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Roberto Freire

JOAQUIM ROBERTO CORRÊA FREIRE
(81 anos)
Psiquiatra, Escritor, Diretor, Autor, Letrista e Pesquisador

☼ São Paulo, SP (18/01/1927)
┼ São Paulo, SP (23/05/2008)

Joaquim Roberto Corrêa Freire foi um médico psiquiatra e escritor brasileiro, conhecido por ser o criador de uma nova e heterodoxa técnica terapêutica denominada Soma (somaterapia), baseada no anarquismo e nas ideias de Wilhelm Reich. Foi também diretor de cinema e teatro, autor de telenovela, letrista e pesquisador científico.

Nasceu em São Paulo no dia 18/01/1927. Formou-se em Medicina, na Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, em 1952. Enquanto estudante, e após a sua formatura, trabalhou como pesquisador em eletrofisiologia e em biofísica celular no Instituto de Biofísica da Universidade do Brasil, sob a orientação do professor Carlos Chagas Filho.

Em 1953 foi trabalhar no Collège de France, em Paris, desenvolvendo trabalhos de endocrinologia experimental, sob orientação do professor Robert Courrier. Publicou vários trabalhos nas revistas das Academias de Ciências do Rio de Janeiro e de Paris.

Após alguns anos trabalhando como endocrinologista clínico, Roberto Freire realizou sua formação em psicanálise através da Sociedade Brasileira de Psicanálise, em São Paulo, com o professor Henrique Schlomann.


Em 1956, realizou trabalhos de acompanhamento clínico no Centro Psiquiátrico Franco da Rocha, em São Paulo.

A partir deste período Roberto Freire buscou novas fontes de pesquisa, realizando estágios no exterior. Em bioenergética, com os discípulos de Wilhem Reich, em Paris. Em gestalterapia, com os discípulos de Frederich Perls, em Bourdeaux. Suas divergências teóricas e ideológicas se ampliaram e Roberto Freire acaba se distanciando da psicanálise, ao mesmo tempo em que se aproxima cada vez mais do campo artístico, literário e político brasileiro.

Roberto Freire, militante clandestino lutando contra a ditadura militar, não encontrava na psicanálise nem na psicologia tradicional as ferramentas necessárias que auxiliassem nos conflitos emocionais e psicológicos de seus companheiros de luta que o procuravam buscando algum tipo de ajuda. Foram principalmente as pesquisas de um cientista renegado pelo meio acadêmico - considerado por muitos como o dissidente mais radical da psicanálise - Wilhelm Reich, que influenciaram Roberto Freire na criação de uma nova técnica terapêutica corporal e em grupo.

A Soma nasceu de uma pesquisa sobre o desbloqueio da criatividade, realizada no Centro de Estudos Macunaíma, com as contribuições de Myriam Muniz e Sylvio Zilber. Através de exercícios teatrais, jogos lúdicos e de sensibilização, Roberto Freire foi criando uma série de vivências que possibilitavam uma rica descoberta sobre o comportamento, suas infinitas e singulares diferenças.

Roberto Freire e Roberto Carlos
Perceber como o corpo reage diante de situações comuns no cotidiano das relações humanas, como a agressividade, a comunicação, a sensualidade, e sua associação com os sentimentos e emoções, permite um resgate daquilo que nos diferencia enquanto individualidade, para criar um jeito novo, a originalidade contra a massificação. Assim, a Soma se construiu como um processo terapêutico com conteúdo ideológico explícito, o Anarquismo.

Simultaneamente a vida científica, desenvolveu atividades artísticas e culturais, desde seu retorno da Europa, especialmente no campo da poesia e do teatro. Desta época resultou um trabalho de poesia ainda inédito, "Pé no Chão, Roupa Suja, Olho no Céu". A maioria desses poemas foi musicada pelo compositor Caetano Zama, sendo que um deles, "Mulher Passarinho", teve gravação de Agostinho dos Santos, no período inicial da bossa nova.

No teatro, Roberto Freire foi diretor das peças "Escurial", de Michel Guelderhode e "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto, além de autor e co-diretor de "O&A", co-direção com Sionei Siqueira.

A peça "Morte e Vida Severina" é sempre muito lembrada por diretores e atores, pois foi a revelação de um jovem músico, Chico Buarque. Além disso, esta peça, de 1965, enaltecia dois pilares essenciais no teatro: a sua alta qualidade artística associada ao trabalho de mobilização do grupo de atores, músicos e diretores. Esses elementos foram fundamentais na superação da estrutura material ainda precária, e impulsionaram o grupo de tal maneira que, no ano seguinte, a peça obtivesse o primeiro lugar no Festival de Teatro de Nancy, na França.


Roberto Freire trabalhou também em funções administrativas, como presidente da Associação Paulista da Classe Teatral, diretor do Serviço Nacional de Teatro, e diretor artístico no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA).

Na música, Roberto Freire foi letrista e jurado de diversos Festivais da Música Popular Brasileira. Nesta época trabalhava para a TV Globo na criação e redação, em parceria com Max Nunes, no programa "A Grande Família". Mesmo assim, Roberto Freire e o grupo de jurados, Nara Leão (presidente), Rogério Duprat, Décio Pignatari, Sérgio Cabral, César Camargo Mariano, Big Boy, entre outros, decidem que Roberto Freire seria o representante do júri nacional que leria o manifesto assinado por eles no palco do Maracanãzinho.

O pesquisador Zuza Homem de Mello, em seu livro "A Era dos Festivais, Uma Parábola" (2003, Editora 34, pag. 429), descreve claramente de que maneira os resultados dos Festivais passaram a ser ditados pelos interesses ligados à ditadura militar e enfoca o papel de Roberto Freire no último Festival Internacional da Canção (FIC) da TV Globo.

"Ao tentar ler no palco do VII Festival Internacional da Canção um manifesto contra a destituição do júri nacional, Roberto Freire foi violentamente arrastado por policiais, que o levaram a uma sala e o espancaram barbaramente (…) Terminava a Era dos Festivais."

Na televisão, Roberto Freire foi autor de teleteatro, exibido na TV Record e na TV Globo. No cinema fez a direção e roteiro do longa-metragem "Cleo e Daniel", com Myriam Muniz, John Herbert, Beatriz Segall, Irene Stefânia (no papel de Cleo), Chico Aragão (como Daniel). O roteiro é uma adaptação do romance homônimo, escrito por Roberto Freire em 1966, inspirado na tragédia "Daphnis e Chloe" do poeta romano Longus. O primeiro livro de Roberto Freire é reconhecido como um marco para as gerações de 1960 e 1970, que se identificava fortemente com os conflitos familiares e amorosos das personagens.


No jornalismo Roberto Freire foi repórter e redator de medicina e saúde pública no jornal OESP. Diretor-responsável e redator do jornal Brasil Urgente. Cronista do jornal A Última Hora, de São Paulo. Repórter da revista Realidade, da Editora Abril, na qual obteve o Prêmio Esso com a reportagem "Meninos do Recife". Diretor de reportagem da revista Bondinho. Editor da revista Grilo (histórias em quadrinhos).

Na área da educação, foi assessor do professor Paulo Freire no Plano Nacional de Alfabetização de Adultos, associando as pesquisas pedagógicas a um movimento nacional de cultura popular. Este trabalho foi interrompido após 1964. Além desta experiência, Roberto Freire foi professor na disciplina Psicologia do Ator na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo, então dirigida por Alfredo Mesquita, onde acumulava a função de médico clínico dos alunos.

