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Nina Arueira

MARIA DA CONCEIÇÃO ROCHA E SILVA
(19 anos)
Escritora, Jornalista, Poetisa e Militante da UJC

☼ Campos dos Goytacazes, RJ, (07/01/1916)
┼ Rio de Janeiro, RJ (18/03/1935)

Maria da Conceição Rocha e Silva, melhor conhecida como Nina Arueira, foi uma escritora, jornalista, líder sindical e poetisa brasileira, nascida em Campos dos Goytacazes, RJ, numa casa não mais existente, na Avenida Alberto Torres, no dia 07/01/1916.

Fez seu curso primário e normal (incompleto) em sua cidade natal. Desde os primeiros anos da juventude, militou na imprensa de Campos e do Estado do Espírito Santo.

O nome Nina Arueira é fruto de um pseudônimo, porque o nome de batismo era Maria da Conceição Rocha e Silva. De seu apelido na intimidade, que era Pequenina, e do sobrenome do pai, Arueira, formou um nome muito forte e que viria a ser conhecido em muitos lugares fora de Campos.

Filha de Lino Arueira e de Maria Magdalena Rocha e Silva, desde a infância demonstrou qualidades invulgares. A sua avó chamava-a de Pequenina, e os familiares apenas de Nina, pseudônimo que viria a adotar na adolescência.

Aos 5 anos de idade já teria lido um livro de Victor Hugo e ditava pequenas poesias que o seu pai anotava e que, mais tarde, seriam selecionadas e publicadas no periódico "Rindo", sob o pseudônimo de Princesa de Vera Cruz.


No dia 15/07/1924, então com 8 anos de idade, foi escolhida para, numa grande comemoração cívica municipal, receber o primeiro bispo da cidade de Campos dos Goytacazes, Dom Henrique César Fernandes Mourão.

Em 1928, então com 12 anos de idade, perdeu o pai, passando a auxiliar a mãe no pequeno comércio da família. Este é um momento de grande amadurecimento da jovem e as observações que ali faz acerca da sociedade, das relações trabalhistas e da hipocrisia reinante na mesma, se refletirão nos seus futuros texto e poesias.

Aos 15 anos, ingressou no Liceu de Humanidades de Campos, onde a sua fama de articulista e crítica se difundiu. Realizou conferências no teatro da cidade, nas quais criticou instituições como a Igreja Católica, o capitalismo e outras. É deste período o seu manifesto "À Mocidade de Minha Terra". Por suas ideias, enfrentou críticas e perseguições por parte de outros jornalistas e pessoas da cidade.

Ainda no Liceu, conheceu Clóvis Tavares e Adão Pereira com os quais fundou um jornal estudantil. O grupo foi o responsável por apresentar à sociedade campista o Modernismo.

Nina abandonou o Liceu por estar insatisfeita com a metodologia educacional ali utilizada.

Foi membro da Loja Leadbeater da Sociedade Teosófica no Brasil, cujo presidente era o venerando Srº Virgílio Paula, posteriormente, durante muitos anos, Presidente da Escola Jesus Cristo. Seu diploma de membro da Sociedade Teosófica se encontra no Museu de Ciro (Exposição Espírita Permanente), da Escola Jesus-Cristo.

A Militância na União da Juventude Comunista (UJC)

Nos dias difíceis no início da década de 1930 no Brasil, e em meio às preocupações familiares, filiou-se à União da Juventude Comunista (UJC), juntamente com seus dois amigos do jornal estudantil. Iniciou-se para a jovem um período de lutas: cansado dos debates escritos, vai para a porta das fábricas, onde organiza comícios e funda sindicatos.

Ainda neste período, passou a frequentar a Sociedade Teosófica como que a buscar a religiosidade que lhe faltava no movimento do operariado, e apaixona-se por Clóvis Tavares, o companheiro de todos os momentos.

Em 01/05/1934, durante o grande comício na Praça do Santíssimo Salvador em Campos, o casal foi convidado a discursar para os trabalhadores. Durante a fala de Clóvis Tavares, alguém na multidão ateou fogo à bandeira nacional, fato encarado pela polícia presente como uma afronta ao Governo. Na repressão resultante, Clóvis Tavares foi detido e Nina escapou.

Durante o período em que Clóvis Tavares ficou detido, continuaram a se corresponder, mas Nina afastou-se da militância política e começou a dedicar-se a questões transcendentais. Neste período, foi de grande valia a amizade de Virgílio de Paula, que Nina chamava carinhosamente de "Vovô Virgílio".

Profundamente deprimida, a jovem contraiu tifo, transferindo-se para a residência de Virgílio de Paula, para melhor ser cuidada. Aqui continuou a escrever e debater com uma lucidez que espantava os poucos que tinha a coragem de ir visitá-la, vindo a falecer aos 19 anos, no Rio de Janeiro, RJ, no dia 18/03/1935.

O Espírito Nina

Profundamente abalado pela morte da noiva, Clóvis Tavares recebeu a notícia que o espírito de Nina havia se comunicado numa sociedade espírita. Esse fato deu novo alento à vida de Clóvis que, a partir de então, tornou-se adepto da doutrina espírita e, pouco depois, em outubro de 1935, fundou um educandário inspirado numa escola do plano espiritual fundada pelo espírito Nina.

Entre os médiuns que psicografaram as mensagens do espírito Nina, que nortearão os trabalhos de Clóvis Tavares, destaca-se Francisco Cândido Xavier. Desde então foram fundadas casas espíritas e grupos assistenciais com o nome de Nina Arueira.

Mais recentemente, o espírito Nina, pela psicografia de Alceu da Costa Filho, ditou o romance espírita "O Diário de Sofia".

A Memória de Nina Arueira e Clóvis Tavares No Cinema

A vida de dois nomes muito conhecidos no Movimento Espírita, Clóvis Tavares e Nina Arueira, foi a inspiração para o documentarista Oceano Vieira de Melo fazer seu novo filme. O longa "Luz na Escola" foi exibido no dia 24/11/2015 em duas salas do circuito Kinoplex na cidade de Campos dos Goytacazes, RJ, cidade natal dos personagens, em comemoração ao centenário de Clóvis Tavares e aos 80 anos da Escola Jesus Cristo.

Reconhecido pelo movimento espírita e autor de mais de dez livros, dentre eles "Amor e Sabedoria de Emmanuel", "Histórias Que Jesus Contou" e "Trinta Anos Com Chico Xavier"Clóvis Tavares ganha cena no filme quando, ainda jovem estudante, se identifica com os ideais comunistas na cidade onde nascera.

Nina Arueira é sua companheira de sala, no Liceu de Humanidades de Campos, nos anos 30, e igualmente levada pelos ideais, ajuda a fundar as bases para a Juventude Comunista, provocando na cidade acirrados debates em favor dos menos favorecidos. Neste mesmo tempo, os dois se apaixonam, iniciam o namoro e passam a ser os principais líderes da doutrina de Lênin na região.

