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Telmo de Avelar

TELMO PERLE MÜNCH
(93 anos)
Ator, Dublador, Tradutor e Diretor de Dublagem

☼ Curitiba, PR (02/10/1923)
┼ Rio de Janeiro, RJ (09/01/2017)

Telmo Perle Münch, também conhecido como Telmo de Avelar, foi um ator, dublador, tradutor e diretor de dublagem brasileiro nascido em Curitiba, PR, no dia 02/10/1923.

Telmo teve uma infância pobre e de muita necessidade. Em 1938, aos 14 anos, foi levado por seu irmão, que mais tarde se tornaria pintor, ao teatro participar de um pequeno grupo amador. Lá fazia apenas figuração, mas por uma casualidade, um dos atores que ia interpretar na peça não pôde estar no dia e Telmo foi chamado para representar em seu lugar. Fez o teste e foi aprovado. A partir daí todos os dias estudava seu papel até altas horas da noite. Atuou na peça e a partir daí começou sua carreira na dramaturgia.

Dois anos depois sua família mudou-se para Recife, PE, e Telmo a acompanhou. Permaneceu 2 meses em Recife e partiu para João Pessoa, PB, onde ficou 1 ano. De volta a Recife permaneceu por mais 1 ano.

Por não ter conseguido mais estudar nesse período, pelo fato de seu material de estudo ter ficado em Curitiba, e seus familiares lá presentes nunca os terem mandado para o nordeste, Telmo resolveu se mudar sozinho para São Paulo, por volta do final de 1942, com apenas o ensino fundamental cursado. Em São Paulo conseguiu um emprego no comércio, o qual o manteve.

Por apreciar que tinha propensão para a arte, Telmo começou a pensar como poderia expressar isso. Foi aí que veio a ideia de ingressar no rádio. Um dia ele viu o anuncio de uma empresa de publicidade chamada Standard, no jornal, procurando artistas para gravarem para o rádio, histórias de aventuras de "Tarzan" e de "O Vingador". Se interessou e foi buscar o papel. Conseguiu e trabalhou por apenas 20 dias, pois suas escalações eram sempre como vilão, e ele tinha dificuldade com esses papeis já que sua inflexão artística caia para interpretações de galãs e personagens do gênero. Após esses dias, foi procurar um novo emprego e conseguiu uma proposta para trabalhar na Rádio América, na qual aceitou de prontidão.

Essa época foi uma das mais difíceis na vida de Telmo. O dinheiro que ganhava do rádio não era suficiente para pagar o aluguel e ainda se alimentar, então tinham dias que comia apenas pão.

Por não aguentar a situação, Telmo percebeu que não era ali que estavam as suas oportunidades, e então partiu para o Rio de Janeiro. Lá começou a fazer pequenos trabalhos para a Rádio Clube do Brasil, Rádio Cruzeiro do Sul e Rádio Mauá.

Quando a necessidade mais uma vez apertou, Telmo começou a vender algumas de suas peças de teatro para a Rádio Globo. Após isso, recebeu um convite de Olavo de Barros para ingressar no elenco de rádio-teatro da Rádio Jornal do Brasil. Após uma série de casualidades Olavo de Barros se retirou da rádio e levou Telmo consigo para a Rádio Tamoio, com um ordenado 4 vezes maior do que recebia na Rádio América em São Paulo.


Permaneceu na rádio até 1948, quando se transferiu para a Rádio Guanabara. Um tempo depois recebeu um convite da Rádio Tamoio no qual aceitou e ingressou novamente na emissora, fazendo lá longa carreira.

Entre os trabalhos que realizou na Rádio Tamoio está "São Jorge Glorioso", de Anselmo Domingos ao lado de Sônia Barreto, Olavo de Barros, Naney Wanderley, Carlos Medina e Julio Lousada em 1960.

O personagem Drº Napoleão Laureano no programa "Pausa Para Meditação", de Luiz Quirino, que Telmo interpretou ao lado de Heloísa Mafalda, e "Encontro Com a Morte", também de Luiz Quirino, também ao lado de Heloísa Mafalda, ambas as novelas fazendo parte da série de novelas da vida real que a emissora lançava em 1951. No mesmo ano participou de outras duas rádio-novelas, uma delas religiosa chamada "Uma Luz Dentro da Noite", de José Fernandes, ao lado de Hilda Barros, Zezé Macedo, Paulo Célio e Márcia Gonçalves, e a outra intitulada "Noite Sem Fim", de Janete Clair, ao lado de Ribeiro Fontes, Aliomar de Matos e Zélia Guimarães, rádio-novela essa que pouco tempo depois transferiu-se para a Rádio Clube do Brasil com o mesmo elenco.

Ainda em 1951, trabalhou novamente ao lado de Olavo de Barros, na qual Olavo dirigia a peça adaptada por Telmo, chamada "O Homem de Ouro", apresentada na TV Tupi e com o elenco de Fernanda Montenegro, Ednaldo Lopes, Sonia Ketter, Magalhães Graça e Afonso Soares. Ingressou na Rádio Clube do Brasil e participou da novela de Janete Clair, "Drº Ninguém", ao lado de Wolner Camargo, Mildred dos Santos, Marilene Alves e Antonio Nobre. Ainda em 1951 é entrevistado pela Revista do Rádio na edição 073 de março.

Em 1954 foi contratado como diretor de rádio-teatro na Rádio Mundial.

Em 1955, foi contrato pelas Organizações Victor Costa, dona da Rádio Excelsior e TV Paulista, por um ano e meio.

Por estar em São Paulo, chegou a fazer alguns trabalhos no teatro, como na peça "Zero a Esquerda", de Mário Lago e José Wanderley, ao lado de Oscarito, Maria Muniz, Déa Selva, e grande elenco, em 1958, no Teatro São Paulo, entre outros trabalhos.

Telmo retornou ao Rio de Janeiro no final dos anos 1960 e por volta dessa época também começou a escrever peças para a TV Continental, como "Aimé", e também a participar de muitas, como no programa "Teatro de Ontem" na peça "Dindinha", de Matheus da Fontoura, ao lado de Beyla Genauer, Wanda Marchetti, Mário Alinari, Manoel Martins e Nilton Valério"O Corcunda de Notre Dame" de Victor Hugo e adaptado por Luiz Oswaldo, ao lado de Nestor Montenar, Teresa Amayo, Jardel Mello, Francisco Milani, Ayrton Cardoso, e grande elenco; "Grito de Terror" de Andrew L. Stone, adaptado por Antônio Seabra, ao lado de Roberto Maya, José Miziara, Ariel Miziara, Ayrton CardosoFrancisco Milani e grande elenco, ambas em 1960; "Dama da Madrugada" ao lado de Ariel Miziara e Wanda Marechetti, e "Uma Casa de Loucos", adaptação do conto de Edgar Allan Poe, com Jardel Mello e Wanda Marchetti no elenco, ambas em 1961, entre muitas outras.

Telmo também se especializou em canto. Em certas ocasiões participava de programas de canto, como em 1966 que participou do programa "Recital de Poesia e Música" da Rádio Ministério da Educação e Cultura, cantando sonetos de Camões, selecionados por Valmir Aiala. Ainda por volta de 1966, deu aula de teatro na Escola de Cinema da Associação Brasileira de Arte (ABAC) situada na Rua Timóteo da Casta, 276 no Leblon.

Telmo de Avelar e a rádio-atriz Maria Muniz

No cinema participou do filme "...Und der Amazonas Schweigt" em 1963.

Além de escrever peças e novelas para a televisão, Telmo também participou de novelas como "Irmãos Coragem" (1970), "Nina" (1977), "Pai Herói" (1979) e "República" (1989). Além das novelas, fez várias participações em séries da TV Globo, como "Carga Pesada" (1979).

No Teatro que é sua origem, participou de diversas peças como "O Telefone" (1960) readaptado e interpretado por Telmo e Tereza Amayo; "A Sopa e a Moça" (1970) ao lado de Yoná Magalhães, Carlos Alberto e Ida Gomes; "Tela de Aranha" (1970), de Agatha Christie; "O Julgamento de Otelo" (1983), com texto de Lyad de Almeida e Carlos Couto, ao lado de Rodolfo Mayer, Cristina Nunes, Lícia Magna, Isaac Bardavid e grande elenco em 1983, entre outros.

Em 2002, as canções traduzidas por Telmo para o longa "A Bela e a Fera", foram utilizadas no musical da Broadway de mesmo nome estreado no Brasil. O musical teve adaptação de Cláudio Botelho.

