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Arnon de Mello

ARNON AFONSO DE FARIAS MELLO
(72 anos)
Jornalista, Advogado, Político e Empresário

☼ Rio Largo, AL (19/09/1911)
┼ Maceió, AL (29/09/1983)

Arnon Afonso de Farias Mello foi um jornalista, advogado, político e empresário brasileiro, nascido em Rio Largo, AL, no dia 19/09/1911, pai de Fernando Collor de Mello, ex-presidente do Brasil, e de Pedro Collor de Mello.

Era filho do senhor de engenho Manuel Afonso de Mello e de Lúcia de Farias Mello. Estudou em Maceió até mudar-se para o Rio de Janeiro em 1930 onde trabalhou como jornalista em A Vanguarda, jornal fechado pela Revolução de 1930.

Advogado formado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1933, trabalhou no Diário de Notícias, nos Diários Associados antes da graduação e, após esta, trabalhou na Associação Comercial do Rio de Janeiro, no Diário Carioca e em O Jornal.

Em 1936 assumiu a direção da Gazeta de Alagoas e foi membro do conselho diretor da Associação Brasileira de Imprensa.

Carreira Política

Após o fim do Estado Novo ingressou na União Democrática Nacional (UDN) e foi eleito suplente de deputado federal em 1945, e exerceu o mandato mediante convocação. Por esta mesma legenda foi eleito simultaneamente deputado federal e governador de Alagoas em 1950, optando por este último cargo onde cumpriu um mandato de 5 anos.

Retornou à vida política pelo Partido Democrata Cristão (PDC) sendo eleito senador em 1962, ingressando na Aliança Renovadora Nacional (ARENA) após a decretação do bipartidarismo pelo Regime Militar de 1964.

Reeleito pelo voto direto em 1970, foi reconduzido ao mandato como senador biônico em 1978.

Assassinato no Congresso

Em 04/12/1963, o senador Arnon de Mello (PDC-AL), atirou contra Silvestre Péricles (PTB-AL). O segundo disparo acertou o abdome do senador José Kairala (PSD-AC), um comerciante de Brasiléia, que morreria horas depois no Hospital Distrital de Brasília com os intestinos e a veia ilíaca trespassados.

Tudo foi causado por uma acirrada rixa regional. Silvestre Péricles, que andava armado, prometeu matar Arnon de Mello, que pôs um Smith Wesson 38 na cintura e marcou discurso para desafiá-lo.

Silvestre Péricles conversava com o senador Arthur Virgílio Filho (PTB-AM). Arnon de Mello provocou e Silvestre Péricles partiu para cima, gritando "Crápula!"Arnon de Mello não deixou o rival se aproximar: sacou o revólver, mas antes que atirasse, Silvestre Péricles, mais rápido, apesar dos 67 anos, jogou-se ao chão, enquanto sacava sua arma. O senador João Agripino (UDN-PB), atracou-se com Silvestre Péricles para tirar-lhe a arma. José Kairala tentou ajudar, mas foi atingido pelo segundo disparo de Arnon de Mello.

Os senadores Arnon de Melo (de costas) e Silvestre Péricles, ambos de Alagoas, trocam ofensas no Senado em 05/12/1963. Ao lado direito de pé (o mais baixo), o suplente José Kairala, poucos segundos antes de ser atingido.
Os dois contendores foram presos; em dias, o Senado Federal deu licença para que fossem processados. Ambos acabaram absolvidos.

José Kairala, de 39 anos, tinha três filhos, entre 2 e 6 anos, e deixou a mulher grávida. Era um suplente, assumira 6 meses antes e devolveria o mandato ao titular, José Guiomard, no dia seguinte. No Senado, teve tempo de fazer 13 discursos e apresentar dois projetos. Levava a mesma inicial carismática, JK, consagrada por seu colega de bancada Juscelino Kubitschek.

Apesar do assassinato, e ainda que tenha sido dentro do Senado Federal, na presença de inúmeras autoridades, Arnon de Mello não teve seu mandato cassado nem qualquer punição imposta pela Mesa.

Logo após o tiroteio ambos senadores foram presos em flagrante, porém, mesmo com o homicídio e as testemunhas, ficaram presos pouco tempo.


Silvestre Péricles foi enviado para o quartel da Aeronáutica em Brasília, onde ficou pouco mais de um mês. Em janeiro de 1964, ele foi para o Hospital do Exército no Rio de Janeiro, onde passou por algumas cirurgias. Em 16/04/1964 foi inocentando e solto. De licença médica voltou ao Senado em 07/06/1964.

A prisão de Arnon de Mello foi mais longa, quase 7 meses. Logo após o crime ele foi levado ao quartel do Exército e depois transferido para a Base Aérea de Brasília, onde ficou até ser inocentado pelo assassinato de José Kairala, em 30/07/1964. O Senado abriu processo para cassação dos senadores, mas ela foi rejeitada. Arnon de Mello retornou ao Senado no dia seguinte à sua absolvição.

Arnon de Mello foi casado com Leda Collor de Mello e tiveram cinco filhos: Fernando Collor de Mello, Pedro Collor de Mello, Leopoldo Collor, Leda Maria Collor de Mello e Ana Luiza Collor de Mello.

Arnon Afonso de Farias Mello faleceu em Maceió, AL, no dia 29/09/1983, aos 72 anos. Ao falecer estava filiado ao Partido Democrático Social (PDS), no qual ingressou em 1980. Após sua morte a cadeira foi ocupada por Carlos Lyra.

Obras
  • 1931 - Os Sem Trabalho da Política
  • 1933 - São Paulo Venceu
  • 1940 - África - Viagem às Colônias Portuguesas e à África Inglesa
  • 1958 - Uma Experiência de Governo

Milton Luiz Pereira

MILTON LUIZ PEREIRA
(79 anos)
Jurista, Radialista, Professor e Político

☼ Itatinga, SP (09/12/1932)
┼ Curitiba, PR (16/02/2012)

Milton Luiz Pereira foi um jurista e político brasileiro, nascido em Itatinga, SP, no dia 09/12/1932.

Milton Luiz Pereira mudou-se ainda adolescente para Curitiba, PR. Na capital, iniciou amizade com José Richa, então estudante de Odontologia.

Filho de José Benedito Pereira e Júlia Pinto Pereira, formou em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1958. Foi Procurador Judicial Municipal e advogado credenciado pela Caixa Econômica Federal da Comarca de Campo Mourão, PR.