Enquanto Clóvis aprimora seu discurso materialista e ambos começam a sofrer com as perseguições, Nina conhece um dos admiradores dos seus artigos publicados, Srº Virgílio de Paula, o estudioso de teosofia e do espiritismo e fundador do Grupo Espírita João Baptista, na cidade. Por seu intermédio e também dos livros espíritas, Nina se identifica com o Evangelho e fica maravilhada com a visão de Jesus todo justiça, amor e caridade, explicado à luz do espiritismo.

Mas faltando apenas dois meses para seu casamento com Clóvis, Nina adoece e vem a desencarnar com tifo, deixando o noivo desolado, mas que não demora a receber mensagens da própria noiva, em espírito, orientando-o para que ele se dedicasse à educação com o Evangelho.

Consolado pelas mensagens e pela doutrina, Clóvis começa um trabalho junto às crianças e funda o que chama Escola Infantil Jesus Cristo, nominada depois Escola Jesus Cristo, dado que os adultos também se afeiçoaram ao trabalho.

Todo o preparo do jovem espírita, que se mudara para estudar no Rio de Janeiro e lá tivera contato com intelectuais e escritores na Federação Epírita Brasileira (FEB) - Guillon Ribeiro, Manoel Quintão, Carlos Imbassahy, Leopoldo Machado - é resgatado pelo produtor Oceano Vieira de Melo, ao retratar a vida de Clóvis Tavares.

Pela amizade de mais de 50 anos do professor Clóvis Tavares com o médium Chico Xavier, quem chegava a ir duas vezes por ano visitar, muitas passagens entre os dois também são lembradas no documentário.

Em 1939, quatro anos depois da desencarnação da noiva, Clóvis Tavares faz sua primeira visita ao médium e recebe de Nina sua segunda mensagem, onde ela cita um fato de conhecimento apenas dos dois: antes de desencarnar, Nina havia escrito um pequeno romance espiritualista, "Yanur", dedicado ao noivo que, materialista, guardara em segredo.

A mocidade espírita de Campos visitava famílias necessitadas da Escola Jesus Cristo e numa dessas visitas, uma criança recém-nascida abandonada foi resgatada e acolhida, mas apesar de Clóvis ter providenciado todos os cuidados, ela veio a desencarnar.

Em uma de suas habituais viagens a Pedro Leopoldo para encontrar-se com Chico XavierClóvis obteve do médium a informação de que o visitava um espírito de muita luz, chamado Elzinha França, o nome dado à criança acolhida. Clóvis contou ao médium quem era a menina e Chico Xavier logo complementou que ela era uma das professoras que integravam a equipe espiritual de serviço na Escola Jesus Cristo.

Clóvis Tavares vem a se casar apenas 20 anos depois da desencarnação de Nina, com Hilda Mussa, que passou a ser também a sua fiel colaboradora nos trabalhos da Escola Jesus Cristo.

São essas e tantas outras histórias, como a revelação de Chico Xavier sobre a reencarnação de Santos Dumont naquele núcleo familiar, ajudam a compor o importante registro cinematográfico "Luz da Escola", que além de entreter o público, certamente guardará a memória daqueles que fizeram a diferença na história do espiritismo no Brasil.

Zé da Luz

SEVERINO DE ANDRADE SILVA
(60 anos)
Alfaiate e Poeta

☼ Itabaiana, PB (29/03/1904)
┼ Rio de Janeiro, RJ (12/02/1965)

Severino de Andrade Silva, mais conhecido como Zé da Luz, nascido em Itabaiana, PB, no dia 29/03/1904.

Severino de Andrade Silva foi "alfaiate de profissão" e um dos maiores poetas populares do Brasil. Marcou o imaginário nordestino com a genialidade de seus poemas e foi comparado ao também "poeta matuto" Patativa do Assaré.

Suas poesias são declamadas nas feiras, nas porteiras, na beirada das estradas, nas ruas e manguezais, se encontra na boca do povo, de quem tomou emprestada a voz, para dividi-la em forma de rima e verso. Perdeu-se do seu autor pois em livro não se encontra.

Seus poemas têm a cor do nordeste, o cheiro do nordeste, o sabor do nordeste. Às vezes trágico, às vezes humorado, às vezes safado. Quase sempre telúrico como a luz do sol do agreste.

Zé da Luz é tido como um dos realizadores da poesia matuta. Ele consagrou-se no folheto e na cantoria e também mostrou sua força diante da poesia tida como erudita. Por vezes, ele foi reverenciado como um poeta que trouxe na sua poesia, as vozes caladas do sertão, de Itabaiana e da Paraíba.

Com esta perspectiva de enaltecer a sua terra natal, expôs sentimentos de saudades, de homem forte, daquele que tem a coragem de mostrar publicamente, em versos e críticas sociais.

O paraibano Zé da Luz foi caracterizado como um autor que apresenta aspectos do romantismo, do lirismo, buscando, para além da crítica, uma estética para a sua construção literária.

Zé da Luz publicava suas obras em forma de literatura de cordel. Algumas poesias de sua autoria são: "Brasi Caboco", "A Cacimba", "As Flô de Puxinanã", "Ai! Se Sêsse!", "A Terra Caiu No Chão", "Confissão de Cabôco", entre outros.

Confira um trecho de "Brasil Caboco":

O que é Brasí Caboco?
É um Brasi diferente
do Brasi da capitá.
É um Brasi brasilêro
sem mistura de instrangero,
um Brasi nacioná!

A seguir as poesias "As Flô de Puxianã" "Ai! Se Sêsse!":

Bastos de Andrade e seu irmão Zé da Luz - Rio de Janeiro, 1959.
As Flô de Puxinanã
(Paródia de As "Flô de Gerematáia" de Napoleão Menezes)

Três muié ou três irmã,
três cachôrra da mulesta,
eu vi num dia de festa,
no lugar Puxinanã.

A mais véia, a mais ribusta
era mermo uma tentação!
mimosa flô do sertão
que o povo chamava Ogusta.

A segunda, a Guléimina,
tinha uns ói qui ô! mardição!
Matava quarqué critão
os oiá déssa minina.

Os ói dela paricia
duas istrêla tremendo,
se apagando e se acendendo
em noite de ventania.

A tercêra, era Maroca.
Cum um cóipo muito má feito.
Mas porém, tinha nos peito
dois cuscús de mandioca.

Dois cuscús, qui, prú capricho,
quando ela passou pru eu,
minhas venta se acendeu
cum o chêro vindo dos bicho.

Eu inté, me atrapaiava,
sem sabê das três irmã
qui ei vi im Puxinanã,
qual era a qui mi agradava.

Inscuiendo a minha cruz
prá sair desse imbaraço,
desejei, morrê nos braços,
da dona dos dois cuscús!


Ai! Se Sêsse!...

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!

Ferreira Gullar

JOSÉ RIBAMAR FERREIRA
(86 anos)
Escritor, Poeta, Crítico de Arte, Biógrafo, Tradutor, Memoralista e Ensaísta

☼ São Luís, MA (10/09/1930)
┼ Rio de Janeiro, RJ (04/12/2016)

Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira, foi um escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo. Foi o postulante da cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras (ABL), na vaga deixada por Ivan Junqueira, da qual tomou posse em 05/12/2014.

