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Archimedes Messina

ARCHIMEDES MESSINA
(85 anos)
Compositor, Jornalista, Publicitário e Radialista

☼ São Paulo, SP (1932)
┼ São Paulo, SP (31/07/2017)

Archimedes Messina foi um compositor, jornalista, publicitário e radialista brasileiro, nascido em São Paulo em 1932.

Archimedes Messina fez parte do dia-a-dia dos brasileiros nos últimos 50 anos. Dentre os muitos jingles que ele criou e que viraram clássicos na cabeça de várias gerações, o mais famoso deles ainda vai ao ar todas as semanas: "Silvio Santos Vem Aí", a trilha sonora que acompanha o maior apresentador do país desde o início de sua carreira no rádio, foi composta por Archimedes Messina e ajudou a torná-lo um dos maiores compositores de jingles brasileiros.

Archimedes Messina sempre sonhou em trabalhar com rádio. Quando menino, ouvia toda a programação de jornais, radionovelas e programas de auditório. Entrando na vida adulta, surgiu a primeira oportunidade de se tornar radioator na Rádio São Paulo, líder de audiência na época. Mais tarde passou a escrever programas de rádio e o primeiro foi para o drama "Aqueles Olhos Azuis".

A atuação como ator em pequenos papéis acompanhou trabalhos de locução na TV Record e os primeiros projetos como compositor, fazendo músicas para as novelas nas quais atuava. Mas foi com marchinhas carnavalescas que Archimedes Messina começou a se projetar nacionalmente: "Faz Um Quatro Aí", de 1957, foi seu primeiro sucesso, que o colega de rádio, o humorista Chocolate, gravou.

O sucesso com essa e outras marchinhas chamou atenção do amigo Jorge Adib, que comandava uma agência de publicidade chamada Multi Propaganda. Uma proposta de aumento de salário, que era o dobro do que Archimedes Messina ganhava na Rádio São Paulo, foi o suficiente para superar o receio do então radioator em mudar radicalmente de função. Ele fechou um contrato de três meses para compor jingles para os clientes da Multi Propaganda. Deu tão certo que ao final dos três meses ele recebeu o dobro do que havia sido combinado e entrou de vez para o mercado publicitário.


Três anos depois, integrava o elenco de compositores da Sonotec, onde durante 15 anos compôs os jingles da Varig, como "Urashima Tarô" e do "Seu Cabral" além de ter composto o jingle para o Café Seleto.

Os anos trabalhando em rádio já haviam colocado Archimedes Messina no caminho de Senor Abravanel, já Silvio Santos, que trabalhava para Manuel de Nóbrega na Rádio Nacional.

Em 1964, o comunicador ganharia seu primeiro programa solo aos domingos e coube a Archimedes Messina compor a trilha sonora do programa. O compositor encontrou Silvio Santos em um corredor da Rádio Nacional e perguntou como ele queria que fosse a música: "Silvio pediu simplesmente uma música animada, bem alegre e simples, que pegasse rápido, afinal seria o tema de abertura do seu programa", contou o especialista em jingles Fábio Barbosa Dias.

Segundo Fábio Barbosa Dias, o futuro Homem do Baú ainda sugeriu que a música começasse com um "lá, lá, lá" e que depois Archimedes Messina poderia continuar como quisesse. Surgiram então os versos:

Lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá

Agora é hora de alegria
Vamos sorrir e cantar
Do mundo não se leva nada
Vamos sorrir e cantar

Lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá
Silvio Santos vem aí!


Silvio Santos aprovou a música de cara e o sucesso com o público foi tão grande que ela o acompanhou no ano seguinte em sua chegada à televisão. Com ela, fez sucesso na TV Paulista, na TV Globo e finalmente na TVS, hoje SBT, que o próprio Silvio Santos inaugurou em 1981.

Trilha de todos os domingos, a música foi até tema do jingle eleitoral de Silvio Santos em sua fracassada tentativa de se candidatar à presidência da República em 1989. Anos mais tarde, a música traria dores de cabeça a Silvio Santos.

Em 2001, Archimedes Messina moveu um processo contra Silvio Santos reclamando os direitos autorais que a composição arrecadou ao longo de todos os anos em que foi executada. Os cálculos dos advogados levaram a um pedido de R$ 50 milhões. O SBT recorreu e o processo se arrastou até 2011, quando a Justiça determinou que fosse paga uma indenização de R$ 5 milhões para Archimedes Messina e que a música não fosse mais executada. No ano seguinte, em condições mantidas em sigilo, Silvio Santos e Archimedes Messina entraram em um acordo e em 2013 a música voltou a fazer parte dos domingos dos brasileiros.

Ainda que esse seja o seu maior sucesso, a carreira de Archimedes Messina passa longe de se resumir ao jingle de Silvio Santos. O fenômeno com o jingle do apresentador chamou a atenção de Carlos Ivan Siqueira, diretor de propaganda da Varig, que em 1967 encomendou uma música que vendesse viagens para Portugal: "Archimedes criou uma historinha que envolvia um tal de 'Seu Cabral', que vinha ao Brasil de caravela e voltava a Portugal em um avião da Varig", contou Fábio Barbosa Dias.


Foi só o primeiro dos muito jingles que Archimedes Messina fez para a companhia aérea em 20 anos de parceria. Sempre que precisava vender algum novo destino da companhia, Archimedes Messina pesquisava algo sobre a cultura ou a história daquele país que lhe servissem de gancho. Foi assim que a lenda de Urashima Taro, uma tartaruga salva por um pescador, se tornou a base para outro sucesso: O pescador trouxe a tartaruga para o Brasil e ela voltou a sua terra natal, o Japão, em um jatinho da Varig. A música foi gravada por Rosa Miyake, apresentadora do programa "Imagens do Japão".
"Ele me convidou para gravar e eu achei o máximo! No dia da gravação eu estava muito nervosa. Ele me chamou no estúdio e disse: 'Rosinha, esse pedaço do estúdio é todinho seu, cante como se estivesse no palco'. Eu estava suando! Foi uma experiência que eu nunca vou esquecer. Ele era querido por todos por sua lealdade e sensibilidade."
(Recordou Rosa Miyake)

Foram 12 músicas para a companhia aérea, cada uma sobre um Estado brasileiro ou país. Em alguns casos, Archimedes Messina viajou com custos cobertos pela Varig para conhecer melhor a história do lugar e assim criar uma história que cativasse o público. Outro de seus sucessos foi o jingle do Café Seleto, composto em 1974 sem que Archimedes Messina recebesse qualquer informação sobre o produto. E não precisou. Assim mesmo a música caiu nas graças do povo e de Manoel da Silva, o Maneco, dono da marca: "Ao receber a gravação finalizada, seus olhos encheram de lágrimas", aponta Fábio Barbosa Dias.

Archimedes Messina trabalhou até o final de sua vida. Embora raramente compusesse jingles, dedicou seus últimos anos a colocar melodia nas letras que havia composto ao longo de sua carreira, mas que não teve tempo de musicar por causa do volume de trabalho. O processo de composição seguiu o mesmo: batucando em uma caixinha de fósforo para encontrar a melodia correta para "grudar" nos ouvidos do público.

Morte

Archimedes Messina faleceu na segunda-feira, 31/07/2017, aos 85 anos. Na sexta-feira, 28/07/2017,  Archimedes Messina sofreu um aneurisma no fígado em casa e foi internado no Hospital Santa Maggiore, na região central de São Paulo. Uma cirurgia estava marcada para esta quarta-feira, 02/08/2017, mas ele não resistiu a uma ruptura no vaso do fígado. O velório ocorreu justamente na quarta-feira, na Vila Mariana, em São Paulo.

Archimedes Messina deixou dois filhos, três netos e a mulher, Inajá, companheira desde 1962 e com quem era casado desde 1965.

Indicação: Miguel Sampaio

Lúcia Garófalo

LÚCIA GAROFALO
(72 anos)
Jornalista, Radialista e Empresária

☼ São Jose do Rio Preto, SP (10/02/1945)
┼ Brasília, DF (23/09/2017)

Lúcia Garófalo foi uma jornalista e empresária brasileira nascida em São José do Rio Peto, SP, no dia 10/02/1945.

Menina do interior, nascida na cidade de São Jose do Rio Preto, SP, logo cedo despertou o interesse pela Educação. Apaixonada pelo dom de educar, formou-se em Pedagogia e em São Paulo trabalhou por anos com muita paixão.

Interessada na carreira diplomática, já em Brasília, cursou a Faculdade de Direito na Universidade de Brasília (UNB), onde tornou-se Bacharel e onde exerceu pouco a profissão, porém conheceu grandes professores e amigos.

Por influências e a atração na área da Comunicação Social, se formou também em Jornalismo na Universidade de Brasília (UNB). Foi uma das fundadoras do PRODASEN por acreditar no poder revolucionário da informática, que conforme dizia o Ministro Pereira Lira, seu amigo e professor, achavam que a informática na jurisprudência iria comandar o mundo.