Como advogado, Milton Luiz Pereira foi atuar em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná, em 1959, e rapidamente foi reconhecido por seu trabalho.

Em 1963 aceitou disputar a eleição para prefeito da cidade pelo Partido Democrata Cristão (PDC), de Ney Braga. O historiador Santos Júnior, que é de Campo Mourão, conta que a eleição parecia perdida. Milton Luiz Pereira tinha poucos recursos e concorria com o empresário Ivo Trombini, que além de dinheiro tinha o apoio do ex-presidente Juscelino Kubits­­chek. Então senador, Juscelino Kubits­­chek fez um grande comício no município. O troco de Milton Luiz Pereira foi visitar cada eleitor em casa. Elegeu-se.


Então, entre 1964 e 1967, foi prefeito de Campo Mourão, PR, e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nessas funções, realizou obras e julgamentos importantes. Mas o maior legado que deixou ao Paraná e ao Brasil, segundo relatos de várias pessoas que o conheceram, em artigos e cartas publicadas pela Gazeta do Povo, foi sua conduta. Um homem público íntegro, humilde e sempre pronto para aprender.

Como prefeito, promoveu uma grande inovação para a época: criou o Conselho Comunitário, que contava com a participação de uma pessoa de cada bairro da cidade. O trabalho foi produtivo: as receitas financeiras do município cresceram e a gestão de Milton Luiz Pereira entregou várias obras, como bibliotecas, rede de água e esgoto, estradas, a rodoviária. Graças ao Conselho e às obras, Cam­­po Mou­­rão foi escolhido à época como "Município Modelo do Paraná".

Entre o final da década de 1960 até a sua aposentadoria, exerceu diversos cargos na esfera jurídica Estadual e Federal, como:
  • Juiz Federal Substituto da 2ª Vara da Seção Judiciária do Paraná;
  • Juiz Federal da 5ª Vara da Seção Judiciária do Rio Grande do Sul;
  • Juiz Substituto do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, em vários biênios;
  • Ministro do Tribunal Federal de Recursos;
  • Juiz Presidente do Conselho de Administração do Tribunal Regional Federal;
  • Ministro do Superior Tribunal de Justiça, decreto de 1992;

Também foi professor catedrático em universidades de Curitiba e Umuarama.

Em 14/02/2014, no segundo aniversário de falecimento de Milton Luiz Pereira e sua esposa Mary, foi fundado o Instituto Milton Luiz Pereira, com a intenção de promover ações e assistência sociais, bem como estudos e iniciativas para o exercício das virtudes e ideais daquele que lhe deu o nome.

Milton Luiz Pereira e o Fusca
Presente do Povo

Em 1967, Milton Luiz Pereira renunciou ao cargo de prefeito para ser nomeado juiz federal, atingindo o objetivo de chegar à magistratura. O convite surgiu de contatos com políticos. Eles já haviam oferecido outros cargos, como secretário estadual, e sugerido a candidatura à Assembleia ou à Câ­­ma­­ra Federal. Mas Milton Luiz Pereira não se interessou.

Foi nessa época que a população de Campo Mourão fez a célebre arrecadação de dinheiro e comprou um Fusca de presente para o prefeito, que não tinha automóvel. Santos Júnior conta que se esqueceram de colocar gasolina. Mas isso não foi problema. A população empurrou o Fusca, com Milton Luiz Pereira, a mulher e os filhos, até a casa deles. "Além do carro, o ex-prefeito ganhou um jogo de canetas, um relógio de ouro e até um frango, presente de um lavrador, que andou 20 quilômetros, a pé!", relata o historiador.

O Fusca azul se tornou um amuleto usado por Milton Luiz Pereira até o fim da vida. Foi seu único carro.


"Toda vez que entro nele, sinto-me em Campo Mourão. Naquele momento, senti que o povo sabe ser justo!", dizia o juiz.

Milton Luiz Pereira permaneceu como juiz federal e, em 1988, assumiu a presidência do Tribunal Federal de Recursos (TFR), fato noticiado com destaque na Gazeta do Povo de 20 de novembro. O órgão já estava em vias de ser extinto, por força da nova Constituição. O Judiciário foi remodelado e surgiram os Tribunais Regionais Federais. Pela sua experiência, Milton Luiz Pereira assumiu o TRF da 3ª Região, em São Paulo.

Em 1992 foi nomeado Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde ficou por 10 anos.

Aposentado, teve mais tempo para se dedicar às novenas na Igreja São Judas Tadeu, do qual era devoto, e à família. Com Rizoleta Mary teve 5 filhos e com ela viveu até o fim.

Morte

Milton Luiz Pereira, o Drº Milton, como era conhecido entre os servidores da Justiça Federal, faleceu na madrugada do dia 16/02/2012, em Curitiba, PR, aos 79 anos, poucas horas após o falecimento de sua esposa, Rizoleta Mary Pereira. Ela morreu por volta das 19h00 de quarta-feira, 15/02/2012, e o ministro às 2h20 de quinta-feira, 16/02/2012.

Os dois estavam internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, PR, há uma semana, de acordo com familiares. Milton Luiz Pereira e Rizoleta Mary Pereira tinham câncer no pulmão e morreram em decorrência de complicações da doença.

Em nota oficial, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ministro Ari Pargendler lamentou as mortes, pois "formavam um casal harmonioso nutrido pelo amor que sentiam pelos filhos".

O velório do casal começou por volta das 12h30 de quinta-feira, 16/02/2012, no Cemitério Parque Iguaçu, de acordo com informações do Serviço Funerário Municipal e da funerária responsável. Os corpos foram sepultados na sexta-feira, 17/02/2012, às 10h00, no mesmo cemitério.

Carlos Chagas

CARLOS CHAGAS
(79 anos)
Advogado, Professor e Jornalista

☼ Três Pontas, MG (20/05/1937)
┼ Brasília, DF (26/04/2017)

Carlos Chagas foi um advogado, professor e jornalista brasileiro, nascido em Três Pontas, MG, no dia 20/05/1937. Era o pai de Helena Chagas, ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Dilma Rousseff.

Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Carlos Chagas foi professor da Universidade de Brasília (UnB) durante 25 anos.

Iniciou no jornalismo como repórter de O Globo, em 1958. Depois passou pelo O Estado de S. Paulo, onde permaneceu durante 18 anos.

Apresentou o programa "Jogo do Poder", exibido pela CNT e que antes ia ao ar pelas Rede Manchete e RedeTV!. Apresentou também o programa "Falando Francamente".

