou-se professora, mas nunca exerceu a profissão. Preferiu se dedicar ao balé, ao acordeon, ao piano e ao canto, habilidades estudadas desde criança. Aos 17 anos já atuava no teatro paulistano.

Marly Marley nasceu em Três Lagoas, MS, em 05/04/1938, e, ainda pequena, mudou-se para Lins, no estado de São Paulo, cidade que adotou de coração. Formou-se professora e psicóloga, mas nunca exerceu a profissão. Preferiu se dedicar ao balé, ao acordeon, ao piano e ao canto, habilidades estudadas desde criança. Aos 17 anos já atuava no teatro paulistano.

O carnaval sempre foi outra paixão de Marly Marley. Ao longo de dez anos participou de gravações de folias carnavalescas pelo Brasil, como como "Índia Bonitinha" e "Marcha da Baleia". Toda a experiência conferiu-lhe vários predicados artísticos e culturais. Ultimamente assinava a produção e direção de peças teatrais.


Época do Teatro

Marly Marley trabalhou por quinze anos como vedete nos teatros de revista. Depois, participou de operetas com Vicente Celestino e Gilda de Abreu.

No lendário Teatro Natal, fez "Tá Rosa e Não Está Prosa", com Otelo Zeloni e Renata Fronzi, e "Precisa-se De Um Presidente", com José Vasconcellos. Atuou ainda em "Vai Acabar Em 69", "Só Porque Você Quer" e "Pega, Mata e Come". Participou ainda de comédias com Dercy Gonçalves e Mazzaropi.

Foi uma presença marcante no Teatro de Comédia. Com Dercy Gonçalves fez a clássica "Dona Violante Miranda", em 1958. Também esteve em "O Cunhado Do Ex-Presidente".


Cinema e Televisão

Na televisão, Marly Marley passou por várias emissoras como TV Tupi, TV Excelsior, Rede Manchete, Band, SBT e TV Record. Fez parte do elenco de inauguração da Rede Bandeirantes, em 1967, sempre se destacando nos programas de humor como "Show de Mulheres". Desde os anos 80 integrava o corpo de jurados do "Programa Raul Gil", na TV Record, Rede Manchete, Band e ultimamente no SBT.

Fez algumas novelas como "O Amor Tem Cara De Mulher" (1966), na TV Tupi. No SBT, participou de "Meus Filhos, Minha Vida" (1984). Esteve também no gran finale da novela "Belíssima" (1986) na TV Globo,quando o autor Silvio de Abreu fez uma homenagem às vedetes do Brasil, colocando em cena todas as remanescentes do gênero. Apareceu ao lado de Carmem Verônica e Íris Bruzzi.

No cinema, estrelou três filmes com Mazzaropi, o mais famoso é "O Puritano da Rua Augusta" (1965), e em duas produções estrangeiras, uma mexicana e outra alemã.

Em 2008, Marly Marley participou do filme "Chega de Saudade", seu último trabalho no cinema, da cineasta Laís Bodanzky, autor de "Bicho de Sete Cabeças" (2000), com roteiro de Luiz Bolognesi, um longa-metragem que trata do universo e dos personagens dos salões da época de ouro do rádio, teatro e televisão no Brasil. Na história, interpretou a personagem Liana.


Produtora

Foi produtora de várias peças com os comediantes Gibe e Simplício. Mais tarde, nos anos 80, integrou o elenco de "O Vison Voador", peça que ficou mais de seis anos em cartaz. Depois, nos anos 2000, Marly Marley produziu novamente o espetáculo, que atraiu um grande público por todo o Brasil.


Jurada Musical

Integrou por muitos anos o corpo de jurados do "Programa Raul Gil", trabalhando com o apresentador desde 1987. Com notável cultura, experiência e talento musical, é considerada a primeira dama da crítica musical brasileira.

Ary Toledo e Marly Marley
Morte

Marly Marley morreu em 10/01/2014, aos 75 anos, depois de ficar internada por um mês em um hospital de São Paulo devido a um câncer de pâncreas e apresentava metástase.

Ela era casada com o humorista Ary Toledo há 45 anos. O casal não teve filhos.


Norma Bengell

NORMA APARECIDA ALMEIDA PINTO GUIMARÃES D'ÁUREA BENGELL
(78 anos)
Atriz, Vedete, Cineasta, Produtora, Cantora e Compositora

* Rio de Janeiro, RJ (21/02/1935)
+ Rio de Janeiro, RJ (09/10/2013)

Norma Aparecida Almeida Pinto Guimarães d'Áurea Bengell foi uma atriz, cineasta, produtora, cantora e compositora brasileira. Foi a primeira atriz brasileira a apresentar-se em uma cena de nu frontal.

Norma Bengell estreou no teatro em "Cordélia Brasil", em 1968, sob a direção de Emilio Di Biasi. Nos anos seguintes, participou das peças "A Noite dos Assassinos" (1969), de José Triana, com direção de Eros Martim; "Os Convalescentes" (1970), com direção de Gilda Grilo; "Vestido de Noiva" (1976), de Nelson Rodrigues, sob a direção de Ziembinski. Em sua última atuação no teatro, participou da montagem de "Dias Felizes", de Samuel Beckett, em 2010.

No cinema, Norma Bengell participou de 64 filmes. Estreou nas telas aos 23 anos, no longa-metragem "O Homem do Sputnik", estrelado por Oscarito, onde chamou a atenção pela sua sensualidade, cantando e parodiando a famosa atriz francesa Brigitte Bardot.

Norma Bengell fez história em 1962 ao exibir o primeiro nu frontal do cinema brasileiro aos 27 anos, no filme "Os Cafajestes", de Ruy Guerra. Nos anos 80, lançou-se diretora de cinema com "Eternamente Pagu" (1988).

Na televisão, Norma Bengell começou sua carreira na TV Bandeirantes com "Os Adolescentes" (1981) e "Os Imigrantes" (1982). Em 1983, foi para a TV Globo, onde fez a minissérie "Parabéns Pra Você" (1983), e as novelas "Partido Alto" (1984) e "O Sexo dos Anjos" (1989).

Em 2008 assinou contrato com a TV Globo até novembro, efetivando assim sua personagem Deise Coturno até o fim da segunda temporada da série "Toma Lá, Dá Cá", sendo esse seu último trabalho ma TV em 2009. Antes, ela já havia feito participações esporádicas após a saída temporária do ator Ítalo Rossi, que vivia o Seu Ladir.

Norma Bengell depois tentaria a carreira de diretora, realizando, nessa função, o filme de 1996 "O Guarani", baseado na obra do romancista José de Alencar.

Em 2010 sua foto foi utilizada pela pré-candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência da República, a ex-ministra Dilma Rousseff, em seu sítio eletrônico. Tal atitude provocou polêmicas, inclusive a acusação do uso indevido da imagem e associação da atriz. No entanto, Norma Bengell desmentiu ter descontentamento e manifestou apoio à pré-candidata.

Em 27/04/2010 em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, a atriz Norma Bengell disse que não viu problema algum no uso de uma foto sua no website Dilma Na Web. A fotografia de Norma Bengell parece numa ilustração da seção "Minha Vida", que conta a trajetória de Dilma Rousseff e o contexto histórico do país desde a década de 1960.

Disse Norma Bengell: "Eu não vi, não. Uma amiga viu e me contou. Acho normal. Não tem nada que pedir desculpas. Fiz parte das passeatas contra a ditadura. Aliás, eu gosto da Dilma. Acho que ela é maravilhosa, uma mulher que sofreu muito. Tomara que ganhe", afirmou ela, dizendo ter simpatia pela ex-ministra da Casa Civil.


Cantora

Como cantora, seu primeiro sucesso foi o 78 rpm com "A Lua De Mel Na Lua" e "E Se Tens Coração", da trilha sonora do filme "Mulheres e Milhões", de Jorge Ilely.

Em 1959, lançou "Ooooooh! Norma", seu primeiro LP, com uma sonoridade bastante próxima da bossa nova, com várias canções de Tom Jobim e João Gilberto.

Após anos gravando participações em trilhas sonoras e discos de outros artistas, seu segundo LP "Norma Canta Mulheres", saiu apenas em 1977, com composições de Dona Ivone Lara, Luli e Lucina, Marlui Miranda, Dolores Duran, Chiquinha Gonzaga, Rosinha de Valença, Glória Gadelha, Sueli Costa, Rita Lee, Joyce e Maysa, além de "Em Nome do Amor", parceria de Norma Bengell com Glória Gadelha.

Norma Bengell foi casada durante 30 anos com o ator italiano Gabriele Tinti.