Na dublagem entrou em final dos anos 1960, passando principalmente pela Herbert Richers aonde foi diretor e tradutor. Por volta de 1966 teve uma breve passagem por São Paulo, aonde dublou na AIC, participando de séries como "Perdidos no Espaço" e "O Túnel do Tempo". Retornou ao Rio de Janeiro por volta de de 1967/1968. Além dos trabalhos na Herbert Richers, trabalhou por algum tempo também na Dublasom Guanabara.

Sua facilidade e prática para criar, adaptar e traduzir textos para peças de teatro e rádio-novelas, fez de Telmo um especialista no tema, o que o ajudou muito quando ingressou na Herbert Richers e posteriormente como responsável Disney no Brasil com o trabalho de tradução e adaptação de textos para a dublagem. Foram 50 anos dedicados a tradução e adaptação para a dublagem para televisão e cinema.

Em 1964 foi convidado para dirigir e traduzir o longa "A Espada Era a Lei", no qual a partir daí ficou responsável pela direção e tradução dos longas-metragens Disney. O longa foi dublado na Riosom, que ficou responsável por dublar os clássicos da Disney no Brasil, empresa essa também que disponibilizava os estúdios para a gravação de discos da empresa Elenco de Aloysio de Oliveira, cantor e compositor ligado a Disney.

Em 1965 foi redublado "A Branca de Neve e Os Sete Anões" e relançado nos cinemas de todo o país. O mesmo aconteceu em 1966 com "Pinóquio". Telmo foi o responsável por essas redublagens, também participando na empresa da redublagem de "Bambi". "Mogli, o Menino Lobo" também ficou a cargo do mesmo estúdio de dublagem. Com o fechamento da empresa no início dos anos 1970, Telmo foi dirigir "Aristogatas" na Somil, empresa de Abelardo Barbosa e seu irmão Jarbas Barbosa, que se dedicava apenas ao cinema nacional.

Em 1972 deu início a Tecnisom de Carlos De La Riva, antigo dono da Ziv, empresa de dublagem pioneira no Rio de Janeiro. Os estúdios funcionam no Museu de Arte Moderna (MAM) no Rio de Janeiro, e a partir daí a empresa ficou sendo selecionada para as dublagens Disney, como a redublagem de "Dumbo", "Robin Hood", "Puff - O Ursinho Guloso" (e seus curtas), e "Bernardo e Bianca".

Com o fechamento da Tecnisom no final dos anos 1970, a Disney escolheu a Herbert Richers novamente para dublar seus longas, entre eles "O Cão e a Raposa", "O Natal do Mickey Mouse", "O Caldeirão Mágico" e "As Peripécias do Ratinho Detetive", sempre com Telmo de Avelar no comando.

Com a fundação da Delart, nova empresa de Carlos De La Riva que deu continuidade ao trabalho da Tecnisom, a Disney voltou a trabalhar com seu proprietário, começando por "Oliver e Sua Turma". Nesse período Telmo de Avelar dirigiu os mais famosos filmes da Disney, como "A Pequena Sereia", "A Bela e a Fera", "Aladdin", "O Rei Leão" e "Pocahontas".

Magalhães Graça, Ida Gomes, Selma Lopes, Antonieta Matos e Telmo de Avelar
Em 1995 entrou em seu lugar Garcia Junior, que comandou a Disney até 2011. Telmo de Avelar esporadicamente dirigia e traduzia alguma coisa para a empresa, principalmente continuações de filmes que havia dirigido anteriormente.

Entre seus trabalhos como dublador estão os personagens em desenhos, como Pateta nos anos entre 1970 e 1980, e nas duas dublagens do longa-metragem "O Conto de Natal do Mickey", o Xerife Sam Brown no longa-metragem "Nem Que a Vaca Tussa", Maggot no longa-metragem "A Noiva Cadáver", o primeiro narrador em "Os Super Amigos", Statler no longa-metragem "Muppets na Ilha do Tesouro", Cozinheiro Louis no longa-metragem "A Pequena Sereia", Toupeira no longa-metragem "Bernardo e Bianca", Pancinha em "Ursinhos Gummy", Ludovico Von Pato em curtas-metragens da "Turma do Mickey" dublados entre os anos 1960 e 1970, e na série animada "TV Quack Pack", Charlie Chan em "Charlie Chan", Trombada em "Ursuat", entre outros.

Em filmes foi a voz do ator James Stewart na segunda dublagem de "Janela Indiscreta", "O Homem Que Matou o Facínora" e "O Último Pistoleiro", alem dos atores Bert Remsen interpretado por Red Malone em "O Dia da Liberdade", Jamesir Bensonmum interpretado por Alec Guinness em "Assassinato Por Morte", Gray Suchett interpretado por Tom Bower em "Terra Fria", Landon interpretado por Robert Gunner em "O Planeta dos Macacos", O Papa interpretado por John Gielgud em "Elizabeth", Ilyich Kamenev interpretado por Laurence Olivier em "As Sandálias do Pescador", Srº Olivaras interpretado por John Hurt em "Harry Potter e a Pedra Filosofal", Padre Kovak interpretado por Rod Steiger em "Fim dos Dias", Major Henry interpretado por Bruce Cabot em "Os Comancheros", Irv interpretado por Peter Falk em "O Vidente", entre outros.

Como diretor de dublagem Telmo de Avelar começou inicialmente na Herbert Richers, depois partindo para a Tecnisom, e posteriormente para a Delart aonde mais fez trabalhos do gênero.

Entre os filmes que dirigiu estão "Charlie Brown e Snoopy" (1969), "A Fantástica Fabrica de Chocolate" (1ª Dublagem), "Hope Springs - Um Lugar Para Sonhar", "A Vida Marinha Com Steve Zissou", "Fim dos Dias", "Mudança de Hábito II - Mais Loucas no Convento", "Uma Carta de Amor", "Confissões de Uma Adolescente Em Crise", "Bater ou Correr", "Sexta-Feira Muito Louca", "O Treinador", "A Boneca Que Virou Gente", "O Livro da Selva", "Drº Mumford - Culpa Ou Inocência?", "Ben-Hur", "El Cid" (2ª Dublagem), "Os Dez Mandamentos", entre outros.

Em séries que dirigiu estão "Família Dinossauros", "Um Anjo Muito Louco", "Mudança de Comportamento", "Zack & Cody: Gêmeos Em Ação", entre outros.

Em desenhos animados dirigidos, a maioria são dos estúdios Disney, como "101 Dálmatas", "A Espada Era a Lei", "Branca de Neve e os Sete Anões" (2ª Dublagem), "Pinóquio" (2ª Dublagem), "Dumbo" (2ª Dublagem), "Bambi" (2ª Dublagem), "Mogli - O Menino Lobo" (1ª e 2ª Dublagem), "Aristogatas", "Robin Hood", "Bernardo e Bianca", "O Cão e a Raposa", "O Natal do Mickey Mouse", "O Caldeirão Mágico", "As Peripécias do Ratinho Detetive", "Oliver e Sua Turma", "A Pequena Sereia", "DuckTales", "DuckTales, O Filme: O Tesouro da Lâmpada Perdida", "Bernardo e Bianca na Terra dos Cangurus", "A Bela e a Fera", "Aladdin", "Rei Leão", "O Retorno de Jafar", "Aladdin e Os 40 Ladrões", "Pocahontas", "O Rei Leão II - O Reino de Simba", "Cinderela II: Os Sonhos Tornam-Se Realidade", "Rei Leão III - Hakuna Matata", "O Cão e a Raposa II", "Cinderela III - Uma Volta no Tempo", "Sonic X", entre muitos outros.

Como tradutor Telmo de Avelar também realizou ótimos trabalhos, como em todos os longas da Disney citados acima, pois sempre traduzia os filmes que lhe eram encarregado de dirigir.

Em filmes traduziu "Charlie Brown e Snoopy" (1969), "Fantástica Fabrica de Chocolate" (1ª Dublagem), "Fim dos Dias", "Mudança de Comportamento", "Bater ou Correr", "O Treinador", entre outros.

Morte

Telmo de Avelar faleceu na madrugada de segunda-feira, 09/01/2017, aos 93 anos. A informação da morte foi confirmada por Cida Cabral, representante do Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro, onde Telmo de Avelar morava há três anos.

De acordo com Cida, Telmo de Avelar estava internado no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, desde sexta-feira, 06/01/2017, após ter algumas complicações no seu tratamento contra um câncer.