Além de apresentador, era colunista de 12 jornais onde comentava e criticava a forma com que a imprensa brasileira atuava. Foi comentarista de política do Jornal do SBT em Brasília e na Jovem Pan.

Antônio Paes de Andrade e Carlos Chagas
Atualmente era comentarista do CNT Jornal em Brasília.

Em 29/12/2016, Carlos Chagas participou pela última vez do "Jogo do Poder", já que ele anunciou tanto sua saída da emissora como a aposentadoria da televisão. Na sua despedida estavam entre os convidados sua filha Helena Chagas.

Como escritor Carlos Chagas publicou, entre outros livros, "O Brasil Sem Retoque: 1808-1964", "Carlos Castelo Branco: O Jornalista do Brasil" e "Resistir é Preciso".

Carlos Chagas pertencia à Academia Brasiliense de Letras.

No período da Ditadura Militar, Carlos Chagas foi assessor de imprensa da Pre­si­dência da República no governo do general Costa e Silva, e dessa experiência nasceu o livro "A Ditadura Militar e os Golpes Dentro do Golpe: 1964-1969". Baseado nas suas próprias memórias e nos relatos de outros jornalistas, Carlos Chagas conta os bastidores do golpe de 1964, que tirou o presidente João Gou­lart e pôs o general Castelo Branco no poder.

Caso Sociedade dos Amigos de Plutão

Em 02/09/2006, Carlos Chagas publicou no site da revista "Brasília em Dia" uma notícia sobre a criação de uma Organização Não Governamental (ONG) chamada Sociedade dos Amigos de Plutão. Na notícia, Carlos Chagas divulgou detalhes sobre a suposta ONG apontando número de diretores, valores destinados à organização e uma ligação íntima entre o presidente da ONG, supostamente um ex-líder sindical, filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ao Partido dos Trabalhadores (PT), e o então presidente Lula.

A notícia em questão gerou grande repercussão dentro e fora da internet, atingindo seu ápice quando o então senador piauiense Heráclito Fortes do então Partido da Frente Liberal (PFL), atual Democratas (DEM), propôs uma CPI para apurar a suposta criação da ONG.

Carlos Chagas publicou uma retratação no dia 02/10/2006 em sua coluna na Tribuna da Imprensa. Nela, afirmou que tudo aquilo não passava de uma metáfora que, entretanto, não estava devidamente caracterizada.

Carlos Chagas, filha e esposa
Morte

Carlos Chagas faleceu na quarta-feira, 26/04/2017, em Brasília, DF, aos 79 anos. Sua filha Helena Chagas avisou em sua página no Facebook sobre o falecimento do pai.


Borges de Medeiros

ANTÔNIO AUGUSTO BORGES DE MEDEIROS
(97 anos)
Advogado e Político

☼ Caçapava do Sul, RS (19/11/1863)
┼ Porto Alegre, RS (25/04/1961)

Antônio Augusto Borges de Medeiros foi um advogado e político brasileiro, nascido em Caçapava do Sul, RS, no dia 19/11/1863, tendo sido presidente do Estado do Rio Grande do Sul por 25 anos, durante a República Velha.

Advogado, iniciou seus estudos universitários na Faculdade de Direito de São Paulo em 1881, tomando contato com as idéias positivistas de Augusto Comte e tomando parte ativa no Clube Republicano Acadêmico.

Em 1885, bacharelou-se na Faculdade de Direito de Recife, para onde havia se transferido no ano anterior.

Em seguida, voltou ao seu Estado natal para exercer a advocacia em Cachoeira do Sul. Ali, continuou sua militância política e logo tornou-se o chefe local do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), agremiação liderada por Júlio de Castilhos.

Com a Proclamação da República, em 1889, foi imediatamente nomeado delegado de polícia da cidade e, no ano seguinte, integrou a bancada gaúcha na Assembléia Nacional Constituinte de 1890/1891.

Com a eclosão, no Rio Grande do Sul, da Revolução Federalista em 1893, que pretendia afastar Floriano Peixoto da presidência da República, Borges de Medeiros combateu ao lado das forças legalistas, o que lhe valeu a patente de tenente-coronel do Exército, concedida por Floriano Peixoto.


Em 1898, foi indicado por Júlio de Castilhos para sucedê-lo na chefia do Governo Estadual, cargo para o qual seria reeleito em 1902 ainda por indicação de Júlio de Castilhos. Somente após a morte desse último, em 1903, Borges de Medeiros assumiu de forma definitiva a liderança do partido, que conservaria de forma absoluta por mais de duas décadas.

Seu comando sobre o Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) foi efetivo mesmo durante o tempo em que se afastou do comando do executivo estadual para dedicar-se à agricultura, entre 1908 e 1913. Ao voltar ao governo gaúcho nesse ano, promoveu a estatização de serviços públicos, como o transporte ferroviário e obras portuárias, até então a cargo de companhias internacionais. Ao mesmo tempo, atraía para o estado grandes frigoríficos estrangeiros como Armour e Swift.

Em 1917 reelegeu-se ao governo do Estado.

Em 1922, apoiou a candidatura oposicionista de Nilo Peçanha à presidência da República, lançada pela Reação Republicana, contra Arthur Bernardes, apoiado por mineiros e paulistas. Arthur Bernardes venceu o pleito, mas no Rio Grande do Sul a vitória coube à Reação Republicana por larga diferença. Ainda em 1922, Borges de Medeiros voltou a apresentar seu nome para uma nova reeleição ao governo gaúcho. Dessa vez, porém, a oposição, liderada por Joaquim Francisco de Assis Brasil, apresentou-se mais forte, já que contava com o apoio do Governo Federal comandado por Arthur Bernardes e beneficiava-se com a insatisfação de muitos fazendeiros atingidos pela crise da pecuária, principal atividade econômica do Estado.

Realizado o pleito, Borges de Medeiros obteve a vitória mais uma vez, que, contudo, foi contestada pelos partidários de Joaquim Francisco de Assis Brasil que acabaram recorrendo ao confronto armado, deflagrado em janeiro de 1923. O conflito se estendeu por todo o ano e somente no mês de dezembro as facções em luta chegaram a um acordo, oficializado no Pacto de Pedras Altas. Por esse acordo, a oposição aceitava o novo mandato de Borges de Medeiros que ficava, porém, impossibilitado de buscar uma nova reeleição.