Problemas de Dinheiro

Em 2007, Norma Bengell disse ao G1 que estava sendo tratada "como uma bandida" pela Polícia Federal, que a acusava de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e apropriação indébita. De acordo com investigações da Polícia Federal, a atriz teria comprado em 1996, por R$ 260 mil, um imóvel na época avaliado em mais de R$ 1 milhão.

A compra foi realizada logo após a captação de dinheiro para a realização do filme "O Guarani". O Tribunal de Contas da União considerou que Norma Bengell usou irregularmente o dinheiro captado para a realização do filme.

"Estou com problemas de saúde, de dinheiro. É a minha imagem de 50 anos de trabalho. Não sei o que vai acontecer comigo", disse a atriz na ocasião.


Morte

Norma Bengell morreu por volta das 3:00hs de quarta-feira, 09/10/2013. Ela estava internada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Rio-Laranjeiras, unidade Bambina, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O corpo da atriz será velado no Cemitério São João Batista, em Botafogo, a partir das 18:00hs de quarta-feira, 09/10/2013. A cremação está marcada para às 14:00hs de quinta-feira, 10/10/2013 no Cemitério do Caju, na Zona Portuária.

Norma Bengell foi hospitalizada no sábado, 05/10/2013. Ela enfrentava problemas respiratórios havia seis meses, desde quando médicos diagnosticaram um câncer no pulmão direito.

Televisão

  • 2008/2009 - Toma Lá, Dá Cá ... Deise Coturno
  • 2006 - Alta Estação ... Yolanda
  • 1993 - Você Decide
  • 1989 - O Sexo dos Anjos ... Vera
  • 1984 - Partido Alto ... Irene
  • 1983 - Parabéns Pra Você ... Mara
  • 1981 - Os Imigrantes ... Nena
  • 1981 - Os Adolescentes ... Paula

Filmes

  • 1959 - O Homem Do Sputnik
  • 1960 - Conceição
  • 1961 - Carnival Of Crime
  • 1961 - Mulheres E Milhões
  • 1961 - Sócia De Alcova
  • 1962 - Mafioso
  • 1962 - O Pagador De Promessas
  • 1962 - Os Cafajestes
  • 1963 - I Cuori Infranti
  • 1963 - Il Mito
  • 1963 - La Ballata Dei Mariti
  • 1964 - La Costanza Della Ragione
  • 1964 - Noite Vazia
  • 1965 - Mar Corrente
  • 1965 - Terrore Nello Spazio
  • 1965 - Una Bella Grinta
  • 1966 - As Cariocas
  • 1966 - I Crudeli
  • 1966 - La Muerte Se Llama Myriam
  • 1967 - A Espiã Que Entrou Em Fria
  • 1968 - Antes, O Verão
  • 1968 - Dezesperado
  • 1968 - Edu, Coração De Ouro
  • 1968 - Io Non Perdono... Uccido
  • 1968 - Juventude E Ternura
  • 1969 - O Anjo Nasceu
  • 1969 - OSS 117 Prend Des Vacances
  • 1969 - Verão De Fogo
  • 1970 - O Abismo
  • 1970 - O Palácio Dos Anjos
  • 1970 - Os Deuses E Os Mortos ... Soledade 4
  • 1971 - A Casa Assassinada
  • 1971 - As Confissões De Frei Abóbora
  • 1971 - Capitão Bandeira Contra O Doutor Moura Brasil
  • 1971 - Paixão Na Praia
  • 1972 - O Demiurgo
  • 1973 - Défense De Savoir
  • 1973 - Les Soleils De L'Ile De Pâques
  • 1975 - Assim Era A Atlântida
  • 1976 - Paranóia
  • 1977 - Maria Bonita
  • 1977 - Nas Quebradas Da Vida
  • 1978 - Mar De Rosas
  • 1978 - Na Boca Do Mundo
  • 1978 – Mulheres De Cinema (Curta-metragem)
  • 1981 - A Idade Da Terra
  • 1981 - Abrigo Nuclear
  • 1981 - Eros, O Deus Do Amor
  • 1982 - Tabu
  • 1983 - Rio Babilônia
  • 1984 - O Filho Adotivo
  • 1984 - Tensão No Rio
  • 1986 - A Cor Do Seu Destino
  • 1986 - Fonte Da Saudade
  • 1987 - Running Out Of Luck
  • 1987 - Mulher Fatal Encontra O Homem Ideal (Curta-metragem)
  • 1988 - Eternamente Pagu
  • 1988 - Fronteiras
  • 1992 - Vagas Para Moças De Fino Trato

Diretora

  • 1988 - Eternamente Pagu
  • 1996 - O Guarani
  • 2005 - Magda Tagliaferro - O Mundo Dentro De Um Piano
  • 2005 - Infinitamente

Discografia

  • 195? - "A Lua De Mel Na Lua - E Se Tens Coração" (Capitol / Odeon 78)
  • 1959 - "Ooooooh! Norma" (Capitol / Odeon LP)
  • 1965 - "Meia Noite Em Copacabana" (Elenco LP)
  • 1977 - "Norma Canta Mulheres" (Phonogram LP)
  • 2001 - "Groovy - Faixa "Feaver" (Sony Music CD)

Fonte: Wikipédia e G1

Zaquia Jorge

ZAQUIA JORGE
(33 anos)
Atriz, Empresária e Vedete

* Rio de Janeiro, RJ (06/01/1924)
+ Rio de Janeiro, RJ (22/04/1957)

Zaquia Jorge, atriz, empresária e vedete do teatro de revista, nasceu no Rio de Janeiro, em 6 de janeiro de 1924, e faleceu na mesma cidade em 22 de abril de 1957.

Estreou no teatro, como girl, na Companhia de Walter Pinto. Mais tarde, já como vedete, foi para a Companhia Juan e Mary Daniel, no Teatro Follies, em Copacabana. Tornou-se, a seguir, empresária do Teatrinho de Bolso, na Praça General Osório, onde encenou várias peças, em 1951.

Em Madureira, na década de 1950, tornou-se proprietária do único teatro de rebolado do subúrbio carioca, o Teatro de Revista Madureira. Era conhecida como a "Estrela do Subúrbio" e "Vedete de Madureira".

Coragem, Simplicidade e Pailleté

Na  Companhia de Walter Pinto, em 27 de abril de 1945, no Teatro Recreio, estava Zaquia Jorge. A revista era Bonde da Laite, revista política feérica, de Luiz Peixoto e Geysa Bôscoli em 2 atos e 23 quadros que atingiu 200 apresentações, sendo prestigiada por mais de 900 mil pessoas e ressaltada pela crítica jornalística.

Participou, também, como corista da célebre revista "Canta, Brasil!" de  Luiz Peixoto, Geysa Bôscoli e Paulo Orlando, que estreou em 23 de agosto de 1945. O jornalista Salvyano Cavalcanti, no livro "Viva o Rebolado", comenta que nesta revista "despontava Zaquia Jorge, com sua beleza esfuziante".

Dercy Gonçalves também tinha a sua trupe e a moça Zaquia Jorge lançou seus sorrisos em trabalhos nesta parceria. Fez parte do elenco da revista "Sinhô do Bonfim", de Peixoto e Bôscoli, da Companhia Dercy Gonçalves, que estreou no dia 17 de março de 1947 no Teatro João Caetano. Ainda pela observação de Cavalcanti: "subindo a cada peça de girl a soubrette, vedetinha e, logo, estrela."

Enquanto a  Companhia Dercy Gonçalves continuava suas montagens teatrais, na revista "Deixa Falar" que estreou em 15 de maio de 1947, a mudança ocorreu: o elenco reformulou-se e Zaquia Jorge, apoiada por Júlio Leiloeiro, traçou novas metas, outros caminhos, rememorando também que obteve o apoio da crítica especializada devido a sua simpatia, na qual a elegante moça "fazia cada vez mais admiradores", conforme discorre Salvyano Cavalcanti em seu livro.

Héber de Bôscoli, sobrinho de Jardel Jércolis e Geysa Bôscoli, trabalhava com o programa "Trem da Alegria" na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, porém resolveu investir no formato revista com muita responsabilidade, empresariando e fundando a Organização Teatral e Cinematográfica LTDA., que se dissolveria depois com o passar dos tempos.

Tendo como primeira revista "Quero Ver Isso De Perto..." de Luís Iglesias, a Companhia de Héber contratou elenco grandioso: Dercy Gonçalves, Oscarito, Renata Fronzi, Yara Salles, dentre outros. Zaquia Jorge estava lá, contratada para compor o elenco, estando no palco com a Revista em cartaz no Teatro Carlos Gomes, de 9 de setembro a 17 de novembro de 1949. A estrela contracenara com Oscarito na charge "Camisa" e no esquete "O Rádio", no qual nossa querida artista cantava "A Penha" em um quadro popular.