"Ele já estava com problema pulmonar, muita dor nas pernas, com desidratação. Foi um acúmulo de coisas", relatou a representante do Retiro dos Artistas. Ela informou ainda que Telmo de Avelar deixou uma filha, Isabela, que acompanhou o pai nos últimos dias no hospital.

Fonte: Wikipédia, Casa da Dublagem e Ego
Indicação: Miguel Sampaio

Ferreira Gullar

JOSÉ RIBAMAR FERREIRA
(86 anos)
Escritor, Poeta, Crítico de Arte, Biógrafo, Tradutor, Memoralista e Ensaísta

☼ São Luís, MA (10/09/1930)
┼ Rio de Janeiro, RJ (04/12/2016)

Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira, foi um escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo. Foi o postulante da cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras (ABL), na vaga deixada por Ivan Junqueira, da qual tomou posse em 05/12/2014.

Ferreira Gullar nasceu em São Luís, MA, no dia 10/09/1930, com o nome de José Ribamar Ferreira. É um dos onze filhos do casal Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart.

Sobre o pseudônimo, o poeta declarou o seguinte:

"Gullar é um dos sobrenomes de minha mãe, o nome dela é Alzira Ribeiro Goulart, e Ferreira é o sobrenome da família, eu então me chamo José Ribamar Ferreira; mas como todo mundo no Maranhão é Ribamar, eu decidi mudar meu nome e fiz isso, usei o Ferreira que é do meu pai e o Gullar que é de minha mãe, só que eu mudei a grafia porque o Gullar de minha mãe é o Goulart francês; é um nome inventado, como a vida é inventada eu inventei o meu nome!"

Segundo Mauricio Vaitsman, ao lado de Bandeira Tribuzi, Luci Teixeira, Lago Burnet, José Bento, José Sarney e outros escritores, fez parte de um movimento literário difundido através da revista que lançou o pós-modernismo no Maranhão, A Ilha, da qual foi um dos fundadores. Até sua morte, muitos o consideravam o maior poeta vivo do Brasil e não seria exagero dizer que, durante suas seis décadas de produção artística, Ferreira Gullar passou por todos os acontecimentos mais importantes da poesia brasileira e participou deles.

Morando no Rio de Janeiro, participou do movimento da poesia concreta, sendo então um poeta extremamente inovador, escrevendo seus poemas, por exemplo, em placas de madeira, gravando-os.

Em 1956 participou da exposição concretista que é considerada o marco oficial do início da poesia concreta, tendo se afastado desta em 1959, criando, junto com Lígia Clark e Hélio Oiticica, o neoconcretismo, que valoriza a expressão e a subjetividade em oposição ao concretismo ortodoxo.

Posteriormente, ainda no início dos anos de 1960, se afastou deste grupo também, por concluir que o movimento levaria ao abandono do vínculo entre a palavra e a poesia, passando a produzir uma poesia engajada e envolvendo-se com os Centros Populares de Cultura (CPCs).

Militância Política

Ferreira Gullar foi militante do Partido Comunista Brasileiro (CPB) e, exilado pela ditadura militar, viveu na União Soviética, na Argentina e Chile. Ele comentou que bacharelou em subversão em Moscou durante o seu exílio, mas que devido a uma maior reflexão, experiência de vida, e de observar as coisas irem acontecendo se desiludiu do socialismo e que o socialismo não faz mais sentido pois fracassou.

"(...) toda sociedade é, por definição, conservadora, uma vez que, sem princípios e valores estabelecidos, seria impossível o convívio social. Uma comunidade cujos princípios e normas mudassem a cada dia seria caótica e, por isso mesmo, inviável."

Prêmios e Indicações

Ferreira Gullar ganhou o concurso de poesia promovido pelo Jornal de Letras com seu poema "O Galo" em 1950. Os prêmios Molière, o Saci e outros prêmios do teatro em 1966 com "Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come", que é considerada uma obra prima do teatro moderno brasileiro.

Em 1999 foi inaugurada em São Luís, MA, a Avenida Ferreira Gullar. Em Imperatriz, MA, ganhou em sua homenagem com o teatro Ferreira Gullar.

Em 2002, foi indicado por nove professores dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal para o Prêmio Nobel de Literatura.

Em 2007, seu livro Resmungos ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano. O livro, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, reúne crônicas de Ferreira Gullar publicadas no jornal Folha de S.Paulo no ano de 2005.

Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.

Ferreira Gullar foi agraciado com o Prêmio Camões em 2010.

Em 15/10/2010, foi contemplado com o título de Doutor Honoris causa, na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em 20/10/2011, ganhou o Prêmio Jabuti com o livro de poesia Em Alguma Parte Alguma, que foi considerado O Livro do Ano de ficção.

Em 2011, a obra Poema Sujo inspirou a vídeo instalação "Há Muitas Noites na Noite", dirigida por Silvio Tendler. Em 2015, o poema inspirou uma série documental, também denominada: "Há Muitas Noites na Noite", com sete episódios com 26 minutos cada, exibida na TV Brasil entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016, também dirigida por Silvio Tendler.

Academia Brasileira de Letras

Ferreira Gullar foi postulante eleito da cadeira 37 na Academia Brasileira de Letras (ABL), tendo obtido na votação 36 dos 37 votos possíveis derrotando os outros candidatos: Ademir Barbosa Júnior, José Roberto Guedes de Oliveira e José William Vavruk em apenas 15 minutos, com uma abstenção que permanece anônima devido a queima das fichas após o resultado da urna, em 09/10/2014, tendo votado 19 acadêmicos por presença física e 18 por cartas.

A cadeira tem como patrono o poeta e inconfidente mineiro Tomás Antônio Gonzaga e foi ocupada anteriormente por personalidades como Silva Ramos, Alcântara Machado, Getúlio Vargas, Assis Chateaubriand, João Cabral de Melo Neto e recentemente pelo ensaísta e curador Ivan Junqueira, amigo de Ferreira Gullar.

Sua posse era marcada para novembro, depois de várias recusas do escritor em convites anteriores.

Em 05/12/2014, Ferreira Gullar tomou posse de sua cadeira, a número 37, na Academia Brasileira de Letras (ABL).

Morte

Ferreira Gullar morreu no domingo, 04/12/2016, no Rio de Janeiro, RJ vítima de vários problemas respiratórios que culminaram em uma pneumonia. Ele estava internado há 20 dias no Hospital Copa D'Or, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Amigos famosos e imortais foram à Academia Brasileira de Letras (ABL), no Centro do Rio de Janeiro, na segunda-feira, 05/12/2016, para velar o corpo de Ferreira Gullar. Familiares, admiradores e colegas acadêmicos prestaram sua última homenagem ao poeta, que foi velado ainda na noite de domingo, 04/12/2016, e durante toda a madrugada no saguão da Biblioteca Nacional, também no Centro do Rio de Janeiro, e na manhã de segunda-feira foi velado na sede da Academia Brasileira de Letras (ABL).

O corpo de Ferreira Gullar foi sepultado por volta das 16h00 de segunda-feira, 05/12/2016, no mausoléu da Academia Brasileira de Letras (ABL) localizado no Cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Bibliografia

Poesia
  • 1949 - Um Pouco Acima do Chão
  • 1954 - A Luta Corporal
  • 1958 - Poemas
  • 1962 - João Boa-Morte, Cabra Marcado para Morrer (Cordel)
  • 1962 - Quem Matou Aparecida? (Cordel)
  • 1966 - A Luta Corporal e Novos Poemas
  • 1966 - História de um Valente (Cordel: Na clandestinidade, como João Salgueiro)
  • 1968 - Por Você Por Mim
  • 1975 - Dentro da Noite Veloz
  • 1976 - Poema Sujo (Onde se localiza a letra de Trenzinho do Caipira)
  • 1980 - Na Vertigem do Dia
  • 1986 - Crime na Flora ou Ordem e Progresso
  • 1987 - Barulhos
  • 1991 - O Formigueiro
  • 1999 - Muitas Vozes
  • 2005 - Um Gato Chamado Gatinho
  • 2010 - Em Alguma Parte Alguma

Antologias
  • 1977 - Antologia Poética
  • 1980 - Toda Poesia
  • 1981 - Ferreira Gullar - Seleção de Beth Brait
  • 1983 - Os Melhores Poemas de Ferreira Gullar - Seleção de Alfredo Bosi
  • 1989 - Poemas Escolhidos