Em 1958, a convite dos alunos e por insistência do amigo e mestre Alberto D’Aversa, também professor da Escola de Artes Dramáticas e recém chegado da Argentina, escreveu a peça "Quarto de Empregada", cujos dois únicos papéis eram representados, como exercício didático, pelas alunas Ruthnéia de Moraes e Assunta Peres. "Quarto de Empregada" é, até hoje, a peça mais encenada de Roberto Freire.

Em todas as atividades às quais se dedicou - psicanálise, teatro, televisão, jornalismo e a literatura - Roberto Freire deixou suas marcas. Porém, segundo o próprio Roberto Freire, a Somaterapia foi a sua principal contribuição enquanto teórico e libertário.

Roberto Freire morreu na noite de sexta-feira, 23/05/2008, aos 81 anos. O corpo foi cremado no sábado, 24/05/2008, no Crematório da Vila Alpina, em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada pela família. 

Eneida de Moraes

ENEIDA DE VILLAS BOAS COSTA DE MORAES
(66 anos)
Jornalista, Escritora, Pesquisadora e Militante Política

* Belém, PA (23/10/1904)
+ Rio de Janeiro, RJ (27/04/1971)

Eneida de Villas Boas Costa de Moraes, ou simplesmente Eneida, como ela preferia ser chamada, foi jornalista, escritora, militante política e pesquisadora brasileira. Eneida é sempre descrita em relatos de amigos e parentes como uma mulher forte, viva, corajosa, audaciosa e inteligente.

"Eneida sempre livre / Eneida sempre flor / Eneida sempre viva / Eneida sempre amor", diz o poeta João de Jesus Paes Loureiro.

Filha de um comandante de navios, desde pequena nutriu grande afeição pelos rios e pela Amazônia. Ainda criança, participou de um concurso de Jovens Escritores, obtendo o primeiro lugar, com um texto que falava do imaginário de um caboclo amazônida.

Eneida foi uma mulher que contestou os padrões instituídos ao papel feminino de sua época, transitando em redutos considerados masculinos: a redação de jornais, a publicação de livros e a célula partidária - mecanismos que ela utilizou para o exercício de sua militância em 50 anos de atuação no cenário político e jornalístico-literário brasileiro (1920-1970).


A abrangência desse período pode ser dividida em três momentos:

1920-1930, época  em que a escritora residia em Belém do Pará, sua terra natal, e ingressou oficialmente no jornalismo colaborando, entre outros, nos jornais o Estado do Pará e Para Todos (RJ) e nas revistas Guajarina, A Semana e  Belém Nova. Participou também de vários grupos  e associações de intelectuais em Belém e no Rio de Janeiro, e publicou o livro "Terra Verde".

1930-1945, período em que fixou residência no Rio de Janeiro e, seduzida pelas idéias socialistas, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCB) engajando-se no ativismo revolucionário dos anos 30, aderindo ao discurso proletário quando este se fez uma motivação radical. Declaradamente marxista, contestou o poder constituído participando de movimentos de reivindicações sociais e de agitação e propaganda comunista, produzindo uma escritura panfletária veiculada em volantes e jornais de células. Envolveu-se diretamente nas revoluções de 1932 e 1935, o que resultou em prisões, torturas, clandestinidade e exílio. Na prisão, conheceu Olga Benário e Graciliano Ramos, que a imortalizou em "Memórias do Cárcere".

1945-1970, fase caracterizada por uma "escrita consentida", atuando como jornalista profissional em periódicos partidários e da grande imprensa, nas  funções de repórter e de cronista, entremeando essas atividades com a publicação de 11 livros e várias traduções.

Escreveu "História do Carnaval Carioca" (1958), a primeira grande obra sobre este assunto, que estabeleceria as principais categorias do carnaval brasileiro ao definir o conceito de cordões, corso, ranchos, sociedades e entrudo, entre tantos outros. Foi criadora do Baile do Pierrot no Rio de Janeiro e em Belém.

As escolas de samba Salgueiro em 1973, com o tema "Eneida, Amor e Fantasia e Paraíso do Tuiuti" em 2010, com "Eneida, o Pierrot Está de Volta", homenagearam a jornalista no carnaval.

Obras

  • 1958 - História do Carnaval Carioca
  • Terra Verde (Poesia)
  • O Quarteirão (Crônicas)
  • Paris e Outros Sonhos (Crônicas)
  • Sujinho da Terra (Crônicas)
  • Cão da Madrugada (Crônicas)
  • Aruanda (Crônicas)

Fonte: Wikipédia

Heloísa Tapajós

HELOÍSA MARIA DE CARVALHO TAPAJÓS GOMES
(66 anos)
Pesquisadora de MPB e Produtora Cultural

* Rio de Janeiro, RJ (29/04/1948)
+ Rio de Janeiro, RJ (06/06/2014)

Heloísa Tapajós foi uma pesquisadora de Música Popular Brasileira e produtora cultural.

Socióloga formada, em 1970, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), com especialização, em nível de pós-graduação, em Demografia, pela mesma instituição acadêmica, em convênio com o Centro Latino-Americano de Demografia da Organização das Nações Unidas (ONU). Ainda na PUC-Rio, em 1990 foi aprovada em 4º lugar no exame de seleção ao Programa de Mestrado do Departamento de Sociologia, com área de concentração em Pensamento Social e Político Brasileiro, do qual se desligou após a conclusão dos créditos obrigatórios.

Irmã de Sérgio de Carvalho (produtor musical), Dadi Carvalho (baixista, compositor e cantor) e Mú Carvalho (pianista, compositor e produtor musical). Tia de Daniel Carvalho (músico e produtor musical) e André Carvalho (cantor e compositor). Prima, pelo lado paterno, de Beto Carvalho (radialista e produtor musical) e Guti Carvalho (produtor musical). Prima, pelo lado materno, do pianista Homero Magalhães e de seus filhos músicos Homero Magalhães Filho, Alain Pierre, Alexandre Caldi e Marcelo Caldi.

Teve como ocupação principal, desde 1999, a função de pesquisadora do Instituto Cultural Cravo Albin, sendo responsável pela pesquisa e redação dos verbetes do segmento Bossa Nova e MPB, de 1958 aos dias atuais, do Dicionário Cravo Albin da MPB, contabilizando, até 2013, a produção de mais de 1.700 verbetes de sua autoria.

Heloísa Tapagós e Paulinho Tapajós
Foi ainda, desde 2007, pesquisadora titular do Núcleo de Estudos em Literatura e Música (NELIM / PUC-Rio), no qual constam entrevistas e textos de sua autoria.

Também desde 2007, assinava a produção artística do projeto cultural "Sarau Repsol", realizado inicialmente em parceria com o Instituto Cultural Cravo Albin e, desde 2009, em parceria com o Núcleo de Estudos em Literatura e Música.

Paralelamente a essas funções, vinha atuando em vários outros projetos na área cultural.

Participou, entre 1998 e 2000, das entrevistas realizadas com Carlos Lyra, João Donato, Chico Buarque, Edu Lobo e Wanda Sá, publicadas no livro "A MPB Em Discussão - Entrevistas" (Editora UFMG, 2006), organizado por Santuza Cambraia Naves, Frederico Oliveira Coelho e Tatiana Bacal.

Atuou, em 2003, como editora do website "Alô Música", cujo conteúdo contém entrevistas e textos de sua autoria.

Em 2004, fez parte da equipe de pesquisa projeto acadêmico "Representações da Violência na Música Popular Brasileira", desenvolvido pelo Instituto Cultural Cravo Albin em parceria com a PUC-Rio e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), sob a coordenação de Júlio Diniz, para o qual escreveu o ensaio "Chico Buarque e a Censura nas Décadas de 1960 e 1970", publicado no site do Núcleo de Estudos em Literatura e Música.