Ferreira Gullar nasceu em São Luís, MA, no dia 10/09/1930, com o nome de José Ribamar Ferreira. É um dos onze filhos do casal Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart.

Sobre o pseudônimo, o poeta declarou o seguinte:

"Gullar é um dos sobrenomes de minha mãe, o nome dela é Alzira Ribeiro Goulart, e Ferreira é o sobrenome da família, eu então me chamo José Ribamar Ferreira; mas como todo mundo no Maranhão é Ribamar, eu decidi mudar meu nome e fiz isso, usei o Ferreira que é do meu pai e o Gullar que é de minha mãe, só que eu mudei a grafia porque o Gullar de minha mãe é o Goulart francês; é um nome inventado, como a vida é inventada eu inventei o meu nome!"

Segundo Mauricio Vaitsman, ao lado de Bandeira Tribuzi, Luci Teixeira, Lago Burnet, José Bento, José Sarney e outros escritores, fez parte de um movimento literário difundido através da revista que lançou o pós-modernismo no Maranhão, A Ilha, da qual foi um dos fundadores. Até sua morte, muitos o consideravam o maior poeta vivo do Brasil e não seria exagero dizer que, durante suas seis décadas de produção artística, Ferreira Gullar passou por todos os acontecimentos mais importantes da poesia brasileira e participou deles.

Morando no Rio de Janeiro, participou do movimento da poesia concreta, sendo então um poeta extremamente inovador, escrevendo seus poemas, por exemplo, em placas de madeira, gravando-os.

Em 1956 participou da exposição concretista que é considerada o marco oficial do início da poesia concreta, tendo se afastado desta em 1959, criando, junto com Lígia Clark e Hélio Oiticica, o neoconcretismo, que valoriza a expressão e a subjetividade em oposição ao concretismo ortodoxo.

Posteriormente, ainda no início dos anos de 1960, se afastou deste grupo também, por concluir que o movimento levaria ao abandono do vínculo entre a palavra e a poesia, passando a produzir uma poesia engajada e envolvendo-se com os Centros Populares de Cultura (CPCs).

Militância Política

Ferreira Gullar foi militante do Partido Comunista Brasileiro (CPB) e, exilado pela ditadura militar, viveu na União Soviética, na Argentina e Chile. Ele comentou que bacharelou em subversão em Moscou durante o seu exílio, mas que devido a uma maior reflexão, experiência de vida, e de observar as coisas irem acontecendo se desiludiu do socialismo e que o socialismo não faz mais sentido pois fracassou.

"(...) toda sociedade é, por definição, conservadora, uma vez que, sem princípios e valores estabelecidos, seria impossível o convívio social. Uma comunidade cujos princípios e normas mudassem a cada dia seria caótica e, por isso mesmo, inviável."

Prêmios e Indicações

Ferreira Gullar ganhou o concurso de poesia promovido pelo Jornal de Letras com seu poema "O Galo" em 1950. Os prêmios Molière, o Saci e outros prêmios do teatro em 1966 com "Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come", que é considerada uma obra prima do teatro moderno brasileiro.

Em 1999 foi inaugurada em São Luís, MA, a Avenida Ferreira Gullar. Em Imperatriz, MA, ganhou em sua homenagem com o teatro Ferreira Gullar.

Em 2002, foi indicado por nove professores dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal para o Prêmio Nobel de Literatura.

Em 2007, seu livro Resmungos ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano. O livro, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, reúne crônicas de Ferreira Gullar publicadas no jornal Folha de S.Paulo no ano de 2005.

Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.

Ferreira Gullar foi agraciado com o Prêmio Camões em 2010.

Em 15/10/2010, foi contemplado com o título de Doutor Honoris causa, na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em 20/10/2011, ganhou o Prêmio Jabuti com o livro de poesia Em Alguma Parte Alguma, que foi considerado O Livro do Ano de ficção.

Em 2011, a obra Poema Sujo inspirou a vídeo instalação "Há Muitas Noites na Noite", dirigida por Silvio Tendler. Em 2015, o poema inspirou uma série documental, também denominada: "Há Muitas Noites na Noite", com sete episódios com 26 minutos cada, exibida na TV Brasil entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016, também dirigida por Silvio Tendler.

Academia Brasileira de Letras

Ferreira Gullar foi postulante eleito da cadeira 37 na Academia Brasileira de Letras (ABL), tendo obtido na votação 36 dos 37 votos possíveis derrotando os outros candidatos: Ademir Barbosa Júnior, José Roberto Guedes de Oliveira e José William Vavruk em apenas 15 minutos, com uma abstenção que permanece anônima devido a queima das fichas após o resultado da urna, em 09/10/2014, tendo votado 19 acadêmicos por presença física e 18 por cartas.

A cadeira tem como patrono o poeta e inconfidente mineiro Tomás Antônio Gonzaga e foi ocupada anteriormente por personalidades como Silva Ramos, Alcântara Machado, Getúlio Vargas, Assis Chateaubriand, João Cabral de Melo Neto e recentemente pelo ensaísta e curador Ivan Junqueira, amigo de Ferreira Gullar.

Sua posse era marcada para novembro, depois de várias recusas do escritor em convites anteriores.

Em 05/12/2014, Ferreira Gullar tomou posse de sua cadeira, a número 37, na Academia Brasileira de Letras (ABL).

Morte

Ferreira Gullar morreu no domingo, 04/12/2016, no Rio de Janeiro, RJ vítima de vários problemas respiratórios que culminaram em uma pneumonia. Ele estava internado há 20 dias no Hospital Copa D'Or, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Amigos famosos e imortais foram à Academia Brasileira de Letras (ABL), no Centro do Rio de Janeiro, na segunda-feira, 05/12/2016, para velar o corpo de Ferreira Gullar. Familiares, admiradores e colegas acadêmicos prestaram sua última homenagem ao poeta, que foi velado ainda na noite de domingo, 04/12/2016, e durante toda a madrugada no saguão da Biblioteca Nacional, também no Centro do Rio de Janeiro, e na manhã de segunda-feira foi velado na sede da Academia Brasileira de Letras (ABL).

