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Orival Pessini

ORIVAL PESSIANI
(72 anos)
Ator, Humorista, Cantor e Compositor

☼ Marília, SP (06/08/1944)
┼ São Paulo, SP (14/10/2016)

Orival Pessini foi um ator, compositor, cantor e humorista brasileiro nascido em Marília, SP, no dia 06/08/1944. Era conhecido por seus personagens Sócrates, Charles, Fofão, Patropi, Juvenal, Ranulpho Pereira, Hitler, Clô (baseado em Clodovil), Frank (em homenagem ao cantor Frank Sinatra), dentre outros em programas e comerciais para a Televisão, e também por utilizar máscaras de látex (feitas por ele próprio) na composição de seus personagens.

Orival Pessini iniciou sua carreira no teatro amador e posteriormente começou a aparecer em comerciais famosos como dos produtos "Jarrão da Ki-Suco", "Campanha da AACD" e "Tigre da Kellogg’s".

Sua estréia na televisão foi no infantil  "Quem Conta Um Conto" na TV Tupi em 1963. Durante este período, Orival Pessini começou a desenvolver uma técnica própria, criando máscaras de látex com movimento.

Na década de 70 interpretou os macacos Sócrates e Charles, do programa humorístico "Planeta dos Homens" na TV Globo.


Em 1988 estreou o personagem Patropi, no programa "Praça Brasil" na TV Bandeirantes, sendo convidado pra atuar em outros programas como "Escolinha do Professor Raimundo" na TV Globo e "A Praça é Nossa" no SBT.

Foi no programa "Balão Mágico" da TV Globo, em 1983, que Orival Pessini criou os bonecos Fofão e Fofinho, sendo que o primeiro, cuja jardineira foi confeccionada por Ney Galvão, era interpretado por ele mesmo. Fofão fez tanto sucesso que, com o fim do programa na TV Globo, ganhou seu programa diário chamado "TV Fofão" na TV Bandeirantes, no qual apresentava quadros humorísticos e desenhos animados. Também estrelou um filme para o cinema, teve vários produtos licenciados com seu nome e lançou 10 álbuns de estúdio.

Em 2014, Orival Pessini atuou sem máscara na série da TV Globo "Amores Roubados" como o Padre José, contracenando com Patrícia Pillar. Neste mesmo ano seu personagem Fofão desfilou no carnaval sendo homenageado pela Escola de Samba Rosas de Ouro que trouxe o tema "Inesquecível" relembrado figuras que marcaram a vida de muita gente. A produtora Farofa Studios está produzindo uma série animada com a personagem.

Morte

Orival Pessini morreu na madrugada de sexta-feira, 14/10/2016, em São Paulo, SP, aos 72 anos. Ele tinha câncer no baço e estava internado no Hospital São Luiz, no Morumbi, na Zona Sul de São Paulo. Álvaro Gomes, o empresário do ator, afirmou por meio do Facebook que ele faleceu às 4h00.

Sob forte emoção, o corpo de Orival Pessini foi enterrado no fim da tarde de sexta-feira, 14/10/2016, no Cemitério Gethsêmani, na Vila Sônia, em São Paulo. Orival Pessini deixou um filho e três netas.

O filho de Orival Pessini, Pedro Pessini, chorando muito, preferiu não acompanhar o corpo até o local do sepultamento. À distância, ele ficou observando e foi consolado pela mulher e amigos. Marlene, ex-mulher de Orival Pessini, falou sobre a ausência do filho, Pedro, no enterro:

"Ele não quis enterrar o pai. Acho que a ficha dele não caiu, e vai ser muito triste quando cair, porque tenho certeza que ele vai sofrer muito. Ele não quis carregar o caixão e não quis vir até o enterro porque não queria ter essa imagem de enterrar o pai. Vamos rezar por ele. Ele se foi, mas o Fofão não morreu, será eterno!"

Após o enterro, que acabou por volta de 17h35hs, familiares se abraçaram, jogaram flores no túmulo e aplaudiram o ator e humorista. Confortando uns aos outros, os familiares falavam: "Fofão não morre nunca!".

Personagens

  • Fofão - Começou no programa infantil "Balão Mágico", que teve exibição pela TV Globo no início dos anos 80. Depois, esse personagem foi transferido para a TV Bandeirantes em que ganhou um programa próprio: a "TV Fofão". Destaque para o seu bordões: "Bilu-Bidu Alua-Iê pra todo mundo!", "Tavares, Tavares!", "Alô amiguinhos da TV Fofão!".
  • Patropi - Típico hippie, convidado de "Praça Brasil" e "A Praça é Nossa", aluno da "Escolinha do Professor Raimundo", "Escolinha do Barulho" e da "Escolinha do Gugu". Dizia-se um aluno de comunicação na PUC, mas que só dizia frases e palavras para a abertura de canal, assim como todo jogador ou técnico de futebol sempre faz. Havia iniciado o curso universitário e ainda não havia terminado, demorando em vários semestres o término. Alguns de seus bordões são: "Sei lá, entende?!", "Padaqui, padali. Padicá, palilá", "Oh lôco bixo!" e "Sem crise, meu!".
  • Juvenal - Personagem fanho que se dizia muito veloz, mas dava a entender que vacilava e sempre era apanhado nas situações mais constrangedoras e embaraçosas. Era também um grande azarado. Seu bordão mais conhecido era "Ele veio numa ve-lo-ci-dade...".
  • Ranulpho Pereira - Personagem do programa "Uma Escolinha Muito Louca". Aposentado revoltado que reclama de tudo quando se lembra da sua aposentadoria. Destaque para o seu bordão: "Se a gente não reclamar, vai ficar do jeitinho que está!".
  • Sócrates - Sempre falava de coisas filosóficas mas de um modo bem ridículo para, obviamente, serem engraçadas. Destaque para seu bordão: "Não precisa explicar, eu só queria entender!". Fez parte do programa humorístico "Planeta dos Homens", exibido pela TV Globo nos anos 70.

Fonte: Wikipédia
Indicação: Fadinha Veras

César Macedo

CÉSAR MACEDO
(81 anos)
Ator e Humorista

☼ Luz, MG (15/03/1935)
┼ São Paulo, SP (30/04/2016)

César Macedo ficou famoso por trabalhar na "Escolinha do Professor Raimundo", na TV Globo, como Seu Eugênio, uma paródia do cientista alemão Albert Einstein. Seu Eugênio tinha os cabelos desgrenhados e recebia o professor com a expressão:

"Pode perguntar que comigo é na manteiga!"

César Macedo também atuou na "Escolinha do Barulho", programa da TV Record inspirado na atração da TV Globo, que foi ao ar de 1999 a 2001.

Em participação no programa "Domingo Espetacular", da TV Record, ele afirmou que os filhos o abandonaram e o exploram. César Macedo vivia com a família em Mairiporã, em São Paulo, mas, deixou a casa alegando desavenças com os filhos, que supostamente o rejeitavam e o alimentavam mal.

Morte

César Macedo morreu na manhã de sábado, 30/04/2016, no Hospital Estadual de Franco da Rocha, em São Paulo, aos 81 anos. De acordo com a família, a morte foi resultado de um quadro de infecção hospitalar, que evoluiu para uma pneumonia. Ele estava internado havia duas semanas.

O velório começa na madrugada de domingo, 01/05/2016, às 2h00, no Cemitério Municipal de Mairiporã. O enterro ocorrerá às 16h00, no Cemitério dos Coqueiros, no bairro Terra Preta.