Flôres da Cunha, João Neves da Fontoura, Borges de Medeiros e Raul Pilla
Em 1924, Borges de Medeiros enviou efetivos da Brigada Militar gaúcha para combater o levante tenentista deflagrado, naquele ano, na capital paulista contra Arthur Bernardes. Logo, porém, foi obrigado a enfrentar rebeliões semelhantes em seu próprio estado quando guarnições do Exército localizadas em cidades do interior se sublevaram sob o comando do capitão Luís Carlos Prestes.

Cumprindo o Pacto de Pedras AltasBorges de Medeiros afastou-se do governo gaúcho em 1928. Comandou, entretanto, o processo de sua sucessão, indicando o nome de Getúlio Vargas para substituí-lo.

No decorrer de 1929, as articulações em torno das eleições presidenciais do ano seguinte levaram à ruptura entre mineiros e paulistas que, de acordo com a chamada "política do café com leite", vinham detendo a hegemonia sobre a política nacional nas décadas anteriores. Contrariados pela indicação do paulista Júlio Prestes como candidato situacionista à sucessão do também paulista Washington Luís, os mineiros decidiram articular uma chapa de oposição encabeçada por um gaúcho: Borges de Medeiros ou Getúlio Vargas. O próprio Borges de Medeiros, entretanto, optou pelo nome de Getúlio Vargas.

Formou-se, então, a Aliança Liberal. A campanha eleitoral foi a mais concorrida da República Velha, com grandes comícios sendo realizados em várias capitais brasileiras. Realizado o pleito em março de 1930, Júlio Prestes foi declarado vencedor. Borges de Medeiros pronunciou-se a favor do reconhecimento do resultado, declarando-se contrário qualquer tentativa de questioná-lo pelas armas. Dentro da Aliança Liberal, contudo, ganhavam força os elementos favoráveis a uma solução armada, destacadamente os seus membros mais jovens e os militares oriundos do movimento tenentista da década anterior, que desde a campanha eleitoral haviam, na sua quase totalidade, dado apoio a Getúlio VargasBorges de Medeiros só decidiu apoiar os revolucionários dias antes do movimento contra Washington Luís ser deflagrado.


Com a instalação do Governo Provisório liderado por Getúlio Vargas e a anulação da Constituição de 1891, Borges de Medeiros logo começou a trabalhar para que o país voltasse ao regime constitucional. Nesse sentido, apoiou a Revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo, articulando, junto com outros líderes gaúchos, um levante no Rio Grande do Sul contra o interventor federal no Estado, Flores da Cunha, que, fiel a Getúlio Vargas, enviara tropas para combater os paulistas. Por conta disso, Borges de Medeiros foi preso, passando a liderança do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) a Maurício Cardoso.

Anistiado em maio de 1934, em julho do mesmo ano concorreu à presidência da República na eleição indireta realizada pela Assembléia Nacional Constituinte, reunida desde o ano anterior. Nessa ocasião, foi o segundo mais votado com 59 votos contra os 175 dado ao vencedor, Getúlio Vargas. Em seguida, elegeu-se deputado federal pelo Rio Grande do Sul. Na Câmara fez parte das Oposições Coligadas, ou Minoria Parlamentar, bloco de oposição a Getúlio Vargas no Congresso.

Foi cassado em 1937 pelo golpe do Estado Novo, decretado por Getúlio Vargas, mas mesmo assim divulgou manifesto de apoio à nova ordem. Afastou-se, então, da vida política.

Em 1945, foi aclamado como presidente de honra da seção gaúcha da União Democrática Nacional (UDN), mas não retomou a atividade política.

Borges de Medeiros faleceu em Porto Alegre, no dia 25/04/1961, aos 97 anos.

Victor Siaulys

VICTOR SIAULYS
(72 anos)
Empresário, Advogado, Conferencista e Escritor

☼ São Paulo, SP (30/05/1936)
┼ São Paulo, SP (19/03/2009)

Victor Siaulys foi um empresário brasileiro nascido em São Paulo, SP, no dia 30/05/1936.

Filho de imigrantes lituanos, Victor Siaulys cresceu na capital paulista e começou a trabalhar ainda jovem ajudando seu pai no dia-a-dia da feira.

Estudando à noite, passou a trabalhar em um banco, depois em uma emissora de rádio até ser contratado como propagandista na Winthrop. Em seguida, foi para a Squibb, onde conheceu seus futuros sócios, Adalmiro Dellape Baptista e Antonio Gilberto Depieri. Nessa época, iniciou o curso de Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo mas destacou-se trabalhando como propagandista em empresas farmacêuticas. Mudou-se para o laboratório Sintofarma, onde começou sua experiência com desenvolvimento de produtos.

Em 1965, criou com Adalmiro Dellape BaptistaAntonio Gilberto Depieri e Raphael Dellape Baptista, a Prodoctor, para comercializar os produtos da Sintofarma.

Em 1966, compraram juntos um pequeno laboratório chamado Aché. Na divisão de funções, assumiu o desenvolvimento e marketing dos produtos.

Em 1978, nasceu sua terceira filha, Lara, com deficiência visual.

No Aché, Victor Siaulys, passou comandar a área de Recursos Humanos e investir nas ações de Responsabilidade Social. Como presidente do Conselho de Administração do Aché, vislumbrava novos negócios para a empresa, com destaque para os medicamentos fitoterápicos.

Sob sua liderança, a Aché Laboratórios, de capital 100% nacional, tornou-se um dos maiores laboratórios do país.

Em homenagem à filha que nasceu cega, criou junto com a esposa Mara em 1991 a entidade filantrópica Laramara - Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, de apoio a inclusão educacional e social da pessoa com deficiência visual.

Victor Siaulys foi conselheiro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e escreveu o livro "Mercenário ou Missionário", pela editora da Laramara.

Morte

Em 2006, Victor Siaulys descobriu uma leucemia, seu quarto câncer. Os anteriores foram de tireoide, pele e próstata. Em 2008, passou por um transplante de medula.

Victor Siaulys faleceu às 19h30 de quinta-feira, 19/03/2009, no Hospital Albert Einsten, em São Paulo, SP, onde estava internado há 30 dias, lutando contra seu quarto câncer, aos 73 anos,  vítima de complicações causadas por um transplante de medula.

A luta de Victor Siaulys contra o câncer era pública. Em uma de suas internações ele escreveu uma mensagem, que foi enviada aos amigos mais próximos e acabou se tornando um viral, ficando conhecida via internet.

O corpo foi velado no Hospital Albert Einstein. O cortejo rumo ao Cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, saiu às 15h00, onde ocorreu uma cerimônia de corpo presente celebrada pelo amigo e mentor Frei Beto e logo em seguida o corpo foi cremado.