Com esse novo panorama no universo da diversão, o Teatro de Revista dividiu-se em superproduções para revistas de grande porte e produções mais sucintas para revistas de bolso, encenadas em pequenas salas em vários bairros no Rio de Janeiro, com 150 a 200 lugares. Eram revistas compactadas, com rica estrutura trazendo novamente uma proximidade entre atores e público, resgatando a cumplicidade existente na revista das décadas anteriores, embora apresentando elementos da modernidade revisteira.

Juan Daniel inaugurou o Teatro Follies em 10 de novembro de 1949 e chegou a hora da moça Zaquia Jorge, de belos olhos, despontar. Foi contratada pela Companhia e promovida a primeira atriz. Destacava-se com Mesquitinha na peça de estréia do Teatro Follies, em Copacabana, no Rio de Janeiro, na empresa Juan Daniel , "Já Vi Tudo", de Mary Daniel e Floriano Faissal.

Em 1950,  Juan Daniel e Jorge Murad escreveram uma revista sobre o carnaval, a liberdade existente nessa festa e a descontração dos foliões. "Ele Vem Aí!..." tinha direção de recitativo, danças de Mary Daniel e os atores Zaquia Jorge, Evilásio Marçal, Carmen Lamar, dentre outros no elenco.


A revista ficou em cartaz de janeiro até 12 de fevereiro. Seguindo a temporada do ano no Teatro Follies, aponta "Tô De Olho", com 21 quadros e 1 ato, com o mesmo elenco da peça anterior, ficando em cartaz de 1 de março até 2 de abril. Ainda na mesma empresa, Zaquia Jorge atuou na revista "Boa Noite, Rio", com texto original distribuído em 18 quadros, de Alberto Flores e outros, tendo músicas de César Siqueira e outros compositores.

A estréia aconteceu em 8 de abril de 1950 e permaneceu em cartaz por 3 semanas. A atriz participou dos quadros "Boa Noite, Rio", "Marido Modelo", "Responda Segismunda!", "A Criada Fez Greve", contracenou com Grande Otelo no quadro "O Novo Rico" e participou da apoteose final junto a toda a Companhia.

A Companhia de Juan Daniel avançou a década de 50 encenando muitas revistas, porém com diferenciado foco artístico e inegável faro comercial, tendo Luz del Fuego em seu cast. O diretor e pesquisador teatral Delson Antunes, na obra "Fora Do Sério" observa: "Vivendo um período de grande ascensão em sua carreira, a vedete em breve se desligaria da trupe de Juan Daniel para fundar o próprio teatro em Madureira, levando ao subúrbio muitos espetáculos e artistas (...)"

Embora o Teatro de Madureira tenha se configurado posteriormente, em 1952, com muito trabalho e esforço de Zaquia Jorge e seu companheiro Júlio Monteiro Gomes, o Júlio Leiloeiro, anteriormente, em 1951, a moça investiu em uma parceria com o ator Fernando Vilar no Teatro de Bolso, localizado em Ipanema, Rua Jangadeiros nº 28 A-B, na Praça General Osório.

Zaquia Jorge, trabalhando com a comédia, lutou junto ao Serviço Nacional do Teatro através de várias cartas, pedindo apoio ao órgão para auxílio de temporada iniciada em 30 de março de 1951. Constam em documentação da Cia. 11 peças teatrais, dentre elas, A inimiga dos homens - comédia de R. Praxy, com tradução de J. Ribeiro, com sessões noturnas e uma vespertina aos domingos, dividindo-se a comédia em 3 atos, com a morena Zaquia no papel de Maria Cândida.

"As Pernas Da Herdeira", de autoria de De Leone, com direção artística de Esther Leão, foi outra peça de seu repertório, tendo Zaquia Jorge como Margot, seguindo-se, assim, a peça "O Dote", de Arthur Azevedo, a qual a atriz escolheu montar a rigor, com ares de 1907.

Embora todo o esforço tenha sido empenhado para que a Companhia se mantivesse viva em sua criação e com boa manutenção financeira, seus donos propuseram ao Serviço Nacional do Teatro alugar o teatro para que ele não fechasse suas portas. Zaquia Jorge preocupava-se com seus companheiros, já que não queria deixar sem trabalho as pessoas que viviam ali em entrega à arte, sendo que pessoalmente tinha o exato conhecimento da batalha por um fascínio – o teatro.

Paralelamente, materializava-se um grande sonho dela, a construção de um teatro no subúrbio.  Zaquia Jorge percebeu a carência de oferta de espetáculos para o subúrbio e decidiu que o povo que ali morava também poderia ter acesso ao Teatro de Revista, assim como acontecia no Centro e na Zona Sul - bem estruturado e com excelente qualidade.

Em parceria com Júlio Leiloeiro e, com peculiar cuidado e estima a linguagem artística, construiu o prodigioso Teatro Madureira, situado à Rua Carolina Machado, 386, em frente à estação de trem do bairro. Neste bairro, trouxe a alegria do espetáculo ao público, o entendimento da arte teatral, estabeleceu a criação de uma plateia em uma região que não era bem agraciada com diversões dessa espécie.

O teatro possuía 450 lugares, 12 camarins e muitos camarotes. Com estreia marcada para 23 de abril de 1952, o teatro inaugurou oficialmente em 30 de abril, com a revista "Trem De Luxo", escrita especialmente para sua estreia por Walter Pinto e Freire Júnior, com 22 quadros, tendo como cômico Evilásio Marçal. Zaquia Jorge participou dos quadros "Dona Boa E Brotinhos", "Campanha Das Donas De Casa", "Velhos Amigos", "Existencialismo" e a apoteose "Exaltação à Bahia".

Inicialmente, Zaquia Jorge enfrentou uma platéia totalmente desacostumada a ter um teatro tão próximo e a usufruir desta iguaria. O público ainda não havia descoberto o teatro, isto acarretou problemas de bilheteria, mesmo assim tal circunstância não abalou a moça que, com seu senso de marketing aguçado, empregou estratégias para atrair as pessoas - facilitou o acesso das pessoas ao teatro, reduzindo o preço do convite, divulgando constantemente, deixando pessoas assistirem de graça aos espetáculos.

Zaquia Jorge permaneceu investindo junto a Júlio Leiloeiro no teatro, além do constante diálogo com o Serviço Nacional de Teatro, escrevendo cartas e nem sempre obtendo o resultado desejado. Buscava apoio das entidades, ajuda financeira para melhor realizar o seu trabalho, pedidos de reavaliação de tarifas pelos direitos autorais das músicas a serem utilizadas nas montagens da empresa, embora sempre tenha tido que segurar firmemente as rédeas financeiras de seu sonho.

Em 1952, constavam na Companhia Zaquia Jorge 17 artistas e, em 1955, 12 artistas e 14 girls, dentre todos, Salúquia Rentini e Carmen Lamar. A atriz fazia questão de fomentar a montagem de peças de autores e compositores nacionais e, juntamente ao cotidiano do teatro, com esforço esmerado, funcionava uma escola para jovens artistas, dando oportunidade aos novos artistas. Lá aprendiam representação, canto e coreografia. Muitos por ali passaram e seguiram desenvolvendo trabalhos em outros teatros como Gloria May, Lia Mara, dentre outros.

Avançando a década de 50, o número de peças existentes em revista, oscilava. Apesar da alastrada afeição que a televisão e as telenovelas causaram na população, a revista caminhava, estrelando os palcos cariocas. Ronaldo Grivet, autor da peça "A Vedete Do Subúrbio", feita para homenagear Zaquia Jorge, conta-nos em sua pesquisa, que o teatro passou a ser o mais frequentado da cidade, com carros vindos de todos os bairros, e que se prezava pelo uso do duplo sentido nas peças – elemento original do gênero – não eram utilizados palavrões ou assuntos como bebida e tóxico, raramente inseria tipos políticos e destacava a alegria. Teatro de boas intenções, de verdadeira feitura na Arte – esta era a esfera do Teatro Madureira e a Companhia Zaquia Jorge.

Em 1953, algumas revistas se destacaram, dentre elas, montagens do Teatro Madureira"Ajuda Teu Irmão", "Chegou O Guloso", com a grande cantora Aracy Côrtes - dama da voz e dos palcos - em participação especial, "A Galinha Comeu", "O Baixinho É Menor" e "Tá Na Hora".