"Ele deixa um grande legado. Foi um ótimo pai, não tenho do que reclamar", disse Fábio Macedo, filho do artista. Fábio Macedo conta que o pai havia sido diagnosticado há pouco tempo com Mal de Alzheimer e que o ator estava deprimido desde a morte de sua mulher, em 2012.

César Macedo deixa três filhos biológicos e quatro de criação. 

Indicação: Miguel Sampaio

Nhô Totico

VITAL FERNANDES DA SILVA
(92 anos)
Radialista e Humorista

☼ Belém do Descalvado, SP (11/05/1903)
┼ São Paulo, SP (04/04/1996)

Nhô Totico, nascido Vital Fernandes da Silva, foi um radialista e humorista brasileiro que ao lado de nomes como Silvino Neto tornou-se um dos ícones do humor radiofônico no Brasil.

O Museu Público Municipal de Descalvado possui um acervo com aproximadamente 5 mil objetos, entre móveis, documentos, fotografias, prêmios e cartas trocadas com celebridades e autoridades políticas de importância nacional e com amigos e fãs da cidade-natal.

Vital Fernandes da Silva nasceu em 11/05/1903 na cidade de Descalvado, interior do Estado de São Paulo, cidade na qual viveu até os 10 anos de idade. Último de seis filhos da italiana Adelina Mandelli da Silva e do baiano João Fernandes da Silva, logo ganhou o apelido de Totó. Desde muito jovem tinha tendências para as artes influenciado por seu pai. João Fernandes da Silva era um músico hábil que tocava vários instrumentos, mas adorava o violão, tanto que o próprio Vital escreveu tempos depois:
"Mas virtuose mesmo ele o era no violão, instrumento que tocava por música. Causa muita admiração porque, além de dominar completamente o instrumento, sendo canhoto, não invertia as cordas do mesmo, como habitualmente fazem os canhotos. Uma singularidade: só tocava com inteiro agrado no violão que ele mesmo fabricasse. Nossa casa era um arsenal de instrumentos musicais. Piano, harpa, saxofone, clarinete, requinta, violão, bandolim, flauta, violino e até um 'celo' (violoncelo) de fabricação caseira."
Bom musico, o pai de Vital, se empregou no cinema da cidade fazendo acompanhamento das seções de filmes mudos, e com empenho conseguiu sociedade no cinema. O que seria ótimo para Vital e um grupo de amigos que passaram a produzir os sons, como  uma espécie de sonoplastia para as fitas, atrás das telas. Tudo sob a regência de Vital.

Com dez anos, Vital foi com a família para São Paulo, capital, onde ficou pouco tempo, pois logo ingressou no Seminário Salesiano de Lavrinhas, onde viveu por um ano e depois retornou a São Paulo. De volta, começou a trabalhar para ajudar a família e através de um amigo conheceu a professora Leonor de Campos que o apresentou aos Frades do Convento de São Francisco. Na instituição Vital expandiu suas atividades artísticas encenando, dirigindo e muitas vezes fazendo às vezes de cenógrafo.

Alguns anos mais tarde fundou a Associação dos Amigos de Santo Antônio, com sede no próprio convento. As atividades artísticas capitaneadas por ele iam tão bem que a verba conseguida com os festivais teatrais possibilitaram a reforma do Salão de Atos, a compra de um projetor de cinema e o lançamento do jornal "Mensageiro da Paz".

Vital passou a ser o animador oficial de eventos promovidos pelas obras assistenciais do Convento de São Francisco de Assis, ao lado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Em breve ganhou o cargo de humorista oficial da turma de direito do diretório estudantil XI de Agosto, mas ainda não tinha conseguido seu grande sonho que era ser "artista".

Para ganhar a vida conseguiu um emprego na Repartição de Águas e Esgotos, mas continuou tentando decolar com sua carreira. Neste meio tempo começou a Revolução de 32 e como a maioria dos jovens ingressou nas tropas paulistas.

Vital manteve um diário onde narrava as atividades das batalhas e as impressões dos locais por onde passou:
"Diário de Campanha do soldado nº 135, adido do 5º R.C.D. Vital Fernandes da Silva, residente em São Paulo - Butantã à Rua Fernão Dias 93. Filho de João Fernandes da Silva e dona Adelina Mandelli da Silva. Nascido em 11 de maio de 1903 em Belém do Descalvado, Estado de São Paulo. Fui designado para seguir  para Cruzes ao 16 de agosto, para onde segui em 19 de agosto. Custou-me separar-me dos meus.  Despedi-me dos amigos e da minha 'Ex' da qual me lembrei ao passar por Taubaté, por ter visto ao lado da linha férrea uma laranjeira coberta de flores brancas... flores brancas... casamento. Quanta recordação... Recordar é viver. Ao chegar em Cruzes encontrei muitos colegas, todos mais moços que eu, todos incorporados. Pensei nas laranjeiras, no casamento, na impossibilidade de realização desse meu sonho e... incorporei-me sem grande contentamento dia 20/08 incorporei-me no 5º R.C.D" 
(Paulo Fernandes, 2002)


Os paulistas são derrotados e Vital voltou a capital paulista e retomou seus contatos com o mundo artístico. Entre eles Oduvaldo Viana Filho e Otávio Gabus Mendes que logo se interessaram pelo rádio teatro, impulsionando esta nova linguagem. Mas embora tão próximo do veículo que o iria consagrar, o jovem Vital só ingressaria no rádio pelas mãos de um parente.

Vital  tinha um cunhado que era saxofonista do "Grupo Sertanejo Cigarra" ligado a revista bastante conhecida na cidade. Um dia o grupo foi convidado a se apresentar nos estúdios da Radio Educadora Paulista, instalada no Palácio das Industrias no Parque Dom Pedro, no centro da capital.

Como o grande sonho de Vital era ser "artista", procurava se infiltrar em todas a manifestações culturais que podia. Assim, aproveitou para ir a Rádio Educadora com o cunhado. Após o programa, os produtores pediram a ele que contasse uma anedota, ação que o jovem interiorano aproveitou.

De improviso contou uma história um pouco picante para os ouvintes da época e por isto, sua estréia foi um fiasco. Logo após o término da piada, ouviu a censura dos colegas e amigos que passaram a ligar para sua casa reclamando do teor da história. 

O próprio Vital contou que ficou muito envergonhado e que há certo tempo "queria que o chão se abrisse" para que pudesse ser engolido e desaparecesse de tanta vergonha. Mas mesmo não dando certo sua tentativa de alegrar os ouvintes, esta foi a primeira vez que utilizou o pseudônimo de Nhô Totico. Nascia ali uma das maiores lendas do rádio paulista.

Ele contou que depois da vergonha continuou tentando a vida artística até que conseguiu iniciar a carreira pelas mãos de um dos estudantes de direito, Enéias Machado de Assis, que já atuava como radialista. Enéias levou Vital para conhecer o jovem Olavo Fontoura, diretor e um dos proprietários de uma rádio clandestina. Na realidade a emissora era resultado de uma brincadeira dos Irmãos Fontoura que chamaram a emissora de DKI A Voz do Juqueri.

Na hora do teste, Vital perguntou o que devia fazer e Olavo Fontoura pediu para que ele repetisse as ações que fazia diante dos estudantes. Vital conclui que não poderia fazer as mesmas brincadeiras, pois eram muito "pesadas" para programação. Ele foi ao microfone e fez um pequeno teatrinho onde revelou sua maior característica: Fez todas as vozes dos personagens e ainda complementou a história com "efeitos especiais" feitos por ele mesmo. Neste momento conseguiu o espaço para fazer o seu primeiro programa, mas ainda sem remuneração.