Heloísa Tapajós e Antônio Adolfo
Heloísa Tapajós foi responsável pela pesquisa e pelos textos do espetáculo "Bossa Nova In Concert", realizado no Canecão, Rio de Janeiro, em 2004, e no Parque dos Patins, em 2005, com a participação de João Donato, Os Cariocas, Johnny Alf, Leny Andrade, Pery Ribeiro, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Durval Ferreira, Marcos Valle, Wanda Sá e Bossacucanova, tendo como convidados especiais Eliane Elias (Canecão) e Oscar Castro Neves (Parque dos Patins). O show do Parque dos Patins foi gravado ao vivo e gerou o CD e o DVD "Bossa Nova In Concert" (EMI Music, 2005).

Trabalhou, em 2005, em parceria com Memeca Moschcovich, na pesquisa e produção das gravações realizadas no Rio de Janeiro para o documentário "Luiz Henrique - No Balanço do Mar", de Ieda Beck, sobre o compositor, cantor e violonista catarinense ligado à bossa nova.

Assinou releases para alguns trabalhos artísticos, entre os quais os CDs "Óleo Sobre Tela" (Kuarup, 2005), de Mú Carvalho, "Par ou Ímpar" (Kuarup, 2006), de Paulinho Tapajós e Marcello Lessa, e "Dadi" (Som Livre, 2007), e o DVD "A Cor do Som Acústico" (Performance Be Records/Sony & BMG, 2005).

Em 2006, Heloisa Tapajós produziu o conteúdo do website do compositor, violonista e produtor musical Roberto Menescal. Ainda nesse ano, foi lançado o "Dicionário Houaiss Ilustrado de Música Popular Brasileira", contendo uma condensação do conteúdo produzido até 2005 para o site "Dicionário Cravo Albin da MPB", adaptado pelo Instituto Antonio Houaiss para a publicação impressa.

Alejandro Roig, Heloísa Tapajós e Paulinho Tapajós
Em 2007, produziu, em parceria com Andréa Noronha, a série de eventos mensais "Sarau Repsol / Sarau da Pedra", projeto realizado pelo Instituto Cultural Cravo Albin em parceria com a Repsol, inicialmente com apoio da Livraria Dantes (em março, abril e maio) e, a partir de junho, com apoio da gravadora Biscoito Fino. O projeto homenageou os compositores João Bosco (março), Carlos Lyra (abril), Roberto Menescal (maio), Marcos Valle (junho), Sueli Costa (julho), Paulinho Tapajós (agosto), Ivan Lins (setembro), Guinga (outubro), Francis Hime (novembro) e Edu Lobo (dezembro).

Em 2008, assinou a pesquisa e os textos do espetáculo "Bossa Nova 50 Anos", realizado na Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. No elenco, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Oscar Castro Neves, Wanda Sá, Leila Pinheiro, Emílio Santiago, Zimbo Trio, Leny Andrade, Maria Rita, Fernanda Takai, João Donato, Marcos Valle e Patrícia Alvi, Bossacucanova e Cris Delanno. O show, em comemoração aos 50 anos da bossa nova, e também celebrando o aniversário da cidade do Rio de Janeiro, teve concepção e direção de Solange Kafuri, direção musical de Roberto MenescalOscar Castro Neves, e apresentação de Miele e Thalma de Freitas.

Heloísa Tapajós trabalhou, ao lado de Frederico Coelho, e sob a coordenação de Júlio Diniz, na pequisa para o documentário "Palavra (En)cantada", dirigido por Helena Solberg. O filme teve pré-estréia em 2008, no Cinema Odeon, no Rio de Janeiro, na programação do Festival do Rio.

Também em 2008, foi publicado o livro "Música, Ídolos e Poder - Do Vinil ao Download" (Nova Fronteira), de André Midani, no qual foi responsável pela pesquisa de conteúdo e pela revisão do texto original. Ainda em 2008, assinou a produção artística da segunda edição do projeto "Sarau Repsol / Sarau da Pedra", realizado pela Repsol no Instituto Cultural Cravo Albin, apresentando shows de BR6 (julho), Olívia Byington (agosto), Nós Quatro (setembro), Zé Renato (outubro), Raul de Souza, João Donato, Luiz Alves e Robertinho Silva (novembro) e Casuarina (dezembro).


Como pesquisadora titular do Núcleo de Estudos em Literatura e Música (NELIM / PUC-Rio), participou da pesquisa de conteúdo para o livro "Bossa Nova - Um Retrato em Branco e Preto" (Editora PUC Rio, 2008) e trabalhou na produção do seminário "Música Popular, Literatura e Memória", que teve lugar na PUC-Rio, em 2009.

Escreveu os textos da exposição "Imagens da Música na Lente de Mario Luis", com fotos de Mario Luis Thompson, apresentada no SESC Teresópolis, em 2009.

Também em 2009, assinou a produção artística da terceira edição do projeto "Sarau Repsol", realizado pela Repsol na Fundação Eva Klabin, apresentando shows de Boca Livre (abril), Claudio Nucci (maio), Dadi (junho), MPB4 (julho), Celso Fonseca (agosto), Marianna Leporace (setembro), Wanda Sá & Dôdo Ferreira Trio (outubro) e Arranco de Varsóvia (novembro). Ainda em 2009, produziu, em parceria com Claudia Chigres e sob a coordenação acadêmica de Júlio Diniz, o conteúdo didático para o DVD "Palavra (En)cantada", de Helena Solberg.

Em 2010, assinou a produção artística da quarta edição do projeto "Sarau Repsol", realizada pela Repsol na Fundação Eva Klabin, apresentando shows de Alberto Rosenblit (abril), Joyce (maio), Danilo Caymmi (junho), Os Cariocas (julho), Tunai (agosto), BossaCucaNova (setembro), Sá & Guanabyra (outubro) e Paula Morelenbaum (novembro).

Também em 2010, foi contratada pela Empresa Municipal de Multimeios (MULTIRIO) para assumir a pesquisa musical da série "No Compasso da História", série de 15 programas mensais que teve como objetivo contar a História do Brasil a partir do nosso cancioneiro. A série, com apresentação de Joyce Moreno e roteiro de Fátima Valença, foi veiculada pelo canal 14 da Net, em 2011 e 2012.

Ivan Lins, Heloísa Tapajós, Alejandro Roig e Lenine
Em 2011, foi responsável pela pesquisa e produção de textos para a Mesa Redonda "A Bossa do Samba - A Interação Harmônica, Melódica e Rítmica da Bossa Com o Samba", realizada na Casa de Rui Barbosa.

Ainda em 2011, assinou a pesquisa do projeto "A Bossa do Samba", apresentado no espaço Oi Futuro, no Rio de Janeiro, com shows que reuniram, nas quatro semanas de agosto, as seguintes duplas: João Donato & Maíra Freitas; Roberto Menescal & Teresa Cristina; Carlos Lyra & Nilze Carvalho; e Marcos Valle & Casuarina. Concebido e dirigido por Solange Kafuri, o projeto contou com curadoria de Rildo Hora e Marco Antonio Bompet, arranjos e direção musical de Itamar Assiere, apresentação em vídeo de Tárik de Souza, coordenação geral e direção de produção de Giselle Kafuri, e produção executiva de Humberto Braga.

Também em 2011, assinou a produção artística quinta edição do projeto "Sarau Repsol", realizado na Fundação Eva Klabin, no Rio de Janeiro, com shows de Mario Adnet (abril), Tatiana Parra & Andres Beewsaert (maio), Clara Moreno (junho), Mú Carvalho (julho), Nana Caymmi & Cristóvão Bastos (agosto), Pery Ribeiro (setembro) e Cris Delanno (outubro).