Contos e Crônicas
  • 1996 - Gamação
  • 1997 - Cidades Inventadas
  • 2007 - Resmungos

Teatro
  • 1979 - Um Rubi no Umbigo

Crônicas
  • 1989 - A Estranha Vida Banal
  • 2001 - O Menino e o Arco-Íris

Memórias
  • 1998 - Rabo de Foguete - Os Anos de Exílio

Biografia
  • 1996 - Nise da Silveira: Uma Psiquiatra Rebelde

Literatura Infantil
  • 2011 - Zoologia Bizarra

Ensaios
  • 1959 - Teoria do Não-Objeto
  • 1965 - Cultura Posta em Questão
  • 1969 - Vanguarda e Subdesenvolvimento
  • 1977 - Augusto do Anjos ou Vida e Morte Nordestina
  • 1977 - Tentativa de Compreensão: Arte Concreta, Arte Neoconcreta - Uma Contribuição Brasileira
  • 1978 - Uma Luz no Chão
  • 1983 - Sobre Arte
  • 1985 - Etapas da Arte Contemporânea: Do Cubismo à Arte Neoconcreta
  • 1989 - Indagações de Hoje
  • 1993 - Argumentação Contra a Morte da Arte
  • 1998 - O Grupo Frente e a Reação Neoconcreta
  • 2002 - Cultura Pem Questão / Vanguarda e Subdesenvolvimento
  • 2002 - Rembrandt
  • 2003 - Relâmpagos

Televisão
  • 1990 - Araponga (Rede Globo) - Colaborador
  • 1995 - Irmãos Coragem (Rede Globo) - Colaborador
  • 1998 - Dona Flor e Seus Dois Maridos (Rede Globo) - Colaborador

Filmes
  • Os Herdeiros - Davi Martins

Fonte: Wikipédia
Indicação: Miguel Sampaio

Rogério Duarte

ROGÉRIO DUARTE GUIMARÃES
(77 anos)
Desenhista, Escritor, Poeta, Tradutor Compositor, Intelectual e Professor

☼ Ubaíra, BA (10/04/1939)
┼ Brasília, DF (13/04/2016)

Rogério Duarte Guimarães foi um desenhista, músico, escritor e intelectual brasileiro. É considerado um dos criadores da Tropicália. Sobrinho do sociólogo Anísio Teixeira, foi um intelectual multimédia baiano. Rogério Duarte era artista gráfico, músico, compositor, poeta, tradutor e professor.

Nos anos 60 mudou-se para o Rio de Janeiro, para estudar arte industrial com o alemão Max Bense, um dos mestres da semiótica e da poesia concreta, o que influenciaria seu trabalho no futuro. No Rio de Janeiro trabalhou como diretor de arte da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da Editora Vozes. Foi o autor de vários cartazes para filmes de seu amigo Glauber Rocha, como "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964), símbolo do cinema nacional, o cartaz se transformou em referência e é apontado como o despertar da pós-modernidade no Brasil, e "A Idade da Terra" (1980). Também criou, para este último, a trilha sonora.

Rogério Duarte criou capas de LPs de Gilberto Gil, Gal Costa e Caetano Veloso na época da Tropicália. Também se tornou conhecido por ter sido mentor intelectual de Zé Celso Martinez Corrêa, Hélio Oiticica e Torquato Neto.


Eclético, Rogério Duarte criou também pinturas, aquarelas e xilogravuras. A exposição mais recente dele foi "Marginália 1", mostra inaugurada em agosto de 2015, no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro. À época, escreveu no Facebook:

"...sou um marginal porque descobri que a margem fica dentro do rio..."

Considerado um dos mentores intelectuais do movimento tropicalista, Rogério Duarte foi também um dos primeiros a ser preso e a denunciar publicamente a tortura no regime militar. Preso juntamente com seu irmão Ronaldo Duarte, o caso mobilizou artistas e mereceu ampla divulgação no jornal carioca Correio da Manhã, que publicou uma carta coletiva pedindo a libertação dos "Irmãos Duarte".


Com o endurecimento da ditadura e a promulgação do Ato Institucional Nº 5 (AI-5), Rogério Duarte foi para a clandestinidade e iniciou a sua fase "transcendental" que o levou a estudar o sânscrito e iniciar a tradução do "Bhagavad Gita", lançado por ele anos mais tarde, acompanhado de um CD com a participação de vários artistas, com o título de "Canção do Divino Mestre".

Também é de sua autoria o livro "Tropicaos" onde, entre outras coisas, fala da prisão, tortura e de sua versão sobre o movimento tropicalista.

Rogério Duarte morreu em Brasília, DF, às 21h00 de quarta-feira, 13/04/2016, aos 77 anos. Ele estava internado há quase dois meses no Hospital Santa Lúcia e lutava contra um câncer ósseo e câncer no fígado. O sepultamento será realizado na cidade de Santa Inês, BA.

Fonte: Wikipédia
Indicação: Taís Veras e Miguel Sampaio

Guilherme de Almeida

GUILHERME DE ANDRADE DE ALMEIDA
(78 anos)
Advogado, Jornalista, Heraldista, Crítico de Cinema, Poeta, Ensaísta e Tradutor

☼ Campinas, SP (24/07/1890)
┼ São Paulo, SP (11/07/1969)

Guilherme de Andrade de Almeida foi um advogado, jornalista, heraldista, crítico de cinema, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro. Filho de Estevam de Araújo Almeida, professor de direito e jurisconsulto, e de Angelina de Andrade.

Foi casado com Belkiss Barroso de Almeida, de cuja união nasceu o filho, Guy Sérgio Haroldo Estevam Zózimo Barroso de Almeida, que se casou com Marina Queirós Aranha de Almeida. Foi, com seu irmão, Tácito de Almeida, importante organizador da Semana de Arte Moderna de 1922, tendo criado em 1925 conferência para difusão da poesia moderna, intitulada "Revelação do Brasil Pela Poesia Moderna", que foi apresentada em Porto Alegre, Recife e Fortaleza.

Um dos poemas de Guilherme de Almeida, "A Carta Que Eu Sei de Cor", presente em seu livro "Era Uma Vez", foi declamado na Faculdade de Letras de Coimbra, em 1930, na importante conferência "Poesia Moderníssima do Brasil". Esta conferência foi estampada na revista Biblos (Faculdade de Letras de Coimbra), Vol. VI, n. 9-10, Coimbra, setembro e outubro de 1930, pp. 538 - 558; e no Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, domingo, 11/01/1931, página 3.

Guilherme de Almeida foi um dos fundadores da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, onde lecionou Ciência Política. Foi ainda um dos fundadores da Revista Klaxon, que visava a divulgação da ideias modernistas, tendo realizado sua capa, assim como os arrojados anúncios da Lacta, para a mesma revista. Elaborou também a capa da primeira edição do livro "Paulicéa Desvairada", de Mário de Andrade.

Participou do grupo verde-amarelista e colaborou também com a Revista de Antropofagia, tendo escrito poemas-piada à moda de Oswald de Andrade.

Guilherme de Almeida foi o primeiro modernista a entrar para a Academia Brasileira de Letras em 1930.

Em 1958, foi coroado o quarto "Príncipe dos Poetas Brasileiros", depois de Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Olegário Mariano. Entre outras realizações, foi o responsável pela divulgação do poemeto japonês Haikai no Brasil.

Vida Pública

Combatente na Revolução Constitucionalista de 1932 e exilado em Portugal, após o final da luta, foi homenageado com a Medalha da Constituição, instituída pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Sua obra maior de amor a São Paulo foi seu poema "Nossa Bandeira". Ainda, o poema "Moeda Paulista" e a pungente "Oração Ante a Última Trincheira".

É proclamado "O Poeta da Revolução de 32". Escreveu a letra do "Hino Constitucionalista de 1932 / MMDC", "O Passo do Soldado", de autoria de Marcelo Tupynambá, com interpretação de Francisco Alves.

É de sua autoria a letra da "Canção do Expedicionário" com música de Spartaco Rossi, referente à participação dos pracinhas brasileiros na Segunda Guerra Mundial.

Autor da letra do "Hino da Televisão Brasileira", executado quando da primeira transmissão da Rede Tupi de Televisão, realizada por mérito de seu concunhado, o jornalista Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo.

Foi presidente da Comissão Comemorativa do Quarto Centenário da cidade de São Paulo.