Paulo Machado de Carvalho

PAULO MACHADO DE CARVALHO
(90 anos)
Advogado e Empresário

☼ São Paulo, SP (09/11/1901)
┼ São Paulo, SP (07/03/1992)

Paulo Machado de Carvalho foi um advogado e empresário brasileiro nascido em São Paulo, SP, no dia 09/11/1901.

Conhecido nacionalmente com o título de Marechal da Vitória por ter sido o chefe da delegação brasileira em duas Copas do Mundo, é considerado o maior responsável "fora de campo" pelas conquistas das Copas do Mundo de 1958 e de 1962. Por conta disso, o Estádio do Pacaembu, em São Paulo é batizado oficialmente de Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho em sua homenagem.

Além disso, foi responsável pela criação de vários veículos de comunicação atuais, tanto no rádio quanto na televisão, sendo o fundador e patrono da Rede Record de Televisão e também da Rádio Sociedade Record, atual Rádio Record, conhecida também como a "Voz de São Paulo" na Revolução Constitucionalista de 1932 e uma das ferramentas fundamentais para o sucesso dos ideais revolucionários.

Paulo Machado de Carvalho estudou direito, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, e depois foi para a Suíça aprimorar seus estudos. Voltou ao Brasil cheio de sonhos, mas sua paixão logo se dirigiu ao rádio, que estava recém-inaugurado no Brasil.

Paulo Machado de Carvalho, Carmen Miranda e Almirante no aeroporto de Congonhas em 03/12/1954
A Carreira no Rádio e na Televisão

Em 1931, Paulo Machado de Carvalho adquiriu a Rádio Record e criou a Associação das Emissoras de São Paulo. O estúdio da Record ficava na Praça da República e, apesar de pequeno, reunia orquestras inteiras para a apresentação de programas musicais.

Nos primeiros anos de trabalho, Paulo Machado de Carvalho fez de tudo no rádio: selecionou músicas, arquivou discos, dirigiu programas. Durante a época em que estava na Record, participou da produção do primeiro jornal falado da rádio, comandado por Assis Chateaubriand.

Em 1944 adquiriu a Rádio Panamericana, que passou a integrar o Grupo das Emissoras Unidas e em 1965 mudaria seu nome para Jovem Pan.

Em 27/09/1953, Paulo Machado de Carvalho inaugurou a TV Record, realizando um outro sonho que alimentava desde a chegada da televisão ao Brasil três anos antes, em 1950. A emissora entrou no ar com o que tinha de mais moderno à época, com todos os equipamentos importados dos Estados Unidos e entregues no Porto de Santos. Antes da TV Record havia mais duas emissoras de televisão em São Paulo, a TV Tupi e a TV Paulista.

A TV Record teve fases de rede nacional de televisão que não deram certo: Em 1959, foi formada a Rede de Emissoras Unidas de Rádio e Televisão, em 1968, a Rede de Emissoras Independentes (REI).

Como empresário, destacou-se na área de mídia formando um grupo de empresas do setor que incluía TV Record, Rádio Record, Rádio Excelsior, Rádio São Paulo, Rádio Panamericana (Jovem Pan) AM e Rádio Panamericana (Jovem Pan) FM. Algumas dessas emissoras foram vendidas posteriormente, como a Rádio Excelsior, que atualmente pertence às Organizações Globo, utilizando a denominação Central Brasileira de Notícias (CBN).

Quando a Rede Record passou a ter problemas financeiros por causa dos seguidos incêndios e da concorrência com a TV Globo, Paulo Machado de Carvalho decidiu vender metade da emissora para um grupo gaúcho. A Record foi comprada por Sílvio Santos, cerca de metade dela em 1972. O apresentador preferiu vender a emissora à Igreja Universal do Reino de Deus em 1989.

"A primeira mudança da igreja foi remover a imagem de Nossa Senhora colocada em frente à sede da TV por Paulo Machado de Carvalho!"
(Luiz Carlos Ramos)

Com a compra, a emissora foi reerguida e tornou-se, em 1990, uma rede nacional de televisão, chamada Rede Record. Edir Macedo é o dono da rede até hoje.

No dia em que a TV Record, em irrecuperável situação financeira, passou oficialmente ao controle da Igreja Universal do Reino de Deus, em março de 1990, ninguém da família teve coragem de comunicar o fato ao Drº Paulo, solitário e entediado dentro de sua sala. Coube ao diretor comercial da Rádio Record, Chico Paes de Barros, avisar ao chefe e amigo que aquela seria sua última tarde no escritório da Avenida Miruna.

- Drº Paulo, a Record acabou de ser vendida aos evangélicos.

- Lamento, meu filho. Ergui isso aqui do nada, em 1931. Mas não havia mais o que fazer. Vamos para casa.

Atualmente, apenas as rádios Jovem Pan AM e FM pertencem à família Machado de Carvalho e são dirigidas por seu neto Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, conhecido como Tutinha.

Pelé e Paulo Machado de Carvalho
A Carreira Esportiva

Na área esportiva, Paulo Machado de Carvalho foi vice-presidente do São Paulo Futebol Clube em 1934, presidente entre 1946 e 1947, e vice-presidente, entre 1955 e 1956. A partir do ano seguinte, assumiu o departamento de futebol, cargo que já tinha ocupado entre 1942 e 1947, e chegou a pagar torcedores para vaiar o time quando jogava mal no primeiro tempo e, no intervalo, mostrava a reação da torcida aos jogadores em busca de "reações heroicas".

Ao lado de João Havelange, então presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), foi dirigente do futebol brasileiro, tendo sido chefe das delegações campeãs mundiais de 1958 (Suécia) e 1962 (Chile), o que lhe valeu o apelido de Marechal da Vitória.

Na ocasião da primeira conquista, foi convidado por João Havelange e preparou o plano para a Copa desde meados de 1957.

"Olha, doutor Paulo, preciso de uma seleção que faça o povo esquecer a de 1950, uma seleção vitoriosa, um time campeão. E porque eu preciso de tudo isso é que o quero como seu chefe. Arme tudo como quiser. Com carta branca!"
(Pediu João Havelange)


O plano foi elaborado com a colaboração de jornalistas com experiência no futebol e foi transformado em um livro chamado "O Plano Paulo Machado de Carvalho". Nos últimos preparativos, já na Suécia, era vítima constante das brincadeiras de Mané Garrincha, que aparecia com o dedo imitando um revólver e dizia "Doutor Paulo, 'teje' preso!", para, algum tempo depois, voltar e dizer "Teje solto!".