Ganhadora de várias medalhas de Honra ao Mérito e diplomas pela sua fidelidade e perseverança à cultura Brasiliense, fundou em 1980, juntamente com seu esposo o jornalista Mário Garófalo, a Brasília Super Rádio FM.

Acompanhou todos os passos da empresa deste a licitação à concessão da emissora, a instalação dos equipamentos, a emoção da entrada no ar, a entusiástica reação dos primeiros ouvintes, sendo a única emissora do mundo, com exceção da Rádio Vaticano, a ter sido inaugurada por um Papa, João Paulo II, quando esteve em Brasília, no dia 30/06/1980.

Após o falecimento, em 27/09/2004, do saudoso Mário Garófalo, com quem viveu por 28 anos, Lúcia Garófalo manteve a atividade profissional como apresentadora, diretora, locutora e produtora da Brasília Super Rádio FM, incluindo o tradicional programa "Um Piano Ao Cair Da Noite". Entre os ouvintes, a radialista era famosa pelo bordão "A diferença é a música!".

Lúcia Garófalo surpreendeu a todos que achavam que a emissora iria desaparecer após a partida do seu criador Mário Garófalo.

Morte

Lúcia Garófalo faleceu na noite de sábado, 23/09/2017, aos 72 anos. Segundo familiares, Lúcia Garófalo lutava contra um câncer diagnosticado há dois anos. O comunicado foi transmitido em tom emocionado pela rádio na qual ela trabalhou por 37 anos, em nome da equipe e da família.
"Esta voz que, diariamente ao longo de 37 anos, embalou e despertou o sono da capital do Brasil, emudeceu-se. Os familiares e a equipe da Brasília Super Rádio FM, a emissora da música diferente, pesarosamente, comunicam ao nosso estimado público ouvinte e parceiros o falecimento de Lúcia Garófalo, ocorrido na noite deste sábado de primavera!"
O velório ocorreu na segunda-feira, 25/09/2017, a partir das 8h00, no cemitério Campo da Esperança, na capela 7, em Brasília, DF, e o sepultamento às 11h30.          
Indicação: Tiago Alves Andrade

Barros de Alencar

CRISTÓVÃO BARROS DE ALENCAR
(84 anos)
Cantor, Compositor, Radialista e Apresentador de Televisão

☼ Uiraúna, PB (05/08/1932)
┼ São Paulo, SP (05/06/2017)

Cristóvão Barros de Alencar, conhecido artisticamente por Barros de Alencar, foi um cantor, compositor, radialista e apresentador de televisão brasileiro, nascido em Uiraúna, interior da Paraíba, no dia 05/08/1932.

Começou sua carreira como radialista, quando trabalhou em Campina Grande, na Rádio Borborema. Em busca de novos horizontes, viajou pelas capitais brasileiras, dentre elas Recife, Fortaleza, Belo Horizonte e São Paulo.

Em 1960, na capital paulista, conseguiu um lugar ao sol, passando a fazer parte da Rádio Tupi, Rádio Record e Rádio América, tocando principalmente os sucessos da Jovem Guarda.

Em 1966 lançou seu primeiro compacto simples pela gravadora Chantecler (C-33-6209) com as músicas "Agora Sim", versão de "Adesso Sì" (Sergio Endrigo) e "Não Vá Embora", versão de "Tu Me Plais Et Je T'aime" (J. L. Chauby e Bob Du Pac).

Em 1968 lançou o compacto simples com a música "Não Me Peça Um Beijo" (Antônio Marcos e Mario Marcos).

Em 1971 lançou um compacto simples com as músicas "Não Posso Mais Viver Sem Ti" e "Ana Cristina", ambas de sua autoria.

Orlando Alvarado e Barros de Alencar
Em 1972 fez sucesso com a balada "Meu Amor (Monia)" (D. Finado, Jager e Vidalin), com versão de Sebastião Ferreira da Silva, incluída no LP "Os Grandes Sucessos da RCA Candem", que contou com a presença de nomes como Martinho da Vila, Nelson Gonçalves Carmen Silva. No mesmo ano outra gravação sua, "Não Me Peça Um Beijo (Porque Vou Chorar)", foi incluída no LP "Os Grandes Sucessos Volume 2" da mesma gravadora.

Em 1973 lançou LP pela RCA Victor, interpretando composições românticas como a clássica balada "Quem É" (Osmar Navarro e Oldemar Magalhães), "Todas As Crianças Para Sempre Crianças" (Eduardo Araújo), "Volta Ao Tempo Antigo" (Marcos Roberto e Dori Edson), "Aniversário Do Meu Bem" (Celso Castro), além de versões suas para quatro músicas estrangeiras, "Por Toda a Vida (For The Good Times)" (K. Kristofferson), "Bem Perto De Ti (Pequeña Mariposa)" (Joseph), "O Maior Amor Do Mundo (Le Premier Amour Du Monde)" (D. R), "Noites (Nachts)" (F. Berlipp e B. Tilgert), entre outras. No mesmo ano, participou do LP "Os Grandes Sucessos Volume 3", da RCA Camden, interpretando a música "Volte Querida (Honey Come Back)" (J. Webb) e versão de Sebastião Ferreira da Silva.

Em 1974 participou de duas coletâneas, "Os Grandes Sucessos Volume 4", da RCA Camden, com a música "Meu Amor é Mais Jovem Do Que Eu", e do LP "Canções Para Dizer Te Amo", da RCA Victor, interpretando a balada "Namorados", música que também foi incluída no LP "Parada Nacional de Sucesso" da Som Livre.


Em 1975 gravou em LP as músicas "A Menina Que Cresceu" (Tony Damito e César), "Dois Corações Apaixonados" (Tony Damito e César), "Tem Que Ser Assim" (Peninha), "Eu Sinto Pena De Você" (Donizette e Jean Pierre), "Emanuela (Emmanuelle)" (P. Bachelet e H. Roy), versão de Barros de Alencar, trilha de um famoso filme da época, "Champagne" (Di Francia e S. Jodice), com versão de Agnaldo Timóteo, "Soleado (O Sermão da Montanha)" (Zacar), com versão de Barros de Alencar, "Você Não Tem Sensibilidade" (Osmar Navarro), entre outras.

Ainda nesse ano de 1975 participou de quatro coletâneas de sucessos, "Natal Com Cristo - Ano Novo Com Amor", da RCA Camden, interpretando o poema "Soleado (O Sermão Da Montanha)". As outras três participações foram em LPs da RCA Victor: "Canções Para Dizer Te Amo Volume 2", em que interpretou "Prometemos Não Chorar", "Fantásticos Volume 3" cantando "Prometemos Não Chorar" "Fantásticos Volume 4" cantando "Natali" (Minellomo e Balsamo), com versão de Jean Pierre.

Em 1976 participou da série "Fantásticos Volume 5", da RCA Victor, com a guarânia "Os Homens Não Devem Chorar (Nova Flor)" (Mário Zan e Palmeira). Participou, ainda no mesmo ano do LP "Saudade Jovem Nacional Volume 2", da RCA Camden, com a música "Olhos Tristes".

Em 1977 no LP "Globo de Ouro Volume 3", da Som Livre, foi incluída sua interpretação para a guarânia "Quero Beijar-te As Mãos" (Arsênio de Carvalho e Lourival Faissal).


Em 1978 gravou, pela RCA Victor, as músicas "Por Mais Que Eu Tente" (Odair José e Maxine), "Noite Sem Ti" (Marcos Lago e Dino Rossi), "Ansiedade" (José Enrique Sarabia Rodriguez), versão de Palmeira, "Volta Amor" (Romeo Nunes e Carlito), "Rosa Mulher" (Osmar Navarro e Arthur Moreira), "Rio Amargo" (Roberto Uballes, Cholo, AguirreOsmar Navarro) e "Meu Caminho" (Maxcilliano e Paulinho Camargo).

Em 1979, lançou o LP "Sentimental", no qual interpretou, entre outras, as músicas "Amanhã o Que Será (Adios)" (Juan Pardo) e versão de Osmar Navarro, "Na Areia" (Lindomar Castilho, Ronaldo Adriano e C. Mendes), "Apenas 3 Minutos" (Barros de Alencar e Ivan), "Herança De Um Grande Amor" (Osmar Navarro e Arthur Moreira) e "Antes Mal Acompanhado Do Que Só" (Osmar Navarro e Arthur Moreira). Nesse ano, no LP "As campeãs da volta do sucesso", da gravadora Seta, que incluiu gravações de Diana, Joelma, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, dentre outros, foi incluida a sua interpretação de "Prometemos Não Chorar" (Barros de Alencar).