Em 2012, dividiu com Paulo da Costa e Silva e Adriana Maciel a produção do documentário "Imbatível ao Extremo: Assim é Jorge Ben Jor!", especial em 10 capítulos sobre Jorge Benjor dirigido e roteirizado por Paulo da Costa e Silva para a Rádio Batuta do Instituto Moreira Salles.

Paulinho Tapajós recebendo placa das mãos de Heloísa Tapajós
Também em 2012, assinou a produção artística da sexta edição do projeto "Sarau Repsol", realizado na Fundação Eva Klabin, no Rio de Janeiro, com shows de Chico Adnet (abril), Jackie Hecker (maio), Carol Saboya & Antonio Adolfo (junho), Bebossa & Wanda Sá (julho), Ilana Volcov (agosto), Soraya Ravenle (setembro), Muiza Adnet (outubro) e Conexão Rio, Andrea Veiga e José Carlos Bigorna (novembro).

Em parceria com Chris Nicklas, assinou o roteiro dos seis documentários da série "Audio Retrato" (Canal Bis, 2013), com direção de Ricardo Nauenberg. No elenco, Fernanda Abreu, Evandro Mesquita, Lenine, Gabriel o Pensador, Dinho Ouro Preto e Gilberto Gil.

Ainda em 2013, assinou a produção artística da sétima edição do projeto "Sarau Repsol", realizado na Fundação Eva Klabin, no Rio de Janeiro, com shows de Cello Samba Trio (março), Carlos Lyra (abril), Liz Rosa (maio), Marcos Sacramento & Zé Paulo Becker (junho), Vinicius Cantuária (julho), Luiz Melodia (agosto), Ivan Lins (setembro) e Carlos Malta (outubro).

Assinou a curadoria da exposição "A Magia do Disco - André Midani", realizada no Instituto Cultural Cravo Albin, também em 2013.

Ao longo de sua trajetória realizou entrevistas com vários compositores e intérpretes da música popular brasileira, e assinou matérias sobre shows e lançamentos fonográficos.

Morte

Heloísa Tapajós estava internada há aproximadamente 2 meses num hospital da Zona Sul do Rio de Janeiro. Somente a família e seus companheiros do Dicionário Cravo Albin da MPB sabiam e não divulgaram a informação.

Ela faleceu na sexta-feira, 06/06/2014, às 18:00 hs vítima de problemas cardíacos e o sepultamento ocorreu no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Indicação: Miguel Sampaio

Bertha Becker

BERTHA KOIFFMAN BECKER
(82 anos)
Geógrafa, Professora e Pesquisadora

* Rio de Janeiro, RJ (07/11/1930)
+ Rio de Janeiro, RJ (13/07/2013)

Bertha Koiffmann Becker foi uma geógrafa brasileira. Graduou-se em Geografia e História pela Universidade do Brasil em 1952, foi Docente Livre-Doutora em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1970). Realizou pós-doutorado no Massachusetts Institute Of Technology - Department Of Urban Studies And Planning (1986). Foi professora Emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenadora do Laboratório de Gestão do Território - LAGET/UFRJ. Membro da Academia Brasileira de Ciências e Doutor Honoris Causa pela Universidade de Lyon III. Havendo sido agraciada com as medalhas David Livingstone Centenary Medal da American Geographical Society e Carlos Chagas Filho de Mérito Científico da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Foi consultora ad hoc de várias instituições científicas e membro de conselho editorial de editoras nacionais e internacionais. Coordenou diversos projetos de pesquisa e participou da elaboração de políticas públicas nos Ministérios de Ciência e Tecnologia, da Integração Nacional e do Meio Ambiente. Seu foco principal de pesquisa foi a Geografia Política da Amazônia e do Brasil. Autora de uma extensa produção sobre a geografia política da Amazônia e do meio-ambiente.

Bertha Becker iniciou a carreira na década de 1950, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde deu aulas por 40 anos, tornando-se professora emérita. No Instituto Rio Branco, lecionou por quase 20 anos. Acumulou títulos de prestígio, como doutora honoris causa pela Universidade de Lyon III, na França, e era integrante da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Por mais de 40 anos, Bertha Becker se aprofundou nos estudos sobre os conflitos fundiários nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil, com foco na Amazônia. Ao longo desse período, estudou e pesquisou in loco a geografia humana e política da região, tornando-se uma autoridade internacional no assunto. Por isso, era sempre requisitada por órgãos do governo, como o Itamaraty e a Secretaria de Assuntos Estratégicos, além de dar conferências nas principais associações internacionais. Sua contribuição foi essencial para o desenvolvimento do plano estratégico da Amazônia, hoje em implantação no Brasil.


Para a companheira de pesquisa e amiga, a geógrafa Ima VieiraBertha Becker deixou um legado enorme. "O que ela fez é muito importante e teve repercussão internacional. Participou de reuniões científicas que deram origem a importantes ações políticas para o Brasil como, por exemplo, a Rio Mais 20 e ECO 92" - disse Ima Vieira, pesquisadora do Museu Goeldi, em Belém.

A geógrafa estudou a fronteira móvel da agropecuária no Brasil desde a década de 60. Começou com o crescimento da pecuária no Rio de Janeiro e São Paulo, depois em Goiás na década de 70 e, a partir daí desenvolveu suas pesquisas de campo principalmente na Amazônia.

"As pessoas pensam que isso é novo, mas não é, a expansão das fronteiras da pecuária na direção da Amazônia tem 50 anos."
(Declarou recentemente Bertha)

Bertha era, desde os anos 90, membro do conselho diretor da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, da qual era também associada emérita.

"Sua dedicação para a instituição era total, profunda, como tudo o que ela fazia. Bertha foi uma cidadã 24×7, além de uma das pessoas mais inteligentes que já conheci na vida. Uma inteligência que a levava sempre a farejar as mudanças antes que elas se revelassem. A sociedade brasileira recebe uma herança ímpar e um desafio para décadas: decifrar e desdobrar o patrimônio de sabedoria que ela construiu."
(Roberto Smeraldi)

A geógrafa publicou diversos livros, sendo o mais recente "A Urbe Amazônica - A Floresta e a Cidade", finalizado há alguns meses.

Bertha deixou três filhos, Beatriz, Paulo e Lídia, e oito netos.


Morte

A geógrafa, professora, pesquisadora e o maior nome da geografia internacional em estudos sobre a Amazônia, Bertha Koiffmann Becker, de 82 anos, morreu no sábado, 13/07/2013, às 16:30 hs, por complicações decorrentes de um câncer de pulmão, após quatro anos lutando contra a doença.

Além de familiares e amigos, autoridades fizeram as últimas homenagens a pesquisadora, em uma cerimônia na Chevra Kadisha. Seu corpo foi enterrado no Cemitério de Vilar dos Teles, em Belford Roxo.