Casa Guilherme de Almeida

Guilherme de Almeida mudou-se para o local em 1946, um sobrado na Rua Macapá, no Pacaembu, em São Paulo. Era chamado carinhosamente por ele como a "Casa da Colina". E ele a descreveu:

"A casa na colina é clara e nova. A estrada sobe, pára, olha um instante e desce".

Nela, o poeta viveu até 1969 e nela faleceu. Lá, os saraus eram bem animados, como lembra o poeta Paulo Bomfim. Também estavam sempre presentes os amigos Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Victor Brecheret, Noemia Mourão, René Thiollier, Saulo Ramos, Roberto Simonsen, Carlos Pinto Alves e tantos outros.

A casa, em 1979, tornou-se o Museu Casa Guilherme de Almeida, pertencente à Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, tendo sido "tombado como museu biográfico e literário" pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), em maio de 2009.

O museu conta com importante acervo de obras de arte: quadros de Di Cavalcanti, Lasar SegallAnita Malfatti, as primeiras edições dos livros do poeta, entre seis mil volumes no total, além de mobiliário, peças pessoais e relíquias da Revolução de 1932.

Guilherme de Almeida encontra-se sepultado no Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932, no Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, ao lado de Ibrahim de Almeida Nobre, o "Tribuno de 32", dos despojos dos jovens conhecidos pela sigla M.M.D.C. (Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Américo Camargo de Andrade), e do caboclo Paulo Virgínio.

Obras do Autor


Poesia

  • 1917 - Nós
  • 1919 - A Dança Das Horas
  • 1919 - Messidor
  • 1920 - Livro de Horas de Soror Dolorosa
  • 1922 - Era Uma Vez…
  • 1924 - A Frauta Que Eu Perdi
  • 1925 - Meu
  • 1925 - A Flor Que Foi Um Homem (Narciso)
  • 1925 - Encantamento
  • 1925 - Raça
  • 1929 - Simplicidade
  • 1931 - Carta à Minha Noiva
  • 1931 - Você
  • 1932 - Cartas Que Eu Não Mandei
  • 1938 - Acaso
  • 1941 - Cartas do Meu Amor
  • 1947 - Poesia Varia
  • 1951 - O Anjo de Sal
  • 1954 - Acalanto de Bartira
  • 1956 - Camoniana
  • 1957 - Pequeno Romanceiro
  • 1961 - Rua
  • 1965 - Rosamor
  • 1968 - Os Sonetos de Guilherme de Almeida
  • 2010 - Margem: Poesia

Poesia (Traduções)

  • 1932 - Eu e Você (Tradução do Toi et Moi, de Paul Géraldy)
  • 1923 - O Gitanjali (De Rabindranath Tagore)
  • 1936 - Poetas de França
  • Suíte Brasileira (Terceira parte do livro de Luc Durtain Quatre Continents)
  • 1939 - O Jardineiro (De Rabindranath Tagore)
  • 1943 - O Amor de Bilitis (Algumas Canções) - De Pierre Louÿs
  • 1944 - Flores da Flores do Mal (De Charles Baudelaire)
  • Paralelamente a Paul Verlaine
  • 1965 - Festival (De Simon Tygel)
  • Arcanum (De Niles Bond)
  • 1967 - Os Frutos do Tempo (Les Fruits du Temps, de Simon Tygel)

Seleção de Poemas e Poesia Completa

  • 1931 - Poemas Escolhidos
  • 1952 - Toda a Poesia (1ª edição, 6 volumes)
  • 1967 - Meus Versos Mais Queridos

Teatro

  • 1916 - Mon Coeur Balance e Leur Ame (Escritas em colaboração com Oswald de Andrade)
  • 1921 - Scheherazada, Um Ato Em Versos
  • 1939 - O Estudante Poeta (Escrita em colaboração com Jaime Barcelos)

Teatro (Traduções)

  • 1950 - Entre Quatro Paredes (Huis Clos), de Jean-Paul Sartre
  • 1952 - A Antígone, transcrição da tragédia de Sófocles
  • 1954 - Na Festa de São Lourenço (Tradução em versos, nas partes tupi e castelhana, do Auto de José de Anchieta, segundo o texto de Maria de Lourdes de Paula Martins)
  • 1965 - História de Uma Escada (Historia de Una Escalera), de Antonio Buero Vallejo

Teatro (Traduções Inéditas)

  • A Importância de Ser Prudente (The Importance Of Being Ernest), de Oscar Wilde
  • Orfeu (Orphée), de Jean Cocteau
  • Lembranças de Berta (Hello From Bertha), de Tennessee Williams
  • Eurídice (Eurydice), de Jean Anouilh

Prosa

  • 1924 - Natalika
  • 1926 - Do Sentimento Nacional na Poesia Brasileira (Tese de concurso)
  • 1926 - Ritmo, Elemento de Expressão (Tese de concurso)
  • 1929 - Gente de Cinema, I (Série)
  • 1933 - O Meu Portugal
  • 1935 -  A Casa (Palestra pronunciada no salão do Clube Piratininga e dedicada aos alunos do Ginásio Bandeirantes)
  • 1944 - Gonçalves Dias e o Romantismo (Conferência realizada na Academia Brasileira de Letras)
  • 1948 - Histórias, Talvez...
  • 1948 - As Palavras de Buda
  • 1953 - Baile de Formatura
  • 1961 - Jornal de Um Amante (Do Journal d’un Amant, de Simon Tygel)
  • 1962 - Cosmópolis

Literatura Infantil

  • 1941 - O Sonho de Marina
  • 1941 - João Pestana (De Hans Christian Andersen)
  • 1942 - João Felpudo (De Heinrich Hoffmann)
  • 1943 - Pinocchio (De Carlo Collodi)
  • 1943 - O Camundongo e Outras Histórias (De Wilhelm Busch)
  • 1943 - Corococó e Caracacá (De Wilhelm Busch)
  • 1943 - O Fantasma Lambão (De Wilhelm Busch)
  • 1946 - A Mosca (De Wilhelm Busch)
  • 1946 - Uma Oração de Criança (De Rachel Field)
  • 1949 - A Cartola (De Wilhelm Busch)

Heráldica

Autor de Brasões-de-Armas das seguintes cidades:

  • São Paulo (SP)
  • Petrópolis (RJ)
  • Volta Redonda (RJ)
  • Londrina (PR)
  • Brasília (DF)
  • Guaxupé (MG)
  • Caconde (SP)
  • Iacanga (SP)
  • Embu das Artes (SP)

Fonte: Wikipédia

Geir Campos

GEIR NUFFER CAMPOS
(75 anos)
Poeta, Escritor, Contista, Radialista, Jornalista, Tradutor e Professor

☼ São José do Calçado, ES (28/02/1924)
┼ Niterói, RJ (08/05/1999)

Geir Nuffer Campos foi um poeta, escritor, jornalista e tradutor brasileiro. Filho de Getúlio Campos, dentista, e Nair Nuffer, professora.

Viveu parte da sua infância em Campos dos Goytacazes, RJ, e parte no Rio de Janeiro. A partir de 1941, passou a residir em Niterói, RJ.

Foi aluno do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e do Colégio Plínio Leite, em Niterói.

Em 1951, casou-se com Alcinda Lima Souto, que passou a chamar-se Alcinda Campos. Deste casamento vieram seus dois filhos: Carlos Augusto Campos e Mauro Campos.

Piloto, tripulou navios mercantes do Lloyd Brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Advindo daí a sua condição de civil ex-combatente.

Poeta, estreou em 1950 com "Rosa dos Rumos", após ter publicado em jornais e revistas, especialmente no Diário Carioca, vários poemas, contos e traduções.

Editor, fundou em 1951, com Thiago de Mello, as Edições Hipocampo, que chegaram a publicar vinte volumes de poesia e prosa, dos autores mais representativos da literatura brasileira e também de alguns estreantes como Paulo Mendes Campos e outros. Nessa coleção apareceu, em janeiro de 1952, "Arquipélago", o seu segundo livro de versos.


Como professor ginasial, atual ensino fundamental, lecionou no Colégio Plínio Leite, onde antes estudara, e no Colégio Figueiredo Costa, ambos em Niterói. Como professor universitário, na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde em 1980 fez-se Mestre em Comunicação, com um trabalho, publicado, sobre "Tradução e Ruído na Comunicação Teatral", e em 1985 defendeu tese de doutoramento sobre "O Ato Criador na Tradução".

Como tradutor, começou a publicar em 1953, uma coletânea de poemas de Rainer Maria Rilke.