Na década de 80, apresentou na Rádio Tupi de São Paulo o programa "Só Sucessos". Apresentou na TV Record o "Programa Barros de Alencar" de 1982 a 1986, no qual ficou famoso com o bordão: "Alô mulheres, segurem-se nas cadeiras. Alô marmanjos, não façam besteiras!" e ganhou audiência com o Concurso Michael Jackson onde elegeu a garota Lúcia Santos, a Maika Jeka como carinhosamente a chamava, melhor imitadora do cantor.

Ainda nos anos 1980, sua interpretação para "A Primeira Carta" foi incluída na coletânea "Astros do Disco", da gravadora RCA Victor.

Barros de Alencar apresentou nas madrugadas da CNT do Rio de Janeiro, o programa "CD na TV".

Barros de Alencar afastou-se do rádio após passar por uma delicada cirurgia na garganta.

Morte

Barros de Alencar faleceu na madrugada de segunda-feira, 05/06/2017, aos 84 anos, em um hospital do bairro da Mooca, em São Paulo, onde estava internado com problemas cardíacos.

Na manhã do dia 05/06/2017, o radialista Kaká Siqueira, locutor da Tropical FM 107,9 - SP, afirmou que Barros de Alencar entrou em coma no domingo, 04/06/2017. "Ele estava com o coração bem fraquinho", afirmou Kaká Siqueira, que relembrou ainda o período em que o amigo passou por problemas nas cordas vocais e precisou passar por uma cirurgia.

O sepultamento ocorreu às 13h30, no Cemitério Primavera em Guarulhos, Grande São Paulo.

Discografia

  • 1968 - Compacto Simples
  • 1970 - Compacto Duplo (RCA Victor, LCD-1224)
  • 1971 - A Canção Anti-Tóxico / Não Lhe Quero Mais (Compacto Simples)
  • 1971 - Não Posso Mais Viver Sem Ti / Ana Cristina (Compacto Simples)
  • 1973 - Barros de Alencar (RCA Victor, LP)
  • 1975 - Barros de Alencar (RCA Victor, LP)
  • 1977 - Disco de Ouro (RCA Victor, LP)
  • 1978 - Barros de Alencar (RCA Victor, LP)
  • 1979 - Sentimental (RCA Victor, LP)
  • 1980 - Compacto Duplo (RCA Victor, 102.0282)
  • 1980 - A Primeira Carta / Um Amor Imenso (Compacto Simples)
  • 1981 - Falando de Amor Volume 2 (EP)
  • 1998 - Grandes Sucessos (LP)

Kid Vinil

ANTÔNIO CARLOS SENEFONTE
(62 anos)
Cantor, Compositor, Radialista e Jornalista

☼ Cedral, SP (10/03/1955)
┼ São Paulo, SP (19/05/2017)

Kid Vinil, nome artístico de Antônio Carlos Senefonte, foi um cantor, compositor, radialista e jornalista, nascido em Cedral, SP, no dia 10/03/1955, que destacou-se no cenário musical do rock brasileiro dos anos 80, com o grupo Magazine. 

Kid Vinil foi vocalista do Verminose, Magazine, Kid Vinil e os Heróis do Brasil e Kid Vinil Xperience. Atualmente retomava as atividades de radialista com um programa semanal na Rádio Rock 89 FM de São Paulo, toda quintas-feira às 23h59, e na Web Rádio Brasil 2000. E mais, a Banda Magazine estava novamente na ativa com seus integrantes originais, Lu Stopa (Baixo), Trinkão Watts (Bateria), Ted Gás (Guitarra) e Kid Vinil (Vocal) para uma merecida guinada no cenário musical tão aguardada por muitos.

No início dos anos 80, Kid Vinil havia tocado na banda Verminose, mais voltada para o punk rock e o rockabilly. Foi precursor e incentivador do movimento punk paulista, organizando shows e tocando músicas de bandas de punk rock e pós-punk em seu programa de rádio, na antiga Rádio Excelsior, no Programa Kid Vinil. Nos anos 80 marcou forte presença no cenário musical como vocalista do grupo Magazine, com as canções "Tic Tic Nervoso" (Marcos Serra e Antônio Luiz), "A Gata Comeu" (Caetano Veloso), que foi tema de abertura da novela com mesmo nome da TV Globo, "Sou Boy", "Adivinhão" (Baby Santiago e Wilson Miranda) e "Glub Glub No Clube"


Na TV participou em 1987 do programa "Boca Livre" na TV Cultura, programa que teve em sua primeira fase competições entre colégios, seguindo com a realização de festival de novas bandas e por último mostra de bandas independentes por onde passou bandas como Inocentes, Golpe de Estado, 365, O Gueto, Cólera, Ratos de Porão, Escova e a Máfia, entre tantos outros importantes para o cenário nacional. Também passou por lá o Toy Dolls, grupo punk inglês.

Ainda, apresentou o "Som Pop" em sua fase final, de 1989 a 1993,  após o saudoso Gerson de Abreu.

Depois, em 2000, tornou-se Video Jockey (VJ) da MTV, participando de programas como "Lado B" em que apresentava videoclipes de bandas underground, especialmente do exterior. Neste mesmo ano voltou com o Magazine, lançando um segundo trabalho pela gravadora Trama, o CD "Na Honestidade" em 2002.

Encerradas as atividades com o Magazine formou uma nova banda, o Kid Vinil Xperience em 2005. Com o Kid Vinil Xperience lançou em 2010 o seu primeiro CD, "Time Was", um disco de covers de músicas favoritas e obscuras e em 2013 o primeiro DVD, "Vinil Ao Vivo", gravado em 2010 na cidade de Novo Horizonte, SP, pelo selo Galeão, com interpretações de todos os hits de sua carreira.

Em 2008, lançou um livro pela Ediouro Publicações, "Almanaque do Rock", que relata a trajetória do rock, começando pelos anos 50 até os dias de hoje.

Morte

Kid Vinil era diabético e começou a apresentar problemas ainda no dia 16/04/2017, depois de ter passado mal após se apresentar na cidade mineira de Conselheiro Lafaiete. No dia 18/04/2017, ele foi transferido em um avião com UTI Móvel para o Hospital da Luz, em São Paulo. Para conseguir custear o translado, a família fez uma campanha para arrecadar R$ 15 mil. O artista chegou a ser levado para a UTI da unidade hospitalar e ficou em coma induzido.

Kid Vinil realizou uma série de exames, mas o diagnóstico não foi informado.
"Ele fez uma bateria de exames. Os médicos disseram que o coração e o pulso estão normais. Temos que descobrir a causa disso, então será apenas com os resultados. O hospital nos deu uma grande atenção. Vamos ficar eternamente agradecidos ao hospital, que nos vem dando toda a assistência!"
(Márcio Souza, produtor) 

No início da tarde de sexta-feira, 19/05/2017, a família do músico fez uma publicação no perfil pessoal dele.
"Aos amigos, parceiros de vida do nosso querido Kid. Infelizmente nosso amado passa pelo momentos mais crítico de sua recuperação e entendemos que agora é o momento dele com Deus, que acreditamos poder todas as coisas e fazer o que for melhor para o Kid. Pedimos que continuem as orações pois Kid não desistiu de lutar e sempre acreditou!"
Kid Vinil faleceu na sexta-feira, 19/05/2017, aos 62 anos, em São Paulo, SP. A informação foi confirmada por Luiz Thunderbird através do Twitter:
"Amigos, acabei de receber a mais triste notícia de que meu amigo e professor Kid Vinil faleceu hoje a tarde. Muita tristeza!"

Discografia

Como membro do Magazine:

  • 1983 - Soy Boy / Kid Vinil (Compacto, WEA / Elektra)
  • 1983 - Magazine (LP, WEA/Elektra)
  • 1983 - Adivinhão / Casa da Mãe (Compacto, WEA / Elektra)
  • 1984 - Tic Tic Nervoso / Atentado ao Pudor (Compacto, WEA / Elektra)
  • 1985 - Glub Glub no Clube / Sapatos Azuis (Compacto, WEA / Elektra)
  • 1985 - Comeu / Crucial (Compacto, WEA / Elektra)

Como membro do Kid Vinil e Os Heróis do Brasil:

  • 1986 - Kid Vinil e os Heróis do Brasil (LP, 3M)

Disco Solo:

  • 1989 - Kid Vinil (LP, RGE)

Como membro do Verminose:

  • 1995 - Xu-Pa-Ki (LP, Independente)

Como membro do Magazine:

  • 2002 - Na Honestidade (CD, Trama)

Como membro do Kid Vinil Xperience:

  • 2010 - Time Was (CD, Kid Vinil Records)
  • 2013 - Vinil Ao Vivo (DVD, Galeão Discos)
  • 2014 - Kid Vinil Xperience (EP, 2014)

Milton Luiz Pereira

MILTON LUIZ PEREIRA
(79 anos)
Jurista, Radialista, Professor e Político

☼ Itatinga, SP (09/12/1932)
┼ Curitiba, PR (16/02/2012)

Milton Luiz Pereira foi um jurista e político brasileiro, nascido em Itatinga, SP, no dia 09/12/1932.