Além das obras citadas, o palco do Teatro Madureira projetou as seguintes peças: "O Negócio É Rebolar", "Confusão Na Arena", "Macaco, Olha O Teu Rabo", "Tira O Dedo Do Pudim", "Bota O Café No Fogo", "Boca De Espera", "Vê Se Me Esquece", "Pintando O Sete", "Satélite De Mulheres", "Garoto Enxuto", "Mengo, Tu És Meu", "Vai Levando", "Curió", "Tudo É lucro", "O Pequenino É Quem Manda", "Vamos Brincar", "Vira O Disco", "Banana Não Tem Caroço", "Alegria Do Peru", "Sacode A Jaca", "Mistura E Manda", "Tudo De fora", "Você Não Gosta".

Zaquia Jorge foi homenageada com os sambas "Zaquia Jorge - Vedete Do Subúrbio - Estrela De Madureira", de Avarese, sendo tema da Escola de Samba Império Serrano, em 1975 e "Madureira Chorou", de Carvalhinho e Júlio Leiloeiro, e uma peça "A Vedete Do Subúrbio", de Ronaldo Grivet e José Maria Rodrigues.


Madureira Chorou

Zaquia Jorge teve morte trágica, na praia da Barra da Tijuca, quando tomava banho de mar em companhia de várias outras artistas. Era comum as vedetes se bronzearem 'al natural' na Barra, por ser uma praia deserta na época. A edição do jornal O Globo de 23 de abril de 1957 assim noticiou a morte de Zaquia Jorge:

"Rapidamente, a notícia foi propagada, e grande número de atores da Companhia da Revista Zaquia Jorge e de outras empresas chegou ao local. Em poucos instantes as brancas areias da praia foram pisadas por centenas de pés, já que também foi grande o número de curiosos que acorreu.

Quando um guarda-vidas retirou, do perau em que caíra, o corpo da vedete, Celeste Aída, uma das que a acompanhavam, abraçou-se ao cadáver, chorando copiosamente. Celeste Aída vira a amiga desaparecer e tudo fizera para salvá-la, não o conseguindo porque era muito fundo o perau. Enquanto ela se esforçava, os dois homens que integravam o grupo e que estavam longe aproximaram-se. Na areia, muito assustadas, cinco girls assistiam à luta de Celeste Aída, sem poder ajudá-la.

Afinal, cansada e desanimada, Celeste Aída voltou às areias, Zaquia Jorge desaparecera e, quando foi encontrada, já estava quase sem vida. Morreu pouco depois...

Foi sepultada no Cemitério de São Francisco Xavier, pranteada por artistas e populares, que a reverenciaram como a pioneira do teatro suburbano carioca. Das 06:00h às 16:30hs de ontem, mais de 4.000 pessoas afluíram ao Teatro de Madureira, em cujo palco ficou exposto o corpo da artista. Com a platéia e os balcões apinhados, o ambiente fazia lembrar um grande dia de récita. Contudo, a emoção do público era intensa, guardando os presentes muito respeito.

No palco, no alto, por cima do caixão de Zaquia Jorge, havia um grande quadro de São Jorge. A artista morrera na véspera do dia consagrado ao santo. Ontem fazia cinco anos que inaugurara seu teatro, com a peça 'Trem De Luxo', de Válter Pinto e Freire Júnior.

Sobre uma fileira de dez cadeiras havia dezenas de coroas entre elas, do Teatro Santana (São Paulo), do Corpo de Bombeiros, das escolas de samba Sampaio e Império Serrano, de inúmeras entidades e figuras da arte e de outros setores. O povo humilde do subúrbio formou filas, subindo ao palco para dar seu último adeus a Zaquia Jorge..."


Em sua homenagem foi composta a música "Madureira Chorou", um samba de sucesso no carnaval de 1958.

Filmografia

  • 1946 - Sob A Luz De Meu Bairro
  • 1946 - Fantasma Por Acaso
  • 1946 - Caídos Do Céu
  • 1949 - Pinguinho De Gente
  • 1950 - A Serra Da Aventura
  • 1951 - Aguenta Firme, Isidoro
  • 1957 - A Baronesa Transviada


Mara Rúbia

OSMARINA LAMEIRA COLARES CINTRA
(72 anos)
Atriz, Bailarina e Vedete

* Ilha de Marajó, PA (03/02/1919)
+ Rio de Janeiro, RJ (15/05/1991)


Mara Rúbia começou a trabalhar como bailarina no Teatro de Revista, tornando-se vedete de grande popularidade nas décadas de 40 e 50.

Estrelou sucessos como É Rabo de Foguete e Bonde da Laite. Com um enorme carisma e espontaneidade, dividiu os palcos cariocas com outras celebridades da época, entre elas, Dercy Gonçalves, Renata Fronzi, Oscarito e Grande Otelo.

Em 1953, ganhava 46 mil cruzeiros por mês, como contratada da TV Tupi de São Paulo e TV Tupi do Rio de Janeiro. Quatro anos depois, passou a comandar um programa exclusivo na emissora carioca chamdo Boate Martini, transmitido pela TV Tupi do Rio de Janeiro e onde apresentava os artistas em evidência na ocasião. Nessa ocasião, decidiu abandonar o teatro para se dedicar a outras atividades artísticas, mas foi obrigada a voltar em sua decisão a pedidos dos admiradores e de empresários.

Sua carreira também inclui trabalhos no cinema - Dona Flor e Seus Dois Maridos, Os Deuses e os Mortos, e na televisão telenovelas como Sinal de Alerta e Feijão Maravilha, pela Rede Globo. Seu último filme foi Bububu não Bobobo em 1980.

Nos palcos, Maria Rúbia destacou-se ainda em "A Filha de Iorio", de Gabriele D'Annunzio.

Mara Rúbia faleceu aos 73 anos em consequencia de problemas circulatórios e respiratórios.

Fonte: Wikipédia

Luz del Fuego

DORA VIVACQUA
(50 anos)
Atriz, Bailarina, Vedete, Naturista, Escritora e Feminista

☼ Cachoeiro de Itapemirim, ES (21/02/1917)
┼ Rio de Janeiro, RJ (19/07/1967)

Dora Vivacqua, mais conhecida pelo nome artístico Luz del Fuego, foi uma dançarina, naturista, atriz, escritora e feminista brasileira nascida em Cachoeiro de Itapemirim, ES, no dia 21/02/1917.

Destacou-se como pioneira na implementação do naturismo no Brasil entre os anos 1940 e 1950, tendo sido a fundadora do primeiro reduto naturista da América Latina e a primeira nudista brasileira. É também reconhecida por sua contribuição na luta pela emancipação das mulheres.

Nascida no Espírito Santo, Dora Vivacqua pertencia a uma família de intelectuais e políticos, que realizava em sua residência reuniões literárias com a presença de relevantes personalidades do modernismo brasileiro, em Belo Horizonte, onde se estabeleceu em 1920.

Bacharelada em Ciências e Letras, optou por apresentar-se no picadeiro de um circo sob o pseudônimo Luz Divina, em 1944, antes de o substituir por Luz del Fuego, dançando com um casal de serpentes enrolado em seu corpo quase sempre nu. As performances da moça logo provocaram furor por todo o país e transformaram-na em uma das principais atrações dos populares teatros de revista. Embora repudiada pelos mais conservadores, que a consideravam "uma ameaça aos bons costumes", Luz del Fuego atraía enorme público para os seus espetáculos e tornou-se uma das vedetes mais conhecidas dos anos 1950 no Brasil, recebendo propostas para excursionar pelo exterior.

Por suas apresentações enfrentou forte repressão das autoridades em algumas cidades, sendo, em várias delas, expulsa ou impedida de entrar.

No final dos anos 1940, começou a expor os seus ideais existencialistas, naturistas, em defesa dos direitos da mulher e da liberdade de expressão, e em combate aos preconceitos sociais. Escreveu dois livros, em um dos quais lançava a teorização do movimento naturista brasileiro e, como resultado, viu-o ser banido das livrarias.

Tentou candidatar-se a deputada federal com um partido político por ela fundado, mas impedido de ser registrado, e aventurou-se esporadicamente em algumas produções cinematográficas ao longo dos anos 1950. Por meio de uma autorização que recebeu da Marinha do Brasil, foi viver em uma ilha por ela rebatizada de Ilha do Sol, onde fundou o Clube Naturalista Brasileiro.

Apesar da popularidade de seus espetáculos, a artista sofreu dificuldades financeiras em seus últimos anos de vida. Luz del Fuego foi assassinada, juntamente com o seu caseiro, por dois pescadores na Ilha do Sol, em 19/07/1967. Seus corpos foram lançados ao mar, mas recuperados em 02/08/1967.

Sua história foi tema do documentário "A Nativa Solitária" (1954), recuperado pelo Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES), de cujo acervo faz parte, bem como de um filme que leva o seu nome lançado em 1982.