O corpo de Ferreira Gullar foi sepultado por volta das 16h00 de segunda-feira, 05/12/2016, no mausoléu da Academia Brasileira de Letras (ABL) localizado no Cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Bibliografia

Poesia
  • 1949 - Um Pouco Acima do Chão
  • 1954 - A Luta Corporal
  • 1958 - Poemas
  • 1962 - João Boa-Morte, Cabra Marcado para Morrer (Cordel)
  • 1962 - Quem Matou Aparecida? (Cordel)
  • 1966 - A Luta Corporal e Novos Poemas
  • 1966 - História de um Valente (Cordel: Na clandestinidade, como João Salgueiro)
  • 1968 - Por Você Por Mim
  • 1975 - Dentro da Noite Veloz
  • 1976 - Poema Sujo (Onde se localiza a letra de Trenzinho do Caipira)
  • 1980 - Na Vertigem do Dia
  • 1986 - Crime na Flora ou Ordem e Progresso
  • 1987 - Barulhos
  • 1991 - O Formigueiro
  • 1999 - Muitas Vozes
  • 2005 - Um Gato Chamado Gatinho
  • 2010 - Em Alguma Parte Alguma

Antologias
  • 1977 - Antologia Poética
  • 1980 - Toda Poesia
  • 1981 - Ferreira Gullar - Seleção de Beth Brait
  • 1983 - Os Melhores Poemas de Ferreira Gullar - Seleção de Alfredo Bosi
  • 1989 - Poemas Escolhidos

Contos e Crônicas
  • 1996 - Gamação
  • 1997 - Cidades Inventadas
  • 2007 - Resmungos

Teatro
  • 1979 - Um Rubi no Umbigo

Crônicas
  • 1989 - A Estranha Vida Banal
  • 2001 - O Menino e o Arco-Íris

Memórias
  • 1998 - Rabo de Foguete - Os Anos de Exílio

Biografia
  • 1996 - Nise da Silveira: Uma Psiquiatra Rebelde

Literatura Infantil
  • 2011 - Zoologia Bizarra

Ensaios
  • 1959 - Teoria do Não-Objeto
  • 1965 - Cultura Posta em Questão
  • 1969 - Vanguarda e Subdesenvolvimento
  • 1977 - Augusto do Anjos ou Vida e Morte Nordestina
  • 1977 - Tentativa de Compreensão: Arte Concreta, Arte Neoconcreta - Uma Contribuição Brasileira
  • 1978 - Uma Luz no Chão
  • 1983 - Sobre Arte
  • 1985 - Etapas da Arte Contemporânea: Do Cubismo à Arte Neoconcreta
  • 1989 - Indagações de Hoje
  • 1993 - Argumentação Contra a Morte da Arte
  • 1998 - O Grupo Frente e a Reação Neoconcreta
  • 2002 - Cultura Pem Questão / Vanguarda e Subdesenvolvimento
  • 2002 - Rembrandt
  • 2003 - Relâmpagos

Televisão
  • 1990 - Araponga (Rede Globo) - Colaborador
  • 1995 - Irmãos Coragem (Rede Globo) - Colaborador
  • 1998 - Dona Flor e Seus Dois Maridos (Rede Globo) - Colaborador

Filmes
  • Os Herdeiros - Davi Martins

Fonte: Wikipédia
Indicação: Miguel Sampaio

Rogério Duarte

ROGÉRIO DUARTE GUIMARÃES
(77 anos)
Desenhista, Escritor, Poeta, Tradutor Compositor, Intelectual e Professor

☼ Ubaíra, BA (10/04/1939)
┼ Brasília, DF (13/04/2016)

Rogério Duarte Guimarães foi um desenhista, músico, escritor e intelectual brasileiro. É considerado um dos criadores da Tropicália. Sobrinho do sociólogo Anísio Teixeira, foi um intelectual multimédia baiano. Rogério Duarte era artista gráfico, músico, compositor, poeta, tradutor e professor.

Nos anos 60 mudou-se para o Rio de Janeiro, para estudar arte industrial com o alemão Max Bense, um dos mestres da semiótica e da poesia concreta, o que influenciaria seu trabalho no futuro. No Rio de Janeiro trabalhou como diretor de arte da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da Editora Vozes. Foi o autor de vários cartazes para filmes de seu amigo Glauber Rocha, como "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964), símbolo do cinema nacional, o cartaz se transformou em referência e é apontado como o despertar da pós-modernidade no Brasil, e "A Idade da Terra" (1980). Também criou, para este último, a trilha sonora.

Rogério Duarte criou capas de LPs de Gilberto Gil, Gal Costa e Caetano Veloso na época da Tropicália. Também se tornou conhecido por ter sido mentor intelectual de Zé Celso Martinez Corrêa, Hélio Oiticica e Torquato Neto.


Eclético, Rogério Duarte criou também pinturas, aquarelas e xilogravuras. A exposição mais recente dele foi "Marginália 1", mostra inaugurada em agosto de 2015, no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro. À época, escreveu no Facebook:

"...sou um marginal porque descobri que a margem fica dentro do rio..."

Considerado um dos mentores intelectuais do movimento tropicalista, Rogério Duarte foi também um dos primeiros a ser preso e a denunciar publicamente a tortura no regime militar. Preso juntamente com seu irmão Ronaldo Duarte, o caso mobilizou artistas e mereceu ampla divulgação no jornal carioca Correio da Manhã, que publicou uma carta coletiva pedindo a libertação dos "Irmãos Duarte".


Com o endurecimento da ditadura e a promulgação do Ato Institucional Nº 5 (AI-5), Rogério Duarte foi para a clandestinidade e iniciou a sua fase "transcendental" que o levou a estudar o sânscrito e iniciar a tradução do "Bhagavad Gita", lançado por ele anos mais tarde, acompanhado de um CD com a participação de vários artistas, com o título de "Canção do Divino Mestre".

Também é de sua autoria o livro "Tropicaos" onde, entre outras coisas, fala da prisão, tortura e de sua versão sobre o movimento tropicalista.

Rogério Duarte morreu em Brasília, DF, às 21h00 de quarta-feira, 13/04/2016, aos 77 anos. Ele estava internado há quase dois meses no Hospital Santa Lúcia e lutava contra um câncer ósseo e câncer no fígado. O sepultamento será realizado na cidade de Santa Inês, BA.

Fonte: Wikipédia
Indicação: Taís Veras e Miguel Sampaio

Myriam Fraga

MYRIAM DE CASTRO LIMA FRAGA
(78 anos)
Poetisa e Escritora

☼ Salvador, BA (09/11/1937)
┼ Salvador, BA (15/02/2016)

Myriam de Castro Lima Fraga foi uma poetisa e escritora brasileira nascida em Salvador, BA, em 09/11/1937. Era filha de Orlando de Castro Lima e Beatriz Ponde de Castro Lima.

Iniciou suas atividades literárias publicando assiduamente em revistas e suplementos literários, e estreou em livro com "Marinhas", poesia, no ano de 1964, pelas Edições Macunaíma - editora especializada em publicações de tiragem limitada e de alto padrão gráfico, sob a orientação artística do gravador Calasans Neto.

Com poemas traduzidos para o inglês, francês e alemão, participava de diversas antologias no Brasil e no exterior. É citada em várias publicações nacionais e estrangeiras, entre elas: "Pequeno Dicionário de Literatura Brasileira", de José Paulo Paes e Massaud Moisés (1968); "Grande Enciclopédia Delta Larousse" (1972); "Enciclopédia de Literatura Brasileira", de Afrânio Coutinho, (1990), "História da Literatura Brasileira", de Luciana Stegagno Picchio (1997), "Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras: 1711-2001", por Nelly Novaes Coelho (2002).