Milton Luiz Pereira mudou-se ainda adolescente para Curitiba, PR. Na capital, iniciou amizade com José Richa, então estudante de Odontologia.

Filho de José Benedito Pereira e Júlia Pinto Pereira, formou em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1958. Foi Procurador Judicial Municipal e advogado credenciado pela Caixa Econômica Federal da Comarca de Campo Mourão, PR.

Como advogado, Milton Luiz Pereira foi atuar em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná, em 1959, e rapidamente foi reconhecido por seu trabalho.

Em 1963 aceitou disputar a eleição para prefeito da cidade pelo Partido Democrata Cristão (PDC), de Ney Braga. O historiador Santos Júnior, que é de Campo Mourão, conta que a eleição parecia perdida. Milton Luiz Pereira tinha poucos recursos e concorria com o empresário Ivo Trombini, que além de dinheiro tinha o apoio do ex-presidente Juscelino Kubits­­chek. Então senador, Juscelino Kubits­­chek fez um grande comício no município. O troco de Milton Luiz Pereira foi visitar cada eleitor em casa. Elegeu-se.


Então, entre 1964 e 1967, foi prefeito de Campo Mourão, PR, e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nessas funções, realizou obras e julgamentos importantes. Mas o maior legado que deixou ao Paraná e ao Brasil, segundo relatos de várias pessoas que o conheceram, em artigos e cartas publicadas pela Gazeta do Povo, foi sua conduta. Um homem público íntegro, humilde e sempre pronto para aprender.

Como prefeito, promoveu uma grande inovação para a época: criou o Conselho Comunitário, que contava com a participação de uma pessoa de cada bairro da cidade. O trabalho foi produtivo: as receitas financeiras do município cresceram e a gestão de Milton Luiz Pereira entregou várias obras, como bibliotecas, rede de água e esgoto, estradas, a rodoviária. Graças ao Conselho e às obras, Cam­­po Mou­­rão foi escolhido à época como "Município Modelo do Paraná".

Entre o final da década de 1960 até a sua aposentadoria, exerceu diversos cargos na esfera jurídica Estadual e Federal, como:
  • Juiz Federal Substituto da 2ª Vara da Seção Judiciária do Paraná;
  • Juiz Federal da 5ª Vara da Seção Judiciária do Rio Grande do Sul;
  • Juiz Substituto do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, em vários biênios;
  • Ministro do Tribunal Federal de Recursos;
  • Juiz Presidente do Conselho de Administração do Tribunal Regional Federal;
  • Ministro do Superior Tribunal de Justiça, decreto de 1992;

Também foi professor catedrático em universidades de Curitiba e Umuarama.

Em 14/02/2014, no segundo aniversário de falecimento de Milton Luiz Pereira e sua esposa Mary, foi fundado o Instituto Milton Luiz Pereira, com a intenção de promover ações e assistência sociais, bem como estudos e iniciativas para o exercício das virtudes e ideais daquele que lhe deu o nome.

Milton Luiz Pereira e o Fusca
Presente do Povo

Em 1967, Milton Luiz Pereira renunciou ao cargo de prefeito para ser nomeado juiz federal, atingindo o objetivo de chegar à magistratura. O convite surgiu de contatos com políticos. Eles já haviam oferecido outros cargos, como secretário estadual, e sugerido a candidatura à Assembleia ou à Câ­­ma­­ra Federal. Mas Milton Luiz Pereira não se interessou.

Foi nessa época que a população de Campo Mourão fez a célebre arrecadação de dinheiro e comprou um Fusca de presente para o prefeito, que não tinha automóvel. Santos Júnior conta que se esqueceram de colocar gasolina. Mas isso não foi problema. A população empurrou o Fusca, com Milton Luiz Pereira, a mulher e os filhos, até a casa deles. "Além do carro, o ex-prefeito ganhou um jogo de canetas, um relógio de ouro e até um frango, presente de um lavrador, que andou 20 quilômetros, a pé!", relata o historiador.

O Fusca azul se tornou um amuleto usado por Milton Luiz Pereira até o fim da vida. Foi seu único carro.


"Toda vez que entro nele, sinto-me em Campo Mourão. Naquele momento, senti que o povo sabe ser justo!", dizia o juiz.

Milton Luiz Pereira permaneceu como juiz federal e, em 1988, assumiu a presidência do Tribunal Federal de Recursos (TFR), fato noticiado com destaque na Gazeta do Povo de 20 de novembro. O órgão já estava em vias de ser extinto, por força da nova Constituição. O Judiciário foi remodelado e surgiram os Tribunais Regionais Federais. Pela sua experiência, Milton Luiz Pereira assumiu o TRF da 3ª Região, em São Paulo.

Em 1992 foi nomeado Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde ficou por 10 anos.

Aposentado, teve mais tempo para se dedicar às novenas na Igreja São Judas Tadeu, do qual era devoto, e à família. Com Rizoleta Mary teve 5 filhos e com ela viveu até o fim.

Morte

Milton Luiz Pereira, o Drº Milton, como era conhecido entre os servidores da Justiça Federal, faleceu na madrugada do dia 16/02/2012, em Curitiba, PR, aos 79 anos, poucas horas após o falecimento de sua esposa, Rizoleta Mary Pereira. Ela morreu por volta das 19h00 de quarta-feira, 15/02/2012, e o ministro às 2h20 de quinta-feira, 16/02/2012.

Os dois estavam internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, PR, há uma semana, de acordo com familiares. Milton Luiz Pereira e Rizoleta Mary Pereira tinham câncer no pulmão e morreram em decorrência de complicações da doença.

Em nota oficial, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ministro Ari Pargendler lamentou as mortes, pois "formavam um casal harmonioso nutrido pelo amor que sentiam pelos filhos".

O velório do casal começou por volta das 12h30 de quinta-feira, 16/02/2012, no Cemitério Parque Iguaçu, de acordo com informações do Serviço Funerário Municipal e da funerária responsável. Os corpos foram sepultados na sexta-feira, 17/02/2012, às 10h00, no mesmo cemitério.

Cayon Gadia

CAYON JORGE GADIA
(62 anos)
Radialista, Diretor e Produtor de TV

☼ Inhumas, GO (23/08/1945)
┼ São Paulo, SP (29/08/2007)

Cayon Gadia foi um radialista, diretor e produtor de televisão nascido em Inhumas, GO, no dia 23/08/1945.

Diretor musical do SBT, nos últimos nove anos, Cayon Gadia foi responsável por produzir trilhas sonoras para as novelas da emissora, como "Os Ricos Também Choram" (2005), "Pícara Sonhadora" (2001) e "Chiquititas".

Cayon Gadia também trabalhou na Rádio Bandeirantes e Antena 1.

Duas semanas antes de seu falecimento ele sentiu fortes dores, e após exames foi constatada uma Diverticulite.

Cayon Gadia faleceu aos 62 anos, na madrugada de quarta-feira, 29/08/2007, em São Paulo, no Hospital 9 de Julho, vítima de falência múltipla dos órgãos, depois de passar por cirurgia para curar uma Diverticulite.

O velório de Cayon Gadia ocorreu no Cemitério do Morumbi, Em São Paulo, SP. O sepultamento ocorreu às 15h00 do dia 29/08/2007.

Fonte: Wikipédia e Folha.com

Waldir Vieira

WALDIR GOMES VIEIRA
(41 anos)
Radialista e Locutor

☼ São Fidélis, RJ (31/05/1944)
┼ Rio de Janeiro, RJ (13/11/1985)

Waldir Gomes Vieira foi um radialista e locutor brasileiro nascido em São Fidélis, RJ, no dia 31/05/1944. Filho de Antonio Vieira e Ana Lina Gomes Vieira. De um simples varredor ao maior Locutor do Brasil. Waldir Vieira dizia: "Não gosto de gênios, meu programa é povão!".

Waldir Vieira tinha um programa na Rádio Globo do Rio de Janeiro, entre as décadas de 1970 e 1980, das 13h00 às 17h00, e também nas manhãs de domingo, no qual conversava com ouvintes, pelo telefone, e desafiava-os com uma charada. Os quadros fixos eram "As Canções do Rei Roberto Carlos", onde uma carta sorteada contava a história de um ouvinte envolvendo uma música do Roberto Carlos, e a "Carta da Vovó".

O jingle do programa era "Waldir Vieira é um cara tão legal! Na Rádio Globo ele é sensacional!".

Waldir Vieira começou a trabalhar aos 13 anos de idade e em 1968 mudou-se para o Rio de Janeiro deixando a Rádio São Fidélis, para percorrer praticamente todas as emissoras cariocas. Trabalhou como assistente de Haroldo de Andrade até conseguir um horário para o seu programa na Rádio Globo.