Nhô Totico desenvolveu inicialmente um programa voltado ao público adulto, "XPTO, Vila de Santo Antonio de Arrelia", ou simplesmente "Vila do Arrelia". O sucesso foi tanto que a rádio se regularizou e Nhô Totico ganhou um contrato.

Já em 1935 na Radio Record de São Paulo, ele apresentava um programa diário com seus personagens, entre as 18h30 e 19h00. Um dia antes de entrar no ar, encontrou com Marcelino de Carvalho, um dos diretores da emissora que tinha acabado de voltar da Europa, onde foi fazer a cobertura da Guerra.

Marcelino disse a Vital que no hemisfério norte as emissoras faziam programa para crianças em horário mais cedo por causa do inverno, para que elas pudesse se deitar ouvindo o rádio. Então o patrão propôs a Vital que fizesse um programa para crianças formatado em um clube de futebol. O humorista se negou afirmando que sobre o esporte não falaria e que era contra o fanatismo que envolvia as crianças contrapondo com a necessidade de estudo. Neste momento tocou a campainha para que Vital entrasse no ar. Marcelino de Carvalho insistiu: "Então vai falar do quê?". Vital respondeu: "Não sei. Mas ouça!".

Neste momento adentrou o estúdio da Record e começou seu programa, e acabou criando ali a "Escolinha da Dona Olinda", onde compunha estudantes como personagens oriundos das diversas colônias que existiam na cidade. Nasceu assim o italiano, o japonês, o filho do sírio e do nordestino. Além do inspetor e zelador da escola Srº Joaquim, um negro velho com todas as suas crendices. Nhô Totico afirmava que tudo que fazia era de improviso e sem script. Como ele mesmo dizia "como pastel de chinês" feito na hora.

Randal Juliano, radialista e ouvinte de Nhô Totico afirmava que ele sentia no operador o efeito de suas piadas, e se fosse necessário mudava o sentido do programa na hora bastando perceber que suas falas não haviam empolgado o colega de trabalho.

Vital afirmou várias vezes que para ele este processo de improviso era um "dom divino". Com um raciocino rápido e uma criatividade acima da média Nhô Totico ganhou espaço rápido no rádio paulista em dois horários. Das 18h00 às 18h30 apresentava a "Escolinha da Dona Olinda" e as 23h00 apresentava a "Vila do Arrelia". O primeiro programa voltado as crianças e o segundo aos adultos.  O sucesso foi tanto que logo Vital passou a excursionar pelo país e a dividir o palco com grandes nomes da Música Popular Brasileira.

Como na apresentação em Santos, onde presenciou Carmen Miranda brincar com a irmã Aurora Miranda sobre o namoro com Custódio Mesquita diante dos expectadores.
A competição acirrada pela audiência no final dos anos 30 para os 40 levou a Rádio Cultura, dos Irmãos Fontoura, a expandir a estrutura física da emissora para que as apresentações dos programa de Nhô Totico fossem feitas ao vivo em um auditório.

Inauguram em 1939 o Palácio de Rádio em um ponto privilegiado na Avenida São João, no centro da cidade de São Paulo. O prédio de seis andares possuía um auditório para 400 lugares que passou a lotar com as transmissões dos programas.

Uma característica dos programas de Nhô Totico era que sua formação católica sempre esteve presente. O foco do programa para as crianças era educar e discutir valores de ética e cidadania. Como demonstra o texto publicado no Jornal Folha da Manhã em 1944:
"Conta-se pelos dedos de uma mão o número dos autênticos humoristas que o rádio brasileiro apresentou em vinte anos. Nhô Totico é um deles. É o único, no entanto, entre raros eleitos, cujo humorismo pode e deve ser levado a um público infantil. Falou-se aqui ainda há pouco sobre educação pelo rádio, afirmando-se que  ela não poderia ignorar o lema da escola de Maria Montessori, que é ensinar divertindo e divertir ensinando. O popularíssimo artista de São Paulo segue as pegadas da famosa educadora italiana. Seus programas não se contentam em ser simples passatempos. São também lições de solidariedade humana."  

Mesmo com o sucesso Vital Fernandes da Silva manteve seu emprego na repartição pública e cumpria religiosamente seus horários desempenhando suas funções com empenho e esmero.

Com jornada dupla Vital era assediado por todas as grande emissoras do eixo Rio/São Paulo, mas sempre manteve sua palavra ao amigo Fontoura. Mas a Rádio Record fez novamente uma proposta que não pôs em xeque sua amizade. Nhô Totico manteve seus programas na Rádio Cultura e fez um novo programa na concorrente, evidentemente em outro horário. Nasceu assim, em maio de 1936, mais um programa "Chiquinho, Chicote e Chicória". Mas a vida em três empregos ficou difícil e Vital encerrou seu programa na Rádio Record um ano depois. Seus personagens foram incorporados aos programas da Rádio Cultura para tranqüilidade dos Irmãos Fontoura.

Em breves licenças do serviço público Vital excursionava pelo país fazendo grande sucesso. No Rio de Janeiro fez algumas temporadas na Radio Mayrink Veiga, coordenada na época por César de Alencar, amigo de rádio e de armas de Nhô ToticoCésar de Alencar tinha sido ao lado de Nicolau Tuma e Renato Macedo as vozes da Revolução de 32, sendo transmitidos pela Rádio Record de São Paulo.

A esta altura, Vital já era uma celebridade nacional tendo status de estrela, conquistando até a disputada imprensa carioca. Como demonstra este trecho do texto de Carlos Cavaco, no Correio da Noite, em outubro de 1941.
"... Totico que é, ao meu ver o primeiro e o mais completo artista do gênero na América do Sul, e que aproveita os seus magníficos programas para educar as crianças e fazer propaganda altiva e inteligente do nosso nacionalismo. É de homens assim, desse talento, dessa cultura, que o rádio precisa; e não dessa enxurrada de nulidades que aparece nas irradiações, atormentando os ouvidos de cinqüenta milhões de criaturas."
Nos anos 50, com a chegada da televisão, os empresários passaram a investir no novo meio e as verbas do rádio começaram a minguar. Embora muitos tenham indicado o fim do rádio, o que aconteceu foi uma acomodação de mercado, onde as emissoras radiofônicas passaram a focar mais suas programações para a prestação de serviço e as televisões ficaram com a maior fatia do entretenimento.

Em 1950, Vital tinha ganho o premio Roquete Pinto, o maior e mais badalado do rádio brasileiro, como melhor humorista. Com todo o seu sucesso no rádio foi natural a tentativa das emissoras de televisão em levar Nhô Totico para suas programações, mas ele sempre preferiu o rádio. Chegou a trabalhar por um breve período na TV Record de São Paulo e voltou a suas origens.

Em 1953, com 21 anos de atuação no rádio, Nhô Totico pensou em parar. Mas acabou assinando um contrato com a Rádio América, onde ficou até 1962, quando efetivamente encerrou sua carreira tendo cumprindo 30 anos de dedicação ao rádio brasileiro.

Nos anos seguintes passou um longo período longe dos palcos e dos microfones. Embora tenha participado de vários programas de rádio e de entrevistas para a televisão, Vital não voltou efetivamente a trabalhar em um veículo até os anos 80.

Entre 1983 e 1985 fez um contrato com a TV Globo para participar trimestralmente do programa "Som Brasil" apresentado por Rolando Boldrin.