Quando o Brasil teve de jogar a final com seu segundo uniforme, azul, Paulo Machado de Carvalho, para tranquilizar os jogadores, teria dito que o uniforme lhes daria sorte, pois era da cor do manto de Nossa Senhora Aparecida. Pelé, no entanto, disse em entrevista ao O Estado de S. Paulo em 2008 não se lembrar deste fato.

Paulo Machado de Carvalho já tinha fama de supersticioso naquela Copa, por causa do terno, voltando ao Brasil para desfilar em carro aberto com os jogadores, não se cansou de mostrar a taça ao povo. Na viagem ao Chile, para aquela que seria a segunda conquista do Brasil, Paulo Machado de Carvalho mostrou toda sua superstição ao usar o mesmo terno marrom que usava todos os dias "para dar sorte" na Copa anterior, que tinha virado motivo de piada entre os jogadores.

Em razão das boas campanhas futebolísticas e da brilhante carreira empresarial, recebeu homenagem da prefeitura de São Paulo: o Estádio do Pacaembu leva o seu nome desde 1961, como homenagem prestada pelo então prefeito Prestes Maia.

Em 1970 foi eleito para seu último cargo esportivo, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol.

A Família

Paulo Machado de Carvalho era filho de Antonio Marcelino de Carvalho (12/06/1872 - 14/02/1920), negociante bem-sucedido que chegou à presidência da Associação Comercial de São Paulo, e Brasília Leopoldina Machado de Oliveira, filha do governador do Paraná, Brasílio Augusto Machado de Oliveira, e neta do Brigadeiro José Joaquim Machado de Oliveira.

Era irmão de Marcelino de Carvalho, mestre de etiqueta nos anos de 1950, tendo seus livros permanecido clássicos nas décadas seguintes.

Casou-se em 12/05/1923 com Maria Luiza Chaves do Amaral (1904 - 1985), filha de Erasmo do Amaral e Eponina Pacheco Chaves. Eponina era irmã de Eduardo Pacheco Chaves, filha de Anesia da Silva Prado e neta de Martinho da Silva Prado.

Paulo Machado de Carvalho e Maria Luiza Chaves do Amaral foram pais de Paulo Machado de Carvalho Filho, Erasmo Alfredo Amaral de Carvalho e Antônio Augusto Amaral de Carvalho.

Paulo Machado de Carvalho faleceu aos 90 anos, em São Paulo, SP, no dia 07/03/1992.

Na Cultura Popular

Em 1988, Paulo Machado de Carvalho foi o o tema do enredo da escola de samba Rosas de Ouro para o Carnaval: "Carvalho, Madeira de Lei - Paulo Machado de Carvalho". A escola da Brasilândia terminou o concurso na sexta colocação, entre doze escolas.

Fonte: Wikipédia

Esther de Figueiredo Ferraz

ESTHER DE FIGUEIREDO FERRAZ
(93 anos)
Advogada, Professora, Secretária de Estado e Ministra de Estado

☼ São Paulo, SP (06/02/1915)
┼ São Paulo, SP (23/09/2008)

Esther de Figueiredo Ferraz foi uma advogada e professora brasileira, secretária de Estado em São Paulo, e a primeira mulher ministra de Estado no Brasil. Era filha de Odon Carlos de Figueiredo Ferraz e de Julieta Martins de Figueiredo Ferraz, tendo sido irmã do ex-prefeito de São Paulo José Carlos de Figueiredo Ferraz.

Fez seus primeiros estudos em Mococa, SP. Foi diplomada normalista, com distinção, pelo Instituto de Educação Caetano de Campos, em São Paulo. Licenciou-se em Filosofia, pela Faculdade de São Bento, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Concluiu o curso de Direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde recebeu os prêmios "Carvalho de Mendonça" (Direito Comercial), "João Arruda" (Filosofia do Direito), "Duarte de Azevedo" (Direito Civil) e "Livreiro Saraiva".

Durante muitos anos foi a encarregada do Gabinete Psicotécnico do Instituto Profissional Feminino de São Paulo.

Como mestre, lecionou português, francês, latim, matemática, psicologia, sociologia, lógica e história da filosofia.

Esther de Figueiredo Ferraz foi Livre Docente de Direito Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, professora de Direito Judiciário penal da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo.

Presidente João Figueiredo recebe em audiência a ministra da Educação e Cultura, Esther de Figueiredo Ferraz.
Atuou como advogada no foro de São Paulo, onde brilhou profissionalmente. Militou não apenas no foro cível e criminal, como um dos seus mais destacados membros, mas também no assessoramento das autoridades governamentais que muito se valeram dos seus vastos conhecimentos jurídicos, seja na elaboração de códigos e leis da maior importância, como representante seu em congressos e conferências, ou ainda integrando comissões encarregadas de estudos jurídicos mais importantes.

Como membro do Instituto dos Advogados do Brasil, foi indicada para elaborar um projeto de reforma do Código Civil Brasileiro, no que dizia respeito à situação civil da mulher casada. Integrou a Comissão Oficial da Reorganização Penitenciária do Estado de São Paulo.

Em 1956 fez sua defesa mais famosa, do governador Ademar Pereira de Barros no "Caso dos Chevrolet da Força Pública".

Esther de Figueiredo Ferraz foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 1949, tendo sempre feito parte da sua Comissão de Ética. Foi também a primeira ministra de Estado brasileira.

Foi membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, de 1963 a 1964, no governo de Ademar Pereira de Barros, e do Conselho Federal de Educação, entre 1969 e 1982.

Presidente João Figueiredo recebe em audiência a ministra da Educação e Cultura, Esther de Figueiredo Ferraz.

Em 1966 a 1967 foi diretora do Ensino Superior do Ministério da Educação e Cultura, durante o governo do presidente da República, marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.

Durante o governo de Laudo Natel, em São Paulo, de 1971 a 1975, foi Secretária da Educação.

Foi a primeira reitora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Membro da Academia Paulista de Letras. Primeira mulher a dar aulas na Universidade de São Paulo (USP).

Foi a primeira mulher a possuir um cargo de ministra no Brasil, ocupando a pasta da Educação no governo do general João Baptista de Oliveira Figueiredo, de 24/08/1982 a 15/03/1985.