Muito curioso é que Waldir Vieira entre os quadros fixos de seus programas criou "O Quebra Cuca", onde o ouvinte podia dizer qual o quadro mais chato que ele apresentava. Isso não era comum nos programas de rádio, mas ele sempre queria saber a audiência do seu horário.

Entre as atrações fazia também o "Onde Anda Minha Gente", e nesse quadro descobriu que neste país tinha muita gente que não sabia onde andavam seus pais, parentes, irmão ou amores. Através de cartas conseguiu o reencontro de duas irmãs que não se viam há 68 anos e foi emocionante.

Nutrição era também um assunto discutido por Waldir Vieira que, com o auxilio de uma nutricionista, respondia às cartas de donas-de-casa, num diálogo bem informal.

"Não gosto de gênios no meu programa, pois é um perigo, gosto de pessoas que se comunicam diretamente com o seu público, que é o povão", dizia o radialista.

Waldir Vieira foi casado com Ângela sua fã número um e com quem teve dois filhos, Luciano e LinaWaldir Vieira dizia ser um homem realizado tanto na profissão quanto no casamento.

Silvinho Barbosa, Sérgio Barbosa, Waldir Vieira, Gilbert O'Sullivan e Marcos Bissi - Estúdio A Rádio Globo, RJ.

Em uma entrevista, Waldir Vieira  falou sobre o seu programa que era líder de audiência:

"No meu programa nada é premeditado. As coisas vão acontecendo na hora e no momento exato e acho que esta é a verdadeira fórmula do sucesso que alcancei. O dia inteiro recebo telefonemas de donas-de-casa, que dão uma opinião sincera sobre a programação, e o que nós fazemos é sempre de acordo com a vontade do público. Há pouco tempo, por exemplo, tiramos do ar o quadro 'Eu Vi Um Disco Voador', por que estava se tornando cansativo, repetitivo. Todos os que chegavam diziam a mesma coisa e os ouvintes começaram a se cansar!
Tiramos também o 'Papo da Novela' onde atores da rádio imitavam atores da TV Globo. No principio deu certo, era gostoso porque a novela 'Pai Herói' estava em evidência e tinha tipos que a gente podia explorar bastante. Com 'Os Gigantes' ficou mais difícil e os ouvintes nos escreveram pedindo para eliminar o quadro.
O programa Waldir Vieira é isso: Comunicação total, integração perfeita entre público, ouvinte e apresentador. O programa é do povo, feito para ele. E se é assim, nada mais justo que todos os que nos prestigiam dêem sua opinião. Por isso o resultado que o IBOPE nos trás. A audiência é exatamente o dobro do segundo lugar da Radio Tupi. Sem falar nas cartas que recebem uma média de 1.500 por dia, com programação normal, pois agora estamos fazendo uma promoção da coleção de discos de Roberto Carlos e o número de cartas que chegam diariamente é de 3.000.
Alguma dica especial? Não, apenas um pensamento que é uma regra a seguir! A gente deve viver intensamente cada momento da vida, porque quando o tempo passa, a gente verá que os cabelos grisalhos chegam e nada de bom fizemos para ninguém. Antes que isso aconteça o programa Valdir Vieira vai entrando diariamente nos lares, levando a sua mensagem de amizade e companheirismo."
(Waldir Vieira)

Quando Waldir Vieira abria o seu programa, todas as tardes às 13h00, na Rádio Globo, nem ele mesmo sabia bem o que iria acontecer nas próximas 4 horas. É que, apesar de alguns textos já estarem preparados pela equipe de produção, Waldir Vieira improvisava o tempo todo.

Seu temperamento agitado e bastante emocional levava o programa a um clima diferente dos outros similares. As mancadas ele reconhecia que existiam, mas isso servia para mostrar aos ouvintes que as coisas iam acontecendo realmente, durante o programa e que ele também era apanhado de surpresa.

O Último Programa e Morte

No dia 13/11/1985, Waldir Vieira cumpriu normalmente seu dia de trabalho na Rádio Globo. Fez um programa considerado emocionante por seus colegas e por muitas de suas fãs e foi para a agência de publicidade que tem na mesma rua, no bairro da Glória, onde fica a rádio.

Na verdade, Waldir Vieira passou pela portaria do Hotel Ebony com uma jovem com quem já se apresentara ali outras vezes. Uma jovem acompanhante, a bancária Sueli Costa Pessanha, de 22 anos, moradora de Niterói e funcionária de uma agência do Bradesco em Nilópolis. Pegaram as chaves no quarto C-03 do 12° andar do único "motel vertical" e mais moderno hotel de alta rotatividade do centro do Rio de Janeiro. A partir daí, ninguém mais viu o casal.

O casal foi encontrado sem vida na suíte, no dia 13/11/1985, no Rio de Janeiro. Na 9ª Delegacia, onde rola o inquérito, a versão aceita é a de homicídio seguido de suicídio - Sueli Costa Pessanha teria matado Waldir Vieira e se matado, hipótese essa, a menos contestada pelos familiares. Outra versão é que o casal morreu asfixiados por um vazamento de gás.

Assustadas, incrédulas, tristes e decepcionadas, milhares de fãs do radialista sempre anônimas, cantavam o prefixo do programa de Waldir Vieira, numa última homenagem ao ídolo. Waldir Vieira fez sucesso com as mulheres até o fim.

Fonte: Wikipédia, Projeto VIPRádio em Revista e Revista Veja (20/11/1985, Ed. 898 - Datas – Pág: 125 - Polícia Pág: 130)

André Filho

ANTÔNIO ANDRÉ DE SÁ FILHO
(68 anos)
Compositor, Cantor, Arranjador, Instrumentista e Radialista

☼ Rio de Janeiro, RJ (21/03/1906)
┼ Rio de Janeiro, RJ (02/07/1974)

Antônio André de Sá Filho, mais conhecido com André Filho, foi um ator, multiinstrumentista (piano, violão, bandolim, violino, banjo, percussão), radialista, compositor e cantor brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, RJ, no dia 21/03/1906.

Ficou órfão muito cedo, sendo por isso criado pela avó. Começou a estudar música erudita aos oito anos com Pascoale Gambardella. Estudou, anos depois, vários instrumentos como violão, violino, piano, bandolim, dedicando-se, então, à música popular brasileira.

Formou-se em Ciências e Letras no Colégio Salesiano de Niterói, RJ, onde foi colega de Almirante.

Na década de 1940, esteve internado com problemas psíquicos, que, somados a alguns outros, acabaram por fazê-lo abandonar a vida artística.

André Filho é autor de muitos sucessos, entre os quais a marcha "Cidade Maravilhosa" que se tornou o hino da cidade do Rio de Janeiro. Por isso virou uma figura histórica do Rio de Janeiro, além de ser o parceiro de Noel Rosa no samba "Filosofia".

André Filho começou a carreira artística cantando na Rádio Educadora. Foi arranjador, compositor de jingles, locutor de várias emissoras como a Rádio Tupi, Rádio Mayrink Veiga, Rádio Phillips e Rádio Guanabara.


Sua primeira composição a ser gravada foi "Velho Solar", em 1929, pela Parlophon, interpretada por Henrique de Melo Moraes, o tio de Vinícius de Moraes. No mesmo ano, Ascendino Lisboa lançou o samba "Dou Tudo".

Em 1930, Carmen Miranda lançou duas músicas suas pela RCA Victor, o samba "O Meu Amor" e a marcha "Eu Quero Casar Com Você". Sílvio Caldas gravou também pela RCA Victor o seu samba "Nem Queiras Saber" (André FilhoFelácio da Silva).

Em 1931, Carmen Miranda gravou os sambas "Bamboleô" e "Quero Só Você", Jaime Vogeler a canção "Meu Benzinho Foi-se Embora" e Francisco Alves a valsa "Manoelina". No mesmo ano, gravou seu primeiro disco, na Parlophon, interpretando os sambas "Estou Mal" (André FilhoHeitor dos Prazeres), e "Mangueira" (Saul de Carvalho). Lançou com J. B. de Carvalho, a macumba "Anduê, Anduá" (Maximiniano F. da Costa) e o samba "É Minha Sina" (André Filho).

Em 1932 teve diversas composições gravadas por diferentes intérpretes. Carmen Miranda registrou os sambas "Mulato De Qualidade", "Quando Me Lembro" e "Por Causa de Você"; Sílvio Caldas o samba "Jurei Me Vingar" (André Filho Valfrido Silva); O Grupo da Guarda Velha e Trio TBT, o samba "Como Te Amei".

Em 1933, gravou os sambas "Vou Navegar" e "Nosso Amor Vai Morrendo", e teve gravados por Carmen Miranda, os sambas "Fala Meu Bem" e "Lua Amiga", e por Elisa Coelho os sambas "O Samba é a Saudade" e "A Lua Vem Surgindo". Mário Reis foi convidado por Noel Rosa para gravar "Filosofia", pela Columbia.