Luz del Fuego com uma de suas serpentes, em 1945
Primeiros Anos

Dora Vivacqua nasceu em 21/02/1917, em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. Décima-quinta filha de José Antônio VivacquaEtelvina Souza Monteiro Vivacqua, mudou-se com a sua família para Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1920, quando tinha 3 anos de idade.

Oriunda de uma tradicional família de políticos e intelectuais descendente da imigração italiana no Espírito Santo, residiu no chamado Salão Vivacqua nos anos seguintes, onde saraus mensais frequentados por Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava eram realizados.

Em Minas Gerais, descobriu o serpentário da Fundação Ezequiel Dias, que logo se tornou o seu lugar preferido, e começou a participar, aos 4 anos, dos saraus promovidos pela turma modernista de Belo Horizonte. Concluiu o ensino superior e bacharelou-se em Ciências e Letras.

Desde muito cedo, Dora Vivacqua exibiu comportamento rebelde, recusando-se a acatar ordens ou opiniões sobre o que fazia. Costumava caminhar pela praia de Marataízes somente de roupa íntima e bustiê improvisado com lenços. Nos carnavais, sempre aparecia com curtas fantasias confeccionadas por si, e tinha verdadeira aversão às convenções sociais e às ideologias conservadoras que lhe eram impostas. Certa vez, aos 20 anos, fugiu para o Rio de Janeiro, e, após ser encontrada pela família, foi enviada ao Colégio da Imaculada Conceição, em Botafogo, do qual se retirou após atingir a maioridade, à época, 21 anos.

Em 1929, a família retornou para Cachoeiro de Itapemirim, onde, em 19/08/1932, seu pai foi assassinado por um grupo de pessoas que, dias antes, ele expulsara de um dos seus terrenos. Com o falecimento do marido, Etelvina resolveu retornar para Belo Horizonte com as filhas que ainda não tinham casado, mas Dora Vivacqua, pouco tempo depois, foi morar no Rio de Janeiro sob a tutela de Attilio, um de seus irmãos.


No Rio de Janeiro, foi introduzida ao meio artístico e cultural pelo radialista César Ladeira, da Rádio Mayrink Veiga, e, mais tarde, conheceu José Mariano Carneiro da Cunha Neto, no Cassino da Urca, que a levou aos locais frequentados pela elite brasileira.

Embora inicialmente tranquilizada, a família Vivacqua logo enfrentou problemas com o comportamento da garota, especialmente o seu irmão. Contrariando-o, ela ingressou na equipe de um circo aos 15 anos e Atillio, então eleito deputado constituinte, decidiu mandá-la de volta para Belo Horizonte a fim de evitar o envolvimento de seu nome em escândalos.

Após retornar para Belo Horizonte, foi morar com a irmã Angélia e seu marido, Carlos, que começou a assediá-la. Quando flagrado pela esposa, ele convenceu-a de que foi Dora Vivacqua a responsável pelo acontecido e fez a família considerá-la esquizofrênica, o que resultou no internamento da moça no Instituto Raul Soares por um período de dois meses em 1936.

Quando deixou o manicômio, a jovem havia perdido 10 kg e, por sugestão de seu irmão Achilles, que com ela estava preocupado, foi morar na fazenda de Archilau, um outro irmão. Lá, desfrutava de imensa liberdade apesar de sempre estar acompanhada do filho do administrador da fazenda, para quem resolveu aparecer um dia como "Eva", usando apenas três folhas de parreira amarrados aos seios e à região do púbis, e duas cobras-cipós envoltas em seus braços. Ao ser repreendida pelo irmão, Dora Vivacqua agrediu-o e, consequentemente, foi mais uma vez internada em uma clínica psiquiátrica, desta vez na Casa de Saúde Drº Eiras, no Rio de Janeiro. Achiles novamente interveio a seu favor e, após deixar o local, ela foi viver com outra irmã, Mariquinhas, em Cachoeiro de Itapemirim.

O espírito rebelde da jovem, porém, ainda era muito vívido e, em novembro de 1937, Dora Vivacqua fugiu de volta para o Rio de Janeiro, onde reatou o romance com Mariano, mas nunca quis oficializar a relação, que durou 5 anos. Novamente na, à época, capital do país, conseguiu, com o auxílio de Fernando de Sousa Costa, então Ministro da Agricultura, ingressar em um aeroclube para adquirir um brevê e, pouco depois, começou a praticar paraquedismo, mas parou de fazê-lo por exigência de Mariano. As desavenças entre o casal intensificaram-se quando Dora Vivacqua matriculou-se em um curso de dança de Eros Volúsia. Mariano exigia-lhe o abandono das aulas, mas ela o ignorou. Deixou-o após descobrir que ele mantinha uma relação amorosa com outra mulher.

O Sucesso de Luz del Fuego e as Teorias Naturistas

Depois de pôr um fim ao seu romance com MarianoDora Vivacqua decidiu seguir a carreira artística, por volta de 1942. Dizem algumas fontes, sem base documental, que Dora Vivacqua estreara em um circo chamado Pavilhão Azul, em 1944, sob o pseudônimo Luz Divina, de modo que somente adotou o nome artístico com o qual se tornou famosa em 1947, por sugestão de um palhaço chamado Cascudo. Essas informações, amplamente difundidas em biografias on-line e impressas da artista, contradizem os jornais dos anos 1940, que trazem informações sobre a estreia de Luz del Fuego, já com este pseudônimo, no Teatro de Tevista em agosto de 1944. Corrobora esta informação uma entrevista que a artista concedera à revista Carioca, publicada em janeiro de 1944, uma vez mais a utilizar Luz del Fuego, bem como informações divulgadas sobre as suas excursões pelo exterior já como Luz del Fuego e antes de 1947. Porém, na edição de 19/01/1945, um repórter de O Jornal relatou o seguinte: "Luz del Fuego, dizem, já se chamou Luz Divina. Quase esteve em cassinos e a jiboia era sua companheira", o que pode indicar certa veracidade quanto à sua estreia no circo, apesar de o ano em que o fez ainda ser conflitante. É provável, pois, que isto tenha ocorrido entre 1942 e 1943, já que Luz del Fuego, em entrevista ao A Noite, afirmou ter-se lançado à carreira artística em 1942.

Para além da obscuridade acerca da origem de seu nome artístico, o motivo pelo qual incluiu serpentes nos seus espetáculos é também incerto. Encontra-se difundida em publicações a história de que a artista fora inspirada pela leitura de um livro sobre mulheres macedônicas que praticavam a dança com aqueles animais.

Após pesquisar no Instituto Vital Brazil, concluiu serem as jiboias as menos perigosas, portanto, as mais apropriadas para aquela finalidade. Na supracitada entrevista à revista Carioca, em 1944, Luz del Fuego afirmou que tencionava "apresentar coisas novas sem ser excêntrica [...] Idealizei a Tentação de Eva, porém tinha um medo danado das serpentes! Mas, não seria esse o motivo para fazer malograr o meu ideal. Aprendi a domesticar cobras e hoje com elas trato familiarmente!".

Sejam quais forem as origens de seu nome artístico, é fato que a artista estreou oficialmente em 1944, com espetáculos por ela idealizados - como a própria afirma, uma vez mais à revista Carioca, àquele ano -, intitulados "Tentação de Eva", "Lenda da Cobra Grande", "Baile de Cleópatra", "Macumba Para Prender Um Amor", "Frevo" (uma mistura de dança e mímica), "Batuque e Cocktail", para além de "Noturno Carioca", este escrito por Ary Barroso.

A sua primeira exibição no Teatro de Revista ocorreu em agosto de 1944, na peça "Tudo é Brasil", realizada no Teatro Recreio, propriedade de Walter Pinto, no Rio de Janeiro.

Em 1945, Luz del Fuego exibiu-se em casas de espetáculos pelo Panamá, por Uruguai e por Buenos Aires, na Argentina, e, em 1946, estreou nos cinemas nacionais, na produção "No Trampolim da Vida", em que apresentou "números excitantes com cobras vivas", nas palavras de um repórter do periódico A Scena Muda, em dezembro de 1946.


Em 1947, embarcou em uma excursão por Nova York, nos Estados Unidos, onde se apresentou em danceterias noturnas por três meses. Passou uma temporada na América do Norte entre 1947 e 1948, aprimorando os seus estudos de dança moderna. Foi também nesta época em que Luz del Fuego descobriu os filósofos existencialistas e as colônias nudistas da Europa e resolveu aprofundar os seus conhecimentos sobre os temas. Tornou-se adepta do naturismo e decidiu ser a precursora de sua implementação no Brasil, explicando:

"Já Adão e Eva andavam nus. Quando se nasce, não se traz roupa sobre o corpo. As vestes são artifícios dos quais os homens se valem para encobrir coisas naturais!"