Participou como escritora convidada de inúmeras conferências e seminários no Brasil e em outros países, como:
  • 1981 - I Encontro da Poesia Brasileira - Semana Joaquim Cardoso, Recife
  • 1984 - II Bienal Nestlé de Literatura, São Paulo
  • 1985 - Brasilian Writters Project, Estados Unidos
  • 1986 - 40º Congresso da União Brasileira de Escritores (UBE), São Paulo
  • 1986 - Simpósio Sobre a Cultura e a Literatura Caboverdianas, em Mindelo, Cabo Verde
  • 1986 - III Bienal Nestlé de Literatura, em São Paulo
  • 1998 - Encontro Poesia em Lisboa, em Lisboa
  • 2001 - 5º Encontro Nacional de Acervos Literários Brasileiros, PUC-RS
  • 2002 - III Congresso Nacional de Escritores, Pernambuco
  • 2002 - Colloque Jorge Amado, Sorbonne, Paris
  • 2005 - Encontro sobre poesia, Journée d’Etudes sur le sujet "A quoi bon la poésie aujourd’hui", Universidade de Rennes, França
  • 2006 - Festival Literário de Parati (FLIP), Rio de Janeiro
  • 2007 - Festival Literário de Porto de Galinhas, Recife
  • 2007 - Semana do Brasil, La Rochelle, França
  • 2011 - Salão do Livro de Guarulhos
  • 2012 - Dia Internacional do Museu - Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, São Paulo
  • 2012 - 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, Brasília

Eleita por unanimidade membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, tomou posse no dia 30/07/1985, passando a ocupar a Cadeira de nº 13, que tem como patrono o poeta Francisco Moniz Barreto, na vaga de Luiz Fernando Seixas de Macedo Costa.

Foi membro do Conselho Federal de Cultura, de 1990 a 1993, do Conselho Federal de Política Cultural, de 1993 a 1996, do Conselho Estadual de Cultura, de 1992 a 2006, do Conselho da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), de 2004 a 2006, e atualmente era membro do Conselho Universitário da Universidade Federal da Bahia, do Conselho da Fundação Pierre Verger e do Instituto Carybé.

Diretora Executiva da Fundação Casa de Jorge Amado desde sua instituição, em julho de 1986, vinha se dedicando, igualmente, à área de Administração Cultural.

Entre 1980 e 1986, esteve à frente de projetos pioneiros na Fundação Cultural do Estado da Bahia, quando coordenou a Coleção dos Novos e foi responsável pelo projeto de criação do Centro de Estudos de Literatura Luiz Gama, hoje Departamento de Literatura.

Como diretora da Fundação Casa de Jorge Amado vinha promovendo seguidamente cursos, colóquios e conferencias sobre literatura com ênfase na obra de Jorge Amado contando com a participação e o apoio de instituições de relevância como Academia de Letras da Bahia e Universidades como Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

Era membro do Conselho Universitário da Universidade Federal da Bahia (CONSUNI) e do Conselho da Associação Baiana de Imprensa (ABI), além de manter colaboração em revistas e jornais, foi responsável pela coluna Linha D’Água, sobre assuntos culturais, publicada aos domingos no jornal A Tarde, de Salvador, de 1984 a 2004.

Morte

Myriam Fraga morreu, aos 78 anos, no início da tarde de segunda-feira, 15/02/2016, em Salvador, BA. Segundo informações da Fundação Casa de Jorge Amado, Myriam Fraga morreu por volta dde 12h00, no Hospital Aliança, onde estava internada desde o dia 20/01/2016. Ela tinha leucemia.

O sepultamento de Myriam Fraga realizou-se na terça-feira, 16/02/2016, às 11h00, no Cemitério Jardim da Saudade.

Myriam Fraga deixou quatro filhos.

Títulos e Prêmios

  • 1969 - Prêmio Arthur de Salles (Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Bahia)
  • 1972 - Prêmio Casimiro de Abreu (Secretaria da Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro)
  • 1984 - Medalha Castro Alves (Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel, Salvador)
  • 1984 - Medalha do Mérito Castro Alves (Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Bahia)
  • 1987 - Personalidade Cultural (União Brasileira de Escritores - UBE, Rio de Janeiro)
  • 1996 - Medalha Maria Quitéria (Câmara dos Vereadores da Cidade do Salvador)
  • 1996 - Prêmio COPENE de Cultura e Arte (Salvador)
  • 1997 - Troféu Catarina Paraguaçu (MAM e TGM, Salvador)
  • 1998 - Prêmio Alejandro José Cabassa (UBE, Rio de Janeiro)

Livros Publicados

Poesia

  • 1964 - Marinhas
  • 1969 - Sesmaria
  • 1975 - O livro dos Adynata
  • 1975 - A Ilha
  • 1979 - O Risco na Pele
  • 1979 - A Cidade
  • 1981 - As Purificações ou o Sinal de Talião
  • 1983 - A Lenda do Pássaro Que Roubou o Fogo
  • 1985 - Six Poems (Tradução Richard O’Connell)
  • 1992 - Os Deuses Lares
  • 1994 - Die Stadt (Tradução Curt Meyer-Clason)
  • 1996 - Femina
  • 2008 - Poesia Reunida

Antologias

  • 1966 - Cinco Poetas
  • 1967 - Antologia da Moderna Poesia Baiana
  • 1968 - 25 Poetas da Bahia
  • 1975 - Sete Cantares de Amigos
  • 1976 - Antologia de Poetas da Bahia (Em Alfabeto Braile)
  • 1984 - Em Carne Viva (Org. Olga Savary)
  • 1985 - Poetas Contemporâneos (Org. Henrique Alves)
  • 1993 - Simulations (Org. Richard O’Connell)
  • 1995 - Sincretismo - A Poesia da Geração 60 (Org. Pedro Lyra)
  • 1997 - Modernismo Brasileiro (Org. Curt Meyer-Clason)
  • 1997 - Poésie du Brasil (Org. Lourdes Sarmento)
  • 1998 - Poesia em Lisboa
  • 1999 - A Poesia Baiana no Século XX (Org. Assis Brasil)
  • 2000 - Águas dos Trópicos (Org. Beatriz Alcântara e Lourdes Sarmento)
  • 2000 - Antologia de Poetas Brasileiros (Sel. Org. Mariazinha Congílio)
  • 2000 - A Paixão Premeditada (Org. Simone Lopes Pontes Tavares)
  • 2001 - Poetas da Bahia Século XVII ao Século XX (Org. Ildásio Tavares)
  • 2001 - Antologia da Poesia Brasileira (Org. Xose Lois Garcia)
  • 2003 - Companhia de Poetas (Org. José Alberto Pinho Neves)
  • 2003 - Palavra de Mulher (Álvaro Alves de Faria)
  • 2004 - Perfil Grécia - Em Poetas do Brasil (Org. Stella Leonardos)
  • 2007 - Geopoemas - Geopoems (Org. Luiz Angélico da Costa)
  • 2013 - Transbrasiliana - 36 Mujeres Poetas de Brazil (Org. Antonio Miranda, Salomão Souza e José Guillhermo Vargas)
  • 2009 - O Cangaço na Poesia Brasileira
  • 2011 - Poesia Viva em Revista