Como contista, lançou em 1960 a primeira edição de "O Vestíbulo".

Como radialista, em agosto de 1954 começou a produzir e apresentar, na Rádio Ministério de Educação, um programa semanal de meia hora, "Poesia Viva". Para essa mesma emissora produziu, durante muitos anos, diversos programas literários.

Como jornalista, colaborou e assinou colunas em diversos jornais, entre eles o Diário de Notícias e o Diário Carioca.

É o autor da letra do Hino de Brasília, cuja música é de autoria da professora Neusa Pinho França Almeida.

Foi membro fundador do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro e da Associação Brasileira de Tradutores, da qual foi presidente, lutando pela conscientização dos que traduzem profissionalmente no Brasil e pela regulamentação desta profissão.

Traduziu várias obras de Rilke, Brecht, Goethe, Shakespeare, Sófocles, Whitman e outros, sendo merecedor de um ensaio da professora Maria Thereza Coelho Ceotto da Universidade Federal do Espírito Santo.

Destacou-se enquanto ativista cultural de grande influência e presença na literatura brasileira, tornando-se o grande representante capixaba da "Geração de 45".

Foi um dos poucos poetas brasileiros a comporem uma coroa de sonetos.

Obras

Poesia
  • 1950 - Rosa dos Rumos
  • 1952 - Arquipélago
  • 1953 - Coroa de Sonetos
  • 1956 - Da Profissão do Poeta
  • 1957 - Canto Claro e Poemas Anteriores
  • 1959 - Operário do Canto
  • 1960 - Canto Provisório
  • 1964 - Cantigas de Acordar Mulher
  • 1968 - Canto ao Homem da ONU
  • 1969 - A Meus Filhos
  • 1970 - Metanáutica
  • 1977 - Canto de Peixe e Outros Cantos
  • 1982 - Cantos do Rio (Roteiro lírico do Rio de Janeiro)
  • 1983 - Cantar de Amigo ao Outro Homem da Mulher Amada

Contos
  • 1979 - O Vestíbulo
  • 1982 - Conto & Vírgula

Teatro
  • 1959 - O Sonho de Calabar
  • 1967 - Édipo-Rei, de Sófocles
  • 1970 - Macbeth, de William Shakespeare
  • 1970 - A Tragédia do Homem, de Imre Madách (Com Paulo Rónai)
  • 1972 - Castro Alves ou O Canto da Esperança
  • 1972 - As Sementes da Independência
  • 1976 - Mãe Coragem e Seus Filhos, de Bertolt Brecht
  • 1977 - A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht
  • 1977 - Diz-que-sim & Diz-que-não, de Bertolt Brecht
  • 1977 - O Círculo de Giz Caucasiano, de Bertolt Brecht
  • 1977 - Na Selva das Cidades, de Bertolt Brecht
  • 1977 - A Exceção e a Regra, de Bertolt Brecht
  • 1978 - Luz nas Trevas, de Bertolt Brecht
  • 1978 - O Julgamento de Lúculus, de Bertolt Brecht
  • 1978 - A Condenação de Lúculus, de Bertolt Brecht
  • 1970 - A Tragédia do Homem, de Imre Madách (Com Paulo Rónai)

Peças Não Publicadas, Mas Registradas na Sociedade Brasileira dos Autores Teatrais (Levantamento Parcial)
  • 1967 - De Bocage a Nelson Rodrigues, (Com Nelson Rodrigues e Jaime Barcelos)
  • 1969 - Aquele Que Diz Sim e Aquele Que Diz Não, de Bertolt Brecht
  • 1974 - O Quarto Vazio
  • 1974 - Nós
  • 1974 - Arruda Para Você Também
  • 1974 - O Refugiado e os Sentados, de Miguel Hernandez
  • 1974 - A Estranha História do Doutor Fausto, de Christopher Marlowe
  • 1974 - Amar / Luar, de Jack Larson
  • 1983 - Esse Bocage

Teatro Infantil
  • 1959 - O Gato Ladrão
  • 1960 - A Verdadeira História da Cigarra e da Formiga
  • 1960 - História dos Peixinhos Voadores (Parceria com Maria Niedenthal)

Literatura Infanto-Juvenil
  • 1973 - Qual é a História de Hoje?, Joana Angélica d’Avila Melo

(Geir Campos é o autor dos contos das páginas: 14-15, 15-16, 29-30, 36-37, 49, 61-62, 65-66, 80-81, 83-84, 90-91, 113-114, 124-125, 126-127, 137-138, 142-144, 149-151, 154-156, 163-164, 179 e 186-187)
  • 1987 - Estórias Pitorescas da História do Brasil (Para Gente Grande e Pequena)
  • 1991 - Histórias de Anjos

Ensaios
  • 1960 - Carta aos Livreiros do Brasil
  • 1967 - Rubén Dário, Poeta Participante
  • 1978 - O Problema da Tradução no Teatro Brasileiro
  • 1981 - Tradução e Ruído na Comunicação Teatral
  • 1985 - Do Ato Criador na Tradução (Tese de Doutorado - Inédita em livro)

Referências
  • 1960 - Pequeno Dicionário de Arte Poética
  • 1986 - Como Fazer Tradução
  • 1986 - O Que é Tradução
  • 1989 - Glossário de Termos Técnicos do Espetáculo

Antologias
  • S/D - Alberto de Oliveira
  • S/D - Livro de Ouro da Poesia Alemã
  • 1960 - Poesia Alemã Traduzida no Brasil
  • 1986 - Versei, Antologia Poética (Exterior)

Traduções (Levantamento Parcial)
  • 1953 - Poemas de Rainer Maria Rilke
  • 1956 - Parábolas e Fragmentos de Kafka
  • 1956 - Nossa Vida Com Papai, Romance de Clarence Day Jr.
  • 1957 - O Coronel Jack, Romance de Daniel Defoe
  • 1958 - A Sabedoria de Confúcio
  • 1959 - A Alma Boa de Setsuan, Fábula Teatral de Bertolt Brecht (Com Antônio Bulhões)
  • 1964 - Folhas de Relva, Poesia de Walt Whitman
  • 1964 - Sociologia e Filosofia Social de Karl Marx - Textos escolhidos, seleção, introdução e notas por T. B. Bottomore e Maximilien Rubel
  • 1965 - Flor do Abandono, Romance de Zsigmond Móricz
  • 1966 - Poemas e Canções, Bertolt Brecht
  • 1967 - Poemas e Cartas a um Jovem Poeta, Rainer Maria Rilke (Com Fernando Jorge)
  • 1967 - Édipo-Rei, Peça de Sófocles
  • 1976 - Andares, Poesia de Hermann Hesse
  • 1977/1978 - Teatro de Bertolt Brecht (Várias peças como supervisor e tradutor)
  • 1980 - A Tragédia do Homem, Peça de Imre Madách (Com Paulo Rónai)
  • 1983 - Folhas das Folhas de Relva, seleção de poesias de Folhas de Relva, de Walt Whitman
  • 1985 - Arco-íris de Amor, de Joan Walsh Anglund
  • 1988 - A Vida de Nosso Senhor, romance de Charles Dickens
  • 1988 - Haicais: Poesia do Japão, da versão de Jan Ulenbrook
  • 1988 - O Quinto Evangelho, romance de Mario Pomilio
  • 1990 - Frases de Cabeceira Gerald Goodfrey
  • 1984 - Frases de Cabeceira 2 Gerald Goodfrey
  • S/D - Frases de Cabeceira 3 Gerald Goodfrey
  • S/D - Frases de Cabeceira 4 Gerald Goodfrey
  • 1991 - As Melhores Histórias de Natal
  • 1991 - O Livro de Emmanuel, psicografias de Pat Rodegast e Judith Stanton
  • 1992 - As Fogueiras do Rei, romance de Pedro Casals
  • 1993 - O Livro de Horas, poesia de Rainer Maria Rilke
  • 1994 - O Livro de Emmanuel II, psicografias de Pat Rodegast e Judith Stanton
  • 1995 - Cantos do Meu Coração, poemas e fotografias de Daisaku Ikeda

Traduções Que Colaborou
  • 1956 - A Terra Inútil, de T. S. Eliot - Tradução de Paulo Mendes Campos
  • 1982 - Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol - Tradução de Fernanda Lopes de Almeida. Geir Campos traduziu os poemas das páginas 8 e 9, 49, 98 e 99, 102 e 103, 116 e 117.