No Ministério da Educação e Cultura, ela regulamentou a emenda que estabeleceu percentuais mínimos obrigatórios para a aplicação na educação dos recursos arrecadados em impostos. Promoveu uma reforma universitária que aperfeiçoou os planos de carreira para professores e defendeu a criação das Escolas Técnicas Federais.

Ao comemorar seus 90 anos, recebeu do Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro o título de Doutor Honoris Causa, do reitor Paulo Alonso, em solenidade marcada pela emoção, em seu apartamento de São Paulo, cercada por amigos e familiares. Lúcida e bem disposta, Esther, de improviso, fez um discurso que emocionou a todos.


Paulo Alonso falou da amizade que o unia à educadora, destacando sua "generosidade, simplicidade, o saber servir, profissionalismo, pioneirismo e, sobretudo, sua meiguice e docilidade". Falou, ao encerrar, que o fato de ter tido a oportunidade de conviver com Esther fez com que aprendesse muito ao longo de sua carreira:

"Foi a professora Esther quem me ensinou muito do que sei e foi ela, do alto da sua sabedoria, que me fez refletir sobre a educação com mais profundidade. A professora Esther será sempre uma pessoa extremamente querida e ficará para sempre guardada na minha memória e no meu coração. Como ministra da Educação, foi essencial para colocar a educação na agenda do Brasil."

Esther de Figueiredo Ferraz escreveu diversos livros, entre eles "Prostituição e Criminalidade Feminina" e "Mulheres Frequentemente".

Recebeu inúmeras honrarias, destacando-se a da Ordem do Mérito Nacional da Educação.

Esther de Figueiredo Ferraz faleceu no início da noite de terça-feira, 23/09/2008, aos 93 anos, no Hospital do Coração, em São Paulo, vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC).

O velório aconteceu na quarta-feira, 24/09/2008, a partir das 8h30, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, e o enterro ocorreu às 16h00, no Cemitério do Araçá.

Esther de Figueiredo Ferraz não era casada.

Fonte: Wikipédia

Prudente de Moraes

PRUDENTE JOSÉ DE MORAES BARROS
(61 anos)
Advogado, Político e Presidente do Brasil

* Itu, SP (04/10/1841)
+ Piracicaba, SP (03/12/1902)

Prudente José de Moraes Barros, foi um advogado e político brasileiro. Foi presidente do estado de São Paulo (cargo equivalente ao de governador), senador, presidente da Assembleia Nacional Constituinte de 1891, terceiro presidente do Brasil, tendo sido o primeiro político civil a assumir este cargo e o primeiro a fazê-lo por força de eleição direta.

Prudente de Moraes representava a ascensão da oligarquia cafeicultora e dos políticos civis ao poder nacional, após um período de domínio do poder executivo por parte dos militares, no qual essa oligarquia mantinha-se dominando apenas o poder Legislativo.

Formação e Início de Carreira

Prudente de Moraes nasceu nos arredores da cidade paulista de Itu em 04/10/1841, sendo descendente dos primeiros colonizadores de São Paulo. Seus pais eram José Marcelino de Barros e Catarina Maria de Moraes, fazendeiros. Em 1844, com menos de três anos de idade, Prudente de Moraes perdeu o pai, assassinado por um escravo quando estava viajando como tropeiro nas proximidades da cidade de São Paulo. Sua mãe casou-se com o viúvo Caetano José Gomes Carneiro.

Prudente de Moraes graduou-se em direito na Universidade de São Paulo em 1863, e, no mesmo ano, transferiu-se para Piracicaba, SP, onde exerceu advocacia durante dois anos. Em 28/05/1866, Prudente de Moraes casou-se com Adelaide Benvinda na residência dos pais dela em Santos, SP. Após o casamento, fixaram-se em Piracicaba, e atualmente, a residência onde viveram tornou-se o Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes.

Prudente de Moraes teve nove filhos com Adelaide, sendo que dois faleceram na menoridade, Teresa e Maria Jovita, falecidas, respectivamente, aos onze e um ano de idade. Além desses nove filhos, Prudente de Moraes teve um filho fora do casamento na época em que era estudante de direito, este chamava-se José.

No Império, pertenceu ao Partido Liberal (PL), monarquista. Elegeu-se vereador, sendo o mais votado, com 420 votos em 1864, presidindo a Câmara Municipal de Piracicaba. Em 1877, no exercício de vereador, Prudente de Moraes conseguiu mudar o nome da cidade, que na época chamava-se Vila Nova da Constituição, e passou a denominar-se Piracicaba.

Em 1873, transferiu-se para o Partido Republicano Paulista (PRP), declarando-se republicano, tendência que representou na Assembleia Provincial.

Foi deputado provincial em São Paulo e deputado à Assembleia Geral do Império, defendendo, além da forma republicana de governo, o abolicionismo e o federalismo. Como deputado provincial trabalhou na complexa questão das divisas de São Paulo com Minas Gerais, tema no qual era especialista.

Prudente de Moraes (no centro) preside a Constituinte republicana
Óleo de Aurélio de Figueiredo (Museu da República, Rio de Janeiro)
No Início da República

Proclamada a república, foi nomeado por Deodoro da Fonseca chefe da junta governativa que governou São Paulo de 16/11 a 14/12/1889, nomeado em seguida governador, permanecendo no cargo até 18/10/1890, quando renunciou para assumir uma cadeira no senado.

No governo de São Paulo, reorganizou e modernizou a administração, especialmente o Tesouro e o Arquivo do Tesouro, ampliou Força Pública, sendo que a transição para a república em São Paulo, com a nomeação de novos administradores, secretários e intendentes municipais ocorreu em tranquilidade. Reorganizou a Escola Normal, que deu origem à Escola Normal Caetano de Campos.

Chegou a ser vice-presidente do Senado, e presidiu a Assembleia Constituinte de 1890-1891. Elaborada a Constituição, disputou com Deodoro da Fonseca a presidência da república, sendo derrotado.

Após a derrota para Deodoro da Fonseca, eleito indiretamente com 129 votos contra 97, Prudente de Moraes presidiu o Senado até o fim do seu mandato.

Na Presidência da República

Na disputa pela sucessão de Floriano Peixoto, que chegara à presidência devido ao golpe de 23/11/1891, candidatou-se pelo Partido Republicano Federal (PR Federal), fundado pelo paulista Francisco Glicério em 1893. Venceu as eleições presidenciais de 01/03/1894 e tomou posse no dia 15/11/1894, tornando-se o primeiro presidente do Brasil a ser eleito pelo voto direto e o primeiro presidente civil do Brasil. Prudente de Moraes teve 276.583 votos contra 38.291 de seu principal competidor Afonso Pena, em uma eleição que teve mais 29 políticos que foram votados. Seu vice-presidente foi o médico Manuel Vitorino Pereira. A sua eleição marcou a chegada ao poder da oligarquia cafeeira paulista em substituição aos setores militares.