Biografias

  • 1986 - Flor do Sertão
  • 1997 - Uma Casa de Palavras
  • 2002 - Leonídia, a Musa Infeliz do Poeta Castro Alves

Infanto-Juvenis

  • 2001 - Castro Alves (Coleção Crianças Famosas)
  • 2002 - Jorge Amado (Coleção Crianças Famosas)
  • 2003 - Jorge Amado (Mestres da Literatura)
  • 2004 - Castro Alves (Mestres da Literatura)
  • 2005 - Luiz Gama
  • 2005 - Carybé (Mestres da Pintura)
  • 2007 - Graciliano Ramos (Mestres da Literatura)
  • 2012 - O Pássaro do Sol

Prosas

  • 1997 - Uma Casa de Palavras
  • 2013 - Uma Casa de Palavras - Vinte e Cinco Anos Depois
  • 2013 - Memórias de Alegria

Indicação: Miguel Sampaio

Guilherme de Almeida

GUILHERME DE ANDRADE DE ALMEIDA
(78 anos)
Advogado, Jornalista, Heraldista, Crítico de Cinema, Poeta, Ensaísta e Tradutor

☼ Campinas, SP (24/07/1890)
┼ São Paulo, SP (11/07/1969)

Guilherme de Andrade de Almeida foi um advogado, jornalista, heraldista, crítico de cinema, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro. Filho de Estevam de Araújo Almeida, professor de direito e jurisconsulto, e de Angelina de Andrade.

Foi casado com Belkiss Barroso de Almeida, de cuja união nasceu o filho, Guy Sérgio Haroldo Estevam Zózimo Barroso de Almeida, que se casou com Marina Queirós Aranha de Almeida. Foi, com seu irmão, Tácito de Almeida, importante organizador da Semana de Arte Moderna de 1922, tendo criado em 1925 conferência para difusão da poesia moderna, intitulada "Revelação do Brasil Pela Poesia Moderna", que foi apresentada em Porto Alegre, Recife e Fortaleza.

Um dos poemas de Guilherme de Almeida, "A Carta Que Eu Sei de Cor", presente em seu livro "Era Uma Vez", foi declamado na Faculdade de Letras de Coimbra, em 1930, na importante conferência "Poesia Moderníssima do Brasil". Esta conferência foi estampada na revista Biblos (Faculdade de Letras de Coimbra), Vol. VI, n. 9-10, Coimbra, setembro e outubro de 1930, pp. 538 - 558; e no Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, domingo, 11/01/1931, página 3.

Guilherme de Almeida foi um dos fundadores da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, onde lecionou Ciência Política. Foi ainda um dos fundadores da Revista Klaxon, que visava a divulgação da ideias modernistas, tendo realizado sua capa, assim como os arrojados anúncios da Lacta, para a mesma revista. Elaborou também a capa da primeira edição do livro "Paulicéa Desvairada", de Mário de Andrade.

Participou do grupo verde-amarelista e colaborou também com a Revista de Antropofagia, tendo escrito poemas-piada à moda de Oswald de Andrade.

Guilherme de Almeida foi o primeiro modernista a entrar para a Academia Brasileira de Letras em 1930.

Em 1958, foi coroado o quarto "Príncipe dos Poetas Brasileiros", depois de Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Olegário Mariano. Entre outras realizações, foi o responsável pela divulgação do poemeto japonês Haikai no Brasil.

Vida Pública

Combatente na Revolução Constitucionalista de 1932 e exilado em Portugal, após o final da luta, foi homenageado com a Medalha da Constituição, instituída pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Sua obra maior de amor a São Paulo foi seu poema "Nossa Bandeira". Ainda, o poema "Moeda Paulista" e a pungente "Oração Ante a Última Trincheira".

É proclamado "O Poeta da Revolução de 32". Escreveu a letra do "Hino Constitucionalista de 1932 / MMDC", "O Passo do Soldado", de autoria de Marcelo Tupynambá, com interpretação de Francisco Alves.

É de sua autoria a letra da "Canção do Expedicionário" com música de Spartaco Rossi, referente à participação dos pracinhas brasileiros na Segunda Guerra Mundial.

Autor da letra do "Hino da Televisão Brasileira", executado quando da primeira transmissão da Rede Tupi de Televisão, realizada por mérito de seu concunhado, o jornalista Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo.

Foi presidente da Comissão Comemorativa do Quarto Centenário da cidade de São Paulo.

Casa Guilherme de Almeida

Guilherme de Almeida mudou-se para o local em 1946, um sobrado na Rua Macapá, no Pacaembu, em São Paulo. Era chamado carinhosamente por ele como a "Casa da Colina". E ele a descreveu:

"A casa na colina é clara e nova. A estrada sobe, pára, olha um instante e desce".

Nela, o poeta viveu até 1969 e nela faleceu. Lá, os saraus eram bem animados, como lembra o poeta Paulo Bomfim. Também estavam sempre presentes os amigos Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Victor Brecheret, Noemia Mourão, René Thiollier, Saulo Ramos, Roberto Simonsen, Carlos Pinto Alves e tantos outros.

A casa, em 1979, tornou-se o Museu Casa Guilherme de Almeida, pertencente à Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, tendo sido "tombado como museu biográfico e literário" pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), em maio de 2009.

O museu conta com importante acervo de obras de arte: quadros de Di Cavalcanti, Lasar SegallAnita Malfatti, as primeiras edições dos livros do poeta, entre seis mil volumes no total, além de mobiliário, peças pessoais e relíquias da Revolução de 1932.

Guilherme de Almeida encontra-se sepultado no Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932, no Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, ao lado de Ibrahim de Almeida Nobre, o "Tribuno de 32", dos despojos dos jovens conhecidos pela sigla M.M.D.C. (Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Américo Camargo de Andrade), e do caboclo Paulo Virgínio.