Publicações

  • Dimensões Humanas da Biodiversidade - O Desafio de Novas Relações Sociais (Co-autoria de Irene Garay)
  • Migrações Internas no Brasil - Reflexo da Organização do Espaço Desequilibrada
  • Tecnologia e Gestão do Território (Bertha Becker et al.)
  • Amazônia Geopolítica Na Virada do III Milênio (2004)
  • Um Futuro Para Amazônia (Co-autoria de Claudio Stenner)
  • Dilemas e Desafios do Desenvolvimento Sustentável (Bertha Becker, Ignacy Sachs e Cristovam Buarque)
  • Becker, Bertha K. Geopolítica da Amazônia

Indicação: Miguel Sampaio

Vital Brazil

VITAL BRAZIL MINEIRO DA CAMPANHA
(85 anos)
Médico Imunologista e Pesquisador Biomédico

* Campanha, MG (28/04/1865)
+ Rio de Janeiro, RJ (08/05/1950)

Filho de José Manuel dos Santos Pereira Junior e de Maria Carolina Pereira de Magalhães, foi casado em primeiras núpcias com sua prima em segundo grau, Maria da Conceição Filipina de Magalhães. Viúvo da primeira, casou-se, então, com Dinah Carneiro Vianna. Pelo ramo de sua mãe - os Pereiras de Magalhães - Vital tinha consanguinidade com o protomártir da Independência do Brasil, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, e era, ainda, sobrinho neto materno do professor major Joaquim Leonel Pereira de Magalhães, que era, igualmente, avô paterno da primeira mulher de Vital - Maria da Conceição Filipina de Magalhães. Vital era tio do célebre empresário e mecenas das artes Oscar Americano de Caldas Filho, mais conhecido por Oscar Americano. Por parte de pai, era primo em primeiro grau do 9º Presidente do Brasil (1914 - 1918), Venceslau Brás Pereira Gomes.

Um aspecto inusitado em sua família foi o fato de o seu pai não ter dado o próprio sobrenome aos filhos, substituindo-o por outros com características quase que exclusivamente toponímicas brasileiras. Assim, conforme relata o filho de Vital Brazil, Lael Vital Brazil, no seu livro "Vital Brazil Mineiro da Campanha", uma genealogia brasileira, as crianças foram registradas com os seguintes nomes:

  • Vital Brazil Mineiro da Campanha - Por ter recebido a vida (Vital) no Brasil, em Minas Gerais, na cidade de Campanha.
  • Maria Gabriela do Vale do Sapucaí, por ter nascido no vale do Rio Sapucaí.
  • Iracema Ema do Vale do Sapucaí.
  • Judith Parasita de Caldas, por ter nascido em Poços de Caldas.
  • Acacia Sensitiva Indígena de Caldas.
  • Oscar Americano de Caldas (pai de Oscar Americano).
  • Fileta Camponesa de Caldas.
  • Eunice Peregrina de Caldas.

Vital Brazil estudou medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em meio a grandes dificuldades financeiras, vindo a formar-se com brilhantismo em 1891. Retornando a São Paulo, clinicou em várias cidades do interior do Estado. Nessa época, presenciou a morte de várias pessoas, principalmente lavradores, vítimas de picadas de serpentes.

Como médico sanitarista, participou das brigadas de combate à febre amarela e à peste bubônica em várias cidades no Estado de São Paulo. Coincidentemente, algumas décadas mais tarde, seu primo - pelo ramo Pereira de Magalhães - Drº Adhemar Paoliello, igualmente formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro dedicar-se-ia, também como sanitarista, ao mesmo ideal de combater a febre amarela e a peste bubônica no Brasil e no exterior.

Além do seu trabalho como médico, Vital Brazil também criou uma das primeiras escolas do Brasil que alfabetizavam crianças de dia e adultos à noite. Desenvolveu materiais de informação, especialmente voltados para a população do campo, sobre como se proteger das cobras e outros animais peçonhentos. Criou uma caixa de madeira, barata e segura, para que os fazendeiros pudessem capturar as cobras; firmou convênios com as estradas de ferro, para transportá-las, pois eram essenciais à fabricação do soro.

A convite do governo estadual, Vital Brazil ingressou, em 1897, no Instituto Bacteriológico do Estado de São Paulo, dirigido por Adolfo Lutz. Foi então que tiveram início suas pesquisas. Trabalhou junto com Oswaldo Cruz e Emílio Ribas no combate à peste bubônica, ao tifo, à varíola e à febre amarela.

Recebeu do governo de Rodrigues Alves a Fazenda Butantan, às margens do Rio Pinheiros, em São Paulo, onde posteriormente viria a se instalar o Instituto Butantan. Foram lá desenvolvidos, com escassos recursos, importantes trabalhos de pesquisa e produção de medicamentos. Os primeiros tubos de soro antipestoso começaram a ser entregues após quatro meses de trabalho.

Em 1903, surgiu o soro antiofídico, desenvolvido a partir do Piroplasma Vitalli, parasita no sangue dos cães. Após este evento outros soros foram produzidos no Instituto Butantan. Também foram produzidas vacinas contra tifo, varíola, tétano, psitacose, disenteria bacilar e BCG. As sulfuras e as penicilinas vieram mais tarde. As picadas de aranhas venenosas, escorpião e lacraias deram origem a novos soros. Frequentou por longo tempo o Instituto Pasteur. Também é o fundador do Instituto Vital Brazil, em Niterói.

Vital Brazil tornou-se mundialmente conhecido pela descoberta da especificidade do soro antiofídico, do soro contra picadas de aranha, do soro antitetânico e antidiftérico e do tratamento para picada de escorpião.

A Importância da Especificidade

A descoberta de Vital Brazil sobre a especificidade dos soros antipeçonhentos estabeleceu um novo conceito na imunologia, e seu trabalho sobre a dosagem dos soros antiofídicos gerou tecnologia inédita. A criação dos soros antipeçonhentos específicos e o antiofídico polivalente ofereceu à Medicina, pela primeira vez, um produto realmente eficaz no tratamento do acidente ofídico que, sem substituto, permanece salvando centenas de vidas nos últimos cem anos.

Consagrado em congresso científico nos Estados Unidos em 1915, o seu trabalho logo despertou o interesse da Europa, onde se encontrava a vanguarda da pesquisa médica da época, e lhe valeu o reconhecimento mundial. O Instituto Butantan representa um marco na ciência experimental brasileira. Desenvolvendo significativo número de pesquisas de elevado teor cientifico, educando as populações rurais na adoção do tratamento e na prevenção de acidentes ofídicos e criando aquela que foi, possivelmente, a primeira escola de alfabetização de adultos, esse Instituto desempenhou importante papel social na época e tornou-se conhecido e famoso no mundo todo.


Instituto Butantan

Vital Brazil foi o criador do Instituto Butantan, em São Paulo, que foi instalado em uma fazenda antiga e distante da cidade, comprada pelo governo do estado de São Paulo para que lá funcionasse um laboratório para a produção de vacinas.

O documento de compra da fazenda tem a data de 24 de dezembro de 1899. A partir desse começo precário e difícil, o Instituto cresceu rapidamente. Em 1901 já produzia os soros antipestoso e antiofídico, daí ter recebido o nome de Instituto Serunterápico do Estado de São Paulo. Em 1925, passou a se chamar Instituto Butantan.

O Instituto continua um centro de referência e excelência, em diversas áreas científicas.


Instituto Vital Brazil

Após deixar a direção do Instituto Butantan, em 1919, Vital Brazil foi para o Rio de Janeiro. Apesar de convidado por Carlos Chagas para trabalhar em Manguinhos (renomeada FioCruz), resolveu fundar um novo laboratório, por achar que o Brasil necessitava de mais instituições científicas, onde o estudo e a pesquisa se ocupassem da solução de seus graves problemas.

Fundou, em Niterói, com o apoio do então Presidente do Estado do Rio de Janeiro, Drº Raul de Morais Veiga, o Instituto Vital Brazil, o atual Instituto Vital Brazil S.A. (Centro de Pesquisas, Ensino, Desenvolvimento e Produção de Imunobiológicos, Medicamentos, Insumos e Tecnologia para Saúde), em julho de 1919.