De volta ao Brasil, em 1948, a dançarina começou a expor seus ideais e tentou resgatar a prática dos primeiros habitantes do Brasil, muito comum em países europeus desde 1903. Com a publicação do livro "A Verdade Nua", que vendeu 1752 volumes em apenas quatro dias, lançava a teorização do movimento naturista brasileiro e defendia o nudismo das acusações de imoralidade. Num trecho da obra, escreveu:

"Um nudista é uma pessoa que acredita que a indumentária não é necessária à moralidade do corpo humano. Não concebe que o corpo humano tenha partes indecentes que se precisem esconder."

Em 1949, iniciou uma série de espetáculos pelas danceterias do Norte e Nordeste do país, tendo sido impedida de apresentar-se pelas autoridades no Maranhão e submetida a restrições em Fortaleza. Embora não dominasse habilmente a dança nem a atuação, Luz del Fuego conquistou imensa popularidade com os seus espetáculos pelo país.

Luz del Fuego retornou aos teatros em maio de 1950, com papel de destaque na peça "Cutuca Por Baixo", ao lado das atrizes Dercy Gonçalves e Linda Batista, novamente no Teatro Recreio, realizando apresentações nudísticas de danças folclóricas com cinco serpentes. A produção rendeu muitos lucros, teve mais de duzentas apresentações e atraiu 195.393 espectadores em apenas dois meses de exibição.

"Era atração de bilheteria! Toda gente queria ver como era a moça das cobras!", afirmou Agnello Macedo, do Correio da Manhã, em agosto de 1950.

Luz del Fuego foi, então, contratada pelos atores Juan Daniel e Mary Daniel, proprietários do Teatro Follies, em Copacabana, para estrelar "Eva no Paraíso", que se converteu em outro êxito e fez o jornal A Manhã chamar-lhe "A atração máxima do momento".

Apesar de não ser creditada com o seu nome de batismo, a família Vivacqua não ficou contente com a profissão adotada por Dora Vivacqua, especialmente o seu irmão Attilio, que fora eleito senador e considerava a associação prejudicial à imagem dele enquanto político. Numa entrevista com a Revista do Rádio, em 1950, Luz del Fuego apontou os seus familiares como os seus principais "perseguidores", enfatizando Attilio, que se utilizava do cargo para impedi-la de exibir-se em teatros e danceterias.

Em 1951, fundou Naturalismo, a primeira revista do país a exibir genitálias em suas publicações, que teve 21 edições até 1954. Não demorou muito para voltar a sofrer repressões, pois no Brasil, àquela época, nem sequer era permitido o uso de maiô de duas peças nas praias e as suas ideias e apresentações trouxeram-lhe vários problemas, como acusações de atentado ao pudor e aos "bons costumes", diversas multas e intimações a delegacias.

Numa atuação em São Paulo, em 1951, por exemplo, foi detida durante o espetáculo devido aos seus trajes e acabou sendo multada, embora tenha declarado: "Nunca me apresentei tão vestida no palco!".

Numa de suas passagens por Belo Horizonte, em 1952, causou alvoroço entre a população e recebeu ordens do prefeito para deixar a cidade imediatamente.


Em 1953, um grupo católico de Juiz de Fora, MG, liderado pelo bispo Dom Justino José de Sant'Ana, da arquidiocese local, conseguiu fazer com que as autoridades não a permitissem apresentar-se no município. Casos semelhantes foram registrados em outras regiões, como em Sergipe e Valença, tendo sido, em ambas, impedida de atuar. Também em 1953, foi detida e condenada a seis meses de prisão por ultraje ao pudor e desacato à autoridade em uma festa carnavalesca, mas absolvida, e orientada a submeter-se a exames de sanidade mental por um representante do Ministério Público que sugeriu o seu internamento em um manicômio.

Os métodos que utilizava para promover as suas ideias, como uma aparição no Viaduto do Chá, em São Paulo, fantasiada de Iemanjá e completamente sem roupas, ou apresentações seminua em carros abertos na Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, em que dançava e exibia as serpentes aos que ali estivessem presentes, também resultaram em detenções.

Luz del Fuego, porém, tinha amantes influentes - como políticos e militares -, que resolviam quaisquer problemas em que se envolvesse e, quando livre, não hesitava em se dirigir às rádios e praças para tornar públicas as pressões que sofria.

Tentou lançar-se na carreira política com a fundação do Partido Naturalista Brasileiro (PNB), em 07/09/1949, que defendia o estabelecimento de espaços públicos nos quais famílias pudessem criar uma relação harmoniosa com a natureza totalmente despidos e cujo slogan, "Menos roupa e mais pão! Nossa lema é ação!", repercutiu em todo o país. A naturista o promovia durante as suas excursões pelo país, distribuindo panfletos com as escritas: "Para a fome, temos o pão. Para a sede, a água. Para a imoralidade, a nudez!".

O partido conseguiu 50 mil assinaturas apoiando-o, mas não foi registrado devido à perda dos documentos, como revelou a própria Luz del Fuego, em setembro de 1950:

"Já estava quase registrado meu partido. Para que ele fosse realmente forte, eu queria obter a adesão de um grande figurão da política. Por isso, dirigi-me ao senhor Salgado Filho, que me recebeu muito bem, dizendo que ia entender-se com o senador Getúlio Vargas para esse fim. Na última viagem que ele empreendeu ao Sul, levou consigo o meu memorial que continha as 50 mil assinaturas de adeptos do PNB. Faça ideia, agora, como sofri, quando tive noticia do trágico desastre em que pereceu o senador Salgado Filho, pois, como sabia, o documento assinado pelos meus eleitores também havia sido queimado no horrível desastre..."

Embora se tenha noticiado aquilo à época, sabe-se, hoje, que foi Attilio quem pôs fim aos documentos.

No decorrer dos anos 1950, Luz del Fuego realizou diversas apresentações pelas regiões Norte, Sul e Sudeste do país, e recebeu convites para excursionar pelos Estados Unidos e pela Europa, bem como para realizar um espetáculo para o Rei Faruk do Egito. Além disso, continuou a destacar-se nos palcos de teatros como o Teatro Recreio - com as suas apresentações baseadas no folclore brasileiro -, o Teatro República e o Teatro Follies.

Para "O Nu Através dos Tempos", que estreou em 1951, no Teatro República, por exemplo, a dançarina atraiu 293.975 espectadores em apenas um mês. Sobre o espetáculo, um repórter do periódico A Manhã declarou: "De há muito o Teatro República não registra sucesso igual!".

Luz del Fuego e Elvira Pagã foram chamadas "as responsáveis por provocar verdadeiras explosões de gargalhadas" pelo Diário da Noite, em referência ao êxito "Balança Mas Não Cai", do Teatro Carlos Gomes. O sucesso também lhe permitiu protagonizar os filmes "Folias Cariocas", "No Trampolim da Vida" e "Não Me Digas Adeus", fê-la estampar a capa da revista americana Life e consagrou-a como uma das vedetes mais populares de sua época no Brasil.

Em 1959, após 4 meses a atuar em outro êxito, "Mulher... Só Daquele Jeito", no Teatro Carlos Gomes, recebeu propostas para realizar apresentações em Las Vegas, nos Estados Unidos, remuneradas com mil dólares diários - à época, cerca de 150 mil cruzeiros.

Ilha do Sol e o Clube Naturalista Brasileiro

Quando "A Verdade Nua" foi lançada, as autoridades brasileiras conservadoras logo trataram de eliminar quaisquer sinais da publicação nas livrarias, e a obra passou, então, a ser comercializada somente por reembolso postal. Todo o dinheiro arrecadado com as vendas seria utilizado para a fundação do reduto naturalista que Luz del Fuego tanto almejava.

Na primeira metade dos anos 1950, Luz del Fuego obteve uma autorização da Marinha do Brasil para viver na ilha Tapuama de Dentro, que possui mais de oito mil metros quadrados, e a rebatizou de Ilha do Sol. Lá, fundou o Clube Naturalista Brasileiro, em 1951, o primeiro do gênero na América Latina e sobre o qual mantinha rígido controle, não permitindo a entrada de bebidas alcoólicas, proferir palavras de baixo calão nem a prática de relações sexuais na colônia, distinguindo nitidamente naturalismo de libertinagem. Também não era permitida a entrada de menores de idade e, caso uma pessoa fosse comprometida, o parceiro tinha de estar ciente de sua visita à ilha. Luz del Fuego promovia a prática de atividades esportivas, como vôlei, banhos de sol e mar, e exibia aos presentes peças teatrais e filmes, em geral, documentários sobre as colônias nudistas europeias. Pela iniciativa, recebeu uma carta dos organizadores da Confederação Nudista da América do Norte, em 1952, parabenizando-a.