Obras do Autor


Poesia

  • 1917 - Nós
  • 1919 - A Dança Das Horas
  • 1919 - Messidor
  • 1920 - Livro de Horas de Soror Dolorosa
  • 1922 - Era Uma Vez…
  • 1924 - A Frauta Que Eu Perdi
  • 1925 - Meu
  • 1925 - A Flor Que Foi Um Homem (Narciso)
  • 1925 - Encantamento
  • 1925 - Raça
  • 1929 - Simplicidade
  • 1931 - Carta à Minha Noiva
  • 1931 - Você
  • 1932 - Cartas Que Eu Não Mandei
  • 1938 - Acaso
  • 1941 - Cartas do Meu Amor
  • 1947 - Poesia Varia
  • 1951 - O Anjo de Sal
  • 1954 - Acalanto de Bartira
  • 1956 - Camoniana
  • 1957 - Pequeno Romanceiro
  • 1961 - Rua
  • 1965 - Rosamor
  • 1968 - Os Sonetos de Guilherme de Almeida
  • 2010 - Margem: Poesia

Poesia (Traduções)

  • 1932 - Eu e Você (Tradução do Toi et Moi, de Paul Géraldy)
  • 1923 - O Gitanjali (De Rabindranath Tagore)
  • 1936 - Poetas de França
  • Suíte Brasileira (Terceira parte do livro de Luc Durtain Quatre Continents)
  • 1939 - O Jardineiro (De Rabindranath Tagore)
  • 1943 - O Amor de Bilitis (Algumas Canções) - De Pierre Louÿs
  • 1944 - Flores da Flores do Mal (De Charles Baudelaire)
  • Paralelamente a Paul Verlaine
  • 1965 - Festival (De Simon Tygel)
  • Arcanum (De Niles Bond)
  • 1967 - Os Frutos do Tempo (Les Fruits du Temps, de Simon Tygel)

Seleção de Poemas e Poesia Completa

  • 1931 - Poemas Escolhidos
  • 1952 - Toda a Poesia (1ª edição, 6 volumes)
  • 1967 - Meus Versos Mais Queridos

Teatro

  • 1916 - Mon Coeur Balance e Leur Ame (Escritas em colaboração com Oswald de Andrade)
  • 1921 - Scheherazada, Um Ato Em Versos
  • 1939 - O Estudante Poeta (Escrita em colaboração com Jaime Barcelos)

Teatro (Traduções)

  • 1950 - Entre Quatro Paredes (Huis Clos), de Jean-Paul Sartre
  • 1952 - A Antígone, transcrição da tragédia de Sófocles
  • 1954 - Na Festa de São Lourenço (Tradução em versos, nas partes tupi e castelhana, do Auto de José de Anchieta, segundo o texto de Maria de Lourdes de Paula Martins)
  • 1965 - História de Uma Escada (Historia de Una Escalera), de Antonio Buero Vallejo

Teatro (Traduções Inéditas)

  • A Importância de Ser Prudente (The Importance Of Being Ernest), de Oscar Wilde
  • Orfeu (Orphée), de Jean Cocteau
  • Lembranças de Berta (Hello From Bertha), de Tennessee Williams
  • Eurídice (Eurydice), de Jean Anouilh

Prosa

  • 1924 - Natalika
  • 1926 - Do Sentimento Nacional na Poesia Brasileira (Tese de concurso)
  • 1926 - Ritmo, Elemento de Expressão (Tese de concurso)
  • 1929 - Gente de Cinema, I (Série)
  • 1933 - O Meu Portugal
  • 1935 -  A Casa (Palestra pronunciada no salão do Clube Piratininga e dedicada aos alunos do Ginásio Bandeirantes)
  • 1944 - Gonçalves Dias e o Romantismo (Conferência realizada na Academia Brasileira de Letras)
  • 1948 - Histórias, Talvez...
  • 1948 - As Palavras de Buda
  • 1953 - Baile de Formatura
  • 1961 - Jornal de Um Amante (Do Journal d’un Amant, de Simon Tygel)
  • 1962 - Cosmópolis

Literatura Infantil

  • 1941 - O Sonho de Marina
  • 1941 - João Pestana (De Hans Christian Andersen)
  • 1942 - João Felpudo (De Heinrich Hoffmann)
  • 1943 - Pinocchio (De Carlo Collodi)
  • 1943 - O Camundongo e Outras Histórias (De Wilhelm Busch)
  • 1943 - Corococó e Caracacá (De Wilhelm Busch)
  • 1943 - O Fantasma Lambão (De Wilhelm Busch)
  • 1946 - A Mosca (De Wilhelm Busch)
  • 1946 - Uma Oração de Criança (De Rachel Field)
  • 1949 - A Cartola (De Wilhelm Busch)

Heráldica

Autor de Brasões-de-Armas das seguintes cidades:

  • São Paulo (SP)
  • Petrópolis (RJ)
  • Volta Redonda (RJ)
  • Londrina (PR)
  • Brasília (DF)
  • Guaxupé (MG)
  • Caconde (SP)
  • Iacanga (SP)
  • Embu das Artes (SP)

Fonte: Wikipédia

Marcelo Tupynambá

FERNANDO ÁLVARES LOBO
(64 anos)
Engenheiro, Radialista, Crítico Musical, Poeta e Músico

☼ Tietê, SP (29/05/1889)
┼ São Paulo, SP (04/07/1953)

Marcelo Tupynambá (na grafia moderna Marcelo Tupinambá), era o pseudônimo de Fernando Álvares Lobo, filho de músicos portugueses de sobrenome Lobo. Sua mãe chamava-se Maria Rodrigues de Azevedo Lobo e era professora. Seu tio-avô, Elias Álvares Lobo, foi autor da primeira ópera escrita em português e seu pai, Eduardo Álvares Lobo, foi destacado no cenário musical de sua época para reger a orquestra que recepcionou Dom Pedro II no interior paulista.

Ainda pequeno, Marcelo Tupynambá mudou-se para São Paulo, onde fez o curso primário.

Também foi engenheiro formado pela Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), radialista, crítico musical e poeta. Trabalhou como engenheiro mas, sentindo que a sua verdadeira vocação era a música, a ela passou a dedicar-se inteiramente. Teve ativa participação durante a Semana de Arte Moderna. Foi amigo e colaborador das rodas literárias e artísticas onde conviveu com Villa-Lobos, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Mário de Andrade, e outros.

Foi ao lado de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e Pixinguinha, fundamental na edificação de um estilo de composição que se tornaria paradigma na identificação de uma música verdadeiramente nacional.

Sua obra compreende mais de trezentas canções para canto e piano ou piano solo, incluindo outros gêneros como operetas, bailados, corais e quartetos de corda.

A música de Marcelo Tupynambá exerceu enorme influência no gosto popular entre as décadas de 1910 e 1930. Os foliões, durante o período de carnaval, saiam às ruas entoando as melodias do autor, que eram, ainda, difundidas através dos teatros, cinemas, discos e mais tarde também através do rádio e TV, resultando num enorme índice de popularidade e aceitação. Famosas, as músicas de Marcelo Tupynambá logo foram impressas e consumidas em forma de partitura. 

Marcelo Tupynambá (1º à esquerda) entre colegas, 1946
As músicas de Marcelo Tupynambá já receberam mais de 200 gravações desde 1913 até hoje por intérpretes como Pixinguinha, Francisco AlvesInezita Barroso, Eudóxia de Barros, Guiomar Novaes, e foram reverenciadas por Villa-Lobos, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida, Menotti Del Picchia e Darius Milhaud.

Porém grande parte das músicas de Marcelo Tupynambá permanece desconhecida do público em geral também porque cantores e músicos não têm fácil acesso a suas partituras.