Em 1934, Carmen Miranda lançou, junto com Mário Reis, o samba "Alô... Alô...", um grande sucesso no carnaval daquele ano. Ainda em 1934, gravou seu grande sucesso, a marcha "Cidade Maravilhosa", em dupla formada com a então novata Aurora Miranda, de apenas 19 anos. Segundo Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello, a escolha de Aurora Miranda "refletia de certo modo a tendência de romper com uma constante da época: a hegemonia masculina na gravação do repertório carnavalesco". De qualquer modo, o certo é que a entrada de Aurora Miranda em cena deve-se mesmo ao fato de ser irmã de Carmen Miranda, já então no auge da popularidade, inclusive nos carnavais. O lançamento de "Cidade maravilhosa", se deu no entanto, sem grande sucesso na Festa da Mocidade, em outubro daquele ano.

A marchinha foi inscrita em 1935 no Concurso de Carnaval da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, obtendo, para indignação do autor, a 2ª colocação. Também em 1935, gravou a marcha "Guarde Um Lugarzinho Para Mim" (André Filho e Valfrido Silva) e o samba "Jura Outra Vez" (Alcebíades Barcelos e Valfrido Silva), e com Aurora Miranda, gravou de sua autoria, a marcha "Ciganinha Do Meu Coração" e o samba "O Que Você Me Fez".

Em 1936, lançou as marchas "Teu Cabelo Vou Pintar" e "Cadê a Minha Colombina", de sua autoria. Aurora Miranda gravou de sua autoria, o samba "Quero Ver Você Sambar" e a marcha "Bacharéis Do Amor", e Carmen Miranda a marcha "Beijo Bamba" e o samba "Pelo Amor Daquela Ingrata".

Em 1937 teve mais duas marchas gravadas por Aurora Miranda, "Se a Moda Pega..." e "Quero Ver Você Chorando".


Em 1938, Aurora Miranda gravou a marcha "Na Sua Casa Tem..." (André Filho e Heitor dos Prazeres) e o samba "Chorei Por Teu Amor".

Em 1939 lançou a marcha "Linda Rosa" e o samba "Quem Mandou?".

Em 1941, gravou a marcha "Carnaval na China" (André Filho e Durval Melo) e o samba "Estrela do Nosso Amor" (André Filho). Vicente Celestino gravou pela RCA Victor a valsa "Cinzas No Coração", obtendo grande sucesso, e a canção "Cancioneiro Do Amor".

Em 1960, um decreto oficializou "Cidade Maravilhosa" como hino da cidade. No final da década de 1960, convidado e entrevistado por Ricardo Cravo Albin, então diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS), gravou histórico depoimento para o museu, tendo sido seu estado mental considerado bastante razoável pelo entrevistador.

Em 1974, Chico Buarque resgatou "Filosofia", regravando o samba em seu álbum "Sinal fechado", dedicado a outros autores por causa da censura imposta à sua produção. O samba foi, na época, grande sucesso e uma maneira inteligente de dar um recado ao regime militar. O samba voltaria a ser ouvido na voz de Mário Reis, na década de 1970 e, posteriormente, incluído no filme "Brás Cubas" (1985), adaptação do cineasta Júlio Bressane para o clássico de Machado de Assis "Memórias Póstumas de Brás Cubas". No filme, "Filosofia" é o tema do personagem Quincas Borba.

Devido a várias crises pessoais, inclusive o fim prematuro de casamento com a esposa Zilda, o que lhe teria provocado graves crises psíquico-nervosas, afastou-se completa e prematuramente da vida artística, passando a orar com a mãe que o abrigou, cercando-o de carinho e cuidados, o que obscureceu a avaliação de sua obra, fazendo com seu trabalho fosse lembrado basicamente apenas pela marcha "Cidade maravilhosa".

Em 2006, seu acervo passou a pertencer ao Instituto Moreira Salles que o homenageou por ocasião do centenário de seu nascimento com uma exposição de partituras, documentos e fotografias.

André Filho morreu aos 68 anos , no dia 02/07/1974, no Rio de Janeiro.

Discografia

  • 1941 - Carnaval Na China / Estrela Do Nosso Amor (Odeon, 78)
  • 1939 - Linda Rosa / Quem Mandou? (Columbia, 78)
  • 1938 - Perdão, Emília / Onde é Que Eu Vou Parar (Odeon, 78)
  • 1937 - Maravilhosa / Ó Rosa (Odeon, 78)
  • 1936 - Teu Cabelo Vou Pintar / Cadê a Minha Colombina (Odeon, 78)
  • 1935 - Guarde Um Lugarzinho Pra Mim / Jura Outra Vez (Odeon, 78)
  • 1935 - Ciganinha Do Meu Coração / O Que Você Me Fez (Odeon, 78)
  • 1934 - Cidade maravilhosa (Odeon, 78)
  • 1934 - Lourinha Brasileira / Não Chore Mais (Columbia, 78)
  • 1933 - Vou Navegar / Nosso Amor Vai Morrendo (RCA Victor, 78)
  • 1931 - Estou Mal / Mangueira (Parlophon, 78)
  • 1931 - Se o Teu Amor... / Você Diz Que é Melhor (Parlophon, 78)
  • 1931 - Vai De Uma Vez / Amizade Não Se Compra (Parlophon, 78)
  • 1931 - Cala a Boca / Vivo Feliz Sem Você (Parlophon, 78)
  • 1931 - Anduê, Anduá / É Minha Sina (Parlophon, 78)


Indicação: Miguel Sampaio

Nhô Totico

VITAL FERNANDES DA SILVA
(92 anos)
Radialista e Humorista

☼ Belém do Descalvado, SP (11/05/1903)
┼ São Paulo, SP (04/04/1996)

Nhô Totico, nascido Vital Fernandes da Silva, foi um radialista e humorista brasileiro que ao lado de nomes como Silvino Neto tornou-se um dos ícones do humor radiofônico no Brasil.

O Museu Público Municipal de Descalvado possui um acervo com aproximadamente 5 mil objetos, entre móveis, documentos, fotografias, prêmios e cartas trocadas com celebridades e autoridades políticas de importância nacional e com amigos e fãs da cidade-natal.

Vital Fernandes da Silva nasceu em 11/05/1903 na cidade de Descalvado, interior do Estado de São Paulo, cidade na qual viveu até os 10 anos de idade. Último de seis filhos da italiana Adelina Mandelli da Silva e do baiano João Fernandes da Silva, logo ganhou o apelido de Totó. Desde muito jovem tinha tendências para as artes influenciado por seu pai. João Fernandes da Silva era um músico hábil que tocava vários instrumentos, mas adorava o violão, tanto que o próprio Vital escreveu tempos depois:
"Mas virtuose mesmo ele o era no violão, instrumento que tocava por música. Causa muita admiração porque, além de dominar completamente o instrumento, sendo canhoto, não invertia as cordas do mesmo, como habitualmente fazem os canhotos. Uma singularidade: só tocava com inteiro agrado no violão que ele mesmo fabricasse. Nossa casa era um arsenal de instrumentos musicais. Piano, harpa, saxofone, clarinete, requinta, violão, bandolim, flauta, violino e até um 'celo' (violoncelo) de fabricação caseira."
Bom musico, o pai de Vital, se empregou no cinema da cidade fazendo acompanhamento das seções de filmes mudos, e com empenho conseguiu sociedade no cinema. O que seria ótimo para Vital e um grupo de amigos que passaram a produzir os sons, como  uma espécie de sonoplastia para as fitas, atrás das telas. Tudo sob a regência de Vital.

Com dez anos, Vital foi com a família para São Paulo, capital, onde ficou pouco tempo, pois logo ingressou no Seminário Salesiano de Lavrinhas, onde viveu por um ano e depois retornou a São Paulo. De volta, começou a trabalhar para ajudar a família e através de um amigo conheceu a professora Leonor de Campos que o apresentou aos Frades do Convento de São Francisco. Na instituição Vital expandiu suas atividades artísticas encenando, dirigindo e muitas vezes fazendo às vezes de cenógrafo.

Alguns anos mais tarde fundou a Associação dos Amigos de Santo Antônio, com sede no próprio convento. As atividades artísticas capitaneadas por ele iam tão bem que a verba conseguida com os festivais teatrais possibilitaram a reforma do Salão de Atos, a compra de um projetor de cinema e o lançamento do jornal "Mensageiro da Paz".

Vital passou a ser o animador oficial de eventos promovidos pelas obras assistenciais do Convento de São Francisco de Assis, ao lado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Em breve ganhou o cargo de humorista oficial da turma de direito do diretório estudantil XI de Agosto, mas ainda não tinha conseguido seu grande sonho que era ser "artista".

Para ganhar a vida conseguiu um emprego na Repartição de Águas e Esgotos, mas continuou tentando decolar com sua carreira. Neste meio tempo começou a Revolução de 32 e como a maioria dos jovens ingressou nas tropas paulistas.