As participações serviram para mostrar que Nhô Totico ainda estava em forma, embora com mais de 80 anos. Diante da platéia do programa Vital refazia os personagens que o tornaram famoso nos anos 30 e 40, desta vez com o suporte da imagem. O público delirava ao ver aquele senhor de cabelos brancos fazendo as vozes da "Escola da Dona Olinda" e os personagens da "Vila do Arrelia".

Vital que tinha ficado viúvo no final da década de 30, se casou em 1946 com Jutta Hertel Fernandes da Silva. Ela foi a companheira que iria acompanhar toda a ascensão do artista e ajudá-lo até o fim de sua vida.

Vital Fernandes da Silva faleceu em 04/04/1996, sendo velado na Assembléia Legislativa de São Paulo e enterrado no Cemitério da Consolação, Zona Oeste de São Paulo.

Mesmo tendo alcançado grande sucesso, Vital não ganhou muito dinheiro, sempre manteve seu emprego na repartição pública e após deixar os microfones viveu modestamente em uma casa na capital paulista. Seu acervo que inclui fotos, recortes de jornais, cartas e alguns móveis foi doado pela viúva para a Academia de Letras de Descalvado, cidade natal do artista.

A prefeitura local havia se comprometido a doar um imóvel para abrigar o acervo que conta a história de Nhô Totico, mas até hoje nada foi feito.

Não há registros sonoros gravados de nenhum programa de Vital Fernandes da Silva. Há indícios não comprovados de que algumas gravações da censura teriam sido passadas para discos, mas ninguém sabe dizer onde podem estar. Incêndios e inundações ajudaram a apagar dos arquivos da Radio Cultura de São Paulo os registros da "Escola da Dona Olinda" e da "Vila do Arrelia".

Parte do material que consta neste texto resultado de depoimentos do próprio Vital Fernandes da Silva em eventos do Centro Cultural São Paulo e algumas emissoras de rádio da capital paulista. Outra parte é resultado das pesquisas de Paulo Fernandes, sobrinho neto do humorista que desde 2002 tenta financiamento para fazer um livro sobre o Nhô Totico.

Os Programas

Vital Fernandes da Silva inovou ao fazer vários personagens mudando sua voz para poder caracterizá-los. Dono de uma criatividade ímpar produzia tudo sem script apenas com o improviso e algumas idéias sobre as mensagens que gostaria de passar a seus ouvintes. 

Escolinha da Dona Olinda

A "Escolinha da Dona Olinda" trazia a mescla de raças contidas nas ruas da cidade de São Paulo. Para que os ouvintes visualizassem os personagens de Vital, bastava abrir a janela ou dar um passeio pelas ruas. Como mostra o depoimento do diretor e ator Paulo Afonso Grissolli:
"Na escola e na igreja não se olha para trás”, afirmava a severa, mas bondosa professora Dona Olinda, personagem principal de um programa que influenciou muitos outros que surgiram. Todos os dias, às seis e meia da tarde, pelas ondas da Rádio Cultura, eu ouvia as suas vozes e, por elas e através de sua infindável comicidade, eu aprendia uma generosa lição de vida. D. Olinda era professora de uma escola ímpar, que durava, a cada dia, apenas meia hora. Os demais eram seus alunos (junto comigo):Soko, o japonesinho humilde; Mingau, o ítalo-brasileiro, torcedor do Palmeiras; Mingote o cabeça-chata verborrágico; Manuel o lusitano; Jorginho, o 'turco', Sebastião, o caipirinha maroto; e Minguinho, menino urbano...Com rapidez invencível, ele mudava, num segundo, da voz aguda de dona Olinda para o timbre roufenho e pesado de “seu” Joaquim, o preto velho, bedel da Escolinha  a presença negra necessária para que o quadro étnico-humano de São Paulo se completasse no programa."
(Paulo Fernandes, 2002)

Embora não tenhamos cópias dos programas, Vital ficava feliz em poder representar novamente todos seus personagens sempre que podia. Foi assim que em 10/09/1984 ele participou do evento "O Rádio Paulista no Centenário de Roquete Pinto" no Centro Cultural São Paulo. Na ocasião Vital representou ao vivo e de improviso um pequeno trecho da "Escola da Dona Olinda", diante dos olhos atentos da platéia.

Vila da Arrelia

Na "Vila do Arrelia" a personagem principal era Dona Aqueropita, filha de italianos, solteirona obcecada com a ideia de encontrar um homem solteiro para se casar. Durante as apresentações havia uma interação com os expectadores presentes no auditório que permitia a Nhô Totico desenrolar a trama levando os personagens as compras, ao cinema e as passeios na Vila. Paulo Fernandes afirma que: 

"O humorista fazia sozinho e de improviso todos os outros personagens do programa, entre eles o motorista de praça Sayamoto Kurakami, que conduzia dona Aqueropita pelas ruas da cidade, o negociante de tecidos Salim Kemal Fizeu; Betto Spacca Tutto era o inflexível irmão da Aqueropita, o português Manoel e o nordestino Trinta e Nove, que reapareciam no programa da tarde, como os pais das crianças da Escola de Dona Olinda."
Chiquinho, Chicote e Chicória

O programa foi feito por Nhô Totico na Rádio Record de São Paulo em 1936, por aproximadamente um ano. Período em que o humorista continuou a fazer "A Escola da Dona Olinda" e "A Vila do Arrelia" na Rádio Cultura. Com o fim do trabalho na Rádio Record, Vital continuou com os novos personagens, só que desta vez absorvidos nos outros programas.

O trabalho de Vital Fernandes da Silva demonstra a genialidade do menino de origem humilde em retratar em seus programas a diferenças sócio-culturais das diversas etnias que formou a cultura da capital paulista na primeira metade do século XX. Inovador ao criar um programa de humor voltado as crianças e transgressor ao não utilizar roteiros pré-estabelecidos, Nhô Totico marcou a história do rádio brasileiro. Mesmo com todo o sucesso que alcançou se manteve fiel as suas origens caipiras, mas dando a ela a dimensão cosmopolita trazida pelo desenvolvimento agrário e industrial do Estado de São Paulo. Seu trabalho dá continuidade ao de humoristas da Belle Époque transcendendo seu momento histórico ao retratar os conflitos da chegada do progresso.

Do ponto de vista artístico Vital Fernandes da Silva foi único, jamais outro humorista conseguiu catalisar tantos ouvintes com um produto tão específico para crianças.

Infelizmente pela falta de um política pública para o resgate e manutenção da história no Brasil, estamos perdendo o pouco que resta do acervo de Nhô Totico. Caso não tenhamos um mudança considerável no lidar com os produtos históricos assistiremos a boa parte da história dos veículos de comunicação, especialmente do rádio, ser apagada pelo descaso e ignorância. 

Shaolin

FRANCISCO JOZENILTON VELOSO
(44 anos)
Humorista, Cartunista, Chargista, Caricaturista e Ator

☼ Coremas, PB (08/05/1971)
┼ Campina Grande, PB (14/01/2016)

Francisco Jozenilton Veloso, mais conhecido pelo nome artístico Shaolin, foi um cartunista, chargista, caricaturista, humorista e ator de televisão brasileiro.

Começou sua carreira, quando trabalhou no Teatro Municipal Severino Cabral, de Campina Grande. Foi cartunista político do jornal A Palavra, do Jornal da Paraíba e da Revista Nordeste, além de radialista na Rádio Campina Grande. Fez participação em grandes programas da televisão brasileira, como "Domingão do Faustão", "A Praça é Nossa", "Show do Tom" entre outros.

Seu último trabalho foi no programa "Tudo é Possível" com Ana Hickmann, parodiando famosos, como Leonardo, Joelma da Banda Calypso, Zezé di Camargo entre tantos outros.