Fonte: Wikipédia
Nota: Todas as informações constantes nesta página foram escritas por Mauro Campos, filho do Geir Campos. Elas estão disponíveis na Web, nas publicações citadas ou em documentos que pertencem à família.

Barbara Heliodora

HELIODORA CARNEIRO DE MENDONÇA
(91 anos)
Diretora, Crítica e Professora Teatral, Roteirista, Figurinista, Tradutora e Ensaísta

* Rio de Janeiro, RJ (29/08/1923)
+ Rio de Janeiro, RJ (10/04/2015)

Heliodora Carneiro de Mendonça, ou Barbara Heliodora, foi diretora crítica e professora teatral, roteirista, figurinista, tradutora, ensaísta e uma das maiores autoridades brasileiras da obra de William Shakespeare. Era filha do historiador Marcos Claudio Philippe Carneiro de Mendonça e e da poetisa Anna Amelia de Queiroz Carneiro de Mendonça.

Barbara Heliodora fez o Bacharelado em Língua e Literatura Inglesas no Connecticut College, nos Estados Unidos, e o Doutorado em Artes na Universidade de São Paulo (USP). Começou a carreira como jornalista aos 35 anos. Nessa época, estreou na crítica teatral por insistência de seus amigos que trabalhavam no meio e conheciam sua admiração pela arte.

Pela relevância de seu trabalho, ao longo de sua carreira recebeu o título de Oficial da Ordre des Arts et des Lettres, da França, a Medalha Connecticut College, nos Estados Unidos e a Medalha João Ribeiro, da Academia Brasileira de Letras (ABL), em 2005, pelos serviços prestados à cultura brasileira. Era Professora Titular aposentada da Universidade do Rio de Janeiro (UNI-RIO) e Professora Emérita da mesma Universidade.

Entre suas atividades profissionais, exerceu sobretudo o ofício de crítica teatral, mas desempenhou outros papéis no cenário cultural nacional, entre os quais o de diretora do Serviço Nacional de Teatro (1964-1966); o de fundadora e duas vezes presidente do Círculo Independente de Críticos Teatrais (RJ-SP); de membro do júri do Prêmio Molière, desde sua criação até a extinção, membro do júri do Prêmio Mambembe; integrante da equipe de jurados para as bolsas da Rio-Arte na área de teatro e membro de júris de incontáveis outras premiações.


Exerceu também a atividade de tradutora, tendo em seu currículo a publicação em português de cerca de 40 livros de vários gêneros e autores de língua inglesa e um mesmo número de peças de teatro de autores diversos além de, como especialista da obra de William Shakespeare, ter traduzido boa parte das peças do "bardo".

Barbara Heliodora tornou-se uma das mais respeitadas especialistas em Shakespeare do país. Sua paixão pelo dramaturgo inglês começou na infância e, segundo a própria Barbara Heliodora, continuou por toda a vida: ela dizia que Shakespeare foi um grande e fiel amigo.

Entre suas obras, destacam-se os livros: "A Expressão Dramática do Homem Político em Shakespeare", "Falando de Shakespeare" e "Martins Pena, Uma Introdução".

Participou de publicações coletivas, tendo escrito capítulos ou artigos em livros como "A História da Cultura no Brasil" (MEC); "A Era do Barroco" (MNBA); "Theatre Companies Of The World" (Kullman & Young); "Escenarios de dos Mundos" (Centro de Documentación Teatral, Espanha); e freqüentemente teve artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais, entre os quais citam-se o Shakespeare Survey; o Shakespeare Quarterly; o Shakespeare Bulletin; a revista Bravo!; a revista República; e os jornais Estado de São Paulo e Folha de São Paulo.

Como crítica, era admirada e temida: "Eu me indispus com muita gente", dizia. "Mas agora passo por cima de tudo isso. Não tenho rancores. Só projetos", disse em 2014 em entrevista a revista Época.

Barbara Heliodora se aposentou no final de 2013, quando anunciou que abandonaria a coluna que mantinha no jornal O Globo. Pretendia continuar trabalhando como tradutora.

Morte

Bárbara Heliodora morreu na manhã de sexta-feira, 10/04/2015, aos 91 anos, no hospital Samaritano, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ela estava internada desde o dia 21/03/2015. Ela deixou três filhas e quatro netos.

Fonte: Instituto de Artes Unicamp e Época
Indicação: Fadinha Veras

Rodolfo Konder

RODOLFO KONDER
(76 anos)
Jornalista, Escritor, Tradutor, Professor e Conferencista

* Natal, RN (05/04/1938)
+ São Paulo, SP (01/05/2014)

Rodolfo Konder foi um jornalista, escritor, tradutor, professor universitário e conferencista brasileiro.

Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, em 05/04/1938, foi militante político contra a ditadura militar em 1964. Em 1975, Rodolfo Konder foi preso junto com o jornalista Vladimir Herzog e foi o primeiro a denunciar que Vladimir Herzog havia sido assassinado pelos torturadores. Por ser militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi obrigado a se exilar durante o regime militar. No período da redemocratização, atuou em grupos de direitos humanos e presidiu a seção brasileira da Anistia Internacional.

Era filho do intelectual comunista Valério Konder, que foi dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), e de Ione Coelho. Era irmão do filósofo marxista Leandro Konder e de Luíza Eugênia Konder, casada com o banqueiro Antônio Carlos de Almeida Braga.

Rodolfo Konder foi casado com Silvia Gyuru Konder e tinha um filho, Fabio Gyuru Konder.

Na clandestinidade, o jornalista começou a fazer traduções para Ênio Silveira. Pouco depois, conseguiu uma vaga de redator na agência de notícias Reuters, onde trabalhou durante quatro anos.


Trajetória Como Jornalista

Rodolfo Konder trabalhou como jornalista nas revistas "Realidade", "Singular Plural", "Visão", "Isto É", "Afinal", "Nova", e colaborou com a "Playboy", "Revista Hebráica" e "Época". Também trabalhou em jornais, estações de rádio, inclusive Rádio Canadá, em Montreal, durante dois anos, e canais de televisão.

Durante quatro anos, foi editor-chefe e apresentador do "Jornal da Cultura", na TV Cultura de São Paulo. Também foi colaborador permanente de "O Estado de São Paulo", durante dez anos.

Publicou artigos nos jornais "Movimento", "O Diário", "Voz da Unidade", "Folha de São Paulo", "Jornal da Tarde", "Gazeta Mercantil", "Diário Popular", "Pasquim", "O Paiz", "LA Calle", "El Clarin", "História", "Venus", "Opinião", "Povos e Países", "Jornal do Brasil", "Jornal da Semana", "Leia Livros", "Shopping News", "Américas" e "Shalom".

Foi professor de jornalismo, durante cinco anos, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), foi diretor das Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAM) durante um ano, fez palestras e conferências no Brasil e no exterior, sempre sobre temas relacionados ao jornalismo, à liberdade de expressão e à luta pela democracia.

Foi secretário da Cultura durante a gestão do prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, entre 1993 e 1996.


Trajetória Como Escritor

Como escritor, foi conselheiro da União Brasileira de Escritores e escreveu 21 livros: "Cadeia Para Os Mortos", "Tempo de Ameaça", "Comando das Trevas", "De Volta, os Canibais", "Anistia Internacional: Uma Porta Para o Futuro", "O Veterano de Guerra", "Palavras Aladas", "O Rio Da Nossa Loucura", "As Portas Do Tempo", "A Memória e o Esquecimento", "A Palavra e o Sonho", "Hóspede Da Solidão", "Labirintos De Pedra", "Rastros Na Neve", "Sombras No Espelho", "Cassados e Caçados", "Agonia e Morte De Um Comunista", "A Invasão", "As Areias De Ontem", "Educar é Libertar" e "O Destino e a Neve".

Foi premiado, em 2001, com o Prêmio Jabuti pelo livro "Hóspede Da Solidão".

De janeiro de 1993 a dezembro de 2000, ocupou o cargo de Secretário Municial da Cultura. Além disso, foi membro do Conselho da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura), integrou a Diretoria da Bienal de São Paulo e foi presidente da Comissão Municipal para as Comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. Foi diretor do Museu de Arte de São Paulo (MASP) e diretor da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) em São Paulo.


Morte

Rodolfo Konder morreu na quinta-feira, 01/05/2014, às 10:30 hs, em São Paulo, SP, aos 76 anos. Ele lutava contra um câncer e estava internado há dois meses no Hospital Beneficência Portuguesa. Há 20 dias havia sido transferido para a UTI onde faleceu.