Vital manteve um diário onde narrava as atividades das batalhas e as impressões dos locais por onde passou:
"Diário de Campanha do soldado nº 135, adido do 5º R.C.D. Vital Fernandes da Silva, residente em São Paulo - Butantã à Rua Fernão Dias 93. Filho de João Fernandes da Silva e dona Adelina Mandelli da Silva. Nascido em 11 de maio de 1903 em Belém do Descalvado, Estado de São Paulo. Fui designado para seguir  para Cruzes ao 16 de agosto, para onde segui em 19 de agosto. Custou-me separar-me dos meus.  Despedi-me dos amigos e da minha 'Ex' da qual me lembrei ao passar por Taubaté, por ter visto ao lado da linha férrea uma laranjeira coberta de flores brancas... flores brancas... casamento. Quanta recordação... Recordar é viver. Ao chegar em Cruzes encontrei muitos colegas, todos mais moços que eu, todos incorporados. Pensei nas laranjeiras, no casamento, na impossibilidade de realização desse meu sonho e... incorporei-me sem grande contentamento dia 20/08 incorporei-me no 5º R.C.D" 
(Paulo Fernandes, 2002)


Os paulistas são derrotados e Vital voltou a capital paulista e retomou seus contatos com o mundo artístico. Entre eles Oduvaldo Viana Filho e Otávio Gabus Mendes que logo se interessaram pelo rádio teatro, impulsionando esta nova linguagem. Mas embora tão próximo do veículo que o iria consagrar, o jovem Vital só ingressaria no rádio pelas mãos de um parente.

Vital  tinha um cunhado que era saxofonista do "Grupo Sertanejo Cigarra" ligado a revista bastante conhecida na cidade. Um dia o grupo foi convidado a se apresentar nos estúdios da Radio Educadora Paulista, instalada no Palácio das Industrias no Parque Dom Pedro, no centro da capital.

Como o grande sonho de Vital era ser "artista", procurava se infiltrar em todas a manifestações culturais que podia. Assim, aproveitou para ir a Rádio Educadora com o cunhado. Após o programa, os produtores pediram a ele que contasse uma anedota, ação que o jovem interiorano aproveitou.

De improviso contou uma história um pouco picante para os ouvintes da época e por isto, sua estréia foi um fiasco. Logo após o término da piada, ouviu a censura dos colegas e amigos que passaram a ligar para sua casa reclamando do teor da história. 

O próprio Vital contou que ficou muito envergonhado e que há certo tempo "queria que o chão se abrisse" para que pudesse ser engolido e desaparecesse de tanta vergonha. Mas mesmo não dando certo sua tentativa de alegrar os ouvintes, esta foi a primeira vez que utilizou o pseudônimo de Nhô Totico. Nascia ali uma das maiores lendas do rádio paulista.

Ele contou que depois da vergonha continuou tentando a vida artística até que conseguiu iniciar a carreira pelas mãos de um dos estudantes de direito, Enéias Machado de Assis, que já atuava como radialista. Enéias levou Vital para conhecer o jovem Olavo Fontoura, diretor e um dos proprietários de uma rádio clandestina. Na realidade a emissora era resultado de uma brincadeira dos Irmãos Fontoura que chamaram a emissora de DKI A Voz do Juqueri.

Na hora do teste, Vital perguntou o que devia fazer e Olavo Fontoura pediu para que ele repetisse as ações que fazia diante dos estudantes. Vital conclui que não poderia fazer as mesmas brincadeiras, pois eram muito "pesadas" para programação. Ele foi ao microfone e fez um pequeno teatrinho onde revelou sua maior característica: Fez todas as vozes dos personagens e ainda complementou a história com "efeitos especiais" feitos por ele mesmo. Neste momento conseguiu o espaço para fazer o seu primeiro programa, mas ainda sem remuneração.

Nhô Totico desenvolveu inicialmente um programa voltado ao público adulto, "XPTO, Vila de Santo Antonio de Arrelia", ou simplesmente "Vila do Arrelia". O sucesso foi tanto que a rádio se regularizou e Nhô Totico ganhou um contrato.

Já em 1935 na Radio Record de São Paulo, ele apresentava um programa diário com seus personagens, entre as 18h30 e 19h00. Um dia antes de entrar no ar, encontrou com Marcelino de Carvalho, um dos diretores da emissora que tinha acabado de voltar da Europa, onde foi fazer a cobertura da Guerra.

Marcelino disse a Vital que no hemisfério norte as emissoras faziam programa para crianças em horário mais cedo por causa do inverno, para que elas pudesse se deitar ouvindo o rádio. Então o patrão propôs a Vital que fizesse um programa para crianças formatado em um clube de futebol. O humorista se negou afirmando que sobre o esporte não falaria e que era contra o fanatismo que envolvia as crianças contrapondo com a necessidade de estudo. Neste momento tocou a campainha para que Vital entrasse no ar. Marcelino de Carvalho insistiu: "Então vai falar do quê?". Vital respondeu: "Não sei. Mas ouça!".

Neste momento adentrou o estúdio da Record e começou seu programa, e acabou criando ali a "Escolinha da Dona Olinda", onde compunha estudantes como personagens oriundos das diversas colônias que existiam na cidade. Nasceu assim o italiano, o japonês, o filho do sírio e do nordestino. Além do inspetor e zelador da escola Srº Joaquim, um negro velho com todas as suas crendices. Nhô Totico afirmava que tudo que fazia era de improviso e sem script. Como ele mesmo dizia "como pastel de chinês" feito na hora.

Randal Juliano, radialista e ouvinte de Nhô Totico afirmava que ele sentia no operador o efeito de suas piadas, e se fosse necessário mudava o sentido do programa na hora bastando perceber que suas falas não haviam empolgado o colega de trabalho.

Vital afirmou várias vezes que para ele este processo de improviso era um "dom divino". Com um raciocino rápido e uma criatividade acima da média Nhô Totico ganhou espaço rápido no rádio paulista em dois horários. Das 18h00 às 18h30 apresentava a "Escolinha da Dona Olinda" e as 23h00 apresentava a "Vila do Arrelia". O primeiro programa voltado as crianças e o segundo aos adultos.  O sucesso foi tanto que logo Vital passou a excursionar pelo país e a dividir o palco com grandes nomes da Música Popular Brasileira.

Como na apresentação em Santos, onde presenciou Carmen Miranda brincar com a irmã Aurora Miranda sobre o namoro com Custódio Mesquita diante dos expectadores.
A competição acirrada pela audiência no final dos anos 30 para os 40 levou a Rádio Cultura, dos Irmãos Fontoura, a expandir a estrutura física da emissora para que as apresentações dos programa de Nhô Totico fossem feitas ao vivo em um auditório.

Inauguram em 1939 o Palácio de Rádio em um ponto privilegiado na Avenida São João, no centro da cidade de São Paulo. O prédio de seis andares possuía um auditório para 400 lugares que passou a lotar com as transmissões dos programas.

Uma característica dos programas de Nhô Totico era que sua formação católica sempre esteve presente. O foco do programa para as crianças era educar e discutir valores de ética e cidadania. Como demonstra o texto publicado no Jornal Folha da Manhã em 1944:
"Conta-se pelos dedos de uma mão o número dos autênticos humoristas que o rádio brasileiro apresentou em vinte anos. Nhô Totico é um deles. É o único, no entanto, entre raros eleitos, cujo humorismo pode e deve ser levado a um público infantil. Falou-se aqui ainda há pouco sobre educação pelo rádio, afirmando-se que  ela não poderia ignorar o lema da escola de Maria Montessori, que é ensinar divertindo e divertir ensinando. O popularíssimo artista de São Paulo segue as pegadas da famosa educadora italiana. Seus programas não se contentam em ser simples passatempos. São também lições de solidariedade humana."  

Mesmo com o sucesso Vital Fernandes da Silva manteve seu emprego na repartição pública e cumpria religiosamente seus horários desempenhando suas funções com empenho e esmero.

Com jornada dupla Vital era assediado por todas as grande emissoras do eixo Rio/São Paulo, mas sempre manteve sua palavra ao amigo Fontoura. Mas a Rádio Record fez novamente uma proposta que não pôs em xeque sua amizade. Nhô Totico manteve seus programas na Rádio Cultura e fez um novo programa na concorrente, evidentemente em outro horário. Nasceu assim, em maio de 1936, mais um programa "Chiquinho, Chicote e Chicória". Mas a vida em três empregos ficou difícil e Vital encerrou seu programa na Rádio Record um ano depois. Seus personagens foram incorporados aos programas da Rádio Cultura para tranqüilidade dos Irmãos Fontoura.

Em breves licenças do serviço público Vital excursionava pelo país fazendo grande sucesso. No Rio de Janeiro fez algumas temporadas na Radio Mayrink Veiga, coordenada na época por César de Alencar, amigo de rádio e de armas de Nhô ToticoCésar de Alencar tinha sido ao lado de Nicolau Tuma e Renato Macedo as vozes da Revolução de 32, sendo transmitidos pela Rádio Record de São Paulo.