Shaolin casou-se em dezembro de 1994 com Laudiceia Veloso, com quem teve dois filhos.

O Acidente

Shaolin ficou gravemente ferido em um acidente na BR-230, na região de Mutirão, em Campina Grande, PB, no dia 18/01/2011. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o comediante dirigia seu automóvel, uma Mitsubishi Pajero, no sentido São José da Mata quando um caminhão, que vinha na faixa oposta, invadiu a contramão e colidiu lateralmente contra seu veículo.

Shaolin foi levado para o hospital com traumatismo craniano e o braço esquerdo com fratura exposta e quase amputado. Depois de uma cirurgia de 4 horas no Hospital Antonio Targino, a equipe de cirurgiões conseguiu salvar seu braço, e ele foi colocado em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

No dia 20/01/2011, o motorista envolvido no acidente, Jobson Clemente Benício, de 23 anos, apresentou-se à delegacia da Polícia Rodoviária Federal da cidade paraibana. O inspetor responsável pela unidade ouviu o motorista que, em seguida, foi liberado.

Desde o acidente, já foram ouvidos policiais rodoviários federais, médicos do SAMU que prestaram os primeiros atendimentos ao humorista e pessoas da comunidade local, que presenciaram o ocorrido, segundo o advogado da família de Shaolin, Rodrigo Felinto.

Ainda de acordo com o advogado, a delegada responsável pelo caso pediu mais prazo ao Ministério Público, pois ainda faltam depoimentos de duas ou três testemunhas, além da documentação com o quadro clínico do humorista do hospital em que ele deu entrada logo após o acidente.

Assim que tudo estiver anexado ao inquérito, o Ministério Público julgará se acusa ou não o motorista do caminhão como réu no crime de lesão corporal na direção de veículo automotor, previsto no Código de Trânsito Brasileiro.

Hospital

Em maio de 2011, Shaolin saiu da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para um quarto no hospital, ainda em coma. Em 10/06/2011, em "estado mínimo de consciência e clinicamente estável", segundo o hospital, Shaolin recebeu alta e voltou para casa em Campina Grande, após 145 dias internado.

Em setembro de 2012, a apresentadora Ana Hickmann, durante uma reportagem em que visitou Shaolin, deu-lhe um aparelho importado da Suécia que permite a comunicação através de movimentos com os olhos. Shaolin se mostrou plenamente consciente e conseguiu se comunicar pela primeira vez desde o acidente, e expressou não estar feliz pela sua condição.

Morte

Shaolin, foi internado na quarta-feira, 13/01/2016, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da clínica particular Santa Clara, em Campina Grande, PB. A informação foi divulgada nas redes sociais pelo filho mais novo do humorista, o também ator e comediante Lucas Veloso, e pela esposa de Shaolin, Laudiceia Veloso.

De acordo com os familiares de Shaolin, o humorista deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da clínica "a princípio com um quadro de infecção respiratória". Na postagem, Lucas Veloso explica que o quadro pode ser considerado comum em pacientes acamados, como é o caso do humorista e pede orações.

No hospital, o humorista sofreu uma parada cardíaca e seu falecimento ocorreu às 02h15 do dia 14/01/2016. A notícia foi confirmada por seu filho, Lucas Veloso, por meio das redes sociais.

O corpo de Shaolin será velado e enterrado no Cemitério Campo Santo Parque da Paz ainda no dia 14/01/2016, segundo informou o genro do humorista, Ricardo. O velório será aberto ao público das 11h00 às 15h00 e o sepultamento está previsto para acontecer às 17h00.

Fonte: Wikipédia e G1 e R7

Tutuca

USLIVER JOÃO BAPTISTA LINHARES
(83 anos)
Humorista

☼ (1932)
┼ Rio de Janeiro, RJ (03/12/2015)

Usliver João Baptista Linhares, mais conhecido como Tutuca, foi um comediante brasileiro. Ganhou o apelido na infância e começou a carreira na década de 50, sempre fazendo humor no rádio e na televisão. Participou do programa "Balança Mas Não Cai", onde, no quadro "Clementino e Dona Julieta" (1964), vivia um faxineiro sempre de olho na mulherada, onde criou o bordão "Ah se ela me desse bola!". Tutuca também foi o criador do personagem Magnólio Ponto Fraco.

Estreou no cinema em 1959 no filme "O Homem do Sputnik" e depois fez, ao lado de Ronald Golias, "O Homem Que Roubou a Copa do Mundo" (1961).

Tutuca trabalhou em várias emissoras e em programas como "Apertura", "Reapertura", "A Praça é Nossa", "Zorra Total", "Sob Nova Direção", dentre outros.

Fez muito sucesso com a comédia "O Marido Virgem", viajando em turnê pelo Brasil.

Tutuca também esteve no elenco dos filmes "Onanias, o Poderoso Machão" (1975), "Os Normais" (2003), vivendo o pai da personagem de Marisa Orth, e "A Guerra dos Rocha" (2008), que ele considerava um dos mais importantes dos quais participou.

Tutuca tornou célebre o bordão "Xiiiiiíííííííí…"

Entrevista
(Entrevista publicada em novembro de 2008 na Zona Norte)

Ulisver João Baptista Linhares, o popular comediante Tutuca, presente nos lares brasileiros desde a década de 50, através de seus inúmeros personagens que sempre alegraram a população. Simpático e festivo, recebeu a equipe do Correio Carioca para animada entrevista. Confira o resultado:

Por que o apelido Tutuca? 
É apelido de infância. Eu fui tratado desde garoto como Tutuca e o meu irmão era Sussuca.
O senhor tem alguma formação universitária? 
Eu não fui formado, eu fui deformado (risos). Trabalhei muito como propagandista e vendedor, era daí que vinha meu sustento.
O seu início foi na rádio Tupi. O que mais marcou na sua passagem por lá? 
Um dos personagens que eu interpretava e me lembro até hoje era o Lambretildo, que fazia parte de um quadro chamado "Casal do Amor". Atuávamos: eu, Simone de Moraes e Otávio França.
Qual o programa em que trabalhou que acha que mais marcou sua trajetória? 
Turma da Maré Mansa.
É difícil ser humorista? 
Eu já nasci palhaço. Sempre fiz rir.
Teve algum humorista com quem tenha gostado mais de trabalhar? 
Cito três: sempre fui muito fã do Costinha, do Golias e do Matinhos. Vivia imitando esse pessoal.
Como andam os programas humorísticos atualmente? 
Não tenho mais saco pra assistir a programas humorísticos. Está quase tudo muito mal apresentado. Tudo muito diferente e sem graça. O programa humorístico praticamente acabou. São poucos bons no rádio e na TV. Estão quase todos realmente muito ruins, esquisitos mesmo e de tal maneira mal escritos que não dá mais vontade de acompanhar quase nada. Às vezes, vejo e fico pensando: Meu Deus do céu! Como esculhambaram a arte de fazer humor! Tudo o que se fazia antigamente foi jogado por terra. O que acontece é que pra se fazer bem qualquer coisa na vida tem que se ter prazer de fazer. Não sinto que a maioria dos humoristas de hoje tenha prazer de fazer humor. Sendo assim, como eles podem querer que os espectadores tenham prazer de assisti-los?
O senhor já fez vários filmes. Qual o que considera mais importante? E qual o mais recente? 
"A Guerra dos Rochas" me marcou bastante. Já o mais recente foi "Os Normais".
Foi longa a sua participação no programa "A Praça é Nossa". Quando se lembra de sua passagem por lá, o que lhe vem à cabeça? 
Saudade. Muita saudade.
Cite personagens marcantes que o senhor tenha feito no humorístico do SBT. 
O faxineiro "Clementino", que tinha como bordão "Como é boa essa secretária, ah, se ela me desse bola" e o quadro com o "Seu Menezes" e com a "Dona Dadá", em que eu falava sempre "Tadinha, Seu Menezes" (risos).
Com o que o senhor ocupa o tempo hoje em dia? 
Almoço, janto e o resto é particular.
Como levar a vida com humor? 
As pessoas têm que arrumar um jeito de achar graça na vida. Se estiver difícil achar a graça, que façam cócegas em si mesmas (risos).