As atuais instalações, considerado uma jóia da arquitetura moderna, projetadas e construídas por Álvaro Vital Brazil, então com 34 anos, filho do cientista Vital Brazil, um dos grandes nomes da arquitetura moderna brasileira ao lado de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, foram inauguradas em 11 de setembro de 1943 com a presença do presidente da República, Getúlio Vargas. Ocupam uma área de 100 mil m² e edificação de 20 mil m², no bairro de Vital Brazil, na cidade de Niterói, RJ.

Sua seriedade, perseverança e dedicação fizeram deste Instituto outro importante centro de pesquisas, único por sua organização em âmbito nacional e reconhecido internacionalmente como estabelecimento científico pelos trabalhos de valor aí realizados. Muitos estudantes brasileiros e estrangeiros se iniciaram na carreira de pesquisadores estagiando nos laboratórios desse Instituto, formador de cientistas.


Família e Filhos Célebres

Vital Brazil constituiu família por duas vezes, a primeira em 1892, logo após sua formatura, com Maria da Conceição Philipina de Magalhães, sua prima em segundo grau, com quem teve 12 filhos, dos quais apenas nove chegaram à idade adulta. Viúvo em 1913, casou-se novamente em 1920 com Dinah Carneiro Vianna, com quem teve mais nove filhos. Dezoito filhos chegaram à idade adulta, nove do primeiro e nove do segundo casamento. Seis homens e três mulheres de cada um deles. Alguns dos filhos de Vital Brazil viraram figuras célebres, Vital Brazil Filho como médico e cientista e o arquiteto e engenheiro Álvaro Vital Brazil.

  • Vital Brazil Filho, dá nome à rua onde está instalada a Faculdade de Veterinária da Universidade Federal Fluminense e ao Diretório Acadêmico, pois foi um dos fundadores da faculdade, juntamente com Américo Braga. Seria o seguidor do pai, mas morreu de Septicemia, pega durante experiência em laboratório: coçou o nariz com a mão contaminada com germes e microrganismos.
  • Oswaldo, ganhou o nome em homenagem ao cientista Oswaldo Cruz, trabalhou ao lado do pai, mas fez carreira científica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em farmacologia, foi professor e cientista.
  • Enos, médico veterinário, foi chefe da Cadeira de Farmacologia da Unicamp e vice-presidente da Fundação Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro.
  • Horus, médico pela Faculdade Fluminense de Medicina, onde foi aluno brilhante . Um dos fundadores da Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle, Horus (SPID) foi professor, supervisor e analista de várias gerações de psicanalistas. Era um estudioso da teoria e da clínica, seguidor de Freud e se empenhou em difundir a psicanálise. Manteve grupos de estudo até pouco antes de morrer. Publicou muitos livros e artigos, entre eles "Psicanálise Cem Anos Depois" e outros ensaios e "Poesias Acontecidas".
  • Alvarina casou-se com Augusto Esteves, administrador e ilustrador científico do Instituto Vital Brazil e um dos primeiros colaboradores do cientista Vital Brazil, com quem veio de São Paulo, em 1919. Ele impressionava pelo preciosismo: contava até as escamas das cobras para desenhá-las a cores. Foi ele também quem desenhou as embalagens, o escudo, o prédio etc. Dominava a técnica de bico-de-pena e hoje tem uma sala em sua homenagem na Universidade de São Paulo, onde trabalhou depois da morte de Vital Brazil.
  • Acácia Brazil é uma harpista consagrada mundialmente. Iniciou os estudos de música em harpa ainda menina.
  • Vitalina também dedicou-se à música. Era pianista e fez muitas apresentações na Europa, principalmente na França.
  • Álvaro Vital Brazil formou-se em Engenharia e Arquitetura. Contemporâneo e amigo de Oscar Niemeyer, Burle Marx e Lúcio Costa, deu destaque ao Modernismo no Brasil. Construiu a atual sede do Instituto Vital Brazile o Edifício Esther, em São Paulo, entre outros. Foi um dos grandes nomes brasileiros do estilo moderno de construir e foi homenageado em livros especializados.
  • Lael perpetua as histórias da família Vital Brazil, a árvore genealógica e o trabalho do pai em quatro livros e discursos publicados. É aviador aposentado.
  • Augusto Esteves foi o primeiro ilustrador científico do país. Começou a desenhar quando ainda era criança. Também pintava quadros e escrevia poesias caipiras, que assinava com o codinome Mane Coivara. Entre os irmãos e parentes próximos era chamado de Sinhô. Viveu de 1891 a 1966. Ele deu importante contribuição ao ensino da ciência e é homenageado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.


Homenagens

  • Há na cidade de São Paulo a Avenida Vital Brasil, via mais importante do Bairro do Butantã, zona Oeste da cidade. A avenida termina no acesso à portaria do Instituto Butantan, uma homenagem interessante ao mais ilustre de seus pesquisadores.
  • O bairro onde situa-se a sede do Instituto Vital Brazil em Niterói chama-se Vital Brazil. Uma importante avenida nesta cidade também chama-se Vital Brazil em sua homenagem.
  • Na cidade de Campanha, Minas Gerais, a casa onde o cientista nasceu abriga hoje um museu, Museu Vital Brazil. Construída em 1830, com arquitetura do período colonial, telhas feitas a mão por escravos e paredes de pau-a-pique. Ali estão expostos aos visitantes pesquisas, documentos, certidões, fotografias e livros. Inauguração aconteceu em 1988, o local funciona hoje como centro divulgador dos trabalhos e da vida do cientista.
  • A Casa da Moeda do Brasil expediu uma cédula no valor de Cr$ 10.000,00 (dez mil cruzeiros) cujo anverso era a efígie do cientista Vital Brazil, tendo a esquerda, gravura que representa cena clássica de extração do veneno, tarefa básica para a produção de soros, e o reverso um painel calcográfico mostrando um antigo serpentário, com destaque para a cena de cobra muçurana devorando uma jararaca.
  • A barca Vital Brazil é uma das embarcações em uso pela concessionária Barcas S/A, que realiza o transporte de passageiros entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói.
  • Pelo Projeto de Lei 1604/2003 do Congresso Nacional, o nome do cientista Vital Brazil entra para o Livro dos Heróis da Pátria, que se encontra no Panteão da Liberdade e da Democracia, no subsolo da Praça dos Três Poderes, em Brasília.
  • Um livro biográfico sobre Vital Brazil faz parte da séria "Nomes do Brasil", que homenageia algumas das principais personalidades do país, como Carmem Miranda e Princesa Isabel.
  • Vital Brazil dá nome à rodovia BR 267, que liga Juiz de Fora a Poços de Caldas, ambas em Minas Gerais. Com cerca de 200 Km, a estrada foi batizada em 1965 (centenário de nascimento do cientista) pelo Presidente da República, Castelo Branco.

Fonte: Wikipédia

Carybé

HECTOR JULIO PÁRIDE BERNABÓ
(86 anos)
Pintor, Gravurista, Desenhista, Ilustrador, Ceramista, Escultor, Muralista, Pesquisador, Historiador e Jornalista

* Lanús, Argentina (07/02/1911)
+ Salvador, BA (02/10/1997)

Carybé era argentino naturalizado e radicado no Brasil. Acreditava na força da miscigenação das Américas. Retratou a cultura do povo da Bahia como ninguém.

Nos dias 7 e 9 de fevereiro de 1911, nasce em Lanús, província de Buenos Aires, Hector Julio Paride Bernabó, que viria a se tornar conhecido como Carybé. Veio ao mundo no dia 7, mas este só foi informado oficialmente da chegada no dia 9, data que consta no seu registro. Talvez em virtude dos dois aniversários por ano tenha nascido sua índole festeira.