A esta altura, Vital já era uma celebridade nacional tendo status de estrela, conquistando até a disputada imprensa carioca. Como demonstra este trecho do texto de Carlos Cavaco, no Correio da Noite, em outubro de 1941.
"... Totico que é, ao meu ver o primeiro e o mais completo artista do gênero na América do Sul, e que aproveita os seus magníficos programas para educar as crianças e fazer propaganda altiva e inteligente do nosso nacionalismo. É de homens assim, desse talento, dessa cultura, que o rádio precisa; e não dessa enxurrada de nulidades que aparece nas irradiações, atormentando os ouvidos de cinqüenta milhões de criaturas."
Nos anos 50, com a chegada da televisão, os empresários passaram a investir no novo meio e as verbas do rádio começaram a minguar. Embora muitos tenham indicado o fim do rádio, o que aconteceu foi uma acomodação de mercado, onde as emissoras radiofônicas passaram a focar mais suas programações para a prestação de serviço e as televisões ficaram com a maior fatia do entretenimento.

Em 1950, Vital tinha ganho o premio Roquete Pinto, o maior e mais badalado do rádio brasileiro, como melhor humorista. Com todo o seu sucesso no rádio foi natural a tentativa das emissoras de televisão em levar Nhô Totico para suas programações, mas ele sempre preferiu o rádio. Chegou a trabalhar por um breve período na TV Record de São Paulo e voltou a suas origens.

Em 1953, com 21 anos de atuação no rádio, Nhô Totico pensou em parar. Mas acabou assinando um contrato com a Rádio América, onde ficou até 1962, quando efetivamente encerrou sua carreira tendo cumprindo 30 anos de dedicação ao rádio brasileiro.

Nos anos seguintes passou um longo período longe dos palcos e dos microfones. Embora tenha participado de vários programas de rádio e de entrevistas para a televisão, Vital não voltou efetivamente a trabalhar em um veículo até os anos 80.

Entre 1983 e 1985 fez um contrato com a TV Globo para participar trimestralmente do programa "Som Brasil" apresentado por Rolando Boldrin.

As participações serviram para mostrar que Nhô Totico ainda estava em forma, embora com mais de 80 anos. Diante da platéia do programa Vital refazia os personagens que o tornaram famoso nos anos 30 e 40, desta vez com o suporte da imagem. O público delirava ao ver aquele senhor de cabelos brancos fazendo as vozes da "Escola da Dona Olinda" e os personagens da "Vila do Arrelia".

Vital que tinha ficado viúvo no final da década de 30, se casou em 1946 com Jutta Hertel Fernandes da Silva. Ela foi a companheira que iria acompanhar toda a ascensão do artista e ajudá-lo até o fim de sua vida.

Vital Fernandes da Silva faleceu em 04/04/1996, sendo velado na Assembléia Legislativa de São Paulo e enterrado no Cemitério da Consolação, Zona Oeste de São Paulo.

Mesmo tendo alcançado grande sucesso, Vital não ganhou muito dinheiro, sempre manteve seu emprego na repartição pública e após deixar os microfones viveu modestamente em uma casa na capital paulista. Seu acervo que inclui fotos, recortes de jornais, cartas e alguns móveis foi doado pela viúva para a Academia de Letras de Descalvado, cidade natal do artista.

A prefeitura local havia se comprometido a doar um imóvel para abrigar o acervo que conta a história de Nhô Totico, mas até hoje nada foi feito.

Não há registros sonoros gravados de nenhum programa de Vital Fernandes da Silva. Há indícios não comprovados de que algumas gravações da censura teriam sido passadas para discos, mas ninguém sabe dizer onde podem estar. Incêndios e inundações ajudaram a apagar dos arquivos da Radio Cultura de São Paulo os registros da "Escola da Dona Olinda" e da "Vila do Arrelia".

Parte do material que consta neste texto resultado de depoimentos do próprio Vital Fernandes da Silva em eventos do Centro Cultural São Paulo e algumas emissoras de rádio da capital paulista. Outra parte é resultado das pesquisas de Paulo Fernandes, sobrinho neto do humorista que desde 2002 tenta financiamento para fazer um livro sobre o Nhô Totico.

Os Programas

Vital Fernandes da Silva inovou ao fazer vários personagens mudando sua voz para poder caracterizá-los. Dono de uma criatividade ímpar produzia tudo sem script apenas com o improviso e algumas idéias sobre as mensagens que gostaria de passar a seus ouvintes. 

Escolinha da Dona Olinda

A "Escolinha da Dona Olinda" trazia a mescla de raças contidas nas ruas da cidade de São Paulo. Para que os ouvintes visualizassem os personagens de Vital, bastava abrir a janela ou dar um passeio pelas ruas. Como mostra o depoimento do diretor e ator Paulo Afonso Grissolli:
"Na escola e na igreja não se olha para trás”, afirmava a severa, mas bondosa professora Dona Olinda, personagem principal de um programa que influenciou muitos outros que surgiram. Todos os dias, às seis e meia da tarde, pelas ondas da Rádio Cultura, eu ouvia as suas vozes e, por elas e através de sua infindável comicidade, eu aprendia uma generosa lição de vida. D. Olinda era professora de uma escola ímpar, que durava, a cada dia, apenas meia hora. Os demais eram seus alunos (junto comigo):Soko, o japonesinho humilde; Mingau, o ítalo-brasileiro, torcedor do Palmeiras; Mingote o cabeça-chata verborrágico; Manuel o lusitano; Jorginho, o 'turco', Sebastião, o caipirinha maroto; e Minguinho, menino urbano...Com rapidez invencível, ele mudava, num segundo, da voz aguda de dona Olinda para o timbre roufenho e pesado de “seu” Joaquim, o preto velho, bedel da Escolinha  a presença negra necessária para que o quadro étnico-humano de São Paulo se completasse no programa."
(Paulo Fernandes, 2002)

Embora não tenhamos cópias dos programas, Vital ficava feliz em poder representar novamente todos seus personagens sempre que podia. Foi assim que em 10/09/1984 ele participou do evento "O Rádio Paulista no Centenário de Roquete Pinto" no Centro Cultural São Paulo. Na ocasião Vital representou ao vivo e de improviso um pequeno trecho da "Escola da Dona Olinda", diante dos olhos atentos da platéia.

Vila da Arrelia

Na "Vila do Arrelia" a personagem principal era Dona Aqueropita, filha de italianos, solteirona obcecada com a ideia de encontrar um homem solteiro para se casar. Durante as apresentações havia uma interação com os expectadores presentes no auditório que permitia a Nhô Totico desenrolar a trama levando os personagens as compras, ao cinema e as passeios na Vila. Paulo Fernandes afirma que: 

"O humorista fazia sozinho e de improviso todos os outros personagens do programa, entre eles o motorista de praça Sayamoto Kurakami, que conduzia dona Aqueropita pelas ruas da cidade, o negociante de tecidos Salim Kemal Fizeu; Betto Spacca Tutto era o inflexível irmão da Aqueropita, o português Manoel e o nordestino Trinta e Nove, que reapareciam no programa da tarde, como os pais das crianças da Escola de Dona Olinda."
Chiquinho, Chicote e Chicória

O programa foi feito por Nhô Totico na Rádio Record de São Paulo em 1936, por aproximadamente um ano. Período em que o humorista continuou a fazer "A Escola da Dona Olinda" e "A Vila do Arrelia" na Rádio Cultura. Com o fim do trabalho na Rádio Record, Vital continuou com os novos personagens, só que desta vez absorvidos nos outros programas.

O trabalho de Vital Fernandes da Silva demonstra a genialidade do menino de origem humilde em retratar em seus programas a diferenças sócio-culturais das diversas etnias que formou a cultura da capital paulista na primeira metade do século XX. Inovador ao criar um programa de humor voltado as crianças e transgressor ao não utilizar roteiros pré-estabelecidos, Nhô Totico marcou a história do rádio brasileiro. Mesmo com todo o sucesso que alcançou se manteve fiel as suas origens caipiras, mas dando a ela a dimensão cosmopolita trazida pelo desenvolvimento agrário e industrial do Estado de São Paulo. Seu trabalho dá continuidade ao de humoristas da Belle Époque transcendendo seu momento histórico ao retratar os conflitos da chegada do progresso.

Do ponto de vista artístico Vital Fernandes da Silva foi único, jamais outro humorista conseguiu catalisar tantos ouvintes com um produto tão específico para crianças.

Infelizmente pela falta de um política pública para o resgate e manutenção da história no Brasil, estamos perdendo o pouco que resta do acervo de Nhô Totico. Caso não tenhamos um mudança considerável no lidar com os produtos históricos assistiremos a boa parte da história dos veículos de comunicação, especialmente do rádio, ser apagada pelo descaso e ignorância.