Morte

Tutuca passou a maior parte de sua vida fazendo os outros rirem, mas seus últimos dias foram difíceis. Ele deu adeus ao seus fãs na manhã de quinta-feira, 03/12/2015, no Rio de Janeiro, aos 83 anos, vítima de uma pneumonia seguido de uma parada cardíaca.

Tutuca estava deste terça-feira, 01/12/2015, internado no Hospital Barra D'Or, localizado no bairro da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Já com idade avançada, ele sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), em 2014. Após ter a enfermidade, ele precisou conviver com as sequelas da doença.

O velório do comediante ocorrerá no sábado, 05/12/2015. A cerimônia será realizada no Crematório São Francisco Xavier, que fica perto do Centro do Rio de Janeiro. Tutuca será cremado e apenas a família participará da cremação, marcada para começar às 14h00min.

Tutuca morava no Rio de Janeiro e era casado há 30 anos com Denise Silva, de 56 anos. Além da mulher, o comediante deixou dois filhos Ricardo e Elizabeth, além da enteada, Gisele Carmos.

Gisele Carmos contou que o padastro era amoroso e divertido. "Não dava para falar sério com ele. Ele era só piada, tudo fazia piada, bem que eu tentava falar sério,mas não dava".

Tutuca teve uma série de AVCs e depois disso estava debilitado, contou a viúva, Denise. "Ele era só alegria. Estava debilitado, mas estava bem. Não estava sentindo dor. Na segunda-feira que tudo aconteceu, na terça ele foi internado e o médico disse que algumas infecções são silenciosas, por isso ele não sentia dor!".

Trabalhos

Rádio
  • Balança Mas Não Cai
  • A Turma da Maré Mansa

Cinema
  • O Homem do Sputnik
  • O Homem Que Roubou a Copa do Mundo
  • Onanias, o Poderoso Machão
  • Os Normais
  • A Guerra dos Rocha

Televisão
  • Ciranda de Pedra - Jurado do Miss Suéter (Participação Especial)
  • Apertura (Tupi)
  • Reapertura (SBT)
  • A Praça é Nossa (SBT)
  • Balança Mas Não Cai (Globo)
  • Zorra Total (Globo)
  • Sob Nova Direção (Globo)
  • Coral dos Garçons (Tupi)

Indicação: Miguel Sampaio

Saracura

OSCAR PEREIRA RODRIGUES
(83 anos)
Humorista, Ator, Animador e Apresentador de Televisão e Rádio

☼ Santa Bárbara d'Oeste, SP (12/02/1916)
┼ São Paulo, SP (20/10/1999)

Oscar Pereira Rodrigues, mais conhecido pelo pseudônimo Saracura, foi um humorista brasileiro, animador, apresentador de rádio e televisão, nascido em Santa Bárbara d'Oeste, interior do estado de São Paulo, em 12/02/1916. Filho de João Pereira Rodrigues e de Virgínia D'Ávila.

Iniciou sua carreira em 1948, na Rádio Clube Santo André, onde permaneceu até 1952. Apresentava programas sertanejos, que foi sempre o seu estilo. No cinema atuou em "Sertão em Festa" (1969) e "No Rancho Fundo" (1971).

De 1952 a 1981, passou para a Rádio Tupi de São Paulo. Ficou sendo diretor artístico de toda a linha sertaneja, além de ser apresentador e animador de programas. Participou do programa "Festa na Roça", onde ficou por 15 anos. Apresentou também os programas "Tupi no Sertão", "Alvorada Brasileira" e "Rádio Destak FM".

Saracura também foi ator de radionovelas. Fez como protagonista, as novelas "A Velhice Vem Depressa", "A Vida Tem Dois Caminhos", "Mistério da Fazenda de Pedra", "Rancho Fundo" dentre outras.

O humorista intercalava suas atuações em São Paulo, com viagens, por todo o Brasil. Assis Chateaubriand, assim como o diretor-presidente Edmundo Monteiro, gostavam de convidar Saracura para suas viagens pelo norte, nordeste, sul, centro-oeste, para onde eles iam constantemente, em viagens profissionais. Levavam Saracura, pois precisavam alegrar as pessoas que os recebiam.


Saracura gravou os LPs "Humor do Sertão", em 1971 e novamente "Humor do Sertão", em 1973, quando recebeu Disco de Ouro.

Saracura trabalhou também em televisão. Participou do programa "Festa na Roça", de 1958 a 1960, e em 1970 do "Canta Viola", ambos pela TV Tupi de São Paulo.

Em 1971, passou para a TV Record.

De 1975 a 1985, na TV Record, participou do programa "Canta Viola".

De 1986 a 1989, participou várias vezes do programa "Som Brasil", apresentado por Lima Duarte, na TV Globo.

Em 1988, esteve por inúmeras vezes na TV Manchete e na Rede Mulher, no programa "Rincão Brasileiro". Saracura participou também de vários comerciais.

Em 1989 e 1991 participou do programa "Viola, Minha Viola", da TV Cultura.

Foi um dos nomes mais respeitados e agraciados dentro das emissoras de rádio e TV do Brasil. Recebeu inúmeros troféus, tanto no rádio, como na televisão, com destaque para o Programa Luizinho, Limeira e Zezinha, Programa Defensores da Música Sertaneja, Oceania, Melhor Humorista de 1962, Melhor Humorista de 1963, Troféu União Artistas de São Paulo (UASP) em 1965 e 1966, Troféu Clube Atlético das Bandeiras, em 1967.

Recebeu também o troféu da União Artistas de São Paulo (UASP) "Melhor Humorista Sertanejo", em Osasco, 1969.

Em 1972 o Coração da Viola, em Guarulhos.


Em 1977 e 1978 o Troféu ABAS, em Osasco. Em 1978 o Troféu Encontro Com a Cidade, da Rádio ABC de Santo André.

Em 1979 o Troféu TV Record, programa "Canta Viola".

Em 1980, ganhou troféu no Primeiro Encontro da Música Sertaneja, de Itatiaia.

Em 1983, ganhou o Troféu Aniversário do Clube Atlético Ipiranga.

Em 1988, o Troféu UAI da Festa da Prefeitura de Poços de Caldas.

Além desses troféus, Saracura recebeu muitos títulos e homenagens. Recebeu o Título de Cidadão Paulistano, em 1996, na Câmara Municipal de São Paulo. Recebeu o Diploma de Honra ao Mérito, da Secretaria de Trabalho e Comunicação, Diploma de Honra ao Mérito do Ministério da Educação e Cultura, Viola de Ouro, do "Programa Raul Gil".

Saracura também escrevia uma crônica de humor, no Jornal da Zona Leste. Depois de sua morte, ainda foi homenageado na Assembléia Legislativa de São Paulo, pelo deputado Afanásio Jazadji, em evento promovido pela PRO-TV, sob presidência de Vida Alves.