É o caçula dos 5 filhos de Enea Bernabó e Constantina Gonzales de Bernabó.

Enea, natural de Fivizzano, região da Toscana, Itália, tinha espírito aventureiro e correu o mundo. Começou suas andanças aos dezessete anos, quando foi para os Estados Unidos, e não parou mais. Andou muito até encontrar Constantina, jovem de origem brasileira residente em Posadas, Argentina. Casaram-se e recomeçaram as andanças. Tiveram 5 filhos: Arnaldo, nascido no Brasil, Zora e Delia, no Paraguai, Roberto e Hector, na Argentina.

E continuaram as andanças. Nem bem o pequeno Hector completava 6 meses e a família já se mudava para a Itália. Lá, aprendeu as primeiras letras. Viveram em Gênova até o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, quando se mudaram para Roma e onde ficaram até 1919. Mas a situação difícil do pós-guerra, aliada ao espírito andarilho, já fazia com que Enea, sonhasse novamente com a América, onde em pouco tempo a família desembarcava, desta vez na cidade do Rio de Janeiro.

Pierre Verger, Jorge Amado e Hector Carybé
Foi um começo difícil. Enea demorou a conseguir trabalho. Mas a esposa Constantina sabia muito e ia ensinando suas artes aos filhos, que ajudavam no sustento da casa. A primeira morada foi em Bonsucesso, trocada depois por outra na Rua Pedro Américo, no Catete. Foi nessa que deu-se uma mudança que marcaria para sempre a vida de Hector. Escoteiro do Clube de Regatas do Flamengo, sua tropa era caracterizada pelos apelidos de nomes de peixe: Hector escolheu se chamar Carybé, pequeno peixe amazônico, apelido que o acompanhou para o resto da vida.

Carybé começou a trabalhar cedo, numa farmácia do Rio de Janeiro. Depois, foi ajudante no atelier de cerâmica de seu irmão Arnaldo. Em 1928 ingressou na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, que cursou durante dois anos.

Em 1929 seu outro irmão, Roberto, conseguiu contratos para fazer as decorações de carnaval dos hotéis Glória e Copacabana Palace. Os três irmãos trabalharam duro, mas valeu a pena: estes contratos renderam a pequena fortuna de dezenove contos de réis e a decisão de Enea de retomarem as andanças, desta vez com destino à Argentina, onde chegaram a bordo do navio Blue Star.

E é assim, tardiamente, que, aos dezoito anos, Carybé vem a conhecer a terra onde nasceu.

A família chega à Argentina junto com a crise econômica mundial e não havia trabalho. A dificuldade fez os irmãos aceitarem qualquer serviço que se apresentasse. Por fim, ingressaram no jornalismo. Na época os jornais contratavam desenhistas para publicidade, charges e ilustrações, trabalho que Carybé desenvolveu paralelamente aos desenhos e pinturas que fazia para satisfação pessoal.

Foi nessa época que, a pedido de um amigo baiano, Josué de Barros, Carybé trabalhou como pandeirista de Carmem Miranda, quando esta se apresentava na Rádio Belgrano, em Buenos Aires. Trabalho que acaba durando três temporadas. Na quarta, Carmem Miranda chegou acompanhada do conjunto Bando da Lua, e dispensou seu pandeirista, dando mais uma contribuição, ainda que dessa vez inconsciente, à arte. Carybé só não fica mais triste porque, coincidentemente, os músicos eram seus velhos amigos, dos tempos da Rua Pedro Américo.

Em 1938, os irmãos Bernabó foram contratados por um novo jornal, El Pregón, onde Carybé consegue o trabalho dos seus sonhos: viajar o mundo, herdeiro que era do espírito andarilho do velho Enea. De cada porto visitado, deveria mandar desenhos e uma breve reportagem sobre suas impressões do lugar. Assim, Carybé conhece Montevidéu, Paranaguá, Santos e Rio de Janeiro. Daí, as cidades históricas de Minas. De volta ao mar, Vitória e, finalmente, Salvador da Bahia, onde o aguardava uma surpresa que ele descreve assim:

"Na posta restante não havia dinheiro, só uma carta de meus irmãos dizendo que o jornal tinha falido, que estavam tão duros quanto eu, que tivesse boa sorte...

E tive!

Voltava, depois de seis meses de gostoso miserê, com os desenhos e aquarelas de minha primeira exposição individual, e com a certeza de que meu lugar, como pintor, era na Bahia."

De volta à Argentina, fez sua primeira exposição conjunta, com o artista Clement Moreau, em 1939, no Museo Municipal de Bellas Artes, em Buenos Aires, onde também teve sua primeira exposição individual, na Galeria Nordiska Kompaniet.

Em 1941, faz as ilustrações do primeiro Calendário Esso, trabalho que lhe rende o dinheiro necessário para uma longa viagem: de barco, caminhão e trem, percorre Uruguai, Paraguai e Brasil. Na volta à Argentina, entra no país pela província de Salta, onde permanece.

Em 1944, faz sua terceira viagem à Bahia. Em Salvador, aprende capoeira com Mestre Bimba, frequenta candomblés (notadamente o de Joãozinho da Goméia), desenha e pinta.

Em 1945, realizou sua primeira exposição individual no Brasil, na sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil, no Rio de Janeiro.

Em 7 de maio de 1946, casou-se com Nancy Colina Bailey, em Tartagal, província de Salta, Argentina. Os recém casados seguiram em lua-de-mel para o Rio de Janeiro.

Em 6 de maio de 1947, nasceu o primeiro filho, Ramiro, em Buenos Aires. Trabalhou na série Conquista, de 1947 a 1949.

Em 1949, publicou Ajtuss, primeiro livro inteiramente escrito e ilustrado por Carybé.

No fim de dezembro de 1949, Carybé deixou a Argentina e veio ao Brasil. No Rio de Janeiro, recebeu do amigo Rubem Braga uma carta em que este pedia a Anísio Teixeira que lhe concedessem uma bolsa de trabalho na Bahia.

Em 01/01/1950 Carybé desembarcou em Salvador e desta vez para ficar.

Em 1951, expos na Secretaria de Educação da Bahia o resultado da bolsa de trabalho: a Coleção Recôncavo. No mesmo ano, ganhou a medalha de ouro da primeira Bienal Internacional de Livros e Artes Gráficas, pelas ilustrações do livro Bahia, Imagens da Terra e do Povo, de Odorico Tavares.

Em 1952, foi a São Paulo trabalhar no filme O Cangaceiro, de Lima Barreto. Fez 1600 desenhos de cena (storyboard). Segundo consta, foi a primeira vez na história do cinema em que um filme foi desenhado cena por cena. Carybé foi diretor artístico do filme, tendo também participado dele como figurante.

Em 28 de agosto de 1953, nasceu sua filha Solange, em Salvador.

Em 1955, ganhou o primeiro Prêmio Nacional de Desenho, na III Bienal de São Paulo.

Em 1957, oficializa sua relação com o país que o acolheu, naturalizando-se brasileiro. No mesmo ano é confirmado Obá de Xangô do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, como Otun Onã Shokun e Iji Apógan na casa de Omolu.

Em 1958, viajou para São Paulo, para realizar o mural do Banco Português. Ainda em 1958, viaja com Nancy para Nova York, seguindo daí para o México, Guatemala, Panamá e Peru, chegando, em 1959, à Bolívia e à Argentina, onde Nancy permaneceu.