O descaso perante a obra de Marcelo Tupynambá, que parece ser histórico, foi relatado primeiramente por Mário de Andrade, em artigo da década de 20 para a revista cultural "Ariel" e em seu famoso livro "Uma Pequena História da Música". O autor de "Macunaíma" queixava-se, já naquele tempo, dos músicos que abandonavam as partituras de Marcelo Tupynambá como se fossem moda passageira. O pensador, que liderou uma geração de compositores comprometidos com o desenvolvimento de uma verdadeira música nacional, de Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Luciano Gallet e tantos outros, se referia à música de Marcelo Tupynambá como um dos mais sólidos pilares da cultura brasileira. Dizia ser "escritas como entre o povo se faz arte". E chegou a analisar:

"O que exalta a música de Marcelo Tupynambá é a linha melódica. Muito pura e variada. O compositor encerra nela a indecisão heterogênea de nossa formação racial...é atualmente, entre os nossos melodistas de nome conhecido, o mais original e perfeito."

Marcelo Tupynambá e sua esposa Irene Menezes
Em outro trecho conclusivo do artigo da "Ariel"Mário de Andrade afirma, quase que profeticamente:

"Não se ouve mais o 'Matuto', ninguém mais se lembra de 'Ao Som da Viola'. Mas é possível que um dia os compositores nacionais, conscientes da sua nacionalidade e destino, queiram surpreender a melodia mais bela e original de seu próprio povo. As músicas de Marcelo Tupynambá serão nesse dia observadas com admiração e amadas com mais constância. Elas o merecem e o artista que as compôs, será lembrado, como um dos que melhor e primeiramente souberam surpreender os balbucios da consciência nacional nascente."
Foi, ainda Mário de Andrade, parceiro responsável pelos versos de "Canção Marinha", música de Marcelo Tupynambá, gravada em disco pela cantora Inezita Barroso.

O compositor francês Darius Milhaud, pertencente ao Grupo dos Seis (Les Six) em Paris, de passagem pelo Brasil no final da década de 1910, também descreveu a falta de atenção dos músicos brasileiros aos temas de Marcelo TupynambáDarius Milhaud classificou Marcelo Tupynambá como "umas das glórias e jóias da arte brasileira", e afirmou que suas melodias seriam como estrelas–guia da nossa riqueza musical, ignorada, desperdiçada, sem maiores explicações.

"Tupynambá e Nazareth precedem a música de seu país como aquelas duas grandes estrelas do céu sulino (Centauro e Alfa Centauri) precedem os cinco diamantes do Cruzeiro do Sul."
(Darius Milhaud, in La Revue Musicale, 1920)

Darius Milhaud fez o que aconselhava a todo músico brasileiro: estudou-as e tratou ele mesmo de citar sete melodias de Marcelo Tupynambá em uma das suas músicas mais interpretadas até os dias atuais, o balé "Le Boeuf Sur Le Toit".

Villa-Lobos, em 28/04/1923, concedeu um retrato autografado a Marcelo Tupynambá, que juntamente com o retrato assinado do maestro Eleazar de Carvalho e Souza Lima, tinham lugares reservados em cima do piano do compositor. Numa outra ocasião, Villa-Lobos, considerado nosso maior compositor, afirmou ter composto uma sinfonia sob inspiração dos temas de Marcelo Tupynambá, e assim escreveu na dedicatória: "Foi de um tema, de uma parte de tua alma sonora, filha dos trópicos de nosso Brasil, que criei esta sinfonia sertaneja."

Registro da participação de Marcelo Tupynambá em programas da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro (08/10/1925)
As partituras da coleção Marcelo Tupynambá, em sua maioria, são para canto e piano, piano solo, coro, banda e orquestra. Uma obra extensa, composta por mais de trezentas partituras para canto e piano (canções) e piano solo, uma dezena de peças para coro e orquestra (operetas), outra dezena de músicas para orquestra sinfônica (bailados e trilha sonora) e ainda algumas composições para instrumento solo e piano (lendas para violino e piano) e outras para coro (motivos folclóricos e música sacra).

Toda essa diversidade de composições incluíam colaboradores, letristas, parceiros e arranjadores. Os versos das canções de Marcelo Tupynambá são dos poetas Guilherme de AlmeidaMenotti Del PicchiaMário de Andrade, Afonso Schmidt, Amadeu Amaral, Manuel Bandeira, Castello Netto, Olegário Mariano, Homero Prates, Alphonsus de Guimarães, entre outra dezena de escritores, alguns representantes da Semana de Arte Moderna de 1922.

Participaram de arranjos de músicas suas os maestros Guerra-PeixePixinguinha, Gabriel Migliori, Souza Lima e Gaó. Interpretaram suas canções Francisco Alves, Vicente Celestino, Silvio CaldasInezita Barroso e Zizi Possi. Gravaram suas músicas Pixinguinha e Oito Batutas, Altamiro Carrilho, Eudóxia de Barros e Mário de Azevedo.

Escreveram criticamente sobre sua obra Oswald de AndradeMário de Andrade, Vasco Mariz, Ary Vasconcelos, Mariza Lira, Edigar de Alencar, José G. Vinci de Moraes, Manoel Aranha Correa do Lago, Renato Almeida, Bruno Kiefer, Aloysio Alencar Pinto, Darius Milhaud, Oneyda Alvarenga, Benedito Pires de AlmeidaMenotti Del Picchia, José Miguel Wisnik, Zuza Homem de Mello, José Ramos Tinhorão, Homero PratesManuel Bandeira, Elizabeth Travassos, Ulisses Paranhos, Cravo Albin, Jairo Severiano, Duprat Fiúza, Beatriz Leal Guimarães, Sérgio Millet e Ailton Rodrigues.

O teatro musicado pode ser considerado o primeiro divulgador da música de Marcelo Tupynambá. Tão logo suas canções faziam sucesso nos espetáculos, as canções passavam a ser editadas no formato de partitura e gravadas em disco. A partir de 1924, também o rádio se tornaria outro importante instrumento de divulgação de sua obra.

Marcello Tupynambá e Edgard Arantes
Marcelo Tupynambá foi pioneiro na função de diretor artístico da Rádio EducadoraRádio BandeirantesRádio RecordRádio TupiRádio Gazeta em São Paulo. Para o cinema, escreveu trilhas sonoras e seu oficio no dia a dia, assim como o de Ernesto Nazareth, era acompanhar as fitas de cinema mudo.

Marcelo Tupynambá atuou desde sempre para o reconhecimento e valorização da arte popular brasileira. Ele preocupava-se com a música regional, por exemplo: as modas e toadas do interior, com melodias simples e letras inspiradas em assuntos do cotidiano, eram recriadas em versão para voz e piano.

Atuando em diversos campos artísticos, o compositor deve ser considerado um legítimo representante da consolidação da canção brasileira como música nacional por excelência.

Marcelo Tupynambá foi casado com Irene Menezes Lobo, com quem teve os filhos: Cecilia, Helena, Samuel, Cláudio, Eduardo, Thereza e Ignês.

A herma que os tieteenses ergueram em sua homenagem foi inaugurada em 27/08/1967. O dia 30 de maio foi instituído "Dia de Marcelo Tupynambá" pela Lei n° 1.149 de março de 1972.