A Prefeitura de São Paulo homenageou Saracura, dando seu nome a uma praça paulista, em 14/03/2003. É a Praça Oscar Pereira Rodrigues.

Saracura faleceu em 20/10/199, em São Paulo, aos 83 anos.

Nhá Barbina

CONCEIÇÃO JOANA DA FONSECA
(79 anos)
Atriz e Comediante

☼ Jaboticabal, SP (02/12/1915)
┼ São Paulo, SP (11/11/1995)

Nhá Barbina foi uma comediante e atriz brasileira. Iniciou carreira artística no circo, subindo ao picadeiro pelas mãos de seu marido, João Gomes, o seu maior incentivador.

Estreou como atriz dramática na peça "O Divino Perfume". Permaneceu no gênero comovendo a platéia por dez anos.

Por volta de 1938, já interessada na arte da caricatura, teve a oportunidade de substituir a titular de um circo. Criou a personagem Nhá Barbina, solteirona, que fazia tudo para arrumar um bom marido. Impressionou tanto que ninguém mais a chamou de Conceição. Passou a ser chamada pelo nome de seu personagem, inclusive por seus familiares.

Trabalhou excursionando pelo Brasil em inúmeros circos e pequenos teatros. Participou de 11 filmes, entre eles, "Lá no Sertão", de Eduardo Lorente em 1959, co-estreando com Tonico e Tinoco e "O Cabeleira", de Milton Amaral em 1962. Nesse período trabalhou na Rádio Tupi de São Paulo, no programa "Festa na Roça", de Lulu Benacasi.


Era a única humorista sertaneja no Brasil e foi consagrada com o título de "Mãe Sertaneja".

Em 1960 gravou na Odeon, de Valter Amaral e Ado Benatti, o baião "O Galo Cantou" e a marcha "Arquimedes, Deixa Disso".

Em 1963, filmou "O Rei Pelé", de Carlos Hugo Christensen.

Em 1970, destacou-se como caricata no filme "Sertão em Festa", de Osvaldo Oliveira. No mesmo ano gravou o arrasta-pé "Puxa-Saco", parceria de Ariovaldo Pires e Zé Cupido. Ainda no início da década de 70, voltou à tela no filme "No Rancho Fundo", de Osvaldo de Oliveira, cantando "Tô Maluca Por Você" (Capitão Furtado e Zico) e "Puxando o Fole" (Juvenal Fernandes 'Argonauta' e Madalena Maria Pires 'Piquerobi').

No ano de 1971, lançou o LP "Nhá Barbina no Rancho Fundo", pela RGE, no qual registrou, entre outras, "Ranquei Pena" (PotyCapitão Furtado). Lançou também pela CBS seu segundo disco, com piadas e canções, dentre elas, "Ranquei Pena" (Madalena Maria Pires 'Piquerobi' e Poty), "Olha a Polícia" (Arlindo Pinto e Adoniran Barbosa) e "Cachorro Louco" (Nhá Barbina e Onofre).


Gravou novo LP em 1975, contendo "Casa Caipira", com letra de Cornélio Pires e música de Tinoco, além de, entre outras, três números humorísticos: "Família Repinica" (Madalena Maria Pires 'Piquerobi' e Poty), "Puxa e Repuxa" (Manezinho Araújo e Mané Baião) e "Penha-Lapa" (Martins Neto).

Nhá Barbina trabalhou também em vários programas de rádio e televisão. Gravou em torno de 10 discos. Recebeu vários troféus, diplomas e medalhas por sua atuação. Deixou dezenas de "causos", que contava com graça peculiar.

Nos últimos anos, antes de seu falecimento atuava no programa "A Praça é Nossa", no Sistema Brasileiro de Televisão (SBT).

Nhá Barbina faleceu em 11/11/1995, em São Paulo, SP, aos 79 anos, vítima de insuficiência respiratória aguda e broncopneumonia.

Nico Nicolaiewsky

NELSON NICOLAIEWSKY
(56 anos)
Cantor, Compositor e Humorista

* Porto Alegre, RS (09/06/1957)
+ Porto Alegre, RS (07/02/2014)

Nelson Nicolaiewsky, mais conhecido como Nico Nicolaiewsky, foi um músico, compositor e humorista brasileiro. Era reconhecido no país pelo personagem Maestro Pletskaya, do espetáculo "Tangos & Tragédias", que realizou durante 30 anos com Hique Gomez.

Descendente de judeus da Bessarábia, Nico Nicolaiewsky começou a estudar piano clássico aos 7 anos de idade, por ordem de sua mãe, e aos 13 anos, foi aprovado em um teste no Instituto de Belas Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde seguiu seus estudos até os 16 anos.

Aos 21 anos, em 1978, foi um dos fundadores do "Musical Saracura", um dos mais importantes grupos de música urbana do Rio Grande do Sul no final dos anos 70 e início dos anos 80. Apesar disso, o "Musical Saracura" lançou apenas um LP, em 1982.

Em 1984, criou juntamente com o Hique Gomez, a comédia musical "Tangos & Tragédias", espetáculo que marcaria de maneira indelével sua carreira, ligando o personagem Maestro Pletskaya a sua pessoa, e tornaria-se um fenômeno de público, principalmente no Rio Grande do Sul, trazendo ao músico reconhecimento nacional.

Em 1987, iniciaram-se as apresentações no que seria a "segunda casa" de Nico Nicolaiewsky, o palco do Teatro São Pedro.


Entretanto, com o espetáculo ainda incipiente, ainda em 1984 Nico Nicolaiewsky foi para o Rio de Janeiro, onde morou durante 10 anos para estudar com o eminente maestro Hans-Joachim Koellreuter. Neste período, em 1993, nasceu sua filha, Nina Nicolaiewsky.

Ao retornar ao Rio Grande do Sul, lançou dois discos solo: "Nico Nicolaiewsky" (1996) e "As Sete Caras da Verdade" (2002). O primeiro contém valsas e canções líricas e virou trilha do filme "Amores", de Domingos de Oliveira. O segundo consiste em uma ópera-cômica, onde Nico Nicolaiewsky interpretou o vilão Rodolfo.

Em 2007, Nico Nicolaiewsky lançou seu terceiro disco, intitulado "Onde Está o Amor?" que, diferente dos anteriores, contém músicas de caráter mais pop. O disco foi produzido por John Ulhoa, guitarrista da banda Pato Fu.

Em 2013, montou o espetáculo "Música de Camelô", onde cantava sozinho ao piano, canções "super populares" segundo suas próprias palavras. O repertório incluía músicas desde "Ai Se Eu Te Pego", de Michel Teló, e "Tô Nem Aí", da cantora Luka, até a música do desenho animado japonês Pokémon e "Tchê Tchê Rerê" do cantor Gusttavo Lima, sugestões de sua filha Nina Nicolaiewsky, que eram executadas com arranjos surpreendentes, bastante diferentes dos originais.

Em entrevista Nico Nicolaiewsky comentou o espetáculo:

"Preconceitos existem e é delicioso ver alguém se espantar no meio de uma canção ao se dar conta de que está gostando de uma música que julgava odiar!"

Nico Nicolaiewsky e Hique Gomez
Às vésperas de comemorar 30 anos do espetáculo "Tangos & Tragédias", Nico Nicolaiewsky recebeu o diagnóstico de Leucemia Mieloide Aguda (LMA) e foi internado às pressas, no dia 23/01/2014, no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. O tratamento, no entanto, não foi suficiente para retardar o avanço da doença e ele veio a falecer às 05:30 hs do dia 07/02/2014, aos 56 anos.