A Ilha do Sol não foi incluída na lista dos roteiros turísticos do Rio de Janeiro, mas tornou-se extremamente popular e atraiu, inclusive, personalidades do cinema americano, como Errol Flynn, Lana Turner, Ava Gardner, Glenn Ford, Brigitte Bardot e Steve McQueen. Segundo o Correio da Manhã, mais de três milhões de mineiros visitaram a ilha. O local foi incluído nos registros da Federação Internacional Naturalista da Alemanha e conseguiu 240 sócios, mas todos que desembarcassem na ilha apenas podiam permanecer se ficassem completamente despidos. Com a colônia, Luz del Fuego tornou-se a primeira nudista brasileira e, em 1964, foi entrevistada por um correspondente brasileiro para uma matéria que seria publicada pela revista alemã Frieden Leden.

Últimos Anos e Assassinato

Por volta dos anos 1960, Luz del Fuego foi morar na Ilha do Sol. Àquela altura, com mais de 40 anos de idade, ela não atraía mais o interesse de homens influentes como antes e passava por dificuldade financeiras.

Entre 1960 e 1961, atuou em "Carnaval da Ilha do Sol", no Teatro João Caetano, com Wilza Carla e Costinha, e, em 1962, apresentou-se em Campos do Jordão e recebeu propostas para excursionar pela América do Sul. No entanto, afastou-se dos teatros de revista nesse mesmo ano, retornando somente em 1964 com espetáculos em São Paulo.

Numa entrevista concedida à Revista do Rádio, em 1965, Luz del Fuego afirmou ter-se ausentado dos teatros para dedicar-se à reforma da Ilha do Sol, com a qual gastou trinta milhões de cruzeiros em construções, inclusive de um restaurante nudista.

"Quando comprei e fui morar na Ilha do Sol, aquilo não passava mesmo de um recanto deserto, dentro da Baía de Guanabara. Não havia nenhuma casa. Dediquei-me, então, à construção de várias moradias, permanecendo ali meses seguidos sem vir ao Rio!"

Luz del Fuego pretendia reabrir a ilha em março para os festejos do Quarto Centenário do Rio de Janeiro. Ainda em 1965, Luz del Fuego estrelou "Boas em Liquidação", com Sônia Mamede, no Teatro Rival, que registrou boa bilheteria, e foi convidada pela Federação Internacional de Nudistas para viajar à Alemanha, onde concorria ao título de "Mais Bela Nua do Mundo".

Em outubro de 1965, Luz del Fuego queixou-se à polícia da visita de malfeitores à Ilha do Sol. Nela embarcaram os irmãos pescadores Alfredo Teixeira Dias e Mozart "Gaguinho" em busca de fortuna. Meses depois, Luz del Fuego dirigiu-se novamente às autoridades e denunciou-os pela prática de ações criminosas na região, inclusive pelo assassinato de um outro pescador, tendo informado à polícia o local onde Alfredo estava foragido.

Na noite de 19/07/1967, uma quarta-feira, Alfredo convocou o irmão para ir à Ilha do Sol para conversar com Luz del Fuego, porém, revelou durante o percurso que a pretendia assassinar para vingar-se da artista. Quando a dupla chegou à Ilha, os cães da dançarina fizeram alarde e ela apareceu em seguida, portando um revólver. Alfredo, então, disse-lhe que a embarcação por ela utilizada para transporte estava a ser furtada e convenceu-a a ir com ele atrás dos "criminosos". Ao se afastarem da ilha, ele desferiu-lhe violento golpe na região da cabeça, que a fez cair. Em seguida, abriu-lhe o abdome com golpes de arma branca. Os dois retornaram à ilha, onde encontraram o caseiro Edigar Lira e com ele fizeram o mesmo. Alfredo e Mozart, então, amarraram os corpos a pedras, lançaram-nos ao mar e depois retornaram à ilha para saquear a residência da vítima.

O desaparecimento de Luz del Fuego repercutiu nos noticiários de todo o país e chegou a ser encarado como um golpe de publicidade por alguns meios de comunicação. Tal hipótese foi descartada após o delegado Rui Dourado, da 3ª Delegacia Distrital, encontrar, no dia 23/07/1967, a residência da artista em desordem e verificar por meio de um levantamento que objetos de valor haviam sido furtados.

Foram detidos nesse dia Agildo dos Santos, ex-funcionário de Luz del Fuego, e o portuário Hélio Luís dos Santos, ex-amante da artista e apontado como o principal suspeito por tê-la agredido duas semanas antes. Mas os policiais prosseguiram com as buscas pela Ilha do Sol, por Niterói e por ilhas vizinhas, onde acreditavam estar escondido Mozart, o segundo suspeito, visto que havia, meses antes, assaltado a residência da naturista três vezes, e à procura de dois pedreiros que trabalhavam para Luz del Fuego e haviam desaparecido após o acontecido.

No dia 25/07/1967, a embarcação da dançarina foi encontrada próxima à Ilha do Braço Forte por portuários, que perceberam nela manchas de sangue e resolveram comunicar às autoridades. Também os familiares da nudista afirmaram, nesse mesmo dia, não saber onde ela estava. Cada vez mais convencidos de que a atriz havia sido assassinada, os policiais iniciaram buscas pelo mar.

Os corpos de Luz del Fuego e de Edigar Lira foram encontrados apenas em 02/08/1967.

A cerimônia fúnebre de Luz del Fuego ocorreu no dia seguinte, 03/08/1967, no Cemitério São João Batista, e foi realizada por amigos e alguns familiares. Edigar Lira foi sepultado no dia 04/08/1967.

Após ser detido, Alfredo Teixeira Dias, inicialmente, pôs a culpa no ex-amante da artista, Hélio Luís dos Santos. Segundo a sua versão, ele e Mozart "Gaguinho" pescavam quando o portuário os abordou, mostrando-lhes a embarcação em que estavam as vítimas e oferecendo-lhes recompensa para que se desfizessem dos corpos, tendo os dois aceitado a proposta. Já o seu irmão realizou tentativas de fugas, que resultaram em uma troca de tiros com policiais e no assassinato de Júlio Pereira da Silva, investigador de polícia.

Mozart "Gaguinho" entregou-se às autoridades no dia 15/08/1967 por intermédio de seu advogado e, no mesmo dia, foi acareado com Alfredo Teixeira Dias pelo delegado Godofredo Ferreira, revelando toda a verdade sobre o homicídio.

O interrogatório foi realizado no prédio da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro e Mozart inocentou Hélio Luís dos Santos. Tanto ele quanto o irmão foram condenados a 31 anos de prisão, em 1968.

Legado e Reconhecimento

Naturismo e Feminismo:

Como defende Milton Cunha, colunista do periódico O Dia, Luz del Fuego destacou-se por ser uma mulher muito à frente de seu tempo. Despida de preconceitos, a atriz pregava a volta à natureza, prezava a liberdade de expressão e foi a responsável por trazer ao Brasil movimentos que não existiam à época, como o ecologismo e o naturismo, sofrendo repressão e perseguição dos "defensores da moral".

"Infelizmente, o Brasil ainda é um país onde poucos compreendem o nudismo. Mas é necessário que alguém desperte o povo brasileiro para que compreenda a natureza, assim como Moisés despertou os judeus para a liberdade!"
(Luz del Fuego a um repórter da Revista do Rádio, em 1952)

Por ser a pioneira na prática do naturismo no Brasil, o dia 21 de fevereiro, data de nascimento de Luz del Fuego, é considerado o Dia do Naturismo no país.

Os ideais naturistas da artista permitiram a instituição da primeira área oficial do gênero no país em 1983, na Praia do Pinho, em Santa Catarina.

Em 1988, foi fundada a Federação Brasileira de Naturismo (FBrN), órgão responsável pela organização e controle das atividades naturistas no país e, em 1996, as Normas Éticas do Naturismo Brasileiro foram estabelecidas. Com a fundação do Partido Naturalista Brasileiro, como observou Ricardo Fernandez, do "A Cena Muda", em 1950, a atriz "revolucionou a política, lutando contra os preconceitos sociais", que, nas palavras da própria, constituem empecilhos ao progresso de qualquer nação, e "[por] um programa diferente destinado a libertar os oprimidos". Entre as propostas do partido, estavam a abolição da restrição imposta à prática do espiritismo e das religiões de matriz africana, o direito ao divórcio e o estabelecimento de medidas efetivas de proteção aos animais.