Os quatro anos de governo de Prudente de Moraes foram agitados, tanto por problemas político-partidários (a perda do apoio do Partido Republicano Federal) como pela oposição dos setores florianistas e pela continuação, no Rio Grande do Sul, da Revolta Federalista (1893-1895).

Prudente de Moraes dedicou todos os seus esforços à pacificação das facções, que tinham em seus extremos os defensores do governo forte de Floriano Peixoto e os partidários da monarquia. Durante seu governo, abandonou uma a uma as medidas inovadoras de Floriano Peixoto. Essa cautela de Prudente de Moraes foi necessária, já que os florianistas ainda tinham uma certa força, principalmente no Exército. Além disso, o vice-presidente estava ligado às ideias de Floriano Peixoto. Prudente de Moraes imprimiu uma direção ao governo que atendia mais aos cafeicultores e afastava os militares da política.

Mandato (1894-1898)

No início do seu governo conseguiu pacificar a Revolução Federalista no Rio Grande do Sul, assinando a paz com os rebeldes, que receberam anistia.

Em 1896, enfrentou a questão diplomática envolvendo os ingleses, que acharam por bem tomar posse da Ilha da Trindade em 1895, e a revolta da Escola Militar. Fez então valer sua autoridade: fechou a escola e o clube militar. A questão diplomática foi resolvida favoravelmente ao Brasil.

Prudente de Moraes restabeleceu as relações com Portugal e assinou o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação com o Japão, em novembro de 1895, com o objetivo de incitar a vinda de imigrantes japoneses.

Mas pouco tempo depois enfrentaria um movimento rebelde ainda maior: a Guerra de Canudos, no sertão baiano.

Obrigado a submeter-se a uma cirurgia, se afastou do poder entre 10/11/1896 e 04/03/1897, passando o cargo ao vice-presidente, o médico Manuel Vitorino Pereira. Nesta interinidade, Manuel Vitorino transferiu a sede do governo do Palácio Itamaraty para o Palácio do Catete.

Com a vitória dos amotinados de Antônio Conselheiro sobre várias expedições militares, a situação voltou a deteriorar-se. Prudente de Moraes interrompeu então a convalescença e nomeou ministro da Guerra o general Carlos Machado Bittencourt, que liderou nova expedição e derrotou os rebeldes.

As divergências internas no Partido Republicano Federal (PR Federal) e a Guerra de Canudos desgastaram o governo. Mesmo com a vitória das tropas do governo na guerra, os ânimos não se acalmaram.

Em 05/11/1897, durante uma cerimônia militar, sofreu um atentado contra a sua vida praticado por Marcellino Bispo de Mello. Escapou ileso, mas o seu ministro da Guerra, marechal Carlos Machado Bittencourt, faleceu defendendo a vida de Prudente de Moraes. O presidente decretou, então, estado de sítio, para o Distrito Federal, Rio de Janeiro e Niterói, conseguindo assim livrar-se dos oposicionistas mais incômodos.

As dificuldades econômico-financeiras, herdadas da crise do encilhamento, acentuaram-se em sua administração, sobretudo devido aos gastos militares, aumentando as dívidas com os credores estrangeiros.

Com a assessoria de seus ministros da Fazenda, Rodrigues Alves e Bernardino de Campos, negociou com os banqueiros ingleses a consolidação da dívida externa, operação financeira que ficou conhecida como Funding Loan, base da política executada por Joaquim Murtinho nos quatro anos seguintes.

No plano da política externa, resolveu, favoravelmente, para o Brasil a questão de limites com a Argentina, arbitrada pelo presidente norte-americano Grover Cleveland e na qual se destacou o representante brasileiro, o Barão do Rio Branco.

Vida Após a Presidência e Homenagens

Prudente de Moraes desfrutava de grande popularidade ao fim do mandato, em 15/11/1898, quando passou o cargo de Presidente da República a Campos Salles e retirou-se para Piracicaba, onde exerceria a advocacia por alguns anos.

Faleceu devido a uma tuberculose em 03/12/1902. Prudente de Moraes está enterrado no Cemitério da Saudade, localizado na cidade de Piracicaba, SP.

É homenageado dando seu nome à cidade de Presidente Prudente, SP, Prudentópolis, PR e Prudente de Moraes, MG.


Ministros de Estado


Ministério da Justiça e Negócios Interiores:

  • Antônio Gonçalves Ferreira (15/11/1894 - 30/08/1896)
  • Alberto de Seixas Martins Torres (30/08/1896 - 07/01/1897)
  • Bernardino José de Campos Júnior (Interinamente: 07/01/1897 - 19/01/1897)
  • Amaro Cavalcanti (19/01/1897 - 15/11/1898)

Ministério da Marinha:

  • Almirante Eliziário José Barbosa (15/11/1894 - 21/11/1896)
  • Manuel José Alves Barbosa (21/11/1896 - 15/11/1898)

Ministério da Guerra:

  • General de Divisão Bernardo Vasques (15/11/1894 - 23/11/1896)
  • General de Brigada Dionísio Evangelista de Castro Cerqueira (Interinamente: 23/11/1896 - 04/01/1897)
  • General de Brigada Francisco de Paula Argolo (04/01/1897 - 17/05/1897)
  • Marechal Carlos Machado Bittencourt (17/05/1897 - 05/11/1897)
  • General de Divisão João Tomás de Cantuária (06/11/1897 - 15/11/1898)

Ministério das Relações Exteriores:

  • Carlos Augusto de Carvalho (15/11/1894 - 01/09/1896)
  • Dionísio Evangelista de Castro Cerqueira (01/09/1896 - 15/11/1898)

Ministério da Fazenda:


Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas:

  • Antônio Olinto dos Santos Pires (15/11/1894 - 20/11/1896)
  • Joaquim Duarte Murtinho (20/11/1896 - 01/10/1897)
  • Dionísio Evangelista de Castro Cerqueira (01/10/1897 - 13/11/1897)
  • Sebastião Eurico Gonçalves de Lacerda (13/11/1897 - 27/06/1898)
  • Marechal Jerônimo Rodrigues de Morais Jardim (27/06/1898 - 15/11/1898)