Em 1959, ganha o concurso internacional para escolher o artista que faria os grandes painéis do terminal da American Airlines no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York. Em 1960, chegou àquela cidade para executar as obras.

Em 1961, foi homenageado com Sala Especial na VI Bienal de São Paulo. No mesmo ano, iniciou a série de crônicas e reportagens que publicaria no Jornal da Bahia até 1969, sob o pseudônimo Sorgo de Alepo. Publicou o álbum de desenhos Carybé, pela Coleção Mestres do Desenho.

Em 1962, fez exposição individual no Museu de Arte Moderna, em Salvador, e publicou o livro As Sete Portas da Bahia.

Em 1963, expõs no Nigerium Museum, em Lagos, e recebeu o título de Cidadão da Cidade do Salvador. Desenhou com índios, pássaros e bichos o mapa do Brasil que decorava os aviões Electra II, da Varig.

Ao longo dos anos 60, criou vários painéis, dentre os quais:
  • 1964 - Em concreto, fachada do Edifício Bráulio Xavier, na Praça Castro Alves, em Salvador (15X5m)
  •  1965 - Mural em concreto para a fábrica da Willys, em Recife, e Índios (óleo sobre madeira), para o Banerj, no Rio de Janeiro
  • 1967 - Mural em concreto para o Bradesco, na agência da Rua Chile, em Salvador, medindo 3X36m
  • 1968 - Os Orixás, série de painéis em madeira para o Banco da Bahia.

Em 1966, participou de exposições em Bagdá (patrocínio da Fundação Calouste Gulbekian) e Roma (coletiva no Palazzo Piero Cortona, realizada por Assis Chateaubriand). No mesmo ano publicou Olha o Boi.

Em 1967 recebeu o Prêmio Odorico Tavares como Melhor Plástico de 1967. Em 1968, o quadro Cavalos é oferecido à Rainha da Inglaterra como presente do Estado da Bahia, pelo governador Luiz Viana. No Palácio da Aclamação, Carybé e Nancy participaram da solenidade de entrega da obra, onde encontram-se com a Rainha Elizabeth II e o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo.

Em 1969 ilustrou Ninguém Escreve ao Coronel, livro de Gabriel Garcia Márquez, iniciando uma parceria que levaria todos os livros do autor publicados posteriormente no Brasil a serem ilustrados por Carybé. Ainda em 1969, viajou com Pierre Verger para o Benin, na África.

Em 1971, percorreu o Brasil com a exposição dos painéis Os Orixás (Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza). No Rio de Janeiro, acompanhou os ensaios do bailarino russo Rudolf Nureyev, encontro que rendeu o álbum Nureyev. Ilustrou Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez.

Em 1972, pintou o mural Nordeste (Óleo sobre madeira - 3X13m), para o Banco do Nordeste do Brasil, em Salvador.

Participou, em 1973, da primeira Exposição de Belas Artes Brasil/Japão, em Tóquio, Atami, Osaka, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, sendo agraciado com a Medalha de Ouro. Ainda em 1973, criou o mural da Assembléia Legislativa da Bahia (Concreto - 11X16m). Participou da Sala Especial - Homenagem a Tarsila do Amaral, Flávio de Carvalho e Maria Martins, na XII Bienal de São Paulo.

Em 1974, publicou o álbum de xilogravuras Visitações da Bahia e, já em 1976, fez as ilustrações para o livro O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado.

Em 1977, entregou duas estátuas para o Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro e venceu o III Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa Econômica Federal. No mesmo ano, recebeu o diploma Honra ao Mérito Espiritual ao Obá de Xangô Onã Xokun do Culto Afro-Brasileiro Xangô das Pedrinhas, de Salvador.

Em 1978 criou, para o Banco do Estado da Bahia, o mural Fundação da Cidade de Salvador (Técnica mista - 4X18m) e ilustrou A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado.

Em 1979, fez o mural Oxossi, no Parque da Catacumba, no Rio de Janeiro (Concreto 2,20X1,10m). Publicou Sete Lendas Africanas da Bahia, pasta com xilogravuras de sua autoria.

Em 8 de maio de 1981, viu mais de 15.000 pessoas comparecerem ao Largo do Pelourinho para comemorar seus 70 anos. Na ocasião, lançou o livro Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, fruto de 30 anos de pesquisas. Em junho de 1982, recebeu o título de Doutor Honoris Causa, da Universidade Federal da Bahia. Publicou Uma Viagem Capixaba, com Rubem Braga.

Em abril de 1983, inaugurou a mostra Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, no The Caribbean Cultural Center, em Nova York. Desenhou cenários e figurinos para o Balé Gabriela, Cravo e Canela, apresentado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Em 1984, na Cidade do México, fez a exposição Semblanza de Dioses y Ritos Afrobrasileños, no Museo Nacional de Las Culturas. Realizou exposição individual no Philadelphia Arts Institute, nos Estados Unidos. Criou a escultura Homenagem à Mãe Baiana (Bronze - 3,30m), em Salvador. Moldou três murais para o Hotel da Bahia (Concreto - 108m2) e pintou outro para o Aeroporto Internacional de Salvador (Óleo sobre tela - 2,08X5m).

Em 1985, ilustrou o livro Lendas Africanas dos Orixás, de Pierre Verger e fez a cenografia e os figurinos da ópera La Bohème, encenada no Teatro Castro Alves, em Salvador. Em 1986, realizou a exposição Retrospectiva 1936/1986, no Núcleo de Arte do Desenbanco.

Em 1988, passou de Otun a Obá Onâ Xokun do terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá. Permaneceu em São Paulo entre março e outubro, fazendo os murais do Memorial da América Latina, cuja autoria divide com o amigo Poty Lazzarotto. São seis painéis, medindo 15x4m cada. Destes, executou três: Os Povos Africanos, Os Ibéricos e Os Libertadores.

Em 1989, fez uma mostra individual no Museu de Arte de São Paulo e lançou o livro Carybé, que abrange toda a sua obra até aquele momento, com edição e fotografias de Bruno Furrer, para a Odebrecht.

Em 1990 expõs os originais do livro Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro e no Memorial da América Latina, em São Paulo, em exposição conjunta com Pierre Verger.

Em 1992 participou da exposição Jorge Amado e as Artes Plásticas, no Museu de Arte da Bahia. No mesmo ano, viajou com Nancy para a Europa, onde fez uma exposição individual na Alemanha, no International Sommertheatre, no Festival de Hamburgo. Também foi a Paris, onde expõs 10 painéis dos Orixás no Centro Georges Pompidou, ainda em comemoração aos 80 anos de Jorge Amado. Ainda em 1992 tem o quadro São Sebastião adquirido pelos Musei Vaticani.

Em 1993, expõs pela terceira vez na Galeria de Arte do Casino Estoril, em Portugal. Em 1995, fez exposições de uma série de gravuras em diversas galerias, nas cidades de São Paulo, Campinas, Curitiba, Belo Horizonte, Foz do Iguaçu, Porto Alegre, Cuiabá, Goiânia, Fortaleza e Salvador.

Em 1996, desenhou vinhetas para a TV Educativa da Bahia - Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia. No mesmo ano viajou para a Espanha, onde realizou mostra individual na Casa de Galícia - Xunta de Galícia - Madri.

Em 1997, executou gradil e projeto de mural de concreto, ambos para o Museu de Arte Moderna da Bahia. Projeta o gradil da Praça da Piedade, em Salvador.

Em 02 de outubro de 1997, faleceu em Salvador vítima de problemas cardíacos. Certamente não por coincidência, no Terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá.

Fonte: Wikipédia