Em janeiro, uma nota divulgada pelo hospital sobre a saúde de Nico Nicolaiewsky dizia que ele estava na fase inicial da doença e havia necessidade de cuidados intensivos e de isolamento.

Seu velório foi realizado no Teatro São Pedro, lugar simbólico na vida do músico: Desde 1987, o musical "Tangos & Tragédias" era apresentado todo verão no local, com ingressos sempre esgotados.

Ao recordar um show do "Musical Saracura" que havia assistido, o jornalista e crítico de arte gaúcho Renato Mendonça descreveu as qualidades que iriam permear a obra de Nico Nicolaiewsky:

"O quarteto entrou em cena contido e silencioso, perfilou-se em frente ao palco e cantou à capela uma canção quase desconhecida. E calou o público. E incendiou o público por dentro. A lembrança serve para evocar aquelas que considero as qualidades fundamentais de Nico Nicolaiewsky: O poder e a coragem de surpreender, a determinação de indeterminar quaisquer fronteiras artísticas."

Fonte: Wikipédia
Indicação: Douglas Bachine

Barnabé

JOÃO FERREIRA DE MELO
(35 anos)
Cantor, Compositor e Humorista

* Botelhos, MG (08/12/1932)
+ São Paulo, SP (13/09/1968)

João Ferreira de Melo, conhecido artisticamente por Barnabé, foi um cantor, compositor e humorista brasileiro nascido em Botelhos, MG, no bairro das Corujas, e criado no Paraná, onde trabalhou na lavoura e como operário na construção de estradas. Era filho de Pedro Ferreira de Melo de onde herdou o talento e o mesmo dom de contar piadas e cantar modinhas.

Ainda adolescente, juntou-se aos artistas de um parque de diversões, apresentando-se em circos e cinemas como Nhô Peroba, que tocava violão e contava piadas. Levado para São Paulo pela dupla Tonico & Tinoco, passou a participar dos programas de rádio "Na Beira da Tuia" e "Peru Que Fala".

Iniciou sua carreira em 1950 na cidade de Ribeirão do Pinhal, PR. Ficou conhecido nacionalmente por Barnabé, chegando à gravar quatro discos. Gravou seu primeiro disco como Barnabé em 1965, na gravadora Continental, obtendo sucesso imediato.

Seu humor ingênuo e espontâneo, misturando piadas e músicas caipiras bem-humoradas, como "Sanfona da Véia" (Brinquinho e Brioso), "Casamento do Barnabé" (Capitão Furtado), "O Esculhambeque", paródia do sucesso da Jovem Guarda, "O Calhambeque", lhe rendeu ainda mais três LPs antes de sua morte prematura em 1968.

José Ferreira de Melo, seu irmão, nasceu no dia 09/12/1949, na cidade de Ribeirão do Pinhal, PR. Também herdou de seu pai o mesmo talento e dom de contar piadas e cantar modinhas, e iniciou sua carreira em 1969, após a morte de João Ferreira de Melo, dando assim, seguimento com o mesmo nome artístico, Barnabé.

Discografia

  • 1968 - Barnabé (Continental, LP)
  • 1967 - Barnabé (Continental, LP)
  • 1966 - Barnabé (Continental, LP)
  • 1965 - Barnabé (Continental, LP)

Fausto Fanti

FAUSTO FANTI JASMIN
(35 anos)
Humorista

* Petrópolis, RJ (20/10/1978)
+ São Paulo, SP (30/07/2014)

Fausto Fanti Jasmin foi um comediante brasileiro que começou a sua carreira artística na MTV, com o programa "Hermes & Renato". Foi casado com Karla Peixoto Sento Sé, atualmente estavam separados e tinha uma filha de 8 anos chamada Nina.

"Hermes & Renato" foi criado na cidade de Petrópolis, RJ em 1990. 

Era conhecido por ter criado, participado e dirigido o programa "Hermes & Renato" que ficou no ar durante 10 anos, de 1999 a 2009, na emissora MTV Brasil. Era um programa de humor escrachado com paródias de programas de TV e outras esquetes.

O quadro "Hermes & Renato", que batizou o programa, era inspirado em pornochanchadas dos anos 70. Outros personagens famosos foram o Palhaço Gozo, Boça e Joselito. Eles também fizeram clipes que caçoavam de estilos musicais como metal (Massacration), indie (Também Sou Hype), axé (Coração Melão) e gospel (Padre Gato).

Fausto Fanti (à direita), em episódio do programa humorístico Hermes & Renato
Um de seus personagens bastante conhecido era o Filho do Capeta, um dos quadros mais engraçados de "Hermes & Renato" intitulado "Padre Quemedo e o Filho do Capeta". Além do Filho do Capeta, o humorista interpretava Renato e outros personagens, como Padre Gato, Claudio Ricardo, Palhaço Gozo, Bandido da Luz Vermelha e Blondie Hammet.

Após a passagem pela MTV, o grupo foi trabalhar no "Legendários" de Marcos Mion em 2010. Como os direitos do nome "Hermes & Renato" eram da MTV, os humoristas usaram o nome "Banana Mecânica".

Fausto Fanti também dirigiu o seriado "Sinhá Boça" e o programa "Tela Class".

Em 2013, eles voltaram à MTV Brasil e em 2014 estrearam no FX Brasil, onde exibiram vinhetas humorísticas durante a Copa do Mundo e se preparavam para lançar um novo programa em março de 2015. O grupo era formado, além de Fausto e Adriano, por Marco Antônio Alves, Bruno Sutter e Felipe Torres. Segundo a emissora de TV por assinatura, o grupo havia gravado apenas pílulas da série que iria ao ar no Canal FX em 2015.

Os humoristas também integravam a banda de heavy metal Massacration, que surgiu no programa e ganhou vida própria, com discos lançados e participações em festivais.

Morte

Fausto Fanti foi encontrado morto em seu apartamento em Perdizes, na Zona Oeste de São Paulo, na quarta-feira, 30/07/2014. O corpo de Fausto Fanti, que tinha 35 anos, foi encontrado pelo amigo Adriano Silva, que interpretava o Joselito. Segundo a Polícia Civil, o corpo tinha um cinto no pescoço. No boletim de ocorrência, registrada às 16:56 hs, na 23ª Delegacia de São Paulo, a morte foi tratada inicialmente como suicídio. O investigador disse que o comediante estava se separando da mulher e tinha uma filha de oito anos.

Segundo a polícia, a mulher do humorista, Karla Peixoto Sento Sé, estranhou quando descobriu que Fausto Fanti não havia ido buscar a filha do casal, Nina, na escola. Ela tentou falar com o marido por telefone, mas não conseguiu e pediu a Adriano Silva, que mora perto da família, verificar o que havia acontecido. Após não ser atendido, Adriano Silva chamou o síndico do prédio e pediu ajuda. Ao entrar no apartamento encontrou, segundo a Polícia, Fausto Fanti morto com um cinto no pescoço.

O corpo do humorista foi retirado do apartamento às 21:40 hs e seguiu para o IML. Por volta das 23:00 hs, Marco Antônio Alves, Adriano Silva e Felipe Torres, os outros integrantes do "Hermes & Renato", deixaram o apartamento de Fausto Fanti e seguiram para a casa de Adriano, que mora em frente. Muito abalados, eles evitaram conversar com a imprensa.

A atriz Tatá Werneck, o apresentador Marcos Mion entre outros artistas lamentaram a morte do humorista no Twitter. "Nossa... o Fausto. Um gênio... que tristeza... Hermes e Renato é um mito", escreveu Tatá Werneck.