Luz del Fuego também é considerada um ícone para o movimento feminista brasileiro, pois desde os anos 1949 lutava pela emancipação feminina, buscando "amparar a mulher e torná-la independente" e "[tirá-la] do caos (...), dar-lhe altivez pelo trabalho, erguê-la pela honra e pelo direito que lhe cabe no seio da sociedade".

Numa entrevista concedida ao periódico A Cena Muda, em 1950, relatou:

"Defenderei com destemor a causa da mulher brasileira, tornando realidade uma antiga e justa aspiração do povo brasileiro que os preconceitos sociais jamais permitiram!"

Luz del Fuego certa vez declarou ao Diário Carioca que a luta pelos direitos da mulher, muito perseguida pelos preconceitos socais, estava entre os principais objetivos de seu partido político. Ao analisar a sua ideologia, em 1949, um repórter do Diário da Noite declarou:

"Luz del Fuego representa o protótipo da mulher moderna. Com ideias avançadas, querendo libertar-se de preconceitos sociais, idealiza e se joga à aventura, sem considerar as possíveis críticas."

Jória Motta Scolforo, do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, reconheceu a contribuição de Luz del Fluego para este movimento, dizendo:

"[Luz] possui papel de destaque no Espírito Santo como uma das precursoras na busca por um espaço no qual a mulher pudesse se mostrar e agir conforme as suas convicções e vontades."

Cristina Agostinho, escritora e biógrafa, chamou-a "mulher de vanguarda" por "desafiar os preconceitos da época". Similarmente, Friedmann Wendpap, colunista do Gazeta do Povo, nomeou-a "sagaz" e afirmou que ela "transitava nas bordas da vanguarda", prosseguindo:

"A vedete das vedetes fez do Rio o laboratório das suas inovações e ali encontrou a conjunção de pessoas que moldam o futuro; artistas, intelectuais, loucos de todo gênero que reverberaram os arroubos de Luz del Fuego e os amaciaram para alcançarem a condição de modismos, de coisa prafrentex!"

Luz del Fuego foi homenageada pela cantora Rita Lee, em 1975, em uma canção epônima na qual é chamada "uma mulher sem medos".

Em 2010, a naturista foi incluída na lista "Musas Que Fizeram a História do Rio", elaborada pelo portal G1.

Em 2011, na exposição "Brasil Feminino" - que narrava a trajetória social da mulher brasileira desde o período colonial -, realizada durante o XVI Encontro Nacional do Programa Nacional de Leitura, na Biblioteca Nacional do Brasil, a dançarina foi nomeada uma das "Heroínas do Século XX".

Em 2012, um repórter do Folha de S. Paulo mencionou-a como uma das mulheres históricas do Brasil por "erguer a bandeira do naturismo e zelar pela causa feminina até à morte".

Em 2013, uma colunista do Correio Braziliense escreveu que Luz del Fuego, assim como a francesa Simone de Beauvoir, notabilizou-se por "mostrar que muitas das diferenças entre os gêneros são frutos mais de uma imposição cultural do que biológica".

Numa exposição realizada pela pintora pernambucana Nathália Queiroz, em 2015, a atriz foi considerada, assim como Rita Lee, Nina Simone e a escritora Pagu, uma das representantes do empoderamento feminino. Naquele mesmo ano, durante a exposição "Tarsila e Mulheres Modernas no Rio" - que apresentou mulheres que desempenharam papéis revolucionários em suas áreas entre o fim do século XIX ao término da Segunda Grande Guerra -, realizada pelo Museu de Arte do Rio, Luz del Fuego foi citada entre as mulheres que "atuaram na desconstrução da vida puritana, questionaram a ordem patriarcal da sociedade e advogaram a emancipação da mulher" e promoveram uma "biopolítica de corrosão do poder".

Obras Literárias e Produções Cinematográficas:

No final dos anos 1940, Luz del Fuego escreveu dois livros: o primeiro, "Trágico Black-Out", publicado em 1947, é um romance noir que traz relatos comprometedores sobre a sua vida, como o abuso que sofreu de seu cunhado, Carlos, que a fez ser enviada ao manicômio Casa de Saúde Drº Eiras, e alusões à prostituição, bem como críticas à sociedade conservadora. Com uma tiragem modesta de mil exemplares, o livro teve pouca divulgação e seu irmão, o futuro senador Attilio Vivacqua, conseguiu adquirir mais da metade dos volumes e os queimou.

Na "orelha" a autora anunciava um outro livro a ser publicado, intitulado "Rendez-vous Das Serpentes", o que nunca foi concretizado. Na introdução ela escreveu:

"Ao publicar o meu primeiro livro, a minha sensação é a mesma de quando me desnudei diante do primeiro homem. É a voz do íntimo que aqui se desnuda. Não é o 'manto diáfano da fantasia' que pretendo oferecer ao leitor e sim aquilo que colhi dentro da vida, numa ampliação real dos que vivem e amargam sob um sensualismo incontido, e em volta do qual vibram numa inquietante inveja, numa constante ambição e num angustioso duelo entre o Homem e o Dinheiro."

O segundo livro, "A Verdade Nua", é uma autobiografia que foi publicado no ano seguinte e, como mencionado antes, expõe os ideais de sua filosofia naturista e as suas ideias naturalistas de vegetarianismo e nudismo. A primeira edição da obra foi toda apreendida pela polícia em 1948, mas uma segunda edição foi feita em 1950 e a venda dos exemplares se fez pelo reembolso postal; continha vinte fotos da autora e três das suas cobras.

Luz del Fuego foi tema de um documentário produzido em 1954 intitulado "A Nativa Solitária", que hoje faz parte do acervo do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES), responsável pela restauração da obra em 2013, e de um filme que leva o seu nome, lançado em 1982, dirigido por David Neves e estrelado por Lucélia Santos. No Festival de Gramado de 1982, a produção venceu os troféus de "Melhor Ator" e "Melhor Atriz" entregues para Walmor Chagas e Lucélia Santos, respectivamente.

A família de Luz del Fuego, no entanto, repudiou a produção por "deturpar a imagem da dançarina" e solicitou a sustação do filme. O roteirista Joaquim Vaz de Carvalho, em entrevista concedida ao Jornal do Brasil, considerou as acusações infundadas e recorreu à liberação da exibição da produção, afirmando que a família "sempre teve interesse em desprezar Luz del Fuego" e apenas objetivava "continuar a abafar qualquer referência a ela".

A biógrafa Cristina Agostinho, autora do livro "Luz del Fuego: A Bailarina do Povo" (1994), também discordou da maneira como Luz del Fuego foi retratada no filme, afirmando que a obra "cometeu uma série de erros de informação e se pautou pela mitologia em torno da prostituta!".

Filmografia

Teatro:
  • 1944 - Tudo é Brasil (Teatro Recreio)
  • 1950 - Cutuca Por Baixo (Teatro Recreio)
  • 1950 - Cutuca Por Baixo (Teatro Santana)
  • 1950 - Festival de Danças Brasileiras (Teatro Recreio)
  • 1950 - Eva no Paraíso (Teatro Follies)
  • 1951 - É Rei, Sim (Teatro Recreio)
  • 1951 - Balança Mas Não Cai (Teatro Carlos Gomes)
  • 1951 - A Fruta de Eva "O Nu Através dos Tempos" (Teatro República)
  • 1952 - A Verdade Nua (Teatro Follies)
  • 1952 - A Verdade Nua (Teatro República)
  • 1952 - É Grande Rei (Teatro Madureira)
  • 1953 - (Teatro Odeon)
  • 1953 - O Que é Que o Bikine Tem? (Teatro Recreio)
  • 1954 - É Sopa no Mel (Teatro República)
  • 1955 - (Teatro João Caetano)
  • 1955 - Esta Mulher é de Morte (Pauliceia)
  • 1959 - Momo e Bambolê (Teatro Paramount)
  • 1959 - Mulher... Só Daquele Jeito (Teatro Carlos Gomes)
  • 1960 - Carnaval da Ilha do Sol (Teatro João Caetano)
  • 1961 - Carnaval da Ilha do Sol (Teatro João Caetano)
  • 1964 - (São Paulo)
  • 1965 - Boas em Liquidação (Teatro Rival)

Cinema:
  • 1946 - No Trampolim da Vida
  • 1947 - Não Me Digas Adeus
  • 1948 - Folias Cariocas
  • 1948 - Poeira de Estrelas
  • 1952 - Saúde e Nudismo
  • 1954 - A Nativa Solitária
  • 1957 - Cururu, o Terror do Amazonas
  • 1959 - Comendo de Colher
  • 1969 - Tarzan e o Grande Rio

Fonte: Wikipédia