O corpo do jornalista foi cremado às 17:00 hs, do dia 02/01/2014 no Crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, interior de São Paulo, em cerimônia restrita aos familiares.

Obras

  • 1977 - A Ascensão Dos Generais (Portugal - Editorial Caminho)
  • 1977 - Cadeia Para Os Mortos (Editora Alfa-Omega)
  • 1978 - Sob o Comando Das Trevas (Portugal - Editorial Caminho)
  • 1978 - Tempo De Ameaça (Editora Alfa-Omega)
  • 1978 - Comando Das Trevas (Editora Global)
  • 1986 - De Volta Aos Canibais (Sequência Editorial)
  • 1988 - Anistia Internacional - Uma Porta Para o Futuro (Pontes Editora)
  • 1988 - O Veterano De Guerra (Editora Ibla)
  • 1988 - Erkundungen (Antologia, Alemanha) Verlag Volk Und Welt
  • 1992 - Palavras Aladas (Scortecci Editora)
  • 1994 - O Rio Da Nossa Loucura (Editora Saraiva)
  • 1996 - As Portas Do Tempo (Editora Saraiva)
  • 1997 - A Memória e o Esquecimento (Editora Global)
  • 1999 - A Palavra e o Sonho (Editora Global)
  • 2000 - Hóspede Da Solidão
  • 2002 - Labirintos De Pedra (Editora Global)
  • 2005 - O Conto Brasileiro Hoje (RG Editores)
  • 2005 - Rastros Na Neve - Viagens De Um Jornalista (Edições UniFMU)
  • 2006 - Sombras No Espelho (Edições UniFMU)


Prêmios

  • 1994 - Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo
  • 1995 - Prêmio Homem de Direitos Humanos, da Hebraica.
  • 1996 - Prêmio Borba Gato
  • 1999 - Medalha Monteiro Lobato da Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil
  • 2001 - Prêmio Jabuti 2001 - Categoria: Contos e Crônicas - Livro: Hóspede da Solidão



Ana Cristina Cesar

ANA CRISTINA CRUZ CESAR
(31 anos)
Poetisa e Tradutora

* Rio de Janeiro, RJ (02/06/1952)
+ Rio de Janeiro, RJ (29/10/1983)

Ana Cristina César era um dos nomes mais representativos de uma nova poesia que se estava produzindo no Brasil a partir dos anos 70, e se afirmando na década seguinte. Foi, segundo Eucanaã Ferraz, "personagem fundamental no ambiente artístico e cultural do Rio de Janeiro nos anos 1970". Segundo Heloisa Buarque de Hollanda, doutora em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), "no meio dos poetas marginais era e se comportava como musa, um pouco distante como devem ser a musas".

Ela foi uma poetisa e tradutora brasileira, conhecida como Ana Cristina Cesar, ou Ana C., é considerada um dos principais nomes da geração mimeógrafo da década de 1970, e tem o seu nome muitas vezes vinculado ao movimento de Poesia Marginal.

Filha do sociólogo e jornalista Waldo Aranha Lenz Cesar e de Maria Luiza Cruz, Ana Cristina nasceu em uma família culta e protestante de classe média. Tinha dois irmãos, Flávio e Filipe.

Antes mesmo de ser alfabetizada, aos 6 anos de idade, ela ditava poemas para sua mãe. Em 1969, Ana Cristina Cesar viajou à Inglaterra em intercâmbio e passou um período em Londres, onde travou contato com a literatura em língua inglesa. Quando regressou ao Brasil, com livros de Emily Dickinson, Sylvia Plath e Katherine Mansfield nas malas, dedicou-se a escrever e a traduzir, entrando para a Faculdade de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), aos 19 anos.


Ana Cristina começou a publicar poemas e textos de prosa poética na década de 1970 em coletâneas, revistas e jornais alternativos. Seus primeiros livros, "Cenas de Abril" e "Correspondência Completa", foram lançados em edições independentes. As atividades de Ana Cristina  não pararam: pesquisa literária, um mestrado em comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), outra temporada na Inglaterra para um mestrado em tradução literária, na Universidade de Essex, em 1980, e a volta ao Rio de Janeiro, onde publicou "Luvas de Pelica", escrito na Inglaterra. Em suas obras, Ana Cristina Cesar mantém uma fina linha entre o ficcional e o autobiográfico.

Ana Cristina cometeu suicídio aos 31 anos, atirando-se pela janela do apartamento dos pais, no oitavo andar de um edifício da Rua Tonelero, em Copacabana.

Armando Freitas Filho, poeta brasileiro, foi o melhor amigo de Ana Cristina Cesar, para quem ela deixou a responsabilidade de cuidar postumamente das suas publicações. O acervo pessoal da autora está sob tutela do Instituto Moreira Salles. A família fez a doação mediante a promessa dos escritos ficarem no Rio de Janeiro. Contudo, sabe-se que muitas cartas de Ana Cristina Cesar foram censuradas pela família, principalmente as recebidas do escritor Caio Fernando Abreu.

Ítalo Moriconi escreveu: "Ana Cristina dizia que uma das facetas do seu desbunde fora abandonar a ideia de ser escritora, livrar-se do que ela naquele momento julgava ser sua face herdada, o estigma princesa bem-comportada, alguém marcada para escrever."


Em 1987, ao ser lançado seu livro póstumo "A Seus Pés", o poeta e amigo Armando Freitas Filho escreveu esse texto, sobre a obra e a autora e amiga:

"Olhos azuis, a flor da pele. A Teus Pés (Ana Cristina César) foi escrito na rua e pelo telefone. Num caderno preto, pautado, de capa dura, desses que antigamente, eram usados por pequenas firmas para registro, sempre caligráfico, de suas atividades, do seu 'dever & haver'. Foi escrito com canetas de vários tipos e cores, como se, inconscientemente se desejasse sublinhar e fixar as muitas intenções e nuances, a pegada mais forte ou mais suave de cada texto.
Seu primeiro nome foi 'Meios de Transporte', logo abandonado por ter um segundo sentido demasiadamente explícito. A escolha definitiva me foi comunicada num telefonema extra, de tarde, pois nos falávamos diariamente pela manhã, quando Ana me disse que tinha achado o título, afinal, num poema meu, no último verso.
À princípio achei meio bolero, mas depois fui me acostumando, na medida em que acompanhava literalmente, passo a passo, a feitura do livro. Na época escrevia também o meu, que se chamava '3X4'. Esses 'telefonemas de consulta' eram discussões pormenorizadas sobre os escritos de cada um, quando tudo era visto sem nenhum rigor fetichizado, de colarinho branco, mas sim meio na contramão, a la diable.
Hoje, quando me lembro desse tempo, não poderia dizer, com exatidão, quem telefonava pra quem. Ora um, ora outro. Ou o telefone tocava sozinho numa ligação telepática?
A Teus Pés, também, foi escrito andando, ao meu lado, pelas ruas do Rio, viajando em 'frescões' ou sentado em mesas de chá transitórias. Foi, aliás, na Confeitaria Colombo que ela me levou a versão final, impecavelmente datilografada em máquina elétrica, às vésperas de enviar os originais para a Brasiliense. Sugeri cortes, supressões de alguns textos. Foram aceitos depressa. Fiquei arrependido, liguei à noite e disse que era melhor considerar com mais calma a eliminação deles. Ela disse não. Os originais já tinham sido remetidos. Dois anos depois penitenciei-me incluindo muitos desses poemas em 'Inéditos e Dispersos' (Ana Cristina César).
Agora estou aqui recordando esses pequenos acontecimentos, publicando intimidades delicadas, O telefone telepático, na ponta do trampolim, não bate mais. É uma caixa-preta, for ever. Nunca pensei que na minha vida acontecesse uma coisa tão forte, tão brusca e selvagem, e que uma ausência pudesse ser tão viva."


Principais Obras

Poesia
  • 1982 - A Teus Pés
  • 1985 - Inéditos e Dispersos
  • Novas Seletas (Póstumo, organizado por Armando Freitas Filho)


Crítica
  • 1980 - Literatura Não é Documento
  • 1999 - Crítica e Tradução


Variados
  • Correspondência Incompleta
  • Escritos no Rio (Póstumo, organizado por Armando Freitas Filho)
  • Escritos em Londres (Póstumo, organizado por Armando Freitas Filho)
  • Antologia 26 Poetas Hoje, de Heloísa Buarque


Fonte: Wikipédia